quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Indicados ao 21º Osamu Tezuka Awards


O jornal Asahi anunciou os oito indicados ao 21º Prêmio Cultural Anual Osamu Tezuka.  O comitê deste ano é composto pela atriz Anne Watanabe, o autor Kazuki Sakuraba, os mangá-kas Machiko Satonaka (!!!) e Tarō Minamoto, o professor e acadêmico Shōhei Chūjō, o editor de mangás Haruyuki Nakano, o crítico de mangá Nobunaga Shinbo, e a autora e pesquisadora de mangás Tomoko Yamada.  A lista preliminar foi preparada por especialistas e funcionários de livraria.  Na lista, me surpreende não ver Akiko Higashimura, já que ela parece estar sendo indicada para tudo.  Outra informação, é que Shōwa Genroku Rakugo Shinjū está na sua segunda indicação, já que havia aparecido na lista do 17º Tezuka Awards.  Segundo o ANN, o vencedor será anunciado no final de abril e a premiação será em 31 de maio.

  • Tokusatsu Gagaga (トクサツガガガ) de Niwa Tanba (Big Comic Spirits/Shogakukan) - seinen
  • Golden Kamuy (ゴールデンカムイ) de Satoru Noda (Shuukan Young Jump/Shueisha) - seinen
  • Dokonjou Gaeru no Musume (ど根性ガエルの娘) de Yuuko Ootsuki (Shuukan ASCII/Hakusensha) - seinen
  • Rainman (レインマン) de Yukinobu Hoshino (Big Comic/Shogakukan) - seinen
  • SAD GiRL de Kan Takahama (Torch/LEED Publishing) - seinen
  • Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu (昭和元禄落語心中)  de Haruko Kumota (Itan/Kodansha) - josei
  • Hana ni Somu (花に染む) de Fusako Kuramochi (Chorus/Cocohana/Shueisha) - josei
  • Kujira no Kora wa Sajou ni Utau  (クジラの子らは砂上に歌う) de Abi Umeda (Mystery Bonita/Akita Shoten) - shoujo
Duas coisas a pontuar: dos oito autores indicados, cinco são mulheres (Yuuko Ootsuki, Abi Umeda, Fusako Kuramochi, Kan Takahama,  Haruko Kumota); é curioso ver um shoujo indicado, não é comum, e, um detalhe importante, Kujira no Kora wa Sajou ni Utau, teve anime anunciado.  Será que, desta vez, Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu vai vencer?

"Vítima" invade armada a casa de ex-namorada e é morta! Tragédia!


Eu não queria comentar a notícia, mas estou me coçando desde ontem.  Olhem só o texto do G1: "Um homem de 29 anos foi morto após invadir o apartamento da ex-namorada na noite de terça-feira (21) em Londrina, no norte do Paraná. Segundo a Polícia Militar (PM), a vítima estava armada e entrou em discussão com o atual companheiro da jovem. O atual namorado da mulher pegou a arma da mão do ex-namorado dela e atirou contra ele. A vítima morreu na hora.".  Na reportagem televisiva o repórter ainda usou o termo "crime passional", termo que se presta a descrever violências contra as mulheres e feminicídios o tempo inteiro.

Algumas pessoas comentaram que a notícia estava confusa.  Não, não está, é a classe dos homens se defendendo.  Ainda que um outro homem tenha matado outro em legítima defesa, é o sacrossanto direito de posse sobre suas fêmeas que está em jogo.  Quer dizer que um sujeito precisa aceitar que um relacionamento acabou e não pode invadir armado durante a noite a casa da ex?  Absurdo!!!! Agora, suponhamos que a moça estivesse sozinha?  Eu posso terminar a história, uma que é repetida todos os dias em algum jornal, ou vários jornais, deste país.  Vamos imaginar que o novo namorado não reagisse?  Talvez, tivéssemos duplo homicídio.  


Claro, o assassino fugiu, quem foge é sempre culpado, não é?  Nem sempre, mas isso pesa contra ele, porém, não apaga que o outro sujeito invadiu a casa e estava armado.  Para quê alguém invade casa de ex-namorada à noite e armado?   Por curiosidade, joguei "ex-namorado invade casa armado" no Google e comecei a contar as ocorrências.  Na melhor das hipóteses, a moça terminou SOMENTE ferida, na maioria dos casos, foi morta.  Veja, mulheres que estavam em casa, lugar que deveria ser sinônimo de segurança.

Sei lá, é tão comum abrir notícias de violência contra mulheres e meninas e ler títulos e comentário - de jornalistas e autoridades policiais - tão descabidas, ou sem empatia que notícias assim nem deveriam chocar.  Sabe quando criança é violentada e, na notícia, aparece coisas como "o acusado fazia sexo com a vítima"?  Não é sexo segundo a lei brasileira, nem é sexo, porque sexo deveria envolver consentimento, desejo, carinho, parceria.  Mas vá, a gente sempre encontrará uma notícia pior - por seu grau de violência ou redação - mais adiante.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Yuri!!! on ICE é o escolhido pelo voto popular para receber o Tokyo Anime Award

Poster da revista Newtype Magazine
Este ano a organização do Tokyo Anime Award Festival (TAAF) fez uma pesquisa para saber qual foi o anime do ano segundo os fãs.  Para ser votado, o anime precisava ter sido exibido entre os dias 18/10/2015 e 15/10/2016.   Uma primeira votação tinha reduzido os concorrentes de 550 para 100 concorrentes, segundo o ANN.  Em segunda votação, Yuri!!! on ICE  (ユーリ!!! on ICE)  levou o prêmio com 41.439 votos.  Os vinte mais votados foram: 

1. Yuri!!! on Ice (41.439 votos)
2. Joker Game (37.552 votos)
3. High Speed! -Free! Starting Days- (16.094 votos)
4. Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans (14.997 votos)
5. Mob Psycho 100 (14.623 votos)
6. Dream Festival! (11.078 votos)
7. TO BE HERO (9.398 votos)
8. Detective Conan: The Darkest Nightmare (9.345 votos)
9. Cute High Earth Defense Club LOVE! LOVE! (8.797 votos)
10. Gintama (8.030 votos)
11. K: Return of Kings (7.311 votos)
12. Yu-Gi-Oh! The Dark Side of Dimensions (6.627 votos)
13. Yowamushi Pedal: Spare Bike (6.576 votos)
14. Fafner EXODUS (5.295 votos)
15. World Trigger (3.592 votos)
16. Ponkotsu Quest: Maō to Haken no Mamono-tachi (2.994 votos)
17. Kuroko's Basketball Winter Cup Highlights -Shadow and Light- (2.810 votos)
18. One-Punch Man (2.730 votos)
19. Utawarerumono: The False Faces (2.456 votos)
20. Seraph of the End: Battle in Nagoya (2.276 votos)

Nova arte apresentada este mês.
O Tokyo Anime Award Festival acontecerá em Ikeburu, Tokyo, entre os dias 10 e 13 de março.  No dia 11, uma sessão especial exibirá os três primeiros episódios de Yuri!!! on ICE.  Agora, vamos esperar a segunda temporada.  Eu tenho fé. :)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Anunciado um grande artbook do anime da Rosa de Versalhes


Para comemorar os 50 anos de carreira de Riyoko Ikeda e os 45 anos de lançamento do mangá da Rosa de Versalhes, um grande artbook, ou enciclopédia, não sei bem, do anime da Rosa de Versalhes será lançado no Japão, agora, em 14 de março.  O preço do volume é salgado, na Amazon está por 3996 ienes, no CD Japan, 3700 ienes.  


O nome pomposo do livro é Album De L'art de l'animaion "Lady Oscar" ~La Rose de Versailles~ Berusaiyu no Bara ~Animation Album~ (ベルサイユのばら -アニメーション・アルバム).


O livro, que é tamanho B5, segundo o Comic Natalie, traz desenhos de produção, cópias de céluulas de animação, entrevistas com parte do staff do anime e outros diretores de animação.  


O CN dá destaque para a entrevista com Akiyuki Shinbo, diretor de Sangatsu no Lion  (3月のライオン), Puella Magi Madoka☆Magica (魔法少女まどか☆マギカ) e Sayonara Zetsubou Sensei (さよなら絶望先生).  Este último, aliás, faz menção à Rosa de Versalhes em seu último episódio. Não sei se há entrevista de Riyoko Ikeda.   De qualquer forma, deve ser um material fantástico.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Comentando Lion - Uma Jornada para casa (Lion, 2016)



Sexta-feira assisti Lion, um dos filmes na corrida para o Oscar.  Quando me interessei pelo filme sabia poucas coisas: o protagonista usou o Google Earth para reencontrar a família na Índia e que o rapaz era interpretado pelo Dev Patel de "Quem quer Ser um Milionário?".  Acabei me surpreendendo com o filme por abordar um leque grande de questões como a exclusão social extrema, a adoção, o que é uma família, a busca pelas origens.  É um belo filme, aqui e ali, ele pode parecer um tanto lacrimogêneo, mas como não ser quando você conta a história de uma criança que se perdeu da família e que, 20 anos depois, parte em uma jornada para encontrá-la?  E isso é somente parte de Lion, o filme é bem maior que isso.

O resumo básico da história é o seguinte: Saroo (Sunny Pawar) é um menino de cinco anos que mora com sua mãe e dois irmãos em uma situação de miséria.  Um dia, Saroo convence o irmão mais velho, Guddu (Abhishek Bharate), a levá-lo com ele em seus biscates noturnos.  Eles tomam o trem, o menino dorme e Guddu o deixa em um banco da estação asseverando que voltará para buscá-lo.  O pequeno Saroo acorda e termina entrando em um trem estacionado, cochila e é levado para Calcutá.  São 1600 quilômetros de distância e, para piorar, o garotinho não sabe a língua principal daquela cidade, o bengali.  Saroo só fala hindi.  O menino aprende a sobreviver nas ruas de Calcutá, mas termina sendo resgatado e levado para um orfanato precário.  Depois de alguns meses, Saroo acaba sendo adotado por um casal de classe média alta australiano.  

O pesadelo de acordar sozinho na estação de trem.
Com uma família amorosa e uma boa acolhida, Saroo (Dev Patel) deixa no fundo da memória as lembranças de sua família biológica.  No entanto, vinte anos depois, quando estudava em uma escola internacional de hotelaria em Camberra, o convívio com colegas vindos da Índia faz com que as lembranças sejam reavivadas.  A partir daí, o rapaz mergulha em uma crise, sente ansiedade, culpa em relação aos pais adotivos e medo, até que, finalmente, descobre o caminho para casa com a ajuda do Google Earth.

Dirigido pelo estreante Garth Davis, Lion é baseado em uma história real.  Quando a informação apareceu na tela, fiquei me questionando se seria mais uma grande mistura de eventos e temporalidades como em Hidden Figures, mas, não, ao que parece o filme acompanha os fatos narrados por Saroo Brierley em seu livro A Long Way Home.  Como pontuei lá no primeiro parágrafo, o filme tem grande potencial para fazer chorar.  Eu chorei três vezes, se estivesse mais sensível, teria chorado mais.  Trata-se de um filme engajado, afinal, cerca de 80 mil crianças desaparecem por ano na Índia.  Quantas são encontradas?  Fora isso, pelo mundo a fora, há milhares de crianças aguardando um lar adotivo.  Quantas efetivamente são adotadas?  

5 anos, sozinho e sem falar a língua.
Vi resenhas dizendo que Lion era uma peça de propaganda.  Não, não é, mas ainda que fosse, qual seria o problema?  Volta e meia pipocam em nossos cinemas filmes propaganda de várias causas, não raro questionáveis, como as ações imperialistas ou a superioridade moral-intelectual-religiosa de um povo em relação aos outros, interesses comerciais e a difusão de crenças religiosas muitas vezes estão por traz de algumas películas.  Ora, se Lion ajudar uma única criança a encontrar seu lar, seja o biológico, ou um adotivo, já será ótimo.  O fato é que Lion traz um elenco excelente e que trabalha de forma articulada, destaque para o pequeno Saroo, Sunny Pawar, e não se utiliza de uma narrativa linear, nem de cenas melosas ou exageradas, em especial, na primeira parte do filme.

Só assistindo Lion, entendi o porquê de Dev Patel estar indicado à coadjuvante, ele só aparece em metade do filme, a outra metade é do pequeno Sunny Pawar.  O garotinho reaparece, também, nas memórias do Saroo crescido, lembranças que vão retornando conforme ele inicia sua busca.  Tentem somente imaginar a dificuldade   de achar uma pequena vila na Índia tendo somente um nome que, lá pelas tantas, descobrimos que o pequeno Saroo sempre pronunciou errado.  E toda jornada do Saroo adulto, então um perfeito australiano, ao passado inicia-se com um gatilho gastronômico.  Quando menino, ele sonhava em comer um doce.  Pedia o doce para o irmão Guddu, mas eles não tinham recursos.  Na casa dos colegas indianos de curso, o doce está lá e Saroo redescobre o indiano que habita dentro dele.

O amor entre irmãos pintado de uma forma muito sensível, também.
Falando da primeira parte do filme, como mãe de uma criança pequena fiquei imaginando o desespero de perder um filho.  Fácil imaginar.  Fora, claro, o desespero que é não saber se alguém amado está vivo, ou morto.  O drama de ter alguém desaparecido é algo que congela a vida de uma pessoa, de uma família, pois sempre resta a esperança, aquele fiapo de dúvida.  No caso de Saroo e sua família foram 25 anos de angústia.  Há quem espere muito mais, há quem nunca receba uma resposta.

O Saroo menino consegue passar bem o desespero de alguém que não conhece a língua, uma criatura pequenina perdida em uma das maiores estações de trem do mundo.  Depois de descobrir-se incapaz de comunicar, o silêncio predomina.  Aqui e ali, alguém demonstra apoio ou aversão.  Há a moça fazedora de marmitas que o acolhe, mas pretendia entrega-lo ao amante.  Na hora, eu gelei.  O homem era sinistro.  Imaginei pedofilia ou tráfico de órgãos.  Saroo escapa, mas termina em um orfanato enorme que é um depósito-prisão de crianças, onde maus tratos são frequentes e os pequenos com necessidades especiais não recebem a atenção devida.  Lembrei de Charles Dickens, Oliver Twist, em especial, nesta parte do filme.

A cena das borboletas é linda. 
Saroo é adotado e o filme mostra sua família ávida por dar amor e atenção ao pequeno.  Nicole Kidman recebeu merecida indicação pela interpretação de Sue Brierley, mãe extremada que não faz acepção entre filhos biológicos ou adotivos, que não lamenta a chegada de um segundo menino com transtornos mentais e compreende a busca do filho.  Uma das cenas de Kidman e Patel, em especial, é muito interessante para discutir o verdadeiro (*se é que ele existe*) significado da maternidade.  Adoção não deveria ser substituição, um filho ou filha adotivo não deveria ser acolhido para ocupar um lugar vazio.  

Esta foi uma cena que me fez chorar, porque, bem, minha percepção da adoção é idêntica à da personagem.  Eu também desejava adotar, ter uma criança biológica ou uma adotiva sempre me pareceram a mesma coisa, o exercício da maternagem seria a parte importante.  A personagem de Kidman anula a idéia de filho verdadeiro como aquele que é gerado, todos os filhos são verdadeiros. Fora isso, ela e o marido viam o mundo superpovoado.  Procriar para quê?  Há tantas crianças precisando de um lar.  Mas Sue encontrou quem compartilhasse o seu sonho, eu, não.  Enfim, se Nicole Kidman levar o Oscar de melhor coadjuvante, eu fico contente, mas acho que não vai ganhar, acredito que seja Viola Davis.

A dificuldade de lidar com um filho com transtornos mentais.
Em nenhum momento do filme fica claro se os Brierley sabiam que Mantosh (Divian Ladwa), o segundo filho adotivo, tinha transtornos mentais.  Ele é acolhido da mesma forma, com a mesma intensidade, mas o que fica claro é a dificuldade no relacionamento entre Saroo, que tem dificuldades em aceitar o novo irmão, e Mantosh.  Saroo conseguiu aproveitar todas as oportunidades de uma vida de privilégios, Mantosh, não.  Saroo o vê como uma fonte de sofrimento para os pais adotivos e culpa o rapaz, pior ainda, se culpa por desejar reencontrar sua família de origem, rever seu amado irmão Guddu.

Lion não é um filme difícil, tampouco é um dramalhão, mas toca em vários assuntos espinhosos que parecem ficar em segundo plano quando a propaganda vem com “ele reencontrou a família usando o Google Earth”.  Isso é somente parte do filme e devo dizer que a segunda parte, a de apresentar um jovem bem-sucedido e aculturado, mergulhando dentro de si e colocando em risco seu futuro, o romance com uma garota legal, Lucy, papel que exige pouco da excelente Rooney Mara, e prejudicando sua relação com a família.  A segunda parte mostra um sujeito deprimido boa parte do tempo e ver gente deprimida é algo que pode contaminar a gente, também.

Rooney Mara talvez seja boa demais para o papel.
Só para fechar, a explicação do nome do filme – Lion (Leão) – vem no final.  Não darei spoiler, mas é algo curioso e que aponta para a falta que uma educação formal faz às pessoas.  O filme até faz algo que não me agrada geralmente, isto é, colocar as personagens reais para aparecerem em tela.  O Saroo de Dev Patel é muito mais bonito (*E como esse menino está bonito*) que o original, mas foi bom saber que o menino adotivo não virou as costas nem para a família biológica, que o perdeu, vejam bem, não o entregou para adoção, nem para a adotiva.  Foi interessante, também, ver o agradecimento da mãe biológica por terem cuidado de seu menino, por lhe darem condições de uma vida muito melhor.

Lion foi indicado a vários prêmios e ganhou o Bafta, prêmio do cinema inglês de melhor ator coadjuvante (Patel) e roteiro adaptado.  Estava indicado a mais três prêmios.  O filme concorre ao Oscar de melhor filme, ator e atriz coadjuvantes, roteiro adaptado, trilha sonora, e fotografia.  Eu acredito que tenha chance em roteiro adaptado, nas outras categorias imagino que sejam favas contadas.  Dev Patel não deve levar o prêmio de ator coadjuvante, ele deve ir para Mahershala Ali por Moonlight, que eu espero assistir na sexta-feira.

Finalmente, Saroo encontra o caminho para casa.
Que mais falar?  Não sei se o filme cumpre a Bechdel Rule, mas ele tem várias personagens femininas com nomes e que até trocam algumas palavras.  Também não é um filme feminista, ainda que ao colocar em cheque a questão da maternidade biológica compulsória, ele possa se aproximar das discussões feministas.  Aproximar, porque, bem, a personagem de Kidman só consegue se compreender como mãe, esta é sua missão.  Já a Lucy, de Rooney Mara, talvez passe uma mensagem mais forte no sentido da autonomia e autoestima.  Ela ama Saroo, mas ele não parece enxergá-la por causa de sua obsessão.  As decisões da personagem são bem melhores do que as que encontramos em muitos filmes e livros por aí.

De resto, é um filme sobre família, reencontro com as origens, adoção, persistência.  É um filme bonito e bem executado e para lhe dar menos de 4 estrelinhas de 5, alguém precisa ter muita má vontade.  Normalmente, vi críticas ruins de gente que odiou “Quem quer ser um Milionário?”.  Como eu gostei do filme e não acredito que apresentar uma causa nobre seja problema, dou minhas 4 estrelinhas e meia para Lion.  Outro filme melhor que La La Land, mas esta é só a minha opinião.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

MegaHouse vai lançar uma figure do Viktor


Como não comentar?  Está sem a pintura ainda, mas ela já é linda e a MegaHouse não divulgou data de lançamento. ^_^ 




Esta figure de Yuri!!! on ICE (ユーリ!!! on ICE) não será a última, aguardem pelo menos o Yuri e o Yurio.  E, claro, aguardamos a segunda temporada.  

Você não é você quando está com fome


Eu tenho um bloqueador de propaganda, então, não conhecia este comercial do Snickers que fica entrando nos vídeos do Youtube.  Soube dele através de um vídeo do Não Sou Exposição.  Enfim, Snickers é um chocolate, chocolate normalmente é coisa boa, só que leva amendoim, eu não sou fã de amendoins, logo, nunca comi Snickers.  


De qualquer forma, a propaganda tem dois problemas.  O primeiro, bem sério, aliás, é que chocolate não mata a fome e não deveria ser usado para isso.  O vídeo da Paula, do Não Sou Exposição, explica bem, ela é nutricionista e conhece do riscado.  Enfim, não é sensato usar chocolate para mascarar a fome.  O outro problema é a misoginia, sim, misoginia e, não, simples machismo, porque trata-se de uma reprodução de idéias prevalentes e de desprezo pelo feminino que é atrelado a toda uma sorte de coisas terríveis, neste caso as alterações comportamentais mais indesejáveis.  Alguém com fome, pode ficar com o humor alterado.  Em algumas pessoas, a coisa pode ser grave.  Agora, segundo a propaganda, e eu vi a da Betty Faria e a da Cláudia Raia, um homem com fome vira uma mulher.  As duas propagandas estão aí embaixo:



E o que é uma mulher?  Um ser descontrolado, dominado pelos seus impulsos, intragável, xiliquento.  Não há nenhuma propaganda da Snickers com mulheres virando homens quando estão com fome.  Não há propaganda com estereótipos de gênero aplicados aos homens.  Acredito mesmo que a marca queira estar associada aos adolescentes do sexo masculino.  Fora isso, as mulheres que aceitaram fazer a propaganda são todas maduras.  Desconfio que ainda esteja colado aí a história de ser velha é ser chata, também.   Não acredito que estejamos em falta de publicitários criativos, mas, certamente, falta a muitos profissionais o senso crítico e a responsabilidade social.

Kotobukiya anuncia figure da Ms. Marvel (Kamala Khan)


A Kotobukiya é uma das melhores fabricantes de figures japonesas.  E ela vem produzindo estatuetas de heroínas da Marvel e da DC.  Ontem, meu marido me avisou que a empresa vai lançar uma figure da Kamala Khan.  Está prevista para setembro.  


Meu marido não entende como uma heroína tão sem graça consegue tanta atenção. ^_^ Só que ele não é sub-representado, nem é mulher, nem adolescente, nem descendente de imigrantes, ou minoria.  Ele fica brava, tenta debochar, mas a verdade é esta, além de desprezar comics, ele raramente tenta se colocar "no lugar de".  E eu estou devendo resenha de Ms. Marvel... Farei?  Não farei?


É isso.  Muito tentada a queimar uns dinheiros com esta figure que parece que vai ficar linda. :)