terça-feira, 13 de outubro de 2026

RIP Masako Watanabe: uma das grandes autoras de shoujo mangá brilhará na eternidade

A conta oficial de Masako Watanabe no Twitter publicou hoje a notícia do falecimento da manga-ká aos 97 anos em 3 de outubro.  Mesmo em tão avançada idade, ela continuava trabalhando e deixou uma carta de despedida.  Watanabe agradece aos fãs e às suas duas enfermeiras, aos seus colegas de trabalho, aos irmãos mais novos e a toda a sua família.  E há um trecho que eu gostaria de destacar: "Sou muito grata pela abundância de amor que me cercou.  Minha vida, "Vivendo com Mangá", foi curta, mas em meu coração, inúmeras lembranças brilham intensamente como tesouros.  Partirei um pouco mais cedo do que o planejado. Do outro lado, muitas pessoas importantes me aguardam.  E espero rever meu marido depois de tanto tempo.  A foto de Paris que visitei há algum tempo sempre esteve na minha mesa.  Quando se sentir sozinho, imagine que estou em Paris. Até breve!".

Watanabe estreou em 1952. Em seguida, passou a ilustrar revistas para meninas e, a partir de 1957, tornou-se uma artista de mangá popular com sua primeira obra completa, Yamabiko Shojo (山びこ少女) , que retratava duas irmãs gêmeas separadas ao nascer e foi publicada em série na revista Shoujo Book entre 1957 e 1959.  Outra das suas primeiras séries de grande sucesso foi Midori no Shinju (みどりの真珠), publicada na Shoujo Book entre 1958 e 1960. Mais tarde, aventurou-se nos mangás josei, tornando-se uma mestra do terror, romance e mistério. 

Em 1971, ganhou o Prêmio Shogakukan de Mangá por Glass no Shiro (ガラスの城), uma história sobre duas irmãs com personalidades contrastantes ambientada na Inglaterra.  Ela também criou muitas obras de terror que agradaram também ao público adulto. Outras obras notáveis ​​incluem Saint Rosalind (聖ロザリンド) e Kinpeibai (金瓶梅).  Ela recebeu o Prêmio do Ministro da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia da Associação de Cartunistas do Japão em 2002 e a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro com Roseta, em 2006.  Acredito que nunca fizeram anime de alguma obra da autora.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Queda nos relacionamentos: japoneses mais jovens nunca tiveram um relacionamento. (Artigo traduzido)

A Pesquisa Nacional de Fecundidade do Japão é um estudo periódico realizado a cada cinco anos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e de Segurança Social (IPSS) para examinar as tendências do casamento, da natalidade e das atitudes sociais subjacentes no Japão.  O artigo do site Nippon destacou que há cada vez menos japoneses, especialmente jovens, sem nenhuma experiência afetiva e/ou sexual com pessoas do outro sexo.  Isso em um país com quedas de natalidade que  acumulam recordes é uma tragédia.  Eu traduzi o artigo do Nippon que se chama Dating Decline: More Young Japanese Have Never Been in a Relationship.  Mantive a estrutura do artigo original, que pode ser acessado clicando no link.

Queda nos relacionamentos: japoneses mais jovens nunca tiveram um relacionamento.

Uma pesquisa do governo japonês revelou que o número de jovens sem experiência romântica continua a aumentar.

Muitos jovens japoneses inexperientes no amor

Um número crescente de jovens no Japão desconhece os assuntos do coração. É o que revela a Pesquisa Nacional de Fertilidade do Japão, conduzida pelo Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e de Seguridade Social em junho de 2025. A pesquisa questionou pessoas solteiras sobre suas experiências amorosas com pessoas do sexo oposto. Mais da metade dos entrevistados com 18 ou 19 anos afirmou nunca ter tido um relacionamento, enquanto entre os jovens de 20 a 34 anos, a porcentagem foi de cerca de 30% para mulheres e quase 40% para homens.

A porcentagem de mulheres sem experiência sexual diminuiu da década de 1990 até o início dos anos 2000, antes de voltar a subir a partir de 2005. De acordo com a pesquisa de 2025, 55,1% das mulheres entre 20 e 24 anos, 42,1% entre 25 e 29 anos e 39,7% entre 30 e 34 anos não tinham experiência sexual. A porcentagem de homens sem experiência sexual também vem aumentando desde 2005, chegando a mais de 40% em 2025 para homens entre 25 e 29 anos e entre 30 e 34 anos.

A porcentagem de entrevistados que não têm um relacionamento com alguém do sexo oposto — seja como amigo, parceiro romântico ou noivo/noiva — tem aumentado. Em 2025, 65,4% das mulheres e 74,0% dos homens não tinham nenhum relacionamento desse tipo. Um em cada três homens e mulheres também indicou não ter interesse em ter um relacionamento com alguém do sexo oposto.

A Pesquisa Nacional de Fertilidade é realizada a cada cinco anos para avaliar as atitudes em relação ao casamento e à maternidade/paternidade. A pesquisa de 2025 abrangeu 15.811 pessoas solteiras (taxa de resposta válida de 42,7%) e 10.489 casais (47,9%). Este artigo analisa dados selecionados da pesquisa direcionada a pessoas solteiras.

Fontes de dados

Pesquisa Nacional de Fertilidade (em japonês) do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar

Aqui, é a Valéria voltando.  Procurando informações sobre essa pesquisa, encontrei outra parte dela que não está no artigo, que é a que fala sobre o casamento, que implica na formação de uma unidade familiar e, em um país como o Japão, a criação de uma estrutura na qual ter filhos seria aceitável.  E, bem, os resultados do levantamento foram péssimos, também.

Pela primeira vez, a porcentagem de entrevistados solteiros de 18 a 34 anos que pretendem se casar caiu abaixo de 80%, chegando a 75,1% para os homens (contra 81,4%) e 77,8% para as mulheres (contra 84,3%).  Ainda é alto, eu diria, mas os dados não param por aí.  A proporção de jovens de 18 a 34 anos sem intenção de se casar ultrapassou 20% para ambos os sexos (24% para os homens e 21,5% para as mulheres), marcando um recorde histórico.  Um número recorde — 42,8% dos homens e 36,0% das mulheres de 18 a 34 anos — afirmou não ver benefícios no casamento.  Pelo jeito, o problema de natalidade continuará se agravando.

Grande exposição comemora os cinquenta anos do mangá Sukeban Deka

Gravei um Shoujocast celebrando as séries que estavam completando cinquenta anos.  Sukeban Deka (スケバン刑事), de Shinji Wada, é uma delas.  Uma grande exposição comemorativa foi aberta no dia 10 na Galeria Bear Trap, em Osaka, e seguirá até o dia 23 de novembro.   Sukeban Deka, que começou a ser publicada na primeira edição da revista Hana to Yume em 1976 (Hakusensha), foi adaptada para diversas mídias, incluindo dramas, OVAs e filmes. A história acompanha Saki Asamiya, uma colegial delinquente (sukeban) que é obrigada pela polícia a se tornar uma detetive estudantil e usa um ioiô como arma para punir crimes cometidos em escolas que a polícia não consegue desvendar.  E por qual motivo ela é obrigada?  A mãe de Saki está no corredor da morte por um assassinato que não cometeu, ou a filha ajuda a polícia, ou sua mãe teria sua execução acelerada.  Legal, não é?

Segundo o Comic Natalie, a exposição terá duas fases e eu não me lembro de outra que fosse assim. De 10 de outubro até 3 de novembro, ilustrações coloridas, como capas de volumes do mangá, estarão em exibição, enquanto de 6 a 23 de novembro, manuscritos monocromáticos com foco em cenas memoráveis ​​da série e nas aventuras de personagens secundários serão exibidos. Além disso, os visitantes poderão ver ilustrações coloridas que foram incluídas em preto e branco nos volumes do mangá, bem como esboços e outros materiais encontrados no ateliê de Wada.

E tem a lojinha, claro.  Desenhos originais, camisetas, suportes de acrílico recriando cenas famosas, coleções de adesivos no estilo de itens bônus, folhas de ímãs e blocos de notas e um artbook poderão ser comprados no local ou pela internet.  Shinji Wada (1950-2011) foi um dos poucos homens que começaram a produzir shoujo, quando a mão de obra se tornava majoritariamente feminina.  Wada queria criar uma protagonista adulta, uma policial, mas não lhe permitiram e ele acabou criando uma série de ação com uma adolescente mesmo.  Autores não podem fazer tudo o que lhes dá na telha, ainda assim, podem criar trabalhos inesquecíveis.  

domingo, 11 de outubro de 2026

Shoujocast no Ar! Será que a 2ª temporada vai salvar a adaptação de Anatolia Story (Red River)?

Finalmente, Ramsés entrou na animação e foi um dos melhores episódios até o momento.  Sem querer me empolgar por coisa pouca, a sequência 13-14 da animação conseguiu traduzir muito bem o mangá para outra mídia.  Talvez, como em Hana-Kimi, a gente possa ter alguma esperança de melhora e de uma nova temporada, porque nesse passo em que a adaptação se colocou nesses últimos dois episódios, não há como cobrir todo o mangá.  E, para a minutagem, é necessário ir ao Youtube.

sábado, 10 de outubro de 2026

Anunciado o live action de Casamento dos Vaga-Lumes (Firefly Wedding/Hotaru no Yomeiri) + Resenha rápida do início do anime

Em abril de 2024, falei pela primeira vez de Hotaru no Yomeiri (ホタルの嫁入り), de Oreco Tachibana.  Nesta resenha, escrevi que viraria anime com certeza.  Comentei que achava difícil um live-action, mas, em textos posteriores, apostei que viria um filme com atores reais ou um dorama.  O anime estreou hoje no bloco Noitanima da Fuji TV e o anúncio do filme, também.  O filme vai estrear em 2027, segundo o Comic Natalie.

Tachibana lançou o mangá no aplicativo Manga ONE da Shogakukan em janeiro de 2023 e finalizou a série em 12 de janeiro deste ano. A Shogakukan publicou o 12º volume compilado em 19 de junho e lançará o 13º e último volume em 19 de outubro. Um volume com gaiden do mangá será lançado no mesmo dia.  O vídeo de anúncio do filme não está abrindo no Brasil.  Se alguém souber onde eu encontro, agradeço.


E eu acabei de assistir ao primeiro episódio do anime.  Foi uma belíssima estreia!   A animação de primeira qualidade garantiu a fluidez dos movimentos de Goto, quando ele assassina uma dezena de sujeitos e faz seus membros voarem pelo ar.  Um verdadeiro balé.  Toda a violência (muito sangue e membros decepados) e conteúdo sexual (um monte de sujeitos tentam estuprar a mocinha) preservados.  Por qual motivo Anatolia Story/Red River (Sora wa Akai Kawa no Hotori/天は赤い河のほとり), que é também um anime que passa de madrugada, precisou ser mutilado e está sendo rebaixado desse jeito?  Até a idade das protagonistas é similar, ainda que não tenham colocado no primeiro episódio quantos anos Satoko tem.  No mangá, ela tem 16 anos.  Yuri tem 15 anos.  Aliás, uma das minhas poucas críticas ao mangá é a idade dela não fazer sentido com a urgência em casá-la e o fato de dizerem (*no mangá*) que ela já está passando da idade de casar.  Não estava, não era para tanto.

Uma coisa, pela forma como o quimono da Satoko fica abaixado no anime, a cicatriz dela (*que aparece na abertura, não é spoiler*) deveria ficar visível.  Não olhei o mangá para conferir se a coisa veio de lá.  Essa cirurgia de peito aberto é a parte mágica da história até onde eu li.  De resto, muito bem colocados o amor de Satoko pelo pai, seu senso de dever, as questões de gênero, daí a exigência de que uma mulher se case para honrar sua família, sempre torcendo para que o marido, que lhe foi imposto, a trate bem.  Já Goto, bem, ele é uma criatura curiosa.  Vocês descobrirão mais sobre ele no próximo episódio.

O encerramento é encantador: música, animação, tudo!  Me impressionou mais que a abertura.  Certamente será um dos sucessos da temporada.  Não tenho dúvidas disso.  A série está no Crunchyroll.  O mangá está saindo no Brasil pela JBC.