segunda-feira, 2 de maio de 2016

RIP: Morre a mangá-ka Yoshino Sakumi


O Comic Natalie noticiou que a mangá-ka Yoshino Sakumi faleceu no último dia 20 de abril e a informação deve ter sido liberada somente agora.  A mangá-ka, que produziu principalmente material josei, nasceu em Osaka em 1959 e estreou no ano de 1980.  Seus dois maiores sucessos no início de carreira foram Shounen wa Kouya wo Mezasu  (少年は荒野をめざす)  e Juliet no Tamago (ジュリエットの卵).


Yoshino deu entrevista para a edição de 15 anos da revista Flowers (*post aqui*).  Seu último trabalho na revista se chama Period (ピリオド) e trata de dois difíceis temas, o abandono parental e o abuso por parte dos pais.  O resumo do Mangaupdates é o seguinte: "Um dia, Haru e seu irmãozinho, Yoki, voltam para casa e descobrem que sua mãe se foi e que eles terão que ficar sozinhos com seu pai abusivo.  Haru tenta proteger seu irmão, mas como sobreviver às surras, maus-tratos, o medo e a fome?  O menino Haru se esforça, mas sabe que não tem forças para proteger o irmão do pai.  Será que a professora da escola poderá ajudar?  Será que alguma das tias irão regatá-los do inferno?  Ou eles terão que sobreviver sozinhos?"  Scanlations?  Claro que não tem!  A série fechou com cinco volumes e não me surpreenderia se virasse dorama qualquer dia desses.


Enfim, não se comenta a causa da morte, mas dada a longevidade das japonesas, deve ter sido uma doença grave.  Que sua obra possa continuar falando por ela para as novas gerações.

domingo, 1 de maio de 2016

Akatsuki no Yona entra em hiato


Segundo o site Tamachan, a última edição da revista Hana to Yume trouxe a informação de que o mangá Akatsuki no Yona (暁のヨナ) entrou em hiato por causa do terremoto que aconteceu em Kumamoto.  A autora, Mizuho Kusanagi, reside nesta cidade.  O mangá não aparece na revista, mas é a capa da edição.  A HanaYume assegura, também, que a mangá-ka não se feriu no terremoto.  

O mangá retornará a depender da situação da autora.  A autora comunicou em sua conta no Twitter que retornará ao trabalho o mais rápido possível. Akatusiki no Yona teve um anime para TV com 24 episódios, além de um OAD e uma peça de teatro.  Eu comecei a assistir a série, mas tive que parar por excesso de trabalho.  De qualquer forma, é uma série bem interessante com uma ambientação de época e uma heroína que acaba sendo obrigada a assumir-se como guerreira para sobreviver à conspiração que matou seu pai e conquistou seu reino.

De resto, é bom descobrir um site italiano com notícias atualizadas sobre anime e mangá.  Fazia tempo que não conseguia nenhum.  Visitarei com freqüência a partir de hoje.

ATUALIZAÇÃO: O ANN noticiou que o mangá volta em 20 de maio.  O hiato durará somente um número.

sábado, 30 de abril de 2016

Comentando Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016)


Ontem assisti o terceiro filme do Capitão América, uma das películas da Marvel mais esperadas, seja porque os dois primeiros filmes da trilogia foram muito bons, seja porque a possibilidade de tantos heróis em tela já nos fizesse imaginar cenas espetaculares, e, talvez o mais importante, teríamos o Homem-Aranha.  Sim!  Não somente ele, aliás, o filme introduz além dele outra nova personagem no universo dos filmes da Marvel, o Pantera Negra.  Eu fui ao cinema com altíssimas expectativas, pois, ao contrário do universo DC – do qual só me importa a Mulher Maravilha e olhe lá – eu gosto dos heróis da Marvel.  Infelizmente, para além do fanservice e do reencontro com “velhos amigos”, Capitão América: Guerra Civil foi muito decepcionante para mim.  Muito mesmo, acreditem.

O resumo da história, que é baseada no sucesso Guerra Civil dos quadrinhos, é o seguinte: O Capitão América (Chris Evans) está liderando os Vingadores em uma missão em Lagos, Nigéria, onde um vilão pretende se apossar de um agente biológico e utilizá-lo como uma arma.  Após o confronto na cidade, a Feiticeira Escarlate (Chris Evans), tentando salvar o Capitão América, termina provocando um acidente e matando um grupo de cidadãos de Wakanda – um reino fictício do universo Marvel – e despertando a preocupação de vários governos mundiais.



Paralelo a isso, Tony Stark lança um projeto no M.I.T. (Massachusetts Institute of Technology) e, logo em seguida, é confrontado por uma mãe, Miriam Sharpe (Alfre Woodard), que o culpa por ter perdido seu filho durante o confronto entre Ultron e os Vingadores em Sokovia.  Muito abalado, Stark se mostra receptivo ao projeto do governo norte americano e das ONU para obrigar os super-heróis a se registrarem e se tornarem uma espécie de funcionários da organização.  O Capitão América não se mostra muito receptivo e um novo incidente em Viena, que causa a morte do Rei de Wakanda, fazendo seu filho – o Pantera Negra (Chadwick Boseman) – jurar vingança.  

Bucky (Sebastian Stan), que no filme anterior do Capitão tinha aparecido vivo e à serviço da Hydra, parece ter cometido o atentado.  A dificuldade do Capitão América em aceitar a culpa do Winter Soldier amigo e sua rejeição em aceitar os comandos do governo norte americano e da ONU divide os Vingadores e coloca antigos amigos em lados opostos.  Tony Stark lidera os que aceitam as ordens governamentais e seguem tentando capturar Bucky, enquanto o Capitão e seus aliados seguem resistindo e tentando provar que há algo de errado em toda essa história.  Nas sombras, o vilão do filme, o Coronel Zemo (Daniel Brühl), tem planos sinistros que colocam em risco o futuro dos Vingadores.



Perceberam o quanto eu escrevi “Vingadores” neste resumo?  Pois é, minha primeira crítica é a seguinte, Guerra Civil não deveria ser um filme do Capitão América, mas do grupo de heróis.   É tanta gente em cena, e precisava mesmo, dada a premissa da história, que o foco não fica no herói do título.  E não se trata de, como no caso de Batman vs Superman, termos a Mulher Maravilha aparecendo brevemente e se destacando na cena de batalha, mas de sequências inteiras sem a presença do herói título.  É, portanto, o terceiro filme dos Vingadores sem se assumir como tal. 

Assim, e este é meu argumento, teria sido muito mais interessante fazer um filme três do Capitão com uma história centrada nele efetivamente, fechando sua trilogia com uma ótima película, e lançar Marvel: Guerra Civil parte 1 e 2 mobilizando um grupo extenso de heróis e entupindo os cofres dos envolvidos na produção de dinheiro.  Talvez tudo tivesse funcionado melhor.  Fora isso, o argumento usado no filme para fichar os heróis é totalmente ridículo, muito mais até do que o temor de Batman em relação ao Super-Homem no filme da DC.  E peço, desde já, desculpas, mas é impossível não me remeter ao outro filme, afinal, este ponto de partida do roteiro é idêntico: super seres são uma ameaça aos meros mortais e podem, se não forem controlados e/ou destruídos, acabar com a humanidade.



Há verdade nesta idéia?  Sim, mas o desenvolvimento do argumento é fajuto.  Os Vingadores enfrentaram Loki (Tom Hiddleston) e seus aliados para salvar o mundo, as mortes não foram causadas deliberadamente por eles para mostrar seu poder.  O mesmo vale para Ultron e a destruição de Sokovia, ou mesmo o incidente na Nigéria.  Os super-heróis estavam fazendo o seu trabalho e protegendo a humanidade, não foram levianos, nem mostraram falta de consideração com o sofrimento das pessoas.  Ademais, as mortes de civis seriam inevitáveis.  Era isso ou permitir a escravização ou destruição total do gênero humano.

Como fui assistir o filme junto com o meu marido, e ele detestou a película, ficamos ponderando sobre o avanço dos Nazistas na Europa e tentando aplicar a idéia estapafúrdia que fundamenta o roteiro à II Grande Guerra.  Os Aliados cometeram atos que provocaram a morte de muitos civis, no entanto, o plano de Hitler era promover a Solução Final e exterminar segmentos inteiros da humanidade, começando por judeus e ciganos, passando depois pelos eslavos (*contabilizem as mortes civis na Frente Oriental*) e preservando somente os arianos que fossem perfeitos.  Quer dizer, então, que os que lutaram desesperadamente para que o projeto hitlerista não se concretizasse deveriam ser enquadrados como monstros por conta dos danos colaterais?



Mais curioso é que os americanos gostem tanto dessas tramas e não lembrem que adoram argumentar da necessidade das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.  Um mal para evitar um mal pior para os próprios japoneses.  Veja que não estou endossando o argumento, até porque não analiso a História de forma maniqueísta, mas apontando ilustrando a furada desta idéia.  E, aí, alguém pode gritar “Mas é assim no quadrinho!”.  Não, amiguinho, me dei ao trabalho de olhar para tirar a dúvida, afinal, não deixaria esse buraco na minha argumentação.

Fui até o Guerra Civil original e, ainda que não considere essa história de registro de super seres cabível, encontrei um ponto de partida bem mais consistente.  A história começa passando em revista uma série de incidentes protagonizados por super-heróis.  Em um deles, o Hulk saiu de controle e provocou mortes de civis.  A gota d’água, no entanto, foi a ação de um grupo de mutantes adolescentes, protagonistas de um reality show, que ao tentarem dominar um grupo de super vilões, muito mais poderosos que eles e sabendo disso,  terminaram protagonizando uma grande tragédia – uma escola é explodida, com dezenas de mortos, a maioria crianças.  



Vejam, não foram danos colaterais em uma batalha desesperada para salvar a humanidade, mas um ato de leviandade que termina por cobrar a vida de inocentes. Acredito mesmo que, no caso do quadrinho, a referência é o atentado a um prédio governamental em Oklahoma, nos EUA, onde muitas crianças morreram, porque no primeiro andar do edifício havia uma creche para filhos de funcionários. A Martha Sharpe que o filme a aproveita é a mãe de um dos meninos mortos na tragédia.  Enfim, o ponto de partida do quadrinho que inspirou o filme me convence, já a forma como o filme o adaptou não tem nem de longe o mesmo efeito sobre mim, só conseguiu me enervar mesmo.

Enfim, se a trama do registro de super-heróis me pareceu forçada e repetitiva, da forma como foi apresentada no filme, claro, fiquei esperando que o vilão, interpretado pelo ótimo Daniel Brühl, me desse algum alento.  Fiquei imaginando o confronto dos super soldados – os cinco indivíduos que teriam recebido o soro do super soldado ainda na época da URSS – com os super-heróis reunidos e cientes de que haviam sido enganados e Bucky lutando contra o controle mental imposto pelo vilão. Não, não isso não aconteceu.   O que tivemos de parte a parte foi um melodrama terrível e repetitivo centrado em perdas de mãe, pai, filhos, esposa, cachorro, gato etc. e como isso me dá direito de destruir metade do mundo blá-blá-blá.  Enfim, o pessoal se sobrepondo a tudo mais.  Depois deste filme, só de ouvir falar em Sokovia, já me dá nos nervos.


Está bem, salvou-se alguma coisa do filme?  Bem, se eu esquecer do roteiro e ficar somente com sequências isoladas e as aparições especiais, sim, salvou-se.  Primeira coisa, o Homem Aranha.  Tom Holland encarna, talvez, o mais jovem e nerd Peter Parker de todos os que eu já vi nos cinemas.  Foi um sopro de humor e vitalidade no filme.  E, bem, o garoto é muito fofo e interagiu muito bem com o Robert Downey Jr.  Eu não fui assistir aos últimos filmes do Homem Aranha no cinema, vi o primeiro, mas nem resenhei no blog, mas se anunciassem este garoto como o novo Aranha, ele me levaria ao cinema.  

Só que, ao trazerem o Aranha para o filme, cismaram de fazer a sua apresentação, coisa que também ocorreu com o Pantera Negra, mas, não, como o Homem Formiga (Paul Rudd).  Isso era importante, para situar não o herói, mas sua relação com Tony Stark, mas acabou sendo outro ponto que reforça que este filme não se qualifica como um filme do Capitão América.  De resto, não me agradei da tia May “gostosona”, eu só consigo imaginá-la como uma velhinha, mas ficou evidente que o objetivo era fazermos lembrar que Marisa Tomei e Downey Jr.  eram parceiros em comédias românticas nos anos 1990 e foram namorados.  Tomei é um dos alívios cômicos de um filme que tenta ser muito mais pesado e sério do que os filmes da Marvel são.



A participação do Homem Formiga também foi útil e divertida, especialmente na grande batalha, que é o ponto alto do filme, o grande espetáculo.  Aliás, a batalha permitiu a interação de vários heróis e mostrar suas capacidades.  Agora, e isso é um problema, como as personagens tem níveis de poder muito diferentes, tiraram o Visão (Paul Bettany) de cena.  Ele praticamente não participa desse confronto, embora esteja lá, porque seu poder é tão grande que, bem, ele poderia definir a parada sozinho.  Daí, apesar da cena ser ótima em todos os sentidos, ela termina por ser, ao mesmo tempo, muito complicada de engolir.

Outra boa coisa do filme é o Pantera Negra, Chadwick Boseman deu muita dignidade a personagem e chamou para si muita atenção, mais uma vez, tirando os holofotes do herói protagonista. Sua sede de vingança era plenamente compreensível e executada de forma direta e sem engodos, ao contrário das outras tramas semelhantes que corriam no filme.  Ele queria  matar o assassino do pai e termina agindo como um super-herói deve agir, aplicando ao vilão um merecido castigo.  Torço para que o filme do Pantera Negra seja um sucesso.



Não vou falar sobre Martin Freeman no filme, porque o papel dele é bem irrelevante e caricato.  Se, mais tarde, irão aproveitar a personagem para algo que preste, é outra história, mas qualquer um poderia fazer o que ele fez em Guerra Civil.  Falando das mulheres do filme, Elizabeth Olsen defende bem a sua Feiticeira Escarlate.  Ela mostra força e fragilidade, interagindo bem com o Paul Bettany.  Visão e a Feiticeira tem uma forte relação e as cenas em que os dois se vêem obrigados a se confrontar são bem interessantes.  

Scarlett Johansson deu muita dignidade à Viúva Negra neste filme.  Ela é forte e habilidosa, mas, acima de tudo, a única dos heróis que parece manter-se crítica e analítica em um momento de grande crise.  Isso é importante, porque é ela quem vai fazer a história desenrolar no momento crucial da batalha entre os super-heróis.  E seu saldo final é positivo, por assim dizer, porque consegue manter as boas relações com ambos os lados.  



A outra personagem feminina do filme é a sobrinha da Agente Carter (Hayley Atwell), Sharon Carter (Emily VanCamp).  Ela é ex-agente da S.H.I.E.L.D., ela ajuda o herói, ela protagoniza com Rogers um dos poucos momentos românticos.  Fim.  E o mais interessante da cena dela com o Capitão América são as caras do Falcão (Anthony Mackie) e do Bucky dentro do fusquinha velho assistindo tudo.  Pepper Pots (Gwyneth Paltrow)  é citada, desnecessariamente, aliás, só para ilustrar que Stark estava sofrendo por amor, mas não aparece. Como ela participou das gravações, talvez ela apareça em cenas cortadas nos extras do filme. 

Depois disso tudo, fica evidente que é um filme de heróis no masculino ainda.  São duas super-heroínas no meio de, sei lá, mais de dez super caras.  O papel delas – a Feiticeira Escarlate e a Viúva Negra – é importante na película, mas, ainda assim, a representatividade ainda é muito baixa.  De resto, o filme não cumpre a Bechdel Rule.  Temos mais de duas personagens femininas com nomes, OK.  Não consigo mesmo lembrar se elas conversam entre si.  É quase certo que não.  E, se o fizeram, o assunto é um dos homens do filme.



Concluindo, acredito que de todos os filmes da Marvel que eu assisti, e da fase 1 e 2 só não vi o segundo Capitão América e o Homem Formiga, foi o que menos me agradou.  O roteiro é mal costurado, a transposição da trama da Guerra Civil para os cinemas ficou aquém dos quadrinhos e não é um filme do Capitão América, mas um não assumido filme dos Vingadores no qual muita gente aparece e é apresentada e a trama em torno do herói título nãos e sustenta.  Sei que as críticas ao filme são positivas, mas a minha, infelizmente, não é.  

Queria ter gostado, queria poder embarcar nessa coisa de Time Capitão América e Time Homem de Ferro, mas é complicado.  Dentro do filme, prefiro a posição da Viúva Negra, que analisa ambos os lados e age de forma pragmática para preservar aquilo que considera correto e aqueles que ela ama.  De resto, se quiser spoilers, leia os três parágrafos depois do trailer.  E, para quem se interessar, existem resenhas do filme dos Vingadores (1 e 2) e do Capitão América, que se conectam diretamente com Capitão América: Guerra Civil, aqui no blog, além de outros filmes da Marvel, claro.


Se você está lendo esta parte do texto, deve ter assistido ao filme ou não se importar com spoilers.  Enfim, a minha grande frustração com Guerra Civil não veio da trama furada da ameaça dos super-heróis aos humanos, mas das motivações do vilão e da repetição da trama individualista do quero vingar meus entes queridos mortos.  Primeiro é a mãe do rapaz que morreu em Sokovia.  Depois, e a única que se sustenta bem, o Pantera Negra querendo matar Bucky, porque crê que ele matou seu pai.  Em seguida, ficamos sabendo que os pais de Tony Stark foram mortos pelo Winter Soldier/Bucky para sabermos que o vilão tinha feito o que fizera não para dominar o mundo mas para vingar sua família morta em Sokovia...

Sim, eu até entenderia que o vilão desejasse vingança pessoal contra os Vingadores, mas que tivesse, também, um plano de dominação mundial ou algo assim.  O sujeito chega até os super soldados para destruí-los.  Vejam que sujeito consciente e preocupado com o mundo? Por que desperdiçaram a chance de uma seqüência final empolgante para nos oferecer aquilo?  Daí, o "gran finale" é que ele, o vilão, quer ver o Capitão e o Homem de Ferro se matando por causa de Bucky... Sério que aquela luta dos heróis no final era para ser emocionante e fazer a gente sofrer por ver dos amigos se matando?  Para mim, só ilustrou o quanto o roteiro era furado.  

Há quem goste de tramas sentimentalóides, elas podem até coexistir dentro de um filme desde que articuladas com idéias melhores, mas em Guerra Civil houve uma insistência na mesma historinha triste.  Daí, todo um descontrole que transforma o vilão em piada e mancha a imagem dos super heróis.  Enfim, entre mortos e feridos, salvou-se o Pantera Negra que manteve seus nervos no lugar e impediu que o fiasco de vilão se matasse.  Espero que o próximo filme da Marvel seja melhor, de qualquer forma, será difícil convencer meu marido a ir ao cinema assisti-lo. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Como os japoneses vêem o embranquecimento (whitewashing)


Já é o terceiro post sobre o assunto o embranquecimento, “Whitewashing”, na TV brasileira e no cinema americano aqui no blog, eu sei. Não queria voltar ao caso tão cedo, mas o Rocket News 24 trouxe uma entrevista de rua com alguns japoneses – todos jovens, ou muito jovens – e eles expressaram algumas opiniões sobre o assunto.  Não poderia deixar de publicar.


As legendas estão em inglês, mas sei que, logo, logo, aparece legendado em português.  Segue meu resumo:

1. Ninguém se mostrou ofendido com a escalação de Scarlett Johansson para Motoko Kusanagi.  Para eles e elas, trata-se de uma grande atriz e ela ficaria ótima no papel.  Eles se espantaram com as críticas feitas no Ocidente.  Queriam uma atriz melhor?  Seria essa a questão? 
2. Depois, estranharam a reclamação e acabam emitindo o mantra básico de que atores e atrizes brancos devem dar maior lucro ao filme do que orientais.  



3. Algo muito importante para os entrevistados, trata-se de um filme baseado em anime e mangá.  Trata-se de fantasia.  As personagens não são realmente japonesas e não faz sentido exigir fidelidade. Aliás,  ter olhos grandes seria algo mais fiel ao original.  (*Voltarei a isso lá no final*)
4. Quando comentam o fato do ator Edward Zo ter sido recusado para as audições em Death Note, “porque não queriam um ator asiático no papel”, há alguma indignação.  Trata-se de discriminação, deveriam tê-lo deixado pelo menos tentar e por aí vai.  No entanto, os jovens terminam quase que aceitando o fato, afinal, “Hollywood é assim”. Não há nenhuma reflexão profunda sobre racismo.



O autor do vídeo termina dizendo que os sentimentos dos japoneses – e 98.5% da população do país é etnicamente japonesa – é de quem não sente na pele aquilo que a minoria de origem asiática nos EUA passa. Eles são representados em todo lugar, são maioria em um país que tende ao homogêneo.  Acrescento que os entrevistados nunca devem ter sentido na pele a rejeição por serem como são, preconceito racial é algo estranho para esses jovens.

Voltando ao ponto 3, ele coloca por terra a idéia de que escolhem “os melhores”, ou que embranquecimento não existe de verdade.  Vejam só, as personagens de Death Note são originariamente japonesas, você não precisa manter isso na adaptação, OK.  A história irá se passar em uma grande metrópole dos EUA?  Talvez.  Então, qual o motivo para não aceitar audições de atores negros, asiáticos, e outros para os papéis principais?  Não faz sentido, mas justamente por isso, faz todo o sentido. E não estou falando de importar japoneses, mas de usar asiático-americanos,  ou, pelo menos, permitir que concorram aos papéis.  



O cinema norte americano torna brancos papéis originalmente escritos para outras etnias.  Katniss em Jogos Vorazes deveria ser morena, baixinha, de longos cabelos negros.  A produção deixa claro que não deseja protagonistas que não sejam caucasianos e pegam uma atriz branca, tingem seu loiro cabelo, e a colocam no papel.  

Em um mundo justo, um ator ou atriz poderia fazer qualquer papel, ser humano ou ET, ser homem ou mulher, ter qualquer cor.  Seu talento brilharia ainda mais.  No entanto, o argumento só vale para quem é branco.  Daí, Otelo pode ser interpretado por um branco pintado de negro, mas Romeu não pode ser um ator negro, proque ficaria estranho e o público não se identificaria.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Card Captor Sakura terá novo mangá lançado no Japão


havia falado aqui da intenção da CLAMP de lançar um novo mangá de Card Captor Sakura (カードキャプターさくら).  A série, que foi publicada entre 1996 e 2000, está completando 20 anos e comemorando com vários lançamentos.  Pois bem, o Rocket News 24 anunciou que o retorno de Sakura aos mangás não será um one-shot, mas um novo arco de história com as personagens agora no ginasial.

A estréia de Sakura será na edição de 3 de junho da revista Nakayoshi.  Espero que a CLAMP consiga retomar os espírito da série original.  E é só esperar um novo anime e a JBC trazer o novo mangá para o Brasil.

Abertas as inscrições para o 10º International Manga Award


Nossa!  Já é o décimo International Manga Award?  Pois é, o concurso promovido pelo governo do Japão está com suas inscrições abertas até o dia 16 de junho.  São uma medalha de ouro e três de prata, os vencedores irão ao Japão receber o seu prêmio.  Para concorrer, é preciso inscrever um mangá produzido fora do Japão nos últimos três anos com 24 páginas, ou mais.  A página com as informações sobre as inscrições e o formulário para baixar está aqui.  As informações estavam no Rocket News 24.

Suenobu Keiko vai publicar continuação de Life


Não sei se Suenobu Keiko fará uma continuação direta de seu mangá mais famoso, Life (ライフ).  A série de 20 volumes abordou a questão do bullying por todos os ângulos possíveis, foi publicada em vários países e   a primeira obra de Suenobu Keiko a ser transformada em live action.  Segundo o Animeland, a nova série se chamará Life 2 - Give Taker e estréia em 25 de junho.  A novidade?  A autora vai lançar esta nova série em uma revista josei, a Afternoon.

Sinceramente?  Eu não vejo como uma continuação de Life possa dar certo.  O que imagino é que a autora aborde a mesma temática, que lhe é muito cara, aliás, com novas personagens.  Tenho os nove volumes da edição americana da Tokyopop e costumava comentar todo novo capítulo lançado.  Life é uma série muito boa, mas que foi esticada ao extremo, o que gerou umas barrigas difíceis de aguentar.  O que quero dizer?  Vitamin (ビタミン), que a JBC lançou aqui, acaba sendo mais sintético e direto, ainda que com uma arte menos desenvolvida e com um elenco e tramas bem mais enxutas.

Não me surpreende, entretanto, que a continuação de Life seja seinen, afinal, a autora faz sucesso fora do nicho do shoujo mangá e colocar a série em uma revista (supostamente) para o público masculino, ela atingirá muito mais homens, que não comprariam uma revista shoujo para ler Life.  A série original foi publicada na revista Betsufure.

Além disso, segundo o Animeland, Life será relançado no Japão em um formato de #13 volumes.  Os primeiros dois serão lançados juntos no dia 23 de junho.  Sairão uma média de dois volumes por mês até o final.



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Mangá sobre garoto fã de BL/Yaoi terá anime em julho


Nunca tinha ouvido falar de Fudanshi Koukou Seikatsu  (腐男子高校生活), mangá de Atami Michinoku publicado na versão on line da revista Zero Sum.  A série só tem dois volumes lançados e tem como protagonista um garoto (Sakagushi) que é um fudanshi, isto é, um fã de BL/Yaoi.  A s[érie deve ter caído no gosto popular, porque, bem, com somente dois volumes lançados, já tem uma série prevista para julho.

Fiquei curiosa e li os cinco primeiros capítulos da série, parece que é o que tem traduzido.  Enfim, o protagonista, Sakaguchi-san, é um rapaz apaixonado por BL e yaoi.  O mangá segue tanto as dificuldades enfrentadas por um fã de um gênero tipicamente feminino, quanto as fantasias e delírios do moço.  Como comprar mangás sem ser visto como gay ou pervertido?  Ele chega a pensar “É menos constrangedor comprar hentai!”.  Para um homem, deve ser mesmo.   Ademais, Sakaguchi não se vê como homossexual, apesar de Nakamura – seu melhor amigo e gay assumido – acreditar que há algo na personalidade dele que indique pelo menos uma bissexualidade.  

Sakaguchi fantasiando no trem.
Sakaguchi vive observando e fantasiando a respeito dos colegas, inclusive Nakamura.  Ele é bem hardcore, por assim dizer.  Nakamura pergunta se não seria melhor estar em uma escola masculina, ele responde que em um colégio sem meninas é muito fácil para um garoto ceder à relacionamentos homoeróticos (*isso coisa da cabeça de um fantasista sem experiência amorosa alguma*).  Ele também detesta que se coloque fanservice em animes mainstream, segundo ele, é como roubar o direito que a audiência tem de shippar livremente um casal. :D  Quando ele conhece Rumi Nishihara, a fujoshi da escola, eles se dão bem em tudo, menos nesse ponto.  A garota adora fanservice. 

Nakamura é o sujeito normal do elenco, especialmente se comparado com o melhor amigo, Sakaguchi.  Educado, discreto, ele acha o material BL e as conversas de Sakagushi com outros fudanshi e fujoshi no Twitter uma loucura total.  Ele serve de contraponto para as bizarrices de Sakagushi e quando Rumi entra na história, acaba sendo deixado meio de lado pelo colega.  É difícil para ele entender o papo dos dois fãs de BL, além disso, andar com eles pode representar alguns constrangimentos... Curiosamente, Sakaguchi não se dá com as mulheres, mas, para ele, fujoshi não são mulheres.

Pobre Nakamura!  
Além de Nakamura e Rumi, há várias personagens recorrentes, como Yūjirō Shiratori, um okama (*ele parece se travestir fora da escola, além de ser ostensivamente gay*) e presidente do clube de culinária; Akira Ueda, que é apaixonado por Shiratori e comporta-se como seu lacaio; além de dois outros garotos, Kei, que é atormentado pelo melhor amigo Reiji, é um explorador e estraga prazeres.  Kei já até perdeu a namorada por causa do amigo intrometido e vive tomando remédios, porque seus nervos estão em petição de miséria.  

É uma série bem humorada, mas, acredito, muita coisa só será entendida mesmo pelos fãs de BL/Yaoi. A leitura dos cinco capítulos foi rápida e eu continuaria lendo se houvesse mais.  Normalmente, o anime ajuda a gente a gostar mais de um mangá como esse.  Ele não é 4koma, mas passa perto.  Segundo o ANN, o mangá começou a ser publicado em 1 de maio e o Segundo volume saiu hoje, no dia 25 de abril.  Deve entrar nos 30 mais vendidos.  O Comic Natalie também publicou matéria sobre o anime.  Imagino que será o Gekkan Shoujo Nozaki-kun (月刊少女野崎くん) da temporada.  O link para ler o mangá em japonês é este aqui.  A página do anime já está no ar, para quem quiser dar uma olhada.