terça-feira, 31 de julho de 2018

Para quem quiser ouvir o Shoujocast


Lá em 2009, eu decidi criar um podcast.  Começou de forma bem precária.  Aí, o amigo Anderson sugeriu um nome "Shoujocast".  Vieram companheiras, a Lina Inverse, depois a Tanko e, por fim, a Tabby e, bem, fizemos 52 programas.  Pouco, eu sei, mas as agendas desencontraram.  Sempre penso em voltar, mas ainda não houve como.  Bem, eu queria disponibilizar os programas, mas descobri que não tinha todos. Perguntei se a Lina tinha.  Ela organizou tudinho e disponibilizou para download (*AQUI*).  Tudinho, não, faltou o programa 52, então, coloquei no Youtube.



Eu parei para escutar um dos meus programas favoritos o duplo sobre Orgulho & Preconceito e foi um prazer muito grande ouvir a voz das amigas queridas e da convidada especial, a Adriana Salles.  Que conversa legal foi aquela.  Enfim, se você quiser relembrar, ou conhecer o Shoujocast, esta é a oportunidade.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Cresce a população de “Cyber-Homeless” no Japão


O Goboiano trouxe uma matéria muito interessante sobre a degradação das condições de vida no Japão – especificamente em Tokyo – e o aumento do número de pessoas subempregadas no país.  Isso, aliás, não me surpreende, já fiz um post sobre as ONGs que trabalham oferecendo alimentação para crianças em situações de risco e já perdi a conta das matérias que vi sobre a péssima remuneração recebida pelos animadores em início de carreira. Mas, enfim, o que é um “cyber-homeless”?  É uma pessoa que não tem condições de alugar uma casa e termina morando em Cyber Café.

O Goboiano explica que os Cyber Café., em especial os Mangá Café, começaram a aparecer em 1995 e funcionavam 24 horas por dia, muitas vezes oferecendo um lugar seguro para os trabalhadores que perdiam o último trem.  Com o tempo e a descoberta da demanda passaram a oferecer internet ilimitada, mangá e a privacidade de um cubículo.  Alguns estão oferecendo banho de 10 minutos por um preço módico. Parece que muitos subempregadis decidiram morar nesses estabelecimentos.


Segundo o site, o problema do desemprego começou a aparecer no Japão durante a recessão dos anos 1980.  Desde pelo menos 1984, o governo vem acompanhando a queda do número de empregados em tempo integral e o crescimento dos trabalhadores informais e em tempo parcial.  Segundo relatório do Ministério dos Assuntos Internos e Comunicação do Japão, em 2011, 35% da mão-de-obra japonesa estava no mercado informal.  A coisa se agrava, porque o rendimento médio  mensal desses trabalhadores é 113 mil ienes (4.643 reais) e a linha de pobreza estabelecida pelo estado é de 1.12 milhões de ienes (46.046 reais) anuais (*aqui, ficou um pouco confuso para mim, afinal, se fizermos a média de 12 meses... Será que eu estou lendo errado?*).  Um apartamento barato de um quarto em Tokyo custa em média 74.200 ienes (2.150 reais), sem contar outras despesas.  O site  comenta um documentário dizendo que um guarda de segurança recebia uma diária de 1920 ienes (80,50 reais) e um salário mensal de 83.380 ienes (2.415  reais).

Nos Mangá Café, a diária,  a depender da rede e dos pacotes, variam entre 1200 ienes (38,64 reais) e 1400 ienes  (67,63 reais) pelo uso de 12 horas de um cubículo.  Um hotel cápsula pode custar entre 3 mil (80,50 rais) e 6 mil ienes (161 reais) por uma noite.  Com a crise do mercado de trabalho, vem aumentando o número de residentes fixos nesses cafés, os tais cyber-homelesses ou refugiados de cyber cafés.  Pode parecer caro viver em um cyber café, mas para alugar  um apartamento, trabalhadores informais precisam pagar um seguro de pelo menos 1 milhão de ienes (41.860 reais) ao dono do imóvel, porque seriam inquilinis de risco.  É a lei.


Ao ficarem em cyber cafés, esses moradores de rua em potencial ajudam a mascarar as estatísticas governamentais.  O Goboiano informa que o governo de Tokyo se orgulha do baixíssimo número de seus moradores de rua, o site diz que no último levantamento havia 1697 pessoas nessa condição.  Esses moradores de cyber cafés acabam ficando nas sombras, por assim dizer. O site, no entanto,  cita a fala de um ex-salaryman de 42 anos, hoje vivendo em um cyber café, que diz estar feliz e que não lamenta estar fora do mercado formal.  Ele não quer voltar a ser salaryman.

Enfim, é uma situação bem complicada e que aponta para o aumento do abismo de renda no país.  Fora isso, me pergunto se esses cyber café aceitam mulheres, porque vários hotéis cápsula só aceitavam homens e as redes que aceitam mulheres, ou somente mulheres, são relativamente recentes.  Ainda que, se no Japão for como, aqui, no Brasil, boa parte da população de rua seja masculina, as mulheres em situação de risco normalmente recebem menos atenção e apoio especializado.  

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Comentando O Touro Ferdinando (Ferdinand, 2017)


Ontem, fui com Júlia assistir O Touro Ferdinando, filme animado dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (Rio/A Era do Gelo) e baseado no livro The Story of Ferdinand do norte-americano Munro Leaf, publicado em 1936.  Não é um grande desenho, tem muitas do estilo bobão das últimas continuações de A Era do Gelo, mas é um material acessível para discutir com crianças questões importantes como pacifismo, maus tratos aos animais e o próprio conceito de masculinidade hegemônico.  Resumindo, como filme precisava melhorar muito, mas tem seus momentos.  

Ferdinando começa o filme como um bezerro na fazenda Casa del Toro, especializada na criação de touros para a arena.  Desde muito cedo, os bezerros se enfrentam antevendo a glória da arena, mas Ferdinando prefere cheirar flores e adota uma postura pacifista além da compreensão de seus companheiros e de seu próprio pai, que é selecionado para as touradas. Quando seu pai não retorna, Ferdinando consegue fugir e acaba sendo abrigado pela menina Mina e seu pai. O tempo passa, o bezerro cresce, e um mal entendido faz com que Ferdinando seja preso e reenviado para a Casa del Toro.  Ele vai seguir o destino que lhe tinha sido traçado?  Ele conseguirá se manter longe da arena?  Seu fracasso o levará para o matadouro?  O que será de Ferdinando?

Para Ferdinando, a arena não era a glória,
ele nunca a desejou.  Ao longo do filme,
ele descobre que, na verdade, ela significa morte.
Será uma resenha curta, ou assim espero. O Touro Ferdinando já havia sido adaptado em um curta metragem que venceu o Oscar em 1938.  Eu assisti quando criança, ainda que tenha remota lembrança dele.  A nova animação possui um visual muito bonito, especialmente, os campos de flores, mas faz um uso muito limitado do 3D, isto é, só está lá para pagarmos mais pelas entradas. Função mesmo, quase nenhuma. O estilo de humor maluco da Era do Gelo 4 e 5 parece aflorar aqui e ali, na maioria do tempo não colaborando efetivamente para o engrandecimento da história, só a torna boba mesmo.  A gente ri, mas funciona como as intervenções do esquilo da Era do Gelo e só.

Os três pontos importantes para discussão no filme, no entanto, estão bem claros.  O primeiro deles é o pacifismo.  Ferdinando leva sua recusa a lutar aos extremos, tal e qual um Gandhi, ele se posta diante do inimigo e se recusa a revidar.  Logo no início ele diz para seu principal antagonista, o bezerro, depois touro, Valente, que ele pode bater nele, fazê-lo sangrar, mas que ele protegeria a indefesa flor, seu tesouro.  É fácil compreender por qual motivo governos fascistas baniram o livro original, afinal, é possível ver em Ferdinando os ecos da I Guerra Mundial, da recusa de muitos em pegar em armas e como esta atitude é subversiva. O pacifismo do touro termina contaminando seus companheiros e fazendo com que eles se posicionem criticamente em relação ao seu “destino”, a arena, a morte certa.

A amizade de Nina e Ferdinando é bonita.
O segundo ponto do filme é a discussão do próprio conceito de masculinidade vigente em nossa sociedade.  Sabe aquela ideia de que ser homem é ser violento, de que homem não chora, não pode gostar/apreciar o belo, que deve pisar e humilhar os mais fraco, submetê-los?  Tudo isso está explicito em O Touro Ferdinando.  O protagonista não se enquadra e se recusa a abraçar os modelos hegemônico de masculinidade.  Ele sofre na infância, mas busca ativamente a felicidade, fugindo, se insubordinando, se recusando a lutar.  Tudo isso exige muita coragem, ser diferente não é fácil, e como o filme é simples, espero que os pequeninos consigam entender a mensagem.

A Casa del Toro é como a escola de gladiadores de Spartaco.  Tudo ali transborda testosterona.  Os jovens bezerros admiram os adultos mais violentos, porque este seria o selo da virilidade e o passaporte para a glória.  Só que nem todos os que tentam atingir a perfeição vão atingir a meta e nem podem, afinal, é preciso selecionar, excluir, hierarquizar.  A arena não é para todos, se você não nasce com o tipo físico certo, como Magrão, o seu destino pode ser o matadouro.  Se você não controla seus nervos, como Guapo, você pode ser descartado.  Violência, competitividade, desprezo pelos mais fracos, são os pilares desse modelo.  Ferdinando escolhe não se enquadrar, mas mesmo os que se esforçam podem ficar às margens.

Touros, cabra e ouriços em fuga.
O terceiro ponto é a própria condenação da violência contra os animais.  Tourada não é esporte.  Não importa o quanto um touro seja magnífico, ele nunca vai vencer, ele nasce derrotado, porque o bicho homem controla o jogo e suas regras.  O toureiro não é um herói, sua elegância e coragem são  falsas, porque tudo é construído para que ele prevaleça no final, que um touro assustado, estressado, termine sendo morto.   O abatedouro é outro ambiente mostrado no filme.  Se a arena é  o local da glória, o abatedouro é o espaço do medo. Uma câmara de horrores, destino dos touros que fracassam.  Mas o que seria a glória se ninguém volta da arena?  É aí que Ferdinando consegue contaminar os outros com seu modo alternativo de pensar e, bem, vou repetir: não me espanta que regimes fascistas como o de Franco tenham banido o livro.

Talvez, haja uma quarta questão em Ferdinando: as aparências enganam. Ferdinando é grande, maior que a maioria dos touros. Ao olharem para ele as pessoas esperam violência, mas ele é gentil e dócil.  O problema é que por causa da sua aparência, um pequeno deslize pode ser fatal.  É possível falar de preconceito usando Ferdinando.  As pessoas são mais do que estereótipos, no entanto, nem sempre elas têm tempo e/ou oportunidade de mostrarem sua índole, competências, porque são rotuladas de antemão.  Nosso herói, Ferdinando, sofre com isso.

Ferdinando se recusa a lutar.
Em relação Bechdel Rule, o filme não a cumpre.  O ambiente da Casa del Toro é masculino, lá só trabalham homens e touros.  Para não colocarem somente machos, inventam uma cabra “treinadora”, Lupe, e uma ouriço para colocarem o mínimo de mulheres no elenco. Aliás, queria saber qual a função real de uma cabra nessa história... Ah, sim!  Temos uma égua, também, mas aqueles três cavalos alemães servem para humor e só.  E temos Nina, a menina que cuida de Ferdinando como se fosse um cachorrinho.  Enfim, todas essas personagens, menos a égua, estão na história em função de Ferdinando.  Os touros – Valente, Guapo, Magrão, Angus – tem um fiapo de história própria, mas as fêmeas do elenco não.  Se Nina fosse um garoto – e é bom que não seja, não estou reclamado disso – não haveria diferença.

Que mais dizer?  É um desenho arrumadinho, bonito, com alguns momentos tocantes, mas não é um filme tão bem estruturado e equilibrado.  Talvez, esteja sendo dura, mas acabei de assistir A Vida é uma Festa e a Disney/Pixar ofereceu um material muito melhor.  Vale a pena ver Ferdinando?  Sim, vale, mas não vá ao cinema esperando demais, porque você não vai receber mesmo. Júlia gostou mais de A Vida é uma Festa. Ela me disse de manhã.


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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Bandai lança forminhas de chocolate de Sailor Moon


O Dia dos Namorados - Valentine's Day - está chegando e é quando as mulheres, não precisa sera namorada, presenteiam homens (*namorados, amigos, colegas de trabalho etc.*) com chocolates. Enfim, a Bandai lançou uma forminha de silicone com objetos da série Sailor Moon, além de um manual de como preparar o chocolates.





O Sora News trouxe imagens sugerindo que as tais forminhas servem para outras coisas, também, como fazer cubinhos fofos de gelo.  Outro uso, sugerido pelo SN, é fazer objetos para uso de cosplayers. Verdade, o tamanho das forminhas parece adequado, sim.






O Sailor Moon Silicone Ice Tray poderá ser comprado no site Premium Bandai, o preço é 1,944 ienes (*mais ou menos 57 reais, sem frte*).  Curiosamente, só será postado em março... tsc... tsc... Para o White Days, talvez?

Primeiras imagens de Orgulho e Paixão


Para quem está perdido, quando Tempo de Amar, novela atual do horário das seis da Globo acabar, teremos uma trama inspirada em um mix de várias obras de Jane Austen.  Orgulho e Preconceito e suas personagens serão centrais na trama, mas teremos Lady Susan, Emma, Razão e Sensibilidade, Northanger Abbey, também.  E se mais coisa aparecesse, não seria de espantar.  Vejam bem, não será uma adaptação, mas uma releitura criativa.  E, por favor, não irão estragar  seu livro favorito, porque, bem, seu livro continuará lá, a novela é outra coisa.  Mas saiu a primeira imagem de Darcy e Elisabeta (*SIM!  Mantiveram esse nome horrível que é raríssimo no Brasil, ao invés de Elizabeth, ou mesmo Isabel.*):


Continuo achando o Thiago Lacerda muito velho para ser Darcy.  E isso nada tem a ver com talento ou beleza, deveriam buscar um ator que estivesse mais próximo da idade da personagem (*27 anos, acho eu*), ou, pelo menos, não parecesse a idade que tem, ou até mais. A Globo tinha opções melhores para o papel.  Thiago Lacerda poderia ser o Coronel Brandon ou Mr. Knightley, Darcy tinha que ser um ator de até 35, 36 anos.  Enfim, abaixo, as mulheres da família Bennet:


Da esquerda para a direita: Elisabeta (Nathalia Dill), Jane (Pâmela Tomé), Ofélia (Vera Holtz), Cecília (Anajú Dorigon), Lídia (Bruna Griphao) e Mariana (Chandelly Braz).  Enfim, a trama se passa no início do século XX, década de 1910, imagino.  Os cabelos estão muito errados, mas fidelidade aos cabelos é coisa muito rara em seriados, novelas, ou o que seja.  De resto, não dá para visualizar muito bem as roupas.  De qualquer forma, torço para que a novela seja interessante.  Parece que as fotos estão aparecendo nas contas de Instagram no elenco e eu não sigo, nem vou seguir ninguém, então, aparecendo algo relevante, eu posto.  

BBC anuncia uma adaptação de Os Miseráveis


Les Misérables, Os Miseráveis, em português, romance monumental de Victor Hugo, já foi adaptado muitas vezes, tornou-se um hit por conta de sua versão musical, e a BBC anunciou que há mais uma em preparação.  O roteiro está sob a responsabilidade de Andrew Davies, responsável por várias adaptações literárias para a TV de grande qualidade, como Orgulho e Preconceito (1995).  Os produtores executivos do seriado são Dominic West (The Wire) e David Oyelowo (Selma), o primeiro será Jean Valjean, o segundo, Javert.   Outros envolvidos no elenco são Lily Collins, Olivia Colman, Adeel Akhtar, Ellie Bamber, Josh O’Connor e Erin Kellyman.  As gravações serão feitas na Bélgica, principalmente, e na França.  Imagino que chegue às tvs britânicas em dezembro deste ano.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Ranking da Oricon


Estes são os dois primeiros rankings da Oricon do ano.  O destaque é Omoi, Omoware, Furi, Furare, de Io Sakisaka.  Não sei se a Panini do Brasil tem intenção de trazer a obra.  Se Ao Haru Ride teve um desempenho satisfatório, é questão de tempo.  Já Ōoku, que eve edição especial com Drama CD, bem, eu tenho medo de desandar.  Fumi Yoshinaga já deveria ter resolvido a sua história no volume #12, como tinha prometido... Enfim, aguardo o meu volume #13 por esses dias, torcendo para que ela não comece a errar e comprometer a sua história.

4. Omoi, Omoware, Furi, Furare #7
8. Gakuen Babysitters #16
13. Ōoku #15
17. Hana Nochi Hare ~Hana Otoko Next Season~ #8
19. Tsubsa to Hotaru #11


2. Omoi, Omoware, Furi, Furare #7
6. Tsubsa to Hotaru #11
7. Ōoku #15
15. Honey Lemon Soda #6
16. Akatsuki no Yona #25
18. Ani ni Ai saresugite Komattemasu #9
20. Te wo Tsunagoyo #5
22. Junjou Romantica #22

Comentando o Segundo e o Terceiro Episódios de Little Women (BBC, 2017)

Vestidas para o casamento de Meg.
Terminei de assistir a minissérie da BBC adaptando Little Women, de Louisa May Alcott. Para quem não leu, a resenha do primeiro episódio pode ajudar e está aqui.  A atual versão não se tornou a minha adaptação favorita, tendo três horas, poderiam fazer melhor do que fizeram, mas foi, no geral, um trabalho bem executado, com o uso de metáforas visuais belíssimas e com algumas excelentes interpretações.  Acredito, também, que foi a primeira vez que um livro de uma mulher e sobre mulheres foi adaptado a partir de um ponto de vista feminino, já  que o roteiro de Heidi Thomas e a  direção de Vanessa Caswill.  Questiono algumas mudanças e opções, mas recomendo muito a série. Nos prós e contras, acredito que temos mais pontos positivos.  Provavelmente, deve encantar quem não assistiu nenhuma adaptação anterior.

Começamos o episódio dois com o duplo drama: Marmee está em Washington cuidando do marido gravemente enfermo, enquanto as filhas se desdobram em torno de Beth, que contraiu escarlatina. Aqui, praticamente tudo seguiu como nas outras adaptações. Enquanto as meninas cuidavam de seus interesses, a mais tímida das March continuou visitando a paupérrima família de imigrantes alemães que sua mãe estaava ajudando.  Beth pega escarlatina das crianças, um bebê morre em seus braços.  Foi tudo muito bem construído, mas as Beths de 1949 (Margaret O'Brien) e 1994 (Claire Danes) tiveram uma interpretação bem mais tocante.  Eu realmente não me lembro de como a versão de 1933 tratou a coisa e se não me lembro, é porque não me impactou.

Colocaram Laurie se declarando três vezes.  A primeira, muito cedo.
Foi interessante nesta parte o destaque dado para o exílio de Amy, a irmã caçula, que por nunca ter tido a doença, é mandada para a casa de Tia March.  O que seria um sofrimento para menina, acabou sendo o seu passaporte para a boa sorte, já que caiu nas graças da velha senhora por ser mais dócil (*ou fingir ser*) que Jo, além de interessada por refinamentos.  O que as adaptações normalmente omitem são as visitas de Laurie, que vai todos os dias consolar a menina e levar notícias.  Esta adaptação foi bem feliz em incluir esta parte.

Falando em Laurie, Jonah Hauer-King, o ator que o interpreta, tem uma grande quantidade de tempo em tela – mais do que deveria, na verdade – nesses dois episódios.  E, bem, acho que ele é o melhor Laurie que eu vi em uma adaptação.  Superou Christian Bale, que fez a personagem em 1994. O ator se apossa da personagem e lhe confere toda a simpatia e molecagem que a interpretação pedia.  Agora, a produção exagerou ao repetir a declaração de amor de Laurie para Jo três vezes.  Ela não existiu de forma clara quando da doença de Beth.  Imagino que a Jo de 15 ou 16 nnos reagiria muito mal à aproximação do amigo como colocada na série da BBC.  Laurie se declara no casamento, ou logo depois, de Meg, e não volta a fazê-lo quando Jo retorna de Nova York.

 A terceira rejeição.
Assim, quando era para destacar a presença do Professor Bhaer e seu romance com Jo, temos mais Laurie.  OK, o garoto é ótimo, é fofinho e tal, mas acredito que o roteiro pecou ali.  Mais ainda, o Laurie dessa minissérie nunca se tornou um jovem rebelde e sem objetivo depois da frustração amorosa.  Ele continuou sendo o bom rapaz, nada de jogatina, bebida, ou mulheres.  Não precisavam exagerar, como na minissérie de 1978 (*aliás, foi o Laurie dessa produção que me fez odiá-la*), mas o Laurie da série de 2017 é um rapaz modelo.  Fora isso, deixam um tom amargo na relação dele com Jo.  Quando eles se reencontram no final do livro, sua amizade, o sentimento que os une, é revigorado.  Todas adaptações que eu vi tinham acertado nesse ponto, a de 2017 optou por algo diferente e eu não gostei.  Agora, curiosamente, este Laurie me convence de estar apaixonado por Amy.  Na série da BBC, ela não é simplesmente, a substituta, porque o jovem não conseguiu o amor de Jo.

Algo que me deixou um tanto espantada nessa adaptação foi a forma como as personagens, especialmente as March, se relacionam com a bebida alcoólica.  Há álcool no livro, mas há, também, aquele tom moralizante em relação ao seu consumo.  Aliás, a mãe da autora, além de sufragista, era membro dos grupos de Temperança, isto é, que defendiam restrições e mesmo proibições às bebidas alcoólicas.  Nesse aspecto, a série se afasta do livro.  O segundo capítulo termina com o casamento de Meg.  Só que diminuíram o peso da agonia cômica de Jo, que era absolutamente contra o enlace, porque não queria se separar da irmã, e de como ela tenta melar o noivado de Meg.  A protagonista  se conforma muito rápido e é como se ela não tivesse muito a ver com a intervenção de Tia March.  Mas, ainda assim, a situação, no geral, foi bem conduzida.

Meg ficou muito bonita de noiva.
O capítulo terceiro inventou algumas coisas que foram bem-vindas e omitiu outras.  Meg normalmente some das adaptações depois de seu casamento.  O capítulo deu espaço para cenas de sua gravidez e trabalho de parto, coisa que obviamente não está no livro.  O objetivo, claro, foi falar dos laços estreitos entre as mulheres, de como a experiência do dar à luz é coletiva e que o apoio que uma mulher recebe de outras mulheres nessa hora pode, sim, fazer toda diferença.  Só  um detalhe, a irmã caçula da autora, Abigail May Alcott Nieriker, que serviu de modelo para Amy, morreu de uma hemorragia pós-parto.  Ela morava em Paris e estava longe de sua família.

De novo, ignoraram um capítulo “On the Shelf” (*Na prateleira*), que trata do drama de ser uma dona de casa com duas crianças pequenas.  É o grande capítulo de Meg na segunda parte do livro, quando se reforça que uma mulher precisa de suporte, de uma rede deapoio.  Aqui, se poderia falar dos laços entre as mulheres novamente.  E é um capítulo que critica o modelo vitoriano de domesticidade, de que bastaria para uma mulher ser de mãe e dona de casa.  Mulheres precisam de ajuda, precisam de diversão, de tempo livre e isso é fundamental até para a boa relação conjugal.  Meg estava tão assoberbada que passou a negligenciar o marido, inclusive afetivamente.  E, bem, praticamente não vemos Mr. Brooke nesse terceiro capítulo.  Acredito que ele só tem uma fala, ou duas, se muito.  Mais uma adaptação a negligenciar uma discussão que, ainda hoje, é atual. 

Figuração de luxo.
Falando em figuração de luxo, Michael Gambon, faz praticamente nada o seriado.  Acho que daria para contar em uma mão as suas cenas, afinal, reduziram a relação dele com Beth a quase zero.  Ele aparece com uma frase aqui, dançando com a Tia March ali.  Falam ele, mas o próprio aparece pouco.  Talvez sua maior sequência seja a da proposta da viagem de Laurie para a Europa como uma forma de curar-lhe a depressão e a dor de cotovelo.   Falando em Amy, o episódio três foi muito feliz em construir a ida da moça para a Europa, como ela parece uma dama, adequada para acompanhar sua tia ao Velho Continente, enquanto Jo é um fiasco.  A depressão de Jo - que fez por merecer - também ficaram muito bem retratadas.  Só deixaram de fora o quase noivado da moça com um moço rico, por interesse. É uma questão que caminharia junto com a ajuda que Amy daria na recuperação moral de Laurie, mas como ele nunca saiu da linha, enfim... 

O episódio três é o da morte de Beth, então temos um bom tempo investido na relação de Jo com a irmã doente, no sofrimento de saber que a moça estava morrendo.  De novo, um grande desempenho de Emily Watson, que faz a mãe das meninas. Annes Elwy, que nao precisa mais fingir que tem 13 anos, está muito bem nesse último episódio, também. Tudo muito tocante.  As metáforas visuais, como o bordado incompleto da moça, a roupa preta no varal, o close vassoura e na borda negra do vestido, enquanto Jo varria, enfim, muitas imagens interessantes.  Agora, colocam Jo recorrendo ao pai mais do que no livro e em outras versões.  Tipo, você contratou um ator (Dylan Baker), então vamos usá-lo, certo?  O conselho que o pai dá, que Jo lapidasse mais seu romance, que não se preocupasse somente em vendê-lo, não surte efeito.  Foi preciso a intervenção do Professor Bhaer para que ela mudasse seu rumo literário, por assim dizer.

Professor Bhaer com barba, mas jovem e bonito demais.
E falemos do Professor Bhaer, o primeiro que eu me lembro de ter barba, como no livro.  Enfim, Mark Stanley é muito jovem e bonito para o papel.  Ele só tem 29 anos e tentam envelhecê-lo, mas nào funciona.  Como Maya Thurman-Hawke, a Jo, é adolescente e continua parecendo adolescente mesmo com mais de trinta anos, ele parece mais velho que ela, só que o Bhaer deveria estar perto dos 40 anos. Aliás, por ser bem mais velho e muito pobre, ele se acha indigno de Jo.  Além disso, e aqui a minissérie patinou feio, em nenhum momento Bhaer fica sabendo da existência de Laurie.  Ora, o Professor Bhaer não tinha se declarado para Jo em nova York, porque acreditou que ela estava noiva de Laurie.  E ele sentia certo ciúme, também, mas nada disso apareceu.

Enfim, em linhas gerais, mantiveram algumas cenas do livro que mostram a relação de amizade e o romance de Jo com o Professor, não eliminaram os sobrinhos dele, algo recorrente em outras adaptações, mas retiraram algumas passagens que eram realmente ternas, como quando a moça costura os botões faltantes da roupa do professor.  E, bem, o reencontro dos dois, a forma desleixada com que conduziram algo tão importante na vida da protagonista, a ausência da frase "I have nothing to give but my heart so full and these empty hands." (Bhaer) "They're not empty now"(Jo) ("Eu não tenho nada a oferecer a não ser este coração tão cheio e estas mãos vazias." "Não estão vazias agora".), que TODAS as adaptações mantiveram, me decepcionou muito.  Do capítulo “Under the Umbrella” (Debaixo do guarda-chuva) sobrou somente o guarda-chuva.  E Bhaer teve interação zero com a família de Jo.  Poderiam usar o pai dela onde ele realmente aparece, conversando com o Professor.

Laurie e Amy convenceram como casal.
Enfim, achei que foram muito pouco generosas – a roteirista e a diretora – na atenção dada ao romance entre Jo e o professor Bhaer.  Normalmente, as adaptações terminam com eles entrando na casa, ou debaixo da chuva.  Decidiram, acho que pela primeira vez, colocar a escola de Jo e seu marido em tela.  Ela herda da rabugenta Tia March a sua propriedade, Plumfield, e a transforma em uma escola moderna para meninos (*e meninas*) pobres.  Não achei que foi uma compensação e detestei o cabelo absolutamente inadequado que deram para Amy nessa última sequência.  Ela pareceu deselegante.  Espero que o Frock Flicks comente a série, seu figurino e seus cabelos.  Falando em cabelos, Jo aparece bem desgrenhada boa parte do tempo.  Adolescente, OK, ela era tomboy, mas já adulta, a coisa não ficou muito adequado.

Terminando, foi uma boa adaptação. Comovente em alguns momentos, com ótimas interpretações, destaque maior para Emily Watson e Jonah Hauer-King.  Maya Thurman-Hawke é boa atriz e se esforçou no papel de Jo, mas ela é e parece jovem demais para a personagem.  Uma atriz mais velha que pudesse parecer ter 15 anos seria mais interessante aqui.  Mesmo com mais de trinta anos e falando em cabelos grisalhos, ela continua parecendo adolescente, só relembrando, todas as outras atrizes são mais velhas que ela.  Já as outras irmãs – Willa Fitzgerald, Annes Elwy e Kathryn Newton – estavam muito bem no segundo e terceiro episódio. De resto, foi preguiça não trocarem a atriz que fez a Amy.  Kathryn Newton, que se saiu muito bem, não podia ser escalada para ter 12 anos.

Uma mãe zelosa, com idéias avançadas em alumas questões,
mas não uma revolucionária.
É isso.  Cumpre a Bechdel Rule, claro.  É uma versão intimista, com um olhar feminista sem anacronismos.  Nesse aspecto, não comete os deslizes do filme de 1994, no qual a Marmee de Susan Sarandon aparecia criticando o uso do espartilho na frente de Brooke (Eric Stoltz) e Laurie, por exemplo.  A família March era um tanto moderna, as filhas foram estimuladas a terem interesses para além do lar, mas a forma como o livro as pinta é moralizadora. Deveriam fazer caridade, esperava-se que se casassem e tivessem filhos.  Esse era o núcleo de sua educação e Marmee questionava as futilidades e vaidades excessivas, mas não a essência daquilo que era considerado o esperado para uma mulher burguesa.  Nesse aspecto, salvo pela bebida alcoólica, a adaptação é muito fiel ao livro.