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domingo, 31 de maio de 2026

Editora histórica que publicava Mafalda na Argentina fecha suas portas

Ediciones de la Flor, responsável por publicar Mafalda na Argentina por cinco décadas, anunciou o seu fechamento.  A notícia foi dada durante a 50ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, realizada entre os dias 23 de abril e 11 de maio. Ainda que o anúncio não tenha sido feito oficialmente para a imprensa, a informação foi confirmada por Ana María “Kuki” Miller, diretora da editora, para a AFP.  Miller afirmou que o fechamento se deu por uma soma de fatores ligados às transformações do mercado editorial, desde os avanços tecnológicos até a crise econômica enfrentada pela Argentina. Segundo ela, a Ediciones de la Flor já não conseguia acompanhar as mudanças aceleradas do setor.

Ao jornal Página 12, Miller declarou que a editora funcionava ainda de maneira muito tradicional e  explicou que muitos funcionários permaneceram na empresa por décadas e que, nos últimos anos, precisou reduzir gradualmente a equipe. Para se adaptar às novas demandas de mercado, a Ediciones de la Flor teria que se reorganizar quase que do zero, o que não seria possível.  Segundo matéria do site Fora do Plástico, a situação se agravou em 2025, quando os herdeiros de Quino retiraram da editora a publicação de Mafalda alegando que a Ediciones de la Flor era muito limitada e não garantia uma boa distribuição de Mafalda.   E, citando a matéria do Fora do Plástico, "A mudança envolvendo a obra de Quino começou após a morte do cartunista, em 2020. Os direitos autorais ficaram inicialmente sob responsabilidade de sua sobrinha, Julieta Colombo, que trabalhou ao lado do autor durante mais de 30 anos. Com a morte dela, em 2023, cinco sobrinhos de Quino assumiram a administração legal da obra."

A Ediciones de la Flor teve papel importante na publicação de diversos quadrinistas argentinos, como Miguel Rep e Roberto Fontanarrosa. A editora também ajudou a introduzir no mercado argentino autores internacionais e latino-americanos, entre eles Ray Bradbury, Umberto Eco, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector.  É o fim de uma era, mas é algo típico do capitalismo.

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