quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Para quem quiser o meu livro





Encomendei mais 30 exemplares do livro que organizei junto com o prof.  Amaro. Lembra dele? Tem post aqui. Para quem quiser, o preço do livro com o frete (*mando o código de rastreio para você*) é 50 reais.  Se estiver interessado/a, envie um e-mail para mim, com o título do livro (Representações do Feminino nas Histórias em Quadrinhos), e eu lhe passo meus dados de depósito.  Após a confirmação, isto é, envio do comprovante por e-mail ou outra forma como Facebook, Whatsapp, whatever, mando o livro para você.  Poderia passar os dados de depósito direto, mas vai que eu não tenho mais livros para vender?  E, sim, um dia escreverei um livro solo, só não sei quando será isso... 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Comentando o filme Kuragehime (2014)


Quinta-feira passada, finalmente, assisti ao filme baseado em Kuragehime (海月姫), algo como "Princesa Água-Viva", série divertidíssima de Akiko Higashimura.  O filme, lançado nos cinemas japoneses em dezembro de 2014, tenta resumir e recontar a história que conhecemos do mangá, história essa que já havia sido recontada na série animada de 2010.  No geral, foi bem divertido assistir ao filme e só ajudou a acirrar o frenesi em que me encontro no momento.  Estou finalmente lendo o mangá.  Lendo com gosto e avançando rápido nos seus 16 volumes.

Kuragehime é a história de uma moça otaku fanática por águas-vivas, Tsukimi Kurashita (Rena Nounen), que tem sua vida transformada ao conhecer um rapaz crossdresser, o jovem Kuranosuke (Masaki Suda).  Moradora de uma comunidade onde homens são proibidos e cada uma das residentes tem um hobby em especial, ela vê seu mundo ameaçado por um programa de reestruturação urbana que prevê que o seu refúgio, o Amamizukan, será demolido.  Já Kuranosuke bagunça a vida da moça ao apresentá-la a seu irmão mais velho, Shuu (Hiroki Hasegawa), um jovem tímido e com promissora carreira política.  Tusukimi se apaixona por ele, o rapaz por ela, contudo a moça que ele vê não é real, mas uma construção de Kuranosuke.  

As AMARS.
Tsukimi se acha indigna de ser amada, mas é obrigada a tomar uma série de atitudes corajosas e inéditas para tentar salvar o seu lar.  Tsukimi começa a mudar e todas as pessoas ao redor passam por algum tipo de modificação.  O motor da transformação?  Kuranosuke, que se vê repentinamente fascinado por alguém que ele mesmo considerava uma aberração. Ele ama Tsukimi?  Mas ela ama Shuu, ou será... Como se resolverá esse triângulo?  Eles vão conseguir salvar o Amamizukan? 

O filme de Kuragehime começa situando a paixão da protagonista, Tsukimi Kurashita, por águas-vivas e conhecemos logo de saída as moradoras do Amamizukan, um prédio antigo em uma área valorizada de Tokyo.  Banba (Chizuru Ikewaki), fanática por trens; Mayaya (Rina Ohta), cuja vida gira em torno do clássico Romance dos Três Reinos; Chieko (Azusa Babazono), especialista em quimonos e apaixonada por bonecas japonesas antigas; e Jiji (Tomoe Shinohara), que passa o tempo sonhando com homens (bem) mais velhos.  

A cena do aquário.
Juntas elas formam a irmandade das AMARS, as monjas do Amamizukan, um grupo de mulheres, já perto ou passadas dos 30 anos, todas otaku e NEET, isto é, "Not in Education, Employment, or Training" (*algo como: fora da escola, sem emprego ou em formação profissional*).  Tsukimi é bem mais jovem que elas e veio para Tokyo sonhando em se tornar ilustradora.  Além delas, há ainda uma mangá-ka BL, Meijiro-sensei, que nunca é vista, mas funciona como uma espécie de mentora do grupo.  Para ela, homens não são bem-vindos no Amamizukan e quem quebrar esta regra merece a morte.  Por conta disso, Kuranosuke precisa fingir que é uma mulher e, bem, ele é muito bem-sucedido nesse aspecto.

Um dos pontos altos do filme e, para mim, a cena foi muito melhor que a do mangá, é quando Kuranosuke é aparentemente desmascarado, pois seu pai se refere a ele como “filho” diante de Jiji e Chieko.  Sim, porque Tsukimi é cúmplice, ela sabe que se trata de um homem desde a manhã do encontro dos dois, quando Kuranosuke a ajuda a salvar Clara, que se torna a água-viva de estimação da moça.  Mas, enfim, como Kuranosuke engana as AMARS?  Ele as convence de que vive um dilema saído direto de A Rosa de Versalhes!  Ele é uma mulher, assim se sente, mas é obrigado a se comportar como um homem, porque o pai, um político respeitado, não queria uma menina, mas mais um herdeiro político.  

Decepcionando-se com Shuu.
A cena toda é dramática e histérica e se sustenta em sutilezas como o fato do rapaz escorregar e usar “ore”, o eu masculino típico, ao invés de “watashi”, o eu neutro ou feminino.  Kuranosuke é reconhecido como Kurako – nome que, no filme, ele usa desde as primeiras cenas – e se tornar uma AMAR honorária, mesmo contra sua vontade. O impacto do moço sobre as AMARS é enorme.  No início do filme é explicado que elas não conseguem falar com fashionistas, ou homens, elas viram pedra, literalmente.  Kuranosuke consegue se impor e elas vão mudando.  Como o filme tem quase duas horas, o que é muito pouco, muita coisa do mangá é enxugada e modificada.  Os dramas são reduzidos a dois: o destino do Amamizukan e a transformação de Tsukimi.  

O prédio, que pertence à mãe de Chieko, será demolido?  Bem, Kuranosuke jura que não, mas uma agressiva funcionária da construtora, Shōko Inari (Nana Katase), quer convencer políticos e a dona do prédio.  Inari-san tenta seduzir e chantagear Shuu, deixando o rapaz, que é absolutamente inexperiente em assuntos amorosos ou sexuais, em péssima situação.  Ele pode ajudar a obter apoio político para o projeto, algo, aliás, desnecessário, já que seu pai é a favor da reestruturação do centro da cidade.  Como testemunha distante do suposto romance entre Inari e Shuu, Tsukimi sofre.

Tsukimi em um de seus momentos de inspiração.
A moça, aliás, tenta a todo custo se refugiar em si mesma, seus sonhos e devaneios, são uma forma de esquecer a realidade.  Kuranosuke a puxa para fora e a ajuda a descobrir o seu talento para a moda.  Daí, lindos vestidos inspirados em aguás-vivas vão nascendo e tem como modelo o rapaz.  Ela os cria para ele, a sua princesa ideal.  Sim, há discussões sobre gênero, orientação sexual e identidade de gênero em Kuragehime, mas elas são mais presentes no mangá.  Kuranosuke efetivamente gostaria de ser uma mulher, por ser homem, seu pai o separou de sua mãe e eles não se veem há dez anos.  Ele tem genuíno prazer em vestir-se com roupas femininas e adotar maneirismos de gênero, mas é essencialmente heterossexual e se apaixona por Tsukimi.

Ao tentar aproximar a moça de seu irmão – e, no filme, duas várias ótimas sequências são enxugadas – ele acaba se enredando.  Cria uma Tsukimi embelezada, na moda, em contraposição à moça tímida e sem graça que ela acredita ser.  Shuu fica deslumbrado, ele mesmo termina mudando empurrado pelo amor por Tsukimi e à perseguição movida por Inari, mas Kuranosuke passa a ser corroído pelo ciúme.  Como é muito comum nas boas histórias japonesas, os irmãos não brigam por ela, não se ferem nem se enfrentam, mas, cada um à sua maneira, vão construindo a relação com a moça.  

Kuranosuke, a moça mais bonita do filme.
Kuranosuke continua tentando negar o que sente e Shuu, ainda que de forma tímida, tenta se aproximar a partir do momento que descobre que a moça otaku estranha é Tsukimi.  Aqui, cabe uma crítica ao filme, pois ao cortar uma cena na qual Shuu vai até o Amamizukan entregar os pertences de Tsukimi e não reconhece na moça a beldade que ele consolou na visita ao aquário (*a cena é diferente do mangá, mas, ainda assim, bonita e engraçada*), perde sentido o agradecimento que a protagonista faz quando eles se reencontram na reunião com as partes interessadas no projeto de reestruturação do centro da cidade.  Ele não a reconhece, ela sofre.

Não sei como este texto está parecendo para você, leitor/a, mas a minha impressão é de estar produzindo um material muito desorganizado.  O filme não é um dramalhão, acreditem, é muito mais comédia do que qualquer coisa, talvez, o foco da minha análise é que esteja errado.  De qualquer forma, Kuragehime, o filme, captura o espírito do mangá (*e do anime*) e oferece uma leitura muito divertida da história.  O elenco trabalha muito bem, conseguiram mesmo entrar nas personagens.  

Preparando o desfile que pode salvar o lar das AMARS.
O Kuranosuke de Masaki Suda é, de fato, uma bela princesa e absolutamente fiel ao mangá, assim como a interpretação de Rena Nounen é muito fiel à Tsukimi original.  O mesmo se pode falar para todas as Amars.  Nana Katase oferece uma Inari-san muito mais exagerada em alguns momentos do que no mangá, mas sem se afastar do original.  Pena que, por conta do tempo restrito do filme, a relação dela com o Shuu tenha sido enxugada.  

Hiroki Hasegawa é um Shuu convincente, ainda que bem mais bonito que o original.  A necessidade de resolver a história faz com que ele passe por uma transformação acelerada, tornando-se assertivo e corajoso por causa do amor de Tsukimi e dos perrengues que passa como Inari-san.  E, se o assunto é beleza, Mokomichi Hayami é um verdadeiro colírio interpretando o motorista da família de políticos.  Amigo de infância de Shuu, ele tem fixação por carros luxuosos e acaba servindo de mestre de cerimônias no desfile dos vestidos de Tsukimi.  

Tsukimi sendo preparada para um de seus encontros com Shuu.
O filme cumpre a Bechdel Rule, nem é preciso discutir esse ponto.  Agora, Kuragehime é um material feminista?  Não, mas traz algumas discussões feministas sobre empoderamento, identidade e papéis de gênero que são interessantes.  Tsukimi é talentosa, capaz de criar beleza e encantamento e uma pessoa especial e digna de ser amada como ela é, as mudanças pelas quais passa são válidas e importantes, um amadurecimento, mas não implicam em obrigá-la a se tornar outra pessoa.  Inclusive, nesse aspecto, a imposição de um padrão de moda/aparência às AMARS e, em especial, a protagonista, não se faz presente.  Já com Kuranosuke é possível discutir as imposições de gênero e como o binarismo pode ser rompido e as pessoas podem ser mais complexas do que imaginamos.  

É isso.  Trata-se de um  produto derivado e que pode ser apreciado de forma isolada, mas não deve ser encarado como um filme de primeira linha.  É feito muito mais para quem curte a série original e pensado para esse público e como propaganda da obra de   Akiko Higashimura.  Sua força e fraqueza residem aí, no fato de ser uma adaptação.  Dito isso, recomendo muito o filme e mais ainda o anime e o mangá.  Estou lendo o mangá de forma acelerada, é uma obra bem viciante mesmo, então, é possível que tenhamos uma resenha nos próximos dias. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Betsuhana comemora os 20 anos de carreira de Shigeru Takao


Shigeru Takao tem um traço lindo e é uma das mangá-kas mais importantes da revista Betsuhana.  A última edição da publicação está em festa e o Comic Natalie publicou detalhes sobre as comemorações.  O brinde da revista é uma coleção de postais com as obras da autora: Dear Mine (ディア マイン), Golden Days (ゴールデン・デイズ), Issho ni Neyou yo  (いっしょにねようよ), Ningyoushibai  (人形芝居), Slop Mansion ni Okaeri  (スロップマンションにお帰り), Teruteru x Shounen  (てるてる×少年), Wasure Yuki no Furu Koro  (忘れ雪の降る頃 高尾滋作品集) e Madame Petit (マダム・プティ), sua obra atual.  Falando em Madame Petit, já há scanlations da série.  Eu estava ansiosa por isso.

Primeiro volume de Akazukin Chacha é brinde da revista Cookie


O Comic Natalie noticiou que a última edição da revista Cookie trouxe o primeiro volume de Akazukin Chacha (赤ずきんチャチャ), de Ayahana Min, e antigo sucesso da Ribon, como brinde.  Uma continuação da série, Akazukin Chacha N  (赤ずきんチャチャN), está em publicação na Cookie, e o volume 3 acabou de ser lançado.  Akazukin ChaCha teve série animada entre 1994-95 com 74 episódios, mais os especiais, ou seja, muita gente lembra da série.

O CN informa que tudo é parte de uma coleção e quem comprar o volume da nova série e juntar o obi (*o cinto de papel que envolve o volume*) e o ticket que está na última Cookie pode concorrer a 50 brindes da série.  É preciso enviar até o dia 25 de novembro.  Se entendi bem, as mangá-kas Sugihara Ryouko, Sakurai Riya, Tanabe Mayumi, Toriumi Risako e Morina Riri homenagearam a série com ilustrações.  O CN fala ainda de receitas... Como não conheço a série, não sei se há receitas relacionadas a nova versão de Akazukin Chacha.  


Já na edição que sai em 26 de novembro, que corresponde a janeiro de 2017, teremos um brinde de NaNa (ナナ).  Como Ai Yazawa disse em sua última entrevista que deseja voltar a fazer a série, sempre fica uma esperança de retorno.  Agora, o fato é que volta e meia algum brinde de NaNa aparece na Cookie e um novo mimo nada quer dizer de concreto.

domingo, 25 de setembro de 2016

Orange terá um filme animado em novembro


Enfim, às vezes, o fôlego de Orange (オレンジ) me surpreende.  Hoje mesmo coloquei no blog a notícia sobre o gaiden do Suwa e, claro, este anúncio do  filme animado para o cinema, que acabou de sair no Comic Natalie, tem a ver com ele, afinal, pelo que sabemos até agora, a história será contada pelo ponto de vista do Suwa.  A imagem acima já é o primeiro cartaz do filme.

O filme, que estréia em 18 de novembro, trará a história que já conhecemos – as cartas do futuro, o lamento por Kakeru, a tentativa de salvá-lo etc. – pelos olhos do Suwa.  Inclusive, serão aproveitadas cenas da série de TV.  Agora, o importante é o foco no Suwa adulto, que parece ser i tema do gaiden que será publicado a partir do mês que vem.  

Parece que o elenco do anime para a TV e a equipe técnica serão os mesmos.  Estou em falta, porque ainda não assisti ao anime.  Vi somente dois capítulos, mas pretendo tentar assistir o resto.  A série animada, aliás, terminou hoje.

Novo gaiden de Orange anunciado


O ANN noticiou que um gaiden em duas partes de Orange (オレンジ), o bem sucedido mangá de Ichigo Takano, sobre Suwa e sua vida com Naho depois do trágico acontecimento que marcou as vidas do grupo de amigos da série.  Como eu escrevi em uma das resenhas do mangá, não lembro qual, Orange tem muito material para várias outras histórias.  


Além do gaiden, cuja primeira parte sai em 25 de outubro, não tinha comentado que o mangá que é lido por Hagita, uma das personagens de Orange, está sendo publicado na Monthly Action.  O nome é Sorigerisu e a arte é do mangá-ka Matsupon.  Falando em Orange, o último episódio do anime, exibido hoje, foi um especial de 1 hora de duração.  Algo bem raro. 

Natsume Yuujinchou retorna em 4 de outubro às TVs Japonesas


A quinta temporada de Natsume Yuujinchou (夏目友人帳), seguramente a série shoujo derivada de um mangá mais bem sucedida quando o assunto é animação em mais de uma década, estréia em 4 de outubro.  Volta e meia aparecem notícias e, normalmente, termino não comentando nada (*shame on me*). Enfim, há duas notinhas hoje.


A primeira está no Comic Natalie e é sobre a última edição da revista LaLa.  Ela traz informações sobre o anime e um booklet de brinde.  A capa da revista, aliás, está linda.  A outra notinha é sobre uma grande exposição que vai mapear o percurso da série do mangá até a animação e que irá abrir em novembro, entre os dias 11 e 23, na Seibu Gallery em Ikeburo.  São mais de 300 ilustrações.  A página da exposição é esta aqui.

sábado, 24 de setembro de 2016

Maurício de Sousa apóia a campanha #HeForShe


O link do Estadão colocou no título que a Mônica, a personagem, apóia a campanha #HeForShe da ONU Mulheres, um um esforço global para envolver homens e meninos na luta dos direitos iguais das mulheres e meninas. Afinal, um mundo com mais igualdade de gêneros é um mundo melhor para todos.  No entanto, a coisa é melhor ainda, porque é Maurício de Sousa, o criador do universo da turma da Mônica, que se posiciona a favor da igualdade de gênero.  No vídeo que vocês podem ver aí embaixo, ele define muito bem, trata-se de uma questão de direitos humanos.


A campanha #HeforShe tem como sua principal embaixadora a atriz Emma Watson, famosa por interpretar a personagem Hermione de Harry Potter.  A campanha foi lançada em setembro de 2014 e o objetivo no Brasil seria conseguir um total de 100 mil assinaturas de homens.  Acredito que o alvo ainda não tenha sido atingido.  Daí, ter um Maurício de Sousa participando é muito importante.  Um olhadinha nos comentários - todos de homens - à matéria serve para reforçar a necessidade.  O site em português do #HeForShe é este aqui.