quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Para quem quiser ouvir o Shoujocast


Lá em 2009, eu decidi criar um podcast.  Começou de forma bem precária.  Aí, o amigo Anderson sugeriu um nome "Shoujocast".  Vieram companheiras, a Lina Inverse, depois a Tanko e, por fim, a Tabby e, bem, fizemos 52 programas.  Pouco, eu sei, mas as agendas desencontraram.  Sempre penso em voltar, mas ainda não houve como.  Bem, eu queria disponibilizar os programas, mas descobri que não tinha todos. Perguntei se a Lina tinha.  Ela organizou tudinho e disponibilizou para download (*AQUI*).  Tudinho, não, faltou o programa 52, então, coloquei no Youtube.



Eu parei para escutar um dos meus programas favoritos o duplo sobre Orgulho & Preconceito e foi um prazer muito grande ouvir a voz das amigas queridas e da convidada especial, a Adriana Salles.  Que conversa legal foi aquela.  Enfim, se você quiser relembrar, ou conhecer o Shoujocast, esta é a oportunidade.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Comentando Valérian e a Cidade dos Mil Planetas (França, 2017)


Sexta-feira passada, fui com meu marido assistir Valérian e a Cidade dos Mil Planetas (Valérian et la Cité des mille planètes), produção francesa falada em inglês e baseada nos quadrinhos Valérian and Laureline, de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières.  Gostei.  O filme funcionou em quase todos os aspectos.  É uma boa ficção científica, passa uma mensagem otimista em relação ao futuro da humanidade, tem ação, sem se focar somente nas cenas de correria, algum romance, e, bem, você consegue ver exatamente onde cada um dos 200 milhões de euros foi gasto.  Os defeitos, sim, existem alguns, não conseguem diminuir o espetáculo e o prazer em assistir ao filme.

Em 2740, Valérian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são dois agentes espaço-temporais à serviço do Governo dos Territórios Humanos. Enquanto se dirigem para uma missão em um planeta no qual existe um Grande Mercado turístico, Valérian acaba sendo recebendo uma mensagem vinda do planeta Mül, que havia sido destruído fazia 30 anos.  Curiosamente, a missão de Valérian e Laureline é recuperar um animal valiosíssimo chamado conversor Mül, capaz de replicar qualquer  coisa.  Ele seria o último de sua espécie.

Alpha no seu auge.
Cumprida a missão, eles se dirigem para Alpha, uma evolução da estação espacial internacional que, no passado, orbitara o nosso planeta.  Agora, o lugar, a tal cidade dos mil planetas do título, abriga mais de 17 milhões de pessoas de todos os cantos do universo e cerca de 800 espécies diferentes.  Em Alpha, eles precisam investigar o motivo de uma área da estação ter se tornado radioativa.  O comandante da estação, Arün Filitt (Clive Owen) guarda um terrível segredo e para mantê-lo será capaz de qualquer coisa, inclusive matar os heróis do filme.

O filme de Luc Besson abre com uma belíssima sequência ao som de Space oddity, de David Bowie.  Enquanto a música toca, podemos observar a estação internacional evoluindo e se tornando a cidade dos mil planetas.  Primeiro, americanos e soviéticos se cumprimentam, outros terrestres, chineses, indianos, vão se juntando aos que estão na estação.  A estrutura cresce, se sofistica, aparecem várias raças extraterrestres até que a estação se torna grande demais para orbitar nosso planeta e é lançada no espaço profundo.  Temos um curta metragem redondinho e que nunca, jamais acontecerá, porque, bem, nós, humanos, vamos nos destruir antes.  Depois da música, ou no final dela, o discurso do presidente terrestre encarnado por Rutger Hauer, que me pareceu muito bem com seus 70 e poucos anos.  Da última vez que o vi, ele parecia meio destruído.

Todos são militares no filme.
O futuro de Valérian e Laureline foi forjado em 1967 e é quase contemporâneo ao de Jornada nas Estrelas (Star Trek).  Curiosamente, eles têm em comum o otimismo em relação ao futuro da humanidade.  Conseguiríamos não destruir nosso planeta, nos civilizar, travar contato com outras espécies e nortear de alguma forma esse conglomerado de povos que habitam a tal estação.  O segredo do vilão, que não quer dominar o universo, e poderia ser comparado a líderes de nosso planeta hoje, tem a ver com manter essa hegemonia – aparentemente moral – dos humanos nesse arranjo inter-racial.  Ele cometeu um crime de guerra, que pode se desdobrar em sanções para todos os humanos.  Em Valérian, temos um vilão possível e coerente, não um louco insano.

O tal planeta Mül era pacífico, ainda que tecnologicamente atrasado, mas não foi poupado pelo vilão.  Um efeito colateral de uma batalha, destruiu toda uma civilização. Por qual motivo se preocupar com eles?  A guerra é mais importante, vencê-la significa mais.  Quantas vezes vilas, hospitais, escolas são atingidas em ações militares desastradas ou que, bem, não se importam com as baixas civis?  Quem nunca ouviu falar de corporações que poluem rios, destroem florestas, está Mariana aí para ilustrar, sem grandes problemas de consciência, ainda que tenham destruído o ganha pão, ou mesmo a vida das pessoas?  Em certos casos, os reais motivos são escondidos, diminuídos.  É de algo assim que Valérian e a Cidade dos Mil Planetas trata.

Os Mül
Em termos de efeitos visuais, Valérian é brilhante.  A sequência mais elaborada é a do Grande Mercado, quando a ação se dá em vários planos dimensionais, no entanto, a estação, o planeta Mül, tudo foi muito bem apresentado.  Os recursos tecnológicos foram explorados ao máximo e, como pontuei no primeiro parágrafo, nem um euro foi desperdiçado.  O visual, no entanto, está à serviço da história e ela funciona quase que o tempo inteiro.  O que, afinal, incomodou tantos críticos, especialmente, quando temos tanta complacência com filmes que se valem somente da tecnologia e não contam uma história decente?  Será que o fato de não ser uma produção americana pesou?

Li que o filme não tem roteiro.  Ele tem, sim e muito bem estruturado.  Agora, se a idéia era ter um super-vilão, lamento, o que temos é um militar e político capaz de tudo.  Talvez, com a eliminação de um miolo desnecessário, feito para promover Rihanna, que interpreta a extraterrestre Bubble, o filme ficasse mais redondinho, só que os vinte minutos não destroem o filme e ainda temos a sequência com Laureline e seu imenso chapéu indo servir laranjas, ou limões (*era o que ela pensava*) para o líder de um dos povos que habitava a estação. Por essa sequência até dá para quase perdoar a quebra de ritmo que o filme teve.  

Valérian ama Laureline, mas será que ela está interessada?
A dinâmica entre Valérian e Laureline é boa, mas meu marido ficou pontuando que a relação dos dois estava menos parecida com a dos quadrinhos e muito mais pautada no desenho animados.  Valérian nos quadrinhos não é mulherengo, nem fica de birras com Laureline.  Aliás, o objetivo maior do Valérian do filme é casar com a parceira.  O resto é detalhe.  Laureline, entretanto, apesar de se preocupar com Valérian, gostar dele, mantém melhor o foco na missão e dá uma memorável surra no vilão já no final da película.  Sabe, depois de tudo que o monstro fez, foi muito bem feito.  

Algo a se pontuar, é que o filme não é uma adaptação de um dos álbuns, ou mesmo dos quadrinhos, mas um apanhado de elementos que compõe a série.  Há extraterrestres, referências do universo das personagens que ajudam a compor o filme.  Algumas mudanças, porém, incomodaram e se eu não visse tantas qualidades no filme, elas seriam fatais, porque repercutem especialmente na forma como as mulheres são representadas.

O herói.
Primeira coisa, Valérian e Laureline são agentes espaço-temporais, não militares.  A militarização da agência me pareceu algo estranho e desnecessário.  Segunda coisa, Laureline e Valérian estão no mesmo nível, ele é mais experiente, mas ele não é major e ela sargento.  Aliás, nem se tocou na origem de Laureline, ela veio do século XI para o século XXVIII e conseguiu, com sua inteligência e talentos, se inserir muito bem no futuro.  O filme estabeleceu uma hierarquia inexistente entre as protagonistas, inclusive omitindo Laureline do título.  Feio isso, não é?  Será que pensaram que iria espantar a audiência?  Mas não terminou ainda.

Todas as mulheres militares ocupam postos subalternos.  Usando minissaias, me lembraram, inclusive, as ordenanças de Jornada nas Estrelas, ou as tenentes bonitinhas da ponte de Macross.  Não é assim no quadrinho.  Todos os que comandam, ou tem patente mais alta são homens: o presidente (Rutger Hauer), o general Okto Bar (Sam Spruell), o ministro da defesa (Herbie Hancock), o lindinho do Capitão Neza (Kris Wu), o major Valérian, o vilão comandante Arün Filitt (Clive Owen) e por aí vai.  Parece que somente Laureline foge do estereótipo da ordenança decorativa.  Nesse aspecto, esperava muito mais do filme.  Aliás, esse tipo de arranjo parece tão ultrapassado quanto os quepes horríveis usados pelos militares, me lembraram os da Coreia do Norte e não estou brincando.

Um dos posteres do filme.
De resto, o povo Mül lembrava um tanto os de Avatar.  A relação do vilão com a espécie considerada primitiva era muito parecida com a do filme de James Cameron, também.  Só que o povo Mül com sua gentileza, perseverança e coragem conseguiu ganhar meu coração.  Em tempos violentos, eles foram apresentados como sendo capazes de perdoar, sem esquecer, dando exemplo de um futuro muito melhor que o nosso presente, ainda que personagens como Filitt, o vilão, estejam lá para nos lembrar da nossa Terra atual.  Ah, sim!  Se o filme cumpre a Bechdel Rule é por conta dos Mül e da interação das extraterrestres entre si e com Laureline.

Agora, uma questão, muito se tem falado das influências do quadrinho Valérian e Laureline em Guerra nas Estrelas.  Folheando os álbuns, há alguns aqui em casa, e pegando o verbete em francês da Wikipedia sobre a série, é citado que a nave de Valérian pode ter servido de inspiração para a Millenium Falcon.  Há, também, uma sequência na qual Valérian parece ter sido congelado em carbonite.  Bem, George Lucas pode ter usado Valérian como uma das suas referências? Sem dúvida, só que Guerra nas Estrelas foi para o cinema primeiro.

Valérian e Laureline no quadrinho.
O que eu quero dizer é que o filme Valérian - não os quadrinhos - pode ter sofrido influência da franquia Guerra nas Estrelas, porque a marca é forte e chegou antes aos cinemas.  O fato é que duas pessoas podem ter a mesma idéia, a referências circulam e são apropriadas de diferentes maneiras.   Isso não é sinônimo de plágio, tampouco de falta de imaginação.  Nem sempre é caso de tomar como referência, mas compartilhar o mesmo imaginário de uma determinada época, como o tal otimismo, esperança no futuro,que permeava parte considerável da  ficção científica dos anos 1960.  

Terminando, não sei se depois do fiasco nos EUA, Valérian irá ter uma continuação.  Uma pena, porque há muito o que explorar, especialmente, no aspecto viagem temporal, algo negligenciado nesse filme.  De qualquer forma, é um produto muito bem feito e que merece ser assistido.  Sério, a maioria das críticas ao filme me pareceram desproporcionais, especialmente, quando há tanta tolerância com Dunkirk, Doutor Estranho, Guerra Civil, o Estranho que Nós Amamos.  Veria de novo o filme e vou comprar o Blu-ray quando sair.


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Diretor de Shoujo Kakumei Utena planeja outro anime


O Sora News anunciou que o enlouquecido do Kunihiko Ikuhara, o diretor de Shoujo Kakumei Utena  (少女革命ウテナ), na verdade, ele é mais que isso, é co-criador, e outros animes interessantes, está preparando um novo anime.  A notícia partiu do Estúdio MAPPA, o mesmo de Yuri!!! on ICE (ユーリ!!! on ICE), que será o responsável pelo projeto e está recrutando profissionais até o dia 15 de setembro.  O contrato é de um ano, com dois meses de período de experiência.  Há mais detalhes no SN.

Ikuhara é um artista de muitos talentos, ele escreve mangá, também.  Seus últimos dois trabalhos como diretor foram Mawaru Penguindrum (輪るピングドラム), em 2011, e Yurikuma Arashi (ユリ熊嵐), em 2015.  Como estamos comemorando os vinte anos de Utena, o anime, de repente, seja algo relacionado a série.  O problema é que com o passar dos anos, Ikuhara parece produzir umas séries mais surreais, enfim, vamos esperar.

Primeiro trailer do filme de Ichirei Shite, Kiss


Comentei no blog que Ichirei Shite, Kiss (一礼して、キス),  de Yakko Kaga, iria para o cinema.  A estréia é em 11 de novembro de 2017, então, outro trailer deve sair no futuro.  O mangá, que foi publicado na Betsucomi, gira em torno de um clube de arco e flecha e do romance entre  a presidente do clube, insatisfeita com seu próprio desempenho, e seu kouhai, que se apaixona primeiro e toma a iniciativa.  


Salvo esse protagonismo masculino em iniciar o romance, algo mais que batido, é curioso que a mocinha da história seja mais velha, não é algo comum.  Fora isso, achei o trailer com uns beijos assim bem quentes para o padrão de coisas japonesas que já vi.  E as imagens, a elegância do arco e flecha deram um sabor especial aos poucos segundo do teaser-trailer.  Para quem quiser, o site do filme é este aqui.  Tem alguns scanlations da série.  As informações são do Comic Natalie.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Campanha pela inclusão de D. Leopoldina no Livro dos Heróis da Pátria

Dona Leopoldina presidindo sessão do
Conselho de Estado, por Georgina de Albuquerque.
Não sou monarquista, nem sou pessoa interessada em caçar heróis e heroínas para venerar, mas acho que é válido divulgar essa campanha.  Enfim, existe uma coisa, aqui, em Brasília, chamada Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves.  Fica na Esplanada dos Ministérios e serve de memorial para cidadãos que se destacaram por seu civismo, ou serviço prestado ao país, resumindo, os tais "heróis e heroínas da pátria".  Dentro do Panteão está o chamado  "Livro de Aço", vulgo "Livro dos Heróis da Pátria".  O número dos que tem seus nomes inscritos no tal livro são poucos e, claro, mulheres praticamente nenhuma.  O engraçado é que procurando, achei listas divergentes em relação a elas.  Em todas as listas, somente o nome da patrona (*porque matrona quer dizer outra coisa*) da enfermagem brasileira, Anna Nery, aparece sempre.  Há listas (*Ex.: 1 e 2*) que tem Anita Garibaldi, outras onde ela não está.  Achei uma com Zuzu Angel (!!!), a estilista que lutou com sua arte e sacrificou a vida, porque foi assassinada, para encontrar o filho, preso e morto pela ditadura militar, mas acredito estar errada, embora ela merecesse.  Enfim, o fato é que D. Leopoldina não está lá.  É certeza.

O tal livro.
Leopoldina, princesa austríaca que casou-se com D. Pedro antes que ele fosse imperador, teve papel preponderante no processo de nossa independência e foi a primeira mulher a governar o Brasil, ainda Reino Unido e já independente, quando na ausência do marido. Por seu papel destacado em todos os acontecimentos que conduziram a nossa ruptura com a metrópole, ela merece um lugar no livrinho VIP dos heróis e heroínas da Pátria.  E, não, não estou dizendo que sem ela, ou sem D. Pedro, não haveria independência.  Haveria, mas seria outro processo, outro Brasil, ou brasis a surgirem.  Daí, é relevante incluí-la, porque há uns homens nessa listinha que nada de muito relevante fizeram, mas estão lá, e várias mulheres que mereciam, não estão.  Maria Quitéria, por exemplo, se quisermos manter a coisa naquela definição mais básica de heroísmo pátrio, a moça que vestiu-se de homem para lutar por nossa independência, nossa Mulan, por assim dizer, não está.  

Dona Leopoldina e sporophila beltoni por
Natterer Walmor Corrêa, 2016. Col. do artista
Bem, espero que esse post não seja percebido como uma patriotada tola, mas se você quiser votar, clique nesse link.  Vai cair direto no "sim", mas você pode mudar o voto para "não", se desejar.  E, sim, eu aprecio muito Leopoldina e acho que D. Pedro não a merecia, ou melhor, ela não merecia ter sido dada em casamento para ele.  Mas arranjos dinásticos, são arranjos dinásticos, e ela, na medida do possível, cumpriu seu papel com toda a dignidade.

domingo, 13 de agosto de 2017

Coisas que vimos no Sábado: Shounen Mangá, Quadrinho Polêmico de GOT, Adaptação da Globo para Orgulho e Preconceito e novela Essas Mulheres


Foi um dia meio tenso por aqui, tinha que terminar de arrumar um artigo para publicação e Júlia estava com sono, sem querer dormir e enjoando por horas e horas.  Daí, fiquei mais foi vendo bobagens mesmo, quer dizer, nem tudo era bobagem, mas vamos lá, juntando tudo em um post só.  

Capa comemorativa da Shounen Sunday
1. Mil capítulos de Detetive Conan  (名探偵コナン Meitantei Konan).  Uma das séries mais amadas do Japão chegou ao seu milésimo capítulo.  É muito, muito mesmo.  A série tem 93 ou 94 volumes lançados.  Uma amiga falou "Ah, competindo com Ouke no Monshou (王家の紋章) e Eroica (エロイカより愛をこめて)!".  Bem, Eroica terminou, seria melhor usar Glass Mask  (ガラスの仮面展).  De qualquer forma, esses três mangás que citei estão longe dos 90 volumes e começaram em 1975.  Conan circula somente desde 1994, só que semanalmente. Pergunto-me se Gosho Aoyama colocou a série em hiato alguma vez.  E, bem, tem o anime que já está chegando nos 1000 episódios, também.  É um fenômeno e eu até gostaria de ler alguma coisa dessa série. Gosto de histórias de detetive.

Jojo na Betsuma.  Qual o motivo?
2.  Capa da Betsuma com JoJo Bizarre Adventure (ジョジョの奇妙な冒険).  Eu entendo nada de JoJo, nada mesmo, mas é muito comum crossovers e ações comemorativas entre as revistas japonesas da mesma editora, neste caso, a Shueisha, e, em alguns casos, até de outras editoras.  Daí, não entendi bem o post do Comic Natalie, mas deve ser algo do gênero.  Se alguém quiser me ajudar a entender, obrigada.

Dragões: OK
3. Game of Thrones não é Idade Média.  Tudo começou com um quadrinho inspiradíssimo da artista  Kasia Babis sobre GOT.  Não vejo a série, não irei assisti-la mesmo, mas acompanho resumos e sei basicamente por onde ela caminha, até torço por personagens, para vocês verem.  Até pensei em fazer um post, lembrem que sou medievalista (*aposentada*) e sempre que vem esse papo de "é ruim, é medieval", eu fico furiosa.  O fato é que as pessoas confundem, quando lhes convém, ficção com história, como se seu seriado e/ou livro favorito fosse, ou tivesse que ser, rigorosamente factual.  Nem Os Reis Malditos, aquele monumental romance histórico (*não fantasia, nem História alternativa*) de Maurice Druon, deixou de inventar e preencher lacunas.  E que delícia de se ler!

Grandes Explosões: Isso aí!
O fato é que de muito tempo vejo o pessoal reclamando, mulheres, em sua maioria, daqui e dos EUA, de como certos sujeitos louvam a violência da série, como se a Idade Média (*cerca de 1000 anos, um monte de lugares com características diferentes e por aí vai*) fosse o paraíso dos estupradores e da violência em geral contra as mulheres.  Até já falei disso em um post anterior, que nem era de GOT.  Daí, as mulheres poderosas de GOT seriam uma coisa absurda, mas os dragões, os zumbis, a magia em geral, enfim, não seriam um problema para a audiência masculina.  Sim, eles são os que mais reclamam.  O que quero dizer é que GOT pode beber na Idade Média, mas é fantasia.  O que temos na série é o que chamamos de "medievalidade", elementos, inspiração, vindos daquilo que chamamos de período medieval, só para constar, difere a depender da historiografia do país.  Por exemplo, A Guerra das Duas Rosas (1455-1487), uma das ditas principais fontes de inspiração de GOT, para a cronologia tradicional usada no Brasil, nem é mais Idade Média, e olha que, para britânicos e americanos, o período segue até o século XVII. 
Zumbis: Maneiro
 Por ser uma série, ficção, portanto, vale dragão, vale zumbi, bruxas poderosas, vale mulheres guerreiras aos montes, se os autores desejarem, e mesmo estupros de montão.  Nada disso é Idade Média, simplesmente, é o universo da série, um dos seus pontos mais fortes e elogiados, aliás.  Agora, essa imagem distorcida, que, infelizmente, tem espaço cativo nas falas progressistas, dentre elas a de muitas feministas, tende a se confrontar com a outra, que é muito cara aos conservadores, de que era um período de grande fervor religioso e altos valores morais.  Houve mulheres poderosas na Idade Média, e a maioria delas não foram guerreiras em armadura, diga-se de passagem, e elas são estudadas e precisam ser lembradas.   Procure informações sobre Eleanor da Aquitânia, ou sua neta Branca de Castela, ou as rainhas do período da terrível Guerra das Duas Rosas, já citada, poderia fazer uma lista robusta de intelectuais, místicas, guerreiras, rainhas etc. em poucos minutos.
Magia: Legal
Mas eis que eu repostei o quadrinho no Twitter e ele foi republicado por um montão de gente.  Pessoas que não conheço e, claro, foi parar na TL de gente que jamais me seguiria e que eu jamais acompanharia.  Logo de manhã, havia um Twitt para mim de um babaca dizendo em linhas gerais que mulher poderosa não existe, que se prostituir - ele citou Cleópatra, a reduziu a isso - não dava poder para ninguém, ou não era algo do que se orgulhar.  Uma rainha em seu próprio nome, estrategista, co-governante com Marco Antônio, mas ela era só isso, uma prostituta que agradou aos romanos para esse cara.  Depois vieram dois moços  dizer - os reclamões e os que repassam, ou param para questionar o quadrinho são sempre homens - que nunca tinham visto ninguém criticar as mulheres  fortes da série, e eu acrescentaria justificar a exploração da violência sexual "porque era assim na Idade Média" (*Não era, meninos, não era, podia dar ruim a depender de quem estuprava e de quem era estuprado*).  A artista inspiradíssima é doida, portanto.  Mas não foram muitos, ainda bem, e não fiquei respondendo, porque, bem, melhor escrever um post mesmo.

Mulheres em posição de Poder: Quêêêêê?  Como?
Não é realista.  Historicamente impreciso.  Impossível!
Só digo uma coisa, o quadrinho é certeiro e eu larguei GOT logo no início, porque logo de início vi objetificação das mulheres, uso do estupro como atrativo e a falta de um poder religioso regulador.  Porque, bem, quer brincar, brinque direito.  Se é Idade Média, Europa, vamos colocar uma instituição religiosa poderosa para tentar regular esse povo.  Acredito que até apareceu alguma coisa depois, mas tardiamente, e não alterou muita coisa no todo.  E, vejam, não estou criticando quem gosta da série, a série em si, só estou escrevendo isso tudo, porque o quadrinho acabou rendendo.  De resto, gosto muito do Tyrion, mas não veria a série por ele.  Quero ver se o Jon Snow e a Daenerys vão se entender.  E, fora o estupro inventado na temporada passada, acho a Sansa uma personagem das mais coerentes.  Há muitas formas de mostrar força e exercer o poder, nesse caso, a inspiração pode continuar sendo a Idade Média.

Igor Rickli é interessante, mas não vejo Darcy nele, não.
4.  Pessoal escolhendo elenco da novela da Globo inspirada em Orgulho & Preconceito.  Para quem se interessar, uma moça começou a fazer uma escalação dos sonhos para a novela inspirada em Orgulho & Preconceito que a Globo parece que irá fazer.  Eu acho que muitas sugestões são absolutamente inapropriadas, pela idade dos atores e atrizes, especialmente, mas há algumas são até interessantes.  Eu manteria o Sr. e a Sr.ª Bennet, mas parece que já saiu que Vera Holtz será a mamãe das meninas em Orgulho & Paixão, o título nacional.  Não é uma má escolha, ela é uma atriz espetacular, seja na comédia, ou no drama.  Outra que está no elenco é Carolina Ferraz. Eu prefiro esperar para ver no que dá, mas o pessoal não pode contar que todas as personagens estarão representadas, vão inventar muitos outros papéis, também. Pensem na versão indiana de Orgulho & Preconceito, Bride & Prejudice.  Lady Catherine De Bourgh virou mãe de Darcy.  De resto, não consigo pensar em nenhum Mr. Darcy em particular, mas acredito que se derem para o Mateus Solano, ele arrasa.  Se ele for o Mr. Collins, ele também arrasa.

Cartaz da novela.  A Record nunca reexibiu completa.
5. Fui fisgada por Essas Mulheres e não consegui parar de assistir no Youtube.  Fiquei assistindo um monte de pedaços de Essas Mulheres.  Não sei por qual motivo, comecei a ver uns fragmentos dessa novela da Record inspirada em três romances de José de Alencar, Senhora, Lucíola e Diva, mas que não seguiu nenhum de forma muito ortodoxa, afinal, nem as novelas bíblicas deles seguem a Bíblia...  As três protagonistas escaladas são excelentes atrizes e lindas: Christine Fernandes (Aurélia), Carla Regina ou Cabral, ela mudou de nome (Lúcia/Maria da Glória) e Mirian Freeland (Emília/Mila).  Cada uma tinha suas angústias, amores, obstáculos a vencer, Mila inclusive era um tanto feminista, se veste de homem para sair escondida e enfrentou mil obstáculos para ter uma profissão e viver seu amor com o médico negro Augusto (Alexandre Moreno), mas o eixo central era o romance Senhora, ou o que sobrou dele.

Mila e seu amor impossível.
Senhora é meu romance favorito de José de Alencar, um dos meus favoritos da literatura brasileira, diga-se de passagem, com uma protagonista forte e com defeitos, Aurélia destoa um tanto até das  outras heroínas do autor.  Fora que há uma tensão erótica entre Aurélia e Fernando no livro que eu não lembro de encontrar em outras obras de Alencar.  Lembro que, na época, 2005, não gostei dessa história de misturar os romances.  Isso, aliás, já tinha sido feito pela Globo em Sinhazinha Flô (1977).  Fora que, como em outras novelas da Record, criaram-se muitos núcleos, uma novela, a meu ver, precisa ser enxuta.  Por exemplo, um dos sucessos de Além do Tempo, da Globo, reside aí, a meu ver.  Bem, comecei a ver as cenas e me pergunto se assisti a novela de verdade.  Sabe que eu não lembro de um montão de coisas?  E gostei de muito que vi.  Gostei mesmo.

Era para ser uma Lua de Mel muito romântica.
Vou resumir em linhas gerais a trama de Senhora, que é a que me interessa, não fui atrás das cenas das outras duas mulheres.  Rio de Janeiro, segunda metade do século XIX.  Aurélia mora com a mãe e o irmão em Santa Teresa. Levam uma vida muito pobre, o pai, visita às vezes, mas não é casado com a mãe da moça.  Enquanto isso, seu irmão consegue um emprego, mas é péssimo com as contas e quem, na verdade, faz o trabalho de contabilidade do moço é a irmã, que  por ser mulher, não tem possibilidade de conseguir um trabalho adequado e decente fora do espaço doméstico.  Com a morte do chefe da família, e depois do irmão, Aurélia é impelida pela mãe a ficar na janela e conseguir um noivo que a aceite mesmo sem dote.  Aurélia um dia conhece Fernando Seixas, eles se apaixonam, ele se declara, mas o moço não tem recursos e o pouco que tem gasta de forma leviana prejudicando, inclusive, a mãe viúva e as irmãs, que se sacrificam por ele.

Gabriel Braga Nunes arrasou como Fernando.
Um dia, uma moça rica aparece na vida de Fernando, ela tem um belo dote.  Mercenário, endividado e sem pensar muito, ele abandona Aurélia.  O destino da heroína, qual será?  Sua situação é muito precária.  Só que o avô, pai de seu pai, a encontra.  Ela se torna uma rica herdeira.  Órfã agora também de mãe, Aurélia precisa de um tutor pelo menos para manter as aparências, ela é mulher jovem e solteira, assim como uma dama de companhia, porque, no fim das contas, é ela quem controla, tudo.  E eis que Aurélia decide comprar um marido e esse marido precisa ser Seixas.  O rapaz morde a isca, mas é ainda apaixonado pela protagonista. Na noite de núpcias, porém, ela revela que o comprou e que ele lhe pertence, o humilha e tudo mais.  Seixas pensa em se matar, mas as humilhações acabam fazendo com que se torne um homem melhor e temos um final tão marcante quanto a cena da noite de núpcias.

E quem se importa se a atriz já não tinha idade
para ser Aurélia?  Ela estava perfeita.
Acho que assisti toda a novela, mas, na época, estava sem paciência para algumas enrolações.  O fato, e confirmei vendo sei lá quantas sequências dos dois, é que apesar das liberdades tomadas com Senhora, Christine Fernandes, que faz Aurélia, e Gabriel Braga Nunes, Fernando Seixas, são um dos casais mais lindos que eu já vi em cinema e TV, além de atuarem muito bem.  E Gabriel Braga Nunes fica mais bonito ainda de barba, a mudança, aliás, é usada para marcar o amadurecimento do moço. Enfim, só fiquei lembrando de um dos meus grandes amigos do tempo de faculdade suspirando por  Charlton Heston e Sophia Loren em El Cid e dizendo "Que casal lindo!  Que casal lindo!".  Sim, apesar de alguns diálogos bem cafonas, e que não eram do José de Alencar, diga-se de passagem, eu não tive problemas em assistir.  Pena que não colocaram a cena final do livro, talvez por ser um tanto (*ou um muito, vai ao gosto do freguês, porque a de Diva é imbatível nesse quesito*) machista, talvez, por já terem apressado a reconciliação do casal, mas foi uma pena.  Ela poderia ter entrado antes do fim.

Os comentários dessas cenas no Youtube são hilários.
Eu não tenho vergonha de admitir que curto romances românticos baratos, já resenhei alguns aqui, tenho outros, inclusive em formato romance, para comentar, e que esteticamente esse tipo de produção se aproxima desse material.  Alguns são bem feitos, outros, não.  Essas Mulheres, pelo menos a parte Senhora da história, ficou boa.  O elenco, no geral, é de grande qualidade.  Aliás, gente como Petrônio Gontijo (*que brilhou em Os Dez Mandamentos*) e Marcos Winter precisaram sair da Globo para fazer papéis interessantes e mostrar seu talento.  Na emissora mais importante do país, eles costumam ser escalados para fazerem os mesmos papéis sem sal.  E mais, eles não são os únicos, Marcelo Serrado só foi valorizado na Globo, quando brilhou na Record.  


Não me lembrava de ver Marcos Winter tão bem, talvez na Manchete,
e a personagem cresceu e amadureceu ao longo da trama.
Petrônio Gontijo estava muito bem como seu Torquato, o moço de bom coração, inteligente, mas  apaixonado pela vilã.  Dava peninha dele, muita mesma.  Da mesma forma que a novela ampliou o papel original de Marcos Winter, que serviu como elemento que transitava entre as tramas de Senhora, Lucíola e diva com naturalidade.  Continuando na mesma linha, acredito que para Chhristine Fernandes e Gabriel Braga Nunes voltar para a a Globo não ajudou muito a carreira deles, não, apesar de Nunes volta e meia ter um papel de destaque, cismam que ele tem cara de vilão psicopata, eles não fizeram nara à altura de seu talento depois que voltaram para a emissora.  Ana Rosa estava ótima como Dona Camila, mãe de Fernando.  Lemos, o vilão de Paulo Gorgulho destacou-se, também.  Adriana Garambone ja fazia uma vilãzinha interessante, mas seu auge é a Yunet, que, para mim, é uma das grandes vilãs de novela de todos os tempos.  Até a cena batida de briga de mulher entre Aurélia e Adelaide me pareceu divertida, com a vilã virando com poltrona e tudo no chão.  Mas, sim, o motivo era homem, e honra, também... 

Difícil um casal mais bonito em novela.  Tão bonito, talvez, mais, nunca.
Claro, que lembrei que me aborreceu muito a trama da internação no convento.  Das idas e vindas sem sentido.  De como o vilão conseguiu retomar o poder sobre Aurélia alegando não consumação de casamento com tanta gente capaz de testemunhar o contrário.  Ora, ora, bastava um exame médico se fosse o caso.  Seria humilhante, claro, mas Aurélia na novela - e mesmo nos livros - não era mulher de se intimidar com coisa alguma.  Enfim, como estou vendo no Youtube basta correr o filme e ir para as partes interessantes, como o duelo, ou as cenas entre os protagonistas.  Aliás, o que foi aquele primeiro beijo de Aurélia e Fernando?  Queriam se engolir?  Foi um exagero colossal, deveriam ter dosado melhor as coisas, mas os dois tinham química e, bem, quem sou eu para reclamar?  E ainda tenho muito que assistir, se for na mesma batida que eu coloquei em A Casa das Sete Mulheres (*que não resenhei ainda*), e cortando as cenas chatas, até termino rápido.  

Próxima resenha.
Hoje ainda, se tudo correr bem, faço a resenha de Valerian.  Gostei do filme, vale cada moedinha dos 200 milhões de euros investidos.

sábado, 12 de agosto de 2017

Autora de Orange desenha capa de livro... e ficou bonita!

Segundo o Comic Natalie, Takano Ichigo desenhou a capa de uma light novel de autoria de Tanizaki Izumi, que pelo que vi no CD Japan, é uma autora de BL/Yaoi.  Enfim, a história de Hikikomori sakka to dokyo shimasu。(ひきこもり作家と同居します。) gira em torno de uma moça que acabou de se formar na faculdade, ainda não tem emprego, mas tem dívidas e herda uma casa de sua avó.  A moça decide vender o imóvel, mas descobre que a avó alugava (*imagino que seja isso*) um quarto para um escritor recluso, um hikikomori, e ela simplesmente não pode colocar o sujeito para fora e termina indo morar no imóvel. Se fizer sucesso, vira filme, sem dúvida.  Falando em Orange  (オレンジ), pergunto-me se a JBC vai lançar os volumes extras... 

L♥DK finalmente chega ao seu final na revista Betsufure


O último capítulo de L♥DK (エルディーケー), de Ayu Watanabe, foi publicado na edição da revista Betsufure lançada no dia 12 de agosto.  A série era publicada desde 2009, conseguindo boas vendagens, e teve um filme live action em 2014.  A série gira em torno da relação de dois adolescentes,  Aoi Nishimori e Shūsei Kugayama, que são colegas de colégio.  Shuusei é uma espécie de príncipe do colégio que rejeita todas as meninas que se declaram para ele.


Aoi toma raiva de Shuusei depois que ele dispensa uma amiga que estuda na mesma escola para depois descobrir que ele é seu vizinho.  Ambos moram longe de suas famílias por motivos de estudo.  Um dia, o apartamento de Shuusei pega fogo e Aoi é obrigada a acolhê-lo em sua casa, mas tudo precisa ser mantido em segredo.  Obviamente, os dois se apaixonam, mas não ao mesmo tempo... Um L♥DK é um apartamento que tem somente um quarto.


O volume #24 da série sai em outubro, mas há um aviso na revista de que teremos um capítulo extra na edição de novembro.  Bem, como os japoneses contam bem adiantado as revistas, é possível que a edição de novembro seja a que sai em setembro.  Outra coisa que está no Comic Natalie é que quem desejar pode baixar um certificado de casamento de L♥DK que pode ser usado de verdade.  Falando nisso, os certificados de Sailor Moon (美少女戦士セーラームーン) já vão na sua segunda edição, se bem prestei atenção.  Acredito que seja só levar no cartório ou correspondente japonês.


Outra série importante que chegou ao final na mesma edição é Ao Natsu (青夏 Ao-Natsu), de Nanba Atsuko.  Serão 8 volumes no final e a edição da revista promete brindes para as leitoras.