sexta-feira, 8 de maio de 2026

Comentando os primeiros episódios de Cenas de Awajima (Awajima Hyakkei/淡島百景): uma série sensível, mas complicada de se assistir.

Consegui colocar em dia Cenas de Awajima (Awajima Hyakkei/淡島百景). Foram cinco episódios até o momento porque essa animação foi uma das últimas a estrear nesta temporada.  Trata-se de um anime difícil, denso e poético. Não me causou surpresa, porque conheço a obra de Takako Shimura, tudo ali está de acordo com o que ela oferece em seus mangás, mas como não li a obra e a tomar pelas resenhas curtas antes da estreia da animação, esperava algo um tanto diferente. Awajima é uma escola de teatro musical, na verdade, trata-se do Takarazuka com outro nome. O Takarazuka Revue é um teatro musical feminino criado em 1913.  Ele mistura a tradição japonesa e o teatro de revista ocidental.

No Takarazuka, todos  os papéis são desempenhados por mulheres.  As atrizes que fazem os papéis masculinos são chamadas de otokoyaku (homem + papel), já as que fazem os papéis femininos são as musumeyaku (filha + papel).  Na cidade de Takarazuka há uma escola que anualmente seleciona jovens entre 15 e 18 anos para um curso de dois anos.  Trata-se de um concurso muito disputado, o curso exige enorme disciplina e, após esse período, as formandas estreiam.  No episódio #4 de Awajima, a produção saiu do óbvio que era referenciar a Rosa de Versalhes ou Romeu e Julieta, pegou logo Elisabeth -Rondo of Love and Death- e colocou a mãe da protagonista fascinada pela Morte (Der Tod).  Já no episódio #5, houve menção a Me and My Girl.

Awajima tem uma narrativa fragmentada e não linear. Vamos ao passado e ao presente, às vezes com uma velocidade tal, que me senti perdida. O terceiro episódio, o meu favorito até agora, e o anterior foram os mais complicados nesse sentido.  Lendo o verbete da Wikipedia do mangá, sei que a  protagonista, Wakana Tabata, não está em nossos dias, os celulares parecem antigos, ainda que as TVs sejam de tela plana e bem fininhas. Mas sem olhar a Wikipedia, não conseguiria ter certeza, so tinha indícios mesmo, pois não se falou de internet ainda ou aplicativos de celular.  Também pela Wikipedia, sei que haverá um "nos dias atuais", mas ela ainda não foi mostrado.

O fato é que temos algumas personagens fixas, Wakana Tabata é a protagonista, porque aparece mais vezes que outras, mas isso não quer dizer que tenha mais tempo de tela. Cada episódio se foca em duas ou mais personagens e vamos ao passado e ao presente e de novo ao passado. Década de 1940, 1950, 1960, 1970, 1980... são várias gerações de meninas passando por Awajima, cada qual com seus sonhos, esperanças, medos, amores e amizades. Umas se tornam estrelas, outras desistem, inclusive da vida, há as que brilham por um tempo e se retiram ou retornam, como no caso de Katsurako Ibuki, que se tornou professora e lamenta certos atos do passado.  Não darei spoilers.

No episódio #4, discutiram até as masculinidades divergentes. Takuto, um jovem que ama Awajima por influência da avó, tem dificuldades em se conectar com o resto de sua família e gente de sua idade.  Somente os dois são apaixonados pelo teatro musical e a avó compra dois ingressos para u espetáculo, mas sofre um acidente e insiste que o neto vá.  Takuto parte em busca de uma companhia e convida uma pessoa com quem conversa online, Sayaka-san.  Ele imagina como Sayaka é, porque os dois conversam sobre Awajima e essa pessoa gosta de coisas fofas. Gostar de Awajima não é coisa de homem e a sequência dele no teatro lotado de mulheres é uma mostra disso. Takuto é um rapaz extremamente organizado e com mania de limpeza e, a julgar pelo anime, não parece ser coisa de adolescentes do sexo masculino, afinal, o rapaz é inquirido pelos colegas sobre o motivo de lavar as mãos depois de ir ao banheiro. Os japoneses não fazem isso, não?  Achei estranho.  As partes com Takuto, houve uma historinha extra no final do episódio. Foi bem fofinha.

Já a primeira parte do episódio #5, centrada em uma jovem da geração de Wakaba, que tem problemas em dividir o banho com outras moças, foi a mais chata.  A garota cresceu em uma família que pertence a uma seita, que  não é nomeada, e odeia tudo o que se relaciona a ela, mesmo que seus pais não a tenham obrigado a congregar com eles.  Ela está quase odiando os próprios pais por causa disso.  Não consegui ter empatia.  Já os episódios #2 e #3 se relacionam a Katsurako Ibuki.  Ela é filha e neta de atrizes de Awajima.  Sua avó foi uma beldade  em sua época e amou loucamente o marido.  Pelo que entendi, ela parou a carreira ao se casar e era azucrinada pela sogra, que morava com o casal, para que esquecesse do seu passado.  Ao ter uma filha, ela não consegue amar a menina, porque ela é a cara da avó paterna.  A rejeição da mãe em relação à menina "feia" piora quando ela perde o marido com poucos anos de casamento.  Pela aparência dele, acredito que morreu de tuberculose.

A mãe de Katsurako cresce mimada pela avó paterna, mas desejando a atenção da mãe e sentindo-se feia e inadequada.  Ainda assim, ela passa na seleção para Awajima, mas suas colegas acabam acreditando que ela só passou por ser filha de uma grande atriz.  Apesar de talentosa, a jovem vivia sob a sombra da mãe.  Aé que ela conhece um jornalista, que a vê como ela é.  Os dois terminam se casando e a jovem abandona a carreira.  Katsurako cresceu vendo a avó humilhando sua mãe e dizendo que não gostava do pai, um jornalista, e uma das poucas pessoas que fala com a agora velha dama do teatro sem demonstrar qualquer tipo de assombro.  Ela diz que não gosta do genro por não confiar em homens com olhos de raposa e Katsurako herda os olhos do pai.  Quando a avó está morrendo, Katsurako diz para ela o quanto a odeia e que nao sentirá a sua partida.  Só que a garota  lamenta ter em si muito da avó que ela despreza.  Consigo ter mais empatia pela avó de Katsurako com todos os seus defeitos, pelo que sofreu nas mãos da sogra, do que pela menina da seita

Enfim, imagino que em algum momento irão mostrar as meninas nas aulas, sei que haverá um episódio com o festival culural, mas o tom é muito diferente de Kageki Shojo!! (かげきしょうじょ!!), por exemplo, porque o centro da narrativa é Awajima, a escola, centro de tantas e tantas histórias de gerações de meninas. Curiosamente, quando as meninas são mostrada em aula ou as atrizes no palco, não temos som.  Awajima me lembra um pouco a ideia de Ōoku, que não é sobre pessoas, mas sobre o harém de homens. Sei que Awajima não é para todo mundo, mas espero que continuem as scanlations do mangá, porque elas estão paradas faz quatro anos e o mangá é bem curtinho.  Falando do mangá, ele só tem 5 volumes e foi pubicado entre 2011 e 2024.  De 2011 até 2016, ele saia na revista PokoPoko tendo passado postriormente para a revista Ohta Web Comic.

domingo, 3 de maio de 2026

Comentando Oshiete Kudasai, Fujishima-san!: Um TL divertido e protagonizado por uma mocinha totalmente sem noção

Tropecei hoje no mangá Oshiete Kudasai, Fujishima-san! (教えてください、藤縞さん!), de Nae*Awaji, e ele me fez dar gargalhadas e a gente precisa rir, eu preciso, pelo menos, mas a minha surpresa foi saber que o mangá está em andamento desde 2017, o que é desesperador, porque a autora já deveria ter terminado isso, e ainda teve dorama este ano.  Imagino que as cenas de sexo e muita coisa tenham desaparecido, porque, bem, é um TL (Teen Love), e eu estava com saudades de pegar material japonês para ler.  Teen Love, para quem não sabe, são mangás erótico-pornográficos para o público feminino.  O finado Bato.to parecia só me atirar manhwa, e, mesmo que alguns deles sejam bons, resenhei vários no blog; a maioria não é.  O material japonês me parece mais satisfatório e o site Mangago tem um recurso interessante: as listas feitas por leitores.  Foi em uma dessas listas que eu encontrei Oshiete Kudasai, Fujishima-san! e só estou adiantando a resenha, porque descobri que tem o tal dorama.  Ele estreou em janeiro e termina em março.  Mas vamos para o resumo (*vou usar como base o Bakaupdates e o My Drama List*) e,  depois, eu retorno.

"Você poderia me deixar assistir você se masturbar?" Mizuhara Rio escreve romances TL sem ter nenhuma experiência sexual e se vê em uma situação desesperadora depois que sua editora rejeita seu último trabalho, dizendo: "Suas cenas de sexo não têm realismo". Perturbada, Rio conhece Fujishima, um afuncionário de banco bonito, porém antipático. Quando Rio implora a ele por uma "pesquisa de campo", dizendo: "Por favor, me mostre como você se masturba!", ele surpreendentemente concorda?! Assim começa uma "aula de amor" ultrassecreta, e enquanto Rio está confusa, gradualmente se transforma em um momento doce e inebriante no qual eles confirmam seu amor genuíno um pelo outro. Para onde esse romance turbulento, que começa com seus corpos, os levará?

Vamos lá, a primeira frase do resumo é a primeira fase do mangá.  A partir daí, a autora nos conta como Rio e Fujishima se conheceram.  Eles se esbarram em um elevador, ela está desesperada, porque sua editora, que a acompanha desde o colegial, a está pressionando, já que seus livros eróticos são ruins.  Fujishima derruba uma série de documentos, ela abaixa para ajudá-lo e o sujeito sai sem lhe agradecer.  Só que ele esquece um dos envelopes e ela decide chantageá-lo para lhe entregar os documentos.  E a ideia é que ele lhe dê uma entrevista, que fale sobre sexo com ela.  O sujeito não acredita no que está ouvindo, mas acaba aceitando a proposta.  E ele faz questão de deixar claro que ela está se colocando em uma situação muito perigosa, mas nossa história, apesar de erótica, é bem água com açúcar e, exatamente por isso, ele é um cavalheiro.  

Depois do primeiro encontro, no qual não acontece  muita coisa, ele decide fugir dela, mas não consegue.  Seja porque ela vira uma espécie de stalker, seja porque ele não consegue esquecê-la e, eventualmente, precisa salvá-la de alguma situação perigosa, porque nossa mocinha faz (*quase*) tudo para conseguir material para sua pesquisa.  E mesmo que a editora acredite que ela está arriscando, os elogios aos progressos da moça, a melhora perceptível nos seus romances, terminam por empurrá-la para novas experiências.  E cabe um esclarecimento quanto ao stalker, porque ontem fiz um post que tocava nisso.  Esse mangá é um trabalho de ficção absolutamente fantasioso e a personagem feminina ao seguir o sujeito não oferece nenhum risco para ele, na verdade, quem se arrisca é ela, porque se for surpreendida, pode passar por uma enorme vergonha ou coisa pior.  Rio não é uma ameaça, ela só é sem noção mesmo, muito na linha da Mizuki de Hanakimi (花ざかりの君たちへ), só que em um mangá para mulheres adultas.

E deixo claro que, pelo menos para mim, esse mangá é uma comédia meio trem desgovernado e que guarda algumas semelhanças também com Nodame Cantabile (のだめカンタービレ). Fujishima me lembra Chiaki e Rio é  um pouco Nodame, mas um tanto imprevisível e muito mais infantilizada.  Fujishima vive para o seu trabalho e, ao mesmo tempo, parece insatisfeito.  Ele é bem-sucedido, tem um excelente emprego, é respeitado pelos seus subordinados, tem até pelo menos um amigo, mas dorme mal e está sempre mal-humorado.  É quando ele cruza com Rio, uma criatura que lhe parece bizarra, sem muita noção da realidade e que se coloca em situações perigosas por amor ao seu trabalho.  E olha que ele nem considera o que ela faz como trabalho, porque, para ele, ser escritora não é profissão de verdade.  

Só que, depois do primeiro encontro dos dois, ele não consegue esquecê-la e mesmo que sua produtividade no trabalho continue a mesma, ele se sente mais irritadiço e sua qualidade de sono se torna ainda pior.  Ele deduz que é falta de sexo, mas Rio não sai da sua cabeça e, como ele é  um cavalheiro, demora um pouco até que os dois cheguem aos finalmentes, porque ele a acha tão sem noção da realidade, que se sentiria como se estivesse se aproveitando dela.  Na verdade, sem noção ou não, é a mocinha que está se aproveitando do sujeito, porque além de conseguir material para seus romances, ainda está tendo uns momentos extremamente prazeirosos e descobrindo sentimentos que não conhecia.

Mas o ponto fraco ou forte, vai saber, desse mangá é exatamente a mocinha sem noção.  Rio é escritora desde o colegial e não acredito que ela tenha começado escrevendo TL.  Não acredito mesmo.  O que em tão a levou a mudar de nicho?  Pressão da editora?  Foi escolha pessoal?  Onde estou no mangá, ainda não deu para saber.  E mesmo sendo bem-sucedida na carreira até então, ela se encontra estagnada por sua inexperiência e incapacidade de imaginar um romance mais apimentado.  Na verdade, Rio é bem infantilizada, ela ainda mora com os pais e é tratada por eles como se fosse uma menininha.  Isso fica bem evidente para mim nas poucas interações entre ela e a mãe.

Apesar de escrever sobre sexo, ela sabe quase nada de sexo na vida real e nunca conseguiu se masturbar de verdade.  Não é dito quantos anos Rio tem, mas ela é visivelmente uma mulher adulta.  Se tivesse que chutar, diria que ela tem entre 22 e 24 anos.  Já Fujishima deve ter mais de 30 anos, a julgar pelo cargo que ocupa no banco. Vi uma review no Bakaupdates falando em "age gap", mas é difícil levar essas coisas a sério dada a histeria que campeia por aí.  Rio parece se vestir com roupas de nerd, sem se preocupar em parecer uma mulher adulta dentro dos padrões esperados pela sociedade, mas há um momento, nesses poucos capítulos que li, que ela se arruma e deixa de ter aquele ar de menininha desarrumada.  Sabe a Cinderela?  Só que Fujishima não a vê, quem a ajuda a se arrumar é um outro sujeito, que efetivamente parece mais jovem que o mocinho e que o acha abusivo.  Só que Fujishima, que já tinha salvo Rio de ser estuprada por um sujeito que ela queria entrevistar, acredita que o moço pode ser uma ameaça.   

Gente que deixou reviews no Bakaupdates normalmente reclama da não evolução da personagem feminina ao longo do mangá, mas acredito que a ideia da autora seja essa mesma.  Nossa mocinha é extremamente inocente e vai ficar assim por muito tempo. Foi hilária a cena na qual Fujishima não resiste a beijá-la, para depois dizer que escorregou, se desculpar e mandá-la embora da sua casa. Foi um beijo casto, e ela fica inebriada, porque foi sua primeira vez e isso depois dos dois terem feito coisas muito mais sérias do que trocar um selinho.   

Olhando os comentários e os resumos dos episódios do dorama, ele acaba se apresentando para os pais dela como noivo, ou seja, eles vão passar do estágio de amigos com benefícios (sex friends/fuck buddies) bem rapidinho, porque não é um mangá longo.  E imagino que seja de verdade mesmo, porque os dois já estão apaixonados desde o início da história, o problema é que ela não entende direito o que está acontecendo e ele acredita que ela seja meio doida e tem medo de se envolver com ela de verdade.  No que ele, vamos admitir, não está errado, não.

Falando da arte do mangá, ela é de qualidade e funciona muito bem.  As sequências de sexo são bem desenhadas  e a gente entende o que está acontecendo.  A versão disponível é a censurada e estou marcando isso, porque cada vez há mais TLs que mostram tudo.  Não entendo o motivo da autora não ter terminado a série ainda e imaginei que o mangá fosse antigo, porque os celulares são de gerações atrás no início da história.  Agora, se virou dorama somente agora, quer dizer que ainda faz sucesso.  Se o Bakaupdates não está desatualizado, Nae*Awaji veio do BL, o que não é incomum no caso das autoras de TL japonesas.  E é mangá mesmo, não é webtoon, e ele é  publicado na revista Love Coffre.

Falando do dorama, ele estreou e 10 de janeiro e teve doze episódios ao todo.  O último foi ao ar no dia 28 de março.  A protagonista é interpretada por Tsuji Karin, o ator que faz Fujishima se chama Furuya Robin e o outro rapaz, que não guardei o nome, é interpretado por Shimazu Ken.   A séria foi ao ar no canal TMX, sábado de madrugada.  Parece estar disponível no Amazon Prime em alguns países.  O site oficial do dorama é este aqui.  O título internacional parece ser "Please Teach Me, Fujishima-san!", mas o nome em inglês do mangá é outro... 

Concluindo, o mangá tem um título em inglês que eu achei bem vulgarzinho.  O original em português seria "Me diga, Fujishima-san!"  e o nome internacional do mangá faz um trocadilho que  só funciona em inglês mesmo.  "Over-Cumming Writer's Block" brinca com "come", que em "over-come" é superar, vencer, dominar, e "cum" que é gozar.  Rio precisa superar o bloqueio criativo e o resto é a piadinha infame mesmo.  Enfim, é isso.  Vou continuar lendo o mangá, ele certamente deve entrar na minha lista de mangás TL no dia do sexo.  Tentarei dar uma olhada no primeiro episódio do dorama, também, e ver o que sobrou do mangá em uma série com atores de verdade.  O trailer do dorama está abaixo:

sábado, 2 de maio de 2026

O Japão é seguro... a não ser que você seja uma mulher!

O título foi tirado da frase que abre um artigo do excelente site Unseen Japan, aberta aqui no meu navegador por mais de um mês.  Ela se chama Casos de stalking e ordens de restrição no Japão batem novo recorde (Stalking Incidents, Restraining Orders in Japan Set New Record).  O Japão é um país muito seguro, especialmente se comparado com o nosso, no entanto, matérias recentes apontam que as mulheres estão se sentindo cada vez mais vulneráveis ou que a sociedade tem se tornado mais sensível à violência que elas sofrem.  

Segundo a matéria, a Agência Nacional de Polícia (NPA) registrou, em 2025,  3.717 casos de stalking e 3.037.  São recordes desde que o país passou, em 2000, sua lei contra o stalking.  Segundo a matéria, os novos números e o relatório da NPA revelam "(...) um número recorde de prisões por stalking e ordens de restrição após um caso de perseguição e assassinato de grande repercussão.".  Essas situações de assédio e stalking são comuns nos mangás.  Naqueles que são feitos para o público feminino, normalmente são mostrados como um problema, algo que causa terror, porque as autoras sabem como esse tipo de coisa pode terminar e tendem a não ser complacentes com essas coisas.  Isso,, claro, em mangás mainstream.  Por exemplo, apareceu uma situação como essa no primeiro episódio de um anime que está no ar agora, o Parede de Gelo (Koori no Jouheki/氷の城壁).   

Já nos materiais para o público masculino, o stalking pode ser apresentado através do olhar do perseguidor, como algo excitante e prelúdio para um relacionamento amoroso/sexual ou mesmo uma escalada de violência.  Sim, lembrei de uma exceção em um material para o público feminino: Koi to Yobu ni wa Kimochi Warui (恋と呼ぶには気持ち悪い).  Com o agravante de ser um homem mais velho perseguindo uma adolescente.  Escrevi sobre ele anos atrás.

A matéria também relata que a polícia diz "(...) ter consultado pessoas sobre um total de 22.881 potenciais casos de stalking. Esse é o segundo maior número desde 2000. Dos casos investigados pela polícia, 1.546 resultaram em medidas contra o perseguidor para pôr fim ao seu comportamento ilegal. Isso representa um aumento de 205 casos em comparação com 2024. 1.577 casos resultaram em advertências. Um total de 2.171 casos resultaram em acusações formais com base em outras leis. Dois casos, tragicamente, terminaram em homicídio."  Trata-se de maior sensibilidade ou de um fenômeno que vemos por aqui e que parece ser mundial?  De que estou falando, do aumento dos casos de violência contra as mulheres articulados à circulação de discursos misóginos na internet?  O Netlab da UFRJ monitora várias redes sociais e os resultados são assustadores, mas nada surpreendentes.

Os dois casos de assassinato que parecem ter chocado o Japão, segundo a notícia, não são muito diferentes do que a gente vê por aqui, no Brasil, dia sim e outro também.  "Shirai Hideyuki, de 27 anos, assassinou sua ex-namorada, Okazaki Asahi, de 20 anos, em dezembro de 2024. A polícia da província de Kanagawa não realizou buscas na propriedade de Shirai em Kawasaki durante quatro meses, mesmo após Okazaki ter consultado a polícia nove vezes sobre o fato de Shirai estar a perseguindo. O caso veio logo após outro, em março de 2025, no qual um homem assassinou sua ex-namorada, dona de uma lanchonete, em Nishitokyo. O agressor, seu ex-marido, havia cumprido pena de prisão por agressão."  Este  último caso acabou detonando questionamentos sobre a necessidade de mudanças nas leis do país, inclusive a contra  o stalking.

Os casos acabaram reforçando as queixas de defensores de direitos das mulheres que apontam que a polícia não leva a sério as queixas das mulheres e que 80% dos casos de importunação e stalking terminam não sendo registrados.  A maioria das mulheres respondeu que ao tentarem registrar queixas são recebidas por policiais pouco interessados ou que desconfiam da sua palavra e, por isso, terminam desistindo.  No Brasil, essa situação só mudou um pouco quando foram criadas as delegacias da mulher e o pessoal que lá trabalha recebeu treinamento adequado.  

O artigo termina fazendo as mesmas ponderações que eu fiz lá em cima: os casos estão aumentando ou a polícia está ficando mais atenta?  Talvez, os dois casos de assassinato em um país tão seguro tenham servido como alerta.  Agora, na base disso tudo está a estrutura patriarcal que estimula os homens a acreditarem que têm o direito sagrado de se apropriarem das mulheres e que não podem ser rejeitados, porque as mulheres precisam ser gratas por terem sido escolhidas.  Resumindo, esse problema é mundial, porque o patriarcado atravessa todas as sociedades deste mundo no qual estamos vivendo.

Isekai para ser livre: uma análise feminista dos elementos da ficção Isekai (artigo traduzido)

Estou fazendo uma pesquisa sobre isekai e me deparei com o texto de Nadta Sasithorn que tem como título em inglês  Isekai to be Free: A Feminist Analysis of the Elements of Isekai Fiction (Isekai para ser livre: uma análise feminista dos elementos da ficção Isekai).  O problema é que em inglês é só o título e o resumo, porque o original é em tailandês e o título é ข้ามมิติเพื่อเป็นไท: การวิเคราะห์องค์ประกอบของงานเขียนแนวข้ามมิติผ่านแนวคิดสตรีนิยม, em português é algo como "Escrita transdimensional para a liberdade: Uma análise dos elementos da escrita transdimensional através de conceitos feministas".  Como vocês bem imaginam, eu entendo nada dessa língua, mas as ferramentas de tradução tornaram a nossa vida  menos complicada.  Ainda assim, mesmo que o texto faça sentido para mim, não necessariamente ele estará perfeito.  Coloquei aqui a introdução e a primeira parte do artigo.  Como ele é longo, a tradução está aqui.  Para quem quiser o original, é clicar no título tailandês.

Como o artigo não tem ilustrações, todas as que estão no post foram incluídas por mim.  No restante do artigo de Sasithorn, ela analisa duas obras: The Villainess Becomes the Leading Lady (악녀지만 여주인공이 되겠습니다 )  Yurinhae (novel) & Akade (manhwa)  e The Reason She Lives as a Villainess (그녀가 악녀로 사는 이유 ) de Yuwn & Beop.saeng.  As duas obras têm scanlations em inglês e imagino que elas existam em português, também, porque achei o nome em nossa língua. A bibliografia está no artigo e eu traduzi tudo para o inglês, porque achei melhor deixar nessa língua.  Agora, as notas sinalizadas no artigo parecem não estar disponíveis.  Há a marcação no texto, mas as notas mesmo não estão no site com o artigo.  Quando terminar o trecho do artigo, eu retorno com alguns comentários e, para quem quiser, eu fiz um Shoujocast sobre isekai anos atrás.  Eis o link.

Escrita transdimensional para a liberdade: Uma análise dos elementos da escrita transdimensional através de conceitos feministas

Introdução

Atualmente, a leitura de quadrinhos por meio de aplicativos para smartphones é extremamente popular, e existem muitos deles no mercado, como LINE Webtoon, Kakao, Comico e outros, que publicam uma variedade de gêneros de quadrinhos, permitindo que os leitores escolham quadrinhos com conteúdo que corresponda às suas necessidades. A Naver Webtoon, empresa controladora da LINE Webtoon na Coreia do Sul, chegou a ter 85 milhões de usuários em 2022 (Naver Webtoon, 2022). Um dos gêneros de quadrinhos mais populares hoje em dia é o mangá shoujo (para garotas), que envolve a transmigração para outro mundo, ou isekai, e apresenta uma protagonista feminina. Uma pessoa comum do mundo real atravessa dimensões para outro mundo. De acordo com o ranking da LINE Webtoon dos cinco quadrinhos mais populares em todas as categorias, três histórias apresentam temas transdimensionais, duas das quais têm protagonistas femininas. Na categoria de fantasia romântica, lida principalmente por mulheres, existem 60 histórias com temas transdimensionais em um total de 157 (LINE WEBTOON, 2023).

O gênero de ficção de transmigração/viagem entre dimensões tem ganhado crescente popularidade na última década e é originário do Japão (Lu, 2020; Price, 2021). O termo issekai (異世界) vem da palavra japonesa que significa "outro mundo" e é usado para descrever a convenção da ficção em que os personagens viajam para dimensões paralelas ou mundos alternativos (Ma, 2023, p. 1). As primeiras histórias de transmigração/viagem entre dimensões apresentavam um adolescente como protagonista, que cruzava dimensões para um mundo de fantasia. Portanto, os estudos sobre esse gênero frequentemente se concentram em obras originárias do Japão, particularmente light novels. Histórias em quadrinhos ou animações, como o artigo de Paul S. Price (2021) "A Survey of the Story Elements of Isekai Manga" (Uma pesquisa dos elementos da história do mangá Isekai), exploram os elementos narrativos do mangá isekai e definem as características da escrita dos isekai, incluindo a ligação do isekai a um gênero similar, a fantasia. Enquanto isso, Curtis Lu (2020) categoriza a literatura isekai em quatro tipos, fornecendo uma visão mais clara de suas características. E Scott Ma (2023) discute a ideologia ocidental refletida na criação de mundos alternativos na escrita Isekai, frequentemente comparando-os à Europa medieval.

Uma revisão da literatura revela que a maioria dos estudos sobre romances com temática de transmigração tende a se concentrar em obras com protagonistas masculinos e são predominantemente japonesas. No entanto, romances sobre transmigração são populares não apenas no Japão, mas também na Coreia do Sul e na Tailândia. Além disso, romances românticos com protagonistas femininas são outro gênero popular, e muitos deles também abordam temas de transmigração. As fontes escolhidas para este estudo são do LINE Webtoons Thailand, um aplicativo popular de quadrinhos coreanos para dispositivos móveis na Tailândia. Especificamente, a história selecionada apresenta uma protagonista que morre no mundo real e renasce em um romance que lhe é familiar, mas não no corpo da protagonista original. Ela é a vilã da história, que geralmente encontra um fim terrível, forçando a protagonista a encontrar uma maneira de sobreviver ao cruel destino da vilã.

A primeira história que analisaremos é "The Villainess Becomes the Leading Lady" (A Vilã se Torna a Protagonista), adaptada do romance homônimo de Yurinhae, publicado no site Kakao na Coreia do Sul desde 2020 e também adaptado para manhwa e publicado no mesmo site em 2021 (Yurinhae, 2020, 2021). A protagonista, Cha Min-joo, é uma estudante do ensino médio coreana dos dias atuais que comete suicídio pulando de um prédio devido ao bullying de sua colega de classe, Lee Soo-yeon. Cha Min-joo se vê renascida como Dalia Margaret, a vilã do romance "Flore, Nascida para Receber Amor", um livro que ela lia quando era mais jovem. Ainda viva no romance, Dalia, meia-irmã de Flore, a protagonista da história, desempenha o papel de uma vilã extremamente cruel e grosseira. Cha Min-joo, no corpo de Dalia, descobre que Lee Su-yeon, que caiu do prédio com ela quando cometeu suicídio, também entrou no corpo de Flore, a heroína do romance.[4] Isso a leva a decidir planejar uma vingança contra Lee Su-yeon por tê-la intimidado, com a cooperação do Príncipe Johann Descartes Serbian, Grão-Duque do Reino da Sérvia, que é o cenário do romance.

Outra webtoon que pode ser estudada em conjunto com esta é "The Reasons She Lives as a Villainess" (Os Motivos Pelos Quais Ela Vive como uma Vilã), escrita por Yuwn e ilustrada por Beop.saeng, publicada na Kakaopage em 2021 (The Reason She Lives as a Villainess, 2021; Yuwn & Beop.saeng, 2021a). A história gira em torno de uma funcionária de escritório que morre em um acidente de caminhão e sua alma entra no corpo da protagonista de um romance de fantasia romântica que ela leu. A protagonista desse romance é Lesian Husernian, a filha caçula de uma família rica, que foi criada de forma cruel e constantemente submetida a insultos e humilhações. Isso fez com que ela desenvolvesse uma personalidade perversa e, no final do romance, morre tragicamente. Quando a protagonista habita o corpo de Lesian antes de sua morte na trama do romance, ela tenta mudar o destino de Lesian para evitar esse triste fim.

O estudo dos quadrinhos mencionados revelou elementos literários comuns à escrita transdimensional. No entanto, como estudos anteriores sobre escrita transdimensional se concentraram principalmente em textos com protagonistas masculinos, a leitura de textos com protagonistas femininas oferece uma perspectiva diferente. Este artigo tem como objetivo examinar as características compartilhadas dos webtoons coreanos, analisando elementos ficcionais, as nuances da escrita transdimensional e os desafios enfrentados pelas protagonistas femininas. Também explora conceitos feministas refletidos nos elementos ficcionais, em especial na criação de personagens e no desenvolvimento da trama.

Revisão da literatura

Isekai, ou romances de transmigração, são obras de fantasia com protagonistas que viajam para outro mundo. Esse gênero ganhou significativa popularidade no Japão desde 2012 (Lu, 2020: 5-6; Price, 2021: 58). O número de mangás e animes japoneses com temática de transmigração aumentou drasticamente, de menos de 10 títulos em 2010 para mais de 140 em 2018, o ano com o maior número de mangás com esse tema publicados (Price, 2021: 58).

Paul S. Price (2021) discutiu como as obras sobre viagens dimensionais diferem de outras obras que descrevem mundos paralelos, como As Viagens de Gulliver (1726), Alice no País das Maravilhas (1865), Um Ianque na Corte do Rei Arthur (1889) e outras. Ele observou que, embora essas obras utilizem mundos paralelos como cenário, elas são categorizadas em diversos gêneros. Por exemplo, Alice no País das Maravilhas é considerada literatura infantil, As Viagens de Gulliver é satírica.  Já as obras sobre viagens transdimensionais são frequentemente categorizadas como ficção especulativa, aparecendo exclusivamente em mangás, filmes de animação e romances japoneses (2021). A ficção especulativa é um gênero literário que se refere à literatura que não está atrelada à realidade geralmente aceita pela sociedade (realidade consensual). Isso inclui todas as ficções não miméticas, como fantasia, ficção científica, terror e outras (Oziewicz, 2017). A escrita transdimensional compartilha semelhanças com a alta fantasia, que apresenta histórias sobre outros mundos e eventos sobrenaturais (Price, 2021).

Em seu artigo de 2020, "The Darker Sides of the Isekai Genre: An Examination of the Power of Anime and Manga"  (Os Lados Sombrios do Gênero Isekai: Uma Análise do Poder do Anime e do Mangá), Curtis Lu categoriza os mangás isekai em quatro tipos: 1) Isekai Padrão, onde o protagonista viaja para outra dimensão,[5] particularmente um mundo de fantasia inspirado em videogames. O protagonista frequentemente adquire superpoderes que superam os de outros personagens na outra dimensão, e isso é considerado a base de muitos gêneros isekai subsequentes. 2) Isekai Romântico, que se concentra menos nas aventuras do protagonista na outra dimensão e mais nos relacionamentos românticos entre o protagonista e um personagem do sexo oposto. Se o protagonista for masculino, haverá muitas personagens femininas que se apaixonarão por ele, mas, ao mesmo tempo, esse gênero de histórias românticas de transmigração se expandiu para um público-alvo feminino maior, incorporando elementos de jogos otome, onde a protagonista feminina é o objeto de desejo dos personagens masculinos. 3) Isekai de vida lenta (histórias de transmigração com um ritmo de vida tranquilo), onde o protagonista não busca aventuras, mas escolhe viver uma vida simples em outra dimensão. Nesse gênero, o protagonista pode não receber poderes sobrenaturais, mas usa o conhecimento adquirido em seu mundo original para se orientar. Por fim, 4) Isekai atípicos (histórias de transmigração que se desviam dos gêneros de transmigração padrão), como um protagonista humano transmigrando para o corpo de um ser não humano ou um protagonista de outra dimensão aparecendo no Japão moderno.

A trama das histórias em quadrinhos transdimensionais geralmente envolve um protagonista viajando para outro mundo, seja por meio de um portal intencional ou não, ou morrendo e renascendo nesse mundo. Esse outro mundo difere do mundo original do protagonista. Em seu mundo original, o protagonista vivia em um cenário moderno semelhante à época em que a história se passa, como a Tokyo contemporânea, no Japão, com seus avanços tecnológicos. No entanto, o outro mundo para o qual o protagonista viaja frequentemente se assemelha a uma sociedade antiga, particularmente a Europa medieval ou uma sociedade europeia histórica não especificada com um sistema feudal de governo. Scott Ma (2023) sugere que a escrita transdimensional exemplifica a ideologia ocidental (ocidentalismo). Na literatura japonesa contemporânea, esse estilo se reflete na estrutura literária em que o personagem principal, um japonês moderno com valores sociais modernos que enfatizam os direitos humanos, a liberdade e a igualdade, viaja para outra dimensão — um mundo semelhante à Europa antiga, repleto de opressão e desigualdade. Este mundo torna-se então o palco para o protagonista moderno derrubar o sistema feudal e cultivar os conceitos de liberdade e igualdade (Ma, 2023).

A ambientação da Europa medieval na escrita transdimensional é parcialmente influenciada por jogos de RPG japoneses, que por sua vez são influenciados por jogos de tabuleiro que incorporam elementos da literatura fantástica ocidental. Isso confere à escrita transdimensional uma característica de intertextualidade, ou seja, elementos presentes em outros gêneros, sejam eles mitologia, literatura fantástica, jogos de tabuleiro ou RPG, contribuem para a experiência do leitor. Os leitores podem compreender imediatamente os elementos e princípios de dimensões alternativas (Price, 2021). Além disso, alguns elementos de jogos de RPG são utilizados na escrita transdimensional sem que o autor precise explicar sua origem, como atributos de personagens, como pontos de vida (PV), pontos de magia (PM), habilidades e níveis; guildas de aventureiros, locais onde o protagonista recebe missões para avançar na história ou obter recompensas; monstros, ou criaturas inimigas do protagonista; e itens, ou diversos equipamentos mágicos, etc. (Lu, 2020; Price, 2021).

Otome Isekai, ou transmigração para garotas, apresenta características distintas que o diferenciam de Shonen Isekai (transmigração para garotos) mencionado anteriormente. Como Otome Isekai é frequentemente categorizado como transmigração romântica, o foco está no relacionamento entre a protagonista feminina e seu interesse amoroso masculino. Os enredos de transmigração romântica não enfatizam muito as aventuras da protagonista, permitindo que os autores experimentem uma ampla gama de estruturas narrativas, como uma protagonista feminina transmigrando para um jogo[6] para garotas que ela costumava jogar e tendo que conquistar o coração de um personagem masculino no jogo, ou transmigrando para a vilã de um jogo ou romance que ela costumava ler (Lu, 2020).

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Ranking da Oricon: Semana 20-26/04

Está  no ar  o ranking dos mangás mais vendidos da semana, que é publicado semanalmente pela Oricon.  Para quem não sabe, eu publico o top 10, que esta semana não tem nenhum mangá de demografia feminina, e publico todos os shoujo, josei e BL que estão no ranking.  De destaque no top 10, temos Skip & Loafer, publicado no Brasil pela JBC e que teve duas temporadas animadas, e Hon nara Uru hodo, atual vencedor do Grande Prêmio no 30º Osamu Tezuka Awards e no 19º Manga Taisho Awards.  É uma série sobre um sebo (*loja de livros usados*) e deve ser adaptada para anime ou live action em breve.  Não comentei os prêmios, porque não havia mangá feminino indicado, acredito.

Falando em demografia feminina, Natsumo Yuujinchou continua entre os mais vendidos, a série é um fenômeno.  Temos um BL na lista, 25ji, Akasaka de e Game ~Suit no Sukima~ finalmente teve um volume lançado.  Trata-se de um mangá josei com conteúdo erótico (*mas não é TL*) e é publicado pela Panini.  Se você não sabe disso, é culpa da autora, que fica muito tempo sem publicar nada da série.

1. ONE PIECE CHOPPER’s #1
2. Blue Lock #38
3. SPY×FAMILY #17
4. Real #17
5. Isekai Ojisan #15
6. Skip & Loafer #13
7. Detective Conan #108
8. Hon nara Uru hodo #3
9. Shangri-La Frontier #26 ~Kusoge Hunter, Kami-gee ni Idoman to su~
10. Yuusha ni Zenbu Ubawareta Ore wa Yuusha no Hahaoya to Party wo Kumimashita! #7
11. Onee-chan no Midori-kun #11
13. Koi Suru Lip Tint #5
16. 25ji, Akasaka de #6
24. Natsume Yuujinchou #33
25. Game ~Suit no Sukima~ #6