domingo, 13 de agosto de 2017

Coisas que vimos no Sábado: Shounen Mangá, Quadrinho Polêmico de GOT, Adaptação da Globo para Orgulho e Preconceito e novela Essas Mulheres


Foi um dia meio tenso por aqui, tinha que terminar de arrumar um artigo para publicação e Júlia estava com sono, sem querer dormir e enjoando por horas e horas.  Daí, fiquei mais foi vendo bobagens mesmo, quer dizer, nem tudo era bobagem, mas vamos lá, juntando tudo em um post só.  

Capa comemorativa da Shounen Sunday
1. Mil capítulos de Detetive Conan  (名探偵コナン Meitantei Konan).  Uma das séries mais amadas do Japão chegou ao seu milésimo capítulo.  É muito, muito mesmo.  A série tem 93 ou 94 volumes lançados.  Uma amiga falou "Ah, competindo com Ouke no Monshou (王家の紋章) e Eroica (エロイカより愛をこめて)!".  Bem, Eroica terminou, seria melhor usar Glass Mask  (ガラスの仮面展).  De qualquer forma, esses três mangás que citei estão longe dos 90 volumes e começaram em 1975.  Conan circula somente desde 1994, só que semanalmente. Pergunto-me se Gosho Aoyama colocou a série em hiato alguma vez.  E, bem, tem o anime que já está chegando nos 1000 episódios, também.  É um fenômeno e eu até gostaria de ler alguma coisa dessa série. Gosto de histórias de detetive.

Jojo na Betsuma.  Qual o motivo?
2.  Capa da Betsuma com JoJo Bizarre Adventure (ジョジョの奇妙な冒険).  Eu entendo nada de JoJo, nada mesmo, mas é muito comum crossovers e ações comemorativas entre as revistas japonesas da mesma editora, neste caso, a Shueisha, e, em alguns casos, até de outras editoras.  Daí, não entendi bem o post do Comic Natalie, mas deve ser algo do gênero.  Se alguém quiser me ajudar a entender, obrigada.

Dragões: OK
3. Game of Thrones não é Idade Média.  Tudo começou com um quadrinho inspiradíssimo da artista  Kasia Babis sobre GOT.  Não vejo a série, não irei assisti-la mesmo, mas acompanho resumos e sei basicamente por onde ela caminha, até torço por personagens, para vocês verem.  Até pensei em fazer um post, lembrem que sou medievalista (*aposentada*) e sempre que vem esse papo de "é ruim, é medieval", eu fico furiosa.  O fato é que as pessoas confundem, quando lhes convém, ficção com história, como se seu seriado e/ou livro favorito fosse, ou tivesse que ser, rigorosamente factual.  Nem Os Reis Malditos, aquele monumental romance histórico (*não fantasia, nem História alternativa*) de Maurice Druon, deixou de inventar e preencher lacunas.  E que delícia de se ler!

Grandes Explosões: Isso aí!
O fato é que de muito tempo vejo o pessoal reclamando, mulheres, em sua maioria, daqui e dos EUA, de como certos sujeitos louvam a violência da série, como se a Idade Média (*cerca de 1000 anos, um monte de lugares com características diferentes e por aí vai*) fosse o paraíso dos estupradores e da violência em geral contra as mulheres.  Até já falei disso em um post anterior, que nem era de GOT.  Daí, as mulheres poderosas de GOT seriam uma coisa absurda, mas os dragões, os zumbis, a magia em geral, enfim, não seriam um problema para a audiência masculina.  Sim, eles são os que mais reclamam.  O que quero dizer é que GOT pode beber na Idade Média, mas é fantasia.  O que temos na série é o que chamamos de "medievalidade", elementos, inspiração, vindos daquilo que chamamos de período medieval, só para constar, difere a depender da historiografia do país.  Por exemplo, A Guerra das Duas Rosas (1455-1487), uma das ditas principais fontes de inspiração de GOT, para a cronologia tradicional usada no Brasil, nem é mais Idade Média, e olha que, para britânicos e americanos, o período segue até o século XVII. 
Zumbis: Maneiro
 Por ser uma série, ficção, portanto, vale dragão, vale zumbi, bruxas poderosas, vale mulheres guerreiras aos montes, se os autores desejarem, e mesmo estupros de montão.  Nada disso é Idade Média, simplesmente, é o universo da série, um dos seus pontos mais fortes e elogiados, aliás.  Agora, essa imagem distorcida, que, infelizmente, tem espaço cativo nas falas progressistas, dentre elas a de muitas feministas, tende a se confrontar com a outra, que é muito cara aos conservadores, de que era um período de grande fervor religioso e altos valores morais.  Houve mulheres poderosas na Idade Média, e a maioria delas não foram guerreiras em armadura, diga-se de passagem, e elas são estudadas e precisam ser lembradas.   Procure informações sobre Eleanor da Aquitânia, ou sua neta Branca de Castela, ou as rainhas do período da terrível Guerra das Duas Rosas, já citada, poderia fazer uma lista robusta de intelectuais, místicas, guerreiras, rainhas etc. em poucos minutos.
Magia: Legal
Mas eis que eu repostei o quadrinho no Twitter e ele foi republicado por um montão de gente.  Pessoas que não conheço e, claro, foi parar na TL de gente que jamais me seguiria e que eu jamais acompanharia.  Logo de manhã, havia um Twitt para mim de um babaca dizendo em linhas gerais que mulher poderosa não existe, que se prostituir - ele citou Cleópatra, a reduziu a isso - não dava poder para ninguém, ou não era algo do que se orgulhar.  Uma rainha em seu próprio nome, estrategista, co-governante com Marco Antônio, mas ela era só isso, uma prostituta que agradou aos romanos para esse cara.  Depois vieram dois moços  dizer - os reclamões e os que repassam, ou param para questionar o quadrinho são sempre homens - que nunca tinham visto ninguém criticar as mulheres  fortes da série, e eu acrescentaria justificar a exploração da violência sexual "porque era assim na Idade Média" (*Não era, meninos, não era, podia dar ruim a depender de quem estuprava e de quem era estuprado*).  A artista inspiradíssima é doida, portanto.  Mas não foram muitos, ainda bem, e não fiquei respondendo, porque, bem, melhor escrever um post mesmo.

Mulheres em posição de Poder: Quêêêêê?  Como?
Não é realista.  Historicamente impreciso.  Impossível!
Só digo uma coisa, o quadrinho é certeiro e eu larguei GOT logo no início, porque logo de início vi objetificação das mulheres, uso do estupro como atrativo e a falta de um poder religioso regulador.  Porque, bem, quer brincar, brinque direito.  Se é Idade Média, Europa, vamos colocar uma instituição religiosa poderosa para tentar regular esse povo.  Acredito que até apareceu alguma coisa depois, mas tardiamente, e não alterou muita coisa no todo.  E, vejam, não estou criticando quem gosta da série, a série em si, só estou escrevendo isso tudo, porque o quadrinho acabou rendendo.  De resto, gosto muito do Tyrion, mas não veria a série por ele.  Quero ver se o Jon Snow e a Daenerys vão se entender.  E, fora o estupro inventado na temporada passada, acho a Sansa uma personagem das mais coerentes.  Há muitas formas de mostrar força e exercer o poder, nesse caso, a inspiração pode continuar sendo a Idade Média.

Igor Rickli é interessante, mas não vejo Darcy nele, não.
4.  Pessoal escolhendo elenco da novela da Globo inspirada em Orgulho & Preconceito.  Para quem se interessar, uma moça começou a fazer uma escalação dos sonhos para a novela inspirada em Orgulho & Preconceito que a Globo parece que irá fazer.  Eu acho que muitas sugestões são absolutamente inapropriadas, pela idade dos atores e atrizes, especialmente, mas há algumas são até interessantes.  Eu manteria o Sr. e a Sr.ª Bennet, mas parece que já saiu que Vera Holtz será a mamãe das meninas em Orgulho & Paixão, o título nacional.  Não é uma má escolha, ela é uma atriz espetacular, seja na comédia, ou no drama.  Outra que está no elenco é Carolina Ferraz. Eu prefiro esperar para ver no que dá, mas o pessoal não pode contar que todas as personagens estarão representadas, vão inventar muitos outros papéis, também. Pensem na versão indiana de Orgulho & Preconceito, Bride & Prejudice.  Lady Catherine De Bourgh virou mãe de Darcy.  De resto, não consigo pensar em nenhum Mr. Darcy em particular, mas acredito que se derem para o Mateus Solano, ele arrasa.  Se ele for o Mr. Collins, ele também arrasa.

Cartaz da novela.  A Record nunca reexibiu completa.
5. Fui fisgada por Essas Mulheres e não consegui parar de assistir no Youtube.  Fiquei assistindo um monte de pedaços de Essas Mulheres.  Não sei por qual motivo, comecei a ver uns fragmentos dessa novela da Record inspirada em três romances de José de Alencar, Senhora, Lucíola e Diva, mas que não seguiu nenhum de forma muito ortodoxa, afinal, nem as novelas bíblicas deles seguem a Bíblia...  As três protagonistas escaladas são excelentes atrizes e lindas: Christine Fernandes (Aurélia), Carla Regina ou Cabral, ela mudou de nome (Lúcia/Maria da Glória) e Mirian Freeland (Emília/Mila).  Cada uma tinha suas angústias, amores, obstáculos a vencer, Mila inclusive era um tanto feminista, se veste de homem para sair escondida e enfrentou mil obstáculos para ter uma profissão e viver seu amor com o médico negro Augusto (Alexandre Moreno), mas o eixo central era o romance Senhora, ou o que sobrou dele.

Mila e seu amor impossível.
Senhora é meu romance favorito de José de Alencar, um dos meus favoritos da literatura brasileira, diga-se de passagem, com uma protagonista forte e com defeitos, Aurélia destoa um tanto até das  outras heroínas do autor.  Fora que há uma tensão erótica entre Aurélia e Fernando no livro que eu não lembro de encontrar em outras obras de Alencar.  Lembro que, na época, 2005, não gostei dessa história de misturar os romances.  Isso, aliás, já tinha sido feito pela Globo em Sinhazinha Flô (1977).  Fora que, como em outras novelas da Record, criaram-se muitos núcleos, uma novela, a meu ver, precisa ser enxuta.  Por exemplo, um dos sucessos de Além do Tempo, da Globo, reside aí, a meu ver.  Bem, comecei a ver as cenas e me pergunto se assisti a novela de verdade.  Sabe que eu não lembro de um montão de coisas?  E gostei de muito que vi.  Gostei mesmo.

Era para ser uma Lua de Mel muito romântica.
Vou resumir em linhas gerais a trama de Senhora, que é a que me interessa, não fui atrás das cenas das outras duas mulheres.  Rio de Janeiro, segunda metade do século XIX.  Aurélia mora com a mãe e o irmão em Santa Teresa. Levam uma vida muito pobre, o pai, visita às vezes, mas não é casado com a mãe da moça.  Enquanto isso, seu irmão consegue um emprego, mas é péssimo com as contas e quem, na verdade, faz o trabalho de contabilidade do moço é a irmã, que  por ser mulher, não tem possibilidade de conseguir um trabalho adequado e decente fora do espaço doméstico.  Com a morte do chefe da família, e depois do irmão, Aurélia é impelida pela mãe a ficar na janela e conseguir um noivo que a aceite mesmo sem dote.  Aurélia um dia conhece Fernando Seixas, eles se apaixonam, ele se declara, mas o moço não tem recursos e o pouco que tem gasta de forma leviana prejudicando, inclusive, a mãe viúva e as irmãs, que se sacrificam por ele.

Gabriel Braga Nunes arrasou como Fernando.
Um dia, uma moça rica aparece na vida de Fernando, ela tem um belo dote.  Mercenário, endividado e sem pensar muito, ele abandona Aurélia.  O destino da heroína, qual será?  Sua situação é muito precária.  Só que o avô, pai de seu pai, a encontra.  Ela se torna uma rica herdeira.  Órfã agora também de mãe, Aurélia precisa de um tutor pelo menos para manter as aparências, ela é mulher jovem e solteira, assim como uma dama de companhia, porque, no fim das contas, é ela quem controla, tudo.  E eis que Aurélia decide comprar um marido e esse marido precisa ser Seixas.  O rapaz morde a isca, mas é ainda apaixonado pela protagonista. Na noite de núpcias, porém, ela revela que o comprou e que ele lhe pertence, o humilha e tudo mais.  Seixas pensa em se matar, mas as humilhações acabam fazendo com que se torne um homem melhor e temos um final tão marcante quanto a cena da noite de núpcias.

E quem se importa se a atriz já não tinha idade
para ser Aurélia?  Ela estava perfeita.
Acho que assisti toda a novela, mas, na época, estava sem paciência para algumas enrolações.  O fato, e confirmei vendo sei lá quantas sequências dos dois, é que apesar das liberdades tomadas com Senhora, Christine Fernandes, que faz Aurélia, e Gabriel Braga Nunes, Fernando Seixas, são um dos casais mais lindos que eu já vi em cinema e TV, além de atuarem muito bem.  E Gabriel Braga Nunes fica mais bonito ainda de barba, a mudança, aliás, é usada para marcar o amadurecimento do moço. Enfim, só fiquei lembrando de um dos meus grandes amigos do tempo de faculdade suspirando por  Charlton Heston e Sophia Loren em El Cid e dizendo "Que casal lindo!  Que casal lindo!".  Sim, apesar de alguns diálogos bem cafonas, e que não eram do José de Alencar, diga-se de passagem, eu não tive problemas em assistir.  Pena que não colocaram a cena final do livro, talvez por ser um tanto (*ou um muito, vai ao gosto do freguês, porque a de Diva é imbatível nesse quesito*) machista, talvez, por já terem apressado a reconciliação do casal, mas foi uma pena.  Ela poderia ter entrado antes do fim.

Os comentários dessas cenas no Youtube são hilários.
Eu não tenho vergonha de admitir que curto romances românticos baratos, já resenhei alguns aqui, tenho outros, inclusive em formato romance, para comentar, e que esteticamente esse tipo de produção se aproxima desse material.  Alguns são bem feitos, outros, não.  Essas Mulheres, pelo menos a parte Senhora da história, ficou boa.  O elenco, no geral, é de grande qualidade.  Aliás, gente como Petrônio Gontijo (*que brilhou em Os Dez Mandamentos*) e Marcos Winter precisaram sair da Globo para fazer papéis interessantes e mostrar seu talento.  Na emissora mais importante do país, eles costumam ser escalados para fazerem os mesmos papéis sem sal.  E mais, eles não são os únicos, Marcelo Serrado só foi valorizado na Globo, quando brilhou na Record.  


Não me lembrava de ver Marcos Winter tão bem, talvez na Manchete,
e a personagem cresceu e amadureceu ao longo da trama.
Petrônio Gontijo estava muito bem como seu Torquato, o moço de bom coração, inteligente, mas  apaixonado pela vilã.  Dava peninha dele, muita mesma.  Da mesma forma que a novela ampliou o papel original de Marcos Winter, que serviu como elemento que transitava entre as tramas de Senhora, Lucíola e diva com naturalidade.  Continuando na mesma linha, acredito que para Chhristine Fernandes e Gabriel Braga Nunes voltar para a a Globo não ajudou muito a carreira deles, não, apesar de Nunes volta e meia ter um papel de destaque, cismam que ele tem cara de vilão psicopata, eles não fizeram nara à altura de seu talento depois que voltaram para a emissora.  Ana Rosa estava ótima como Dona Camila, mãe de Fernando.  Lemos, o vilão de Paulo Gorgulho destacou-se, também.  Adriana Garambone ja fazia uma vilãzinha interessante, mas seu auge é a Yunet, que, para mim, é uma das grandes vilãs de novela de todos os tempos.  Até a cena batida de briga de mulher entre Aurélia e Adelaide me pareceu divertida, com a vilã virando com poltrona e tudo no chão.  Mas, sim, o motivo era homem, e honra, também... 

Difícil um casal mais bonito em novela.  Tão bonito, talvez, mais, nunca.
Claro, que lembrei que me aborreceu muito a trama da internação no convento.  Das idas e vindas sem sentido.  De como o vilão conseguiu retomar o poder sobre Aurélia alegando não consumação de casamento com tanta gente capaz de testemunhar o contrário.  Ora, ora, bastava um exame médico se fosse o caso.  Seria humilhante, claro, mas Aurélia na novela - e mesmo nos livros - não era mulher de se intimidar com coisa alguma.  Enfim, como estou vendo no Youtube basta correr o filme e ir para as partes interessantes, como o duelo, ou as cenas entre os protagonistas.  Aliás, o que foi aquele primeiro beijo de Aurélia e Fernando?  Queriam se engolir?  Foi um exagero colossal, deveriam ter dosado melhor as coisas, mas os dois tinham química e, bem, quem sou eu para reclamar?  E ainda tenho muito que assistir, se for na mesma batida que eu coloquei em A Casa das Sete Mulheres (*que não resenhei ainda*), e cortando as cenas chatas, até termino rápido.  

Próxima resenha.
Hoje ainda, se tudo correr bem, faço a resenha de Valerian.  Gostei do filme, vale cada moedinha dos 200 milhões de euros investidos.

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3 pessoas comentaram:

Daqui a pouco começa o novo eps e eu estou muito ansioso. Eu acredito fielmente que Jon Snow e Khaleesi irão se acertar. ❤❤❤❤ Gelo e fogo unidos ^^

O personagem de Jojo que está na capa da Margaret é o Kishibe Rohan, que é bem popular no Japão e aparece na parte 4 da série (Diamond is Unbreakable). Essa é justamente a parte que foi animada no ano passado e cujo filme live action foi lançado esse mês. Acho que a popularidade vem do fato do personagem ser um mangaká, mas pra mim é um personagem chato e sem graça, que usa o amigo/fã (Koichi) pra criar histórias para publicar. Esse gaiden/extra (http://www.crunchyroll.com/anime-news/2017/07/13/kishibe-rohan-makes-a-shjo-manga-switcheroo) não é o primeiro. Além disso, está pra sair um OVA baseado nessas histórias como brinde de um dos volumes de DVD/bluray do anime. Eu acho que faria mais sentido fazer uma história da Yukako, namorada do Koichi, que também é amigo do protagonista (Josuke), justamente por ela aparecer no filme e ser uma garota. Até porque o Rohan só aparecerá SE os planos para que vire uma trilogia se concretizarem.

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