sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Finalmente o trailer de Lupin da Netflix! E é diferente daquilo que eu esperava.

Em agosto de 2018, foi anunciado que um estúdio francês estava desenvolvendo um projeto de série sobre Arséne Lupin estrelado por Omar Sy.  Pensei que seria algo na linha Sherlock com as aventuras do ladrão-cavalheiro transferidas para os nossos dias.  O resumo disponível é o seguinte: "Na adolescência, a vida de Assane Diop dá uma guinada radical quando seu pai morre após ser acusado de um crime que não cometeu. Vinte e cinco anos depois, Assane se inspira em "Arsène Lupin, o Ladrão de Casaca" para vingá-lo. Uma série original Netflix. Estreia em 8 de janeiro."  O trailer saiu ontem, ele está aí embaixo (*não achei legendado em português*):

Pelo que o trailer sugere, essa primeira história de vingança meio que se inspira no caso em que o Lupin, ainda um garoto, rouba uma joia de um pessoal que foi muito cruel com sua mãe e garante o sustento dela sem que ela saiba por vários anos.  O Arséne Lupin original era filho de uma moça rica, acho que da nobreza, que rompeu com a família e se casou com um líder operário.  Quando ficou viúva, seus antigos amigos e parentes não foram bons com ela, mas a humilhavam e seu filho nunca os perdoou e essa experiência e sua origem formaram o seu caráter.  Gente rica que é cruel e insensível com os mais pobres, que sequer conhece o que tem, não tem gosto ou capacidade para avaliar os tesouros que possuem, não merece compaixão.  E eu fiquei já sonhando com um crossover com Sherlock.  Vejam que uma das capas de livros que aparece no trailer é "Arséne Lupin contre Herlock Sholmes".


Campanha pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (Dia 10): "Deputéricas", neologismo expõe a tentativa de calar as mulheres

Ontem, o deputado Bibo Nunes (PSL) disse o seguinte durante uma discussão na Câmara dos Deputados "Deputadas histéricas, vou criar um neologismo: 'Deputérica'. Quando eu falar "Deputérica", estarei me dirigindo a uma Deputada histérica, que não tem posicionamento, que não tem bom senso e que não se enquadra dentro do decoro parlamentar".  O parlamentar estava atacando três deputadas em particular, Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Érika Kokay (PT-DF).  Alguém pode dizer que ele estava exercendo sua liberdade de expressão e que se trata de mais um embate entre a (extrema) Direita e a Esquerda no Congresso Nacional.  

Não, não é, histeria, que vem de "histerion", útero (ὑστέρα), em grego, é um termo que foi usado para patologizar e, logo, desqualificar as palavras das mulheres e calá-las.  Quando era possível, até a década de 1960, 1970, do século passado, poderia resultar no encarceramento dessa mulher em um hospital psiquiátrico pelo seu responsável (*pai, marido, irmão, especialmente*).  Como somente as mulheres tinham útero, somente elas poderiam ter esse tipo de perturbação mental, seu corpo feminino era seu inimigo.  "O termo histeria foi utilizado por Hipócrates, que pensava que a causa da histeria fosse um movimento irregular de sangue do útero para o cérebro.". (wikipedia)  O termo "histérica' não é mais usado na psiquiatria, ou psicologia, mas está no senso comum e pode ser sacado a qualquer momento para atacar uma mulher.  E pode ser utilizado por homens de (extrema) direita e de esquerda indistintamente, porque o machismo é muito forte na maioria dos homens.

“A ira masculina é geralmente entendida como justificada, racional, é até um sinal de poder, (...) Mas quando uma mulher se mostra zangada, abertamente, é vista como irracional, agressiva, histérica.”explica a fotógrafa  polonesa Werokina Perłowska em uma entrevista ao site do jornal português Público. A matéria segue explicando que "“Na Polónia, o país de onde é natural a fotógrafa, existe um ditado dirigido às mulheres que remete para esse facto: “A ira diminui a sua beleza.”".  Para ser bela, para ser aceita, a mulher precisa ser submissa, cordial.  Já ao homem é dado o direito de irar-se, falar alto, gritar até, pois seriam expressões legítimas de sua indignação e de seu engajamento em uma discussão.

Agora, não pensem que a mulher que não se indigna, se ira, ou mostra isso em público, está a salvo de ser chamada de histérica, porque, bem, ela é mulher, tem útero.  É como ser chamada de "puta", ser mulher já qualifica qualquer um de nós ao xingamento desqualificando a nossa "moral sexual". Ao que parece, pelo menos parte da bancada feminina da Câmara entendeu como a fala do deputado é ofensiva e misógina e ele será levado ao Conselho de Ética da Câmara, segundo a deputada Tábata Amaral (PDT).  Aguardemos os desdobramentos. 

Comentando os primeiros capítulos de Chihiro-kun wa, Atashi Holic。: Moda e romance na medida certa

Dia desses comentei o primeiro capítulo do mangá Chouka-han ka ~Gokudou-sama Afurete Afurete Naka Setai~  (蝶か犯か ~極道様 溢れて溢れて泣かせたい~)  e fiquei me perguntando o que uma série tão violenta e com um conteúdo sexual tão extremado estava fazendo na Nakayoshi.  Mas, hoje, dei uma olhadinha nos cinco primeiros capítulos de Chihiro-kun wa, Atashi Holic(千紘くんは、あたし中毒) de Itou Sato e vi que este seria um mangá certo para estar na Nakayoshi.  Fazia tempo que não lia nada da revista e fiquei bem satisfeita com o que vi. 

A série começa com Michi sendo abordada na rua por um rapaz de nome Chihiho que lhe diz, do nada, que quer que ela seja sua musa e que deve tirar a roupa.  A menina fica aterrorizada e é defendida por um homem mais velho que dá um soco no rapaz.  Michi foge e se recorda de quando quase foi sequestrada por um tarado quando era criança e que, desde então, ela fizera de tudo para se esconder, não se destacar, não atrair a atenção de homem algum.  No outro dia, ela descobre que Chihiro é  seu colega de escola.  Michi vai assuntar sobre o sujeito e descobre que ele é terrivelmente tímido com as garotas, apesar de tê-la abordado da forma como abordou.

Michi e Chihiho acabam conversando e ele lhe confessa que seu sonho é ser estilista e que ela é "sua musa", que mesmo em roupas tão pouco atraentes, como no outro dia, ela tinha uma beleza e uma elegância sem rival.  Michi fica confusa, mas deixa que o rapaz tire suas medidas.  No outro dia, Chihiro lhe traz um belíssimo vestido e pergunta se pode fotografá-la.  Apesar de ter medo que ele seja um tarado, ela permite.  Outros vestidos se seguem e Michi, apesar dos seus temores, aceita ir até o atelier do rapaz.

Sim, temos um clichê grande aqui, ainda que não tenhamos a explicação até o ponto que li, Chihiho parece morar sozinho e trabalha incessantemente para atingir seu grande objetivo, se tornar um grande estilista e trazer beleza para o mundo.  Até esse momento, Chihiro parece um stalker, alguém meio esquisito, mas, com o tempo, essa sensação se desfaz. Ele é gentil e cuidadoso com Michi.  Chihiro o Michi se tornam cada vez mais próximos e o rapaz lhe pergunta se ela está em algum clube, quando a menina diz que não, ele a coloca no seu recém formado clube de design de moda experimental.  Haverá um concurso de uniformes escolares e ele decide inscrever uma de suas criações tendo Michi como sua modelo.

De um lado, nessa altura da história, temos meninas com inveja de Michi e sendo cruéis com ela por inveja da atenção que alguém tão "comum" está recebendo e, do outro, um colega de turma da garota que vem tomar satisfações com Chihiro temendo que ele possa ferir os sentimentos da menina.  É possível que esse rapaz dispute o coração de Michi no futuro, ou pode ser somente um amigo.  O fato é que mesmo inexperiente e com medo, Michi consegue desfilar.  E Chihiro fica tão encantado que a beija no backstage.  Estamos no final do terceiro capítulo.

Michi foge com o coração acelerado, ela já estava apaixonada por ele e a proximidade física com o rapaz já a deixava nervosa bem antes do beijo.  Depois disso, Chihiro desaparece, não responde as mensagens de Michi, e a menina toma coragem e vai até a casa dele.  O rapaz está desacordado no chão e com uma altíssima febre.  Ele se desculpa, porque a beijou sem seu consentimento e parece realmente que adoeceu por causa da culpa (*e da excitação*).  Michi, mesmo muito envergonhada, o ajuda a trocar de roupa e o coloca na cama. Antes de partir, imaginando que Chihiro dorme ela beija seu rosto e deseja que o próximo beijo entre eles não gere tanta confusão.

Chihiro-kun wa, Atashi Holic。segue nesse passo, temos os dois protagonistas apaixonados, sabemos o que vai na mente dos dois, não somente da garota, e o mangá desenrola o relacionamento dos dois de forma agradável, romântica e com uma dose de sensualidade leve que não destoa desse tipo de história.  Imagino que os dois logo sejam namorados, se não forem obstruídos de alguma forma.  Neste momento da história, não temos rivais, temos muitos detalhes para quem gosta de moda e séries com essa temática e dois protagonistas gostáveis.  Sexo não sei se teremos, mas, se acontecer, deve ser uma cena bem suave e bonitinha. 

Quando a questão é como a moda é mostrada no mangá, Chihiro faz observações sobre tecidos e caimento, anota o que ficaria melhor em Michi.  Ouro, ou prata?  É sensível às necessidades da menina.  Por exemplo, Michi não tem experiência com saltos altos.  Ela quase cai duas vezes, o que é a chance para que o rapaz venha ampará-la, e há um ponto da história, quando eles estão fotografando em um parque, que Michi pede para ficar descalça.  Chihiro pondera que o efeito foi mais natural e de acordo com o espírito do ensaio, o Verão. O gatinho preto na ilustração acima é uma referência ao rapaz.  A menina imagina Chihiro como um gato (*misterioso? elegante? sedutor?*).  Quando eles se presenteiam com pendentes de celular, ela lhe dá um gato preto, já o rapaz, a presenteia com uma cachorrinha. "Eu não sou tão fofa assim?", ela diz enrubescendo. "Não, você não é, você é mais fofa que ela.", ele comenta. No original era kawaii, claro.

Há outras questões que podem ser desenvolvidas ainda na história, claro. Michi se sente culpada, provavelmente por causa da família, por ter sido quase vítima de um tarado quando pequena.   Já Chihiro tem problemas com a mãe, pelo menos é isso que se sugere em um capítulo especial curtinho.  A mãe o considerava menos capaz que sua irmã, que era pianista, e ele de esforça para provar que, sim, pode ser bom em alguma coisa.  A irmã, aliás, parece ser vítima da pressão excessiva da mãe sobre ela, também.  É dito em algum momento que Chihiro teve uma musa anterior, uma menina que valorizava suas criações de criança, mesmo quando elas eram muito amadoras.  Ele sugere que se enganou com a moça, mas vai que ela volta?

E, claro, para quem acredita que até para um beijo tão genuíno e de impulso como o trocado pelas personagens é necessário um estrito consentimento de ambas as partes, Chihiro-kun wa, Atashi Holic。é um achado.  E vejam que o moço até fica doente por causa disso... Ah, sim, o homem que bateu em Chihiro no início do mangá é "seu mestre", mas, até o momento, nada se mostrou dele ensinando o rapaz.  Chihiro-kun wa, Atashi Holic。acabou de ter seu terceiro capítulo lançado e achei scanlations em inglês até o capítulo 5 + o gaiden.  É isso.  Chihiro-kun wa, Atashi Holic。 é um romance escolar fofinho e bem feito.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Campanha pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (Dia 9): A pandemia tornou a vida das mulheres mais difícil no Brasil, não que ela fosse fácil antes, claro!

 


Vi a imagem acima e decidi procurar os dados citados e deixar os dados para a reflexão de vocês:
  1.   Taxa de desemprego chega a 17% entre mulheres e 16% entre negros: nunca houve tantos desempregados no Brasil, mas a taxa geral de mais de 14% não pode mascarar o fato do desemprego ser mais cruel com as mulheres e os negros e se levarmos em consideração de que  quase metade dos lares brasileiros são sustentados por mulheres, a situação se torna ainda mais desesperadora.
  2. Uma mulher é morta a cada 9 horas durante a pandemia no Brasil: Entre março e agosto, tivemos 497 caos de feminicídio no país, isto e, mulheres que foram mortas por serem mulheres.  Não pensem que é pouco.  Mulheres são mortas todos os dias por homens que diziam amá-las, mortas principalmente em suas casas.  E quantas morreram entre setembro e novembro?  Certamente o número não ficou estacionado em 497.
  3. Ministério de Damares desembolsou 5,4 % do orçamento de proteção a mulheres: essa economia custou vidas, claro, mas quem se importa?  Mas fiquem contentes, este ano, até novembro, o gasto já foi de 6%, do orçamento geral o econômico ministério da Mulher e Direitos Humanos só usou 44% das verbas até agora.
  4. 26% de meninas brasileiras não têm dinheiro para comprar absorvente: acabei de tomar conhecimento que existe um termo para isso, pobreza menstrual.  Para muitas meninas e jovens brasileiras um absorvente é um produto de luxo e não acessível.  A matéria ainda enfatiza que a pandemia tornou a situação ainda pior, porque qualquer 20 reais é muito valioso e não pode ser utilizado com algo que vai para o lixo.  A saída poderia ser uma política pública voltada para o tema, inclusive fornecendo e ensinando a utilizar os coletores menstruais que são reutilizáveis e não poluem o ambiente.
  5. 75% das mulheres assassinadas no Brasil são negras: ser mulher é perigoso, ser mulher negra é ainda mais.  Ainda segundo a matéria, mulheres e meninas negras correm mais risco de serem estupradas e agredidas.  A violência no Brasil tem como alvo principal as populações pobres e a maioria dos pobres são negros.  Como modificar isso se temos um governo que, no Dia da Consciência Negra, fez questão de negar a existência do racismo no Brasil?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Campanha pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (Dia 8): Mulher fica paraplégica após ex-marido pagar R$ 18 mil para matá-la

Uma das marcas do patriarcado é a ideia de que as mulheres são propriedade masculina.   Ainda que a legislação nos reconheça como sujeitos de direito, que muitas práticas tenham mudado ou sido amenizadas, não rediscutimos a raiz de tudo que é o próprio sistema e o modelo de masculinidade tóxica legitimado por ela.  Pois bem, o caso de hoje é o de uma mulher tornada paraplégica pelo homem que dizia amá-la e não aceitou uma separação.  Segundo noticiaram vários veículos de comunicação, o ex-marido da  balconista Ingrid Mendonça Ribeiro, de 34 anos, pagou 18 mil reais para que um sujeito a matasse forjando um assalto à farmácia onde a mulher trabalhava.  Ela foi baleada e o disparo atingiu o ombro da balconista, atravessou a coluna e a bala ficou alojada em seu quadril, fazendo com que Ingrid perdesse os movimentos da cintura para baixo.

Ao acordar Ingrid relatou à polícia que o carro do assaltante a havia seguido outro dia.  Como os criminosos tinham sido interceptados pela polícia, sendo que o que atirou contra Ingrid morrera no confronto, eles obtiveram a confissão do comparsa.  O ex-marido de Ingrid havia pago 5 mil de entrada e prometera mais 13 mil depois do serviço feito, ele e o intermediador do "negócio" foram presos.  O crime ocorreu no dia do aniversário de 11 anos do filho de Ingrid.  Imagine o trauma.  Segundo a matéria do UOL"Uma semana depois do crime ela teve alta para poder se recuperar em casa. Quando ficou sabendo que estava paraplégica, ela parou de se alimentar e de falar, aí começamos a luta para ajudá-la. Hoje ela faz acompanhamento com uma equipe multidisciplinar para ir reaprendendo os movimentos e já começou a sentar sozinha. Mas é muito difícil, uma mãe que tinha sua casa, sua moto, trabalhava, tinha toda a sua independência se ver em uma cama". É isso.  Até quando?

Quadrinho mais premiado da França em 2020 discute gênero e sexualidade ao recontar Pele de Asno


Pele de Asno é um dos meus contos de fada favoritos.  Na minha versão favorita do conto, que é a que está no filme de Jacques Démy, o mesmo que dirigiu o live action da Rosa de Versalhes, temos uma bela princesa que é órfã e muito bonita.  Seu pai é pressionado a se casar novamente para gerar um herdeiro homem, mas diz que ele jurara para a esposa que só se casaria com uma mulher que seja tão bela quanto a falecida esposa.  Seus pérfidos conselheiros lhe sugerem que se case com a própria filha, a moça, aterrorizada, recebe o conselho de sua fada madrinha, que lhe sugere que peça presentes impossíveis para o pai.  Ela pede um vestido que tenha todos os azuis do mar, um que tenha todas as estrelas do céu e outro que seja brilhante como o Sol.  Tudo o pai cumpre.  Faltava um último presente e ela pede a pele do asno mágico do rei, que defecava ouro.  O rei lhe dá o presente.  A fada miniaturiza os vestidos em uma casca de noz e a princesa foge maltrapilha, suja e vestindo a pele do asno, se escondendo em uma floresta.

Um dia, a bela princesa é encontrada por um príncipe que estava caçando e se apieda dela.  a moça é transformada em criada em seu palácio, fazendo os piores serviços e sendo apelidada de Pele de Asno.  Mas o príncipe precisa se casar e temos três bailes em noites seguidas.  Pele de asno comparece belíssima e com cada um de seus mágicos vestidos.  O príncipe cai de amores por ela e lhe dá um anel de presente, mas não lhe sabe o nome e ela foge.  

O moço adoece e ordenam que Pele de Asno lhe faça um mingau que ele gostava muito e ela fazia muito bem.  A moça coloca dentro do mingau o anel que o príncipe lhe dera.  Em algumas versões, o anel tem a função do sapatinho da Cinderela e não tinha sido dado pelo príncipe.  O resultado disso é que a farsa se desfaz e os dois se casam.

O quadrinho francês Peau D'Homme (Pele de Homem) de Hubert e Zanzim, se passa no Renascimento (Século XV ou XVI, ao que parece) e tem como protagonista uma jovem chamada Bianca, que está prometida a um rapaz chamado Giovanni.  Eles não se conhecem, a moça está ansiosa e cheia de temores, mas lhe é revelado que existe uma herança mágica passada de geração em geração entre as mulheres, a "pele de homem", que lhe permitirá conhecer melhor seu futuro marido sem ser reconhecida.  A moça se transforma em Lorezo.  Giovanni, que é homossexual, termina se apaixonando por Lorenzo sem saber que é Bianca.  

O resumo do quadrinho no Amazon traz o seguinte: "Mas ao vestir a pele de homem, Bianca rompe os limites impostos às mulheres e descobre o amor e a sexualidade. A moralidade do Renascimento, então, reflete a de nosso século e levanta várias questões: por que as mulheres deveriam ter uma sexualidade diferente da dos homens? Por que seu prazer e liberdade deveriam ser objeto de desprezo e coerção? Finalmente, como pode a moralidade ser o instrumento de dominação severa e inconsciente?"  Eu só sei que a arte é muito bonitinha e eu quero ler esse negócio.

Peau D'Homme venceu todos os grandes prêmios dos quadrinhos franceses este ano (Wolinski, RT , o Landerneau e o de Crítica da ACBD).  O quadrinho já é o grande favorito para o prêmio principal do Festival de Angoulême de 2021.  O site Fumettologica colocou ainda os elogios dos jornais franceses.  Peau D'Homme foi o último trabalho de Hubert, que faleceu em 12 de fevereiro deste ano aos 49 anos em virtude de um suicídio.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Tenista Naomi Osaka será estrela de uma série de ficção científica de esportes na revista Nakayoshi

Sim, ficção científica de esportes.  Naomi Osaka é uma das melhores tenistas do mundo, filha mãe japonesa e pai haitiano, ela é um dos grandes nomes do esporte japonês da atualidade e uma das maiores peças de propaganda contra o racismo em seu país.  Pois bem, segundo o Sora News, a tenista será a protagonista do mangá novo mangá da dupla Futago Kamikita, responsável pelos mangás de Precure ( プリキュア).  

O nome da série é Unrivaled-Naomi Tenkaichi (アンライバルド NAOMI天下一) estreará em fevereiro na Nakayoshi e o resumo-chamada que temos é o seguinte “'Vou lutar para proteger da escuridão os sonhos e esperanças de todos !!' A enérgica e fofa Naomi, ao mesmo tempo que é apoiada por seu pai, sua mãe e sua irmã mais velha, Mari, pretende se tornar a jogadora de tênis espacial mais forte nesta história de ação de batalhas quentes desdobrando-se no espaço !!! ”.  pode ser interessante, pode não ser, mas a gente terá que dar uma olhadinha.  Sim, tênis espacial.

Campanha pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (Dia 7): Nike faz campanha contra o bullying no Japão e recebe mais dislikes do que likes

Vamos falar de boas iniciativas?  Pois bem, elas também existem nesses 16 dias de campanha pela eliminação da violência contra as mulheres.  Pois é, o Japão é conhecido pelo bullying, em japonês, ijime, que pode ter vários graus de violência, desde xingamentos, isolamento da vítima, até estupro, agressões físicas de vários tipos.  Como os japoneses são pressionados a se enquadrar, a vítima muitas vezes não pede socorro, ela engole sua dor, ela se culpa, deve haver algo de errado com ela, ela se mutila, abandona a escola, ela comete suicídio.  Essas notícias volta e meia aparecem em jornais japoneses e oferecem farto material para os mangás.  Vitamin (ビタミン), publicado aqui, é sobre isso.  Se publicassem Life  (ライフ), da mesma autora, o quadro seria ainda mais amplo.

Enfim, a propaganda da Nike tem como foco as meninas birraciais.  Elas sofrem bullying por serem 'hafu" de half (metade), mestiças, portanto.  De bocham delas, as agridem, é mostrada uma mãe recriminando a filha por não se esforçar para se encaixar.  Em dado momento, uma delas aparece admirando a tenista Naomi Osaka e aparece a pergunta que fizeram para a atleta "Então, você é americana, ou japonesa".

A propaganda vai se encaminhando para mostrar o quanto o esporte, no caso o futebol, pode dar força e unir essas meninas.  Elas podem ser agentes de mudança, esta é a mensagem, apesar de todas as adversidades.  É bonita a propaganda.  Mesmo sem saber japonês, ou inglês, há legendas, há como entender.

O Sora News, que publicou uma matéria sobre a propaganda mostra que muitos japoneses a elogiaram, mas que outros ficaram indignados com o que imaginam ser uma difamação.  "Não há bullying no Japão!", um escreveu.  No momento em que o SN publicou a matéria, havia mais de 18 mil dislikes para 17 mil likes. Agora, a onda virou, são 42 likes e 27 mil dislikes. Vou baixar a propaganda antes que apaguem.