sexta-feira, 31 de julho de 2020

Para quem quiser ouvir o Shoujocast


Lá em 2009, eu decidi criar um podcast.  Começou de forma bem precária.  Aí, o amigo Anderson sugeriu um nome "Shoujocast".  Vieram companheiras, a Lina Inverse, depois a Tanko e, por fim, a Tabby e, bem, fizemos 52 programas.  Pouco, eu sei, mas as agendas desencontraram.  Sempre penso em voltar, mas ainda não houve como.  Bem, eu queria disponibilizar os programas, mas descobri que não tinha todos. Perguntei se a Lina tinha.  Ela organizou tudinho e disponibilizou para download (*AQUI*).  Tudinho, não, faltou o programa 52, então, coloquei no Youtube.



Eu parei para escutar um dos meus programas favoritos o duplo sobre Orgulho & Preconceito e foi um prazer muito grande ouvir a voz das amigas queridas e da convidada especial, a Adriana Salles.  Que conversa legal foi aquela.  Enfim, se você quiser relembrar, ou conhecer o Shoujocast, esta é a oportunidade.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Comentando Retrato de uma Jovem em Chamas (França/2019): um elogio à sororidade e ao amor entre duas mulheres


Ontem, porque terminei depois da meia noite, assisti ao filme Retrato de uma Jovem em Chamas (Portrait de la jeune fille en feu) belo filme de amor feito por mulheres (diretora, roteirista, produtoras etc.) e com mulheres.  Fazia muito, muito tempo que não assistia a um filme no qual todas as personagens são mulheres, que a história é delas para elas.  A película foi a primeira dirigida por uma mulher, Céline Sciamma, a receber o prêmio Queer do Festival de Cannes e recebeu, também, o prêmio de melhor roteiro no festival.  E, cabe destacar, Schiamma, que tem extenso currículo, é a grande responsável pela qualidade de Retrato de uma Jovem em Chamas, um filme delicado, discreto, mas cheio de sentimentos conflituosos, turbulentos como a praia da ilhazinha da Bretanha onde se passa a história, que me tocou profundamente, e valoriza a sororidade e o amor entre mulheres.

O filme se passa na França, em algum momento do final do século XVIII.  A ação começa em uma aula de pintura.  Uma professora dá lições para um grupo de adolescentes.  Uma delas trouxe para a sala de aula o quadro da professora que dá nome ao filme, Retrato de uma Jovem em Chamas.  A partir daí, Marianne (Noémie Merlant) se recorda de quando foi contratada por uma condessa (Valeria Golino) para pintar um retrato de sua filha, Héloïse (Adèle Haenel), em uma remota ilha da Bretanha.

O primeiro retrato de Marianne, feito às escondidas.
A jovem tinha sido retirada do convento contra sua vontade para substituir a irmã, que iria se casar com um nobre da cidade de Milão.  A irmã de Héloïse tinha cometido suicídio por motivos não explicados e a moça é mantida reclusa em casa pela mãe que teme perder outra filha.  Marianne é apresentada à jovem noiva como sua acompanhante por alguns dias, mas tem a ordem de pintar em segredo um retrato da moça.  Héloïse se recusa a ser pintada, trata-se de única resistência possível a ela contra um casamento que não deseja.  Desde o primeiro momento, estabelece-se um elo de amizade e confiança entre Marianne e a solitária Héloïse e, ao longo do filme, observamos o romance impossível entre ambas.

Portrait de la jeune fille en feu é um filme denso e que se constrói a partir da relação entre quatro mulheres.  Marianne e Héloïse, que vivem um romance intenso durante os poucos dias dos quais dispõe, Sophie (Luàna Bajrami), a jovem criada grávida e que recebe apoio das duas, e a Condessa, cuja presença representa a manutenção de uma ordem social de privilégios e exclusões.  Quando a personagem de Valeria Golino se ausenta, as três jovens desenvolvem uma relação de amizade que seria impossível em virtude das barreiras de classe, seu retorno significa que a ordem foi restaurada e a partida de Marianne estava próxima.

Venta muito na ilha e as moças precisavam
cobrir o rosto para caminhar pela praia em alguns dias. 
Marianne, a professora, representa um tipo de mulher artesã que não era incomum no século XVIII e mesmo antes dele.  Ela herda o ofício do pai e seus clientes, já no final do filme, ela está expondo seus quadros usando o nome do pai, afinal, ela era um prolongamento dele. Uma mulher talvez não conseguisse expor seus quadros. Marianne se mantém solteira, garantindo uma certa liberdade, mas precisa da proteção da nobreza e da alta burguesia a quem precisa agradar.   Usei o termo artesã, porque, segundo Norbert Elias em sua biografia de Mozart, o artista estava nascendo nessa época.  Marianne pinta o que lhe mandam pintar, precisa seguir uma série de convenções pré-determinadas e que atendam ao gosto dos seus clientes.  

Há um momento interessante do filme sobre a discussão das restrições impostas às mulheres artistas.  Héloïse pergunta para Marianne se ela desenha nus.  A pintora diz que, sim, mas somente de mulheres, pois não permitem que as pintoras usem modelos nus masculinos e estudem anatomia. "Por causa do pudor?", pergunta Héloïse.  "Não, para que não possamos fazer arte de grande qualidade.", responde Marianne, "Mas eu treino às escondidas.".  Ao longo dos séculos, colocaram toda uma sorte de obstáculos às mulheres.  As que conseguiam vencer o faziam, ou por contarem com apoio decisivo de alguma personagem importante, ou por lutarem e produzirem material de tão grande qualidade, que não poderia ser ignorado por ninguém.  Normalmente, e isso é mostrado no filme, pintoras de retratos eram aceitas, mas eram excluídas de outras formas de expressão.

Héloïse é cheia de raiva dentro de si.  É alguém que
acredita que sua vida lhe está sendo roubada.
A pintura que dá nome ao filme não foi encomendada e, por isso, ela rompe com os padrões estéticos dominantes e expressa não somente o potencial artístico de Marianne, mas a alma atormentada da modelo, Héloïse, uma jovem que carrega muita raiva e vontade de viver dentro de si.  O caso de Héloïse, retirada do convento para ocupar o lugar da irmã, não era incomum, mesmo homens passavam por isso.  Diferente do que a maioria dos filmes e novelas gosta de vender, para Héloïse o convento era um lugar de acolhimento.  Lá ela podia ler, ouvir música de qualidade e mesmo produzi-la.  

A visão da vida religiosa feminina como algo sempre ruim, com mulheres reprimidas, aprisionadas, torturadas, foi reforçada na época do Iluminismo, especialmente por causa da obra A Religiosa, de Diderot.  Nesse livro, que tem uma versão relativamente recente para o cinema, temos uma jovem nobre, que é colocada no convento por ser fruto de um adultério da mãe.  Ela recebe uma excelente educação, melhor do que qualquer uma de suas irmãs, mas ela não tem vocação, ela deseja se casar e ter filhos.  Como ela resiste e acontece um escândalo, a mãe lhe revela a verdade e ela termina condenada, de fato, à vida religiosa que será marcada pela esterilidade, afinal, a jovem deseja casar e procriar e pelos abusos sexuais por parte de uma superiora lésbica e, posteriormente, de um padre sedutor. 

Marianne raramente sorri.
Percebam que há o discurso anticlerical, inclusive da ideia de que o convento atentaria contra a natureza das mulheres, mas, ao fazê-lo, reforçasse a ideia de que uma mulher só é feliz, plena e realizada se ela se casa com um homem.  Essa narrativa é hegemônica até hoje e se presta entre outras coisas ao reforço da heteronormatividade.  Como as freiras poderiam ser felizes se não tinham homens por perto?  Eu que estudei as religiosas franciscanas no século XIII e tive que ler muito sobre vida religiosa feminina no geral, tenho plena consciência do quanto a ideia de que o convento é uma prisão na qual as mulheres perdem sua vida é uma narrativa dissociada das fontes, ou baseada em uma seleção de fontes com o objetivo único de confirmar a hipótese.  

Havia freiras feitas à força?  Muitas.  Mas o espaço do convento era visto como refúgio para mulheres que não queriam casar, ou recasar, para jovens que desejavam se dedicar aos estudos e/ou a Deus.  O único lar para meninas órfãs que tinham nas irmãs a sua família.  Algumas abadessas tinham tanto poder quanto os nobres mais poderosos, poderiam até não ter ido parar no convento por escolha, mas muitas jamais abririam mão de sua posição por um marido, ou amante.  Não raro, as comunidades religiosas criavam suas próprias regras que iam de encontro aquilo que as autoridades masculinas desejavam.  Como sabemos disso, pela quantidade enorme de textos tentando colocar freio nas mulheres, seja na austeridade religiosa de algumas, seja na forma livre que outras pretendiam viver dentro dos conventos.

A criada Sophie tem um grande papel na trama.
Héloïse teve no convento uma experiência libertadora, não, castradora.  É em casa, uma propriedade rica em uma região erma da França, sem companhia de gente de sua idade e posição, carente de livros, tanto que a primeira coisa que ela pergunta para Marianne é que ela trouxe livros, que a moça se sente prisioneira.  O casamento não é uma escolha, mas uma imposição, uma nova prisão.  Marianne, que teve uma experiência ruim na escola do convento, pois queria desenhar em todos os lugares e horas possíveis e era punida pelas irmãs, tenta convencer Héloïse de que o casamento será uma situação satisfatória, que Milão é uma bela cidade, cheia de arte e de música.

Na verdade, essa insistência de Marianne é uma forma de tentar mascarar seus sentimentos pela outra moça, a sua modelo.  Em dado momento, quando a condessa teve que se ausentar por alguns dias da mansão, Héloïse pergunta para Marianne se ela já amou.  Marianne diz que sim, não por ter amado um homem anteriormente, mas por estar amando naquele momento.  Aqui, cabe explicar que o que aproxima Héloïse e Marianne da criada, Sophie, e conduz a essa conversa sobre amores passados, é o fato da criada adolescente estar grávida.  

Héloïse aceita posar para Marianne e as duas terminam se aproximando
 ainda mais.  A tensão erótica entre as duas é grande.
O filme mostra de forma muito natural como no século XVIII, antes do Estado se meter na questão e da Igreja se tornar tão enfática em relação à proibição do aborto, a gravidez indesejada e as formas de se livrar dela eram um assunto de mulheres, resolvido de forma sigilosa, mas sem escândalo, ou recriminações. Lembrei-me de uma parenta distante dizendo para uma das minhas primas em Sergipe, lá no longínquo ano de 1994, que estava feliz porque o chá que tomara fizera seu problema acabar.  “Desceu, graças a Deus!”  Minha mãe ficou horrorizada, mas guardou para si sua indignação.  Eu, na época, tinha pouca reflexão sobre o tema, mas as práticas daquelas mulheres, sua sororidade, pouco diferiam da do filme que se passa no século XVIII.  

A questão é do interesse das mulheres, tudo acontece dentro dos seus corpos, se a gravidez progride é sua vida que está em risco, são elas que perdem seus empregos, que são chamadas de “puta” pela vizinhança, e, claro, se solteiras, cabe a elas criar a criança.  Marianne é muito prática e pergunta para Sophie se ela deseja a criança.  A garota diz que não, que não pode ter o bebê.  A partir daí, as três jovens vão se empenhar em conseguir ervas e levar adiante umas medidas estranhas para que Sophie aborte.  Superstições, mais do que qualquer conhecimento científico.  Por fim, as moças acompanham a menina até a Fazedora de Anjos (Christel Baras), que termina por resolver o problema de Sophie em uma sequência que é carregada de poesia, mas, também, de angústia.  Mais tarde, a pedido de Héloïse, Marianne faz um esboço da cena.  

Marianne chega a ter uma crise de ciúmes, mas Héloïse
não aceita que lhe atirem uma culpa que não tem.
A presença de Marianne na mansão foi prolongada, porque o primeiro retrato pintado da jovem noiva é rejeitado por ela.  Marianne não consegue mentir, conversa com a condessa e diz que precisa mostrar o retrato antes para Héloïse.  A pintura seguia todas as convenções do gênero, ela era aquilo que a condessa tinha pedido, uma carta de apresentação para o noivo.  Héloïse repudia o retrato, porque ele nada dizia sobre ela, sobre seus sentimentos, sua alma, sua raiva.  Marianne recomeça do zero e isso possibilita que elas permaneçam mais tempo juntas.

O romance entre as duas é desenvolvido de forma delicada e erótica, também.  Há pouca nudez no filme, nenhuma cena de sexo, mas tudo é visível para a audiência.  O afeto, os beijos, a paixão, enfim, elas passam a compartilhar a mesma cama.  Algo que não existe no filme é a culpa pela relação lesbiana.  Elas se amam, elas concretizam seu desejo, elas sabem que não há futuro.  Em nenhum momento o roteiro tenta criar uma fantasia cor de rosa de que Marianne e Héloïse poderiam fugir para viver seu amor em paz, cada uma tem um papel a cumprir nessa sociedade.  Uma continuará pintora e dependente das migalhas da nobreza, a outra deve se casar e ter filhos para garantir a descendência do marido.  O que elas viveram, no entanto, durará para sempre.

A condessa não é uma vilã, mas ela representa a ordem, o dever.
Um tema presente no filme é a analogia entre a relação das duas moças e mito de Orfeu e Eurídice.  Foi o marido que colocou a perder a vida de Eurídice, ou ela pediu que ele se virasse?  Ele foi egoísta, ou atendeu ao desejo da amada de ser vista?  Marianne é atormentada com o sonho de ver Héloïse em seu vestido de noiva, a moça a chama, ou ela se sente chamada, ao se virar, ela desaparece.  Uma crítica que tenho ao filme repousa aqui, o vestido de noiva de Héloïse era branco.  Vestidos de noiva brancos só se tornariam comuns depois da Rainha Vitória inovar e usar um dessa cor em seu casamento.  Noivas pobres e das camadas médias vestiam sua melhor roupa, as ricas alguma roupa elegante que pudesse ser usada novamente com alguma adaptação.  Normalmente, essas roupas tinham cor.

O fato é que as duas se separam, antes disso, Marianne desenha Héloïse em um formato pequeno, uma miniatura que seria guardada por ela como um tesouro.  A jovem noiva pede então que a amada se desenhe como estava naquele momento, nua, em uma página do livro que estava lendo.  Esse retrato na página 28 é a senha no final do filme para que Marianne saiba que nunca foi esquecida.  Na galeria de arte, há um retrato de Héloïse com sua filha (*imagino*), um retrato convencional, mas nas mãos da moça estava um livro com a beirada aberta na página 28.  Crítica dois, a roupa de Héloïse e sua filha pareciam bem modernas, já das vésperas da Revolução Francesa, só que ninguém mais em cena estava usando nada parecido com aqueles vestidos. Foi uma incoerência, por assim dizer.  

Essa roupa destoa do figurino do filme.
Mais tarde, Marianne vê de longe Héloïse no teatro assistindo uma apresentação das Quatro Estações de Vivaldi.  Marianne tinha tocado parte da obra para a amada quando estavam na mansão.  Talvez, tenha contado mais da trama do que devesse, mas o fato é que o filme estreou em um circuito bem restrito.  Queria ter visto o filme no cinema, não consegui. Retrato de uma Jovem em Chamas foi reconhecido como um dos melhores filmes de temática LGBTQ+ de 2019 e foi lembrado em várias premiações, inclusive, no Globo de Ouro.

Ela se destaca por vários fatores, mas dois deles vou reforçar: Primeiro, trata-se de um romance adulto entre duas mulheres apresentado de forma poética, erótica e inteligente, sem concessões baratas.  Não há nenhum sensacionalismo nas cenas de amor e sexo, não há fansevice sem função na trama, tudo está ajustado ao roteiro, que é da diretora do filme.  Segundo, o filme tem um elenco totalmente feminino e a equipe de produção é quase 100% composta por mulheres.  Isso é raro e, claro, ninguém em sã consciência pode apontar o dedo para Portrait de la jeune fille en feu e dizer que o filme é ruim.  Minhas únicas duas críticas estavam ligadas ao figurino, só tenho elogios a fazer e recomendo muito o filme mesmo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Lista de material escolar gera polêmica ao pedir kit de médico para meninos e kit de cozinha para meninas (*entre outras atrocidades*)


Gênero é algo que a gente aprende.  Se você frequenta o Shoujo Café já deve ter me lido explicando que gênero são papéis aprendidos socialmente um montão de vezes.  Você aprende a ser homem e aprende a ser mulher e  os papéis que você pode e/ou deve desempenhar podem variar dependendo da época, do lugar, da classe social.  Há um modelo geral, mas ele não é estático.  E isso tudo nada tem a ver com genitais, ou com desejo sexual (*ser hetero, homo, bi, whatever*), mas tem a ver com poder e com manutenção de desigualdades.

Colocaram MENINA e MENINO em caixa alta para ninguém ter dúvida.
Muito bem, anteontem foi notícia que uma escola em Teresina, capital do Piauí, uma das melhores do estado e muito bem avaliada nacionalmente, teve uma de suas listas de material exposta na internet.  A escola pediu kits de profissão, brinquedos.  Deve ser educação infantil, exatamente aquela fase na qual os tais papéis de gênero são aprendidos e introjetados. A escola pedia brinquedos de uso comum, kits profissionais, para os meninos, de médico, bombeiro, mecânico; para as meninas, cozinha e cabeleireiro. Pedem, também, carrinho para menino e boneca para menina. Bola somente para os meninos, está escrito.  Tudo muito explicadinho mesmo.

Tudo bem explicadinho.
Não pensem que essa lista não tem sentido pedagógico. Quem montou pode nem ter a consciência clara do que está fazendo, talvez, na Nova Era em que vivemos, acredite que tudo isso é natural, afinal, há brinquedos de menina e de menino. Da mesma forma, meninos devem desejar algumas profissões, meninas, outras, ou nenhuma, afinal, melhor ser bela, recatada e do lar.  Mas vou ficar só na perversidade econômica dessa divisão profissional por gênero.  

Programas como Masterchef fizeram aparecer esses kits
"neutros" de cozinha nas lojas de brinquedo. E se o menino
quiser cozinhar?  Não pode ter panelinha só rosa e lilás.
Vejam só, um médico, um mecânico especializado, um bombeiro recebem salários melhores, na média, que uma cabeleireira.  A maioria dos cabeleireiros melhor remunerados, que estão na mídia, são homens.  Não lembro de nenhuma mulher que apareça como cabeleireira das estrelas, afinal, ninguém entende melhor do que as mulheres gostam do que o amigo gay.  Trata-se de um estereótipo, mas  ele é tão forte, tão forte, que é fácil entender por qual motivo você tem que deixar claro que esse kit de brinquedo é para meninas.

Agora, se vem escrito COZINHA
e não Chef é para menina, com certeza. 
Pode colocar rosa e lilás.
Agora, falemos do kit de cozinha.  Cozinhar é uma arte, a meu ver é a única parte do trabalho doméstico, que é massacrante e repetitivo, que tem algo de criativo.  No entanto, a cozinheira, quando mulher, é somente uma pessoa do sexo feminino que faz comidinhas gostosas.  Se é mãe, irmã, tia, avó, ela não precisa ser remunerada, porque tudo é feito com amor e carinho.  Os primeiros programas de culinária nas TVs, mesmo com mulheres como apresentadoras e estrelas, buscavam reforçar essa imagem familiar da mulher que cozinha para os seus, por amor, sem pretensões profissionais.  Mesmo quando uma mulher decide cozinhar para fora, raramente ela será tratada com o respeito de um chef, ela é a cozinheira na maioria dos casos.  A maioria dos "melhores cozinheiros do mundo" são homens.  Para as mulheres, ainda é um campo muito difícil.

Se está escrito "Chef", coloca em caixa azul,
porque menino pode usar, também.
É fácil entender isso.  Se cozinhar é uma arte, tem que ser coisa de homem.  Quem são os maiores artista da humanidade?  Agora, por qual motivo isso se dá?  Um chef de cozinha normalmente precisa dedicar longas horas a sua profissão.  Se comanda uma cozinha de um grande hotel, ou restaurante, talvez, precise dedicar 10 até mais horas de seu dia ao trabalho.   Se for um homem chef e tiver filhos, certamente caberá à esposa, ou a uma mulher contratada para isso, cuidar das crianças.  Ele poderá trabalhar tranquilo, viajar para fazer ou ministrar cursos, crescer na profissão, enfim, sem se preocupar com questões domésticas maios sérias.  Pode sofrer com o sacrifício, mas será visto como alguém que está fazendo o melhor pelo bem estar dos seus.  E se for uma mulher?  Não pode!  "Imagina abandonar um filho para trabalhar desse jeito?"  "Não é trabalho de mulher, não de mulher que ame a família!"  

Escândalo!
Os chefs, os médicos e outros profissionais de elite que ganham bem normalmente sacrificam sua vida familiar, mesmo que seja para garantir o melhor para ela.  Por isso, é bom ensinar desde cedo que as meninas não podem almejar essas profissões, ou mesmo imaginar que podem torná-las menos cruéis, elas precisam ficar em casa e garantir que os homens possam ter tranquilidade para serem criativos, competitivos e, claro, para que ganhem mais dinheiro.  Isso precisa ser ensinado desde cedo.  Ainda assim, kit de cozinha não se chama kit de chef, mesmo com tantas temporadas do programa na Bandeirantes e joguinhos de panelinha cinza, preto e de outras cores neutras, melhor não arriscar.  Cozinha não remunerada é lugar de mulher, a qualificada é para os homens.

A tomar pela lista de material, menina não joga bola.
Por isso, também, a bola para os meninos.  Eles precisam ser ativos, correr.  As meninas precisam ser ensinadas a cuidar de seus futuros bebês, de preferência sentadinhas e sem sujar seus uniformes escolares.  "Ah, mas elas podem brincar de bola!"  Então, por qual motivo a lista de material foi tão específica?  Carrinho, também.  Menina não deveria imaginar que pode dirigir, salvo o carro da Barbie, mas ele é muito caro para entrar na lista de material, ou, vai saber, talvez quem fez a lista se incomode com isso, também.

Menino cabeleireiro ainda é tabu, porque a profissão
parece estar atrelada à concepções à respeito da
orientação sexual dos profissionais da área.
Não pensem que esse tipo de lista de material seja novidade.  O que é novo e saudável é que as pessoas reclamem, coloquem na internet, façam o contraponto.  Claro, que esse tipo de coisa, que estava se tornando cada vez mais rara e envergonhada, pode ganhar força nesse momento em que vivemos, mas se a gente resistir, é possível impedir que sejamos tragados por essa onda de reacionarismo que quer criar pessoas infelizes, sejam homens, ou mulheres, e reforçar desigualdades, porque tenham certeza que a cozinheira vai receber menos que o médico e ter menos status na sociedade, também.  

Kit médico, menino na caixa.
E vejam que mesmo dentro do grupo dos médicos, que é bem equilibrado em número de homens e mulheres na profissão, elas recebem menos.  Motivo?  Se alguém precisa se dedicar à família, que seja a mulher.  Nada de dividir tarefas.  Se um casal da mesma profissão precisar avançar na carreira, talvez, a esposa tenha que abrir mão para que o marido vá primeiro.  Afinal, depois, ele vai fazer o mesmo pela mulher.  Vai mesmo?  E, claro, mulheres valem menos, porque gênero é relacional, mas, como pontuei lá em cima, reforça desigualdades.  Se as coisas de homem são mais valorizadas é porque os homens valem mais, por isso, mulheres, mesmo em profissões masculinas, continuam sendo mulheres e, portanto, inferiores.  Agora, se a profissão é vista como feminina mesmo, os salários tendem a ser mais baixos e, claro, os homens tendem a fugir delas.  Por isso mesmo, kit de cabeleireiro é para menina, não para menino.  

Serviços gerais, menina desenhada.

Mas, claro, poderia ser ainda mais agressivo esse negócio, porque há o kit de serviços gerais.   Você daria para o seu filho esse tipo de brinquedo?  Mas muitas meninas recebem como presente.  É bem pedagógico, se a menina for pobre e/ou negra, mais ainda, aliás.  Para essas futuras mulheres, aliás, é legítimo trabalhar longas jornadas, mas sempre recebendo baixíssimos salários.  É sua sina, seu destino.  A culpa por deixar os filhos para trás estará sempre com elas, assim como com outras mulheres profissionais, mas elas precisam mais do que todas nós, ganhar o pão de cada dia.  Obviamente, não pegaria bem colocar isso em uma lista de material escolar em uma escola de classe média, afinal, não é bem o futuro que os pais e mães imaginem para suas filhas.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

‘Mulan’ não terá músicas porque ninguém canta na guerra, diz diretora


Algumas declarações da diretora do live action de Mulan, Niki Caro deu algumas declarações ao site Digital Spy sobre dois temas, música e Mushu.  Enfim, em 2017, fiz um micro post com os comentários da diretora dizendo que ninguém tinha dito que Mulan não teria as músicas, agora, ela confirmou e deu essa declaração ignorante (*no sentido de não saber mesmo*) sobre a ligação entre a guerra e a música.  O que disse a diretora:
“Eu pensei nessa adaptação do ponto de vista mais realista, e quem é que canta no meio dA guerra? Os personagens estão em guerra, entre espadas e flechas…”, disse ela. “Não sou contra a animação, não é isso, mas são aspectos diferentes. As músicas são brilhantes e vamos honrá-las de uma maneira muito significativa. Mas eu me concentrei no drama de uma menina que está enfrentando uma guerra como um soldado.”
Antes de falar de guerra e música, quem assistiu Mulan sabe que havia músicas no contexto da guerra e músicas cantadas antes de Mulan fugir e casa.  Como resenhei a animação dia desses, repito que não me lembro de animação da Disney que usa tão bem a música para ajudar a contar a sua história.  Tudo é interconectado, as músicas humorísticas e as músicas sérias.  E Mulan tem poucas músicas cantadas ao longo do filme.  São quatro ao todo, fora "True to Your Heart" que só aparece nos créditos.

Música é usada em treinamentos militares até hoje.

Quanto à música e a guerra.  Quem observa o treinamento da infantaria, e eu leciono em um colégio militar que está dentro de um quartel, ou vice-versa, ao gosto do freguês, vê que tudo é marcado pela música.  Não estou entrando no mérito da qualidade, mas os caras correm cantando.  Aliás, este é o sentido de uma das músicas mais legais da animação  "I'll Make a Man Out of You" , quando os novos recrutas estão em treinamento e que culmina com a cena do mastro, uma das mais impactantes do filme.  Mais adiante, "A Girl Worth Fighting For"  é cantada enquanto os soldados estão marchando, como uma forma de distração, eles ficam imaginando que estavam lutando por futuras esposas e namoradas perfeitas.  Em Mulan, na animação, ninguém para de lutar para cantar.  Mulan não é um filme de Bollywood.  Aliás, em um filme indiano, os caras iriam cantar lutando e tudo muito bem coreografado, porque eles sabem fazer as coisas funcionarem.

Músicas fora do filme, mesmo antes da guerra.
De resto, exércitos desde a antiguidade e em todos os continentes, exércitos levava tambores e outros instrumentos.  Quando as tropas avançavam, não raro os coitados dos músicos estavam no meio da confusão e tinham que continuar tocando até o fim.  E você canta para intimidar o inimigo, canta para conseguir coragem de continuar no combate.  Falo de músicas marciais.  Em alguns casos, há a dança e a musica.  O que é o haka, afinal?  Música e dança é coisa de homem, também, diretora.  Acredito que seria menos vergonha alheia simplesmente dizer, "não vai ter música, porque não quero música".  Pronto, acabou.  

O Haka é usado pelo time de rugby neozelandês para intimidar os adversários até hoje.

De resto, o pessoal deveriam assistir ao vídeo da moça do Pula Muralha, ele é muito mais coerente para explicar os motivos de Mulan, a animação, não ter feito tanto sucesso na China.  Em 1998, havia pouquíssimos cinemas.  Não foi rejeição cultural, não precisa tornar Mulan um espetáculo (*supostamente*) realista para tentar ganhar os chineses.  Quando à Mushu, não vai ter o dragãozinho, porque ele não combina com o tom realista da película.  Enfim, que seja, em março, a gente confere.  Apesar de ter saído no Digital Spy, vi a matéria primeiro no Cine Pop.

Estúdio em Tokyo transforma qualquer turista em uma estrela do Takarazuka. A preferência? Oscar, claro!


O Sora News trouxa uma matéria sobre o estúdio Opsis especializado em transformar as pessoas em ídolos da cultura pop japonesa dos anos 1980, que os japoneses chamam Bubble Era, quando o Japão era uma das maiores economias do mundo, só perdendo para os Estados Unidos e a Alemanha Ocidental, ou se alternando com ela na segunda posição.  Enfim, uma das repórteres do Sora News foi até o estúdio e pediu para ser transformada em Oscar na versão do Teatro Takarazuka.  


Bem, se você caiu aqui pela primeira vez, o Takarazuka é um teatro musical japonês formado somente por mulheres.  Criado em 1913, ele estava em decadência nos anos 1970 até que A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) o salvou.  Desde a primeira montagem de uma peça baseada no mangá de Ikeda, em 1974, gerações e gerações de atrizes encarnaram Oscar, Maria Antonieta, André, Fersen etc.


Para quem não sabe, também, a JBC lançou o mangá da Rosa de Versalhes no Brasil.  Trata-se de um dos maiores clássicos dos quadrinhos japoneses e que ajudou a revolucionar o shoujo mangá trazendo para as revistas para meninas a temática histórica.  A Rosa de Versalhes conta a história caçula nascida em uma família de militares e que seu pai, sem esperança de ter um filho homem, decide educa-la como se fosse um rapaz.  


Oscar, este é seu nome, se torna comandante da guarda de Maria Antonieta, a trágica rainha da França.  A série foi publicada entre 1972 e 1974.  Fiz as resenhas dos volumes 1 e 2.  Recomendo muito a série para qualquer um que se interesse por mangá, por História e pela história dos quadrinhos, claro.



Na matéria do SN há muitas fotos, um passo-a-passo da transformação.  Se você quiser ver todas elas, visite o Sora News.  Eu só coloquei uma amostra aqui no post.  O site fez uma matéria anterior sobre o estúdio, se quiser visitar, é só clicar neste link.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Todas as resenhas de 2019 - Parte 2: Filmes assistidos no Cinema e em Casa


Já demorei demais para fazer esses posts de coletâneas de resenha, mas, enfim, ainda estamos em janeiro.  Em 2019, foram 42 filmes assistidos no cinema (*se não esqueci de algum*) e resenhados no blog este ano, fora os vistos em casa.  Muita coisa e ainda deixei de fora uma série de filmes e animação que vi com Júlia, como Dora, a Aventureira.  Acho que com as omissões foi uma média de 4 filmes por mês, talvez mais.  Eu gosto muito de cinema e, se pudesse, iria mais de uma vez por semana.  Assistir um filme no cinema me impede de dispersar, parar para fazer outra coisa, isso prejudica a apreciação da obra.  

Caso, por exemplo, de Roma.  Assistir em casa talvez tenha feito com que eu não apreciasse o filme como a maioria das pessoas apreciou.  O mesmo vale para Parasita, que assisti já em 2020.  Mas é aquilo, nem sempre consigo ir ao cinema e o início de 2020 não está sendo tão favorável comigo quando o ano passado.  Enfim, clicando no nome do filme, você irá para a resenha.

Pensei que Abominável estaria no Oscar.
ANIMAÇÕES

Comecei o ano assistindo Wifi Ralph, foi o primeiro filme que vi nos cinemas em 2019.  Foi legal?  Foi, mas, ao mesmo tempo, desnecessário.  O desenho nem foi lembrado nos Oscars, assim como O Rei Leão, que teve uma bilheteria monstruosa.  Nem lembrava que tinha resenhado Como Treinar o Seu Dragão 3.  Sabia que tinha assistido, mas imaginei que ele estivesse entre os tantos desenhos que vi com Júlia e não resenhei (Ugly Dolls, Brinquedos Mágicos, Angry Birds 2, A Vida Secreta dos Bichos 2 etc.), tinha apagado da minha memória MESMO.  E, repito, foi injusto Como Treinar o Seu Dragão entrar na seleção final do Oscar e Frozen 2 ficar de fora.  

Não viu Aranhaverso?  Corra e vá assistir.
A melhor animação do ano foi, com certeza, Homem-Aranha: No Aranhaverso, muito bem bolado e que me manteve atenta do início ao fim.  Toy Story 4 me fez chorar, mas era inevitável, minha filhinha até debochou de mim por causa disso.  De qualquer forma, ninguém vai me fazer dizer que precisávamos desse filme, diferente de Frozen 2.  OK, estou bem furiosa com Elsa e Ana fora do Oscar.  Abominável só resenhei por acreditar que iria para a premiação.  É um bom desenho, enfim.  

Pensei em incluir Haikara-san ga Tooru na terceira parte das resenhas, mas é um longa-metragem e eu assisti em casa simplesmente por não ter passado por aqui.  A animação do clássico do final dos anos 1980 ficou muito boa e eu realmente espero que alguém leia este post e venha me informar que a parte 2 está disponível com legendas em português, ou inglês, ou italiano, ou francês, ou espanhol em algum lugar.  Serve raw, também, porque eu estou doida para ver de qualquer jeito.  OBRIGADA desde já.

Fersen e Maria Antonieta.
FILMES ASSISTIDOS EM CASA

O único filme recente que eu assisti em casa, porque ficou pouco tempo em cartaz e em péssimos horários, foi Se a Rua Beale Falasse.  Se você viu meu post dos melhores do ano, este filme estava lá.  Realmente acredito que Se a Rua Beale Falasse deveria ter saído com mais prêmios do Oscar do ano passado.  Recomendo muito o filme.  

Injustiçado no Oscar.
Os outros filmes assisti por motivos diversos.  Sinhá Moça estava devendo desde que a novela foi repetida.  A resenha acaba englobando o filme e o livro original.  O filme me pareceu mais crítico e até subversivo do que a novela do Benedito Ruy Barbosa de 1986 e seu remake de 2006.  Maria Antonieta assisti no 14 de julho por mera coincidência, tinha o DVD fazia um tempão e não tinha parado para assistir.  Grande exemplar do cinema dos anos 1930, do tempo em que as mulheres eram as grandes estrelas.  Mas o meu objetivo maior ao assistir era comprovar se o Tyrone Power estava realmente tão bonito.  Sim, estava.  Daí, emendei Zorro, que é protagonizado por ele e que eu tinha assistido muitos anos atrás.  

Como era 100 anos da personagem, virou um grande post homenagem.  Até agora não entendo como puderam não filmar Zorro em 2019.  The Slipper and The Rose, versão musical da  Cinderella, vi por causa da resenha do site Frock Flicks e por estar com saudades do Richard Chamberlain depois de rever uns pedacinhos de Pássaros Feridos no Youtube.  Nunca tinha assistido o filme e o melhor dele é a fada madrinha da Cinderella.

Deveria ter resenhado Dumplin'.
Dois filmes que assisti em casa e não resenhei foram Dumplin’ e Roma.  Achei Dumplin’ divertido, mas não foi esse questionamento todo da gordofobia.  De qualquer forma, recomendo.  Roma, um dos celebrados do ano passado, não me empolgou.  Talvez precise rever, mas me pareceu um filme que dava visibilidade a uma protagonista indígena sem lhe dar voz.  O olhar era de cima para baixo e nem todo o virtuosismo do diretor conseguiram me tirar esse gosto meio amargo do filme.

FILMES ASSISTIDOS NO CINEMA

Vamos dividir as coisas nesta seção, também, afinal, dá para separar as coisas em algumas categorias bem específicos.

Shazam!  foi o melhor filme de super-heróis do ano para mim.
FILMES DE SUPER-HERÓI
Os Vingadores: Ultimato (EUA/2019) SEM SPOILERS - COM SPOILERS

Aranhaverso poderia estar aqui, mas preferi deixar em animação, mas foi o melhor filme de super-heróis do ano, para mim.  Perfeitinho.  Depois, coloco Shazam!, porque a história funcionou, o filme foi interessante e divertido e o elenco estava, no geral, muito bem.  Vingadores foi um evento, assim como a Capitã Marvel, que é um bom filme, mas dada a perseguição dos misóginos e machistas (*há diferença entre eles*), defenderei o filme até a morte.  Aliás, basta ler a resenha.  E, por fim, o ponto baixo foi Fênix Negra, acredito que ninguém vá disputar isso.

A Torre das Donzelas é bem didático para quem
não sabe o que foi a Ditadura Civil-Militar.
FILMES BRASILEIROS

Assisti poucos filmes brasileiros, realmente lamento por isso.  Foram três ficções e um documentário, joguei aqui, porque foi o único que vi no cinema.   Torre das Donzelas é muito bom e um filme necessário em nossos dias tão sombrios.  Assisti mais dois documentários brasileiros, Democracia em Vertigem, que decidi não resenhar, e Menino 23, ambos em casa.  Ainda me esforçarei escrever sobre esse último, mas vai ser incluído em 2020.  Dos filmes nacionais, Minha Vida em Marte foi o pior, não por ser comédia, mas por ser bem inferior ao primeiro filme da série.  Dois Papas é um pouco brasileiro, mas não entra aqui.

Dumbo foi um bom filme.
FILMES DA DISNEY

Há mais material Disney em animação e Super-Heróis, porque a dona do Mickey Mouse dominou tudo.  É muito ruim quando temos uma mega empresa monopolizando tanta coisa.  Não funciona a favor do cinema, podem ter certeza.  Desses três, Dumbo foi o que me surpreendeu positivamente, porque não esperava grandes coisas.  Esperava que ele fosse indicado para algum Oscar por conta de sua parte artística, ou figurino.  Aladdin poderia ser melhor, se tivesse se jogado em Bollywood sem medo de ser feliz, mas foi um bom filme.  Guerra nas Estrelas, enfim, é aquilo, esperava pouco, não me decepcionei, nem me impressionei.  O grande mérito dessa nova franquia, para mim, é a diversidade e o fato de colocar homens e mulheres em pé de igualdade.  

O segundo filme está a caminho.
FILMES INFANTIS

Será que A Caminho de Casa não é da Disney?  Não é!  Viva!  Escapou um.  É filme com cachorrinho, filme para fazer chorar.  Falando nisso, assisti Quatro Vidas de um Cachorro em casa, não teve resenha, mas gostei bastante.  Não quis assistir no cinema quando foi exibido.  De qualquer forma, foram os filmes infantis que assisti no cinema e e resenhei.  O que me faz perceber que assisti mais um filme brasileiro, o da Turma da Mônica.  Pelo que vi, o segundo sai este ano.  Estão mais do que certos em lançar, porque as crianças vão crescer.

Papicha é um filme sobre o amor à vida e à liberdade.
OS OUTROS FILMES

Filhas do Sol foi um dos filmes mais feministas do ano.
Fiquei pensando: Separo?  Não separo?  Filmes feministas?  Tem um montão: Papicha, Suprema, As Filhas do Sol, A Esposa etc.  Filme de época?  Poxa, até Papicha é de época, porque os anos 1990 ficaram lá atrás e a guerra civil na Argélia, também.  Ainda bem!  Tradutor é de época, também.  Esqueci dele entre os meus melhores do ano, mas ele deveria estar lá.  Um filme muito sério, doído, cheio de sentimento.  Rodrigo Santoro se tornou um ator muito bom e falo isso, porque lembro dele quando ele interpretava tão bem quanto uma samambaia.  

O filme de Downton Abbey serviu para matar
saudades, mas se sustenta por ele mesmo.
Falando de filmes de época mais afastados no tempo, o melhor do ano foi Downton Abbey.  Como eu temi que esse filme fosse ruim, não desse conta, mas deu certo e foi maravilhoso.  A Favorita não me impressionou, Duas Rainhas foi ruim como filme de época e filme feminista, mas deles falei nos melhores e piores do ano.  A Revolução em Paris foi outro decepcionante.  Memórias da Dor, outro filme de época, entrou na lista dos que eu não gostei.  Não vou poder recomendar para os meus alunos este ano.  Quase esqueci da Espiã Vermelha, mas é um bom filme.  Sabe aquelas coisas que a gente imagina que seriam impossíveis?  Pois é... 

O Tradutor deveria ter entrado na minha lista de melhores do ano.
Era Uma Vez em… Hollywood é história alternativa, com prós e contras, mas não quero falar dele, se levar o Oscar não será justo.  Vice é um bom filme político, usa de uns recursos narrativos interessantes e, de uma certa forma, é história alternativa, também, só que politicamente posicionado e crítico.  Alita ficou de fora do Oscar nas categorias técnicas, apesar de ter sido indicado para vários prêmios do sindicato (*tem de tudo em Hollywood*), mas foi um filme razoável.  Espero que tenha continuação.  Yesterday foi bem fofinho e entrou nos meus melhores do ano.

Retrato de Amor é um filme muito sensível.
Assisti filmes mais alternativos quanto à origem que foram muito bons.  Retrato de Amor é um filme indiano que nada tem do colorido de Bollywood.  Branca Como a Neve e Banho de vida são duas comédias francesas deliciosas.  E há dois filmes israelenses.  Não Mexa com Ela é um filme feminista e poderia se passar em qualquer grande capital do mundo com algumas adaptações e O Confeiteiro, bem, foi meu queridinho de 2019.  Todos Já Sabem  tem Ricardo Darín de coadjuvante e ele sempre vale o filme.  Apesar de ter meio que caído no esquecimento, Todos Já Sabem é um drama humano muito angustiante e para um público adulto, que não deseja histórias fáceis.  Talvez, exatamente por isso, ele tenha ficado meio que esquecido.

Estão abertas as votações para o Anime Awards 2020 da Crunchyroll

Estão abertas as votações para o  Anime Awards 2020, prêmio de melhores animes do ano promovido pela Crunchyroll desde 2017.  Já deveria ter postado antes, porque a votação termina no dia 17 de janeiro, mas só consegui hoje.  São várias categorias e  para votar, você precisa clicar AQUI.  Segue as categorias:

MELHOR ANIME DO ANO
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Carole & Tuesday
Mob Psycho 100 II
O Maidens in Your Savage Season
Vinland Saga
The Promised Neverland

MELHOR ANIMAÇÃO
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Fire Force
Mob Psycho 100 II
Sarazanmai
Vinland Saga
Dororo

BEST BOY
Bruno Bucciarati - JoJo’s Bizarre Adventure: Golden Wind
Hyakkimaru - Dororo
Kanata Hoshijima - Astra Lost in Space
Shigeo “Mob” Kageyama - Mob Psycho 100
Tanjiro Kamado - Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Naruzou Machi - How Heavy are the Dumbbells You Lift?

BEST GIRL
Carole - Carole & Tuesday
Chika Fujiwari - Kaguya-sama: Love is War
Emma - The Promised Neverland
Kohaku - Dr. STONE
Nezuko Kamado - Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Raphtalia - The Rising of the Shield Hero

MELHOR TRILHA SONORA
Hiroyuki Sawano - Attack on Titan 3ª temporada
Mocky - Carole and Tuesday
Go Shiina e Yuki Kajiura - Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Tatsuya Kato, Hiroaki Tsutsumi e Yuki Kanesaka - Dr. Stone
Yugo Kanno - JoJo’s Bizarre Adventure: Golden Wind
Kevin Penkin - The Rising of the Shield Hero

MELHOR DIRETOR
Tetsuro Araki - Attack on Titan 3ª temporada
Kiyotaka Suzuki - Babylon
Shinichiro Watanabe & Motonobu Hori - Carole and Tuesday
Yuzuru Tachikawa - Mob Psycho 100 II
Kunihiko Ikuhara - Sarazanmai
Shuhei Yabuta - Vinland Saga

MELHOR DESIGN DE PERSONAGENS
Tsunenori Saito, design de personagem original de Eisaku Kubonouchi - Carole and Tuesday
Satoshi Iwataki, design de personagem original de Hiroyuki Asada - Dororo
Yuko Iwasa - Dr. Stone
Yuko Yahiro, design de personagem original de Aka Akasaka - Kaguya-sama: Love is War
Kayoko Ishikawa, design de personagem original de Miggy - Sarazanmai
Takahiko Abiru, design de personagem original de Makoto Yukimura - Vinland Saga

MELHOR PROTAGONISTA
Emma - The Promised Neverland
Hyakkimaru - Dororo
Saitama - One-Punch Man 2ª temporada
Senku - Dr. Stone
Tanjiro Kamado - Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Tohru Honda - Fruits Basket

MELHOR ANTAGONISTA
Ai Magase - Babylon
Angela - Carole and Tuesday
Askeladd - Vinland Saga
Garou - One-Punch Man 2ª temporada
Isabella - The Promised Neverland
Overhaul - My Hero Academia Season 4

MELHOR CENA DE LUTA
Emperor Crimson vs. Metallic - JoJo’s Bizarre Adventure: Golden Wind
Levi vs. Beast Titan - Attack on Titan 3ª temporada
Mob vs. Toichiro - Mob Psycho 100 II
Tanjiro & Nezuko vs. Rui - Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Thorfinn vs. Thorkell - Vinland Saga
Ushiwakamaru vs. Tiamat - Fate/Grand Order Absolute Demonic Front: Babylonia

MELHOR CASAL
Baki Hanma & Kozue Matsumoto - Baki
Kaguya Shinomiya & Miyuki Shirogane - Kaguya-sama: Love is War
Mafuyu Sato & Ritsuka Uenoyama - Given
Reo & Mabu - Sarazanmai
Rika Zonazaki & Shun Amagi - O Maidens in Your Savage Season
Ymir & Historia - Attack on Titan 3ª temporada

MELHOR COMÉDIA
Aggretsuko
How Heavy are the Dumbbells You Lift?
Isekai Quartet
Kaguya-sama: Love is War
Sarazanmai
My Roommate is a Cat

MELHOR DRAMA
Stars Align
Carole & Tuesday
The Promised Neverland
Fruits Basket
Vinland Saga
Babylon

MELHOR FANTASIA
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Sarazanmai
Ascendance of a Bookworm
Attack on Titan Season 3
The Promised Neverland
Astra Lost in Space

MELHOR ABERTURA
Kiss Me - Carole & Tuesday
Touch Off - The Promised Neverland
99.9 - Mob Psycho 100 II
Kawaki wo Ameku - Domestic Girlfriend
Inferno - Fire Force
Mukanjyo - Vinland Saga

MELHOR ENCERRAMENTO
Hold Me Now - Carole & Tuesday
Chikatto Chika Chikaa♡ - Kaguya-sama: Love is War
Torches - Vinland Saga
Stand By Me - Sarazanmai
Veil - Fire Force
Sayonara Gokko - Dororo

MELHOR DUBLADOR JAPONÊS
Yuichi Nakamura como Bruno Bucciarati - JoJo’s Bizarre Adventure: Golden Wind
Yukino Satsuki como Ai Magase - Babylon
Yuuko Kaida como Isabella - The Promised Neverland
Mamoru Miyano como Reo - Sarazanmai
Yusuke Kobayashi como Senku - Dr. STONE
Saori Hayami como Shinobu Kocho - Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba

Como a Crunchyroll é norte americana, há ainda a categoria de melhor dublador nos Estados Unidos.  Quem quiser votar, enfim, é só ir na página.  O link está lá em cima.