sábado, 13 de agosto de 2022

Ranking da Oricon - Semana 1-7/08

Saiu o ranking da Oricon com os trinta angás mais vendidos da semana e, ao que parece, One Piece veio com tudo e dominou o ranking.  Só no top 10, temos a série original e mais três gaiden, ou seja 40% do topo da lista.  E ainda há mais.  De  shoujo mesmo, temos dois títulos, ambos já para o fim da lista e, claro, não estão estreando esta semana.  Vamos ver como ficamos no próximo ranking.

1. ONE PIECE #103
2. Jujutsu Kaisen #20
3. Dragon Ball Super #19
4. Jujutsu Kaisen #20 Edição Especial
5. ONE PIECE episode A #1
6. Dandadan #6
7. ONE PIECE episode A #2
8. Kuroshitsuji #32
9. Ao no Hako #6
10. Shokugeki no Sanji

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Pegaram Salman Rushdie, ou a intolerância pode vencer no final.

Decidi escrever este post, que espero ser curto, para comentar duas notícias.  A primeira, o atentado sofrido pelo escrito Salman Rushdie sofreu um atentado em Nova York.  Aparentemente, ele levou várias facadas e está hospitalizado.  No momento em que escrevo, ainda não tenho certeza de quantas facadas foram, ou há informações precisas sobre o estado de saúde de Rushdie.  Fala-se em falha de segurança, pois desde 1989, o autor anglo-indiano era alvo de uma fatwa (decreto religioso) imposta pelo aiatolá Khomeini, então líder supremo do Irã que o condenava a morte por causa do seu livro, Versos Satânicos, lançado no ano anterior.  Segundo Khomeini, o livro era ofensivo ao profeta Maomé. Na época, o aiatolá Khomeini, dirigente do Irã, ofereceu US$ 2 milhões como recompensa a quem matasse o autor.

Lembro desse rolo todo.  Eu tinha treze anos e 1989 foi um ano muito dramático e cheio de eventos importantes: queda do Muro de Berlim, Massacre na Praça da Paz Celestial, primeiras eleições presidenciais no Brasil pós-ditadura e, por fim, a própria morte de Khomeini.  Jamais esquecerei dos seus funerais, as imagens foram impressionantes.   Falava-se muito do caso de Rushdie e, naquele momento, a atitude de Khomeini era vista como absurda e violenta.  De qualquer forma, a ameaça não deixou de existir por causa disso.  Havia muita gente disposta a cumprir a fatwa e não eram somente iranianos, ou xiitas, mas muçulmanos das mais diferentes tendências e que se sentiram ofendidos pelo livro e dispostos a matar como forma de fazer justiça, ou se vingar.  É aceitável se sentir ofendido, não matar por causa disso.  Fora, que ninguém deve ser obrigado a compartilhar das visões de fé de outrem. Aliás, lembram da bomba no escritório do Porta dos Fundos?  Pois é... 

Rushdie vivia recluso e protegido pela política britânica desde então.  Nenhum assassino havia conseguido se aproximar dele, mas houve várias tentativas de matá-lo e a outros envolvidos com a publicação do livro.  E cito a Folha de São Paulo: "Em 1991, Hitoshi Igarashi, tradutor do livro no Japão, foi assassinado a facadas. Dias depois, o tradutor italiano Ettore Caprioli foi ferido, também com uma faca.  Dois anos depois, o editor turco Aziz Nesin, que havia publicado extratos do livro num jornal, foi atacado por extremistas islâmicos, que o encurralaram num hotel e incendiaram o prédio. O fogo matou 37 pessoas, mas Nesin sobreviveu. Ainda em 1993, o tradutor do livro para o norueguês, William Nygaar, foi baleado com três tiros e ficou gravemente ferido."

Enquanto escrevo este post, Rushdie ainda está vivo, espero que sobreviva sem grandes sequelas.  De qualquer forma, a intolerância religiosa é algo profundamente enraizado em nossos dias e está sendo instrumentalizada politicamente no Brasil neste exato momento.  No final de semana passado e nos dias seguintes, a esposa do presidente utilizou de forma muito competente o discurso fundamentalista evangélico para apresentar o marido como alguém que, com a ajuda de "Deus", vem livrando o Brasil de vários problemas espirituais.  O país era dominado por demônios antes de sua eleição, agora, as coisas mudaram para melhor.  Em vários momentos, a primeira-dama evocou a imagem da luta do bem contra o mal.  Afinal, os problemas do Brasil não são a fome, o desemprego, a inflação, ou os duzentos e tantos mortos diários por COVID, mas os demônios.

No outro dia, para marcar posição, a primeira-dama postou vídeo do ex-presidente Lula em uma cerimônia de Candomblé como forma de associar as práticas religiosas afro-brasileiras aos tais demônios, ao mal.  A seguir, foto da esposa de Lula com imagens das religiões afro foram postas para circular.  É preciso marcar muito bem quem está do lado do bem e quem é o mal.  E o mal precisa ter cor, e é preta. Infelizmente, Michelle fala bem e conhece os discursos fundamentalistas.  Ela pode efetivamente ajudar o marido à despeito de tudo que a grande imprensa diga e o resultado imediato pode ser um acirramento do preconceito religioso e da violência que, no Rio de Janeiro, se manifesta na destruição de terreiros por traficantes evangélicos.  Resta saber se as palavras da primeira-dama surtirão o efeito desejado com o público evangélico atraindo, especialmente, as mulheres. 

Eu vivi minha vida inteira no meio evangélico batista e discursos de demonização da Umbanda, do Candomblé e da própria religiosidade católica (*algo que, hoje, pode ser adiado para um confronto futuro*) eram super comuns.  O que ela disse na Igreja Batista Lagoinha dialoga com esses discursos que ouvi abundantemente na minha infância e adolescência.  O verniz neopentecostal é só a cobertura do bolo, o essencial do discurso de Michelle é bem conhecido de todas as igrejas evangélicas e protestantes do Brasil.  Mais ainda, há a questão dos direitos e visibilidade.  Por exemplo, quando Átila Nunes, político de longa data no Rio de Janeiro, aparecia na TV, ou nos jornais, não importava qual assunto fosse, sempre havia o comentário "Mas ele é macumbeiro.".  Tudo o resto não importava.  E eu seria mentirosa se não dissesse que eu me tornei imune a esses discursos que acionam sentimentos.  O que posso dizer é que a razão se impõe nessas horas, assim como o senso de justiça.

Muitos anos atrás, antes de Júlia nascer, uma senhora que estimo muito, alguém que sei que é capaz de se sacrificar pelo próximo, uma pessoa boa, uma vez me disse do absurdo que era os praticantes das religiões afro desejarem os mesmos direitos que nós. Tinha acontecido um evento na Câmara com a presença de sacerdotes e sacerdotisas da Umbanda e do Candomblé, ou algo assim. E por qual motivo?  Porque eles são o mal, que precisa ser combatido.  Eles não podem ter espaço na vida pública.  Um evangélico corrupto, ou perverso, ou fascista, sempre será melhor que o mais correto dos praticantes das religiões afro, ou do islã, ou de qualquer outra fé.

E que fique claro, os fundamentalistas operam da mesma forma, sejam cristãos, ou muçulmanos.  Eles demonizam as outras fés e podem instigar o seu ataque, afinal, se não estão do meu lado, servem ao demônio.   No Brasil, a ideia de guerra espiritual é pregada regularmente nas igrejas.  Agora, ela se reveste de luta contra as esquerdas, em especial, o PT.  Se Bolsonaro conseguir um segundo mandato, estaremos mais próximos ainda do Evangelistão, que, muito provavelmente, não será muito diferente do Irã de Khomeini, só que com menos roupa para as mulheres, futebol e praia.  Enfim, quantos Salman Rushdie ainda terão que ser mortos, é difícil saber.

"Qual foi o primeiro mangá shoujo que você comprou na vida?" Parte 2: Quais as revistas que mais aparecem?

Anteontem, postei a tradução de uma pesquisa que apontava qual teria sido o primeiro shoujo que os homens japoneses compraram.  Eu comentei em qual década o material foi publicado, mas acho que seria importante mostrar quais revistas são as mais citadas.  Por isso, fiz a separação das obras pelas revistas para comentar.  Não é mais do mesmo, prometo, e não pretendo voltar a esta lista em outro post, não.      

A revista que mais aparece na lista, com seis títulos de trinta e um, é a Ribon.  Akazukin Chacha e Marmalade Boy são da fase de ouro da revista, os anos 1990, quando a Ribon era a revista shoujo de maior vendagem do mercado japonês.  Metade dos títulos são mangás de garota mágica, um dos fortes da publicação.  Mahou Tsukai Sally acabou se tornando o primeiro anime shoujo e é uma série de garota mágica.  Todos os que estão na lista tiveram anime, alguns, tiveram filmes live action e dorama.

3. Chibi Maruko-chan - Ribon
13. Mahoutsukai Sally - Ribon
17. Akazukin Chacha - Ribon
17. Marmalade Boy - Ribon
17. Himitsu no Akko-chan - Ribon
17. Otousan wa Shinpaishou - Ribon


E temos a Nakayoshi com cinco títulos.  Só que A Princesa e o Cavaleiro foi publicado em mais de uma revista e em momentos diferentes.  De qualquer forma, três títulos são dos anos 1990, três séries de garotas mágicas.  Os dois títulos da CLAMP entram aqui.  E, claro, temos Candy Candy, que ficou em um surpreendente segundo lugar.  

2. Candy Candy - Nakayoshi
3. A Princesa e o Cavaleiro - Shojo Club/Nakayoshi/Shojo Friend
8. Sailor Moon - Nakayoshi
13. Card Captor Sakura - Nakayoshi
17. Guerreiras Mágicas de Rayearth - Nakayoshi


Quando fui contar, percebi que a Hanayume estava empatada com a Nakayoshi.  Todos os títulos são muito importantes, clássicos antigos e modernos, por assim dizer.  Glass Mask (1976) e Patalliro! (1978)  começaram a ser publicados nos anos 1970 e continuam ainda em andamento.  Uma das lacunas nas minhas leituras é Doubutsu no Oisha-san, o mangá do veterinário que faz tanto sucesso.  Todas as séries listadas tem anime, dorama, ou os dois.

6. Glass Mask - Hana to Yume
9. Patalliro! - Hana to Yume
17. Doubutsu no Oisha-san - Hana to Yume
17. Fruits Basket - Hana to Yume
17. Sukeban Deka - Hana to Yume


Quando traduzi a lista, imaginei que haveria mais mangás da Margaret, mas, não, não era o caso.  Temos três clássicos, dois deles mangás de esportes (Attack Nº1 e Ace wo Nerae) e um título dos anos 1990, Hana Yori Dango, o shoujo mais vendidos de todos os tempos e a Rosa de Versalhes, claro.  Todos os listados tiveram anime e dorama, ou filme live action.  Hanadan e a Rosa também viraram peça do Takarazuka.

1. Rosa de Versalhes – Margaret
5. Ace Wo Nerae - Margaret
7. Hana Yori Dango - Margaret
11. Attack Nº1 - Margaret


E a Shocomi empatou com a Margaret!  Aqui, só temos ficção científica e fantasia.  Dois títulos de Hagio Moto (Poe no Ichizoku e They Were Eleven!).  Poe não teve anime, mas teve peça de teatro e continua tendo spin-offs até hoje.  Os demais tiveram anime e/ou peças de teatro.

17. Poe no Ichizoku - Shocomi
17. Fushigi Yuugi - Shocomi
17. Basara - Shocomi
17. They Were Eleven! – Shocomi


Dois títulos da Shoujo Friend da Kodansha, que foi uma das mais tradicionais revistas para meninas, começando a sua publicação em 1962 e lançando o seu último número em 1996.  Muitas autoras importantíssimas para a demografia passaram por lá.  Seito Shokun! estar na lista é importante para lembrar o quanto a série, que nunca teve uma animação decente, nem live action, foi popular fora da bolha do shoujo mangá.  Ainda que tenha começado nos anos 1970, eu a vejo como muito mais ligada ao que se fazia nos anos 1980.  Já Haikara-san teve de tudo, anime, peça do Takarazula, dorama e, recentemente, animações para o cinema.  É uma série que marcou época.

17. Seito Shokun! - Shoujo Friend
17. Haikara-san ga Tooru - Shoujo Friend


Aqui, temos a Betsuma, uma das revistas mais populares dos anos 2000, mas que só apareceu uma vez, o que aponta para o interesse mais dentro da bolha do que fora dela.  A Cookie, que entra por causa de NANA, que poderia estar em outra publicação e entraria do mesmo jeito.  E a única revista josei e, assim como com NANA, é por causa de Nodame e a série poderia estar em outra revista que não faria grande diferença.

9. Kimi ni Todoke - Betsuma
11. Nodame Cantabile - Kiss
16. NANA – Cookie

E temos Benigumo, que é shoujo, mas no Bakaupdates está como shounen e que eu não faço ideia de onde saiu, mas a editora é a Asahi Sonorama, que publica revistas como a Nemuki e a Mystery Bonita.  Imagino que é uma história curta que apareceu em alguma revista de horror/terror/suspense para meninas.  Já Asari-chan é um kodomo mangá.  Saiu em várias publicações, inclusive a CoroCoro, que, a rigor, é para meninos, mas saiu na Ciao, também, que é a mais infantil das revistas shoujo.

13. Asari-chan - Ciao (entre outras)
17. Benigumo ***

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Riyoko Ikeda fala dos 50 anos da Rosa de Versalhes: "Quais são as regras para escrever um mangá histórico?"

Mais uma matéria sobre o aniversário da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), desta vez do site japonês News Post Seven. Só lembrando, eu não sei japonês, então estou "traduzindo" e inferindo coisas a partir do que eu já sei sobre Ikeda e a Rosa de Versalhes e o que o Google Translator me dá.  Se você sabe japonês, o link da matéria original já está no post, divirta-se.  

Enfim, a matéria já começa com uma fala de Ikeda dizendo que foi abordada por um diplomata (*francês?  japonês?*) que estava acompanhando o presidente francês François Hollande ao Japão, em 2013, e ele (*ou ela*) lhe disse que tinha aprendido tudo sobre a Revolução Francesa lendo a Rosa de Versalhes.  A seguir, Ikeda comenta que levou dois anos organizando o material de referência sobre história e cultura europeias antes de começar a fazer o seu mangá e que as primeiras ideias vieram da leitura do livro Maria Antonieta de Stefan Zweig, quando estava no segundo ano do colegial.  Zweig, para quem não sabe, era judeu austríaco e veio para a América do Sul fugindo do nazismo e escolheu ficar no Brasil.  Oficialmente, ele e a esposa se suicidaram em 1942, na cidade de Petrópolis (RJ).

A seguir, Ikeda retoma a história de que os editores não viam futuro na Rosa de Versalhes, porque crianças e mulheres não tinham interesse por mangás históricos e que ela sabia que se sua série não fizesse sucesso, seria imediatamente cancelada.  A seguir, ela explica que optou por não criticar os acontecimentos históricos, mas manter um certo afastamento.  E isso teria permitido a humanização das personagens históricas.  E que Oscar, sua criação, logo se tornou a personagem favorita dos fãs, que enviavam cartas todas as semanas.  Ikeda diz então que Fersen e Antonieta eram personagens reais, mas que Oscar teve duas fontes de inspiração, a aparência veio de Tadzio (Björn Andrésen) em Morte em Veneza e sua personalidade veio de Muhammad Ali, o boxeador.  Aliás, isso aparece no documentário que foi exibido recentemente no Japão sobre os 50 anos da Rosa (*obrigada Melina, pelo arquivo*).  Ikeda diz, então, que queria que Oscar deveria ser um homem, mas que ela tinha pouquíssima experiência com o sexo oposto e se sentiu insegura.  Ela já falou disso em várias entrevistas e a gente agradece muito por isso.

Em seguida, Riyoko Ikeda comenta que, na época de publicação da Rosa de Versalhes, mangás eram vistos como literatura vulgar e eram lidos e jogados fora.  Ikeda se propôs a fazer algo que fosse para sempre.  E conseguiu, não é mesmo?  A entrevista foi feita para a edição da Josei Seven (女性セブン) por Uemura Kuru com a participação de Aki Maekawa.  Para quem quiser, o último Shoujocast que eu fiz foi sobre a Rosa de Versalhes, na verdade, Oscar.  Ainda que a Ikeda não cite nesta entrevista a Rainha Cristina da Suécia, ela comentou sobre ela em outra entrevista e o nascimento de Oscar e a trajetória desta soberana certamente influenciou a construção da personagem.  E, se quiser, se inscreva no canal e dê um like, ou dislike, no vídeo:

Comentando Dakara, Mou Koishinai: uma série que discute prazer feminino e violência doméstica de uma forma surpreendentemente realista (+18/NSFW)

Anteontem, terminei a leitura do que havia disponível do mangá Dakara, Mou Koishinai (だから、もう恋しない), de Kitano Dorarinu, trinta capítulos, pois a série tem dois volumes lançados e alguns capítulos são curtos.  A série é publicada no selo Campanella, o mesmo de Koko Kara wa Otona no Jikan Desu。(ここからはオトナの時間です。).  Eu vou colocar um resumo básico do início da história, mas, eventualmente, terei que dar spoilers, é impossível não acontecer.  Eu coloquei +18 no título, mas as cenas de sexo da série não são longas, nem tão gráficas assim, acredito que quem tem 16 anos possa ler o mangá sem grandes problemas, lembrando que é um mangá TL (Teen Love) e que esta demografia sempre tem sexo.  Sempre.  No entanto, é o drama da personagem principal, seu sofrimento e sua reconstrução como mulher.

Akira Yamase tem 32 anos.  Ela foi uma criança bem comportada, uma aluna brilhante que conseguiu sair de uma vila do interior para cursar uma faculdade de prestígio em Tokyo.  Formada, ela conseguiu um bom emprego em uma editora.  Apesar de muito tímida e com poucos amigos, ela atraiu a atenção de um bom partido.  Akira se casou com um homem muito bem sucedido e mais velho.  Só que seu casamento durou pouco e acabou.  Faz um ano que ela voltou para a sua vila natal e divide a casa com a irmã caçula, que trabalha para a prefeitura.  Akira, agora, trabalha em um humilde mercadinho e tem horror à possibilidade de se casar novamente, apesar de ser pressionada todos os duas pela vizinhança que é formada, principalmente, por idosos.  "Você é jovem!"  "A função de uma mulher é casar e ter filhos." "Posso lhe apresentar alguém interessante." "Você deveria largar esse emprego e se tornar uma dona de casa."  "Seus pais merecem ver seus netos.".  

Akira não revela o motivo do seu divórcio, mas ela sente desejo sexual e se angustia com isso e acaba tendo devaneios e se masturbando, quando consegue ter alguma privacidade, o que é raro.  E um novo morador chega na vila.  Kotaro Mori é seu nome e ele atrai a atenção da vizinhança por seu jeito desalinhado, cabelo longo, barba por fazer, chinelos e moleton.  As velhinhas mexeriqueiras desconfiam que se trata de um bandido.  Um dia, ele entra no mercadinho e pergunta para Akira se eles fazem entregas.  Ela vai levar as compras na casa do sujeito, ele não atende a porta, ela entra e vê a casa muito bagunçada.  Em um impulso, começa arrumar tudo.  Quando o homem sai do banho e ela consegue ver seu rosto c clareza, se surpreende em ver o quanto ele é atraente e começa a refletir que não deveria ter ido sozinha até a casa dele, porque pode ficar falada e lembra que parece estar dentro de um filme pornô que assistira recentemente.  

Cada vez mais constrangida, ela começa a fantasiar com o sujeito, só que ele parece realmente interessado nela, ou, pelo menos, em fazer sexo com ela.  E Akira fica muito satisfeita com a experiência, ainda que envergonhada de seu comportamento.  Akira e Kotaro terminam por se tornar parceiros sexuais, não namorados, ou algo assim, mas dois adultos que se encontram somente para transar.  Mas será que é possível manter uma relação nessas bases?  Será o suficiente?  Em alguns momentos, Akira parece perceber em Kotaro um sentimento que vai além do mero desejo.  Ela estaria enganada?  E há ainda o risco da vizinhança descobrir o que Akira e Kotaro andam fazendo.  Além disso, Hina está muito interessada em Kotaro e Akira tem dúvidas sobre a relação do sujeito com sua irmã caçula.  Para piorar, um dia, o ex-marido da mocinha aparece no seu trabalho... 

Dakara, Mou Koishinai é um mangá que caminha muito rápido.  Alguns capítulos são bem curtos e a autora consegue sempre terminá-los nos deixando com vontade de continuar lendo sem parar. Ela é muito boa de ganchos. O traço não é exuberante, ou mesmo bonitinho, pendendo mais para o realista, ainda assim, elegante e limpo.  Quando os dois protagonistas terminam na cama, logo no início do mangá, imaginei que a coisa fosse ficar meio que só nisso, afinal, é um mangá TL, mas a autora foi acrescentando dramas e camadas que fizeram com que eu quisesse escrever esta resenha e recomendar a série.  Akira e Kotaro são dois adultos que parecem adultos de verdade, mesmo com algum exagero e humor, eles são pessoas que poderiam estar andando por aí, seja no Japão, ou no Brasil.

O primeiro ponto importante a ressaltar é que a série mostra que uma mulher tem desejos sexuais e buscar saciá-los não deveria ser motivo de vergonha.  Akira não é arrastada por Kotaro, ela quer fazer sexo com ele, ela sente falta da intimidade com um homem e, exatamente por isso, aceita ser parceira sexual do sujeito.  Na verdade, ela é que meio que coloca na cabeça que é isso que eles são, porque Kotaro sempre parece ver Akira como uma espécie de namorada, ele a ouve, ele é paciente e bem humorado, além de saber o que é consentimento.  Eu fui lendo e esperando que o sujeito pisasse na bola em algum momento.  Será que ele vai acabar na cama com a irmã de Akira?  Será que ele é casado?  Será que é realmente um marginal?  

Chegamos ao capítulo 30 e ele vem se mostrando somente um sujeito legal e um tanto excêntrico.  Ele é desorganizado, ele é um tem grande necessidade de sexo, ele lê mangá e ele aceita o trabalho que a prefeitura da cidade lhe oferece como uma forma de disfarce.  Aliás, a irmã de Akira trabalha na prefeitura e o forasteiro é procurado por ela com oferta de emprego.  Como a cidade é um ovo e com uma população majoritariamente idosa, isso deve ser algo que acontece normalmente nos interiores do Japão.  O maior segredo de Kotaro se revela até bem rápido.  Ele foi parar na cidadezinha para se livrar de pressões profissionais.  Ele é um escritor que Akira admira muito, mas ela só descobrirá a verdade muito depois.  Por isso, ele não tem um celular, mas continua trabalhando em seu romance.  Ele não quer ser encontrado.

Uma das discussões da série, pelo menos nesses primeiros capítulos, é a questão da privacidade.  Akira não tem nenhuma.  As velhinhas querem o seu bem, mas controlam seus passos.  Elas insistem para que a  jovem mulher volte a se casar.  Para ser feliz?  Não, elas nem tocam nessa questão, mas porque o destino de uma mulher é ter filhos e ela ainda tem tempo.  Eu estava detestando as velhinhas fofoqueiras até que elas salvam Akira do seu ex-marido, elas correm para chamar a polícia e depois se prontificam a bater nele se o sujeito aparecer de novo para fazer mal à protagonista..

O que sabíamos do marido até que ele entre em cena é que ele costumava humilhar Akira.  Há um flashback mostrando isso.  Eu imaginei que ele somente abusava dela verbalmente, mas quando ele entra aparece na história, a coisa se mostra muito pior.  Ele surge no final de um dos capítulos, acho que o 14, e só vemos o seu pé.  Um sapato bonito, lustroso, caro.  Como Akira e Kotaro estavam brigados por causa de um mal entendido causado pela irmã da protagonista, imaginei que era o mocinho todo arrumado para revelar o seu segredo, ou pedir desculpas, sei lá.  Não era.  E logo no ouro capítulo já temos o ex batendo em Akira dentro do mercadinho.

Enfim, trata-se de um marido violento.  E a coisa é tratada pela autora de modo muito realista, poderia mesmo estar em um de nossos jornais.  O trauma da mocinha com a ideia de se casar de novo, mesmo amando Kotaro e ele estando disposto a isso, é plenamente justificado.  O ex de Akira é um homem dez anos mais velho que ela.  Ele se aproximou da jovem inexperiente e virgem, a deixou encantada com sua gentileza, recusou-se a fazer sexo com ela antes do casamento por respeito.  Quando se tornaram marido e mulher, ele passou a maltratá-la, abusar dela sexual, verbal e psicologicamente.  Pediu a demissão dela do emprego, trocou seu número de celular e restringiu seus contatos e terminou por mantê-la em cárcere privado.  Paro por aqui, porque há mais coisa.  Quem consegue salvá-la do cativeiro é uma amiga.  

Akira precisa superar a vergonha para pedir ajuda e fugir.  Mesmo compreendendo que o marido é um monstro, um criminoso, ela sente culpa, ela acredita que não se esforçou o bastante e que seus pais ficariam decepcionados com ela.  Afinal, ela escolheu aquele homem.  O sujeito é um criminoso e nossa mocinha sofreu horrores.  Kotaro ouve todo o relato dela chocado e a consola.  Eu quero muito que esse marido tome uns bons tabefes e vá para a cadeia.  Sim, as duas coisas.  Se forem as velhinhas, melhor ainda.

Uma das cenas mais bonitas do mangá foi o acolhimento que a mãe deu à Hina.  Fora Kotaro, ninguém sabe o que ela passou, Akira não quis preocupar sua família.  A mãe lhe diz somente que a apoia, que ela não precisa sofrer sozinha e que sabe o quanto ela se esforça, que se seu casamento acabou, certamente não foi por sua culpa.  Akira é uma irmã mais velha típica, assim como eu sou, e acredita que precisa carregar o peso do mundo e mais um pouco.  A mãe, Kotaro, as velhinhas e até sua irmã caçula, mostram a ela que não precisa ser desse jeito.  

Dado os abusos que Akira sofreu, imagino que seria muito complicado para ela se envolver sexualmente com outro homem.  Não sei, acredito que ela tivesse que carregar um trauma nesse sentido, mas ela não tem nenhum.  Vejo isso como incoerência?  Sim e não, porque a autora conduz bem a história e nos convence que Akira é somente uma mulher saudável que gosta de sexo, mas que foi usada por um homem cruel.  Minha única crítica nessa área é que a autora não coloca uma camisinha em nenhuma das cenas de sexo.  Bastava a embalagem, porque mostrar um preservativo em algum lugar é coisa comum em mangás TL, um recurso pedagógico, eu diria.

Falando em Hina, é engraçado ver os comentários do pessoal do Bato-to sobre ela.  Eu leio os mangás lá, porque os comentaristas são sempre engraçados e curiosos. Eles odiaram Hina e não acreditam que a personagem seja coerente e confiável. Enfim, Hina parece egoísta e cabeça e vento, ela assedia Kotaro, ela se acha melhor que a irmã.  Só que a partir do momento em que Kotaro a rejeita e a irmã e ele voltam a ficar juntos, Hina sai da posição de rival e vira apoiadora.  E ela quer juntar os dois, casá-los, de qualquer jeito.  Ela também conta suas intimidades com o novo namorado para os dois, sem que eles peçam.  Ela é doidinha, doidinha, mas eu conheço gente que é como ela, então, a autora não está criando uma personagem fora do campo do possível.

Eu realmente fiquei empolgada com esse mangá, não esperava que ele fosse tão bom.  Imaginei que fosse ser um TL comum, com sexo e nada muito além disso, mas a história é surpreendente e realista, já as personagens são simpáticas, ou odiosas, como no caso do marido, mas igualmente possíveis e pouco idealizadas.  Dakara, Mou Koishinai me surpreendeu tanto quanto Ichaicha Shiyou yo, Kumakei Kareshi kun (イチャイチャしようよ、クマ系彼氏くん), que também fala de abuso doméstico.  Só que Dakara, Mou Koishinai disse mais rápido a que veio e não tem capítulos inteiros com cenas de sexo chatas e desnecessárias.  Em Dakara, Mou Koishinai, as cenas de sexo estão em função da história e servem para aprofundar o psicológico das personagens, quem elas são e como se sentem.

Quando termina o capítulo 30, Kotaro e Hina estão morando juntos em outra cidade pequena, mas em busca de alguma privacidade, eles não se casaram, porque a mocinha não quis, mas ela deseja que aquele dia de felicidade dure para sempre.  Para mim, é uma senha de que algo ruim vai acontecer.  O ex-marido virá atrás dela?  Porque a frase é meio que uma senha para alguma coisa e o mangá não é um slice of life, mas um novelão dramático em um ritmo bem acelerado.  Agora é esperar pelos próximos capítulos.  Espero que eles cheguem rápido.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Saiu o trailer de My Broken Mariko

Ontem, saiu o primeiro trailer de My Broken Mariko (マイ ブロークン マリコ), filme baseado no mangá de mesmo nome de Hirako Waka.  O premiado mangá, que só tem um volume, menos, porque há uma história para completar o encadernado, parece feito sob medida para virar filme.  O trailer segue direitinho o mangá e oferece mais.  Para quem não conhece a história, temos uma jovem mulher, Shino, que está em um restaurante popular e, de repente, a TV fala de um suicídio.  Ela descobre que a morta é sua amiga de infância, Mariko.  Shino se lembra de todas as vezes que sua amiga apareceu machucada na escola, de como ela era maltratada pelo pai e que ninguém nunca fez nada por ela.  Shina era criança, depois, adolescente, impotente para salvar Mariko, mas ela decide que seu pai não tem o direito de ficar com suas cinzas, ela decide, então, sequestrar os restos mortais da amiga e levá-la para uma última viagem, a que ela sonhava fazer e nunca pode.  Quer levar Mariko para o mar.  É este o ponto de partida do filme. O mangá foi publicado no Brasil pela JBC e o link está no blog mesmo, a capa está em algum lugar. O trailer saiu no Comic Natalie e está abaixo.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

"Qual foi o primeiro mangá shoujo que você comprou na vida?" Os HOMENS japoneses respondem.


O site Netolab fez uma pesquisa por questionário em conjunto com o site Voice Note para saber qual o primeiro mangá shoujo comprado pelos homens japoneses.  Depois da lista, eu faço alguns comentários, vou usar marcadores de cor para saber a década do material e vou usar como referência o início da série: 1950 (laranja), 1960 (verde), 1970 (vermelho), 1980 (roxo), 1990 (marrom), 2000 para frente (azul).  Infelizmente, não temos a demografia (*idade dos respondentes*), nem o número de homens que responderam, mas foram muitos títulos empatados.  A lista tem 31 títulos:

1. Rosa de Versalhes
2. Candy Candy
3. Chibi Maruko-chan
3. A Princesa e o Cavaleiro
5. Ace Wo Nerae
6. Glass Mask
7. Hana Yori Dango
8. Sailor Moon
9. Kimi ni Todoke
9. Patalliro
11. Nodame Cantabile
11. Attack Nº1
13. Mahoutsukai Sally
13. Card Captor Sakura
13. Asari-chan
16. NANA
17. Guerreiras Mágicas de Rayearth
17. Doubutsu no Oisha-san
17. Akazukin Chacha
17. Seito Shokun!
17. Benigumo ***
17. Marmalade Boy
17. Poe no Ichizoku
17. Fruits Basket
17. Fushigi Yuugi
17. Himitsu no Akko-chan
17. Haikara-san ga Tooru
17. Sukeban Deka
17. Otousan wa Shinpaishou
17. Basara
17. They Were Eleven!


Não me surpreende ver a Rosa no topo, mas Candy Candy em segundo me parece bem curioso.  Quer dizer que muitos homens e meninos também se deixaram arrastar pelo novelão sobre a pobre órfã loira?  Eu imagino que o anime deve ter empurrado a popularidade da série para além da bolha e, atenção aqui, o mangá não pode ser republicado faz mais de vinte anos (*deve ser bem mais*) por causa da briga entre roteirista e desenhista.  No top 10, a obra mais recente é Kimi ni Todoke.  De comum, todas tiveram anime, mais de um em alguns casos, ainda que eu acredite que a Rosa não tenha dependido dele para ser o primeiro lugar.  Aliás, na lista inteira, acredito que somente Benigumo não teve anime, mas não é certeza, vários dos títulos tiveram dorama, filme live action e, em alguns casos, peças de teatro.


Dos 31 títulos, 11 são dos anos 1970, o momento da revolução do shoujo mangá, desses 11, dois títulos são de Hagio Moto (Poe no Ichizoku e They Were Eleven!); em seguida, temos 8 títulos dos anos 1990, que foi um momento marcado por muitos títulos populares, aqui, a CLAMP tem dois títulos (Rayearth e Sakura); 3 títulos dos anos 1980, Chibi Maruko-chan é um mangá cujo anime faz sucesso até hoje, é título para toda família, Otousan wa Shinpaishou é da Ribon, como Chibi Maruko-chan e teve crossover com essa série; já Doubutsu no Oisha-san, o mangá do veterinário, é um dos favoritos da revista Hana to Yume de todos os tempos e também furou a bolha; 1 dos anos 1950, ainda que A Princesa e o Cavaleiro tenha sido republicado nos anos 1960, quando saiu o anime.


A década de 1960 tem 4 títulos, o primeiro mangá de esportes shoujo (Attack Nº1), garotas mágicas e um de horror, Benigumo, que eu acredito que foi republicado em revista shounen; por fim, depois dos anos 2000 temos 3 títulos, na época que Nodame estava em alta, as pesquisas sempre mostravam a série como muito popular entre homens mais velhos e é o único josei da lista, Kimi ni Todoke foi um dos mangás mais populares de sua época estando sempre entre os mais vendidos do ano durante várias amostragens anuais, e Fruits Basket voltou à moda recentemente.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A Rosa de Versalhes completa 50 Anos: Texto do Yahoo Japão destaca a importância da obra.

Hoje, o Yahoo publicou um texto comentando a importância da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) quando a série completa seus cinquenta anos de publicação.  Quem visita o Shoujo Café sabe que eu não sei japónês, então o que eu colocar aqui é baseado na tradução do Google Translator + o que eu sei previamente e me ajuda a entender o geral da matéria.  Vamos lá!

A matéria abre dizendo que a série fez um sucesso sem precedentes e confrontou uma crença do mercado editorial japonês da época, isto é, que crianças e mulheres não se interessavam por mangás históricos.  O mesmo parágrafo comenta que a série saiu das páginas da Margaret, na época semanal, para os palcos do Takarazuka, o teatro feminino, com grane sucesso.  A matéria segue dizendo que a peça do Takarazuka foi montada em 1974 para comemorar os sessenta anos da companhia. 

A seguir, a escritora de não-ficção Aya Sawaki fala da importância da Rosa de Versalhes em sua vida, ela teve contato com a série quando estava o terceiro ano primário: "Na época, mangá ainda era considerado vulgar, e até eu era proibida de ler por meus pais que eram entusiastas da educação. [Mas a Rosa] Estava guardada no quarto. Acho que é a prova de que não é apenas um mangá shoujo, mas é reconhecido por o mundo como uma obra histórica. Se for aprovado pela escola, você pode lê-lo na frente de seus pais."  Sawaki diz ainda que foi Oscar que a atraiu para o mangá: "Ela é uma personagem criada por Riyoko Ikeda sensei. Embora seja mulher, foi educada para se tornar um soldado e coloca sua vida em risco para manter suas crenças. Não era convencional na época em que se considerava [o destino de uma mulher] ser dona de casa, e eu admirava muito isso.”

A mangá-ka Kawahara Kazuko destaca que a Rosa de Versalhes foi muito bem sucedida em abordar as questões de gênero.  "Ikeda-sensei é excepcionalmente boa em escolher e estruturar o que incorporar nas suas séries depois de pesquisar a história. Por exemplo, a palavra "assédio sexual" ganhou o Prêmio de Ouro no Concurso de Novas Palavras e Palavras-chave (流行語大賞の金賞/Ryuukougotaishou no Kinshou) em 1989. Nesta altura, fazia 16 anos que Ikeda havia desenhado uma cena em que Oscar é assediado no trabalho porque ele é uma mulher.”

Segundo a matéria, a "Pesquisa Básica Escolar" do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia informa que cerca de 10% das mulheres ingressaram na universidade no início da década de 1970, na época da publicação da Rosa de Versalhes, e 18,1% das mulheres de 25 a 29 eram solteiras (Ministério da Administração Interna e Comunicações "Censo Nacional"). Mais de 80% das mulheres se casavam antes dos 29 anos. Naquela época, uma vez casada, a mulher tinha que ficar em casa e cuidar dos afazeres domésticos e cuidar dos filhos, e precisava da permissão do marido para trabalhar.  Nessa época, a aparição de Oscar, que, apesar de ser mulher, conquistou confiança e e terminou apoiada seus subordinados masculinos, tornou-se uma esperança para as mulheres.  A matéria ressalta, também, que a  relação de Oscar e André serviu de exemplo para as mulheres da época.

Em 1986, 13 anos após o término da serialização, foi promulgada a Lei de Igualdade de Oportunidades de Emprego, incentivando a participação das mulheres na sociedade. No entanto, as mulheres não são verdadeiramente livres. Embora as mulheres agora possam trabalhar, o ambiente de trabalho e os problemas de assédio sexual para as mulheres ainda não foram resolvidos (do relatório do Fórum Econômico Mundial).  A revolução de gênero das mulheres japonesas retratada através da Revolução Francesa — "A Rosa de Versalhes" é amada por gerações há 50 anos porque continua a representar as vozes das mulheres.