segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Para quem quiser ouvir o Shoujocast


Lá em 2009, eu decidi criar um podcast.  Começou de forma bem precária.  Aí, o amigo Anderson sugeriu um nome "Shoujocast".  Vieram companheiras, a Lina Inverse, depois a Tanko e, por fim, a Tabby e, bem, fizemos 52 programas.  Pouco, eu sei, mas as agendas desencontraram.  Sempre penso em voltar, mas ainda não houve como.  Bem, eu queria disponibilizar os programas, mas descobri que não tinha todos. Perguntei se a Lina tinha.  Ela organizou tudinho e disponibilizou para download (*AQUI*).  Tudinho, não, faltou o programa 52, então, coloquei no Youtube.



Eu parei para escutar um dos meus programas favoritos o duplo sobre Orgulho & Preconceito e foi um prazer muito grande ouvir a voz das amigas queridas e da convidada especial, a Adriana Salles.  Que conversa legal foi aquela.  Enfim, se você quiser relembrar, ou conhecer o Shoujocast, esta é a oportunidade.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Quer saber qual personagem de anime divide o aniversário com você? Este site pode lhe ajudar!


O  Rocket News 24 trouxe informações sobre um site  japonês (*sim, alguma informação romanizada, mas basicamente é em japonês mesmo*) com um arquivo de mais de 10 mil aniversários de personagens de anime.  Agora é fácil saber quem faz aniversário no mesmo dia que você. :) Enfim, é divertido dar uma olhada nele e há personagens clássicas, também, porque Oscar (A Rosa de Versalhes) está junto com o Levi (Shingeki no Kyojin) e a Mei Tachibana (Suki-tte Ii na yo) em 25 de dezembro... E tem muito mais personagem de anime que faz aniversário nesta data.  Vale a pena dar uma olhadinha, é divertido. :)  O endereço é este aqui.  

Percebi que tem gente perdida sem conseguir achar o caminho.  Desculpem, a coisa não é realmente auto-explicativa.  Enfim, se você clicar direto aqui, vão aparecer os meses em seqüência, a mesma nossa, claro.  Eu nasci em fevereiro, então, procuro o mês dois.  Chegando lá, clico no dia 5.  Os nomes das personagens e séries estão romanizados, assim como as séries.  É fácil.

POST ORIGINALMENTE DE 26/06/2015.

sábado, 21 de julho de 2018

Rumiko Takahashi no Hall da Fama e outras premiadas no Eisner Awards


Ontem, saíram os resultados dos Prêmios Eisner, que são atribuídos no San Diego Comic Cno, depois de ter sido indicada ao Hall da Fama dos Quadrinhos por três vezes (*2017, 2016, e 2014*), finalmente os norte americanos (*porque o prêmio é deles, vejam bem*) reconheceram que a criadora de Lum: Urusei Yatsura (うる星やつら), Ranma 1/2 (らんま½ ), Inuyasha (犬夜叉), Maison Ikoku (めぞん一刻) e tantas outras  séries merecia estar entre os gigantes dos quadrinhos.  Merecido? Claro que, sim!  Foram seis os incluídos no Hall da Fama, dentre eles, quatro mulheres, contando com Takahashi:


Carol Kalish (1955–1991), falecida muito jovem, foi escritora e editora de quadrinhos, ocupou altos cargos na Marvel, e foi pioneira na criação das vendas do mercado direto, isto é, fora das Comic Shops, que eram e são muito pouco acolhedoras para novos leitores, meninas e mulheres.  A maravilhosa Jackie Ormes (1911–1985), considerada a primeira quadrinista negra americana, uma artista que em tempos de forte discriminação racial (*nem vou falar da forma como as mulheres eram tratadas*), fez sucesso e se tornou um nome respeitado na indústria norte-americana de comics.  Outra recebida no Hall da Fama foi Karen Berger, editora de quadrinhos da DC e grande responsável pela criação do selo Vertigo.


Um outro prêmio que merece destaque foi o de melhor adaptação de outra mídia, foi dado para Kindred, baseado no livro da romancista negra Octavia E. Butler (1947-2006) e feito por  Damian Duffy e John Jennings (Abrams ComicArts).  E não pensem que foram muitas mulheres premiadas, há outras que não comentei, aliás, simplesmente, estão deixando de ignorar as artistas e outra sprofissionais competentes ligadas ao mercado de quadrinhos.


 E, claro, como eu esperava, Gengoroh Tagame levou o prêmio por melhor edição internacional de material asiático nos EUA com o vol. 1 de My Brother’s Husband (Otōto no Otto/弟の夫).  Ora, já que tocamos nesse assunto, se não criassem uma premiação para separar os mangás, eles iam levar todos os anos o prêmio de material estrangeiro publicado nos EUA, não iriam?  Pois é, como é separado, um brasileiro terminou ganhando na categoria geral.  E está de parabéns. 

Artista Brasileiro Vence o Eisner Awards com Histórias de resistência à escravidão!!!!!!!


Cumbe, do quadrinista negro Marcelo D’Salete, é uma graphic novel que reúne quatro contos sobre a resistência à escravidão no período colonial brasileiro (1500-1822) e que foi lançado nos EUA com o nome de Run for It: Stories of Slaves Who Fought for the Freedom pela Fantagraphics.  


O material foi feito com pesquisa em fontes de época e saiu no Brasil em 2014.  Poxa... Se é somente colônia, não fala da Revolta dos Malês (1935)... Enfim, ontem saíram os resultados dos Prêmios Eisner deste ano, Cumbe venceu na categoria melhor edição de material estrangeiro, eu ia comentar outra coisa (*vou fazer em post a parte...*), mas fiquei feliz com o prêmio, o mais importante do gênero nos EUA, recebido pelo brasileiro.  Vou tentar conseguir o material para ler.

Nara Shikatanashi: Em busca de dados sobre um mangá


Quando abri a lista de revistas japonesas do meu Twitter ontem e anteontem, o que mais aparecia eram imagens desse mangá chamado Nara Shikatanashi (ならしかたなし).  Sei que há muitos mangás estranhos, mas seria um shoujo?  A estátua de Buda se tornou uma colegial?  É uma menina que é vista assim?  O veado que sempre aparece com ela nas imagens se transforma em um humano?  Só para vocês terem uma ideia da quantidade de menções, clique aqui.  


Embora eu não saiba maiores detalhes sobre o mangá.  Sei que ele é da Hana to Yume e que a cidade de Nara, que foi capital do Japão entre os anos de 710 e 794, está festejando a série com uma exposição sobre o mangá na estação de metrô  que fica mais próxima do parque que onde as ações do mangá acontecem.  O cervo é o animal símbolo de Nara, aliás, e a cidade é a capital do Budismo japonês.


Enfim, está acontecendo uma grande celebração do lançamento do primeiro volume, que foi ontem, n dia 20 de julho.  A autora, Yukino Orose, não parece ter obra anterior.  Um vídeo comemorativo do mangá foi lançado, também, e a voz do cervo ficou sob a responsabilidade do dublador Yuuki Ono.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Notícias de Glass Mask... Não, não é sobre o fim do Mangá


Abro o Comic Natalie e no título há uma data: 2020.  "Ai, finalmente a autora vai anunciar o fim do mangá..."  Obviamente, só frustração... A notícia é que Kurenai Tennyo (紅天女), a peça que é um dos motores da série de mangá que começou em 1975, será transformada em opera pela Associação de Opera do Japão.  Pelo que entendi, é uma opera tradicional.  Em 2006, a peça foi adaptada par ao Teatro Noh.  

Cartaz da peça de Teatro Noh.
Quem lê o mangá, ou assistiu a qualquer versão animada da série de Suzue Miuchi, deve lembrar que a mestra de Maya, a protagonista, fez sua fama como atriz interpretando a "deusa escarlate".  Tsukikage deseja encontrar a atriz perfeita para substituí-la no papel e não vai morrer (*ela está morrendo desde o início da série*) enquanto não cumprir esta última missão.  Ela acredita que Maya é a candidata ideal e se dedica a formar a menina para isso, mas Ayumi se mostra igualmente competente... No comecinho da série, Masumi, o murasaki o bara no hito, quer comprar o direito da peça que pertence à atriz aposentada.  Enfim,  o que a gente quer mesmo, nunca é anunciado... 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Comentando as primeiras imagens de She-Ra da Netflix e o trailer de Marvel Rise: Iniciation



Anteontem, dois assuntos pipocaram na rede relacionados à animação americana centrada em personagens femininas, que mexe com questões como representatividade, e um rendeu mais do que outro.  Uma delas me animou muito, a outra, nem tanto, mas dado o barraco que gerou e ainda gerará, decidir me pronunciar sobre o caso.  Vamos ao que me deixou animada, a Disney-Marvel lançou o trailer da minissérie Marvel Rise: Iniciation que trará para a animação super-heroínas adolescentes como Kamala Khan, a Ms. Marvel, Spider-Gwen e a Garota Esquilo (*esta última só conhecia de nome*).  Segundo me informei, Spider-Gwen, que é o "homem aranha"  de um universo alternativo, foi acusada de um crime e outros heróis teriam que persegui-la. Ver Ms. Marvel animada me deu uma alegria enorme.  Fiquei feliz mesmo.  Vejam o trailer, está aí embaixo.


Marvel Rise estréia no canal Disney XD em 13 de agosto.  Terá, também, um filme animado no fim deste ano.  O que eu vi?  Heroínas adolescentes com vários tipos físicos, um character design afastando-se do moderno e monótono character design que impera em muitos desenhos atuais.  Não é lindo, não chega a ser um anime, mas, caramba, ele me enche os olhos comparado com o material norte americano que sou obrigada a ver com minha menina de 4 anos.  Falei disso superficialmente no meu post sobre a Teen Titans Go!  E chegamos, claro, a outra novidade de anteontem, a que causou maior impacto na internet, pois colocou em evidência as divergências ideológicas dentro do meio nerd e nem tanto, as primeiras imagens de She-Ra.

Logo, logo, estréia na Netflix.
Para quem não sabe, está para estrear um remake do desenho da She-Ra, que foi lançado em 1985, sob a responsabilidade de Noelle Stevenson, do elogiadíssimo Lumberjanes, dentre outros trabalhos.  Sim, remakes estão na moda e isso, aos meus olhos, raramente é bom sinal, mas se tiver que explicar, vai render um texto dentro do texto.  Resumindo, prefiro ideias novas à remakes e reboots.  Enfim, She-ra, irmã gêmea de He-Man, era a super-heroína que lutava contra a Orda, uma organização que mantinha um governo ditatorial em um planeta no qual coexistiam magia e tecnologia.  

A heroína em sua vida comum era Adora, uma princesa sequestrada pela Orda quando bebê e treinada para ser uma de seus comandantes.  Um dia ela descobre que está do lado errado e é escolhida para ser She-Ra uma (super)heroína lendária.  Adora só tinha 16 anos, mas parecia ser uma mulher adulta, assim como She-Ra.  O tom de voz de Adora era suave, enquanto o de She-Ra era mais grave e carregado de autoridade.  Ela tinha super força e outros poderes, além de um cavalo alado falante de nome Ventania.  Era um desenho ingênuo, moralista como tantos na época, mas com mulheres fortes, a exaltação de bom sentimentos e valores que hoje estão na moda, como a sororidade.  Para a média da época, era um material feminista.

She-Ra era uma das poucas (super) heroínas de desenhos nos anos
1980, com certeza a única a ter o seu próprio seriado.
Basicamente, She-ra foi encomendada pela Mattel à Filmation, um estúdio que fazia animações bem baratas e reaproveitando o character design das personagens.  Coisa bem tosca, mas a gente assistia.  Havia a percepção de um nicho, que era o de super-heroínas para meninas, uma carência que poderia ser explorada e ajudar a vender brinquedos.  Não havia animes na TV norte americana, nem na nossa, que contemplassem esse público. A maioria dos desenhos que tínhamos na TV não traziam mulheres heroínas, eram centrados em personagens masculinos, ou velhas animações que passavam por décadas.  Eu assistia Comandos em Ação torcendo para que aparecessem as poucas mulheres soldado do grupo.  Por conta disso, coisas como Josie e as Gatinhas (*o normal e o do Espaço*), She-Ra e outros faziam tanto sucesso entre as meninas e meninos, também.  

Repetindo, a gente via o que passava e se apegava a algumas personagens, shipava (*eu queria que a Adora se entendesse com o Gavião do Mar e achava o Arqueiro um mala sem alça*) e tudo mais.  Sim, fazíamos isso.  Agora, lamento, mas She-Ra não tinha nada de brilhante, nadinha, era somente um desenho que nos dava algum alento.  Tivéssemos uns três ou quatro animes de mahou shoujo passando na nossa TV na época e muita gente nem lembraria da princesa do poder.  E eu falo isso com a certeza de quem vibrava quando um ou outro anime aparecia nas TVs e que trocava She-Ra por Angel, a Menina das Flores, ou Honey Honey, sem pensar duas vezes.  Isso sem falar em Patrulha Estelar, que na série original só tinha, basicamente, uma personagem feminina.  Eis um exemplo de um remake que fe bem ao original.

Olhando as imagens, como é que eu achava o Gavião do Mar
interessante?  Ah, sim, os outros eram piores... 
E eis que saiu o novo character design de She-Ra. Ele é absolutamente adequado à média do que é a animação norte americana atual estilo Cartoon Network.  Nada brilhante, nada realmente bonito.  Funcional.  No caso desse She-Ra, parece ser mais limpo, sem os excessos usados apra dar comicidade.  Daí temos, de um lado, os progressistas que vêem o character design (*e só temos isso até agora*) novo e dizem "Isso aí!  Está lindo e a personagem não está hiperssexualizada!  Agora, sim, parece uma adolescente!" e os outros (pseudo) conservadores reclamando que estão estragando a sua infância, caras que nem eram crianças na época de She-ra original, e os que dizem que as feministas estão destruindo as personagens femininas dos sonhos deles... 

Para quem não sabe, ou finge não saber, a gente se apaixonava por personagens quando era adolescente e até criança e lembro bem da musiquinha de Xuxa, afinal, o desenho passava no programa dela, e seu refrão: "Por Grayskull, She-Ra, She-ra/Me apresenta pro He-Man/Teu irmãozinho é uma gracinha/E eu sou todinha do bem/Por Grayskull, She-Ra/He-Man é um gato alto-astral/Desculpe se eu sou ousadinha/Beijinho-beijinho, tchau-tchau".  Sim, He-Man, uma personagem inspirada em Conan, era desejável, mas ele tinha muitas virtudes que não ficavam no físico. Ele era um herói perfeito, assim como She-Ra era perfeita.  Os desenhos da época tendiam a ser assim.

O novo desenho vai ter Ventania?
Olha só, eu acredito que os dois lados, ou três, estão exagerando.  Se você gosta do character design hegemônico da Cartoon e similares, e descobri uma série nova centrada em meninascom Júlia ontem, outra espécie de remake, Harvey Street Kids, você deve ter achado bonito em si mesmo.  Eu não gosto, já escrevi isso, mas entendo quem acha esse traço moderno e atraente.  She-Ra realmente não está hiperssexualizada, não que acredite que alguém da Filmation estivesse querendo vender a She-ra antiga como uma sexy symbol, era preguiça mesmo.  E eu acho que a arte dos desenhos como She-Ra era somente exageradamente colorida, o que tornava a coisa um tanto pesada.  Hoje, é algo absolutamente datado.  Agora, nada disso impedia alguém de se apaixonar por ela e fantasiar.  

E parem de graça, de se fazerem de desentendidos, qualquer material animado, ou série de TV, tende a render shipps, fanarts (*já saíram toneladas da nova She-Ra*), fanfics, o diabo e quem faz isso não é criança, ou pré-adolescente, nem é predominantemente adolescente, mas gente adulta mesmo.  A qualidade pode variar, mas esse material sempre será feito e começou a aparecer no século XIX.  Agora, o problema a meu ver é que a personagem ficou andrógina e isso só pode ser proposital.  Dessexualizar parece uma obsessão.  Daí, além de um rosto que nada tenha de gendrado, quando olho para a nova She-ra só consigo pensar em um Thor menino, ainda temos decote zero, os shorts (*que parecem uma ideia tirada de Shoujo Kakumei Utena, mas são mais longos*) e a falta de busto.

Arqueiro será negro.  A outra é Cintilante?  Não sei.
Houve quem lamentou que a nova She-Ra não tivesse busto, houve quem disse que agora, sim, ela parecia uma menina.  Bem, ela não parece uma adolescente, não a média das adolescentes, porque  muitas meninas começam a ter busto a partir dos 10-11 anos, antes até.  E bustos vem em vários tamanhos, a nova She-Ra em algumas imagens (*e são poucas*) parece pré-adolescente, sem características sexuais secundárias marcadas.  Ela me lembra algumas meninas do sexto ano, eu sou professora e convivo com pré-adolescentes e adolescentes o tempo inteiro, que tem entre 10-13 anos no máximo e olha que algumas delas, como eu mesma nessa época, já tem curvas e busto.  Nada tem de andróginas e favor não confundir isso com ser tomboy, ou com expressão de sexualidade, orientação sexual.  Falamos de aparência exterior que depende menos de vontade, ou questões de ordem psicológica, e mais de hormônios.  Por isso, repito, qual será a idade da nova She-Ra?  

Esta imagem, particularmente, me parece bem andrógina.
Tanto os que hiperssexalizam as personagens femininas, quanto os que querem retirar delas qualquer sensualidade estão, a meu ver, no mesmo campo.  São assujeitados pelo dispositivo da sexualidade, tem necessidade de regular, de controlar.  Uns querem tudo mostrar, despir, objetificar meninas e mulheres, afinal, elas existem para seus apetites, outros, sejam conservadores ou pessoas progressistas (*algumas feministas em especial*), parecem obcecados por proteger, daí, cobrir, resguardar, negar a existência da libido, do desejo nos adolescentes.  Já vi uma Youtuber feminista dizer que "meninas" menores de 18 anos não deveriam namorar.  Olha, isso é puritanismo travestido de engajamento na defesa das mulheres.  A pessoa não sabe, não tem noção, mas está junto com os religiosos fundamentalistas e moralistas que atacam museus contribuindo para que nos tornemos Gileade.  Não sabe o que é Gileade? Recomendo O Conto da Aia.  E, amiguinhos/as, se Gileade vier, somos nós, mulheres, que vamos sofrer mais.

Quer dizer que se eu não gostar da aparência disso aqui,
eu estou afirmando que prefiro machos bombados,
promoção da masculinidade tóxica e não
entendo que é produto infantil?  Aliás,
estamos retrocedendo tanto que passamos a
acreditar de novo que todo desenho é infantil,
ou somente crianças podem gostar?
Terminando, o nome do desenho não fala em "Princesa do Poder", mas "Princesas do Poder".  A sinopse é rala e fala de uma Adora órfã.  De resto, o ponto de partida é o mesmo, a Orda a tomou para si.  Como será a série de fato?  Ninguém sabe.  Então, convém parar de dizer que é maravilhoso, porque não temos elementos para discutir isso, salvo as tais imagens.  Não posso dizer que será bom, ou ruim, em cima de quatro, ou cinco, ilustrações.  Agora, para ser melhor que o original, não será necessário grande esforço, os roteiros dos desenhos norte americanos estão bem melhor elaborados esses dias.  

Tanto She-Ra, quanto He-Man eram desenhos fracos.  Havia outros melhores na época  e que nem eram brilhantes, também.  De resto, podem cassar minha carteirinha de feminista, mas não há ninguém nesse mundo que vá me fazer achar que esse novo character design de She-Ra, ou o de Thundercats, que também não estreou ainda, é bonito, e desafio a provar que se eu não gostei é porque gosto de hiperssexualizar mulheres e de machos bombados.  Isso é desonestidade.  

De todas as ilustrações oficiais, esta foi a única que gostei.
Também, não adianta dizer que o desenho não é para mim, porque, bem, como mãe atenta eu preciso assistir pelo menos um, ou outro episódio de materiais que minha filha está assistindo, ou querendo assistir.  Vocês nem imaginam a quantidade de tempo que eu tenho que investir assistindo coisas que, em condições normais, eu nunca assistiria. Fora, claro, o assunto do blog.  A representação feminina na cultura pop é um dos focos do Shoujo Café. E, repito, colocar uma She-Ra sem decote, sem busto, com aparência andrógina e shorts não vai tornar o produto mais feminista ou mais legal para as crianças e pré-adolescentes e quem mais se interessar.  Um bom desenho, filme, ou o que seja precisa de boas histórias e bons personagens.  A aparência a gente releva na maioria das vezes.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Nova estratégia da Shogakukan ajuda a aumentar as vendas de Shoujo e Josei


Fazia tempo que eu conhecia a prática do tachiyomi (立ち読み), ler de pé em uma livraria.  Anos atrás, até vi uma matéria sobre como esse tipo de prática desagradava aos donos das lojas, porque muita gente lia o capítulo inteiro de um mangá preferido e não levava a antologia.  Segundo o Sora News, e disso eu não sabia, as livrarias nem sempre deixam todos os volumes disponíveis de uma série na prateleira e, quando o fazem, só deixam algumas páginas, um preview, liberado para a leitura.  Se você quiser ler tudo, precisa comprar.  O SN disse que a prática é comum até em sebos.

Pois bem, a Shogakukan deu ordem para que 35 de suas séries ficassem liberadas para leitura.  O teste foi feito em 36 livrarias entre março e maio.  Segundo o SN, não houve impacto nas vendas dos shounen e seinen da editora, mas que os mangás shoujo e josei tiveram aumento de 20% das vendas. Realmente, um aumento significativo.  A matéria comenta que a prática em relação aos mangás da Shogakukan, isto é, impedir a leitura integral dos volumes, começou 30 anos atrás, quando havia poucos animes disponíveis na TV e muita coisa era lançada direto para o mercado de vídeo.  

Comer na maioria das livrarias, segundo o SN, ainda é proibido.
Outro fator, segundo a matéria, os animes são de muito mais fácil acesso hoje, estão na TV em grande quantidade, e muita gente não quer pagar pelo mangá, porque acredita que é tudo a mesma coisa.  Permitir a leitura ajuda a desmontar essa ideia e, quem sabe, estimular a compra do produto.  Se vai dar certo, ou não, se o fator anime pesa, ou não, e acredito que em relação à josei e shoujo nãos eja o caso, pouco importa.  Acho que o aumento de 20% em vendas deixou todo mundo feliz, livrarias e editora.  E, neste momento, vender mangá de papel para mulheres parece bem mais complicado do que vendê-lo em formato digital.