quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Quadrinho francês conta a história das sufragistas inglesas lutadoras de Jiu-Jitsu

Em 2015, comentei sobre uma matéria da BBC chamada 'Suffrajitsu': How the suffragettes fought back using martial arts ('Suffrajitsu': como as sufragistas revidaram usando as artes marciais), que falava de como algumas sufragistas britânicas foram as primeiras mulheres a usar a arte marcial japonesa para se defenderem de seus agressores.  Na época, 2015, foi lançado o filme Sufragistas, que falava por alto da questão; o quadrinhos Suffrajitsu: Mrs. Pankhurst's Amazons, que eu nunca resenhei, era sobre o tema; lembrei que, no livro escrito nos anos 1920, a mocinha sufragista de Parade's End, lutava jiu-jitsu; e, claro, a coisa aparece em Enola Holmes para espanto de muita gente.

Pois bem, ontem meu amigo Pedro postou no Facebook uma matéria sobre mais um quadrinhos sobre as sufragistas e o jiu-jitsu, o nome é Jujitsuffragettes, les Amazones de Londres de Lisa Lugrin e Clément Xavier.  O resumo do Amazon Fr é o seguinte: "Edith Garrud é considerada a primeira instrutora de autodefesa feminista. Diante da violência sofrida pelos manifestantes, ela treinará os guarda-costas de E. Pankhurst em jiu-jitsu. , apelidadas de "As Amazonas". Com braços e pernas, as sufragistas sacodem as mentalidades, chutam as nádegas dos reacionários e demonstram a força do "sexo fraco".".

Acredito que já está na hora de um termos um filme falando das sufragistas lutadoras de jiu-jitsu e somente delas, sabe?  Material para escrever um roteiro decente o povo já tem.

Sugestão de site: Thai BL Dramas

O amigo Luiz, que já traduziu uma série de entrevistas para o blog, além de me dar uma mãozinha quando eu traduzo coisas errado, decidiu criar um blog para falar de doramas Tailandeses BL e da produção de material do gênero em países como Camboja, Filipinas, Taiwan e outros da região.  Ele promete fazer resenhas de doramas, além de produzir matérias sobre as produções e os atores.  Ele já começou explicando que o primeiro dorama tailandês do gênero é de 2014, ou seja, eles estão começando ainda.  É isso, para quem quiser visitar, o link é este AQUI.

Yashahime e a acusação de Pedofilia: Cuidado com o que você escreve na internet

Yashahime (半妖の夜叉姫), o spin-off de Inuyasha (犬夜叉) autorizado e abençoado por Rumiko Takahashi, estreou faz algumas semanas.  Não assisti nenhum episódio, nem pretendo assistir, porque, bem, nunca fui fã de Inuyasha e estou realmente pouco me importando com os rumos das personagens.  Qualquer coisa, pego uma boa review com spoilers e me atualizo do ocorrido.  Mas claro, fiz um post sobre a série quando foi anunciada, dada a sua importância no Brasil e me vi obrigada a discutir uma questão específica.  Antes da série estrear, surgiu uma acalorada discussão no grupo do Facebook do Shoujo Café sobre se o possível caso Sesshomaru/Rin poderia ser tipificado como Grooming e quem poderia ser a mãe das filhas dele.  

Depois de ir ver o significado do que seria grooming, porque não sou obrigada a saber de todos os termos sórdidos utilizados para práticas antigas, ou Molière não teria escrito Escola de Mulheres no século XVII, pesquisei e ofereci exemplos fartos do que considero grooming e em quais mangás famosos, a maioria shoujo e josei, porque é o tema desse blog, eu percebo isso.  O texto está aqui.

Você não precisa concordar com o que eu escrevo, ou o que penso, mas é preciso ter cuidado com os comentários que deixa por aí, porque desde então, volta e meia aparece um/a iluminado/a por aqui, gente muito preocupada com a segurança das personagens ficcionais, e me lasca nos comentários do post uma acusação de defesa da pedofilia.  Vamos, lá, Tia Lela não é da área do Direito, mas sabe discernir entre os crimes contra  a honra: calúnia, difamação e injúria.  Aqui, dois links para você ler mais sobre o assunto: 1 e 2.  As imagens vieram dessas páginas.

A prática da pedofilia é crime, logo, apologia à pedofilia, algo do que alguns comentaristas me acusam, é crime, também.  Acusar alguém de ter cometido um crime sem provas, porque efetivamente não houve apologia à pedofilia, tampouco existem pessoas reais envolvidas no pleito, é calúnia, não é livre exercício da sua liberdade de expressão.  Então, gente desocupada da internet, que tal estudar, caçar um trabalho, ajudar ao próximo, enfim, qualquer coisa, porque cometer crimes por aí pode resultar em problemas para você?  Não comigo, talvez, mas um dia você pode se complicar.  Anote aí: Acusar alguém de crime é crime.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Saíram as primeiras imagens de Bridgerton, Nova Série da Netflix

Em junho do ano passado, comentei que a Netflix iria produzir uma série baseada na coleção de livros Bridgerton de Julia Quinn.  Esta semana, o site Willow and Thatch trouxe algumas imagens da série que estreia no dia 25 de dezembro.  A série é assinada pela poderosa Shonda Rhimes, uma das roteiristas mais importantes dos Estados Unidos.

Os Bridgerton é uma série com nove livros até o momento e conta a história dos oito filhos do falecido Visconde de Bridgerton, que tem nomes em ordem alfabética, a ação se passa entre 1813 e 1827.   As colunas de Lady Whistledown, papel de Julie Andrews, cobrem os quatro primeiros livros da série The Duke and I (2000), The Viscount Who Loved Me (2000), An Offer from a Gentleman (2001), e Romancing Mister Bridgerton (2002). Os demais livros são To Sir Phillip, With Love (2003), When He Was Wicked (2004), It's In His Kiss (2005), On the Way to the Wedding (2006) e The Bridgertons: Happily Ever After (2013).

O primeiro livro, que suponho seja a base para a primeira temporada cm oito capítulos, é The Duke and I (O Duque e Eu) que conta a história de Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor), uma moça inteligente e espirituosa e que precisa encontrar um marido, só que somente homens inadequados se aproximam dela, os que realmente interessam só a veem como amiga.  E eis que o duque de Hastings, Simon Basset (Regé-Jean Page), retorna à Inglaterra depois de seis anos.  Ele está decidido a não se casar nunca.  

Simon então decide fingir que está cortejando a irmã de seu melhor amigo, Daphne, para afastar pretendentes, ao mesmo tempo que mostra para todos que a moça é interessante, tanto que um duque está interessado por ela.  O problema é que os dois se apaixonam no processo.

Pelo que eu vi das imagens, a série será muito colorida e fará uma releitura da moda na Época da Regência.  Não sei se gostei do visual, alguns vestidos tem estampas que me lembram cortinas, ou toalhas de mesa, mas só vendo para opinar.  O que não gostei é da mocinha de cabelo solto, quando deveria estar preso, afinal, não se trata de uma criança.  Pelo menos, não está descabelada como a de Sanditon.  Já o colarinho do mocinho, parece mostrar muito so pescoço, é a arrumação da gravata, mas está estranho.  Bonito, mas estranho.

Devo dar uma olhada em Bridgeton quando estrear.  Espero que valha a pena.  Todos os livros estão disponíveis em português, caso você queira ler antes da estreia.

Série de Moyoco Anno vai virar musical da Broadway. Sim, você leu certo.

Mangá ser transformado em peça de teatro, ou mesmo em musical, não é novidade, mas é a primeira vez que eu vejo (*e isso não quer dizer nada, posso só estar mal informada mesmo*) se uma série em quadrinhos japonesa ir parar na Broadway.  E quem foi escolhido?  O mangá que será adaptado é Bikachou Shinshi Kaikoroku  (好色紳士回憶錄) de Moyoco Anno.  A série foi publicada na revista Feel Young entre 2013 e 2018, tem dois volumes e venceu o o Excellence Award do 23º Japan Media Arts Festival este ano.

A série se passa em um bordel em Paris no início do século XX e tem como protagonista uma jovem chamada Colette que gostaria de deixar a prostituição, mas não tem meios de fazer isso.  Ela se apaixona por um cliente chamado Leon.  Tem scanlations, mas eu confesso que por preconceito nunca fui ler o mangá.  Eu não gosto de histórias que romantizem a prostituição e mesmo que a protagonista não seja a prostituta alegre e satisfeita, Anno oferece um olhar meio que fascinado pelo ambiente e as atividades do bordel.  Enfim, posso estar julgando mal, talvez, eu vá olhar o mangá agora.

Segundo o Comic Natalie, o responsável pela direção e coreografia será Rob Ashford, vencedor de vários prêmios, o General Manager (*não sei como traduzir isso corretamente dentro do contexto da Broadway*) é Devin Kudel e Izumi Takiuchi é o responsável pela produção.  Três homes à frente do projeto, portanto.  Para quem quiser ler o texto do Comic Natalie em inglês, ele está traduzido aqui.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Comentando o capítulo 5 de Orgulho e Preconceito (BBC/1980): Um Balanço geral da Produção

Faz bem uma semana que eu terminei de assistir a série de 1980, que está completando quarenta anos em 2020, ela é a primeira adaptação para a TV da obra de Jane Austen acessível, porque das versões anteriores só sobraram fragmentos mesmo.  Só para lembrar, antes de resenhar a série com David Rintoul e Elizabeth Garvie, tinha feito a mesma coisa com a série de 1995 para comemorar o jubileu de prata e o aniversário de 60 anos do Colin Firth.  Para quem quiser, os links das resenhas estão aqui.

Como já tinha ficado evidente desde o capítulo 3, a produção começou a economizar nas personagens e cortar cenas, mesmo que para inserir outras novas, em sua maioria, material cômico, ou os pensamentos de Elizabeth.  O episódio começa ainda com o impasse sobre o futuro de Lydia, a filha caçula que fugira com Wickham.  Mr. Bennet continua sendo um troll e maltrata Kitty que nesta versão chora, chora muito nos últimos dois capítulos da série. Elizabeth consola a irmã para, em seguida, ficar melancólica pensando em Darcy.  

Muito do texto original do livro se transforma em pensamentos da protagonista, o que é bom e é ruim.  É bom, porque alguns dos textos de Jane Austen, a narradora onisciente da história, não se perdem e é ruim, porque evidencia uma incapacidade de converter essas palavras em cenas.  Agora, antes isso do que letreiramentos apontando marcações de tempo, mudanças de lugar e por aí vai.  Quem já leu minhas resenhas sabe que eu odeio esse recurso.  Enfim, há uma cena de Lizzy pensando logo no início que é importante para marcar a tristeza da personagem, o reconhecimento do valor de Darcy.  Vou citar o trecho do livro: 

"Ela começou agora a compreender que ele era exatamente o homem que, em disposição e talentos, se adequaria mais a ela. Sua compreensão e temperamento, embora ao contrário dos dela, teriam atendido a todos os seus desejos. Seria uma união que teria sido vantajosa para ambos; por sua tranquilidade e vivacidade, a mente dele poderia ter sido suavizada, suas maneiras melhoradas; e por meio de seu bom julgamento, informação e conhecimento do mundo, ela deveria ter recebido benefício de maior importância."   ("She began now to comprehend that he was exactly the man who, in disposition and talents, would most suit her. His understanding and temper, though unlike her own, would have answered all her wishes. It was an union that must have been to the advantage of both; by her ease and liveliness, his mind might have been softened, his manners improved; and from his judgement, information, and knowledge of the world, she must have received benefit of greater importance.")

Elizabeth agora tem plena consciência do que perdeu e de que ama Darcy.  Esse trecho é omitido em outras versões.  Claro, o sentimento de perda da mocinha fica muito evidente na série de 1995, mas em 1980 temos o exato texto de Austen nos guiando.  E chega a carta de Londres com a informação do casamento de Lydia, o que causa uma mudança absoluta em Mrs. Bennett.  Wickham se torna prontamente o melhor genro do mundo e Mrs. Bennet começa a falar das roupas da filha e que é uma pena que ela não possa se casar em Loungbourn.  Mais adiante, Mr. Bennet dirá que Lydia e o marido não serão recebidos por ele nem por nenhuma família decente de Meryton.  São Lizzy e Jane que convencem o pai a permitir que o casal faça uma visita.

Lydia chega usando alguns dos melhores figurinos da série, na minha opinião, e continua fazendo aquela linha boneca mesmo.  A atriz é pequenininha e parece uma boneca de louça falante e desmiolada.  O constrangimento das irmãs é evidente, mas Mrs. Bennet está no céu com o seu novo genro e a filha de somente 16 anos casada.  Aliás, é bom que se diga, mas não vou discutir de novo o que já escrevi na resenha da série de 1995, não é um problema que Lydia se case tão jovem, a questão toda é como se fez o casamento.

E, de repente, quando está sozinha com Elizabeth e esnobando a irmã por suas roupas não estarem na última moda de Londres (*como se Lizzy acreditasse no bom senso da irmã*), ela dá detalhes sobre seu casamento e a presença de Mr. Darcy por lá.  Seguindo o livro, Lizzy escreve para a tia e Barbara Shelley tem sua última participação como Mrs. Gardiner escrevendo a carta e narrando parte dela com sua bela voz.  A Mrs. Gardiner de 1980 é uma das melhores coisas dessa versão.  A tia alerta Elizabeth que Mr. Darcy não agiu como agiu por se sentir culpado somente.  A moça volta a ter esperança, além de deixar claro para Wickham, com um toque sarcástico, que sabe bem quem ele é e que Darcy não é o vilão da história.  Mas como Darcy poderia sequer cogitar na indignidade de se tornar cunhado de Wickham?  Melhor esquecer.

Só que Bingley e Darcy voltam para Netherfield.  Aqui, a série se afasta do livro, mesmo que o resultado seja o mesmo.  Mrs. Bennet decide atirar Mary e Kitty para cima de Bingley já que Jane não teria conseguido fisgar o rapaz na primeira oportunidade.  O livro é claro que quando Bingley faz sua primeira visita, Mr. Bennet se tranca na biblioteca, o que acontece na série, e Mary vai estudar piano como era seu costume.  Na série, ficam Kitty e Mary lançando olhares apaixonados para Bingley.  É para produzir humor, mas não deixa de ser constrangedor do mesmo jeito.  Mrs. Bennet despacha Mary para seus estudos de piano e há a parte, como no livro, em que ela pisca para Kitty e a moça não compreende que a mãe quer que ela deixe a sala.  é uma das partes engraçadas do livro e está tanto na versão de 1995, quanto nesta de 1980.

Darcy fica silencioso durante a visita e é esnobado por Mrs. Bennet, acontece uma troca de olhares rápida entre ele e Lizzy, mas o rapaz fica na janela e de costas para todo mundo.  E temos um jantar, que é citado no livro, no qual Lizzy e Darcy não conseguem conversar.  Essa sequência não está na série de 1995.  Em uma das cenas inventadas, uma das convidadas fica conversando com Lizzy e impedindo que a moça possa trocar mais do que duas palavras com Darcy.  Quando ele faz menção de sentar ao lado da moça, ela ocupa o lugar vazio.  

E a mulher só fala mal dos homens o tempo inteiro, mas quando é informada de quem era o moço orgulhoso, levanta e se aproxima do grupo de cavalheiros que estava no outro canto da sala.  Darcy pode ser desagradável, mas é terrivelmente rico.  O desespero de Elizabeth vai crescendo e ela tem uma cena antes do jantar com Jane na qual reclama do silêncio de Darcy.  Por qual motivo ele está participando das visitas se fica sempre calado e taciturno?  Fora esses detalhes, tudo segue seu curso padrão e, na segunda visita, Bingley se declara.

A sequência seguinte é a visita de Lady Catherine.  A diferença em relação ao livro é que o embate entre Lizzy e a tia de Darcy se dá em um ambiente interno e, não, no jardim.  Além disso, há uma redução do texto da conversa e a omissão de uma frase de Elizabeth que eu acho muito importante para marcar seu caráter e afirmar seu lugar na sociedade ao ser rebaixada pela tia de Darcy:  "He is a gentleman; I am a gentleman's daughter; so far we are equal."  ("Ele é um cavalheiro; eu sou filha de um cavalheiro; até agora somos iguais.").  De resto, Judy Parfitt e Elizabeth Garvie são as melhores Lizzy e Catherine de Bourgh de todas as versões que eu assisti.  E como Judy Parfitt estava elegante e super arrogante nessa sequência!

Li uma crítica em algum lugar de que a atriz seria jovem demais para ser Lady Catherine.  A atriz tinha 45 anos.  Ela era irmã da mãe de Darcy, mas não sei se é dito quem é a mais velha.  Ela menciona que o casamento de sua filha e Darcy foi planejado quando eles ainda estavam no berço.  Pode ser força de expressão, mas supondo-se que Anne de Bourgh tivesse os mesmos 28 anos de Darcy, o que eu duvido, afinal, por qual motivo manter a moça solteira por tanto tempo, Se Lady Catherine fosse Parfitt, ela teria tido a filha com 17 anos.  Não vejo problema nisso e estou calculando com base na suposta idade de Anne de Bourgh e a idade da atriz.  Para mim, está OK, portanto.

Depois desta sequência temos uma mudança significativa na história que o site Austen Authors colocou como uma das inconsistências desta versão (*há coisas que o artigo aponta e eu não considero erro, não*).  Elizabeth está na janela, melancólica de novo, e recebe um misterioso bilhete da criada, Hill (Janet Davies).  A moça pega seu chapéu e a sombrinha e sai.  O bilhete era de Mr. Darcy e eles se encontram à sós e em um lugar ermo.  Muito impróprio e diferente do livro, mas vejam que o filme de 2005 parece meio que resgatar essa ideia, só que em um encontro casual, não um convite ousado do moço.

É curioso, porque, no livro, Mrs. Bennet "obriga" Lizzy a sair sozinha com Mr. Darcy para que Jane e Bingley possam noivar em paz sem a presença "ruim" do amigo mais de uma vez.  A mãe da moça acaba criando condições ideais para que os dois possam namorar em paz, porque não está ciente do fato deles já terem se entendido. Visto por este prisma, parece que o Darcy e a Elizabeth originais não estavam muito preocupados em manter a propriedade, por assim dizer. Pena que nenhuma adaptação incorpore essa parte.  Enfim, os dois saírem sozinhos não era escandaloso aos olhos de Mrs. Bennet, mas o encontro como está na série de 1980 foi feito às escondidas mesmo.

Darcy renova seu pedido e quando Elizabeth aceita, David Rintoul se vira de forma tão rígida que parece um robô realmente e eu me lembrei do apelido Robô-Darcy dado pela minha amiga Lina.  Foi engraçado, enfim.  E a partir desse ponto, o rosto de Rintoul se descontrai totalmente e ele sorri várias vezes.   É como se ele pudesse tirar a máscara auto imposta diante da amada.  E, o que é mais importante, ele logo oferece o braço para moça.  Em 1995, Colin Firth nem pega na mão de Jennifer Ehle nessa cena, o que me causa decepção sempre que revejo a série  Essa última conversa entre Lizzy e Darcy incorpora trechos do último capítulo do livro que foram omitidos da versão de 1995, isto é, economiza texto da declaração e puxa material do capítulo seguinte.

E então, nós temos parte da conversa em que Lizzy tenta descobrir em qual momento Darcy começou a se apaixonar e o motivo.  Ela fala que não foi sua beleza, ela bem sabe.  E Ritoul ri e nessa parte ele retirou o chapéu e está com a cabeça descoberta.  Foi a impertinência então?  Ele fala que a vivacidade dela o atraiu, mas há uma linha de diálogo de Darcy que é uma das melhores do livro e que só está nesta adaptação: "Não posso estabelecer a hora, ou o local, ou o olhar, ou as palavras que lançaram os alicerces. Foi há muito tempo. Eu estava no meio antes de saber que havia começado." ("I cannot fix on the hour, or the spot, or the look, or the words, which laid the foundation. It is too long ago. I was in the middle before I knew that I had begun.")  

E é tão bonita essa frase, tanto quanto a de Mr. Knightley para Emma, vou reproduzir somente um trechinho: "Se eu te amasse menos, talvez pudesse falar mais sobre isso." ("If I loved you less, I might be able to talk about it more.").  Ela reflete bem a luta de Darcy contra seus sentimentos e seu bom juízo e de como ele foi derrotado pela fascinação por Elizabeth Bennet.  A série de 1980 foi feliz em selecionar alguns trechos importantes do livro e que normalmente são deixados de lado, eu vejo como um dos trunfos desta produção.

E a ultima cena da série é de Mr. Bennet e sua esposa.  Ela feliz por ter três filhas encaminhadas na vida e o marido dizendo para , caso houvesse, mandar entrar os pretendentes de Kitty e Mary.  Assim, o encerramento é com o texto de Austen, mas eu queria o casamento no final.  De qualquer forma, não vemos a conversa que é muito importante, de Mr. Bennet com a filha sobre a necessidade de respeitar o homem que escolheu para ser companheiro de uma vida.  O pai, claro, está tomando como referência seu próprio matrimônio disfuncional.  Normalmente, essa conversa é preservada nas produções.

Acredito que esta última resenha ficou bem maior que as demais, mas ainda preciso comentar algumas coisas.  O roteiro da série foi feito por uma mulher, Fay Weldon, uma escritora famosa na época e feminista assumida.  Talvez por conta disso, é possível encontrar resenhas da série de 1980 dizendo que é a adaptação mais feminista da obra de Austen.  Olha, o que eu vi nesta série foi a autora original.  Lizzy é uma criatura independente, ela é criticada pelas irmãs de Bingley por causa disso.  Está no livro, não foi invenção da adaptação.  A interação de Charlotte e Elizabeth, a cumplicidade, também está na obra original.  Acho que as pessoas deveriam observar melhor o original antes de afirmarem essas coisas.

Agora, algo que salta aos olhos nessa produção é que o centro dela é Elizabeth, de novo, isso é o que está no livro, mas em outras adaptações a dinâmica é diferente.  Peguem a série de 1995 e como ela inovou ao dar um protagonismo para Darcy que ele não tinha no original.  Vemos parte da história pelos olhos dele e, não, através da leitura da mocinha que vai desvendando aos poucos o caráter do moço.  E o peso de Colin Firth é tão grande que ele chega a eclipsar Elizabeth, porque lembramos de Darcy, nos apaixonamos por ele e a interpretação inspirada de Jennifer Ehle parece ter menos brilho que que realmente tem.  

Em 1980, à despeito das fãs extremadas de David Rintoul, ele não tem como suplantar Elizabeth Garvie, que é carismática e tem o roteiro a seu favor.  Se eu for para o filme de 2005, e pretendo resenhá-lo em breve, parece que temos um peso igual para Darcy e Elizabeth.  Claro, vemos mais a mocinha em tela, mas Mr. Darcy é muito presente e marcante na película.  E o olhar dele tem peso na história, coisa que não acontece em 1980.

Não acredito que tenha mais a escrever.  Foi bom rever a série, me esforçando, consegui perceber as micro expressões faciais de David Rintoul.  E ele é um Mr. Darcy bem mais ousado no final da série do que os das outras adaptações.  Lembrei de detalhes que tinha esquecido.  Foi chato não termos revisto Mr. Collins, porque o ator que o interpretou é muito bom, mas foi  a escolha da adaptação. Apesar de ter feito algumas mudanças que não me agradaram, a produção de 1980 é muito boa e merece ser assistida pelos fãs de  Jane Austen.  Não se deixe enganar por resenhas de gente que provavelmente não assistiu o material para além de uma ou outra cena e escreve um texto para desqualificar o material.  Vá e veja com seus próprios olhos.  É isso.   

Nova propaganda da Pantene mostra a dificuldades sofridas pelas pessoas trans no Japão quando buscam um emprego

O Sora News trouxe uma matéria sobre uma propaganda da Pantene que está emocionando os japoneses, nela, duas pessoas trans, um homem e uma mulher, contam das ansiedades pelas quais passaram  quando começaram a procurar emprego.  O conselho para esconderem sua identidade de gênero, se conformando a um padrão esperado de feminino e masculino.

Ao longo da propaganda, além das falas do rapaz e da moça, temos informações sobre as dificuldades encontradas pelas pessoas trans em busca de emprego.  Por exemplo, mais de 70% dos entrevistados relataram dificuldades e o cabelo, como ele deve ser apresentado, arrumado, é um dos focos da avaliação.

Ao que parece, um dos momentos cruciais da vida de todo japonês que foi para a universidade é o último ano, quando a pessoa inicia a busca por um emprego.  Essa fase pode ser traumática, porque muitas empresas exigem uma conformidade a um dress code específico e pode descartar um candidato somente por aspectos superficiais de aparência.  Segundo o SN, a Pantene já tinha feito uma propaganda anterior criticando a pressão para normalizar as pessoas, agando a sua individualidade.  

Infelizmente, e não leiam como se eu estivesse falando que isso não pode mudar, essa pressão para se enquadrar, não se distinguir, não ser o prego cuja cabeça de destaca das demais e precisa ser marretado, é típico da cultural nipônica.  Enfim, vejam a propaganda, ela é muito sensível.

domingo, 18 de outubro de 2020

Bacurau estreia no Japão em novembro

 


Ano passado, Bacurau (*resenha*) de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi a grande sensação do cinema brasileiro.  O que muita gente não sabe é que o filme só estreou de verdade no circuito internacional este ano.  O que isso significa?  Como o filme está sendo muito bem recebido, ele pode se qualificar para o Oscar de 2020.  Não representando o Brasil, porque ano passado ele ficou atrás de a Vida Invisível (*resenha*), mas para outras premiações.  Eu estou torcendo para que isso aconteça.  O cartaz aí em cima foi postado no Facebook pelo próprio diretor, espero que Bacurau faça sucesso no Japão e, quem sabe, Lunga ganhe um mangazinho.  Vai que acontece?  Afinal, lançaram um mangá de Tropa de Elite este ano no  Japão.  Sim!  O nome é Kami no Caveira (神のカベイラ) de Shiori Amase.