sábado, 17 de outubro de 2026

Edição de Sanditon, concluída por Walcyr Carrasco, acabou de ser lançada no Brasil

Jane Austen morreu aos 41 anos, em 1817.  Ela deixou algumas obras inacabadas, as que estavam em estado mais adiantado, mas longe de serem terminadas, são Sanditon, que teve série de TV (*de qualidade duvidosa*) relativamente recente, e The Watsons.  Há edição delas em língua portuguesa.  Ambas já foram concluídas por autores diversos.  The Watsons foi concluída pela primeira vez em 1850 por Catherine Hubback, que era  sobrinha da autora. No caso de Sanditon, vou citar um trecho do artigo do site The Jane Austen's House:

Desde os primórdios da história do manuscrito, outros autores buscaram completá-lo. A primeira foi Anna Lefroy, sobrinha de Jane, que herdou o manuscrito e escreveu sua própria continuação da história, embora, assim como sua tia, também a tenha deixado inacabada. Seu manuscrito foi escrito em algum momento entre 1845 e 1860, mas só foi divulgado publicamente em 1977, quando foi a leilão. Foi publicado em 1983. Além de Anna, muitos outros escritores tentaram completar ou reescrever Sanditon ao longo dos anos, desde Somehow Lengthened. A Development of "Sanditon" (1932), de Alice Cobbett, até Sanditon by Jane Austen and Another Lady (1975), de Marie Dobbs, e até mesmo a versão de mistério e assassinato de Reginald Hill, A Cure for All Diseases (2008).

Olhando no Amazon, encontrei uma edição de Sanditon concluída por uma brasileira, Amanda Bonatti, que é de 2023.  Não li nenhuma dessas edições de Sanditon concluídas por outras pessoas.  Li o manuscrito, que é muito breve e termina com a aparição do mocinho, Sidney Parker.  Sanditon é especial para mim porque tem uma personagem não branca, que é uma rica herdeira: Georgiana Lamb.  A meu ver, ela é uma espécie de mocinha secundária e serve para mostrar que Austen estava atenta à diversidade étnico-racial da Inglaterra de sua época e que muita gente negou por tanto tempo.  Uma diversidade que se fazia presente inclusive nas classes abastadas, o que não implica que não houvesse racismo ou discriminação mesmo nesses círculos.  Havia.  Mas no período de vida de Austen, o racismo científico ainda estava se estruturando, acredito que as coisas tenderam a piorar.  Enfim, eu participei de um podcast, o Café com Jane Austen, analisando a primeira temporada da série da BBC de Sanditon. Ela recebeu uma segunda e uma terceira temporada, às quais eu nunca assisti, nem pretendo.

Dito isso, antes que alguém ataque o Walcyr Carrasco por fazer a sua edição de Sanditon, olhe o quanto de gente já fez, o quanto de variações de obras de Austen existem, com níveis de qualidade muito diferentes umas das outras.  Se você rejeita por não gostar do Walcyr Carrasco, entendo.  Não sou muito fã das novelas dele, mas a minha curiosidade está sendo atiçada pelo fato de descobrir que o autor é fã de Jane Austen assim como eu.  Aliás, esta semana uma aluna estava com um livro de Jane Austen sobre a mesa e só havia o nome da autora escrito mesmo e tive que assuntar o que era aquilo.  Tratava-se de uma edição da Martin Claret com Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão.  Acabei comentando do filme do cinema de Razão e Sensibilidade, da série da Netflix de Orgulho e Preconceito e dos 250 anos de nascimento da autora.  Descobri que havia pelo menos umas seis que ou eram fãs ou estavam descobrindo as obras da autora.  Talvez, pela minha empolgação, outras irão procurar ler e assistir às adaptações.  A maioria estava por fora das estreias ou não sabia que havia tantas adaptações de obras de Austen.  Não podia parar a aula por muito tempo, mas fiquei curiosa em saber como descobriram a autora.  Enfim, na apresentação de Sanditon do Walcyr no Amazon está escrito o seguinte: 

(...)  Walcyr Carrasco dá continuidade ao manuscrito, oferecendo ao leitor um desfecho emocionante. Seu estilo versátil ― capaz de unir emoção popular e refinamento literário ― faz deste Sanditon um encontro raro entre tradição e modernidade, Inglaterra e Brasil, Austen e Carrasco. O resultado é uma obra que preserva a essência austeniana e ganha nova vida com a imaginação de um dos maiores narradores contemporâneos.

Só há uma avaliação no Amazon e é negativa.  Uma avaliação e nada são a mesma coisa, aliás, acredito que é difícil superar a ruindade da série da BBC.  De resto, o próprio comentário é meio estranho, porque Sanditon é um rascunho, a gente sabe que o material seria muito burilado por Jane Austen antes de ser lançado.  Não é a mesma coisa que pegar Emma, Orgulho & Preconceito e outros livros acabados da autora e fazer uma variação.  Estou curiosa e, provavelmente, devo comprar.  E eu fiquei sabendo do livro pelo programa Coisas de TV; eles só erraram ao dizer que era o único romance inacabado de Austen. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Feliz Dia dos Professores e Professoras! (Atrasado)

Sou professora e vocês sabem disso.  Ontem, no "meu dia", gravei um vídeo para comentar a data, mas não consegui editá-lo a tempo e ele foi publicado hoje nas minhas redes sociais.  Esse post é só para registrar a data mesmo e comentar algumas coisas que são importantes no momento em que vivemos.  O vídeo está abaixo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Comentando o livro #7 de Watashi no Shiawase na Kekkon (Meu Casamento Feliz): Finalmente, Kiyoka e Miyo se casam (Parte 2 - Final)

Dia 25 de outubro, estreia na Netflix a terceira e provavelmente última temporada de Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚) ou Meu Casamento Feliz, seu título nacional.  Com 10 volumes até o momento, a série de Akumi Agitogi atinge seu ápice no volume #7, quando Miyo e Kiyoka finalmente se casam.  Com a correria da segunda temporada, que adaptou quatro novels, e a minha lentidão em ler e resenhar os livros, acabei lendo conforme o anime ia progredindo e de forma acelerada.  Minha proposta agora é fazer a resenha do volume #7 em duas partes.  Esta segunda cobrirá os dois capítulos restantes e o epílogo; a primeira parte, com os três primeiros capítulos, está aqui.  Para quem quiser, tenho resenhas dos livros 1, 2 (*partes 1 e 2*), 3.  E há toda uma playlist do Shoujocast da série.  Outra coisa, não sei até que ponto haverá spoilers do anime, porque a adaptação sempre muda alguma ou várias coisas.

O capítulo 4 começa com Kiyoka e sua equipe na residência dos Nagaba.  Kimio, a tal colega de escola de Miyo, está passando por um duro interrogatório.  Kiyoka tinha suposto que havia um espírito animal (*como coloco isso?*), um ser que poderia causar um dano muito baixo, possuindo a sogra de Kimio, mas a coisa era muito pior.  MUITO MESMO.  Um pedaço de uma grotesquerie muito poderosa, que no livro em inglês é chamada de aranha da terra ou terrestre (*Earth Spider*).  Essa grotesquerie matou o pai de Godou.  Acredito que o conto que mostra em detalhes como isso aconteceu está no livro #8.  Kiyoka acredita que Godou não tem condições emocionais de ficar sozinho nesse momento e o rapaz insiste que seu comandante vá para casa, porque ele precisa se casar. Não pode deixar Mmiyo esperando.  Mesmo com uma equipe toda mobilizada, inclusive Mukadeyama (*Lembram dele?*), eles não podem mover a relíquia, isto é, o pedaço da grotesquerie, ela precisa ser selada antes.

Enquanto isso, Kimio finalmente confessa como recebeu a tal relíquia.  Um sacerdote andarilho lhe ofereceu a relíquia dizendo que bastava que uma pessoa com quem ela tivesse problemas tocasse o objeto.  Vejam bem, Kimio sofre extremo abuso doméstico por parte da sogra e do marido.  Ela é vítima, PORÉM, ela é, também, alguém que fez as piores opções, além de ser movida pela inveja.  Ela faz a sogra tocar a relíquia.  A velha ser possuída não melhora a sua situação, porque o marido continua a humilhá-la e a feri-la, além de obrigar Kimio a cuidar de sua mãe que, agindo de forma animalesca, a arranha e morde.    Kiyoka, no entanto, não sente pena de Kimio, ele vê uma criminosa que não mediu as consequências e que colocou em risco mais do que a sua família.  E Kimio ousa tocar nele de novo, se ajoelhar e agarrar-se à manga de seu uniforme.  Kiyoka diz que ela responderia pelo crime diante das autoridades.  E, para salvar o casamento de Kiyoka, chegam reforços da unidade de Kyoto, dentre eles, Kaoruko e Kouji, que já está trabalhando na unidade contra grotesqueries.  Seu nome, no entanto, só aparecerá depois.

Voltamos para a casa de Kiyoka.  Miyo sonha com Kimio e o incidente do sacerdote andarilho, mas ela vê o homem se transformar em uma mulher depois de caminhar pela estrada e se afastar da casa dos Nagaba.  Imagino que a autora irá retomar essa personagem no livro #9, onde começa um novo arco.  E começa o burburinho do casamento.  Miyo sendo arrumada por Hazuki, Yurie e Fuyu.  A descrição do seu quimono de noiva, a crescente ansiedade da jovem.  Ela confia em Kiyoka, mas a hora da cerimônia está chegando e, mesmo confiando que Kiyoka irá chegar, ela sabe que o trabalho do futuro marido pode exigir sacrifícios.  Miyo não pode chorar por dois motivos: o primeiro, é porque ela considera que isso não seria digno da futura esposa de Kiyoka Kudou; já o segundo, é que isso arruinaria a sua maquiagem de noiva.  São introduzidos o Comandante Koumyouin e sua esposa, Setsu, que são os mediadores da cerimônia.

Infelizmente, a edição norte-americana não traz notas.  Nesta parte do casamento, há várias palavras em japonês sem tradução ou explicação.  A autora fez questão de descrever bastante o casamento.  No caso dos mediadores, a única coisa explicada é que o ideal seria que o superior de Kiyoka, Ookaito, fosse o mediador junto com a esposa, mas ele e Hazuki se divorciaram.  Koumyouin, que comanda a sessão de Kyoto do grupo contra as grotesqueries, está quebrando galho.  Mas eu fui investigar o que é esse casal mediador, chamado de nakoudo (仲人).  Eis o que encontrei, estou usando a explicação da página Weddingkart: 

Antigamente, o nakoudo (仲人) era quase essencial em um casamento japonês: um casal respeitado, geralmente ligado ao noivo por meio do trabalho, que ajudava a intermediar o casamento e, em seguida, atuava como padrinhos formais na própria cerimônia, atestando publicamente a união. Os casamentos arranjados diminuíram drasticamente no Japão e, com eles, o papel do nakoudo, mas ele não desapareceu, e alguns casais ainda nomeiam um nakoudo honorário puramente para a função cerimonial.

Custava colocar uma notinha? O leitor japonês sabe do que se trata, mas e quem não é?  Enfim, iyo está com os nervos à flor da pele.  Arata, que é um dos convidados, não está ajudando muito a acalmá-la.  Mas Miyo tem um pressentimento; ela sabe que Kiyoka está chegando e sai correndo da sala de espera pelos corredores, desconsiderando o peso do seu quimono de noiva e se depara com Kiyoka suado e ofegante.  Ela não consegue mais se segurar e ele precisa apará-la.  Esse quimono nupcial normalmente é muito pesado e, com todos os bordados e enfeites de uma veste de gente muito rica, deve pesar mais ainda.  E o quimono era da mãe de Kiyoka, Fuyu. Lembram da linda cena criada para a segunda temporada animada?  Ela não existe nos livros, mas o quimono foi o usado pela sogra e a cunhada.  E Kiyoka diz que quando a viu correndo, ele percebeu o quão linda ela estava.  Miyo diz que ele está bonito também, mas ele sorri encabulado e diz que não há como ser verdade, depois da noite que passou.  Ela diz para que ele corra e se arrume.

A partir daí, temos a descrição detalhada da cerimônia e como Miyo finalmente se sente esposa depois de tomar os copinhos de saquê.  E, de novo, notas ajudariam.  A autora parece muito interessada em descrever essa parte, o banquete, o quanto é bonito, emocionante e cansativo, a explicação de que a cerimônia se transferiu para um lugar onde a elite estava fazendo seus casamentos, que Miyo trocou de roupa mais duas vezes etc.  Ela também mostra os companheiros de Kiyoka conseguindo chegar à festa e os cumprimentos sem fim de familiares e amigos.  Acredito que a ideia da autora era mostrar o quanto esse tipo de tradição é cansativa.

E temos a felicidade melancólica de Hazuki.  E eu vou repetir: eu odeio o Ookaito, aquele homem incapaz de manter a coluna ereta diante de seus pais.  Ele é a culpa da infelicidade de Hazuki e não acho que a autora vá fazer nada a respeito disso.  E temos Kouji.  Ele chama Miyo pelo nome e rapidamente se corrige para chamá-la de Sr.ª Kudou.  Queria que a autora fosse flexível aqui e colocasse Miyo dizendo que ele poderia continuar a chamá-la pelo nome.  E Kouji lhe entrega a carta de Kaya.  E vamos para o capítulo cinco.

A autora abre com Miyo tomando banho sozinha depois de um dia desgastante.  Ela pensa na carta de Kaya, que ela ainda não leu.  Kiyoka já havia tomado banho e estava sentado tomando chá e tentando ler um livro.  A autora não especifica se é o quarto dele, se o quarto será do casal.  Aqui, a autora esquece de descrever.  Miyo explica que a carta é de Kaya e pergunta se ela pode ler o que está escrito.  Aqui, atenção, é ler antes que eles possam consumar o casamento, porque a primeira parte do livro, vocês lembram, é toda de tensão sexual e desejo reprimido.  Kiyoka não faz objeções.  Sendo bem sincera?  A carta não acrescenta nada.  É Kaya fingindo que está bem, mesmo submetida a uma dura disciplina na casa de uma família nobre.  E ao fingir que está bem, ela se coloca acima de Miyo, mesmo supostamente reconhecendo que errou.  

Por outro lado, temos Miyo reconhecendo a tenacidade da irmã e que ela tem a visão (*spirit sight*) e que ela se esforçou para dominar essa competência. Aqui, uma explicação.  Lá no primeiro livro, a autora apresentou a visão como o mais básico dos dons; com o passar dos livros, ela mudou de ideia e separou a coisa.  Visão não é dom, mas um poder que é indício de que você pode ter um dom.  Ao longo dos livros, então, ela separou visão, dons e habilidades mágicas.  Há gente que não tem o dom e faz mágica, porque treinou e treinou.  Kazushi, irmão de Kouji, tem o dom e é muito competente em magia.  Miyo acredita que a irmã pode mudar para melhor.  Kiyoka diz que ela é jovem e que é possível, além de acrescentar que Miyo acredita nisso porque ela mesma mudou.  E Miyo diz que ela mudou, também.

Enfim, essa parte inútil da carta termina porque, sinceramente, eu não quero saber de Kaya; Kiyoka começa a tomar a iniciativa.  Ele primeiro quer ser chamado de "darling".  Estou lendo em inglês, queria saber quais termos são usados em japonês.  Miyo o chama pelo nome.  Ele recusa.  Ela o chama de "dear". Ele diz que não está bom. Miyo o chama de "my love". Ele não aceita.  Ela, finalmente, se refere a ele como "darling".  E ele a beija e é um beijo longo e diferente de todos os outros.  A autora não vai dar  detalhes, mas ele pergunta se a esposa não odiou o beijo.  Ela diz que não odiou.  Ele, então, a toma nos braços e o que segue é o seguinte:

“Vamos levar isso para outro lugar.” [Diz Kiyoka.] Era difícil para ela compreender o significado das palavras dele. Miyo simplesmente envolveu os braços no pescoço de Kiyoka e se agarrou a ele com força. A luz se apagou. A primeira noite de casados. Um tempo passado em doce felicidade, envoltos em uma penumbra tênue e no brilho da lua cheia da primavera.

Não esperava que a autora detalhasse nada.  Watashi no Shiawase na Kekkon não é sobre sentimentos ardentes, não é material picante, mas eu ficaria mais feliz com um pouco mais de ternura, com algo que não parecesse filme norte-americano sob o Código Hays.    Ficou evidente que, para a autora, o ápice foi a cerimônia de casamento, o ato público, não Kiyoka e Miyo finalmente se unindo e consumando seu casamento.  Escolhas.  Mas eu olhei o livro #9 e procurei Miyo chamando Kiyoka de "darling".  Não achei.  Não encontrei nenhum beijo entre os dois e eles estão em lua de mel.  Não estou pedindo que a autora faça nada de cunho erótico; eu só queria mais afeto e sentimento quando os dois estivessem sozinhos.  Nesse aspecto, tanto o anime quanto o mangá (*se ele chegar lá*) poderão melhorar.

Temos um salto de dias e Kiyoka está de volta ao trabalho.  Pelo que vi no final desse livro, ele não vai largar o emprego.  Miyo passa os dias sozinha com Yurie e decide levar almoço para o marido.  A autora retoma o amuleto que Kiyoka lhe deu lá atrás.  Ela diz que o rapaz foi reforçando o objeto de forma que ele era bem superior ao modelo do primeiro livro.  Miyo está com ele.  Ao chegar ao trabalho de Kiyoka, quem está por lá é Kouji, que, mais uma vez, se obriga a chamá-la de Sr.ª Kudou, e Kimio.  A jovem trata Miyo como se ainda fosse uma Saimori e se corrige, chamando-a  de Sr.ª Kudou.  E ela se desculpa com frieza na voz e tenta matar Miyo com um punhal.

Kiyoka se desespera, mas o amuleto a salva.  Kimio é descrita finalmente como alguém consumida pela tristeza e pela inveja.  Por qual motivo direcionar tanto ódio contra Miyo é de se questionar.  Nem dizer que ela queria Kiyoka por ser gentil... porque ele é gentil com Miyo, não com qualquer mulher ou com Kimio.  Ela é dominada por Goudou e começa a gritar "Por que Miss Saimori tem tudo?"  "Eu me esforcei tanto para agradar minha sogra e meu marido e acabei sendo maltratada."  Miyo fica em silêncio e Kiyoka diz que tinha se oferecido para encaminhá-la às autoridades por causa dos maus-tratos e que ela decidiu seguir outro rumo.  Aparentemente, é o fim para ela.  Já Kiyoka, se declara para Miyo e diz que se a perdesse, ele desistiria de viver.  Na confusão, Yurie passa mal e Godou termina passando em revista os últimos acontecimentos e se perguntando se, um dia, encontraria um amor como Kiyoka encontrou.

O epílogo mostra Kiyoka e Miyo no parque na hora do almoço dele.  Ele está dormindo com a cabeça no colo de Miyo; ela precisa acordá-lo para que ele volte para a sessão.  Repito que não acredito que ele largue o emprego. Miyo o chama de "darling".  E Kiyoka beija Miyo em público e ela fica consumida de vergonha.  É um beijo rápido e casto, mas é o tipo de demonstração pública que não é comum no Japão, ainda mais em uma Era Taisho de fantasia.

É isso.  Não sei quanto desse livro estará nos três episódios.  Há material para fazer mais do que uma temporada tão curta, mas, vamos combinar, não há necessidade de esticar as coisas.  Não acredito que o anime tenha continuidade, mas ainda me surpreende que um segundo filme live action não tenha sido lançado ainda.  Continuo mantendo que o primeiro livro é o melhor de todos, uma obra que poderia se fechar nela mesma.  Gosto de acompanhar a história de Kiyoka e Miyo, torço por outras personagens, mas a autora às vezes deixa um pouco a desejar.  Para quem quiser, o mangá está sendo publicado pela Panini.  Ele é muito bom, mas vai caminhando devagarinho mesmo.

P.S.: Dia 25 é o segundo turno da eleição presidencial.  Sei que a estreia nada tem a ver com isso, mas é uma data infeliz de qualquer forma.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

RIP Masako Watanabe: uma das grandes autoras de shoujo mangá brilhará na eternidade

A conta oficial de Masako Watanabe no Twitter publicou hoje a notícia do falecimento da manga-ká aos 97 anos em 3 de outubro.  Mesmo em tão avançada idade, ela continuava trabalhando e deixou uma carta de despedida.  Watanabe agradece aos fãs e às suas duas enfermeiras, aos seus colegas de trabalho, aos irmãos mais novos e a toda a sua família.  E há um trecho que eu gostaria de destacar: "Sou muito grata pela abundância de amor que me cercou.  Minha vida, "Vivendo com Mangá", foi curta, mas em meu coração, inúmeras lembranças brilham intensamente como tesouros.  Partirei um pouco mais cedo do que o planejado. Do outro lado, muitas pessoas importantes me aguardam.  E espero rever meu marido depois de tanto tempo.  A foto de Paris que visitei há algum tempo sempre esteve na minha mesa.  Quando se sentir sozinho, imagine que estou em Paris. Até breve!".

Watanabe estreou em 1952. Em seguida, passou a ilustrar revistas para meninas e, a partir de 1957, tornou-se uma artista de mangá popular com sua primeira série, Yamabiko Shojo (山びこ少女), que retratava duas irmãs gêmeas separadas ao nascer e foi publicada na revista Shoujo Book entre 1957 e 1959.  Outra das suas primeiras séries de grande sucesso foi Midori no Shinju (みどりの真珠), publicada na Shoujo Book entre 1958 e 1960. Mais tarde, aventurou-se nos mangás josei e é considerada uma mestra do terror, do romance e do mistério. 

Em 1971, ganhou o Prêmio Shogakukan de Mangá por Glass no Shiro (ガラスの城), uma história sobre duas irmãs com personalidades contrastantes ambientada na Inglaterra.  Ela também criou muitas obras de terror que agradaram também ao público adulto. Outras obras notáveis ​​incluem Saint Rosalind (聖ロザリンド) e Kinpeibai (金瓶梅).  Ela recebeu o Prêmio do Ministro da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia da Associação de Cartunistas do Japão em 2002 e a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro com Roseta, em 2006.  Acredito que nunca fizeram anime de alguma obra da autora.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Queda nos relacionamentos: japoneses mais jovens nunca tiveram um relacionamento. (Artigo traduzido)

A Pesquisa Nacional de Fecundidade do Japão é um estudo periódico realizado a cada cinco anos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e de Segurança Social (IPSS) para examinar as tendências do casamento, da natalidade e das atitudes sociais subjacentes no Japão.  O artigo do site Nippon destacou que há cada vez menos japoneses, especialmente jovens, sem nenhuma experiência afetiva e/ou sexual com pessoas do outro sexo.  Isso em um país com quedas de natalidade que  acumulam recordes é uma tragédia.  Eu traduzi o artigo do Nippon que se chama Dating Decline: More Young Japanese Have Never Been in a Relationship.  Mantive a estrutura do artigo original, que pode ser acessado clicando no link.

Queda nos relacionamentos: japoneses mais jovens nunca tiveram um relacionamento.

Uma pesquisa do governo japonês revelou que o número de jovens sem experiência romântica continua a aumentar.

Muitos jovens japoneses inexperientes no amor

Um número crescente de jovens no Japão desconhece os assuntos do coração. É o que revela a Pesquisa Nacional de Fertilidade do Japão, conduzida pelo Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e de Seguridade Social em junho de 2025. A pesquisa questionou pessoas solteiras sobre suas experiências amorosas com pessoas do sexo oposto. Mais da metade dos entrevistados com 18 ou 19 anos afirmou nunca ter tido um relacionamento, enquanto entre os jovens de 20 a 34 anos, a porcentagem foi de cerca de 30% para mulheres e quase 40% para homens.

A porcentagem de mulheres sem experiência sexual diminuiu da década de 1990 até o início dos anos 2000, antes de voltar a subir a partir de 2005. De acordo com a pesquisa de 2025, 55,1% das mulheres entre 20 e 24 anos, 42,1% entre 25 e 29 anos e 39,7% entre 30 e 34 anos não tinham experiência sexual. A porcentagem de homens sem experiência sexual também vem aumentando desde 2005, chegando a mais de 40% em 2025 para homens entre 25 e 29 anos e entre 30 e 34 anos.

A porcentagem de entrevistados que não têm um relacionamento com alguém do sexo oposto — seja como amigo, parceiro romântico ou noivo/noiva — tem aumentado. Em 2025, 65,4% das mulheres e 74,0% dos homens não tinham nenhum relacionamento desse tipo. Um em cada três homens e mulheres também indicou não ter interesse em ter um relacionamento com alguém do sexo oposto.

A Pesquisa Nacional de Fertilidade é realizada a cada cinco anos para avaliar as atitudes em relação ao casamento e à maternidade/paternidade. A pesquisa de 2025 abrangeu 15.811 pessoas solteiras (taxa de resposta válida de 42,7%) e 10.489 casais (47,9%). Este artigo analisa dados selecionados da pesquisa direcionada a pessoas solteiras.

Fontes de dados

Pesquisa Nacional de Fertilidade (em japonês) do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar

Aqui, é a Valéria voltando.  Procurando informações sobre essa pesquisa, encontrei outra parte dela que não está no artigo, que é a que fala sobre o casamento, que implica na formação de uma unidade familiar e, em um país como o Japão, a criação de uma estrutura na qual ter filhos seria aceitável.  E, bem, os resultados do levantamento foram péssimos, também.

Pela primeira vez, a porcentagem de entrevistados solteiros de 18 a 34 anos que pretendem se casar caiu abaixo de 80%, chegando a 75,1% para os homens (contra 81,4%) e 77,8% para as mulheres (contra 84,3%).  Ainda é alto, eu diria, mas os dados não param por aí.  A proporção de jovens de 18 a 34 anos sem intenção de se casar ultrapassou 20% para ambos os sexos (24% para os homens e 21,5% para as mulheres), marcando um recorde histórico.  Um número recorde — 42,8% dos homens e 36,0% das mulheres de 18 a 34 anos — afirmou não ver benefícios no casamento.  Pelo jeito, o problema de natalidade continuará se agravando.