terça-feira, 31 de julho de 2018

Para quem quiser ouvir o Shoujocast


Lá em 2009, eu decidi criar um podcast.  Começou de forma bem precária.  Aí, o amigo Anderson sugeriu um nome "Shoujocast".  Vieram companheiras, a Lina Inverse, depois a Tanko e, por fim, a Tabby e, bem, fizemos 52 programas.  Pouco, eu sei, mas as agendas desencontraram.  Sempre penso em voltar, mas ainda não houve como.  Bem, eu queria disponibilizar os programas, mas descobri que não tinha todos. Perguntei se a Lina tinha.  Ela organizou tudinho e disponibilizou para download (*AQUI*).  Tudinho, não, faltou o programa 52, então, coloquei no Youtube.



Eu parei para escutar um dos meus programas favoritos o duplo sobre Orgulho & Preconceito e foi um prazer muito grande ouvir a voz das amigas queridas e da convidada especial, a Adriana Salles.  Que conversa legal foi aquela.  Enfim, se você quiser relembrar, ou conhecer o Shoujocast, esta é a oportunidade.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Comentando A Batalha dos Sexos (Battle of the Sexes, 2017)


Quinta, terminei de assistir um dos grandes filmes de 2017, mas que rendeu menos do que deveria: Batalha dos Sexos (Battle of the Sexes).  Baseado em um evento real, a partida de tênis entre uma das maiores tenistas da época, Billie Jean King, e o campeão aposentado Bobby Riggs, em 1973.  No auge do movimento feminista, a partida terminou atrelada às discussões sobre a superioridade natural dos homens sobre as mulheres e disputas sobre melhores prêmios para as tenistas.  Para além dos holofotes, A Batalha dos Sexos mostra o drama enfrentado pelos homossexuais obrigados a ficarem no armário. No geral, é um filme extremamente engajado politicamente, atual, porque discute uma série de pautas que ainda hoje são importantes, fora isso, o elenco é muito bom com destaque para Steve Carell e Emma Stone, que interpretam os dois tenistas que se enfrentam na quadra.

Billie Jean King era uma das tenistas mais bem-sucedidas do mundo e militante feminista, junto com Gladys Heldman (Sarah Silverman), ela confronta o Jack Kramer (Bill Pullman), ex-tenista e presidente da principal associação de tênis dos EUA, a Lawn Tennis Association, a respeito da gritante diferença dos prêmios oferecidos às mulheres e aos homens. King e Heldman terminam por liderar um grupo de oito tenistas (Rosie Casals, Nancy Richey, Judy Dalton, Kerry Melville Reid, Julie Heldman, Peaches Bartkowicz, Kristy Pigeon e Valerie Ziegenfuss) que rompem com a associação e partem em uma turnê que dará origem à Women's Tennis Association (WTA).  Durante a turnê, patrocinada por uma companhia de cigarros (a Virginia Slims) King conhece a cabelereira Marilyn Barnett (Andrea Riseborough) e precisa confrontar tanto a sua homossexualidade, quanto a culpa em relação ao adultério.  

The Original 9.  A foto é reproduzida no filme.
Do outro lado, temos o velho tenista Bob Riggs, um viciado em jogo e infeliz no casamento, que decide desafiar King para uma partida definitiva que provaria quem era superior, os homens, ou as mulheres.  King não se mostra interessada e Riggs faz a mesma proposta para a então primeira colocada no ranking mundial, a australiana Margaret Court (Jessica McNamee).  Ela aceita e o enfrenta em 13 de maio de 1973 no que ficou conhecido como “Massacre do Dia das Mães”.  King então aceita enfrentar Riggs, porque compreende a importância desse evento para a causa dos direitos das tenistas e das mulheres.  Um grande evento midiático, que rendeu muito dinheiro, ou perda de dinheiro, para os envolvidos, o show foi mais do que uma partida, era a evidência de que uma guerra estava em andamento e que, pelo menos naquele dia, as mulheres venceram.

Antes de A Batalha dos Sexos estrear, eu estava acompanhando de longe a produção, no entanto, como tantos outros filmes que eu esperava ansiosamente, o filme entrou no circuito sem alarde, o que é estranho, vejam que Emma Stone ganhou o Oscar de Melhor Atriz ano passado, em poucas salas e todas à noite.  Péssima estratégia, ou nenhuma, aliás, para vender um produto.  Eu não gosto de ir ao cinema à noite, porque sei que se estiver cansada, algo recorrente, eu durmo.  Seja o filme bom, ou não, a possibilidade de cochilar é grande.  Depois do nascimento de Júlia, aí é que eu não vou mesmo.  É hora de estar com ela, mas meu colega de equipe de História voltou empolgadíssimo da sessão e disse “O filme é muito bom e você com certeza vai gostar dele”.  Sim, ele estava certo nos dois pontos.  Steve Carell, que é um ator que eu gosto muito, virou Bob Riggs, já o filme, ele é tão bem executado que eu sei que estará na minha lista de melhores coisas que eu assistirei este ano.  

Sair do armário seria o fim da carreira da tenista.
O filme já começa com uma questão que é relevante até hoje. Mulheres normalmente ganham menos que os homens, 70% do que os homens recebem, na média, mas se forem mulheres negras, por exemplo, a coisa pode piorar ainda mais.  No caso dos prêmios do tênis, na época do filme, a coisa era gritante. As mulheres lotavam as partidas, os ingressos tinham o mesmo valor, mas as premiações eram até sete vezes menores para elas.  Confrontado, Jack Kramer, o verdadeiro vilão do filme, se existe algum, claro, considera perfeitamente normal: homens são superiores fisicamente, são mais competitivos, a audiência prefere suas partidas.  Evidências?  Nenhuma.  

O sujeito levantou, também, o velho argumento: mulheres não sustentam famílias, elas podem ganhar menos.  Percebam que este argumento é usado desde antes do capitalismo, mas se tornou central depois da Revolução Industrial.  Crianças, jovens mulheres, esposas, trabalhavam o mesmo que os homens, mas produziam mais lucro, porque, bem, recebiam menos, metade, até mais do que os homens recebiam.  As tenistas não eram tratadas de forma diferente.  Obviamente, tenistas homens controlavam a associação e trabalhavam em prol da manutenção desse domínio.  O prestígio de sua classe, seu poder simbólico e econômico deveria ser reforçado.  Assim, era bom ter mulheres jogando, porque elas ficam bem com suas pernas de fora, mas tênis de verdade, era o que os homens jogavam.  

A união faz a força.
Gladys Heldman – a feminista mais engajada da película – lutava contra essa desigualdade desde a época em que ela própria era atleta.  Como jornalista esportiva, grande promotora do esporte, mãe de uma das grandes tenistas da época, ela lutava por condições mais justas para as mulheres fazia tempo.  O rompimento das nove tenistas, lideradas por Heldman e King, com a federação as coloca na estrada.  A situação era precária, mas elas persistiram e, de certa forma, conseguiram alcançar alguns dos seus objetivos.  O que o filme evidencia era a empáfia dos homens, os que comandavam o tênis no país, tratando as mulheres com extrema condescendência, tipo “fiquem satisfeitas de deixarmos vocês jogarem”, ao mesmo tempo em que criam que qualquer tenista homem – mesmo um aposentado fazia tempo – poderia vencer uma mulher, mesmo sendo ela a primeira do mundo.   

Bob Riggs, que foi um grande tenista em sua época, era um campeão, mas tinha se tornado viciado em apostas. No filme, ele acaba se empolgando com a possibilidade de lucrar em cima da atmosfera geral de luta feminista.  A Batalha dos Sexos não o pinta como um vilão, um sujeito mau, mas um cara assujeitado ao vício, machista, sim, mas não um misógino, e preso em um casamento infeliz.  Casado com uma mulher de uma família muito rica, trabalhando em uma ocupação medíocre nas empresas do sogro, e querendo atenção.  No verbete da Wikipedia, há muita informação sobre as atividades de Riggs como promotor do esporte em eventos de grande atenção midiática, ou seja, a tal “Batalha dos Sexos” não foi caso isolado, nem ele era um inimigo das mulheres ou tinha poder para determinar os prêmios que receberiam, só quis se aproveitar do momento e foi utilizado por aqueles que realmente tinham poder de decisão.

O "Massacre do Dia das Mães".
Quando vi o filme, fiquei um tanto encucada com a imagem que construíram de Margaret Court, a australiana que tira de King o primeiro lugar no ranking, e Ted Tinling (Alan Cumming), o estilista das tenistas.  Margaret Court é apresentada no filme como uma grande atleta, mas a antítese de Billie Jean.  Ela não era feminista, tinha marido, que a acompanhava nas turnês e um filho pequeno.   Court é mostrada, também, como homofóbica e moralista.  Indo atrás de informações sobre ela, Court realmente milita contra os direitos dos LGBT e se tornou ministra evangélica (*ela nasceu em uma família católica*).  No filme, ela tem um gaydar afinadíssimo e diz ao marido, perplexo, que King tinha uma amante.  O pobre homem se espanta, porque, bem, King era muito bem casada.  

Court aceita jogar com Riggs no filme, porque o prêmio era vantajoso.  Ela e o marido viviam com poucos recursos e não tinham como contratar uma babá.  A personagem, no entanto, não consegue transpor – como muitos fazem – sua experiência pessoal para um quadro mais amplo.  Ela não mostra empatia.  Se ela fosse um homem, certamente teria recursos para manter uma estrutura melhor para sua família, mas sendo mulher, seus proventos eram muito baixos, mesmo como primeira do ranking.  Ela também não consegue identificar como estranho, apesar de suas posturas conservadoras, o arranjo que é seu casamento, com um marido vivendo em função da carreira da esposa e cuidando de um bebê para que ela pudesse se exercitar.  Só lembrando, a imagem que o filme pinta de Court, uma das melhores tenistas de sua geração é negativo e não pode ser tomado como expressão da verdade.  

Perplexidade diante da derrota de Court.
Em A Batalha dos Sexos, ela é escolhida por Riggs e os que o estão orientando, porque, bem, ela não se vê como potencialmente igual aos homens, mas como inferior.  Para eles, ela já entrou derrotada e foi, sim, um massacre.  Midiaticamente, isso foi muito importante.  Se a primeira do ranking,  “The Arm”, não podia vencer um aposentado de 55 anos, isso era evidência mais que suficiente da inferioridade das mulheres.  Exatamente por causa disso, Billie Jean King precisa jogar a partida.  Riggs, no entanto, interpreta de forma ainda mais radical o resultado.  Para o jogo com Court, ele treinou muito, para jogar com Billie Jean, ele relaxou e tomou suplementos alimentares.  Na verdade, foi contratado por uma empresa e virou seu garoto propaganda.  Aparece uma foto no final do filme.

Ted Tinling, a outra personagem a se comentar, me deixou em dúvida.  Ele seria uma invenção do filme?  Na película ele é o estilista da WTA, uma figura que vai revolucionar os uniformes femininos, rompendo com a obrigatoriedade do branco.  Futilidade, alguns diriam.  Ele trabalha junto com o companheiro, ambos homossexuais assumidos, e tem o gaydar afiado (*isso parece ser questão de sobrevivência*), também.  Ele percebe que King está no armário e tem uma amante ao mesmo tempo que Margaret Court.  Ele ajuda a despistar os fofoqueiros e tenta evitar que o marido de King, Larry (Austin Stowell), a pegue junto com a amante.  No final, em uma cena tocante, ele consola king e lhe garante que um dia, ela poderia ser como eles (*Os homens gays? Não creio. Os estilistas?  Talvez.*) e viver fora do armário. Limpa as lágrimas dela e recomenda que seja forte.  Até comentei que ele parecia a “fada madrinha” de Billie Jean, enfim...

Tinling e seu companheiro.
O verdadeiro Tinling realmente revolucionou o figurino das tenistas e desenhou os uniformes de praticamente todos os grandes nomes do esporte até os anos 1980, pelo menos.  Era homossexual assumido e militante das causas LGBT em um momento em que ser gay ainda era algo visto como crime, ou doença.  O cara, no entanto, tinha muito mais currículo, porque tinha sido espião na II Guerra Mundial, entre outras coisinhas.  De resto, ele foi um dos melhores amigos de Billie Jean King.  O filme não mostrou de forma muito clara essa relação de amizade.  Ficou parecendo que eles estavam se tornando amigos, ou que Tinling era só isso mesmo, um cara legal e cheio de empatia que apareceu na vida da tenista.  

Indo, agora, para Billie Jean e seus dramas. Em primeiro ligar, o filme pinta muito bem a atleta feminista, absolutamente em consonância com as bandeiras da época e consciente de seu papel.  Ela era – ou se via – como a melhor tenista do mundo, tinha que ser líder em um momento tão difícil.  Ela tenta, no entanto, evitar o confronto com Riggs por conhecer a fama do sujeito, não por temer jogar com um homem. Riggs era um fanfarrão, um palhaço e um viciado em jogos.  O inimigo das mulheres não era ele, mas se envolver na “Batalha dos Sexos”, a obriga a fazer parte do circo que Riggs e seus patrocinadores montaram.  Não darei detalhes.

Foi um circo.
Agora, o drama pessoal da tenista era muito grande.  King era lésbica, mas vinha de uma família conservadora e temia perder o amor dos seus (*ela diz isso em entrevistas*).  Casou-se com um homem, era o que se esperava que ela fizesse, que, por tudo que li, era um sujeito “do bem”.  Ele lhe apresentou às ideias feministas.  Os dois pareciam um casal perfeito, moderno e bem afinado.  Ele tinha seu emprego e não a acompanhava nas turnês para não atrapalhar seu desempenho (*Concentração ou a velha ideia de que sexo atrapalha a performance de um atleta ou guerreiro?*).  

King reprime seus desejos, aqueles que as duas personagens que citei já perceberam, mas termina aceitando o assédio da cabelereira (*no filme, Marilyn Barnett insiste muito*).  Larry descore e se cala.  Só que um divórcio seria um escândalo.  A revelação da homossexualidade, também. Sua carreira como atleta estaria destruída.  Ainda hoje, atletas – homens e mulheres – perdem contratos e são hostilizados por simplesmente saírem do armário.  Para os homens gays é como se sua orientação sexual lhes roubasse, de repente, todos os atributos de virilidade que os tornariam competitivos.  Alguns atletas homofóbicos passam a declarar seu medo: e se o fulano me assediar.  Se a coisa ocorre em esportes coletivos com torcida envolvida, então... As mulheres é falta de homem.  Safadeza.  Se quer “ser homem”, que vá competir com eles... 

The Original 9 em 2012.
Percebem os riscos que Billie Jean corria?  As acusações que sofreu quando somente desconfiavam e depois?  Uma mulher “de verdade”, perderia o jogo.  Ela não era uma mulher de verdade... O filme não foge dessas discussões.  E, hoje, há outra coisa que se relaciona a isso e que me incomoda muito: ainda há quem acredite que um homem, qualquer homem, sempre irá vencer uma mulher, independente da sua qualidade como atleta.  É ridículo e bastaria observar a sociedade e os índices do atletas homens e mulheres, sua evolução ao longo das décadas.  No entanto, até certos segmentos do feminismo abraçam essas ideias essencialistas para obstruir as mulheres trans, há quem acuse atletas de transiocionarem somente para poder ganhar medalhas (*cara, alguém passaria por terapia hormonal e todo esse inferno que é ser mulher em uma sociedade machista, porque é MAIS FÁCIL vencer uma mulher quando você nasce homem?  Difícil...*).  Não é meu objetivo discutir isso, mas A Batalha dos Sexos ajuda, ou deveria ajudar, a refletir sobre essas questões, também.  

O que muita gente não sabe, ou lembra, é de como o movimento feminista era refratário em relação às lésbicas. Seria como assinar a declaração de que ser feminista era querer ser um macho.  Mesmo hoje, depois de tantas discussões e muita tinta gasta, ainda há feministas que se preocupam com “o que os homens vão pensar de nós”?   Se Billie Jean saísse do armário em 1973, ela poderia erodir toda aluta das mulheres tenistas.  No filme e imagino que na vida real, também, ela sabia disso.  E entendia o seu papel e o sacrifício que somente ele poderia fazer por uma causa maior.  Ficou tenso, não é?  Mas é, por isso, que a cena com Ted Tinling é tão importante para o desfecho da película.

Tudo começou com um flerte.
E Larry King?  E Austin Stowell poderia ser o Capitão América se o filme fosse filmado nos anos 1970.  Ele é uma vítima?  Vamos imaginar se ele fosse um homem traindo a esposa com outra mulher, ou outro homem?  A gente ficaria com raiva.  Tomaria partido.  O filme o apresenta como um homem que ama a esposa, que se preocupa com sua carreira, um companheiro que não merecia ser traído.  Daí a culpa de King e sua queda de desempenho.  Ela não foi sincera com ele.  No entanto, ele é apresentado como alguém que sabe.  Ele se “esforçou” por acreditar que poderia mudar as inclinações da esposa? Ele tentou protegê-la?  No filme, há subsídios para pensar as duas coisas, aliás, elas não são excludentes. Ele, inclusive, confronta Marilyn e fala do dano que poderia causar à carreira de sua esposa.  

Larry continuou amigo de Billie Jean,
já o caso com Marilyn terminou mal.
Trazendo para o mundo real.  Casamentos de fachada eram comuns.  Um homossexual, homem, ou mulher, poderia ter a consciência de sua condição e lutar contra sua orientação sexual.  Esse tipo de casamento envolvia sexo, filhos e, não raro, sofrimento (*vide Entre Irmãs*).  Em alguns casos, a pessoa só se descobria gay, ou lésbica, muito depois Não estou falando de bissexualidade, mas de imposição social.  Casamento, especialmente para as mulheres, era dever e como em vários contextos era repetido que não esperassem prazer, que sexo era coisa suja, porém necessária, algumas sequer tomavam consciência do motivo do seu desgosto, ou insatisfação.  Um gay, ou lésbica, poderia, também, buscar um casamento de fachada, um acordo que envolveria um parceiro consciente da situação.  A fidelidade poderia fazer parte do arranjo, ou não, assim como o contato sexual entre os parceiros.  “Casamento Lavanda” era como os vitorianos chamavam esse tipo de enlace que, muitas vezes, envolvia um homem e uma mulher homossexuais.  

Na vida real, Larry parecia saber. Talvez, não desde o início, mas sabia.  Quando Billie Jean assume sua homossexualidade, ela foi a primeira atleta a fazê-lo, o casamento deles tinha acabado, mas a amizade persistiu.  Billie Jean é madrinha dos filhos de Larry, ou seja, o arranjo dos dois, deveria ser mais simples, ou mais complexo, do que um ela era uma adúltera e ele era vítima.  Mas, sim, Billie Jean King cometeu adultério no filme e isso faz Larry sofrer, os dois, na verdade, sofrem.

Eles terminaram se tornando amigos.
É isso.  O filme é ótimo e, ao que parece, bem fiel aos eventos que busca retratar.  Muito melhor do que eu esperava.  É uma dramédia em alguns momentos, porque, bem, Riggs era um palhaço, como o filme bem coloca.  Mas as discussões que a película coloca são importantes demais para o filme ter sido esquecido (*ou quase, houve indicações no Globo de Ouro e, talvez, venham no Oscar*) e rendido tão pouco nas bilheterias.  De resto, a trilha sonora é muito boa.  E, bem, a primeira vez que ouvi falar de Billie Jean King foi em Ace Wo Nerae  (エースをねらえ!), não o anime, mas o mangá.  Ela era a tenista modelo aos olhos de Hiromi, a protagonista da série.  Se estivesse em casa, colocaria a imagem de Billie Jean que aparece no mangá.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Post aleatório: Coisas que é preciso descobrir antes de morrer

Ela veste preto. Era cor da moda,
mas século XVI-XVII,
não é mais Idade Média.
Sigo no Facebook uma página chamada History of Royal Women. Basicamente é um fatos e fotos e fofocas relacionado à nobreza de tempos passados.  Não se restringe à Europa.  Há artigos sobre catedrais, castelos, mosteiros relacionados de alguma forma à mulheres da nobreza.  Recomendações de livros, alguns muito bons até.  Enfim, um povo que faz um trabalho sério dentro daquilo que é o objetivo do site.  Daí, tropeço em um artigo sobre uma nobre portuguesa, Catarina de Guimarães, Duquesa de Bragança (1540-1614), avó do primeiro rei da casa de Bragança, e lá no texto dizia "daughter of Edward, duke of...".  Opa!  Edward?!  Nunca vi este nome em nenhuma genealogia portuguesa...

Enfim, daí, caiu a ficha, Edward virou Duarte em português, assim como Briton, virou Brito.  Só que Duarte, durante muito tempo, foi nome próprio.  Eduardo entrou na língua portuguesa pelo espanhol, da mesma forma que Tiago, enquanto Jaime é a versão em nossa língua de James.  E  eu, eu  que gosto de ler sobre essas bobagens, nunca tinha me apercebido disso.

Apesar da moda na ficção de colocar todo mundo de preto e cinza,
os reis medievais DE VERDADE gostavam de cor.
E quem os desenhava, mesmo depois de muito tempo, também
Como Edward entrou na língua portuguesa?  Apesar das relações entre Portugal e Inglaterra desde, pelo menos, o século XIII (*teria que checar e a conexão não permite*), provavelmente, foi em virtude do casamento de Philippa de Lancaster, neta de Eduardo (Edward) III da Inglaterra, com o rei de Portugal, Joaõ I.  O casamento gerou vários filhos, conhecidos como "A Geração Ilustre" e o filho deles foi o rei Duarte I (1391-1438).  Fim do post aleatório.  É provável que seja o único de hoje.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Cresce a população de “Cyber-Homeless” no Japão


O Goboiano trouxe uma matéria muito interessante sobre a degradação das condições de vida no Japão – especificamente em Tokyo – e o aumento do número de pessoas subempregadas no país.  Isso, aliás, não me surpreende, já fiz um post sobre as ONGs que trabalham oferecendo alimentação para crianças em situações de risco e já perdi a conta das matérias que vi sobre a péssima remuneração recebida pelos animadores em início de carreira. Mas, enfim, o que é um “cyber-homeless”?  É uma pessoa que não tem condições de alugar uma casa e termina morando em Cyber Café.

O Goboiano explica que os Cyber Café., em especial os Mangá Café, começaram a aparecer em 1995 e funcionavam 24 horas por dia, muitas vezes oferecendo um lugar seguro para os trabalhadores que perdiam o último trem.  Com o tempo e a descoberta da demanda passaram a oferecer internet ilimitada, mangá e a privacidade de um cubículo.  Alguns estão oferecendo banho de 10 minutos por um preço módico. Parece que muitos subempregadis decidiram morar nesses estabelecimentos.


Segundo o site, o problema do desemprego começou a aparecer no Japão durante a recessão dos anos 1980.  Desde pelo menos 1984, o governo vem acompanhando a queda do número de empregados em tempo integral e o crescimento dos trabalhadores informais e em tempo parcial.  Segundo relatório do Ministério dos Assuntos Internos e Comunicação do Japão, em 2011, 35% da mão-de-obra japonesa estava no mercado informal.  A coisa se agrava, porque o rendimento médio  mensal desses trabalhadores é 113 mil ienes (4.643 reais) e a linha de pobreza estabelecida pelo estado é de 1.12 milhões de ienes (46.046 reais) anuais (*aqui, ficou um pouco confuso para mim, afinal, se fizermos a média de 12 meses... Será que eu estou lendo errado?*).  Um apartamento barato de um quarto em Tokyo custa em média 74.200 ienes (2.150 reais), sem contar outras despesas.  O site  comenta um documentário dizendo que um guarda de segurança recebia uma diária de 1920 ienes (80,50 reais) e um salário mensal de 83.380 ienes (2.415  reais).

Nos Mangá Café, a diária,  a depender da rede e dos pacotes, variam entre 1200 ienes (38,64 reais) e 1400 ienes  (67,63 reais) pelo uso de 12 horas de um cubículo.  Um hotel cápsula pode custar entre 3 mil (80,50 rais) e 6 mil ienes (161 reais) por uma noite.  Com a crise do mercado de trabalho, vem aumentando o número de residentes fixos nesses cafés, os tais cyber-homelesses ou refugiados de cyber cafés.  Pode parecer caro viver em um cyber café, mas para alugar  um apartamento, trabalhadores informais precisam pagar um seguro de pelo menos 1 milhão de ienes (41.860 reais) ao dono do imóvel, porque seriam inquilinis de risco.  É a lei.


Ao ficarem em cyber cafés, esses moradores de rua em potencial ajudam a mascarar as estatísticas governamentais.  O Goboiano informa que o governo de Tokyo se orgulha do baixíssimo número de seus moradores de rua, o site diz que no último levantamento havia 1697 pessoas nessa condição.  Esses moradores de cyber cafés acabam ficando nas sombras, por assim dizer. O site, no entanto,  cita a fala de um ex-salaryman de 42 anos, hoje vivendo em um cyber café, que diz estar feliz e que não lamenta estar fora do mercado formal.  Ele não quer voltar a ser salaryman.

Enfim, é uma situação bem complicada e que aponta para o aumento do abismo de renda no país.  Fora isso, me pergunto se esses cyber café aceitam mulheres, porque vários hotéis cápsula só aceitavam homens e as redes que aceitam mulheres, ou somente mulheres, são relativamente recentes.  Ainda que, se no Japão for como, aqui, no Brasil, boa parte da população de rua seja masculina, as mulheres em situação de risco normalmente recebem menos atenção e apoio especializado.  

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Comentando O Touro Ferdinando (Ferdinand, 2017)


Ontem, fui com Júlia assistir O Touro Ferdinando, filme animado dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (Rio/A Era do Gelo) e baseado no livro The Story of Ferdinand do norte-americano Munro Leaf, publicado em 1936.  Não é um grande desenho, tem muitas do estilo bobão das últimas continuações de A Era do Gelo, mas é um material acessível para discutir com crianças questões importantes como pacifismo, maus tratos aos animais e o próprio conceito de masculinidade hegemônico.  Resumindo, como filme precisava melhorar muito, mas tem seus momentos.  

Ferdinando começa o filme como um bezerro na fazenda Casa del Toro, especializada na criação de touros para a arena.  Desde muito cedo, os bezerros se enfrentam antevendo a glória da arena, mas Ferdinando prefere cheirar flores e adota uma postura pacifista além da compreensão de seus companheiros e de seu próprio pai, que é selecionado para as touradas. Quando seu pai não retorna, Ferdinando consegue fugir e acaba sendo abrigado pela menina Mina e seu pai. O tempo passa, o bezerro cresce, e um mal entendido faz com que Ferdinando seja preso e reenviado para a Casa del Toro.  Ele vai seguir o destino que lhe tinha sido traçado?  Ele conseguirá se manter longe da arena?  Seu fracasso o levará para o matadouro?  O que será de Ferdinando?

Para Ferdinando, a arena não era a glória,
ele nunca a desejou.  Ao longo do filme,
ele descobre que, na verdade, ela significa morte.
Será uma resenha curta, ou assim espero. O Touro Ferdinando já havia sido adaptado em um curta metragem que venceu o Oscar em 1938.  Eu assisti quando criança, ainda que tenha remota lembrança dele.  A nova animação possui um visual muito bonito, especialmente, os campos de flores, mas faz um uso muito limitado do 3D, isto é, só está lá para pagarmos mais pelas entradas. Função mesmo, quase nenhuma. O estilo de humor maluco da Era do Gelo 4 e 5 parece aflorar aqui e ali, na maioria do tempo não colaborando efetivamente para o engrandecimento da história, só a torna boba mesmo.  A gente ri, mas funciona como as intervenções do esquilo da Era do Gelo e só.

Os três pontos importantes para discussão no filme, no entanto, estão bem claros.  O primeiro deles é o pacifismo.  Ferdinando leva sua recusa a lutar aos extremos, tal e qual um Gandhi, ele se posta diante do inimigo e se recusa a revidar.  Logo no início ele diz para seu principal antagonista, o bezerro, depois touro, Valente, que ele pode bater nele, fazê-lo sangrar, mas que ele protegeria a indefesa flor, seu tesouro.  É fácil compreender por qual motivo governos fascistas baniram o livro original, afinal, é possível ver em Ferdinando os ecos da I Guerra Mundial, da recusa de muitos em pegar em armas e como esta atitude é subversiva. O pacifismo do touro termina contaminando seus companheiros e fazendo com que eles se posicionem criticamente em relação ao seu “destino”, a arena, a morte certa.

A amizade de Nina e Ferdinando é bonita.
O segundo ponto do filme é a discussão do próprio conceito de masculinidade vigente em nossa sociedade.  Sabe aquela ideia de que ser homem é ser violento, de que homem não chora, não pode gostar/apreciar o belo, que deve pisar e humilhar os mais fraco, submetê-los?  Tudo isso está explicito em O Touro Ferdinando.  O protagonista não se enquadra e se recusa a abraçar os modelos hegemônico de masculinidade.  Ele sofre na infância, mas busca ativamente a felicidade, fugindo, se insubordinando, se recusando a lutar.  Tudo isso exige muita coragem, ser diferente não é fácil, e como o filme é simples, espero que os pequeninos consigam entender a mensagem.

A Casa del Toro é como a escola de gladiadores de Spartaco.  Tudo ali transborda testosterona.  Os jovens bezerros admiram os adultos mais violentos, porque este seria o selo da virilidade e o passaporte para a glória.  Só que nem todos os que tentam atingir a perfeição vão atingir a meta e nem podem, afinal, é preciso selecionar, excluir, hierarquizar.  A arena não é para todos, se você não nasce com o tipo físico certo, como Magrão, o seu destino pode ser o matadouro.  Se você não controla seus nervos, como Guapo, você pode ser descartado.  Violência, competitividade, desprezo pelos mais fracos, são os pilares desse modelo.  Ferdinando escolhe não se enquadrar, mas mesmo os que se esforçam podem ficar às margens.

Touros, cabra e ouriços em fuga.
O terceiro ponto é a própria condenação da violência contra os animais.  Tourada não é esporte.  Não importa o quanto um touro seja magnífico, ele nunca vai vencer, ele nasce derrotado, porque o bicho homem controla o jogo e suas regras.  O toureiro não é um herói, sua elegância e coragem são  falsas, porque tudo é construído para que ele prevaleça no final, que um touro assustado, estressado, termine sendo morto.   O abatedouro é outro ambiente mostrado no filme.  Se a arena é  o local da glória, o abatedouro é o espaço do medo. Uma câmara de horrores, destino dos touros que fracassam.  Mas o que seria a glória se ninguém volta da arena?  É aí que Ferdinando consegue contaminar os outros com seu modo alternativo de pensar e, bem, vou repetir: não me espanta que regimes fascistas como o de Franco tenham banido o livro.

Talvez, haja uma quarta questão em Ferdinando: as aparências enganam. Ferdinando é grande, maior que a maioria dos touros. Ao olharem para ele as pessoas esperam violência, mas ele é gentil e dócil.  O problema é que por causa da sua aparência, um pequeno deslize pode ser fatal.  É possível falar de preconceito usando Ferdinando.  As pessoas são mais do que estereótipos, no entanto, nem sempre elas têm tempo e/ou oportunidade de mostrarem sua índole, competências, porque são rotuladas de antemão.  Nosso herói, Ferdinando, sofre com isso.

Ferdinando se recusa a lutar.
Em relação Bechdel Rule, o filme não a cumpre.  O ambiente da Casa del Toro é masculino, lá só trabalham homens e touros.  Para não colocarem somente machos, inventam uma cabra “treinadora”, Lupe, e uma ouriço para colocarem o mínimo de mulheres no elenco. Aliás, queria saber qual a função real de uma cabra nessa história... Ah, sim!  Temos uma égua, também, mas aqueles três cavalos alemães servem para humor e só.  E temos Nina, a menina que cuida de Ferdinando como se fosse um cachorrinho.  Enfim, todas essas personagens, menos a égua, estão na história em função de Ferdinando.  Os touros – Valente, Guapo, Magrão, Angus – tem um fiapo de história própria, mas as fêmeas do elenco não.  Se Nina fosse um garoto – e é bom que não seja, não estou reclamado disso – não haveria diferença.

Que mais dizer?  É um desenho arrumadinho, bonito, com alguns momentos tocantes, mas não é um filme tão bem estruturado e equilibrado.  Talvez, esteja sendo dura, mas acabei de assistir A Vida é uma Festa e a Disney/Pixar ofereceu um material muito melhor.  Vale a pena ver Ferdinando?  Sim, vale, mas não vá ao cinema esperando demais, porque você não vai receber mesmo. Júlia gostou mais de A Vida é uma Festa. Ela me disse de manhã.


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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Bandai lança forminhas de chocolate de Sailor Moon


O Dia dos Namorados - Valentine's Day - está chegando e é quando as mulheres, não precisa sera namorada, presenteiam homens (*namorados, amigos, colegas de trabalho etc.*) com chocolates. Enfim, a Bandai lançou uma forminha de silicone com objetos da série Sailor Moon, além de um manual de como preparar o chocolates.





O Sora News trouxe imagens sugerindo que as tais forminhas servem para outras coisas, também, como fazer cubinhos fofos de gelo.  Outro uso, sugerido pelo SN, é fazer objetos para uso de cosplayers. Verdade, o tamanho das forminhas parece adequado, sim.






O Sailor Moon Silicone Ice Tray poderá ser comprado no site Premium Bandai, o preço é 1,944 ienes (*mais ou menos 57 reais, sem frte*).  Curiosamente, só será postado em março... tsc... tsc... Para o White Days, talvez?

Primeiras imagens de Orgulho e Paixão


Para quem está perdido, quando Tempo de Amar, novela atual do horário das seis da Globo acabar, teremos uma trama inspirada em um mix de várias obras de Jane Austen.  Orgulho e Preconceito e suas personagens serão centrais na trama, mas teremos Lady Susan, Emma, Razão e Sensibilidade, Northanger Abbey, também.  E se mais coisa aparecesse, não seria de espantar.  Vejam bem, não será uma adaptação, mas uma releitura criativa.  E, por favor, não irão estragar  seu livro favorito, porque, bem, seu livro continuará lá, a novela é outra coisa.  Mas saiu a primeira imagem de Darcy e Elisabeta (*SIM!  Mantiveram esse nome horrível que é raríssimo no Brasil, ao invés de Elizabeth, ou mesmo Isabel.*):


Continuo achando o Thiago Lacerda muito velho para ser Darcy.  E isso nada tem a ver com talento ou beleza, deveriam buscar um ator que estivesse mais próximo da idade da personagem (*27 anos, acho eu*), ou, pelo menos, não parecesse a idade que tem, ou até mais. A Globo tinha opções melhores para o papel.  Thiago Lacerda poderia ser o Coronel Brandon ou Mr. Knightley, Darcy tinha que ser um ator de até 35, 36 anos.  Enfim, abaixo, as mulheres da família Bennet:


Da esquerda para a direita: Elisabeta (Nathalia Dill), Jane (Pâmela Tomé), Ofélia (Vera Holtz), Cecília (Anajú Dorigon), Lídia (Bruna Griphao) e Mariana (Chandelly Braz).  Enfim, a trama se passa no início do século XX, década de 1910, imagino.  Os cabelos estão muito errados, mas fidelidade aos cabelos é coisa muito rara em seriados, novelas, ou o que seja.  De resto, não dá para visualizar muito bem as roupas.  De qualquer forma, torço para que a novela seja interessante.  Parece que as fotos estão aparecendo nas contas de Instagram no elenco e eu não sigo, nem vou seguir ninguém, então, aparecendo algo relevante, eu posto.  

BBC anuncia uma adaptação de Os Miseráveis


Les Misérables, Os Miseráveis, em português, romance monumental de Victor Hugo, já foi adaptado muitas vezes, tornou-se um hit por conta de sua versão musical, e a BBC anunciou que há mais uma em preparação.  O roteiro está sob a responsabilidade de Andrew Davies, responsável por várias adaptações literárias para a TV de grande qualidade, como Orgulho e Preconceito (1995).  Os produtores executivos do seriado são Dominic West (The Wire) e David Oyelowo (Selma), o primeiro será Jean Valjean, o segundo, Javert.   Outros envolvidos no elenco são Lily Collins, Olivia Colman, Adeel Akhtar, Ellie Bamber, Josh O’Connor e Erin Kellyman.  As gravações serão feitas na Bélgica, principalmente, e na França.  Imagino que chegue às tvs britânicas em dezembro deste ano.