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domingo, 29 de outubro de 2017

Sobre Dinossauros e Meninas


Júlia fez quatro anos, embora esteja insistindo que continua com 3 (*quer continuar bebê e isso é um problema que estamos enfrentando*), e eu estou observando alguns comportamentos curiosos.  Se quando pequenininha a maioria dos seus bichinhos de pelúcia eram meninas.  Agora, via de regra, são meninos.  Ela ganhou um dinossauro e fez questão de dizer que era menino.  Bem, bem, aquilo me cansou, tentei conversar, ela desviando, disse que todos os dinossauros são meninos.  Eu disse que não, porque se não houvesse dinossauros meninas não teríamos filhotes.  Parti, então, para a minha desconfiança.    

"Você diz que todos os dinossauros são meninos, porque eles são fortes?".  "É.".  "Mas dinossauros meninas também são fortes." "Não são."  "Quem disse que meninas não são fortes?  Não foi a mamãe, nem o papai."  "Foram os meninos da minha escola." "E você não é forte?  Você é menina." "Eu sou forte." "Então não acredite nessas bobagens que falam para você."

Mesmo com todas as protagonistas femininas, há mais machos em
 My Little Pony que em muitos desenhos por aí.
A conversa não parou por aí.  Enfim, não quero privar minha menina do convívio social, aliás, ela precisa mesmo conviver, mas percebem como os papéis de gênero são forjados nessa dinâmica.  Meninas aprendem que são/devem ser fracas, dóceis.  E como em muitos produtos midiáticos, e não sou eu a primeira a falar disso, reforçam, invisíveis.  Pegue os desenhos animados e vejam a representatividade feminina neles.  As ilustrações de livros, como mulheres e homens aparecem.  Enfim, me lembrei de uma menina que se assustou quando eu falei dando aula para a 7ª série (8º ano) "Homens e mulheres das cavernas", ela se assustou.  "Professora, havia mulheres das cavernas?".  

No primeiro Era do Gelo, personagens femininas
só aparecem para morrer.
Isso não é saudável para as meninas, nem para meninos.  Estereótipos são reforçados e pessoas se tornam infelizes, porque, bem, não se encaixam.  Eu espero que Júlia consiga construir-se nessas interações, em casa, na escola, na igreja, na natação, enfim, e cresça uma pessoa feliz, mas o mundo em que vivemos é extremamente desigual e as meninas normalmente saem perdendo.

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