segunda-feira, 27 de maio de 2013

Comentando com muito atraso o Final de Salve Jorge



Sexta-feira, dia 17 de maio, foi ao ar o último, e previsível, capítulo de Salve Jorge.  Como assisti toda a novela, perdendo (*se é que se perdeu alguma coisa*) somente uns poucos capítulos, preciso escrever este post sobre o seu encerramento.  Sei que a novela já é passado e que todo mundo só está falando de Amor à Vida, mas tenho que  pagar essa dívida (*restam outras pendências*).  A questão agora é: alguém ainda tem interesse por este texto?  Mas será que devo jogá-lo fora?  Enfim, fiz outros posts sobre a trama (*1-2-3*), mas como a novela no geral foi fraca e muito irregular, não tive ânimo para me desgastar em outros textos, mesmo quando uma ou outra cena merecia ser comentada.  

É preciso repetir sempre que Glória Perez mostrou-se mais uma vez competente em denunciar um problema social, o tráfico humano, fazendo com que muita gente parasse para refletir.  As denúncias aumentaram na medida em que o tema entrou em evidência na maior emissora do país. Também era comum que a autora postasse no seu Twitter mensagens e matérias do exterior abordando a questão e elogiando o tratamento dado na trama.  E, bem, se uma pessoa tiver sido resgatada graças a Salve Jorge, valeu a pena aturar (Pas)Théo e companhia por todo esse tempo.  



No entanto, ficou evidente que a novela foi uma das menos competentes da autora, que parecia repetir produções anteriores sem a mesma liga.  Além disso, a pré-disposição de Glória Perez em explicar cenas, clamar que estava sendo perseguida e, claro, não admitir os problemas de seu trabalho, depôs contra ela, que é, sim, uma novelista que merece todo respeito pelo conjunto de sua obra (*mesmo que eu não goste dela*) e por sua dedicação.  

Para piorar, porque sempre pode ficar pior, a produção foi descuidada, colocando por terra aquela balela de “padrão Globo de qualidade”, e possibilitando deboches sem fim, vide a foto acima.  Parte da atenção recebida pela trama foi fruto da sucessão de erros que caracterizou a novela.  Outro problema, este evidenciado desde o início, foi o excesso de personagens.  Muita gente na novela sem ter o que fazer, personagens que desapareceram por vários e vários capítulos ou que nem retornaram no final.  Dois casos gritantes foram os de Miro, malandro interpretado por André Gonçalves, e muito ativo no início da novela, e Yolanda, a dondoca de Cristiana Oliveira, que nunca teve muito o que fazer em Salve Jorge mesmo.  Até personagens carismáticas como Demir (Tiago Abravanel) foram perdendo espaço e terminaram fazendo figuração de luxo.  Enfim, me espantou muito que a Globo tenha deixado que uma novela com um elenco tão inflado fosse ao ar e os resultados foram os piores. Outra coisa que incomodou muito foi o recurso do clichê mulher apanhando para alavancar a audiência, que terminou sendo a mais baixa da década entre as novelas do horário.  


Wanda, defendida pela excelente Totia Meirelles, apanhou sabe-se lá quantas vezes.  Uma vez vá lá, mas levou sopapos de Morena e de sua mãe – a inspiradíssima Dira Paes – em várias ocasiões, fora a Maria Vanúbia... E a autora vendia essas surras no Twitter como se fossem o melhor que a novela poderia oferecer.  Sinceramente?  Vender que mulher má deve apanhar, que isso promove justiça e catarse, é muito leviano, especialmente quando sabemos que muitas mulheres sofrem violência exatamente porque alguém – marido, companheiro, outra pessoa qualquer – acha que ela merece ser surrada.  Quando a Globo vai se conscientizar disso?  Se as pessoas continuarem comemorando, nunca!

Escrevi lá em cima que o último capítulo foi previsível, porque nenhum segredo sobre os finais das personagens foi guardado. Todo mundo que lê os sites de notícias da internet, ou jornais, ou revistas baratas, já sabia de tudo quase que em mínimos detalhes.  Quem ia ficar com quem, quem seria punido e como, da surra de Russo, e por aí vai.  Se não houve surpresa, pelo menos houve alguma inovação, já que vilões e vilãs assumidos não morreram; todos terminaram presos.  Sim, quem acompanha novelas globais sabe que via de regra os maus são punidos com a morte, até porque ninguém acredita muito que eles ou elas serão presos e ficarão na cadeia.  Como Salve Jorge exaltou a atuação da polícia, e tinha em uma delegada sua personagem mais carismática, uma das fantasias que nos ofereceram no final foi ver Lívia, Wanda e cia irem em cana e ficarem lá.


De resto, depois de capítulos e mais capítulos nos quais nada acontecia, tudo teve que se resolver às pressas, prejudicando várias das tramas secundárias. Se vocês pararem para analisar, a autora resolveu (*mal*) em duas semanas questões que deveriam ser desenvolvidas ao longo de dois meses.  Só para citar um exemplo, podemos pegar o caso do detestável Celso, interpretado com muito talento por Caco Ciocler.  A personagem descobre no antepenúltimo capítulo que sua mãe traiu seu pai com o melhor amigo da família.  Celso poderia pleitear parte da herança dos Flores Galvão e, pelo menos na cabeça dele,  e vingar de Carlos (Dalton Vigh).  O caso deveria ter sido desenvolvido ao longo de vários capítulos, com a descoberta, o sofrimento das personagens de Nicete Bruno e Nívea Maria, e tudo que a situação poderia render e pedia, mas foi resolvida em poucas e míseras cenas, que exploraram muito pouco a competência dos atores e atrizes envolvidos no núcleo.  Pior ainda, uma das personagens mais detestáveis da novela terminou no bem bom, junto com a preguiçosa intriguista da Amanda.  Até com a guarda da filha o Celso ficou.  E isso depois de aprontar todas e ilustrar muito bem aquilo que se chama da alienação parental.  Mas, de novo, era tanta coisa para tratar que a questão perdeu espaço na reta final da trama.

Enfim, parece que Glória Perez pesou a mão sobre algumas personagens, como Isaurinha (Nívea Maria) e a burrinha da Antônia (Letícia Spiller), e aliviou geral para praticamente todos os horrorosos da novela: Celso e Amanda, Drika e Pepeu, Berna.  O casal de jovens criminosos, sim, porque traficar drogas, se apossar do passaporte de uma empregada e seu salário, entre outras coisas é crime, pareceu mais um elogio aos filhos da elite que podem tudo, porque papai e mamãe resolvem.  Não sei se a autora se perdeu mesmo, o que é possível, com tantos personagens, ou acha engraçadinho as atitudes levianas dos moços e moças de boa família, enquanto clama no Twitter pela redução da maioridade penal repassando matérias com adolescentes criminosos pobres.  Sim, porque desde o início, Drika e Pepeu foram caracterizados como personagens cômicas, ainda que eu não visse humor neles.  Ao longo da trama, ambos só me causaram asco e desprezo.  Já Berna, terminou com Mustafá – Antônio Calloni brilhante durante boa parte do tempo – e sua filha Aisha(ta), negando qualquer culpa ou responsabilidade.  Se errou, se cometeu crimes, fez “por amor”, pelo “desejo de ser mãe”.  Em novela da Globo, maternidade é desculpa para qualquer coisa quando se é rico. E dane-se a Delzuite.  E aqui é preciso ressaltar que Solange Badim fez um excelente trabalho e é outra que está de parabéns.


Se esses finais foram irritantes, o que não dizer do brochante “salvamento” da bebezinha filha de Morena?  Eu imaginei um tremendo de um resgate cheio de absurdos com direito a cavalos, correria, socos e muita emoção... Qual nada! Foi tudo bem rapidinho e muito sem graça, até porque, o capítulo estava lotado.  O que parecia interessante lá no começo da trama – juntar Zyah e Théo – mostrou-se um fiasco, até porque, se tornaram as duas personagens masculinas mais intragáveis da novela.  Se o resgate foi um fiasco, o que não dizer das pontas soltas?  Pescoço ligou para a Lívia e?  A coisa não teve continuidade.  Na verdade, se vocês se lembrarem, quem ligou foi a Wanda, ele emprestou o celular.  Mas explicar para quê?  Já Érica – uma das personagens mais simpáticas, ainda que tolinha e injustiçada – perde o bebê, não se deprime com isso e termina com o atropelador, porque todo mundo tem que terminar com alguém mesmo...  Já o (Pas)Theo nem fica sabendo.  E ninguém se importa.  Aliás, é a segunda novela de Glória Perez que uma personagem de Rodrigo Lombardi termina sem saber alguma coisa relacionada a um filho.  Em Caminho das Índias, ele tem um filho no Brasil e termina sem saber.  Em Salve Jorge, a coisa é irrelevante, porque ele é tão egoísta que as mulheres só existem em sua vida em função daquilo que possam lhe oferecer: os mimos de mãe, a compreensão infinita (*caso de Érika*), ou a paixão, leia-se sexo, muito sexo (*caso de Morena*).

Aliás, falando em Théo, poucas vezes foi criado um protagonista masculino tão detestável.  Eu posso lembrar de outro que era pior, só que este era assumidamente corrupto, o Felipe Barreto (Antônio Fagundes) de O Dono do Mundo.  Tanto ele, quando o Théo usavam as mulheres, só que o primeiro assumia o que fazia e não tinha remorso. Uma coisa é ter um vilão ou anti-herói sendo canalha, outra coisa é ver o mocinho fazendo isso e posando de íntegro, cheio de valores morais e lágrimas de crocodilo.  Théo passou a novela inteira ao som da irritante “Esse cara sou eu”, transando e traindo várias das mulheres, e se fazendo de vítima.  Insensível e mimado pela mãe, ele foi um fiasco como galã. Isso pode ter irritado o ator, o que, claro, não justifica sua grosseria com profissionais que trabalham na mesma emissora que ele.  Aliás, Rodrigo Lombardi despencou no meu conceito.  Primeiro, tomou uma chamada do Tony Ramos por tratar mal repórteres do Vídeo Show, mais recentemente, ofendeu uma repórter do mesmo programa dizendo que só daria uma entrevista para ela se a moça fizesse sexo oral nele.  Olha, o nome disso não é indelicadeza, como aparece estampado no título do Jornal Extra, é assédio sexual e moral.  E mais, para quem acha que o jornal mente, lembro que o Extra pertence ao grupo Globo.  Não me parece difamação.  


Aliás, salvo com raras exceções, o que predominou novela foram os papéis de gênero estereotipados, naturalizados ou exaltados, a depender da personagem.  Domingos Montagner, por exemplo, deveria ser galã junto com Rodrigo Lombardi.  E, sim, acho o ator super sexy e ele e Cléo Pires tinham uma química ótima.  No entanto, em alguns momentos ele me assustava, sugeria até que sua virilidade poderia se reverter em violência contra a esposa, Ayla, ou mesmo a própria Bianca.  Ambas, aliás, rastejaram por ele.  Ayla fazendo de tudo para casar – e cozinhar, lavar, limpar a casa dele e cuidar de seu filho – e, depois, para recuperar o afeto de um homem que pouco remorso tinha em traí-la.  E, claro, sua estratégia foi vendida como algo nobre, atitude de mulher inteligente.  Já Bianca, de mulher livre, sexualmente desencanada, ainda que dondoca e muitas vezes insensível, voltou rastejando atrás do garanhão da Anatólia.  E o que não dizer da (*suposta*) grande vilã, a Lívia Marine de Cláudia Raia?  De mulher fria, capaz de tudo, Lívia Marine se desmontou pelo (Pas)Théo, tornando-se uma criatura patética.  Só que tudo foi vendido como algo aceitável, afinal, ela era uma mulher que ama!  E nem vou entrar na discussão sobre psicopatia, já que a autora quis vender Lívia assim, porque, bem, psicopatas não agem daquela forma insana.  

Nadando contra a corrente dos papéis de gênero, ainda que dentro do campo do humor, tínhamos a Helô (Giovana Antonelli) e Stênio (Alexandre Nero).  Ela se comportada como a parte racional, ativa e íntegra do casal, e ele como o fofoqueiro, ciumento e incapaz de perceber as coisas para além de seu coração.  Stênio foi a personagem masculina mais feminina , no sentido estereotipado da coisa, que eu já vi em qualquer obra de ficção.  E dada a fragilidade e inconsistência da personagem Morena, e a falta de simpatia que o casa protagonista atraiu, Giovana Antonelli roubou fácil o posto de estrela principal da trama.  Era muito mais por ela que eu acompanhava a novela, para ver uma competente e bela atriz em plena maturidade.  Já Alexandre Nero começou interpretando uma personagem chata, fútil, mas virou a mesa e mostrou todo o seu talento.  Helô e Stênio tinham mais química e simpatia – mesmo quando suas cenas eram exageradas – do que Morena e Théo.  Quem não acabou torcendo para que os dois ficassem juntos no fim?  E ficaram.


Falando em Morena, Nanda Costa defendeu bem a personagem e mostrou, sim, que era uma grande atriz.  Nuca tive dúvida alguma quanto a sua competência e as críticas à moça, para mim fruto de um racismo e classismo mal disfarçados, caíram por terra no texto de todos os críticos sérios que escreveram sobre o folhetim.  A fragilidade da personagem foi fruto do roteiro e da direção equivocada.  Como não achar um lixo o uso de cenas de flashback nos últimos capítulos da novela com o cabelo da personagem mudando de liso para crespo sem explicação?  Outra coisa insana, ainda mais levando-se em conta o caráter de Morena, foi que ela fugisse da Capadócia e, depois, não voltasse para agradecer e se explicar com Mustafá, Zyah e Demir, além de outros que a ajudaram.    Só que na correria que foi a reta final da novela, isso passou mais que batido.

Mais sério ainda é que apesar de traficada e de repetir que teve que se prostituir, não vimos Morena com um cliente nenhuma vez.  Sempre que ela esteve com alguém, não houve sexo, ou ela fugiu, ou foi Mustafá.  Assim como no estupro de Jéssica, que foi cortado e perdeu o impacto, a atividade de prostituta de Morena foi somente citada, nunca mostrada.  E bastava uma vez, não pediria mais que isso.  E, depois, poderiam ter encaixado uma ceninha dela chorando, ou se sentindo suja, algo assim.   Das moças da boate, que mais faxinavam do que se prostituíam, só vimos efetivamente Waleska e  Rosângela com clientes, ou seja, "a pureza" da heroína foi preservada.  Ainda que pobre, barraqueira e favelada, o prostituída ficou somente na imaginação.  E quanto ao coração de Morena, em certo ponto da novela, eu torci para que o bom senso brotasse dentro da autora e que ela se livrasse de Théo... Demir e Morena combinavam tanto... mas o moço já era casado, decente, e Tamar era uma gracinha. :( 


Agora, quem brilhou mesmo na novela foi Roberta Rodrigues com sua Maria Vanúbia.  A atriz inventou frases de efeito, tocou terror em cena, fez em um capítulo o que Morena demorou meia novela para conseguir... Claro, que depois da dor de cabeça com Morena foi ridículo levarem para a Turquia uma barraqueira assumida como a Maria Vanúbia, mas coerência não era qualidade de da trama de Glória Perez.  Lamento muito que a diversidade que imperou em Salve Jorge, falo da presença de atores e atrizes com traços nordestinos, com “cara de pobre”, negros e tudo mais que a gente vê nas ruas do país, não esteja presente nas novelas que estão no ar.  O término de Salve Jorge e de Lado a Lado representou um retrocesso, as novelas da Globo embranqueceram.  

Vi um capítulo dessa nova novela das nove e, mesmo no bairro pobre, todos são brancos.  É triste ver como damos um passo à frente e dois atrás.  Não que fora o quesito visibilidade, que já é grande coisa levando-se em conta o que está no ar, Glória Perez fuja muito daquilo que é criticado por Joel Zito em A Negação do Brasil, afinal, praticamente todas as personagens negras eram sozinhas, sem família, eram amigas de alguma personagem importante e socialmente branca.  Quer ver?  Julinha (Cris Vianna), Maria Vanúbia, Pescoço (Nando Cunha), Sheila (Lucy Ramos), quem eram seus pais, irmãos e irmãs?  Pescoço, o malandro que era irritante e simpático ao mesmo tempo, era encostado na Delzuite, mas e as moças?  


Uma Roberta Rodrigues, que  não tem o perfil “fino” tipo exportação de algumas atrizes negras em nossa TV, nunca será protagonista de novela, mas temo que ela, caia no limbo até outra novela de Glória Perez, como acontece sempre com a competente  Neusa Borges (D. Diva).  Cris Vianna e Lucy Ramos com certeza estarão em alguma novela em breve, mas Roberta Rodrigues, eu não sei.  Outra que não vai continuar atuando é Thammy Miranda (*ou Gretchen*), que nas suas limitações, atuou muito bem.  Queria que ela recebesse outras chances.  Jô era uma das personagens mais inteligentes, observadoras e capazes da trama.  Em nenhum momento, no entanto, sua orientação sexual esteve em evidência.  Thammy poderia tanto ser lésbica, trans, quanto assexuada, mas isso não pesou em momento algum.  Mérito?  Talvez.  O fato é que homens gays e mulheres-trans só apareceram na trama para ilustrar uma das vertentes do tráfico humano, personagem homossexual fixa na trama não tínhamos.  E, bem, com tantas personagens, acredito que foi uma omissão.

 Agora, duas omissões complicadas de engolir, pelo menos para mim, foram a ausência de jovens ou adultos que estudassem e a inexistência de evangélicos no Alemão.  Entendo que Lurdinha, com sua filosofia do querer se dar bem e ser amante de homem rico, não estudasse.  Morena, com filho para criar e tudo mais, idem.  Agora, e o neto da Dona Diva?  E a Samantha, filha caçula da Delzuite?  Só as crianças – e Dona Helô para o concurso – estudavam.  Quanto aos evangélicos, a única menção veio em tom de crítica e ataque com a conversão de Wanda na cadeia.  Sim, a cena foi boa, a crítica muito adequada, o problema é que quase 50% da população do Rio é evangélica. Novela não é realidade, e nisso Glória Perez está certa, mas virar as costas para o grupo só reforçou a antipatia de certos setores para com a trama.  Afinal, quando os evangélicos apareceram foi, somente, para ilustrar que são picaretas e permitir que a autora pudesse, mais uma vez, alfinetar Guilherme de Pádua.  Eu compreendo a dor de Glória Perez, mas não que a coisa transborde em forma de injustiça contra toda uma parcela da população.  Faltou profissionalismo neste caso.


Para terminar, porque eu não aguento mais mexer neste texto, acredito que houve má vontade dos críticos em relação a Salve Jorge.  Não diria campanha difamatória, mas o luto prolongado – por culpa da própria Globo – em relação à Avenida Brasil e os boatos que se multiplicaram desde os primeiros dias da trama contra Nanda Costa, sobre encurtamento da novela, e tantas coisas mais, prejudicaram o andamento da trama.  E quanto mais a autora respondia, mais virulentas eram as críticas.  E, bem, novelas problemáticas já vimos aos montes, as ruins, também.  E eu me pergunto se o fato de Glória Perez ser a única mulher a escrever para o horário nobre e ser tão aguerrida não tenha pesado contra ela.  Obviamente, um pouco mais de humildade por parte dela, de capacidade para reconhecer os problemas de sua obra, ajudariam... De resto, estou de férias de novelas.  Nada nas novas tramas me atrai, aliás, o embranquecimento, a forma leviana com que tratam a adoção, e outras coisas só me afastam dos folhetins que estão no ar.  É isso.  Não vai ter texto de novela por um bom tempo.

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4 pessoas comentaram:

Eu particularmente estava aguardando por esse texto. Acompanho suas opiniões via Twitter e gosto muito delas as vezes dão uma luz em relação a coisas que normalmente passariam despercebidos ou coincidem com coisas que penso.

Concordo com muitas coisas que você disse, e em especial com a questão do embranquecimento irritante das tramas globais, aqui em casa elas continuam sendo vistas porque meu pai é ultra pawer novelero e em relação a isso acabei de lembrar que algo latente em Salve Jorge era o fato de que as pessoas pareciam torcer contra a Morena, gostavam quando ela era castigada, como se de alguma forma ela fosse culpada por está naquela situação.

Pandora, eu não tenho com quem conversar sobre a novela, mas nos tetos de internet, especialmente quando o tom era o "humor", parecia que havia torcida para Morena sofrer. Afinal, na concepção de muitos, ela era burra e gente assim, especialmente se for pobre, tem que pastar.

Costumo acompanhar as novelas da Glória Perez, mas essa, não deu! Pra mim, foi um ótimo exemplo de uma excelente ideia, mas que foi mal desenvolvida. Não tem um dos seus ressalves que eu não concorde, principalmente quanto ao potencial de Demir e Morena. Os poucos capítulos que assisti tinham os dois em cena, e sempre achei que poderia haver uma linda história de amor entre aqueles personagens, se a autora não tivesse optado pelo mocinho com pinta de galã e, no caso de Théo, canalha que só.

A minha personagem favorita, Rosângela, também não tinha família, e eu nem sei se ela era do Rio de Janeiro também, porque perdi partes da novela.

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