terça-feira, 18 de agosto de 2026

RIP Laura Cardoso e Glória Menezes: Um dia triste para a dramaturgia brasileira

Quando estava dirigindo para o trabalho hoje, ouvi a notícia de que a magnífica Laura Cardoso tinha nos deixado.  Ela estava com 98 anos e faria 99 no mês que vem.  Ela começou sua carreira, contra a vontade do pai e da mãe, aos 15 anos de idade e fez muitos papéis.  Foi atriz de rádio, teatro e TV, alé de dubladora.  Ela foi a primeira voz da Beth dos Flinstones, por exemplo.  E estava lúcida e bem-humorada quando partiu.  Gostava muito de Laura Cardoso, mesmo não tendo nada de nordestina, era filha de portugueses e nascida em São Paulo, ela parecia com a minha avó (*que tem 95 anos*), com as minhas tias, com as matriarcas da minha família.  

E seu papel mais antigo que me vem à memória é exatamente o de uma matriarca nordestina, a Donana, mãe de Soró (Arnaud Rodrigues), da novela Pão-Pão, Beijo-Beijo (1983).  Ela era dura, com valores  morais arcaicos, porém amorosa.  Depois deste papel, lembro dela  como a Marta de Fera Radical (1988) e como a mão das gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de Areia (1993).  Ela preferia a filha malvada e ajudava nas suas armações e crueldades.   E os três últimos papéis de que me lembro são Dona Carmem, em Chocolate com Pimenta (2003-2004); Laksmi, em Caminho das Índias (2009) e eu adoro essa novela; e Dorotéia de Gabriela (2012).  Sei que ela fez outras novelas do Walcyr Carrasco; na verdade, foi ele quem deu a Laura Cardoso seus últimos papéis importantes, quando Cardoso já estava bem idosa.  Goste eu ou não do Walcyr Carrasco, inegável é que ele sempre valoriza os atores veteranos.  Enfim, Laura Cardoso fará falta.

Cheguei no trabalho e comentei do falecimento de Laura Cardoso com uma colega e lembrei de Nathália Timberg e Glória Menezes.  Comentei que esta última parecia muito frágil da última vez que a vi na TV, sempre aparecendo em cadeira de rodas.  Abri a internet e fui checar sua idade; ela era bem mais nova que Laura Cardoso.  Vi que ela e Tarcísio Meira tinham tido COVID-19, que apressou  o falecimento do companheiro de uma vida da atriz, porque é mais fácil lembrar dos dois juntos, porque era algo muito marcante mesmo.  Não lembro da primeira novela que vi com a atriz, mas tenho quase certeza de que foi a Roberta de Guerra dos Sexos (1983).  E recordo muito dela como a Rosemere de Brega & Chique (1987) e a terrível Laurinha Figueroa de Rainha da Sucata (1990).  O último papel de Glória Menezes que acompanhei foi o da Tereza na reprise de Corpo a Corpo (1984-85), que eu tinha assistido quando criança e queria rever.  

Uma das atuações de Glória Menezes que eu gostaria de poder ter observado é o da sua dupla atuação em Almas de Pedra (1966), na qual ela se disfarça de homem para levar a cabo uma vingança, só que nada deve ter sobrado da obra para além de fotografias. E, sim, é inesquecível a sua Marquesa de Santos em Independência ou Morte (1972)! Menezes foi a estrela da primeira novela diária da TV brasileira, 2-5499 Ocupado, da TV Excelsior, de 1963. O fato é que fiquei realmente chocada de abrir o tablet no fim da tarde e ver que ela havia partido, também.  

Um dia triste para a dramaturgia brasileira.  Não me lembro de duas grandes atrizes ou atores terem morrido no mesmo dia.  Sim, ambas já estavam com a idade bem avançada, mas é triste do mesmo jeito.  Acredito que a única coisa positiva é que partiram cercadas por pessoas que as amavam e respeitavam e que serão ambas lembradas pelas gerações futuras, nem que seja por fragmentos de suas novelas que circulam por aí.  RIP pode ser tanto rest in peace (descanse em paz), quanto rest in power (descanse em poder), porque tanto Laura Cardoso, quanto Glória Menezes foram exemplo da força das mulheres na dramaturgia.

Comikey lançará títulos da Hakusensha em inglês

A conta da plataforma Comikey no Twitter anunciou que estará trazendo vários títulos da Hakusensha para o público de língua inglesa pela primeira vez.  O post traduzido diz o seguinte: "Após décadas de espera, essas obras-primas icônicas finalmente chegam aos leitores internacionais! 🗝️✨Celebre conosco a rica história de Hakusensha — onde o mangá shojo é muito mais do que romance! Pela primeira vez em inglês, descubra uma seleção incrível de humor caótico, drama intenso e mundos de tirar o fôlego! (づ> v <)づ♡ ✨ Adicione aos favoritos nossa estreia mais aguardada e conte para nós qual série você está mais ansioso para ler!".  

O ProShojo Spain comentou a notícia e que  o primeiro título a ser lançado é o mangá da artista sora chamado Tsuiraku JK to Haijin Kyoushi (墜落JKと廃人教師) com o título de Crashout Schoolgirl and Degen Teacher.  A série já está na plataforma.  Não uso o Comikey brasileiro, mas acredito que o que não tiver licença no Brasil, talvez saia por aqui.

Kimi to Koete Koi ni Naru (With You, Our Love Will Make It Through) está nos últimos capítulos

Kimi to Koete Koi ni Naru (キミと越えて恋になる), também conhecido como With You, Our Love Will Make It Through, está nos seus últimos capítulos.  Segundo o Manga Mogura, a autora, Yuzuki Chihiro, comunicou no Twitter que já terminou todos os capítulos, inclusive o último.  A série, sequência de um mangá TL chamado Juujin-san to Ohana-chan (獣人さんとお花ちゃん), é uma comédia romântica shoujo com forte conteúdo erótico, ambientada em um futuro próximo, em que experiências antiéticas criaram híbridos de humanos e animais.  No momento em que a história acontece, há uma desegregação, e alguns híbridos passam a trabalhar e estudar ao lado dos humanos.  Mari, uma colegial gentil, acaba conhecendo um jovem híbrido que se tornou estudante de intercâmbio em sua escola.  Os dois acabam se apaixonando, mas o mundo em que estão não considera normal esse tipo de relação entre humanos e híbridos.  

A série teve anime no ano passado; cheguei a comentar alguma coisa sobre ele por aqui.  Não terminei de assistir e realmente não é o tipo de material que tenha me agradado.  No momento, a série está com 10 volumes.  Kimikoete é publicado na internet, pois é um tipo de shoujo que não costuma mais aparecer em revista impressa.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mangá recém-lançado no Japão fala da dor de duas mulheres que perdendo alguém querido para o câncer

Acabou de ser publlicado no Japão o volume #1 do mangá Anata ga Shin Jatta Ato ni: Kanashii Toki no Arukkata (あなたが死んじゃったあとに~かなしい時の歩き方~), de Sakiko Inoue.  A série é baseada na própria experiência da autora em perder alguém querido para o câncer.  A série é publicada na revista Fore Mrs. da Akita Shoten. O resumo da série no Comic Natalie é o seguinte: "A protagonista é Sumire Iwakuma, uma escritora especializada em gastronomia em busca de sucesso. Ela cuida do namorado, Yuto, que sofre de câncer pancreático, há mais de um ano, mas ele finalmente recebe o diagnóstico terminal. Com a despedida do amado se aproximando rapidamente, Sumire busca algo que possa fazer e tenta entrar em contato com Kotoha, filha de Yuto de um casamento anterior. Sumire e Kotoha, que não têm parentesco legal, se reencontram pela primeira vez em 16 anos, desde o divórcio. Essas duas mulheres passam seus últimos momentos com seu amado e pai."  O que eu não entendi do resumo é se a protagonista foi pivô desse divórcio, afinal, tem o reencontro... mas imagino que é o reencontro da menina com o pai.

domingo, 16 de agosto de 2026

Shoujocast no Ar! Anatolia Story: Animação ruim, história mutilada e oportunidades perdidas

E chegamos ao episódio 6 de Anatolia Story (Red River/Sora wa Akai Kawa no Hotori) e ele não decepcionou em matéria de censura e boas oportunidades perdidas. Algumas opções da produção são inexplicáveis e cada vez mais eu me pergunto se quem está à frente do projeto tem alguma simpatia pela história. Mas podem acreditar que eu dou o meu máximo para comentar mais um episódio dessa série que é adaptação de um dos meus mangás favoritos.  Para a minutagem, é preciso ir ao Youtube.