Gênero nas Hqs: Perpetuando Desigualdades, Questionando Valores, Construindo Práticas

Toda mídia cria e/ou reforça representações e práticas. Será que as HQs têm ajudado a mudar a forma como as mulheres e meninas são vistas? Será que elas ajudam a reforçar velhos preconceitos?

Japoneses Escolhem as Mortes de Animes que Desejariam que não Tivessem Acontecido

Você fica triste quando uma de suas personagens favoritas morre? Pois é, os japoneses elegeram quais as mortes de anime (e mangá) eles lamentam que tenham acontecido.

Comentando o Filme Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)

Em um futuro distópico, 24 jovens até a mortese enfrentam em um jogo mortal promovido pelo governo. Somente um deles poderá ser o vencedor, até que uma garota decide mudar as regras do jogo...

Comentando Os Vingadores (The Avengers, 2012)

Homem de Ferro, Hulk, Thor, Capitão América e a Viúva Negra enfrentam Loki em um dos filmes mais esperados do ano. Nós assistimos e comentamos o filme aqui no Shoujo Café!

Sakamichi no Apollon: Poesia em forma de anime

Já assistiu o mais novo anime sobre música? Tem amizade, romance e a trilha sonora é ótima!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Site de Helena do Studio Seasons no Ar



Hoje (domingo), finalmente gravamos o Shoujocast com o Studio Seasons. Sim, estamos voltando! A Simone Beatriz avisou que o site de Helena estava com uma amostra do quadrinho para degustação. Parece que Helena ainda demora muito para sair, mas as malvadas (*especialmente e Montserrat e a Simone Beatriz*) decidiram nos torturar. Está tudo lindo, claro, e como a história é boa (*eu gosto de Helena*), esperar é uma tortura. Quem quiser conferir o site, clique aqui.

Comentando Mockingjay – Último Livro da série The Hunger Games – Parte 1



Na quarta-feira passada terminei a leitura de Mockingjay e por falta de tempo e por não saber bem como encaminhar o texto, acabei esperando um pouco antes de escrever. Assim como no caso do segundo livro, serão dois textos. Comecei a escrever, mas foi ficando longo demais e vou continuar em outra oportunidade. Enfim, gostei muito de Mockingjay durante boa parte do tempo, gostei mais deste último livro do que do segundo, mas, com certeza, este livro está muito longe da perfeição. Mas não me propus a ler a série The Hunger games em busca disso e o livro fechou de forma satisfatória a saga de Katniss. Pois bem, não pouparei ninguém de spoliers, então, continue por sua conta e risco.

Quando terminamos o livro 2 – Catching Fire – Katniss tinha sido resgatada da arena depois de ter desvendado a lógica do jogo (*o relógio e seus horrores orquestrados*) e destruído o campo de força. Junto com ela, estão Finnick Odair e Betee. Só que Peeta, assim como Johanna, ficam para trás. Katniss acreditava que tinha sido retirada da arena para enfrentar sua morte ou algo pior nas mãos do presidente Snow. Não tinha idéia de que havia sido resgatada pelos rebeldes – mais especificamente Plutarco, o Mestre do Jogo – e estava sendo levada para o (supostamente destruído) Distrito 13.

Katniss passa muito tempo dopada e se recuperando dos ferimentos que sofreu. Ela não tinha idéia de que todos, ou quase todos, menos ela e Peeta, sabiam da conspiração. O próprio Plutarco havia mostrado para a moça um relógio com o mockingjay em uma festa do tour dos vencedores. Mas a moça, claro, não entendera. Katniss não perdoa Haymitch pelo que ele fez, por tê-la enganado. Só que novamente os adultos sonegam informações e mentem, porque acreditam que sabem o que é melhor. Katniss é estourada demais para fazer “a coisa certa”, é o que pensam, sendo mantida nas sombras. Só que, para a moça, essa ignorância, além de traição, pode ter custado a vida de Peeta.

Para piorar as coisas, a menina descobre que todo o Distrito 12 foi destruído e que somente cerca de 10% da população escapou. Fortuitamente, sua mãe e irmã, Gale e sua família, estão entre os sobreviventes. Aliás, Gale teve papel fundamental no resgate e se adequou quase que perfeitamente no militarizado e perpetuamente em racionamento Distrito 13. Vejam bem, é muita sorte as pessoas que Katniss mais ama terem escapado, mas Suzanne Collins já tinha sido cruel demais com sua protagonista e, claro, ainda temos mais um livro para sofrer...

E nesse terceiro livro que Gale tem mais chance de aparecer, não que em qualquer momento eu acreditasse que poderia se desenvolver alguma coisa entre ele e a protagonista. O rapaz a ama, isso já sabemos, mas Katniss nunca havia pensado seriamente em nada a não ser a sobrevivência. Daí, é muito inusitada a conversa que lá na frente Peeta e Gale tem “Katniss vai escolher, ou não, mas se tiver que escolher, irá ficar com aquele que ela tenha certeza que não poderá viver sem”. De novo, a sobrevivência.

Depois de ter lido os três livros, eu discordo veementemente da moça do Feminist Frequency (*vide resenha do livro 1*) que reduziu o livro 2 e 3 da série a uma discussão sobre com quem Katniss vai ficar. A série continua sendo uma discussão sobre o amadurecimento em uma sociedade distópica, sobre a violência da guerra, sobre como a mídia manipula. A pobre Katniss passa por um longo período de depressão marcado primeiro pela versão futurística da morfina para acalmar seus pesadelos e terrores, depois, pela recusa de se enquadrar na controlada rotina do Distrito 13 (*é aí que ela se esconde dentro de um armário, o único lugar onde encontra privacidade e se sente segura*), até ser apropriada definitivamente como o rosto da revolta, o Mockingjay. Ela descobre que seu amigo Cinna havia planejado tudo, até seu traje...


Peeta, no entanto, está nas mãos da Capital, ele também é usado como rosto e voz para tentar pôr fim á rebelião. Seu fracasso, afinal, os rebeldes sabiam que seriam massacrados se aceitassem o cessar fogo, faz com que ele seja torturado cada vez mais. Katniss percebe que as coisas estão cada vez piores e se culpa pelas várias mortes, pela rebelião, pelo destino de Peeta, pela destruição do Distrito 12... Como já escrevi antes, ninguém sai imune da arena. E Katniss enfrentou a arena duas vezes. No livro três, quando ela participa da invasão da Capital, é como se ela o fizesse uma terceira vez ainda...

Neste livro, é apresentado um modelo de sociedade muito diferente daquela vista na Capital. O Distrito 13 é o perfeito inverso. Tudo é controlado, medido, cinza, triste. As pessoas são saudáveis, mas privadas de lazer e ao que aprece de escolhas. Trata-se, também, de um mundo militarizado, com adolescentes a partir dos 14 anos fazendo treinamento militar. Mas eles recebem bem os refugiados do Distrito 12 e a mãe de Katniss, Prim e Gale conseguem se encaixar bem. Katniss e Haymitch sofrem, claro, eles são sobreviventes dos Hunger Games, mas acabam se submetendo.

Acho que uma das melhores coisas dessa primeira parte do livro foi ver a reconciliação entre Katniss e Haymitch. Ele, apesar dos pesares, ocupou o lugar de pai para a menina. Ainda que ele erre – e os adultos erram muito em The Hunger Games – ele desenvolveu real apreço por Katniss e Peeta. E, claro, apesar de Katniss achar o contrário, era dela que ele gostava mais, já que os dois eram muito mais parecidos. Assim, terminamos descobrindo que não foi somente Katniss que Snow ameaçou e puniu. Haymitch também pagou seu preço por desafiar a capital e a bebida foi o que lhe sobrou, ainda que mesmo como bêbado ele saiba fazer as escolhas e os acordos certos. Obviamente, aqui caberia falar de Finnick Odair, mas vou deixar par ao segundo texto.

É nessa primeira parte do livro que conhecemos, também, a presidente Coin. Mulher competente, mas dura e manipuladora. Ela quer que Katniss cumpra ordens, mas nem se quisesse – e ela não quer – a protagonista seria capaz de obedecê-la. Coin quer o melhor para seu povo, mas é quase inflexível com as regras e as aparições de Katniss, ainda que necessárias, deveriam ser todas planejadas. Katniss aceita ser o rosto da rebelião com algumas condições, a mais importante delas, que os vencedores capturados pela Capital – Peeta, Johanna, Anne Cresta (a amada de Finnick) e mesmo Enobaria – sejam poupados. Coin naõ quer cooperar, mas Katniss é inflexível e a presidente não vai perdoá-la por isso.

Vou parar por aqui. Mas antes de ir, é preciso reforçar que apesar dos problemas – e vou focar em alguns deles na parte dois do texto – o livro três reforça ainda mais a vontade da autora de criar um futuro no qual os papéis de gênero sejam neutralizados. Sem contar com Katniss, temos mais três mulheres exercendo liderança: Coin e as líderes da revolta nos distritos 8 e 2, Comandantes Paylor e Lyme. Collins também coloca uma mulher como instrutora militar de Katniss e metade do destacamento de elite no qual a moça é encaixada são mulheres. Isso não é pouca coisa, levando-se em conta o que é oferecido na ficção.


Collins merece todos os elogios por mostrar que mulheres podem ser e são fortes de várias maneiras. Prim, por exemplo, é uma das personagens mais fortes da trama sem pegar em uma arma. Que mulheres podem igualmente ser perversas e traiçoeiras, mas não por serem mulheres, mas por se deixarem levar por idéias e sentimentos pouco evoluídos, por assim dizer. Ela também cria uma protagonista que em nenhum momento é valorizada por seu corpo ou beleza. Katniss é amada por dois sujeitos de grande valor, mas em nenhum momento ela é reduzida a objeto do desejo, ou usa seu corpo como arma de sedução, ou se entrega às lágrimas como forma de chantagem ou de ilustrar que ela é uma menina. Por isso, e muito mais, eu considero The Hunger Games uma trilogia feminista. E acredito que a autora tinha realmente a intenção de que fosse assim, não foi por acaso.

Temo que os filmes, assim como o primeiro tirou as mulheres das minas, mexam em muita coisa para tornar a série mais palatável aos machistas de plantão, aqueles que acham que mulheres são enfeites em filmes e que personagens de ação precisam ser homens ou seres masculinizados, isto é, carregados de estereótipos de gênero. Nossa Katniss é forte, mas não é esse tipo de personagem e eu fiquei muito feliz de vê-la sofrer, chorar, lutar, fugir, errar, amar, e, mesmo, se esconder dentro de um armário. Até o próximo texto.

Mais detalhes sobre a edição azul da LaLa



Ano passado, a revista LaLa teve duas edições especiais, a Kuro (Negra) e a Shiro (Branca). Este ano, foram anunciadas mais três edições temáticas centradas em cores. A primeira, a Ao (azul), já tem página na internet. O lançamento está previsto para o dia 10 de julho, segundo o Comic Natalie. Há até uma história usando Black Jack, personagem de Osamu Tezuka, mas não sei em que contexto... Acredito que as duas próximas edições tricolores serão a vermelha e outra branca, mas é preciso aguardar detalhes, já que não entendi direito o que o CN estava dizendo. Enfim, as autoras que participam desta edição especial são: Akizuki Sorata, Fujiwara Hiro, Tokeino Hari, Matsumoto Tomo, Nakano Emiko, Saitou Ken, Kure Yuki, Fujitsuka Yuki, Hayashi Mikase, Ishihara Keiko e Ike Junko.

Flores é o tema do Suplemento temático da revista Cocohana



Se entendi bem o Comic Natalie, a edição da revista Cocohana lançada hoje veio com um apêndice com histórias curtas, todas girando em torno do tema “flores”. Autoras que publicaram nesse apêndice são Fumiko Tanikawa, Akemi Matsunae, Mariko Iwadate, Fusako Kuramochi e Kita Konno. Não sei se outras também estão participando. Na próxima edição haverá one-shots de várias autoras, dentre elas, Tomoko Yamashita e Toriko Chiya.

Jogo de Cartas de Glass Mask



Não entendi bem a matéria do Comic Natalie, mas, de qualquer forma, preciso comentar. Ao que parece, a Hakusensha vai lançar um set de cartas de Glass Mask (ガラスの仮面). Se entendi bem, ela não será vendido, os interessados precisaram mandar o cupom – que deve estar na última edição de Betsuhana – até o dia 26 de junho. Agora, imagens das cartas devem ter sido selecionadas pelos fãs, porque lá em janeiro havia uma votação dos melhores momentos da série e algumas delas ou todas viraram cartas. Enfim, o que eu queria é que essa série chegasse ao fim. Agora, o brinde que vem com essa edição parece ser aquelas plaquinhas de "Não perturbe" e outras mensagens que podem ser colocadas em portas. Uma delas tem a imagem de Maya, outra do Masumi e outra da Tsukikage sensei.

Ranking da Taiyosha



Este é o ranking da Taiyosha da semana passada. Ele já estava pronto desde cedo, mas eu parei para gravar o Shoujocast e fazer outras coisas, daí, não postei. Enfim, no top 10 geral só temos Kimi ni Todoke, em segundo lugar. No ranking da Oricon, ele continuava em primeiro. O que dá para perceber é que não houve uma renovação significativa nem no ranking de josei, nem no de shoujo. O material novo que estreou, como
Seiyuu Ka-!, não tinha força para romper a barreira do top 10. Há claro, a permanência de vários josei em shoujo, a presença estranha de Utsubora. Esta série é da revista Manga Erotics F que, à princípio, não é shoujo, nem josei... talvez, mista, mas acredito que o material de lá se enquadraria em seinen ou josei e, não, shoujo ou shounen. De qualquer forma, o ranking da Taiyosha não é muito coerente. E temos Patarillo com seu volume #88. É o shoujo mais longevo da história. Em josei, temos Junjou Romantica, que até a primeira semana do volume #15 era shoujo... tsc... tsc... o relançamento de Helter Skelter se justifica pro causa do filme. De qualquer forma, metade do ranking é BL, como já se tornou regra.

SHOUJO
1. Kimi ni Todoke #16
2. Ane no Kekkon #3
3. Shitsuren Chocolatier #5
4. Seiyuu Ka-! #9
5. Utsubora #2
6. Barairo Guardian #3
7. Patalliro! #88
8. Sansukumi #4
9. Riru Shisu
10. Vampire Knight #16

JOSEI
1. Seito Shokun! Saishuushou Tabidachi #4
2. Sora to Hara
3. Kohitsuji Project #1
4. Kohitsuji Project #2
5. Ishutaru no Musume~Ono Otsuuden~ #5
6. Junjou Romantica #15
7. Honya no Mori no Akari #11
8. Shizuku Hanabira Ringo no Kaori #3
9. Helter Skelter
10. Kiss Ariki。#2

domingo, 27 de maio de 2012

Quais animes que te fizeram chorar? - Parte II



Como acabei ficando curiosa, decidi traduzir a segunda parte da lista do post que eu publiquei ontem. Continuo achando que há muita coisa estranha, mas a lista como um todo é curiosa. Acho que quase todos os Nanoha entraram, não é? Nesta segunda parte, temos o único título da CLAMP, Kobato, e alguns shoujo, todos eles de recorte infantil, Aka-chan to Boku, Mama wa Shougaku 4-nensei, Aishiteruze Baby, Jewelpet Tinkle e Suite PreCure.

21. Toaru Kagaku no Railgun
22. Higurashi no Naku Koroni Kai
23. Papa no Iu Koto wo Kikinasai!
24. Magical Girl Lyrical Nanoha StrikerS
25. Zatch Bell
26. Magical Girl Lyrical Nanoha The MOVIE 1st
27. Kobato
28. Kanon
28. Senki Zesshō Symphogear
30. The IDOLM@STER
31. Tegami Bachi: Letter Bee
32. Horizon in the Middle of Nowhere
33. Detective Conan: Quarter of Silence (movie 15)
34. K-ON! (movie)
35. Akachan to Boku
36. Kami Nomi zo Shiru Sekai
36. ef - a tale of melodies.
38. Kaminomizo Shiru Sekai II
39. D.C.II S.S. ~Da Capo II Second Season~
40. sola
41. ARIA The ORIGINATION
42. Hanada Shonen-shi
42. Nadia ~The Secret of Blue Water~
44. Fullmetal Alchemist: The Sacred Star of Milos (movie)
45. Basilisk
46. Mama wa Shougaku Yonensei
47. Aishiteruze Baby★★
48. Jewelpet Twinkle
49. Suite PreCure: Take it back! The Miraculous Melody that Connects Hearts!
50. Cooking Papa

Ah, sim! Assisti o primeio capítulo de Ano Hana e, bem, se eu continuar até o fim eu sei que vou chorar DE NOVO! ^____^

Sucesso de 'Carrossel' revela carência de opções para crianças na TV aberta



Eu tinha escrito a mesma coisa na minha resenha do primeiro capítulo e eis que a Laura Mattos da Folha de São Paulo bate na mesma tecla. Há quem acredite que todo mundo nesse país tem internet, tem TV por assinatura e, bem, não precisa da TV aberta. O público infantil é o mais negligenciado nesse momento. Há canais que acham que enfiando núcleo infantil em novela ou, pior, infantilizando (*eu diria idiotizando*) s tramas, você atende os pequenos. Aí vem um Florisbela (*como a BAND é burra!*) e, agora, um Carrossel e começa o desespero. E não são bons materiais, simplesmente é o que se tem... Enfim, segue o texto da Folha.

Sucesso de 'Carrossel' revela carência de opções para crianças na TV aberta

LAURA MATTOS
EDITORA DA “FOLHINHA”

Tudo bem, aqui podemos falar se "Carrossel" é uma novela bem feitinha ou mais um produto trash do SBT. Mas, antes, é preciso entender por que se tornou vedete do ibope – nos primeiros capítulos, triplicou a audiência da emissora, chegando a 15 pontos. As crianças simplesmente não têm mais ao que assistir na TV aberta. Se é boa ou não, por ora, não importa ao público: é a opção que faltava.

É um fenômeno a ser acompanhado. Remake de original mexicano, traz uma escola que nada tem a ver com a brasileira. Lá estudam pobres e ricos, e o uniforme é bermuda, camisa e gravata (menino) e saia de pregas e meia três-quartos (menina). Poderia parecer estranho para nosso espectador mirim. Mas, para boa parte, não é o caso: são novelinhas enlatadas assim que fazem a festa dos canais infantis pagos.

"Carrossel" tem o potencial de roubar ibope da TV fechada e de atrair crianças fora da TV no horário (ou que estão usando o televisor para videogame ou DVD) – o que seria lindo para quebrar a tese da Globo de que infantis não são mais economicamente viáveis na TV aberta. A novela está longe de ser um primor em produção: os cenários, excessivamente coloridos, aparentam ser falsos.

Sem querer, a professora Helena definiu, na estreia, a atuação de sua intérprete, Rosanne Mulholland, que ainda não achou o tom: "Temos um longo caminho a percorrer". O elenco infantil é irregular: a "vilã" (Larissa Manoela) está bem, e o mocinho (Jean Paulo Campos), muito inseguro. Mas é o que temos, ou melhor, o que as crianças (sem TV paga) têm.

sábado, 26 de maio de 2012

Comentando Flores do Oriente (The Flowers of War, 2011)



Hoje à tarde assisti Flores do Oriente (金陵十三钗), em inglês The Flowers of War. O que me atraiu para o cinema foi saber que o filme fala do Estupro de Nanking, a maioria das personagens serem mulheres, e a direção de Zhang Yimou. Fora isso, ainda teve o bônus de poder conhecer o Cine Cultura, o cinema reformado do Liberty Mall. O que posso dizer é que apesar de derrapar no dramalhão em alguns momentos, o filme é bem satisfatório. Flores do Oriente concorreu no último Globo de Ouro e foi a indicação da China para o Oscar, mas não conseguiu chegar até a final.

Vou começar comentando o tal Estupro de Nanking, algo mais importante que a sinopse do filme e seu pano de fundo. Os japoneses invadiram a China, assim como vários outros países da Ásia. Um dos episódios mais terríveis foi a invasão e ocupação de Nanking. Como a cidade resistiu muito ao assédio dos japoneses, quando as tropas invadiram, os soldados receberam permissão para agirem como bem desejassem. O que tivemos fomos estupros em massa, civis capturados para que servissem de alvo para as armas de fogo e espadas japonesas, gente queimada ou enterrada viva, bebês empalados, etc. A selvageria durou semanas. Até hoje os chineses exigem que os japoneses peçam desculpas e reconheçam os abusos e que a ONU confira ao incidente o rótulo de “holocausto”. Tudo em vão.

Nosso filme é narrado por uma menina de 13 anos, Shu, que não conseguiu fugir da cidade com suas colegas de escola. A saída das meninas, e de George, o garoto que foi adotado por um padre, é voltar para a escola-convento-catedral, um lugar neutro e protegido. As meninas cruzam a cidade em estado de anomia, assistem toda sorte de atrocidades, encontram o que sobrou do exército chinês, algumas são mortas e duas delas se perdem. As meninas que se perdem encontram com John Miller (Christian Bale) um agente funerário que tinha sido chamado para cuidar do corpo do padre Ingelman. Os dois grupos conseguem chegar até o convento, assim como um grupo de prostitutas que também pedem asilo no lugar.

Miller, um bêbado aparentemente mau caráter, acaba descobrindo que o padre Ingelman foi explodido por uma bomba japonesa e não há corpo para enterrar... Ele quer receber seu pagamento e sumir, mas acaba ficando fascinado pela cortesã Yu Mo (Ni Ni), uma mulher bonita, inteligente e educada. Sem ter muita saída, John Miller acaba assumindo a identidade do padre para tentar evitar que soldados japoneses violentem as meninas, enquanto as prostitutas se escondem no porão. Um heróico soldado chinês, o Major Li (Tong Dawei). Logo em seguida, um alto oficial japonês oferece proteção às estudantes e ao padre, desde que as meninas cantem para ele. A partir daí, John Miller é obrigado a assumir o papel de padre e passa a cuidar das estudantes até que descobre que a intenção dos oficiais japoneses é a pior possível... É aí que as prostitutas mostram que não são somente belos objetos de prazer, mas flores de guerra.


Flores do Oriente tem três pontos altos para mim, a fotografia, detalhe sempre muito bem cuidado nos filmes de Zhang Yimou, mostrar ao mundo o Estupro de Nanking (*ter Christian Bale no elenco garante a visibilidade*) e o elenco que apesar de extremamente jovem funcionou muito bem. As cenas são feitas de detalhes, vidros que se fragmentam, as pessoas observadas da mira do soldado solitário, dedos no instrumento musical, o gato protegido nas mãos da prostituta, as granadas aparentemente largadas sem muito cuidado, o sangue que escorre... Se você observa os pequenos detalhes, vai gostar do filme. Ainda que eu não consiga achar que a fotografia é melhor que a de Lanternas Vermelhas e Ju Dou – filmes de Zhang Yimou que eu lembro de ter assistido – Flores do Oriente se sai muito bem.

Quando passamos para a história, as relações entre as personagens, a coisa já complica um pouco. É meio difícil acreditar na determinação em cumprir o contrato de John Miller. Eu acredito que ele não tem saída e está à caminho da igreja menos para enterrar o padre e muito mais para conseguir tentar escapar. De qualquer forma, por que chamaram o sujeito se nem havia corpo para enterrar? E a loucura das duas prostitutas de voltarem ao bordel para pegarem cordas de um instrumento musical e um par de brincos? Como elas saíram se os soldados japoneses estavam guardando o lugar? Sei que o filme queria mostrar a bondade da prostituta que se sacrificou para conseguir as cordas para consertar o instrumento e tocar para o soldado moribundo, mas será que não havia recurso menos exagerado? Isso sem falar na outra que vai atrás do gato. Um bichinho não atrairia a atenção dos japoneses, mas se a prostituta fosse vista, poderia causar a morte de todos no convento... Enfim, há muitos lances super dramáticos para mostrar a crueldade dos japoneses e marcar o caráter das personagens. Em alguns momentos, funcionou, em outros, ficou meio além da conta.

Mas é uma história de redenção, de honra, de cura. John Miller, Ni Ni, a menina Shu, todos sentem culpa por alguma coisa, tem feridas abertas, precisam se humanizar, aprender a compreender os erros alheios e os seus. O filme pontua muito alto no quesito solidariedade entre as mulheres. As meninas do convento desprezam as prostitutas, dividem o mundo de acordo com o olhar masculino, elas valem muito, são boas meninas, virgens, serão boas mulheres. As prostitutas, essas não merecem usar nem o banheiro. As prostitutas vêem as meninas como tolas... Com o passar do tempo, todas percebem que estão no mesmo barco, se capturadas seu destino seria o mesmo: estupro, humilhação e, talvez, a morte. Daí, elas começam a ver umas às outras de outra forma, de uma maneira mais fraterna, nasce uma espécie de sororidade entre elas.


A cena em que os soldados japoneses invadem o convento e se lançam sobre as meninas é muito violenta, e quando o Padre John percebe que as meninas foram protegidas para terem um destino muito pior é igualmente violenta, sem que se derrame sangue. Elas deveriam “se apresentar” em uma festa para oficiais... Já falei aqui no blog das mulheres do conforto (*1-2*), termo eufemístico que os japoneses usavam para as meninas e mulheres obrigadas a se prostituírem para os soldados e oficiais japoneses. É aí que as prostitutas se sacrificam... Nem preciso dizer que o filme cumpre sem problema a Bechdel Rule.

Não se trata de um filme feminista, mas é, com certeza, uma película que retrata as mulheres como seres humanos completos. Outra coisa fundamental, a meu ver, é que apesar de serem lindas as prostitutas, a prostituição não é pintada como algo glamuroso. As mulheres, as flores da guerra, não escolheram esse caminho. Foram violentadas, iludidas, vendidas. Tiveram seus corpos roubados. Seu sacrifício pelas estudantes, Meninas que tem a mesma idade que elas tinahm quando foram prostituídas, é uma forma de mostrar que elas não são lixo, que tem honra, coragem e coração. E medo, também, mas elas vencem o medo, ou assim o filme deseja que pensemos...

E há um toque de romance, também, bem leve, mas apresentado de forma madura e poética entre a o Padre John e Yu Mo. A construção da relação dos dois foi construída de forma realista e segura ao longo do filme, cada cena, cada olhar é precioso. Assim como o amadurecimento de Shu, da rejeição à admiração em relação ao padre John e Yu Mo, do perdão que concede ao pai que não conseguiu tirar a ela e suas amigas de Nanking e colabora com os japoneses. Também merece destaque o menino George Chen (Tianyuan Huang), que se apega à promessa feita ao padre Ingleman de proteger as alunas. E há o Major Li... Com meia dúzia deles, os japoneses não teriam conquistado Nanking! ^____^

Recomendo Flores do Oriente, preferia que o nome fosse Flores da Guerra, mesmo, mas queriam um título clichê. Trata-se de um filme melodramático, mas que tem seu papel na divulgação de uma tragédia pouco conhecida no Ocidente, assim como é o Holocausto dos Armênios e outros grandes crimes. Se os japoneses foram vítimas da bomba atômica, eles também foram agentes de grandes atrocidades. Um crime de guerra não anula outros e é preciso compensação por cada um deles. De qualquer forma, embora o filme chame para si o “baseado em fatos reais”, acredito que somente o pano de fundo, as atrocidades de Nanking, são os tais “fatos”, a história das personagens fica por conta da romancista Geling Yan. Fiquei com vontade de ler o livro, quem sabe eu acabe comprando?

Autora de D.N. Angel estréia novo mangá na revista Asuka



Segundo o Comic Natalie, a autora de D.N. Angel, Yukiru Sugisaki, vai estrear um novo mangá, chamado 1001, na próxima edição da revista Asuka. Ela terminou D.N. Angel? enfim, pelo que entendi da matéria, trata-se de uma continuação de outra série ou one-shot da autora e a história começa em Dubai, com irmãos gêmeos procurando o pai desaparecido. Confuso, eu sei...


Outra notinha no CN, fala que Manabu Kaminaga estreou nova série na última edição da Asuka. O nome do mangá é Kakuritsu Sousakan Mikoshiba Gakuto (確率捜査官 御子柴岳人). Dessa vez, a parceria não é com a desenhista Suzuka Oda, como em Shinrei Tantei Yakumo (心霊探偵八雲), mas com a desenhista Majiko. Passando pelo Hakkeyoi, vi que havia um resumo da história do mangá: “Takehiko tem um coeficiente de inteligência acima da média e leciona matemática em uma universidade, fora isso, ele ajuda a polícia a resolver mistérios.”. Se não tiver dorama em breve, terá anime, ou os dois.


Quais animes te fizeram chorar? - Parte I



Passando pelo Sankaku (+18), ele publicou os 20 primeiros colocados em uma pesquisa feita por um site japonês com 7836. A pergunta é "Quais animes fizeram você chorar?". Como é de praxe, são 50 títulos, mas confesso que fiquei com preguiça de traduzir... Talvez tenha algum clássico ou outro shoujo, mas não fui ver, desculpem. No top 20 temos dois shoujo Natsume Yūjin-chō, anime muito recente, e Fruits Basket, uma boa surpresa. Os mais votados tem uma maioria de séries recentes, algumas até descartáveis... E fico, também, me perguntando como alguém chora com Pokemon ou mesmo K-ON!!, mas sei lá... e preciso ver esse Ano hana, claro. De qualquer forma, seguem os 20 títulos:

1. Ano Hana
2. Clannad After Story
3. Angel Beats!
4. K-ON!!
5. Toradora!
6. Puella Magi Madoka Magica
7. Clannad
8. Code Geass 2
9. One Piece
10. Crayon Shin-chan: The Storm Called: The Battle of the Warring States
11. Natsume Yūjin-chō
12. Air
13. Fullmetal Alchemist
14. Fruits Basket
15. Guilty Crown
16. Mahou Shoujo Lyrical Nanoha A’s
17. Gurren Lagann
18. Ano Natsu de Matteru
19. Mahou Shoujo Lyrical Nanoha
20. Pokémon



Daí, comecei a pensar "Quais animes me fizeram chorar?". Bem, O Túmulo dos Vaga-Lumes, quando assisti da primeira vez me fez chorar muito, muito, muito mesmo. Foram 15 minutos de lágrimas rolando, o que foi agravado por um telefonema recebido bem quando estava na reta final do filme, me dando uma notícia ruim... ^_____^ Outro anime que me fez chorar foi Azumanga Daioh. O episódio final, a cena da formatura, as meninas cantando uma música tradicional de formatura Aogeba Toutoshi (*obrigada por lembrar, Lina!*), Chiyo-chan chorando lá e eu chorando aqui. E, claro, Honey & Clover... Chorei no mangá, chorei no anime. Aliás, chorei mais com o mangá do que com anime... São os que eu me lembro de imediato. Se tivesse que listar mangá, teria outros a acrescentar.