quarta-feira, 31 de julho de 2019

Para quem quiser ouvir o Shoujocast


Lá em 2009, eu decidi criar um podcast.  Começou de forma bem precária.  Aí, o amigo Anderson sugeriu um nome "Shoujocast".  Vieram companheiras, a Lina Inverse, depois a Tanko e, por fim, a Tabby e, bem, fizemos 52 programas.  Pouco, eu sei, mas as agendas desencontraram.  Sempre penso em voltar, mas ainda não houve como.  Bem, eu queria disponibilizar os programas, mas descobri que não tinha todos. Perguntei se a Lina tinha.  Ela organizou tudinho e disponibilizou para download (*AQUI*).  Tudinho, não, faltou o programa 52, então, coloquei no Youtube.



Eu parei para escutar um dos meus programas favoritos o duplo sobre Orgulho & Preconceito e foi um prazer muito grande ouvir a voz das amigas queridas e da convidada especial, a Adriana Salles.  Que conversa legal foi aquela.  Enfim, se você quiser relembrar, ou conhecer o Shoujocast, esta é a oportunidade.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Comentando Aladdin (Disney, 2019): Quando a Disney quase conseguiu ser Bollywood. Quase!



Assisti ao filme Aladdin duas vezes, quinta-feira, legendado e sozinha; sábado, com a Júlia e dublado.  Gostei bastante do filme, no geral, ele não foi bem agradável de assistir e possibilitou o crescimento tanto de Jasmine, quanto do Gênio.  Diferente de Dumbo, a última adaptação live action a chegar na tela grande, o filme é muito mais dependente do original, sendo mais uma releitura estendida do mesmo, do que um produto novo de fato.  Problema?  Nenhum.  Só achei que o filme poderia ter uns dez minutos a menos e ter tido mais coragem e se atirado com tudo em Bollywood.

Nossa história se passa em Agrabah, aparentemente, um reino islamizado da Índia, onde vive o jovem Aladdin (Mena Massoud), um órfão que vive de pequenos roubos, e tem como único companheiro o macaquinho Abu.  Um dia, o rapaz encontra uma moça misteriosa e a ajuda a sair de uma grande encrenca.  Ele descobre que ela  mora no palácio do sultão, mas a jovem, na verdade, a princesa Jasmine (Naomi Scott), mente dizendo que é uma criada.  No afã de reencontrar a jovem, Aladdin acaba sendo capturado pelo Vizir do sultão, Jafar (Marwan Kenzari), que estava em busca de um "diamante bruto" que pudesse usar em uma missão perigosa.

Os dois se apaixonam no primeiro encontro.
Jafar tem grandes ambições e Aladdin não tem escolha a não ser aceitar a missão que lhe é imposta pelo vilão, indo parar no fundo de uma caverna mágica em busca de uma misteriosa lâmpada.  As coisas não saem como Jafar espera e Aladdin consegue não somente um tapete voador, mas termina ficando com a lâmpada e o gênio (Will Smith) dentro dela.  Detentor de três preciosos desejos, ele pede para se tornar um príncipe, pois somente assim ele poderia conseguir a mão da princesa.  Só que as coisas não seriam tão simples e o caráter de Aladdin seria testado, não somente em relação ao seu amor por Jasmine, mas, também, em relação à amizade com o Gênio da lâmpada.  Além disso, Jafar não vai deixar barato o fato do jovem o ter feito de tolo.

Aladdin nunca foi um dos meus desenhos favoritos da Disney.  Com certeza, A Whole New World é uma das grandes músicas do estúdio, mas, no geral, outros filmes me atraem mais.  O que torna Aladdin singular é que, sendo um filme de herói junto com Tarzan, Hércules e outros, ele acaba sendo muito mais associado a uma das princesas, nesse caso, Jasmine.  No original, a jovem é somente voluntariosa e não deseja se casar tão rápido, ou com qualquer um.  No filme, ela se torna uma princesa empoderada e que pensa mais em reinar como sultana do que em casamento.

Will Smith se saiu bem como o gênio
e sua interação com Massoud ficou excelente.
Sim, a Jasmine do filme é diferente.  Ela é uma jovem que está se preparando para um papel, o de governante, mesmo sendo reprimida a todo momento pelo pai (Navid Negahban), que deixou de ser o bufão do desenho, e se tornou um governante responsável e um pai super-protetor, mas machista, e por Jafar, que beira a misoginia.  Essa Jasmine promovida a co-protagonista faz o solo mais importante do filme, é dela uma música nova chamada Speechless.  Nesta música, ela denuncia a tentativa de a silenciarem, de lhe tirarem a voz por ser mulher.  É uma música poderosa, mas acredito que se a sua segunda aparição fosse suprimida, seria um ganho para o filme que poderia ter uns 10 minutos a menos.

A realidade é que essa versão de Aladdin é muito musical mesmo.  Flertou inclusive com Bollywood, mas não teve a coragem para se jogar de vez e prestar uma homenagem integral ao cinema indiano.  Acredito que o filme seria melhor se o fizesse.  Essa musicalidade favorece Will Smith, que canta bastante e se sai muito bem como a criatura mágica que deseja se tornar um humano comum.  O Gênio também recebe uma história para si, um interesse romântico, Dalia (Nasim Pedrad), a dama de companhia da princesa.  

Dalia só pensa em casar e, bem, em tudo que vem depois.
Pedrad tem uma veia cômica muito forte e suas intervenções no filme são sempre engraçadas.  Uma das melhores tiradas é quando ela insiste que Jasmine se case com o príncipe Anders (Billy Magnussen) e diz que ela nem terá que falar com ele depois de casada.  Para a dama, o centro da vida de uma mulher é o casamento, já para a princesa, que é obrigada pelo pai a ficar confinada no palácio, o mundo é muito maior e uma mulher deveria ter maiores possibilidades de realização.  Sim, há uma forte veia feminista no filme Aladdin, mas, no fim das contas, tanto Dalia, quanto Jasmine conseguem o que desejam.

Falando de Aladdin, Mena Massoud consegue se sair muito bem como o protagonista.  Sua One Jump Ahead é muito marcante e adquiri tons melancólicos.  De todas as músicas, esta é aquela em que a versão original é bem superior à nacional.  O Aladdin  de Massoud demonstra todo peso da solidão, do abandono e da vulnerabilidade, apesar de manter a sua dignidade e capacidade de sonhar. "Riffraff, street rat", ele não teve chance de ser outra coisa.  Quando encontra o Gênio, e a parceria com Will Smith é ótima, ele termina tendo o mundo aos seus pés e, ainda assim, consegue vencer a tentação e manter-se íntegro.  Seu prêmio?  O coração da princesa e a possibilidade de sair da miséria e ajudar os outros.

Jafar tem muita ambição e ZERO libido.
Falando de Jafar, bem, ele passou por uma mudança considerável no filme, ele perdeu toda a libido.  Ele não deseja Jasmine, ele deseja o poder. Anulou-se aquele temor que muita gente nutria de que Jafar pudesse ter alguma cena sexy com Jasmine.   Não há nada, o desenho de 1992 tem muito mais erotismo do que essa nova versão.  Sim, essa é a verdade.  Aliás, o ator que faz Jafar, Marwan Kenzari, é bonitão, mas tem uma voz que não é nada sexy.  A dublagem brasileira acompanhou direitinho e escalou alguém com uma voz quase idêntica.  Enfim, fizeram a coisa de tal forma, que o fato de um ator bonitão interpretar Jafar não fez diferença para o público, ou para a relação dele com a princesa.

Enfim, Jafar não demonstra nenhum interesse real por Jasmine e vai além, ele a quer calada, silenciosa, ela não deve ter nenhuma função, ela é, no máximo, um degrau para o poder.  E, bem, nesse Aladdin, Jafar não se insinua em nenhum momento para a princesa.  Em relação à princesa, ele é somente a encarnação do patriarcado opressor em tela.  De resto, Jafar sente-se humilhado e é de fato enquadrado pelo sultão e até pela princesa algumas vezes.  No filme, ele tem um passado, foi um ladrão de rua, esteve preso por 5 anos no reino vizinho, que ele quer invadir e conquistar para se vingar, e se corrompeu.
Um pai amoroso, mas que acredita que as mulheres não devem reinar.
Salvo por essas mudanças, um maior empoderamento de Jasmine, uma história para o Gênio, e um Jafar sem libido, o filme segue o original de muito perto.  Quem queria um filme novo em folha seguindo o que oi feito com Dumbo, deve ter se decepcionado.  Já quem queria ver Aladdin de carne e osso, deve ter ficado bem satisfeito, especialmente, quando vê em tela praticamente tudo que está no original.  Basta pegar, por exemplo, a sequência da música Friend Like Me.  Sim, eu sei, não é o Robin Williams, mas não tinha, infelizmente, como ser, vocês sabem.  

Falando no visual, ele é bem impressionante.  A sequência da caverna ficou ótima, impressionante mesmo.  A correria de Aladdin na cidade, ou nos confins da terra ficaram muito bem na tela. O desfile do Príncipe Ali por Agrabah é uma mistura deliciosa de escola de samba com Bollywood.  Quanto ao figurino, ele bebe em diversas influências e coloca em Agrabah vestimentas típicas de várias regiões islamizadas.  O efeito ficou muito bom.

Príncipe Ali entra na cidade misturando
 Bollywood e Escola de Samba.
Caminhando para o fim, uma outra alteração importante foi na música Arabian Nights, cujo trecho acusado de ser ofensivo aos muçulmanos, "Where they cut off your ear if they don’t like your face/It's barbaric, but hey, it's home" (Onde eles cortam sua orelha, se não gostam da sua cara/É bárbaro, mas hey, é meu lar), sumiu e deu lugar a "Where you wander among every culture and tongue/It's chaotic, but hey, it's home" (Onde você circula por todas as cultura e línguas/É caótico, mas hey, é meu lar).  A própria Disney já tinha mudado esse verso em relançamentos de Aladdin, mas é uma mudança significativa.

A Bechdel Rule não é cumprida, eu acredito, porque quando Dalia e Jasmine conversam é sobre casamento, príncipes e Aladdin/Príncipe Ali, o que não quer dizer que não tenhamos uma personagem muito forte, que é a princesa.  De resto, quando vi Hakim, o líder da guarda, fiquei me perguntando de onde conhecia o ator Numan Acar, que interpreta a personagem com toda a dignidade.  Enfim, ele é o mulá gente boa de Ali & Nino.

Ficou bem bonita a sequência do tapete.
Concluindo, gostei de Aladdin bem mais que de A Bela e a Fera, ainda que considere que o filme poderia ser mais curto.  A superioridade de Aladdin fica por conta do elenco, que realmente estava muito bem e da direção.  Agora, comparando com Dumbo, acredito que a direção e o roteiro do filme do elefantinho foram mais arrojadas e ousaram se distanciar do original.  Quanto à experiência da Júlia, não pretendia levá-la, mas ela pediu muito, mas meus sentimentos se confirmaram, o filme estava um tiquinho além dos interesses dela.  No meio do filme, ela dispersou e pediu para ir embora.  ficou até o fim, retomou a atenção, mas em Dumbo, por exemplo, ela não perdeu o foco do filme nenhuma vez.  

domingo, 26 de maio de 2019

Mais um relato de minhas conversas com Júlia: Ateísmo, Celibato e Frutose


Fazia tempo que não comentava minhas histórias com a Júlia por aqui.  Bem, para quem não acompanha o Shoujo Café, tenho uma menina de 5 anos, como ela não para de crescer, ela logo terá 6, 7 e comum que tenhamos alguma conversa que pode gerar um post interessante.  Espero que não seja só um post de uma mãe babona, enfim.

Ontem, tive que explicar um novo conceito para a Júlia: ateísmo. Estávamos voltando do filme Alladin e estava começando a festa junina da paróquia de santa Terezinha. A pescaria não estava funcionando ainda (*ela queria pescar*) e perguntei se ela queria entrar para olhar a igreja, ela nunca tinha entrado.  Ela disse que, sim.  De repente, herdou meu gosto por observar a arquitetura e decoração das igrejas.  Vamos ver no caso dos cemitérios...

Não se de quando é a foto, mas o exterior é o mesmo.
Uma igreja católica, mesmo que não seja das mais elaboradas, caso da que entramos, é sempre mais atraente para uma criança pequena do que uma igreja protestante. A de Santa Terezinha tem vitrais e, bem, eles funcionam como uma história em quadrinhos. Para quem não sabe ler palavras, ler imagens é importante no aprendizado e quando surgiram as primeiras controvérsias a respeito de imagens nas igrejas católicas na Idade Média, essa foi a compreensão do papa Gregório, o Grande (540-604).  As imagens, as pinturas, os vitrais ajudam os iletrados a compreenderem as histórias da Bíblia e a vida dos santos.  E não acontece somente em templos católicos, o templo budista Terra Pura tem vitrais da vida de Buda, só para citar um exemplo fora do cristianismo.  Enfim, ela queria explorar o templo, mas tinha gente ensaiando e saímos. Daí, ela perguntou por qual motivo o pai dela não gostava de igreja. Tive que explicar que o problema não era a igreja em si (*foi uma meia verdade, nesse caso*), mas que o pai dela não acredita em Deus e quem não acredita em uma divindade é ateu.

Parece que ela processou a informação, acredito que ela mesma vai começar a se posicionar sobre essas coisas em breve. Crenças são parte construções racionais, parte sentimento. Há quem lide melhor com um lado, ou com o outro. Há o exemplo, também, nesse caso, os bons exemplos tendem a ter um impacto duradouro nos corações das pessoas. "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele. " (Provérbios 22:6) Ainda bem que Júlia ainda não parece atenta ao estrago que os cristãos brasileiros vem fazendo para a sua imagem esses dias. Na verdade, os modelos dela nesse ponto são a avó e eu, talvez, o modelo e o não-modelo.  

Vitrais são como histórias em quadrinhos.
Enfim, não vou dizer que não me angustio com essas coisas, porque, bem, eu fui educada para ver a religião como um dos eixos fundamentais da vida e mesmo que muita gente não acredite, sou mais radical e conservadora em certas questões de fé do que muita gente.  Espero saber sempre lidar de forma sábia e justa com a Júlia, porque conheço casos e casos em que o efeito das crenças dos pais e mães em suas crianças foi devastadora.

Saindo da igreja, ela me mostrou que já sabia o conceito de celibato clerical "Antes, padres não podiam casar, não é?". "Eles ainda não podem casar. Onde você ouviu isso, foi na novela que a mamãe está vendo (*revendo, na verdade*)?" "Não, foi em um desenho sobre o dia dos namorados (Valentine's Day).". Conceito certo, mas provavelmente a informação veio truncada, porque São Valentim teria sido martirizado por casar os soldados quando o Imperador da época tinha proibido que os militares pudessem casar, whatever... Não sei qual foi o desenho, mas certamente não veio do episódio especial de Madagascar.

Madly Madagascar é muito divertido. 
Às vezes, as pessoas devem achar que somos duas loucas conversando na rua, mais cedo, ela perguntou o que era diabetes. Daí, comecei a falar de açúcar, ela associou aos doces, eu expliquei que há outros tipos de açúcar que não vem dos doces. Falei que as frutas são doces "E ninguém colocou açúcar nelas.", a Júlia emendou. "Sim, é um açúcar da natureza, se chama frutose.". E continuamos falando e a mulher que estava na nossa frente deu uma meia parada, olhou para nós duas e começou a rir incontrolavelmente. Enfim, espero que o riso seja benigno.  Sei lá por qual motivo escrevi isso, e nem falei das areis cinéticas, mas está aqui para quem quiser ler.

Ai Yazawa desenha novas capas para Tenshi Nanka Janai


Nos últimos anos, Ai Yazawa vem produzindo alguma arte nova, sem, entretanto, retomar Nana.  Pois bem, a última novidade é que seu mangá Tenshi Nanka Janai (天使なんかじゃない), publicado entre 1991 e 1994 na revista Ribon, está sendo republicado.  O original em 8 volumes, que juntos venderam mais de 10 milhões de exemplares, será relançado em 5 e as duas primeiras capaz foram reveladas no site Oricon.  


Se entendi bem, os volumes 1 e 2 saem em 25 de junho e os demais saíram nos dois meses consecutivos.  A série conta a história de Midori Saejima, uma adolescente no seu primeiro ano no colegial.  A escola onde a moça estuda é nova, então, são esses primeiro anistas que deverão criar as tradições. No primeiro dia de escola, ela se apaixona por um rapaz, sem saber seu nome.  Midori adoece e se ausenta alguns dias da escola. Quando retorna, descobre que as amigas a candidataram para ser membro do conselho estudantil.  Ela se elege e descobre que terá que trabalhar junto com o rapaz por quem se apaixonou, Akira Sudo, mas a convivência não é tão tranquila assim...

Para quem quiser assistir uma série sobre a Mãe de Maria Antonieta


Ontem, descobri em um dos grupos da Rosa de Versalhes do Facebook, a recomendação da série em dois episódios chamada Maria Theresa. Ela foi feita em 2017 e é uma coprodução que uniu República Tcheca, Áustria, Hungria e Eslováquia, todos territórios que faziam parte do antigo Sacro Império Romano Germânico.  O material cobre somente o início da vida dessa grande imperatriz,  sua infância, adolescência e início da juventude.  O foco é em como Maria Theresa (1717-1780) se tornou a primeira imperatriz da Áustria.



Ainda que não houvesse nenhuma disposição legal que proibisse uma mulher de governar, vários territórios e Estados vizinhos (França, Prússia) do Sacro Império foram à guerra, não tanto para impedir Maria Theresa de reinar, mas para aproveitar-se do fato de ser uma mulher governante e tomar-lhe territórios.  A Guerra de Sucessão da Áustria (1740-1748)  foi vencida por Maria Theresa, ainda que ela tenha feito concessões.  A jovem imperatriz governou em seu próprio nome (*apesar de ter que aceitar que seu marido, Francisco I, fosse também coroado imperador*) e fez um governo competente e é contada entre os déspotas esclarecidos.  Tudo isso, enquanto paria 16 filhos e filhas do marido que amava profundamente.  Francisco I, aliás, diferente do Albert da Rainha Vitória, a traia aberta e sistematicamente.  Só que eram outros tempos, também... 



Maria Theresa foi muito diferente da filha famosa com quem muita gente gosta de tentar compará-la.  É preciso lembrar sempre que Maria Antonieta foi somente a consorte e sem condição de influenciar a França politicamente.   Em Versailles, fazia muito tempo que as rainhas consortes não eram sequer coroadas e não se esperava que elas tivessem qualquer poder real.  Mais comum é que as amantes titulares, as Maîtresse-en-titre, exercessem um papel muito maior.  Claro, Luís XVI aparentemente nunca teve nenhuma amante, mas, também, não era essa maravilha de homem de estado e de marido, no sentido sexual da coisa.  Enfim, para quem quiser assistir Maria Theresa está tudo no Youtube com legendas em inglês, parece que é obra de um fansuber que legenda seriados em alemão e fez pelo menos outra legendagem de obra histórica, uma sobre o imperador Maximiliano I (1459-1519). 


Enfim, a série mostra uma menina Maria Theresa se esforçando por ser digna do lugar que ocuparia, caso não tivesse um irmão.  Não havia nada nas regras de sucessão do trono que impedissem uma mulher de reinar, mas poderia ser um fator de conflito e revolta ter uma mulher no trono.  O que de feto aconteceu.  De qualquer forma, o imperador Carlos VI (1685-1740) fez de tudo para ter um filho homem, um herdeiro, mas acabou tendo que ceder e encaminhar a sucessão por meio de sua filha mais velha.  Ainda assim, acreditou demais em seus súditos e nos monarcas vizinhos, não preparando o poderoso exército que foi o que alguns de seus ministros lhe aconselharam a fazer.  


Esses esforços para gerar um varão são mostrados na série em várias sequências que nos pareceriam constrangedoras, como o desfile de quadros de conotação pornográfica que seriam recomendados para estimular tanto o imperador quanto sua esposa.  Outra cena é a que mosra a presença de um padre rezando e muitos funcionários no quarto com o casal imperial, enquanto eles copulavam.  Mas os episódios não mostram o quanto essas tentativas de procriar um herdeiro varão destruíram a saúde da imperatriz, Elisabeth Christine de Brunswick-Wolfenbüttel.  Os médicos recomendaram-lhe bebidas alcoólicas para torná-la fértil, mais tarde, a submeteram a um regime de engorda que terminou por deixá-la tão pesada que não conseguia andar.  Tinha que ser carregada.  


De qualquer forma, parece um bom trabalho de reconstituição de época e a atriz que faz Maria Theresa, Marie-Luise Stockinger, parece competente e é muito bonita.  Para quem se interessar, abaixo está o vídeo do início do primeiro capítulo, é só seguir a sequência.

sábado, 25 de maio de 2019

Anunciado o dorama de Coffee & Vanilla + pequena resenha dos capítulos 1 e 2


Coffee & Vanilla (コーヒー&バニラ) é um sucesso na revista Cheese desde sua estreia em 2015, aparecendo constantemente no ranking da Oricon.  A série está no volume 11 e já vendeu 4.5 milhões de cópias, o que, para um shoujo, é uma vendagem considerável.  Em 2017, foi lançado um dorama CD e havia toda uma expectativa de que o mangá fosse ser adaptado para o cinema, ou TV.

O certificado de casamento serve de verdade.
O anúncio foi da série de TV e a estreia é já em julho.  Como sempre acontece, vamos ter muito sum-zum-zum para promover o dorama e o mangá.  Segundo o Comic Natalie, nesta edição atual há um QR Code que se você usar o celular, consegue baixar um certificado de casamento com as personagens.  Sim, basta levar no órgão adequado e ele é válido para registrar seu casamento.  Já na próxima edição, o gaiden Coffee & Vanilla black, que é publicado na Premiere Cheese, se bem entendi, aparecerá na Cheese padrão.  E, claro, deve ter matéria com o elenco, que ainda não foi divulgado.  Enfim, o que vem a seguir uma pequena resenha dos dois primeiros capítulos.

O anúncio do dorama.
O mangá de Akegami Takara começa da seguinte forma, a mocinha, Risa, veio do interior para fazer faculdade.  Ela estudou em uma escola feminina e sonhava em conseguir um namorado.  Inexperiente no amor e tímida, ela se torna popular entre os homens, mas não sabe como idar com eles, como ler as suas intenções.  Por conta disso, ela é chamada pelos colegas de takane no hana (a flor inalcançável).  A forma como ela extravasa é tomando uma bebida gelada e doce.

Um cavalheiro de terno.
Um dia, ela estava tentando se acalmar e é abordada por um rapaz muito agressivo.  Ele a pega pelo baço e a moça é salva por um homem alto e usando terno que finge ser seu namorado.  O sujeito se apresenta, chama-se Fukami.  Risa fica ainda mais nervosa sob o olhar do sujeito que ela diz ser mais velho, mas no traço de Akegami, ela parece um colegial.  Pois bem, ele a convida para jantar.

Risa nunca estivera em um restaurante tão luxuoso e não sabe o que fazer, quais talheres usar, nem consegue olhar Fukami nos olhos.  Ele lhe oferece vinho, mas pergunta se ela é maior de idade.  A moça confirma que sim e decide beber para se acalmar.  Bebe demais e apaga.  Fukami age como um cavalheiro, quer levá-la para casa, mas não ousa mexer na bolsa dela.  Risa acorda em uma cama estranha e se assusta.  Olha para o sofá e Fukami está lá, dormindo.  Até aí, eu estava considerando certos comentários que li sobre o mangá como exagerados.  

Uma variação do "Eu poderia estuprar você.".
Fukami acorda quando percebe o movimento da moça.  Explica o que houve, oferece café, pergunta se ela quer tomar banho e vai para o chuveiro.  Sai meio molhado, camisa com uns três botões abertos e pergunta se ela viu sua gravata.  A moça, muito nervosa, ajuda o sujeito a procurar, ela encontra, eles ficam muito próximos, ele a derruba na cama e a beija.  Ela se assusta, ele se afasta.  Foi o primeiro beijo da moça, mas ele volta e se atira sobre ela e vai tentando tirar sua roupa.  Ele só para quando ela diz que é virgem.

Ele para, se declara, diz que está apaixonado por ela, se desculpa.  Ela fica vermelha e abaixa a cabeça. Resultado?  Ele diz que se ela fizer aquela carinha de novo, ele não vai conseguir se segurar.  É uma variação do "Eu poderia estuprar você." e, não, não me pareceu fofo, esse Fukami me parece um stalker, isso se não for um psicopata. Ele compra roupas novas para Risa e a leva para a faculdade em seu carro de luxo.  Agora, os rapazes que estudam com Risa sabem que ela tem dono.  A mensagem é essa.

O sujeito me pareceu um sociopata.
Ela fica esperando que ele ligue, ele só o faz tarde da noite.  No outro dia, ela está conversando com uma amiga, que curiosamente não tem rosto, mas a está aconselhando a ter cuidado e que homens como Fukami só querem se aproveitar das moças.  A amiga a estimula a ligar para ele, o rapaz parece ocupado, mas Risa lhe diz onde está.  Quando ela e a amiga estão saindo, ele chega,   por trás dela e a agarra no meio da rua. A amiga fica sem graça e vai embora.  Fukami se declara de novo. Se desculpa por não aparecer antes e no fim do segundo capítulo a chama para sair e dia no ouvido dela que a moça se prepare, pois naquela noite ela se tornaria dele.

Eu fiquei preocupada com a mocinha.
OK.  Eu parei.  Fiquei nervosa, angustiada com a forma como o mangá está sendo conduzido no seu início, porque, para mim, o que se estabeleceu foi uma situação de coerção e quase estupro.  O protagonista, Fukami, seria um tipo que na vida real daria medo, um cara perigoso mesmo.  Talvez, em um traço mais de meu agrado, eu pudesse prosseguir, mas, não, eu não vi atrativos em Coffee & Vanilla, fiquei temendo pela mocinha que já está de quatro por um cara que tem tudo para ser um problema.  De repente, a autora surpreenda no terceiro capítulo, mas esse início me fez lembrar dos mangás smut dos anos 1990-2000 com suas mocinhas reféns.  É isso.  Mais informações sobre o dorama devem aparecer em breve.

Malu Mulher, primeiro seriado feminista da TV brasileira, completa 40 anos: Recomendação de Textos



Malu Mulher fez 40 anos ontem.  A série contava a história de Malu (Regina Duarte) e os obstáculos enfrentados por mulheres como ela (*brancas e de classe média*) que decidiam tomar suas vidas nas mãos e se separar de um marido abusivo.  "Bate, bate bastante. Mata. Mas é a última vez que você encosta em mim.", ela diz no primeiro e dramático capítulo, quando pede a separação e é agredida pelo marido (Dennis Carvalho).  A violência contra as mulheres ainda é constante em nossos dias e o número de feminicídios está aí para atestar, mas Malu tinha outros problemas que eram muito mais específicos da virada dos anos 1970 para os 1980.

Malu era formada em sociologia, tinha abandonado a carreira para ser esposa e mãe, mas descobre que seu marido a traía.  A lei de divórcio era recente, tinha sido aprovada em 28 de junho de 1977, e Malu teve que voltar a trabalhar e cuidar sozinha da filha,  Elisa (Narjara Turetta), que tinha 12 anos.  A série teve 44 episódios, falou de aborto, de sexo e sexualidade, de violência contra as mulheres, desigualdade de gênero, sofreu censura, afinal, ainda vivíamos no Regime Militar (1964-85).  Ruth Cardoso, esposa do presidente FHC, ela mesma feminista e socióloga, participou da construção da série e inspirou a escolha da profissão da protagonista.  O responsável pelo programa era de Daniel Filho.  E foi um marco em sua época.


Ontem, para marcar a data, a Folha de São Paulo trouxe uma matéria sobre a série intitulada "'Malu Mulher' não votaria em Bolsonaro, afirma Daniel Filho, criador da série, que completa 40 anos" e queria recomendá-la. O artigo fala da série, entrevista Daniel Filho e seu título retoma uma coluna do ano passado de um jornalista de TV que eu acompanho, o Nilson Xavier chamada "Malu Mulher votaria em Bolsonaro?", essa questão, claro, se remete ao fato de Regina Duarte, a protagonista de Malu Mulher, ter se tornado uma fervorosa apoiadora do "mito".


É isso, recomendo as duas matérias.  Assisti alguns episódios de Malu Mulher quando a globo comemorou seus 25 anos e reprisou partes de alguns de seus programas, séries e novelas.  Eu era muito pequena na época da exibição da série.  De qualquer forma, não acho interessante, como alguns estão propondo por aí, um remake.  Uma série nova sobre as questões vividas pelas mulheres, hoje, seria bem-vinda, deixem Malu Mulher no seu tempo e sendo icônica e importante como era e continua sendo, apesar de Regina Duarte (*escrevi um texto sobre ela no ano passado*). 

Novo mangá da revista Cookie tem protagonista que só pensa em comida


A Cookie é uma revista shoujo limítrofe, ela é para meninas no final da adolescência e mulheres adultas jovens.  Não raro, suas protagonistas já são mulheres de 20 anos.  O Comic Natalie veio anunciando uma nova série da revista, Yoi mo Amai mo (好いも甘いも) de Matsu Kotou e eu fiquei curiosa, porque parecia que seria uma série tratando de compulsão alimentar.  Se fosse, teria que ser algo sério...


Pois bem, pelo resumo, não é nada disso.  A protagonista da história é uma garota que só pensa em comida e está terminando a faculdade e naquela fase da procura de emprego (job hunting).  E, ao que parece, a criatura tem uma condição para aceitar uma oferta de trabalho, bons restaurantes e lanchonetes por perto.  Sério, mas sabe que o traço da autora é agradável?  Vai que é um mangá gourmet comédia decente?  😃