quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ranking da Oricon


Estou atrasando os rankings de novo e não posso, se não, começarei a pular as semanas e isso é muito ruim.  Enfim, estes são os rankings a Oricon das duas últimas semanas.  Um deles, com seis títulos e Chihayafuru liderando, o outro, com quinze títulos josei e shoujo entre os trinta mais vendidos.  Já vi acontecer, mas é raro, muito raro.

6. Chihayafuru #30
13. P to JK #6
15. Tenshi 1/2 Hōteishiki #7
21. Fukumenkei Noise #8
22. Pochamani #6
28.Umimachi no Diary #7

5. Kobayashi ga Kawai Sugite Tsurai!! #15
6. Aozora Yell #19
13. Chihayafuru #30
14. Mei-chan no Shitsuji DX #4
15. Kaze Hikaru #38
16. Kedamono Kareshi #11
17. Good Morning Kiss #14
18. P to JK #6
19. Ore Yome。~Ore no Yome ni Nare yo~ #5
20. Ani ni Ai Saresugite Komattemasu #2
22. Short Cake Cake #1
24. Koi Furu Colorful ~Zenbu Kimi to Hajimete~ #2
25. Nanoka no Kare  #8
27. Mata Ashita #3
30. Tenshi 1/2 Hōteishiki #7

Esta semana com 15 títulos entre os mais vendidos é marcada por últimos volumes, Kobayashi ga Kawai Sugite Tsurai!! ,  Aozora Yell conseguiram entrar no top 10.  Aposto que Aozora Yell, se resistir, estará na rabeira do ranking esta semana, porque, bem, não tem muito fôlego de resistência e por acreditar que devem aparecer títulos shounen e seinen de peso no ranking que sairá hoje.  Chihayafuru #30 vem resistindo bravamente e sempre me surpreendo com a longevidade de Kaze Hikaru.  Queria ler, mas me desanima quando vejo que a autora pretende seguir com esse josei até sei lá quando... É isso!  Espero não atrasar mais, no entanto, sei que irei. :P  O ranking do Comic List ainda está atrasado e ele é bem mais complicado de acertar.

Versailles of the Dead: Novo Mangá mistura a Rainha Maria Antonieta e Zumbis... Sim, ZUMBIS!


Maria Antonieta, última rainha da França antes da Revolução Francesa, é uma personagem que exerce fascínio e repulsa.  No Japão, o mangá Berusaiyu no Bara (ベルサイユのばら) de Riyoko Ikeda, deu-lhe um status romântico e tornou a personagem popular com aparições e menções em vários outros produtos da cultura pop.  Pois bem, o site italiano Le Rose di Versailles Official© anunciou que uma nova série sobre a infeliz rainha da frança estreou na revista seinen Hibana.  Versailles of the Dead (ベルサイユ オブザデッド) de Suekane Kumiko começa com a jovem arquiduquesa austríaca se dirigindo em sua carruagem para a fronteira da França.  Em breve, ela irá se casar com o Delfim e se preparar para se tornar a próxima rainha do país.  No caminho, sua comitiva é atacada por zumbis.  Aí, estou eu passando as páginas do primeiro capítulo no site da revista Hibana e tudo trava... :D  Maria Antonieta virou um zumbi?  Bem, bem, a capa da revista é esta aí embaixo.  Será que é geléia ou sangue?  


Fiquei curiosa, não que eu goste de zumbis, quem frequenta o Shoujo Café sabe que não gosto, só que é moda e eu queri dar uma olhada no desenvolvimento da coisa.  Afinal, se pode Orgulho & Preconceito & Zumbis, pode Versailles of the Dead, também.  Agora, du-vi-do que qualquer coisa sobre zumbis supere a explicação de que a Revolução Francesa foi o holocausto dos vampiros.  Moonlight, Moonlight, que pena que essa série foi cancelada... 

Comentando Kaguya-hime no Monogatari (2013) do Estúdio Ghibli


Sei que estou atrasada, mas são tantos filmes que não assisti, que estão no meu HD em uma fila eterna, que é muito bom comentar esta linda obra do Studio Ghibli lanada em 2013 e que foi indicada para vários prêmios ao redor do mundo.  Assisti ao filme no domingo, porque Júlia viu o DVD – sim, houve lançamento oficial no Brasil – e pediu que eu colocasse para ela.  Começo dizendo que ela não resistiu muito, terminou largando o filme que é muito denso para uma criança de dois anos.  Sim, nem todas as animações são palatáveis para todas as idades, Kaguya Hime (かぐや姫の物語) não é melhor ou pior por causa disso.  

Baseado em um conto folclórico do século X, “O Conto do Cortador de Bambu”, Kaguya-hime é uma história muito popular no Japão, que já foi filmada, virou mangá, e é citada em inúmeras outras obras.  A história começa com um idoso cortado de bambu encontrando uma moça miniatura dentro de um bambu brilhante.  A criaturinha, tão pequena que cabe na palma de suas mãos, é levada para casa.  Lá, ela se transforma em um bebê e é acolhida pelo cortador de bambu e sua esposa, que não tinham filhos.


Apelidada de “pequeno bambu”, a menina cresce em um ritmo diferente do das outras crianças.  Aprende as coisas com grande facilidade e sabe de cor uma canção cantada pelas crianças do vilarejo sem nunca tê-la ouvido.  A menina vai crescendo amante da vida simples, pobre, mas livre das montanhas e se apaixona por um companheiro chamado Sutemaru.  Ao longo dos anos, o cortador vai encontrando ouro dentro de bambus e entesourando.  Quando ele encontra uma grande quantidade de tecidos caros, chega a conclusão de que os deuses querem que ele leve “pequeno bambu” para a capital, Kyoto, e faça com que ela viva como uma princesa.

Subitamente, a menina é levada para Kyoto, vai viver em uma mansão comprada com o ouro dos céus, cercada por luxo, criados e uma dama encarregada de educá-la.  A menina resiste, sente-se presa, deseja voltar para a montanha, mas acaba cedendo por amor aos pais idosos.  Quando começam a chegar os pretendentes, homens ricos e poderosos, ela resiste, mas ao se tornar alvo das atenções do próprio imperador, “pequeno bambu”, agora chamada de Kaguya-hime, lança um pedido desesperado de socorro para os céus e seus dias na Terra passam a estar contados.


Antes de tudo, começo dizendo que Kaguya-hime é um filme visualmente lindo.  O traço tenta imitar as pinturas tradicionais, é simples e delicado, porém dinâmico e as personagens tem rostos muito expressivos, mesmo que isso não seja o que você espere encontrar em um primeiro momento.  O figurino é muito bonito e os movimentos da protagonista – quando exercitando sua liberdade – são leves, fluídos e, ao mesmo tempo, carregados de energia e de vigor.  É um anime que não segue aquele tipo mais tradicional e se distancia mesmo do estilo mais comum do próprio Studio Ghibli.  Diferente e encantador.  Essa parte do filme, a direção de arte, a animação em si, são um dos destaques da película, assim como a trilha sonora de Joe Hisashi, um veterano dos filmes do Studio Ghibli.  

Kaguya-hime se passa no Período Heian (794-1185), a sociedade de corte japonesa, e apresenta as enormes discrepâncias entre a vida dos nobres com toda a sua pompa e a dos camponeses, sempre no limiar da fome.  Ainda assim, Kaguya-hime se sente feliz na simplicidade da vida do campo, ouvindo e cantando a canção que ouvira de outro ser divino e que era sua única lembrança da sua passagem pela Terra.  No entanto, e talvez essa seja uma das lições dadas à princesinha, a vida dos humanos é muito maior que as montanhas cheias de desafios e liberdade.  Kaguya, até pela sua própria condição superior, deveria experimentar, também, a vida da corte, daí, não podemos culpar seu pai – já que a mãe sempre foi contra a mudança – por querer que ela vivesse como uma princesa.



Uma das coisas que Kaguya-hime mostra – o conto e o anime – é que havia alguma mobilidade social no Período Heian, mesmo em uma sociedade estratificada, um novo rico poderia surgir.  Sua filha, Kaguya, mesmo cheia de graça, inteligência e beleza, não poderia aspirar o lugar de esposa de alguma figura de grande importância, muito menos do próprio imperador, mas ser concubina – o que já era uma posição de muito prestígio – não era algo fora do horizonte.  O problema é que isso exigiria uma disciplina corporal que foi matando a alegria de viver da protagonista.

Como levantar, como se sentar, a maquiagem pesada, o ohaguro (お歯黒), isto é, os dentes pintados de preto tudo isso é opressivo e apontava para o papel decorativo que as mulheres da nobreza deveriam ser.  Ao questionar sua mestra sobre a dificuldade de se levantar de uma só vez (*e imagine isso com várias camadas de quimonos*), a professora exige que ela treine, mas avisa eu uma dama raramente se levanta.  Quando ela reclama do absurdo de retirar as sobrancelhas só para que elas sejam pintadas com maquiagem, a mestra despreza sua opinião.  Quanto aos dentes, bem, uma dama nunca sorri.  O ser divino se submete por amor aos pais, abre mão de sua felicidade, da liberdade de ir e vir, e vai deixando morrer aos poucos o seu amor pela Terra.  Ela se torna um pássaro raro em uma gaiola de ouro, amada, bem cuidada, mas prisioneira.


Se Kaguya-hime conseguisse dominar todas as técnicas e disciplinas que a tornariam atraente ao olhar masculino, seu prêmio seria o máximo que uma mulher poderia aspirar: o casamento.  Não consigo deixar de ver em Kaguya-hime uma crítica aos papéis de gênero e este padrão de feminilidade que, de uma forma ou de outra, continua perpassando as sociedades patriarcais.  Alguém poderia dizer que a disciplina do corpo também era imposta aos homens, no entanto, não há simetria em termos de poder, eles poderiam escapar da reclusão sem serem recriminados (*os pretendentes à mão de Kaguya saem pelo mundo para cumprir as missões impostas por ela*) e eles poderiam ter várias consortes (*Esposas, concubinas, amantes etc.*), coisa que as mulheres nem poderiam sonhar em ter.

Lembrei imediatamente do livro (*no filme isso não é explicitado da mesma forma*) E o Vento Levou e de todo o esforço imposto à Scarlett O’Hara para que ela pudesse se tornar uma dama.  O objetivo era o mesmo, o casamento, maior aspiração que uma mulher deveria ter na vida.  Em uma dada passagem, a autora fala que o investimento de vários anos era colocado à prova em uma estação de festas, se a moça realmente fosse brilhante, ela conseguiria um marido e todos os artifícios de encantamento seriam usados em poucos meses para, depois do casamento, serem descartados, porque, bem, uma mulher casada deveria ocupar outro espaço e não precisaria mais atrair a atenão dos homens, já que pertenceria a um só.  Sim, pertenceria, não seria a dona, porque não o era nem de si mesma, por mais poder delegado que pudesse exercer sobre outros subalternos.


Não é o caso da Corte Heian, ou mesmo do Japão ao longo dos séculos, mas o lugar da donzela casadora, não é o mesmo da matrona, nem lá, nem em outras sociedades.  Mais sufocante ainda é que todo esse jogo de sedução – isso, porque Kaguya-hime não quer escolher um marido selecionando simplesmente pelas cartas de apresentação – se dava por trás de biombos.  Eles não podiam vê-la e ela os via de forma limitada.  Sua voz, sua música, a riqueza de seu pai (*na verdade, dela mesma*) eram os elementos de sedução.  No entanto, ao rejeitar os pretendentes nobres, ela atrai o olhar do próprio imperador, ele mesmo um deus vivo, daí, as convenções sociais são burladas e ele invade o espaço de reclusão de Kaguya-hime.

Enfim, ainda que o filme nada mostre, nem mesmo coloque em discussão, a invasão do imperador aos aposentos da princesa é uma forma de violação.  E a criatura divina se sente ameaçada.  As carícias do imperador, sua certeza de que ela desejava o tempo inteiro a sua atenção, é uma ofensa.  Fora, claro, que ela não deveria recusar o governante do Japão.  É aí que Kaguya-hime pede socorro aos seus companheiros divinos e seus dias na Terra estão contados.


O filme passa a idéia de que há beleza nos humanos e em seu mundo imperfeito.  São lindas as cenas de Kaguya nas montanhas, rodopiando e se livrando das roupas pesadas.  É lindo o seu reencontro com o amor de infância, Sutemaru, mas uma vida com ele – agora, um pai de família – era um sonho impossível.  Fora isso, para alguém como Kaguya-hime, com a beleza e as virtudes de um ser divino, seria impossível escapar à atenção de grandes figuras.  Há versões do conto nas quais o pai cortador de bambu não tenta expô-la, mas, ainda assim, os pretendentes vêm até ela.  

Seguimos para o desfecho que é feliz e triste ao mesmo tempo, e que foge do lugar comum das animações norte americanas.  Não é possível assistir a um filme da Ghibli sem se emocionar de alguma forma, se deixar tocar, refletir sobre algum aspecto da humanidade.  Mais ainda, Isao Takahata, o diretor e roteirista de O Túmulo dos Vaga-Lumes (火垂るの墓 Hotaru no haka), um filme superficial, ou água com açúcar.  Kaguya-hime no Monogatari, como escrevi no primeiro parágrafo, tem cenas bonitinhas, algum humor (*destaque para as agruras da mestra em etiqueta de Kaguya-hime*), mas é essencialmente, um filme para adolescentes e adultos.


O que ainda posso pontuar?  Kaguya-hime é baseado em uma espécie de contos de fada e há elementos nele que me lembraram de outras histórias que utilizam elementos semelhantes.  O ser divino, ou perfeito, que cobiça a vida dos mortais já estava na narrativa bíblica e pode ser vista em mitologias diversas e, normalmente, quando não há arrependimento, há punição.  Curiosamente, se pensarmos no referencial budista de Kaguya-hime, e o próprio Buda faz uma aparição no filme, não se pode ver o desfecho do anime como uma forma de castigo, afinal, o Nirvana, o esvaziar-se das emoções, desejos e angústias mundanas é um nobre objetivo, ainda que a protagonista e seus pais lamentem – e essa é uma parte muito tocante do filme – que tal seja necessário.

Outras idéias recorrentes que estão no conto – ou em alguma versão dele – e no filme é o da criança presente dos céus para um casal de idosos sem filhos.  Eles recebem a dádiva da paternidade/maternidade tardia e se tornam corresponsáveis pela missão que este ser deve desempenhar.  Pensem nos apócrifos que contam o nascimento e infância da Virgem Maria, por exemplo.  Já a criança aparecida dentro de uma planta, remete à Polegarzinha, mesmo que neste conto a menina nunca se torne um ser humano de estatura normal.  As missões impossíveis propostas por Kaguya-hime aos seus pretendentes, me fizeram recordar de Pele de Asno.  A diferença é que em Kaguya-hime os desafios propostos eram uma punição por elogios formais, desprovidos de sentimento, à beleza e graça da moça e não podiam ser cumpridos.  Os que tentaram de verdade, que não buscaram enganar a moça, realmente colocaram em risco suas vidas.


De resto, o filme cumpre Bechdel Rule com facilidade.  É um filme sobre uma menina/mulher, tem várias personagens femininas que conversam entre si, a própria protagonista é seu principal assunto.  Fora isso, ao discutir papéis de gênero e a repressão exercida sobre as mulheres, o enquadraria, também, como um filme feminista, sem que precise se assumir como tal.  É isso.  O DVD está disponível para compra no Brasil.  Assisti com a dublagem nacional, que está muito boa.  O DVD traz o áudio original e legendas em português.  Não há versão em Blu-ray, infelizmente.  Já O Túmulo dos Vaga-Lumes, também lançado no Brasil, tem Blu-ray, mas não a necessária dublagem nacional.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Mangá sobrenatural que junta História e Culinária vai virar dorama


Nunca tinha ouvido falar de Saigo no Restaurant  (最後のレストラン), algo como O Último Restaurante, em português, mas ele apareceu várias vezes no Comic Natalie sem que eu tivesse notado.  Circulando à pouco pelo blog Le Rose di Versailles Official© vi uma notinha sobre a sua adaptação para dorama e, bem, parece ser um negócio bem louco e bem interessante.  Vamos, lá, resumo do Mangá News + o blog italiano: 

Sonoba Shinogu é o dono de um restaurante chamado restaurante chamado Heaven's Door, um estabelecimento comum e que não é lá muito popular.  Shinogu tem duas funcionárias part-time,  Maeda Atari e Ariga Chie, que se vestem de maids (:P).  De repente, algumas personagens históricas começam a passar pelo restaurante, elas são transportadas pelo tempo e espaço pouco antes de sua morte e Shinogu precisa descobrir como satisfazer os seus desejos.  Entre os clientes ilustres temos: Oda Nobunaga, Ryoma Sakamoto, Júlio César, Joana D'Arc, Salvador Dalí, Cleópatra, Maria Antonieta... Entenderam agora o motivo desse post estar em um site sobre A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら ), não é?


O anúncio foi feito na edição da revista Comic @ Bunch lançada no dia 21 de janeiro.  Desconfio que o material veio do pixiv, pois o link para lá está no CN.  O primeiro capítulo está disponível aqui, no site da revista. Os capítulos são numerados pelos clientes, o "Guest 1" é Oda Nobunaga.  O autor (*acho que é homem, mas certeza não tenho*) é Michihiko Touei.  Scanlations?  Não, não tem. :(

Rumiko Takahashi indicada ao Hall da Fama do Eisner Award. Moyoco Anno está indicada a um dos prêmios, também!


Alguém me perguntou se eu sabia se a criadora de Ranma 1/2 (らんま½), Inuyasha (犬夜叉), Maison Ikkoku (めぞん一刻) e muitas outras séries de sucesso, tinha sido indicada para entrar no Hall da Fama do Eisner Award.  Soube naquela hora, não estava atenta aos Eisner, porque, bem, esqueci e por geralmente não rolar nenhum barraco nessa premiação, basta ver a diversidade presente nas indicações este ano.  Trata-se, acredito, da mais importante do gênero nos EUA, com várias categorias, muita gente considera os Oscar dos quadrinhos.  A entrega dos prêmios ocorrerá no San Diego Comic-Con em 22 de julho. Além de Rumiko Takahashi, os outros candidatos a entrarem para o Hall da Fama são:

Lynda Barry
Kim Deitch
Rube Goldberg
Edward Gorey
Bill Griffith
Matt Groening
Jack Kamen
Francoise Mouly
George Perez
Antonio Prohias
P. Craig Russell
Jacques Tardi
Herb Trimpe

Segundo o Rocket News 24, dois indicados entrarão para o Hall da Fama este ano.  Takahashi já havia sido indicada em 2014 e é inegável a sua importância para a popularização dos mangás nos EUA, lá na época em que se publicava Ranma 1/2 em formato americano.  Takahashi já foi - não sei se ainda é - uma das mangá-kas mais ricas do Japão e sempre se dedicou a publicar shounen mangá com muito sucesso.

Nos prêmios Eisner há, também, uma categoria para melhor edição americana de material estrangeiro partida em duas partes, pois uma é somente para mangá.  Moyoco Anno está indicada por In Clothes Called Fat ou Shibou to Iu Na no Fuku wo Kite  (脂肪と言う名の服を着て) , uma história bem pesada sobre uma mulher que sofre de distúrbios alimentares e é submetida a um relacionamento abusivo.  Eu fiz a resenha, está aqui.

12 Minutos do Rurouni Kenshin do Takarazuka e outras notinhas sobre a Revue


tinha falado do espetáculo Rurouni Kenshin (るろうに剣心) do Takarazuka.  Enfim, o Igor, meu consultor para assuntos do Takarazuka,   postou no Facebook o vídeo para 12 minutos do espetáculo baseado no mangá de  Nobuhiro Watsuki.  Querem ver o videozinho?  Ele está aí embaixo:


Falando em Takarazuka, as atrizes irão se apresentar em Nova York, no Lincoln Center entre 20 e 24 de julho.  Espetáculos fora do Japão são raros, mas acontecem volta e meia e não é a primeira visita aos Estados Unidos.  A notícia apareceu primeiro no Okazu, mas o Rocket News 24 deu mais detalhes, inclusive que os ingressos irão custar entre  50 e 110 dólares.  


Recentemente, o Takarazuka anunciou que irá adaptar a vida de Abraham Lincoln para os palcos, não sei se o espetáculo fará parte do program nos EUA.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Qual o maior problema dos filmes de Princesa Disney? Duas linguistas parecem ter descoberto



Faz quase duas semanas que estou para comentar essa pesquisa – na verdade, os resultados resumidos publicados em vários sites da  internet – feita pelas linguistas Carmen Fought e Karen Eisenhauer.  Independente dos resultados preliminares, as autoras estão preocupadas com o impacto dos filmes de princesas da Disney sobre as meninas, seu papel na construção dos papéis de gênero e como é importante desnaturalizar certos comportamentos.  Eu estou usando como base as matérias do The Mary Sue, um site nerd feminista, do jornal The Whashington Post, que, a meu ver, detalha muito mais a pesquisa, e do USA Today, que tinha gráficos melhores, além de um site chamado Quartz.  

As autoras apresentaram gráficos de dois aspectos dos filmes de Princesa da Disney, o primeiro é a quantidade de falas que as personagens femininas têm; o segundo, é o tipo de cumprimento que essas personagens recebem, se mais para a sua aparência, ou para suas habilidades.  Elas dividiram os filmes em três Eras, a Clássica (Classic Era) começando com Branca de Neve, em 1937, e terminando com a Bela Adormecida em 1959; a Renascença (Renaissance Era), que inicia com A Pequena Sereia, em 1989, e segue até Mulan, em 1998, e a Nova Era  (New Age) que começa com A Princesa e o Sapo, em 2009, e segue até os nossos dias com Frozen, em 2013.


Curiosamente, e isso é o que de mais significativo eu vi nessas matérias de divulgação da pesquisa, é que nos filmes clássicos havia maior equilíbrio na quantidade de falas de personagens masculinas e femininas.  Olhem só, mulheres têm 50% das falas em Branca de Neve (*mesmo com SETE Anões como coadjuvantes*), 60% em Cinderella e 71% em A Bela Adormecida.  Já, na Renascença, a desproporção é absurda.  Homens falam 68% dos textos de A Pequena Sereia, 71% dos textos de A Bela e a Fera, 90% dos textos em Aladim, 76% dos textos de Pocahontas e 77% dos textos de Mulan. 

As autoras apontam que essas coisas acontecem especialmente, porque todas as sidekicks e personagens de fundo com falas são homens.  Se você coloca uma banca de verduras, o vendedor é um homem, por exemplo. Querem ver, se o sidekick de Mulan – o dragãozinho Mushu – fosse do sexo feminino, teríamos o problema desse filme resolvido.  E tal persiste até nos desenhos mais modernos, basta pegar o elenco de qualquer filme da Nova Era que tem mais machos que fêmeas de qualquer espécie.  


Assim, a princesa está sempre cercada de homens, são eles que fazem tudo, eles são os poderosos, o interesse romântico, os bobões.  Não há espaço para mulheres além dela mesma.  Pegue A Bela e a Fera, fora Mrs. Potts (*a chaleira*), todos os utensílios com destaque na casa são homens.  E tudo parece normal.  Fora isso, e as matérias não tocaram nesse aspecto, nos desenhos da Renascença, salvo pela Pequena Sereia, todos os vilões são homens, e se contarmos os da Nova Era, a exceção é Rapunzel e, ainda assim, a quantidade de falas é femininas é de 52% somente. 

Some-se a isso o fato das mães serem absolutamente ausentes, a quantidade de falas femininas é mínima. Mesmo em Frozen, com todo o seu suposto empoderamento, 59% das falas são masculinas, afinal, são Ana e Elsa cercadas de machos por todos os lados.  Tal é muito chocante se pensarmos que em A Princesa Sapo a protagonista tem mãe e melhor amiga e, ainda assim, a maioria absoluta das falas é masculina.  Exceção vai para Brave, com 74% de falas para as mulheres, mas, aí, é fácil entender, pois boa parte do filme é a interação entre mãe e filha, diálogos e discussões entre elas.


Agora, minha crítica, vamos lá!  Primeira coisa, Aladim não é filme de princesa.  Ainda que se aplique nesse tipo de filme os princípios da falta de representatividade, o filme não se chama Jasmine, trata-se de um filme de herói e a personagem só é contada como princesa, porque, bem, a Disney precisa investir, mesmo que por linhas tortas em representatividade étnica.  Esse furo foi tão grande que, a partir dele, poderia se tentar erodir toda a argumentação.  Falando da Pequena Sereia, apesar do problema do elenco predominantemente masculino, é preciso dar um desconto, afinal, a protagonista, Ariel, está silenciosa durante boa parte do filme.  Comparemos com A Bela Adormecida que tem a heroína, a  rainha, as três fadas-tias e Malévola, é um elenco feminino amplo e com muitas falas.

Mulan, eu daria desconto, também, porque, bem, trata-se de uma heroína passando-se por homem e no meio da guerra, ainda que Mushu, o dragão, fosse menina... E A Bela e a Fera é isso, não é só “A Bela”, a Fera é co-protagonista e muito mais presente do que qualquer um dos príncipes antes e depois da Disney.  Já os príncipes dos filmes clássicos, salvo Felipe, era meros “lugares”, a possibilidade de fuga para a princesa, sem grande importância ou falas significativas.


Agora, quando a gente entra no quesito elogio para a aparência ou para as habilidades ou feitos, os filmes clássicos são um horror.  Em Branca de Neve, Cinderela e A Bela e a Fera 55% dos cumprimentos recebidos pelas personagens são ligados a sua aparência e somente 11% para habilidades ou feitos.  Na Renascença, os cumprimentos pela aparência caem para 38% na média de todos os filmes e na Nova Era somente 22% dos cumprimentos estão ligados à aparência das personagens.  Isso, sim, é um grande avanço.  

Pensando no objetivo final, que seria discutir a influência desse tipo de representação da feminilidade e o impacto sobre as menininhas, eu realmente acredito que se elas são expostas a este tipo de material o tempo inteiro, chamadas de princesas regularmente, cercadas de todo tipo de estímulo a se preocupar com a aparência do que em brincar, correr, descobrir, se sujar, isso pode ter um efeito daninho sobre suas personalidades, sim.  Mas é uma regra?  É necessário jogar esse material todo fora?  Acredito que, não.  


Lembro de uma entrevista antiga com a Michelle Pfeiffer em que ela falava da preocupação que tinha com os papéis de gênero e o que era vendido nos filmes infantis, mas que não impedia a filha, acho que de três anos de assistir nada.  Então ela comentou que assistiu A Pequena Sereia com sua filha e que a menina amou, mas ela fez questão de perguntar, mas você largaria tudo, sua família, seu mundo, seus poderes por um estranho?  Talvez, eu não pergunta-se isso para a Júlia, sabe-se lá se a felicidade dela com o filme não seria ocasionada por outras coisas?  Agora, eu faço questão de mostrar que meninas e meninos têm valor e podem fazer e ser o que quiserem (*ou pelo menos tentar*).  

No momento, estamos aqui engajados, o pai e eu, que, ao contrário de um desenho besta que ela assistiu mostrou, as abelhas – e formigas, e cupins – soldados são meninas, assim como, as operárias e as rainhas e que, bem, a natureza é plural.  Os filmes de princesa deveriam ser, também, claro, mas se o ambiente que oferecemos para a criança for saudável, acredito que o impacto negativo que alguns materiais podem ter – não que obrigatoriamente terão – poderá ser diminuído.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Alunas de História produzem anime sobre viagem no tempo



Olha só que coisa legal, as alunas de História da Kobe Women's University (*uma universidade feminina*) foram desafiadas a produzir um anime sobre viagem no tempo.  O grupo chamado de Rabbit MACHINE está unido pela paixão por animação e por História.  Serão três pequenos curtas protagonizados por uma garota no último anos do colegial, Shiki Kanotsuno (Ayaka Fujimoto), que não sabe o que irá fazer no futuro, ao contrário de sua melhor amiga, Makoto (Eri Kitamura).  Um dia a garota encontra um ser em forma de coelho, talvez referência ao coelho da Alice, chamado Enza  (Takahiro Sakurai), que a confunde com um criminoso viajante do tempo que perseguia. Por acidente, olha aí a viagem não intencional, ela vai parar em 1864, em Kyoto, e começa a aventura.


Legal, não é?  O vídeo está aí em cima.  O nome da série é Historical.  A notícia estava no Anime News Network.