Dia 25 de outubro, estreia na Netflix a terceira e provavelmente última temporada de Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚) ou Meu Casamento Feliz, seu título nacional. Com 10 volumes até o momento, a série de Akumi Agitogi atinge seu ápice no volume #7, quando Miyo e Kiyoka finalmente se casam. Com a correria da segunda temporada, que adaptou quatro novels, e a minha lentidão em ler e resenhar os livros, acabei lendo conforme o anime ia progredindo e de forma acelerada. Minha proposta agora é fazer a resenha do volume #7 em duas partes. Esta segunda cobrirá os dois capítulos restantes e o epílogo; a primeira parte, com os três primeiros capítulos, está aqui. Para quem quiser, tenho resenhas dos livros 1, 2 (*partes 1 e 2*), 3. E há toda uma playlist do Shoujocast da série. Outra coisa, não sei até que ponto haverá spoilers do anime, porque a adaptação sempre muda alguma ou várias coisas.
O capítulo 4 começa com Kiyoka e sua equipe na residência dos Nagaba. Kimio, a tal colega de escola de Miyo, está passando por um duro interrogatório. Kiyoka tinha suposto que havia um espírito animal (*como coloco isso?*), um ser que poderia causar um dano muito baixo, possuindo a sogra de Kimio, mas a coisa era muito pior. MUITO MESMO. Um pedaço de uma grotesquerie muito poderosa, que no livro em inglês é chamada de aranha da terra ou terrestre (*Earth Spider*). Essa grotesquerie matou o pai de Godou. Acredito que o conto que mostra em detalhes como isso aconteceu está no livro #8. Kiyoka acredita que Godou não tem condições emocionais de ficar sozinho nesse momento e o rapaz insiste que seu comandante vá para casa, porque ele precisa se casar. Não pode deixar Mmiyo esperando. Mesmo com uma equipe toda mobilizada, inclusive Mukadeyama (*Lembram dele?*), eles não podem mover a relíquia, isto é, o pedaço da grotesquerie, ela precisa ser selada antes.

Enquanto isso, Kimio finalmente confessa como recebeu a tal relíquia. Um sacerdote andarilho lhe ofereceu a relíquia dizendo que bastava que uma pessoa com quem ela tivesse problemas tocasse o objeto. Vejam bem, Kimio sofre extremo abuso doméstico por parte da sogra e do marido. Ela é vítima, PORÉM, ela é, também, alguém que fez as piores opções, além de ser movida pela inveja. Ela faz a sogra tocar a relíquia. A velha ser possuída não melhora a sua situação, porque o marido continua a humilhá-la e a feri-la, além de obrigar Kimio a cuidar de sua mãe que, agindo de forma animalesca, a arranha e morde. Kiyoka, no entanto, não sente pena de Kimio, ele vê uma criminosa que não mediu as consequências e que colocou em risco mais do que a sua família. E Kimio ousa tocar nele de novo, se ajoelhar e agarrar-se à manga de seu uniforme. Kiyoka diz que ela responderia pelo crime diante das autoridades. E, para salvar o casamento de Kiyoka, chegam reforços da unidade de Kyoto, dentre eles, Kaoruko e Kouji, que já está trabalhando na unidade contra grotesqueries. Seu nome, no entanto, só aparecerá depois.
Voltamos para a casa de Kiyoka. Miyo sonha com Kimio e o incidente do sacerdote andarilho, mas ela vê o homem se transformar em uma mulher depois de caminhar pela estrada e se afastar da casa dos Nagaba. Imagino que a autora irá retomar essa personagem no livro #9, onde começa um novo arco. E começa o burburinho do casamento. Miyo sendo arrumada por Hazuki, Yurie e Fuyu. A descrição do seu quimono de noiva, a crescente ansiedade da jovem. Ela confia em Kiyoka, mas a hora da cerimônia está chegando e, mesmo confiando que Kiyoka irá chegar, ela sabe que o trabalho do futuro marido pode exigir sacrifícios. Miyo não pode chorar por dois motivos: o primeiro, é porque ela considera que isso não seria digno da futura esposa de Kiyoka Kudou; já o segundo, é que isso arruinaria a sua maquiagem de noiva. São introduzidos o Comandante Koumyouin e sua esposa, Setsu, que são os mediadores da cerimônia.

Infelizmente, a edição norte-americana não traz notas. Nesta parte do casamento, há várias palavras em japonês sem tradução ou explicação. A autora fez questão de descrever bastante o casamento. No caso dos mediadores, a única coisa explicada é que o ideal seria que o superior de Kiyoka, Ookaito, fosse o mediador junto com a esposa, mas ele e Hazuki se divorciaram. Koumyouin, que comanda a sessão de Kyoto do grupo contra as grotesqueries, está quebrando galho. Mas eu fui investigar o que é esse casal mediador, chamado de nakoudo (仲人). Eis o que encontrei, estou usando a explicação da página Weddingkart:
Antigamente, o nakoudo (仲人) era quase essencial em um casamento japonês: um casal respeitado, geralmente ligado ao noivo por meio do trabalho, que ajudava a intermediar o casamento e, em seguida, atuava como padrinhos formais na própria cerimônia, atestando publicamente a união. Os casamentos arranjados diminuíram drasticamente no Japão e, com eles, o papel do nakoudo, mas ele não desapareceu, e alguns casais ainda nomeiam um nakoudo honorário puramente para a função cerimonial.

Custava colocar uma notinha? O leitor japonês sabe do que se trata, mas e quem não é? Enfim, iyo está com os nervos à flor da pele. Arata, que é um dos convidados, não está ajudando muito a acalmá-la. Mas Miyo tem um pressentimento; ela sabe que Kiyoka está chegando e sai correndo da sala de espera pelos corredores, desconsiderando o peso do seu quimono de noiva e se depara com Kiyoka suado e ofegante. Ela não consegue mais se segurar e ele precisa apará-la. Esse quimono nupcial normalmente é muito pesado e, com todos os bordados e enfeites de uma veste de gente muito rica, deve pesar mais ainda. E o quimono era da mãe de Kiyoka, Fuyu. Lembram da linda cena criada para a segunda temporada animada? Ela não existe nos livros, mas o quimono foi o usado pela sogra e a cunhada. E Kiyoka diz que quando a viu correndo, ele percebeu o quão linda ela estava. Miyo diz que ele está bonito também, mas ele sorri encabulado e diz que não há como ser verdade, depois da noite que passou. Ela diz para que ele corra e se arrume.
A partir daí, temos a descrição detalhada da cerimônia e como Miyo finalmente se sente esposa depois de tomar os copinhos de saquê. E, de novo, notas ajudariam. A autora parece muito interessada em descrever essa parte, o banquete, o quanto é bonito, emocionante e cansativo, a explicação de que a cerimônia se transferiu para um lugar onde a elite estava fazendo seus casamentos, que Miyo trocou de roupa mais duas vezes etc. Ela também mostra os companheiros de Kiyoka conseguindo chegar à festa e os cumprimentos sem fim de familiares e amigos. Acredito que a ideia da autora era mostrar o quanto esse tipo de tradição é cansativa.

E temos a felicidade melancólica de Hazuki. E eu vou repetir: eu odeio o Ookaito, aquele homem incapaz de manter a coluna ereta diante de seus pais. Ele é a culpa da infelicidade de Hazuki e não acho que a autora vá fazer nada a respeito disso. E temos Kouji. Ele chama Miyo pelo nome e rapidamente se corrige para chamá-la de Sr.ª Kudou. Queria que a autora fosse flexível aqui e colocasse Miyo dizendo que ele poderia continuar a chamá-la pelo nome. E Kouji lhe entrega a carta de Kaya. E vamos para o capítulo cinco.
A autora abre com Miyo tomando banho sozinha depois de um dia desgastante. Ela pensa na carta de Kaya, que ela ainda não leu. Kiyoka já havia tomado banho e estava sentado tomando chá e tentando ler um livro. A autora não especifica se é o quarto dele, se o quarto será do casal. Aqui, a autora esquece de descrever. Miyo explica que a carta é de Kaya e pergunta se ela pode ler o que está escrito. Aqui, atenção, é ler antes que eles possam consumar o casamento, porque a primeira parte do livro, vocês lembram, é toda de tensão sexual e desejo reprimido. Kiyoka não faz objeções. Sendo bem sincera? A carta não acrescenta nada. É Kaya fingindo que está bem, mesmo submetida a uma dura disciplina na casa de uma família nobre. E ao fingir que está bem, ela se coloca acima de Miyo, mesmo supostamente reconhecendo que errou.

Por outro lado, temos Miyo reconhecendo a tenacidade da irmã e que ela tem a visão (*spirit sight*) e que ela se esforçou para dominar essa competência. Aqui, uma explicação. Lá no primeiro livro, a autora apresentou a visão como o mais básico dos dons; com o passar dos livros, ela mudou de ideia e separou a coisa. Visão não é dom, mas um poder que é indício de que você pode ter um dom. Ao longo dos livros, então, ela separou visão, dons e habilidades mágicas. Há gente que não tem o dom e faz mágica, porque treinou e treinou. Kazushi, irmão de Kouji, tem o dom e é muito competente em magia. Miyo acredita que a irmã pode mudar para melhor. Kiyoka diz que ela é jovem e que é possível, além de acrescentar que Miyo acredita nisso porque ela mesma mudou. E Miyo diz que ela mudou, também.
Enfim, essa parte inútil da carta termina porque, sinceramente, eu não quero saber de Kaya; Kiyoka começa a tomar a iniciativa. Ele primeiro quer ser chamado de "darling". Estou lendo em inglês, queria saber quais termos são usados em japonês. Miyo o chama pelo nome. Ele recusa. Ela o chama de "dear". Ele diz que não está bom. Miyo o chama de "my love". Ele não aceita. Ela, finalmente, se refere a ele como "darling". E ele a beija e é um beijo longo e diferente de todos os outros. A autora não vai dar detalhes, mas ele pergunta se a esposa não odiou o beijo. Ela diz que não odiou. Ele, então, a toma nos braços e o que segue é o seguinte:
“Vamos levar isso para outro lugar.” [Diz Kiyoka.] Era difícil para ela compreender o significado das palavras dele. Miyo simplesmente envolveu os braços no pescoço de Kiyoka e se agarrou a ele com força. A luz se apagou. A primeira noite de casados. Um tempo passado em doce felicidade, envoltos em uma penumbra tênue e no brilho da lua cheia da primavera.

Não esperava que a autora detalhasse nada. Watashi no Shiawase na Kekkon não é sobre sentimentos ardentes, não é material picante, mas eu ficaria mais feliz com um pouco mais de ternura, com algo que não parecesse filme norte-americano sob o Código Hays. Ficou evidente que, para a autora, o ápice foi a cerimônia de casamento, o ato público, não Kiyoka e Miyo finalmente se unindo e consumando seu casamento. Escolhas. Mas eu olhei o livro #9 e procurei Miyo chamando Kiyoka de "darling". Não achei. Não encontrei nenhum beijo entre os dois e eles estão em lua de mel. Não estou pedindo que a autora faça nada de cunho erótico; eu só queria mais afeto e sentimento quando os dois estivessem sozinhos. Nesse aspecto, tanto o anime quanto o mangá (*se ele chegar lá*) poderão melhorar.
Temos um salto de dias e Kiyoka está de volta ao trabalho. Pelo que vi no final desse livro, ele não vai largar o emprego. Miyo passa os dias sozinha com Yurie e decide levar almoço para o marido. A autora retoma o amuleto que Kiyoka lhe deu lá atrás. Ela diz que o rapaz foi reforçando o objeto de forma que ele era bem superior ao modelo do primeiro livro. Miyo está com ele. Ao chegar ao trabalho de Kiyoka, quem está por lá é Kouji, que, mais uma vez, se obriga a chamá-la de Sr.ª Kudou, e Kimio. A jovem trata Miyo como se ainda fosse uma Saimori e se corrige, chamando-a de Sr.ª Kudou. E ela se desculpa com frieza na voz e tenta matar Miyo com um punhal.

Kiyoka se desespera, mas o amuleto a salva. Kimio é descrita finalmente como alguém consumida pela tristeza e pela inveja. Por qual motivo direcionar tanto ódio contra Miyo é de se questionar. Nem dizer que ela queria Kiyoka por ser gentil... porque ele é gentil com Miyo, não com qualquer mulher ou com Kimio. Ela é dominada por Goudou e começa a gritar "Por que Miss Saimori tem tudo?" "Eu me esforcei tanto para agradar minha sogra e meu marido e acabei sendo maltratada." Miyo fica em silêncio e Kiyoka diz que tinha se oferecido para encaminhá-la às autoridades por causa dos maus-tratos e que ela decidiu seguir outro rumo. Aparentemente, é o fim para ela. Já Kiyoka, se declara para Miyo e diz que se a perdesse, ele desistiria de viver. Na confusão, Yurie passa mal e Godou termina passando em revista os últimos acontecimentos e se perguntando se, um dia, encontraria um amor como Kiyoka encontrou.
O epílogo mostra Kiyoka e Miyo no parque na hora do almoço dele. Ele está dormindo com a cabeça no colo de Miyo; ela precisa acordá-lo para que ele volte para a sessão. Repito que não acredito que ele largue o emprego. Miyo o chama de "darling". E Kiyoka beija Miyo em público e ela fica consumida de vergonha. É um beijo rápido e casto, mas é o tipo de demonstração pública que não é comum no Japão, ainda mais em uma Era Taisho de fantasia.

É isso. Não sei quanto desse livro estará nos três episódios. Há material para fazer mais do que uma temporada tão curta, mas, vamos combinar, não há necessidade de esticar as coisas. Não acredito que o anime tenha continuidade, mas ainda me surpreende que um segundo filme live action não tenha sido lançado ainda. Continuo mantendo que o primeiro livro é o melhor de todos, uma obra que poderia se fechar nela mesma. Gosto de acompanhar a história de Kiyoka e Miyo, torço por outras personagens, mas a autora às vezes deixa um pouco a desejar. Para quem quiser, o mangá está sendo publicado pela Panini. Ele é muito bom, mas vai caminhando devagarinho mesmo.
P.S.: Dia 25 é o segundo turno da eleição presidencial. Sei que a estreia nada tem a ver com isso, mas é uma data infeliz de qualquer forma.