quarta-feira, 29 de julho de 2015

Filme de Orange já tem poster


O filme de Orange (オレンジ) estréia em 12 de dezembro, mas o poster já saiu.  Só para lembrar, a  protagonista, Naho Takamiya, será interpretada pela atriz Tao Tsuchiya, é ela que está no poster.  O trailer, ou melhor, teaser trailer, deve sair logo.  Não me espantaria, também, se viesse um anime por aí... 

Novelando: Comentando os primeiros Capítulos de Além do Tempo



Assisti aos primeiros capítulos de Além do Tempo, a nova trama das 18h da Rede Globo.  Na verdade, esse texto deveria ter saído faz pelo menos uma semana, afinal, a novela daqui a pouco faz um mês no ar.  Enfim, sendo uma novela de época, tinha que dar uma olhada, mesmo não tendo boas lembranças do trabalho de  Elizabeth Jhin.  Além do Tempo, pelo menos a sua parte “novela de época”, já que teremos uma segunda fase nos dias de hoje, é simpática, tem alguns segredos a serem revelados e um bom elenco com possibilidades de superar até as limitações impostas pela história e pelo horário, melhor ainda, a resposta da audiência tem sido muito boa para o padrão atual das novelas das seis.  Mas vamos lá, a trama central é a seguinte: 

Final do século XIX, Sul do Brasil. Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) são de classes sociais distintas: ela é uma jovem humilde, obrigada a viver no convento da cidade por imposição da mãe, Emília (Ana Beatriz Nogueira); já ele, um nobre Conde, sobrinho-neto da poderosa Condessa Vitória (Irene Ravache), às vésperas de subir ao altar com a bela Melissa (Paolla Oliveira). A família da Condessa vai de São Paulo para o Sul inspecionar umas terras que a poderosa mulher pretende vender e isso possibilita aos dois se encontram por acaso e se apaixonam instantaneamente, o jovem inclusive acredita que sempre a amou, obviamente, a partir daí irão enfrentar inúmeros obstáculos.  O que somente a mãe de Lívia sabe é que a moça é sobrinha da terrível Condessa.


Além do Tempo não tem nada de novo ou genial, não é espaço para experimentações narrativas ou estéticas como Meu Pedacinho de Chão ou Cordel Encantado, mas escalou um bom elenco, tem um figurino primoroso, fotografia muito bonita e (pasmem) mantém boa conexão com questões normalmente negligenciadas, como o racismo explícito, as hierarquias sociais e os pronomes de tratamento.  Mais ainda, é uma novela com forte elenco feminino e centrada nas mulheres, suas vidas, seus dramas, suas maldades, seus amores, etc.  Outra vez, nada que não tenha sido visto, será a interação do elenco que poderá fazer com que Além do Tempo se torne lembrada ou seja esquecida.

Até o momento, dentre os protagonistas, o desempenho de Ana Beatriz Nogueira, como a amarga Emília, é que me parece mais marcante.  A atriz não foi talhada para fazer boazinhas e sua personagem é a mais complexa, pois reúne dentro dela há amargura, ódio, amor possessivo pela filha, coragem. Sabemos que ama a Lívia, mas não sabe expressar este sentimento, já que teme pela segurança da moça.  É dura, cruel até, com a moça.  Alinne Moraes é boa atriz e as duas conseguiram ótimas cenas.  Já Lívia sozinha, ou com outras personagens, ainda não mostrou muito a que veio, quer dizer, a personagem deve ganhar mais consistência (*ou não*) com o desenrolar da trama.  Sair do espaço do convento já começou a ajudar a personagem a crescer e parece que ela deve chorar muitas e muitas lágrimas ao longo da trama.


Já Irene Ravache me pareceu muito exagerada nos primeiros capítulos, depois, ou me acostumei com ela, ou ela se apropriou da personagem, não sei.  Sua Condessa Vitória é uma mulher capaz de tudo, tudo mesmo, e sem mover mais que um ou dois músculos do rosto.  A cena dela matando uma cobra serviu para ilustrar sua força e depois ainda deu um esporro no capataz/capanga/whatever, Bento, interpretado pelo excelente Luiz Carlos Vasconcelos, que parasse de fazer drama, pois ela já tinha acabado com a peçonhenta.  Anteontem – não vi o capítulo de ontem – Ravache foi fantástica ao expressar seus sentimentos em um close de rosto ao entrar no quarto do sanatório onde algum segredo da trama se esconde.  Não sei se foi revelado, não fui atrás de spoilers, mas se foi, acho muito cedo.  A cena, no entanto, trouxe para a personagem da Condessa uma nuance de carinho até então não vista e rompeu um pouco com o maniqueísmo.

De qualquer forma, ainda acho o tom da personagem, sua frieza e crueldade, um tiquinho acima do tom, mas a interpretação de Irene Ravache ajuda a salvar as coisas.  A Condessa é dura com todos, distante mesmo com o sobrinho-herdeiro, por isso mesmo, é difícil entender a ligação e carinho da personagem por Melissa, a vilãzinha interpretada por Paolla Oliveira...  Melissa é untuosa com a Condessa, faz caras e bocas infantis, e mal consegue disfarçar seu tédio em alguns momentos. Ofende a mãe, deseja internar o filho do noivo, trata mal as criadas, é racista, etc.  Ela tem todos os vícios. Fora isso, ela se atira de forma pouco pudica para cima do noivo e a Condessa, apegadíssima às tradições, nem parece se incomodar.  Ou há um segredo a ser revelado, ou é incoerência sem tamanho.  Além disso, o que é aquele batom cor de uva?  É ação de merchandising, porque não faz sentido algum dentro do contexto da história...  


Eu preferia que a personagem tivesse sido dada para a excelente Letícia Persiles.  Paolla Oliveira está linda, melhorou como atriz, mas acho que a personagem está exagerada.  Lobo em pele de cordeiro, mas com tanta cara de loba que não enganaria ninguém.  Falando ainda no povo “do mal”, Pedro (Emilio Dantas) irá se corromper para tentar atingir seus objetivos, isto é, conquistar Lívia.  Já e viu que mentirá, prejudicará e fará de tudo.  Deve se aliar à Melissa em algum momento.  De resto, ainda é racista, e deve rejeitar Carola (Ana Flavia Cavalcanti) por ela ser negra, e se acha melhor que os outros.

Continuando com o elenco de apoio, ele é muito bom, e aí reside um dos fortes da novela.  Nívea Maria está ótima como a governanta de confiança da Condessa que, ainda assim, é espezinhada por ela e não perdoa o fato de seu filho, o educado e bom caráter Afonso (Caio Paduan) ter sido reduzido à “valet de chambre” do conde.  Imagino que o rapaz vá se libertar disso em breve.  Outra que está muito bem é Carolina Kasting, que outrora era escalada para protagonista de novelas, e que faz a cozinheira que lidera uma greve contra a demissão do jardineiro negro, Raul (Val Perré).  Foram boas as cenas e é outra personagem com segredos, pois algo em seu passado a liga o jagunço Bento.


As questões de gênero estão em discussão em pelo menos duas sub-tramas.  Uma delas é a do assédio de Bento à Anita, a criada interpretada por Letícia Persiles, e sua chantagem em relação à Rosa.  Denunciado à governanta, a moça, Anita, foi culpabilizada, afinal, se ele lhe faltou com o respeito é porque ela provocou.  Outra sub-trama é a da menina Felícia, a espetacular Mel Maia, que deseja brincar e explorar, usar calças porque são mais cômodas, mas é castrada pela mãe que quer que ela se porte domo uma pequena dama.  O pai a apóia, mas foge do confronto com a esposa.  
No geral, são boas as cenas com a Mel Maia e sua família. Trata-se do núcleo cômico e, bem, nem sempre as piadas vão funcionar.  Luís Melo é ótimo.  No início não gostei de Flora Diegues (Bianca) e Inês Peixoto (Salomé), a filha mais velha e esposa que fingem ser finas e falar francês, mas a seqüência do chá com Melissa e sua mãe, Dorotéia (Julia Lemmertz), terminaram sendo engraçadas.  Bianca virando BFF (Best Friend Forever) de Melissa, que estava debochando dela, e lhe dando um abração foi hilária.  Assim como as intervenções de Felícia, que é uma diabinha, e sua “preceptora”, a noviça fugida Rita (Daniela Fontan).  E o humor foi quebrado com a discussão do racismo em relação à Chico (João Gabriel D’Aleluia), o filhinho de Raul, sem parecer forçada ou destoante.


Falando em crianças, o menino Kadu Schons saiu direto de Os de Mandamentos para Além do Tempo.  Difícil avaliá-lo, porque suas cenas são poucas e contidas.  Rejeitado pelo pai, que o julga fruto de um adultério, e tratado com dureza e frieza por todos, adulado por Melissa para ressaltar sua própria bondade e qualidades como futura esposa, ele é o pobre menino rico.  Seu crescimento dependerá da interação com Chico e Felícia ou com Lívia, não sei.  No momento, só dá para sentir pena dele.  O que me chama a atenção é Severa (Dani Barros).  Posso estar errada, mas a preceptora má pode ser uma referência ao caráter dúbio de um chará da literatura.  Quando li sobre a novela, diziam que ela guardava um segredo.

Uma das coisas que eu temia era que a doutrinação espiritualista clichê fosse intensa, mas, ao que parece, Elizabeth Jhin está se contendo, ou tenha amadurecido um pouco.  Há um personagem do mundo espiritual, um anjo ou espírito, que é Ariel (Michel Melamed).  Ele tem a função de colocar as coisas nos eixos, promover encontros, evitar tragédias, etc. É um tipo de personagem que já apareceu antes em outras novelas e seriados antes.   Anjos são velhos visitantes da ficção, houve um, inclusive, que em uma saudosa novela, O Sexo dos Anjos, tinha a função de encaminhar a protagonista para a Morte, sua patroa. 


As únicas outras menções espíritas que vi vieram do Conde Felipe, que julga estar reencontrando Lívia, e de Gema (Louise Cardoso), mãe de Pedro e Anita.  Ela falou em pagar em outra vida, mas isso poderia ser de ampla interpretação.  O fato é que o espiritismo estava na moda entre nobres no final do século XIX, e a trama peca por não precisar as datas, mas a maioria não deixava de seguir o catolicismo.    De repente, a ênfase maior será na segunda parte da trama.

O que não gostei mesmo é a representação da vida religiosa.  Ainda não vi novela da Globo na qual, em menor ou maior grau, o convento fosse um lugar de repressão, a prisão ou o esconderijo forçado da mocinha.  Nessa novela, inclusive a freira responsável pelas noviças (Norma Blum) e o padre (Carlos Vereza), personagens positivas, são coniventes com a “vocação forçada” de Lívia.  Fica parecendo que o dinheiro que Emília fornece é uma das razões.  No final do século XIX, havia freiras à força, mas havia, também, muitas diretrizes para que tal situação não fosse aceita.


O fato, é que nunca introduzem uma noviça ou freira que tenha uma personalidade mais complexa e seja feliz por ser freira, ou mostrem o convento também como um espaço de libertação para muitas mulheres.  Eu que estudei as clarissas, e tive que ler muito sobre vida religiosa feminina, acho isso mais do que pobreza, é o reforço de uma imagem única, uma versão mais próxima ou atenuada da Religiosa de Diderot.

Enfim, escrevi demais.  A novela tem uns segredos um tanto instigantes: a mãe de Alex, quem está no sanatório, qual a relação entre o pai de Melissa e a Condessa, qual o passado de Rosa e Bento, se Severa esconde alguma coisa, e, talvez a mais complicada, Bernardo pode estar vivo.  Ora, Felipe Camargo está escalado para ser o pai de Lívia.  Será que só quando a trama for contemporânea?  O sujeito sumiu e é quem espreita no entorno de seu túmulo?  Se sumiu, que desculpa dará?  É isso.  A novela é boa, mas essa primeira fase, a única que devo assistir, está correndo demais em certas questões.  Espero que algumas coisas não se atropelem, enfim.

terça-feira, 28 de julho de 2015

“Torne-se alguém que pode proteger alguém”: Anime ajuda a promover o alistamento militar no Japão


O Japão não pode ter forças armadas regulares como outros países.  Há série de restrições impostas pelos tratados da II Guerra que continuam vigorando, à despeito dos esforços de certos políticos nacionalistas de lá para mudar as coisas.  O que o Japão tem são forças de autodefesa, em inglês “Japanese Self-Defense Forces” (JSDF) e volta e meia eles criam uns anúncios fofinhos e calendários com militares que mais parecem idols para atrair os jovens.  Agora, segundo o RN24, eles estão usando um anime novo, ou o anime está usando a JSDF, para promover seu alistamento.  

Gate: Jieitai Kanochi nite, Kaku Tatakaeri (GATE(ゲート)自衛隊 彼の地にて、斯く戦えり), além de ser mais um daqueles animes com longos nomes que estão na moda, começa com um portal abrindo em Ginza, Tokyo.  Esse portal, obviamente, é o ponto de partida para uma invasão.  Algo mais que batido.  No entanto, a JSDF cria uma divisão especial, liderada por um oficial otaku de 33 anos, para ir lutar do outro lado do portal contra os inimigos que querem nos invadir.  Lá encontram lindas elfas, dragões e montes de coisas que, bem, um recruta da JSDF não vai encontrar se decidir se alistar por conta da propaganda.


Segundo o RN24, Gate é derivado de uma bem sucedida série de light novels que já vendeu mais de 2.4 milhões de exemplares no Japão desde 2006.  Há, também, o mangá, e, agora, o anime.  O criador da série, Takumi Yanai, serviu na JSDF e retrata a organização com muito carinho.  De novo, segundo a fonte, nãos e sabe se é propaganda da JSDF ou do anime, mas penso que deve ser um acordo para promover ambos.

domingo, 26 de julho de 2015

Hijab Lolita um caso de intersecção cultural


O Rocket News 24 trouxe uma matéria interessante sobre moças na Califórnia (EUA) e na Inglaterra que usam hijabi, isto é, o véu islâmico, e são fãs da moda lolita.  Trata-se de uma apropriação e adaptação curiosa, mas o efeito é visualmente interessante.  Ao que parece, os japoneses descobriram sua existência e estão encantados.

Enfim, o principal site de fotos das lolitas  muçulmanas é o The Hijabi Lolita da californiana Alyssa Salazar.  Há uma entrevista bem interessante com ela no site Vice.  A moça explica que não é correto chamá-las de "muslim lolita", porque ela poderia usar sem problemas a moda lolita, porque ela é modesta, isto é, revela pouco do corpo de uma mulher e não visa estimular sexualmente ninguém, o diferencial é o véu mesmo.  Aliás, só mudei minha perspectiva em relação às lolitas quando li uma pesquisa no Sankaku Complex (+18/NSFW) sobre qual o tipo de mulher os japoneses consideravam menos atraente.  As Gothic Lolita estavam listadas e, bem, uma das falas masculinas traduzidas era a de um revoltadinho reclamando que elas não se vestiam pensando neles, que eram deliberadamente desagradáveis... Pobre garoto, né!  Que absurdo essas meninas que se vestem para si mesmas, exercitar um hobby, e estão nem aí para o olhar masculino!  Como ousam!  Pena que perdi esse link... 


Enfim, posso não ter simpatia nem pelo hijab, nem pelas lolitas, mas é fato que a moda lolita é empoderadora e tem algo de feminista.  O motivo é que as moças, as comuns e as islâmicas, também, se vestem para si mesmas, gastam seu dinheiro (*e, às vezes, muito dinheiro*) com seu próprio prazer.  É uma forma de romper a dominação masculina, sem dúvida, ainda que seja uma ruptura pequena, relativa e que nem sempre atinja outros campos da vida dessa moça.

Á propósito, alguém comentou no Facebook que era ótimo que essas meninas muçulmanas tenham liberdade para se vestir como querem mantendo aspectos de sua fé.  Bem, elas podem, porque não estão na Arábia Saudita, por exemplo, ou no Afeganistão, ou mesmo no Irã, ou porque têm famílias compreensivas, e podem, principalmente, porque estão no Ocidente.  Eu não consigo imaginar, por exemplo uma niqab lolita ou uma burka lolita, fora que em alguns países islâmicos a pressão social ou a lei mesmo é muito pouco flexível em relação a autonomia das mulheres - muçulmanas, ou não, nacionais, ou estrangeiras - em relação ao que podem ou não podem vestir em público.

sábado, 25 de julho de 2015

Akiko Higashimura retoma Kurage Hime


Não sabia que tinha parado, mas Higashimura estava sem publicar Kurage Hime (海月姫) desde dezembro, segundo o Comic Natalie.  Agora, ela retomou a série na edição da Kiss de 25 de julho.  A capa é dela e de seus dois mangás, Kurage Hime e Toukyou Tarareba Musume (東京タラレバ娘).  Como não acho que ela vá ficar publicando duas séries ao mesmo tempo, imagino que uma delas entre em recesso... E, se entendi bem, Tokyo Alice (東京アリス), de Toriko Chiya, termina na edição de 25 de agosto.  Quando postava  os rankings da Taiyosha e, depois, do Comic List, a série sempre aparecia.  Preciso voltar a postar, porque, bem, é a forma mais segura de conhecer quais são os shoujo e josei em evidência no Japão.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Novelando: Mais algumas palavras sobre Os Dez Mandamentos


No momento, estou assistindo duas novelas, Os Dez Mandamentos e Além do Tempo (*post hoje, ou amanhã*).  A novela da Record finalmente entrou em sua terceira fase, isto é, Moisés viu a sarça ardente (*uma árvore grandona na versão da Universal*), Deus falou com ele, e, bem, é hora de voltar para o Egito e botar para quebrar.  

Zípora teve xilique, já se desculpou e disse que vai com o marido.  E vai mesmo, não esperava menos dela que, depois que largou o jeito mal educado, até que conseguiu alguma simpatia.  Agora, me irritou muito que os dois filhos dela e de Moisés demonstrem tanto desprezo pela prima.  Ora, eu esperava – e sei que não vai rolar – uma ceninha de mamãe Zípora mostrando para os dois moleques o que ela é capaz de fazer.  Como já são crescidos, não sei o que ela ensinou para eles, porque foi Moisés quem te ve que dizer que a mãe deles é que mostrou ao pai egípcio como usar uma funda... Enfim, mas depois rolou outra cena dos moleques fazendo pouco caso da prima, então já viu... Mensagem conflituosa em relação aos papéis de gênero.


Dentre as questões de gênero e religiosas já esperadas, temos a historinha da filha "perdida" de Jetro.  Betânia, irmã de Zípora, tem uma história própria, ela se apaixona por Moisés, tenta seduzi-lo descaradamente, tenta criar uma situação para que ele seja obrigado a se casar com ele, e tudo da errado.  Devota de uma divindade pagã, a deusa Asserá (*escrevi certo isso?*), ela acaba se tornando uma de suas sacerdotisas.  Seria tranqüilo de ficassem só no rasinho de chamar sacerdotisas de prostitutas - uma palavra tem sentido pejorativo, a outra, não - tornando o ato de fazer sexo como uma forma de servir a deusa uma degradação.  É uma novela religiosa, afinal.  

O problema é  a personagem ficar repetindo - já ouvi duas vezes - que ela celebra o sagrado feminino, a força que está dentro de toda mulher e, assim, louva e serve sua deusa.  O objetivo dessa ênfase é fazer a ponte com os cultos neopagãos contemporâneos, como a Wicca.  Fala-se supostamente do passado para se falar do presente.  Veja que tudo aparece em um contexto negativo, como se o feminino fosse associado ao mal ou práticas de degradação.  De  novo, é uma novela religiosa, que visa divulgar uma leitura específica dos textos judaico-cristãos, mas essa parte é invenção, monólogo, porque não há contraparte, com outras fés e reforço de que a Deus é homem... Enfim, é muita coisa problemática. 


Em outro texto sobre a novela, tinha pontuado que seria difícil conseguir convencer que os egípcios, muito mais simpáticos que os hebreus aos meus olhos, eram os vilões da história.  Bem, bem, Ramsés virou um monstro megalomaníaco.  E é preciso dizer que o Sérgio Marone caminha para se tornar um bom ator, o que sair da Globo não faz, ein?  Cruel ao extremo, o faraó não tem limites.  Fizeram até ima referência ao ISIS (EI) com a tal cena da decapitação dos 10 hebreus, só não vê quem não quer.  Foi uma virada possível, só que exagerada, mas, ainda assim, ele ainda fala com carinho de Moisés.  

Nefertári teve seus defeitos ampliados.  A cena dela com o filho delinqüente ameaçando cortar o pescoço de uma serva com uma faca, serviu para redesenhar o seu perfil. Desde o início, ela era complexa, amava o luxo, por exemplo, e o marido faraó a mimou ao extremo.  E os dois produziram um rebento detestável, o moleque é horroroso, mimado, mal educado, cruel, tudo que uma criança rica e sem limites pode ser e, bem, está já nos descontos da sua vida... 


Só que o trabalho de destruição dos egípcios precisa ser total.  Detestei o que fizeram com Ikene e Karuma.  Eram um casal simpático, agora, o marido passou a seguir Bakemut – que deve morrer no Mar Vermelho – e se comportar da pior forma possível.  Já Karuma, esquecida pelo marido, tornou-se amarga, o que se salva é a amizade dela com Nefertári, aliás, é o único momento simpático da rainha.  Até o querido Gahiji perdeu sua leveza...  Sobraram como egípcios simpáticos das fases anteriores, a princesa Henutimire, que assumiu o romance com o hebreu Hur, o fofo do Simut e Paser.  Aliás, o pai de Nefertári anda cada vez mais triste com o rumo que o governo de Ramsés vem tomando e com as características de personalidade que se tornam mais visíveis na filha.  

Eu gosto do Giuseppe Oristanio de muito tempo, é outro que na Globo não recebia o espaço que merecia.  Ótimo ator e com olhos muito expressivos.  Algumas das melhores cenas destas últimas semanas de novela foram dele, seu confronto com Yunet, a forma como expressou o amor pela filha e, agora, sua tristeza e enorme decepção.  Sei que ele e Simut vão servir de bobinho para Moisés e Arão e, bem, lamento, porque são duas personagens queridas mesmo. 



Lamento que Yunet seja uma espécie de “velha louca dos gatos” do Egito Antigo.  Ela era a alma da novela. Parece que, agora, ela voltará a estar em evidência.  Sua derrocada foi épica, mas somente arrastou com ela um de seus cúmplices homens.  De importante, vale ressaltar que ela ama a filha de verdade, normalmente, vilãs do seu tipo acabam sendo colocadas como pessoas que não amam ninguém.

De resto, Paulo Gorgulho – outro ator que era subaproveitado na emissora concorrente – cresceu ainda mais.  Aquele grande clamor dos hebreus foi muito culto de avivamento pentecostal para o meu gosto, mas, como escrevi no primeiro texto, é uma novela religiosa para propagandear a leitura da Universal em relação à narrativa bíblica.  É até engraçado ver como o Deus do Êxodo é vendido como um “salvador pessoal”, daí a necessidade de mostrar todos os punidos como corruptos ou afastados do caminho certo, porque, bem, feriria as nossas sensibilidades modernas ver gente “inocente”  punida pela divindade.



De resto, o encontro de Moisés com Deus foi mais ou menos, a voz de locutor da divindade foi mal escolhida e, bem, Guilherme Winter é fraco.  A emoção que faltou ali, sobrou na cena de Arão.  Aliás, a única justificativa para que ele não fale ao faraó, já que é culto, articulado, inteligente e tudo mais, é esta falta de carisma.  Talvez, você não esteja entendendo, mas vou citar o versículo do argumento de Moisés com Deus: “No entanto, argumentou Moisés a Yahweh: “Perdão, ó meu Senhor! Todavia eu não tenho facilidade para expressar-me, nem no passado nem agora que falaste a teu servo. Não consigo falar bem, pesada é minha língua!”” (Êxodo 4:10)  Os estudiosos se perguntam e debatem qual seria o problema de Moisés, mas Deus oferece a solução, claro!  “Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta.  Tu falarás tudo o que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, que deixe ir os filhos de Israel da sua terra.”(Êxodo 7:1,2)  

E foi por causa de Arão que eu escrevi este texto. A personagem, desde o início da novela, é depressiva, revoltada, renega as crenças religiosas dos pais e por aí vai.  Nessa terceira fase, ele continua lá, depressivo, agressivo, mas amargo e alquebrado.  Ele se nega a ir ao tal culto de avivamento promovido pelo pai e pela irmã, era o esperado, claro, mas começa a ser contaminado pelo clima geral entre os hebreus.  E, bem, a cena da sua conversão – porque tenham certeza que teremos um Arão antes e depois do “encontro com Deus” – foi um dos pontos altos da novela inteira para mim.  


Nunca dei nada por Petrônio Gontijo.  Lembro dele sofrível como o protagonista da novela Salomé (*1991, tempo que rolava até nudez no horário das seis horas*) e daí nunca vi tirarem dele nada de melhor na Globo.  Mais uma vez, trata-se de um ator que precisa sair da líder de audiência para mostrar que, sim, é muito bom.  Foi uma cena emocionante, o ator se entregou de tal forma que nem a voz horrorosinha que deram para Deus comprometeu o resultado geral.  Espero vê-lo brilhar, já que é ele que vai confrontar-se com Sérgio Marone.  Dos dois, Gontijo é o melhor.  

De resto, Oséias, futuro Josué, faz aquela linha “perseguido pelo Evangelho” que eu odeio.  A ação dele quando passou o cortejo do faraó foi de afronta sob qualquer aspecto, a lógica seria que ele rodasse, mas a novela cria toda a comoção para atrair simpatia.  Eu, de minha parte, admiro muito mais o herói que afronta e assume o que fez.  Naquele caso era "fazer a Yunet" e afrontar todo mundo, chutar o pau da barraca e morrer em grande estilo, mas Oséias não pode morrer.  Aliás, foi Yunet que salvou a vida dele... 



Enfim, como fui “criada” em igreja evangélica, conheço bem o tipo.  Essa coisa de colocar música “gospel” em volume alto para “evangelizar” o vizinho 7 da manhã no sábado e, depois, reclamar do funk ou pagode tarde da noite e dar testemunho na igreja não me comove.  O caso Oséias é uma tentativa de passar a mesma mensagem.  Ele deliberadamente provocou, queria ser visto pelo faraó, mas é um dos heróis, então, precisamos vê-lo como o lado certo da história.

É isso.  Hoje, Leila – que na segunda fase era a crente chata fanática – deve ficar em maus lençóis já que Ramsés vai cobrar a fidelidade dos hebreus que trabalham em seu palácio.  Imagino algo na linha que se fazia em Roma, estejam certos, prestar culto aos deuses, neste caso provavelmente a Ramsés, ou morte, na melhor das hipóteses, rua.  O pessoal da maquiagem está trabalhando bem e a minha esperança de não ver os malas na terceira fase se frustrou.  Está todo mundo lá.  

Ilustrações "explicam" palavras intraduzíveis


Há palavras em certas línguas  que não possuem correspondentes em outras.  Um exemplo é a nossa saudade, normalmente, quando tentamos traduzí-la, precisamos explicar o que significa... Pois bem, a ilustradora Marija Tiurina transformou 14 dessas palavras em arte e ela gosta de palavras japonesas, sabe?  


Da lista de 14 palavras escolhidas pela artista, entrou o nosso cafuné.  É tudo muito simpático, fofo mesmo, e, por isso, precisava postar aqui. Se quiserem com tradução em português, visitem o Yahoo.  Se quiserem uma matéria em inglês, podem ver aqui.  A página da autora é esta aqui.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Autora de Suki-tte Ii na yo。 presta homenagem à Attack on Titan


Kanae Hazuki, autora de Suki-tte Ii na yo。(好きっていいなよ。), prestou homenagem à série Shingeki no Kyojin (進撃の巨人).  A mangá-ka desenhou e publicou um pôster com as personagens Mikasa e Levi, na edição de setembro da revista Dessert , que foi lançada e 24 de julho.  Além disso, um ranking de popularidade das personagens da série de Hazuki apareceu na mesma edição e o ANN publicou o resultado.  As fãs da série elegeram o casal de protagonistas como seus favoritos: 

Personagens Femininas 
Mei Tachibana - 1,099 votos
Aiko Mutō - 154 votos
Megumi Satagawa - 114 votos
Asami Oikawa - 73 votos
Nagi - 47 votos
Rin Aoi - 26 votos
Chiharu
Kyōko
Momoko Sasano
Suzu
Kuro/Mei's mom

Personagens Masculinos 
Yamato Kurosawa - 1,109 votos
Kai Takemura - 243 votos
Daichi Kurosawa - 126 votos
Ren Aoi - 17 votos
Masashi Takekawa - 14 votos
Takeshi Nakanishi - 9 votos
Kakeru Hayakawa
Angelo
Shōta/Marshmallow