Olha, foi uma surpresa ver o anúncio ontem, mas já era quase meia noite e eu não tinha ânimo para postar, mas é isso, entre os anúncios feitos pela Netflix no evento chamado Anime Japan, a plataforma de streaming anunciou que Ōoku (大奥), série de ficção científica (História Alternativa) de Fumi Yoshinaga vai virar anime. Eu fiquei entre soltar rojões e virar os olhos, porque até onde sei, a maioria dos animes da Netflix tem uma produção abaixo da média, vide Seven Seeds, e Ōoku tem 19 volumes.
Vamos ao resumo, porque sei que há quem não conheça a história. Estamos no início do século XVII e uma terrível doença se abate sobre o Japão. 4/5 masculina do país, especialmente, os jovens, morre da horrível varíola vermelha. Para evitar que o país seja invadido, o Japão se fecha para o contato com os estrangeiros, para que ninguém saiba da situação. Com a falta de homens, as mulheres assumem suas funções e mesmo o shogun é uma mulher. Como forma de distinção, a shogun tem um harém, o Ōoku, onde ela tem somente para si uma quantidade obscena de homens, seja para dividirem a sua cama, ou fazerem outros serviços. Mas, com o tempo, a doença começa a recuar, até ser extinta definitivamente, e o balanço de poder entre homens e mulheres será revertido.
Pelos frames no Comic Natalie, a adaptação, ou, pelo menos, as amostras que eles ofereceram, vai focar no início do mangá (*Vol. 1-3*). Essa parte, aliás, foi adaptada em um filme de 2010, um dorama em 2012, e na adaptação live action que estreou neste janeiro na TV Tokyo. Eu fiz resenha do primeiro capítulo da nova versão (*ainda estou aguardando que legendem o resto da primeira temporada, porque haverá uma segunda*) e ainda que considere o resultado bom, para que o primeiro volume caiba em uma hora, e no filme ele foi adaptado no dobro de tempo, sacrificaram muita coisa, as subtramas, o que Yoshinaga coloca de humor. Vejam bem, se essas adaptações levarem as pessoas ao mangá, eu comemoro, mas o sacrifício que está sendo feito nessa conversão atual para dorama me deixou bem decepcionada. Será que o anime irá fazer diferente?
Sobre a informação, o que temos é o seguinte, o diretor será Abe Noriyuki, o Estúdio será o Deen, que fez muita coisa boa. O roteiro será de Takasugi Rika e o character design de Sato Yoko. Pelos frames a arte está muito diferente da série original, está meio morta, sem a beleza do original, genérica até. Fumi Yoshinaga merecia uma série que, pelo menos, preservasse o seu traço, ou o espírito dele. Pelas frames, vejam bem, pelo pouco que liberaram até o momento, não será assim, não. Ainda não há data de estreia.
Outra coisa, no anúncio, houve a dúvida de se a série é shoujo, ou josei. Bem, sai na revista Melody. Na wikipedia em inglês, está escrito que a revista era shoujo e, agora (*DESDE QUANDO? Nas notas do artigo, há links externos, não da Hakusensha, do mesmo ano, 2021, chamando a Melody de josei e shoujo*), é josei. No entanto, Na Wikipedia japonesa continua como shoujo, eu fui checar para ver se tinha mudado. Considerarei como válida a informação da página em japonês, até porque, a Melody, a Cookie, mesmo a Cheese, são aquelas revistas shoujo limítrofes, isto é, elas almejam um público mais velho e oferecem mangás que são mais sérios, mais dramáticos, o que, claro, não representa o todo da revista. No fim das contas, as japonesas querem é ler bons mangás e, às vezes, se apegam a uma revista, ou autora e, neste caso, a seguem para onde ela for. De resto, para fechar o caixão, na conta do Twitter da revista, está que ela é shoujo.
Fora, claro, que virou quase moda entre alguns fãs de mangá tentarem tirar material shoujo da sua demografia original para mostrar que são pessoas maduras e que não leem material juvenil, isto é, shoujo, quando está cheio de shoujo muito mais complexo do que muita série que tem como alvo o público adulto mesmo. Eu até relevo esse tipo de atitude, quando ela é fruto da imaturidade, tipo o/a adolescente que quer mostrar que cresceu, agora, quando é coisa de gente supostamente bem informada, não. É a mesma coisa que empurrar material shounen e seinen com romance como shoujo, ou josei, porque, bem, macho não gosta dessas coisas, então, tem que ser para menininha.









Animes da Netflix meio que me desanimam um pouco, mas esse eu faço questão de ver.
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