terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Para quem quiser ouvir o Shoujocast


Lá em 2009, eu decidi criar um podcast.  Começou de forma bem precária.  Aí, o amigo Anderson sugeriu um nome "Shoujocast".  Vieram companheiras, a Lina Inverse, depois a Tanko e, por fim, a Tabby e, bem, fizemos 52 programas.  Pouco, eu sei, mas as agendas desencontraram.  Sempre penso em voltar, mas ainda não houve como.  Bem, eu queria disponibilizar os programas, mas descobri que não tinha todos. Perguntei se a Lina tinha.  Ela organizou tudinho e disponibilizou para download (*AQUI*).  Tudinho, não, faltou o programa 52, então, coloquei no Youtube.



Eu parei para escutar um dos meus programas favoritos o duplo sobre Orgulho & Preconceito e foi um prazer muito grande ouvir a voz das amigas queridas e da convidada especial, a Adriana Salles.  Que conversa legal foi aquela.  Enfim, se você quiser relembrar, ou conhecer o Shoujocast, esta é a oportunidade.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Pensamento Feminista: Conceitos Fundamentais: Recomendação de livro


Hoje, passando pela Livraria Cultura, havia uma mesa com livros com temática feminista, ou próximo disso, entre eles estava este livro "Pensamento Feminista: Conceitos Fundamentais".  Como a capa era muito parecida com outro que eu tenho da mesma organizadora, Heloísa Buarque de Hollanda, fiquei na dúvida. Será que não comprei esse livro?  Não, era novíssimo, os que eu tinha em casa era o Explosão feminista: Arte, cultura, política e universidade e, da mesma editora desse da dúvida, Pensamento Feminista Brasileiro: Formação e contexto.

Enfim, Pensamento Feminista: Conceitos Fundamentais é um livro muito útil para quem quer se enveredar nas discussões feministas acadêmicas fundamentais, vários dos textos, eu já tinha em casa, em outros livros, impressos da internet, ou ainda em xerox do tempo do doutorado...   Tirei um print da primeira parte do índice para vocês verem.  Todos esses textos vocês encontram na internet em português, ou inglês para download, é só procurar.


Nas outras seções temos discussões sobre feminismo negro, alteridade, teoria queer, etc.  Enfim, é um material muito interessante, mas nessas outras duas seções há material que, com certeza, não será encontrado na internet.  Deem uma olhada no resto do índice no Amazon.  Voltando para a parte 1 do livro, Buarque de Hollanda aponta na introdução que são textos conceituais fundamentais para pensar o(s) feminismo(s).  Por minha conta, queria listar mais cinco que, a meu ver, estão faltando (*clique para baixar*): 
  1. Interpretando o Gênero de Linda Nicholson.  Discussão fundamental sobre sexo e gênero e só as duas categorias.
  2. Um Feminismo Materialista é Possível (parte em português - todo em inglês) de Christine Delphy.  É aqui que aparecem dois conceitos que são muito importantes, especialmente, para situar os feminismos dentro de um referencial marxista, "modo de produção doméstica" e "classe dos homens", este último conceito, eu costumo usar muito.
  3. O tráfico de mulheres: Notas sobre a “Economia Política” do Sexo (*português - inglês*) de Gayle Rubin.  O livro Políticas do Sexo tem esse texto e está por um preço bem acessível.
  4. Entre a vida e a morte, o sexoA construção das mulheres ou a renovação do patriarcado de Tânia Navarro-Swain (*minha orientadora no doutorado*).
É muito legal que a editora Bazar do Tempo esteja investindo em livros feministas e com acabamento muito bom.  Eles estão bonitos mesmo.  Agora, as capas são tão parecidas que eu fiquei confusa mesmo.

Estamos mais perto de The Handmaid's Tale do que imaginamos


Para quem não conhece, The Handmaid's Tale, O Conto da Aia, em português, é um livro de Margaret Atwood foi publicado em 1985.  Na obra, a ação se passa em Gilead, uma república fundamentalista surgida da fragmentação dos Estados Unidos.  Nesse país, as mulheres são categorizadas por seu potencial reprodutivo e as aias, as únicas mulheres férteis, são tratadas como meras encubadoras para os comandantes desse país e suas esposas inférteis.  A série de TV do canal Hulu segue na mesma linha e mostra as aventuras e desventuras de June, a aia e protagonista da história.

"É assim que começa", diz um cartaz.
As aias não tem controle algum sobre seu corpo, os fetos são o bem mais precioso.  E por qual motivo coloquei esse título alarmista no meu post?  Enfim, acabo de ler no The Intercept sobre uma nova resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) que confisca das mulheres a sua autonomia em favor da  (*suposta*) proteção do feto. E a quem cabe decidir?  Ao médico, claro.  E cito o trecho:
"Art. 5º A recusa terapêutica não deve ser aceita pelo médico quando caracterizar abuso de direito. (...)
§ 2º A recusa terapêutica manifestada por gestante deve ser analisada na perspectiva do binômio mãe/feto, podendo o ato de vontade da mãe caracterizar abuso de direito dela em relação ao feto.
Art. 6º O médico assistente em estabelecimento de saúde, ao rejeitar a recusa terapêutica do paciente, na forma prevista nos artigos 3º e 4º desta Resolução, deverá registrar o fato no prontuário e comunicá-lo ao diretor técnico para que este tome as providências necessárias perante as autoridades competentes, visando assegurar o tratamento proposto."
Sem autonomia, você é somente uma hospedeira.
Não é a primeira vez que o CFM tenta confiscar a autonomia das mulheres sobre seu corpo, havia franca reação do órgão contra o parto domiciliar ou a presença das doulas a insistência pelo parto normal (*mais ainda pelo parto humanizado*), quando é mais cômodo para a equipe médica fazer uma cesariana, o questionamento das mulheres em relação à procedimentos como a episiotomia.  Poderia listar mais coisas.  Membros proeminentes do CFM  no Rio de Janeiro comemoraram a vitória do atual governo como uma forma de minar a influência das feministas esquerdistas nas políticas de saúde. 

Enfim, recomendo a leitura do artigo do The Intercept, eles entrevistam a Dr.ª Melania Amorim, referência em discussões sobre parto humanizado.  Essa resolução do CFM aproxima a entidade de projetos como o Estatuto do Nascituro que efetivamente reduziriam a mulher a uma hospedeira sem direito de escolha sobre o seu corpo.  Aliás, nos EUA, de onde esse tipo de visão foi importada, há legisladores que já usam essa terminologia.  Convém não esquecer do caso Adelir, levada de sua casa pela polícia e submetida a uma cesariana forçada, porque ele pode virar regra.

"Não sou uma hospedeira",
diz a camiseta dessa mulher.
Em São Paulo, agindo em consonância com os interesses de planos de saúde e entidades médicas, a deputada estadual  Janaina Paschoal conseguiu passar um projeto que garante a cesárea eletiva no SUS, como se fosse um direito das mulheres diante da ditadura do parto normal e, não, um procedimento de emergência para salvar vidas.   No Brasil, o percentual de cesarianas chega à 52% no setor público podendo atingir 88% no setor privado, contraria as recomendações da OMS. A taxa ideal de cesáreas, de acordo com a organização, é entre 10% e 15%.  Em muitos casos, médicos já perguntam na primeira consulta se a mulher quer marcar a cesariana.  Eu acompanho essas discussões de perto e, bem, minha filha tem somente cinco anos, nem faz tanto tempo assim que estive nessa ciranda.

Não se trata de alarmismo, estamos, sim, caminhando para o pior.  Este ano mesmo, o Ministério da Saúde tentou proibir o uso do termo "violência obstétrica" dos documentos oficiais em uma tentativa de negar uma realidade que marcou a experiência de gestação e parto de muitas mulheres.  Depois de muita grita, recuou, e liberou um novo documento garantindo às mulheres a liberdade de usar o termo, porém não se comprometia a retomar o seu uso em políticas públicas.  E, só para constar, são as mulheres negras (*e pobres*) que mais sofrem violência obstétrica e morrem no parto em nosso país.  A quem interessa não discutir esse problema?

São elas as que mais sofrem violência
obstétrica e morrem no parto.
Não se enganem, estamos diante de um projeto que parte de vários lugares: grupos do governos, entidades médicas, das igrejas etc.  No horizonte, o que temos é mais mulheres sofrendo e morrendo, mais mulheres sem o direito de fazer escolhas sobre seu corpo que em países realmente civilizados e laicos são coisa mais banal.

Coletânea de mangás Yuri vai sair nos EUA


A editora americana Seven Seas anunciou o lançamento da coletânea de histórias curtas Syrup Shakaijin Yuri Anthology (シロップ 社会人百合アンソロジー ).  "Shakaijin" significa adulto que trabalha, que é um membro útil da sociedade.  O original tem como subtítulo "Women Love Anthology". Colaboraram com a antologia autoras como Milk Morinaga, Kodama Naoko e Yoshimurakana, entre outras.  Previsão de lançamento é 9 de junho de 2020, o preço é U$13,99.  Nem sei quanto isso poderá sair em reais...  

O Jardim Secreto ganha nova adaptação em filme


O estúdio Studiocanal liberou o trailer de mais uma adaptação de O Jardim Secreto (The Secret Garden) de Frances Hodgson Burnett.  Trata-se de outro daqueles clássicos da literatura infanto-juvenil escritos por mulheres e com uma menina como protagonista.  Lançado em 1911, o livro teve sua primeira adaptação para o cinema em 1919.  Foram muitas adaptações, acredito que eu assisti duas que eram para o cinema, mas houve minisséries e, claro, os japoneses fizeram uma versão animada com 39 capítulos chamada  Anime Himitsu no Hanazono (アニメ ひみつの花園).

Versão anime.
Essa nova versão britânica trará mais mudanças do que a média, começando por tirar o livro do início do século XX para 1947, no momento da traumática repartição da Índia. No livro original, Mary Lennox é uma menina de 10 anos, nascida na Índia de pais ingleses que não demonstram nenhum amor por ela.  A criança é educada por criados e é mimada, agressiva e aparentemente doente.  Há uma epidemia de cólera, os pais e os criados morrem e a menina é resgatada de uma mansão vazia e cheia de mortos.

Uma das versões para mangá.
Mary termina sendo enviada para a casa de um tio na Inglaterra.  Yorkshire, clima frio, um parente que não lhe dá atenção, charneca (the moors).  Mary continua se comportando mal como uma forma de defesa.  Um dia, uma das criadas, Martha, comenta com ela sobre o jardim secreto que era cultivado por sua falecida tia,  Lilias Craven,  A jovem tinha morrido em um acidente no jardim e o marido, Mr. Craven, decide fechar o lugar para sempre.

A versão de Chikako Urano.
Mary decide encontrar o jardim e conhecê-lo, termina descobrindo que o jardim continua florescendo, graças ao trabalho silencioso do jardineiro, e parece um paraíso.  Com o tempo, o comportamento da menina melhora, ela fica amiga do irmão de Martha, Dickon, e sua vida começa a melhorar, até que ela ouve gritos na mansão e termina descobrindo que há um menino escondido nela, seu primo, Colin, uma criança aparentemente doente e que não consegue andar.  Mary decide  mudar a vida do menino, mas isso não será tão fácil assim...

Há muitas versões ilustradas de O Jardim Secreto.
O trailer está aí embaixo.  O filme vai para os cinemas ingleses na primavera de 2020.  Deve chegar aqui por streaming.  Colin Firth está no elenco fazendo o tio de Mary, Mr. Craven.  Na versão para a TV de 1987, Firth aparecia como Colin Craven adulto.


Por curiosidade, fui procurar para saber se tínhamos versões para mangá do livro (*óbvio que iria achar*).  Encontrei três com certeza, uma de Fumizuki Kyouko, de 1984, outra de Fujita Motoko de 1990 e uma versão de Chikako Urano, de Attack Nº1, de 1977.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Quatro grandes editoras japonesas movem ação nos EUA contra sites de pirataria


Passando pelo Sora News vi a notícia de que Shueisha, Kodansha, Kadokawa e Shogakukan, quatro das maiores editoras japonesas, estão movendo um processo na corte de Nova York contra sites piratas.  A movimentação começou com a derrubada do site japonês MangaMura, fonte de muitos materiais posteriormente utilizados por sites estrangeiros e a prisão do seu administrador nas Filipinas.  A ação internacional visa neutralizar sites grandes que cometem pirataria e lucram com isso.

Segundo o ANN, as editoras argumentam que os sites hospedados nos EUA hospedam mais de 93 mil volumes de mangá muitos deles oriundos do MangaMura.  Essa ação das editoras provavelmente está ligada ao anúncio do fechamento do site MangaRock este mês.


O problema de alguns desses sites é que eles não fazem somente scanlations de material que muitas vezes nunca será publicado, eles distribuem títulos populares, ganham com propaganda paga e chegam a cobrar por assinaturas premium para que as pessoas possam ter acesso a todos os mangás disponíveis.  Enfim, precisamos das scanlations, especialmente quando queremos ler em uma língua acessível mangás que nunca serão publicados fora do Japão, no entanto, lucrar com material que muitas vezes é feito de graça por fãs é muita picaretagem.

Jane Austen ilustrada por Margaux Motin


Conhecia Margaux Motin do quadrinhos Placas Tectônicas publicado pela editora Nemo.  Procurando informações sobre uma quadrinização francesa de Orgulho & Preconceito terminei achando ilustrações de Margaux Motin.



Achei que era um quadrinho, ou alguma coisa do gênero, mas, na verdade, são edições dos livros de Jane Austen em francês com ilustrações da autora.  Não são versões adaptadas, mas os originais mesmo.



Publicados pela editora Tibert, Orgulho e Preconceito foi publicado em 2017, Persuasão, em 2018, mas já no final do ano.  De repente, está a caminho mais adaptações.  


Há muitas ilustrações do livro na internet e, bem, o traço da atriz é bem simpático.



Queria muito que saísse um álbum com as ilustrações.  Aí embaixo, um video da autora falando de Persuasão.

Mangá sobre duas amigas que descobrem que se amam tem primeiro volume lançado no Japão


Sore wa, haru no arashi no you ni (それは、春の嵐のように), de Kurukuruhime, é um mangá yuri lançado na internet que teve seu primeiro volume encadernado lançado agorinha.  



A série tem como protagonistas duas amigas desde a escola.  Sakai (*acho que o nome dela é esse*) é uma OL (*office lady*) que deseja ser uma pessoa comum, se encaixar e ser socialmente aceita.  Já Chiho é uma novelista que deseja tudo, menos ser uma pessoa comum.



Sakai arruma um noivo e no dia do casamento, Chiho a madrinha, aparece vestindo um ternoe a amiga decide largar o noivo no altar e ir embora com ela.  Vocês já viram noiva largar noivo no altar em mangá?  Eu nunca!  E as duas viram um casal.  Enfim, queria ler isso (*Scanlations!  Scanlations!*) e espero ter entendido direitinho o resumo do Comic Natalie.