segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Achei uma propaganda antiga usando a protagonista de Attack Nº1

Estou fazendo uma pesquisa sobre Attack Nº1 (アタックNo.1), o primeiro shoujo mangá de esportes, e acabei tropeçando em duas propagandas usando a protagonista, Kozue, e sua melhor amiga,  Midori Hayakawa, já na meia idade para vender um snack chamado Bakauke.  Enfim, estou postando pela curiosidade mesmo.  Não sei de quando são as propagandas, mas elas são divertidas.





domingo, 1 de agosto de 2021

Rebeca é ouro! Desculpem, mas o Shoujo Café é Olimpíada, também!

 

Acordar de manhã cedo para chorar... Parabéns, Rebeca! Parabéns para a equipe de profissionais que a preparou e não desistiu dela. Medalha de ouro no salto sobre a mesa.  Vamos ver o solo, porque se ela conseguir, será ainda mais espetacular. Ouvir o hino nacional tocando e ter a certeza de que não é para sentir vergonha, ou raiva. 🥇Pensem em quantas meninas negras estão sonhando agora por causa da Rebeca?  Isso é muito, muito, importante.  Rebeca ousou sonhar, porque viu Daiane, que não viu nenhuma atleta na qual se identificar.  Ela foi descoberta já com mais de dez anos em um parque.  Pensem nisso, em como o esporte no Brasil é precário.

Luísa Parente foi lembrada pela Daniele Hypolito no SportTV 2, o narrador ainda falou da primeira brasileira a competir em uma Olimpíada, Cláudia Magalhães, em 1980.  Eu até me lembro de Moscou, eu tinha quatro anos, mas só do encerramento, do ursinho Misha chorando.  Mas eu me recordo somente a partir da Luísa Parente, dela sozinha caminhando para o centro de treinamento, uma menina solitária na Olimpíada, sem nenhuma atenção.  A brasileira solitária que precisava ficar feliz só de estar lá na festa das soviéticas, romenas e norte-americanas.  Eu fui a criança e adolescente que ouviu que ginástica artística não era coisa para as brasileiras, era coisa para as meninas louras e magras, meninas bonitas.  Até gente dizendo que nem deveriam colocar dinheiro no esporte, porque era jogar fora e ainda para passar vergonha.  Eu fiquei muito furiosa quando dissolveram o centro de treinamento em Curitiba, ainda assim, com toda a sabotagem, houve frutos.  Vamos continuar torcendo por Rebeca no solo, por Flavinha na barra e pelos meninos, porque há rapazes na final pelo Brasil, também.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Coreana ganha três medalhas para o seu país, mas é ostracizada por usar cabelo curto

Escrevo pouco sobre Coreia do Sul, porque efetivamente não quero ter que mergulhar em uma outra cultura, sociedade e por aí vai, se bem que estou querendo comentar uns quadrinhos coreanos, mas, enfim, sigamos.  Mesmo não tendo tantas informações sobre a Coreia do Sul, o machismo atravessa as diferentes culturas, é comum a todas as sociedades patriarcais e perpetua as desigualdades de gênero, o post é sobre isso.  Pois bem, An San foi a primeira atleta de seu país a ganhar três medalhas de ouro em uma Olimpíada, seu esporte é o arco e flecha, mas o que mais se fala em seu país é do seu cabelo curto, grupos misóginos articulados a acusam de ser anti-homem, ou até um homem e que deveria devolver suas medalhas. E, o pior, esse tipo de ação articulada parece ser algo comum e, não, uma triste exceção.

Vamos lá, ainda durante a competição, os detratores estavam fazendo escândalo em seu país.  A jovem atleta de 20 anos e seu técnico disseram aos repórteres que só responderiam questões relativas aos jogos.  Dentro da Coreia, houve apoio à An San e estão cobrando a federação do esporte que se posicione de forma clara a favor dela.  Sim, a fonte de tudo é o corte de cabelo curto da moça.  E, não, isso não é cultural, é uma expressão do crescimento da misoginia e de como a internet consegue criar grupos de pressão contra minorias e, se encontra terreno fértil, caso que parece ser o da Coreia do Sul, as coisas podem escalar para situações absurdas e humilhantes para as mulheres.


Encontrei uma matéria de hoje no New York Times falando do crescimento desses grupos misóginos anti-feministas na Coreia do Sul e de como eles tornaram a vida de uma publicitária, casada, mãe, não envolvida com qualquer movimento feminista, que trabalha para a gigante GS25 fez uma campanha sobre acampamento ao ar livre e que mostrava uma salsicha, o aparente produto, com uma mão com os dedos em pinça.  Grupos misóginos identificaram o sinal e a propaganda como um todo um deboche com os homens.  Os dedos em pinça indicando um órgão sexual pequeno.  Sim.  Ameaçaram boicote por isso.  A funcionária veio à público se desculpar, mas não foi suficiente, a empresa a puniu e fez desculpas formais.  Segundo o NYT, esse tipo de ação coordenada contra qualquer coisa que ofenda a frágil masculinidade dos homens vem se tornando comum e os recuos, também, inclusive do governo. Agora, vou citar um trecho da matéria do NYT.  Posso traduzir tudo, se vocês quiserem.

"A Coreia do Sul pode ser considerada internacionalmente como uma potência econômica, tecnológica e cultural, mas essa reputação esconde o pouco poder que confere às mulheres. A disparidade salarial por gênero é a mais ampla entre as economias mais avançadas, com 35%, e o recrutamentos de empregos sexistas são abundantes. Mais de 65% das empresas listadas na Bolsa de Valores da Coréia não têm mulheres executivas. E o país é consistentemente classificado pelo The Economist como tendo o pior ambiente para mulheres trabalhadoras entre os países da OCDE.

As mulheres reagiram, montando o que poderia ser considerado o movimento MeToo de maior sucesso da Ásia. Mas o acerto de contas colocou a sociedade em um estado de alta tensão: a Coreia do Sul ficou em primeiro lugar entre os 28 países pesquisados ​​pela Ipsos este ano em conflitos entre os sexos.

Agora, na corrida para a eleição presidencial de março de 2022, o partido conservador de oposição do país parece estar planejando um renascimento explorando essa divisão. No mês passado, Lee Jun-seok, um cruzado pelos direitos dos homens que amplificou a acusação de ódio aos homens contra o GS25, foi eleito líder do Partido Poder do Povo, de direita. Argumentando que os jovens de hoje são alvos de "discriminação reversa", espera-se que Lee exerça uma influência considerável no partido e angarie um grande apoio para seu candidato. (O Sr. Lee tem 36 anos; os candidatos devem ter pelo menos 40.)

O Sr. Lee explorou um poço profundo de ressentimento entre os jovens que dizem ser vítimas do zeitgeist. Sua afirmação característica é que a disparidade de gênero é exagerada e as mulheres recebem tratamento especial demais. Ele fez pouco caso das mulheres jovens que protestaram contra a discriminação acusando-as de terem uma "mentalidade de vítima infundada" e quer abolir o ministério da igualdade de gênero. O clima político tóxico que ele criou pode colocar em risco muitas políticas favoráveis ​​às mulheres, como a contratação de mais mulheres para cargos de chefia e o combate à violência de gênero, independentemente de o atual Partido Democrático do presidente Moon Jae-in ser destronado.  Mas Lee tem motivos para estar confiante: na eleição para prefeito de Seul, em abril, cerca de 70% dos homens na casa dos 20 anos ou menos votaram no candidato conservador - quase o mesmo que os votos conservadores de homens com 60 anos ou mais.

À medida que a resistência contra as mulheres se intensifica, a excitação sentida pelas feministas millennials que impulsionam o movimento recente foi substituída por medo e desespero. Mulheres me disseram que se sentem sufocadas, ansiosas para não enfurecer as massas online. Outra designer comercial, em uma tentativa tragicômica de evitar o gesto de pinça com os dedos, me disse que estava pensando em usar pauzinhos para apontar para produtos. Uma escritora freelance disse que removeu todos os trabalhos relacionados ao feminismo de seu portfólio.  Embora muitas das mulheres com quem conversei se sintam sitiadas e isoladas, elas estão determinadas a seguir em frente."

Torço para que esse retrocesso consiga ser segurado de alguma forma, porque, ao que parece, a situação parece ser muito ruim, até pelo nível de agressões que as mulheres vem sofrendo, caso da campeã do arco.  É isso. Essas Olimpíadas têm oferecido suas doses de machismo, racismo, homofobia e outras coisas tenebrosas, mas esse caso me parece o mais insano e é mais uma demonstração de que a misoginia é algo tão profundo que os feitos das mulheres, mesmo que revertendo para o progresso do país, da economia, o que seja, pouco importam, porque o ideal é que elas permaneçam em silêncio e submissão.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Rebeca Andrade é prata na Ginástica!!!!! E Mayra Aguiar fez história, também.

Eu só estou feliz, eu não consegui ficar sentada assistindo a Rebeca Andrade se apresentar no solo.  Pedi que a Júlia narrasse: "Ela está indo bem" "Ela deu um salto." "Agora, ela vai pular de novo.".  Foram muitos, muitos anos esperando que a ginástica artística feminina brasileira conseguisse chegar lá.  Foi muito investimento em mais de uma geração de atleta, foi muita obstrução, também.  Clubes que sabotaram a ideia de um centro de treinamento.  Oleg Ostapenko, o ucraniano que treinou a equipe, que esteve junto com a Daiane dos Santos, faleceu este ano, não pode ver os frutos do seu trabalho, porque foram, também.  E Rebeca deu uma entrevista agora, está falando ainda, enquanto escrevo e agradeceu sua psicóloga.  No caso dos atletas brasileiros esse trabalho tem feito toda a diferença.  Espero que isso impulsione, também, a procura por esses profissionais fundamentais.

Enfim, parabéns Rebeca Andrade pelo esforço pessoal, ela veio de três cirurgias no joelho, mas parabéns, também, para as ginastas que vieram antes, que não chegaram lá, talvez, por falta de um apoio psicológico mais sólido.  E fico muito feliz que tenha sido uma atleta negra, porque uma menina negra no Brasil, especialmente quando pobre, tem menos oportunidades, incentivo, é desvalorizada em seu próprio corpo e aparência.  E isso é patente no mundo da ginástica que, durante anos, foi marcado pelas ginastas brancas e longilíneas.  Daiane dos Santos já falou sobre o racismo enfrentado por ela e acredito que a mudança no perfil da equipe norte americana, sim, Simone Biles, tem importância nessa mudança, mas tem chão ainda, porque lembro do racismo contra Biles na Olimpíada do Rio.  

Aliás, a fala da Daiane dos Santos na Globo merece ser registrada e assistida (*chorei de novo*): “A primeira medalha do Brasil num Mundial de Ginástica foi negra. A primeira medalha do Brasil na Ginástica feminina foi negra. Isso é muito importante. Diziam que a gente não podia estar nesses lugares”.  Fora isso, Daiane fala da luta pessoal de Rebeca, uma menina pobre que chegou onde chegou também por ter uma mãe guerreira e que a criou e educou sozinha.  Sim, é bom falar das mães e das avós, que já foram acusadas pelo vice-presidente de serem fábricas de elementos desajustados,  e se perguntar onde estão os pais nessas histórias olímpicas que temos ouvido.

Quem acompanha Olimpíadas durante muito tempo, também, e eu lembro concretamente dos jogos desde 1984 (Los Angeles), sabe que a dureza é muito maior na avaliação de ginastas de países periféricos, exatamente para que continuem assim.  Para uma brasileira, ou brasileiro, aparecer, e neste caso a cor de pele pesa como um adicional de marginalidade, precisa ser muito melhor que a média.  Então, parabéns, Rebeca!  E ainda falta os aparelhos.  Tomara que ela consiga ainda um ouro por aparelhos.

Outro destaque do dia e um muito importante é o bronze de Mayra Aguiar no Judô.  Ela foi a primeira mulher brasileira a conseguir três medalhas seguidas em Olimpíadas em um esporte individual.  Ela tem três bronzes, em Londres (2012), no Rio (2016) e, agora, em Tokyo (2020/2021).  E ela veio de uma lesão grave.  E quem viu o que aconteceu ontem com Maria Portela sabe como alguém que não é de um país central pode ser prejudicado.  Sim, isso pesa, isso define, isso prejudica carreiras e tira possibilidades de medalha de quem poderia tentar conseguir uma.  Para um país que ganha medalhas de braçada, pode não fazer diferença, para um Brasil faz, para o futuro de um esporte que não é futebol masculino em nosso país, faz e muita.  Então, não esqueçamos de Mayra Aguiar.  Ela merece e ela colocou seu nome na história do esporte brasileiro.

E uma notinha triste que, talvez, mereça outro post.  A goleira da seleção brasileira de futebol feminino está sendo bombardeada por comentários gordofóbicos.  Ela falhou no jogo contra a Holanda e foi atacada por um jornalista daquele país com as seguintes palavras: "Essa goleira está acima do peso, não? É uma porca com um suéter. É uma zombaria total para a seleção brasileira. Ela realmente não defendeu uma bola decente."  Bárbara não é uma mulher gorda, mas é sabido que para uma mulher, ser chamada de gorda precisa ser lido como ofensa.

Corpos gordos são abjetos, são depreciados, servem para o deboche, são associados ao de animais considerados sujos.  Gordos não têm agilidade, são lentos no corpo e no raciocínio. A ideia é essa e, pior, ela vem sofrendo outros ataques do gênero.  Ela é incompetente por, supostamente, ser gorda.  E está resolvida a situação, fosse uma mulher magra, o gol das brasileiras estaria bem defendido. Enfim, espero que Bárbara não se abale e não a culpo por bater boca na internet, mas que busque se educar politicamente, também, para se defender melhor desse tipo de ofensa.  E, sim, torço muito por um ouro olímpico para as mulheres da seleção brasileira de futebol.  Espero que venha desta vez.

RIP: E partiu Orlando Drummond. Obrigada por tudo!

Deveria ter feito este post na terça-feira mesmo, data do falecimento desse gigante da dublagem brasileira, Orlando Drummond.  Se você é brasileiro e está vivo nos últimos cinquenta ou mais anos, ele começou sua carreira em 1942, ainda no rádio, ouviu a voz de Drummond em várias produções.  Ele dublou Popeye, Scooby-Doo, Papai Smurf e Gargamel, o Vingador (Caverna do Dragão), o Dr. Mead de E o Vento Levou (*abaixo*).  

Dia desses, estava ouvindo Rapunzel da coleção Disquinho, tudo está disponível na internet, e a voz do príncipe, que cantava, inclusive, era dele.  Talvez, você lembre dele, também, como o Seu Peru da Escolinha do Professor Raimundo.  Enfim, ele sempre oferecia o seu melhor em todas as dublagens que fazia e, claro, há algo de nostálgico em minhas palavras, porque quem frequenta o Shoujo Café sabe que considero a dublagem brasileira atual muito inferior a executada em décadas passadas.

Drummond já estava com 101 anos, viveu uma longa e produtiva vida.  Nos últimos meses passou por vários problemas de saúde e, segundo seu filho, após sair de uma longa internação, não se alimentava nem falava mais.  Ate ano passado, esteva lúcido, foi uma rápida deterioração, mas, lembremos, ele viveu muito e, como dizem os antigos, ele descansou.  Obrigada por tudo!  Não poderia deixar de homenageá-lo no Shoujo Café.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Comentando o capítulo 4 de Kageki Shoujo!: Um ponto de virada

Ontem, assisti ao quarto episódio de Kageki Shoujo!! (かげきしょうじょ!!)  e o anime continuou seguindo quase que estritamente o mangá.  O stalker seguiu Ai-chan até Kouka e ela o encontrou no último episódio.  Sarasa a segue à pedido de Taichi, o professor tio da menina, e tenta salvá-la do antigo fã que a rastreou.  Ai-chan foge, mas acaba se arrependendo de deixar Sarasa para trás.  Este foi mais um episódio que não falou do Teatro Kouka, mas ampliou nossa visão do drama de Ai-chan, além de ser um ponto de virada na relação dela com Sarasa.

O episódio três foi muito tenso e sombrio, este episódio começa a permitir que alguns rios de sol possam aquecer o nosso coração.  É basicamente um capítulo sobre amizade e compreensão.  Ainda que Ai-chan finja não se importar com Sarasa, ela se importa de verdade.  Simplesmente, ela passou tanto tempo tentando não se importar com as pessoas, que ela não sabe como se expressar.  Por outro lado, a série buscou dar uma dimensão humana ao fã que a segue.

O rapaz era um hikikomori, um sujeito que se isolou da sociedade e acaba tendo como sua única válvula de escape, os seus hobbies.  No caso dele, o bullying foi o que detonou sua vontade de isolamento social.  Mas quando ele o JPX, grupo de Ai-chan e percebeu o quanto ela se esforçava por não sorrir (*na verdade, ela não precisava se esforçar para isso*) e manter-se firme, ele ganhou forças para tentar sair do seu isolamento.  Ele conseguiu até arrumar um emprego de meio expediente. Ele conseguiu fazer muita coisa para um hikikomori graças a essa paixão pelo JPX e a admiração por Ai-chan.  No dia do infeliz acidente que a obrigou a largar o grupo, ele tinha ido agradecer, simplesmente isso.

Sarasa e Taichi se mostram dispostos a ouvi-lo, conversar com ele e buscar compreendê-lo.  Essa humanização do sujeito que foi construído para parecer abjeto é algo que combina com o espírito otimista da série e me faz recomendar ainda mais Kageki Shoujo!!, porque vivemos em um momento de julgamentos rápidos e impiedosos, o que, aliás, também está exemplificado no próprio episódio.  Pena que cortaram todas as referências de anime, porque, afinal, o otaku e Sarasa tinham gostos parecidos.  Hijiri passa e vê Sarasa, o rapaz e Taichi e tenta prejudicar a menina.  Ela é o mais próximo de uma vilã que nós temos nesta série.  Infelizmente, a sequência sofreu algumas modificações, além de ser mais curta.

Ai-chan teme por Sarasa e volta para ajudá-la, se espantando com a intimidade da garota com o otaku.  A partir daí, Ai-chan pensa em se fechar ainda mais, mas o episódio é exatamente sobre o contrário, sobre como a garota começa a se abrir para o mundo.  Não darei spoilers, mas recomendo que você tente comparar o anime e o mangá, porque as mudanças em alguns casos parecem pequenas, mas não são.

E o capítulo termina com o drama de Yamato.  Acredito que o próximo episódio seja sobre a bulimia da menina.  É esperar para ver.  É isso.  Foi um bom episódio, como o anterior foi excelente, o capítulo quatro pode parecer menos interessante do que é.  Eu gostei muito da forma como a autora redimiu o otaku e do que acontece no final do episódio.  Para as resenhas dos capítulos anteriores é só clicar: 1 - 2 - 3.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Um Pódio digno de um shoujo mangá

Esta madrugada duas meninas de 13 anos subiram ao topo do pódio no skate street, Rayssa Leal e Momiji Nishiya, o grupo contava ainda com uma outra garota um pouco mais velha de 16 anos, Funa Nakayama.  O Skate estreou na Olimpíada trazendo, pelo menos no caso do feminino, um surpreendente sopro de juventude.  A vitória de meninas tão jovens pode servir de incentivo para que pais e mães não obstruam o sonho de suas filhas de se tornarem atletas da categoria ou de simplesmente se divertirem com um skate.  Uma das matérias sobre o pódio do skate destacou que a jovem Momiji teve dificuldades de convencer os pais a aceitarem o seu gosto pelo skate.

No caso de Rayssa, ela se tornou a  mais jovem medalhista olímpica de nosso país, acredito que seu recorde ficará de pé por muito tempo, ou para sempre.  Afinal, não é comum termos medalhistas tão jovens.  Aliás, curiosamente, a mais jovem medalhista olímpica era, também, uma garota de 13 anos, a norte-americana Marjorie Gestring, que foi vitoriosa nos saltos ornamentais na Olimpíada de Berlim, em 1936.   E quem conhece a história dessa Olimpíada sabe que ela foi feita para glorificar o Terceiro Reich e para que alemães vencessem, portanto.  Rayssa é mais nova que ela.  Momiji não é, porque faz aniversário em agosto, então Gestring continua a mais jovem medalhista de ouro.

Rayssa se tornou famosa quando um vídeo fazendo uma manobra difícil aos seis anos de idade e vestida de fada viralizou na internet.  Oriunda de Imperatriz do Maranhão, ela foi convidada a ir ao Globo Esporte onde recebeu um skate de Letícia Bufoni, então campeã na categoria.  Ambas estavam na Olimpíada e a menina superou a mestra que lhe serviu de inspiração.  É ou não é um bom roteiro para um mangá?  Espero que Rayssa tenha uma longa e frutífera carreira e que sempre pareça tão feliz com o seu skate como me pareceu nesta olimpíada.  Ah, sim, e que tenha direito à bolsa de incentivo aos atletas que lhe foi negada por não ter idade suficiente.  Se pode ganhar medalha, deveria poder receber o apoio.

E falando em meninas no skate, a minha me pede um desde o ano passado.  Acredito que agora não terei mais como enrolar.  Tenho medo que ela se quebre toda, tenho que admitir.  E eu tinha dito para a Júlia que achava que Rayssa seria bronze, que as japonesas eram boas e contavam com uma ajudinha dos jurados (*no masculino foi o que me pareceu e não estou falando que o brasileiro foi prejudicado, mas o peruano foi*).  Minha filha disse que achava que ela seria prata e fomos dormir.  Ela acertou. 

Os novos gaiden da Rosa de Versalhes vão sair nos Estados Unidos

No último sábado, durante o San Diego Comic-Con, a Udon Entertainment anunciou que irá publicar os gaiden da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) no ano que vem.  Esses gaiden que sairão nos Estados Unidos, e que estão na nova edição italiana, foram publicados na revista Margaret, a mesma que publicou o mangá original.  Riyoko Ikeda começou a publicar o material extra em 2013 e disse ter concluído em 2018 utilizando a contagem original do mangá acrescentando mais quatro volumes.  Esse material sairá em dois volumes nos Estados Unidos.

Muito bem, esse material extra permite conhecer melhor as personagens da série e sao bem interessantes.  A autora diz já ter encerrado o mangá, mas como já estamos em comemorações dos 50 anos da Rosa de  Versalhes, não duvidaria que Ikeda mudasse de ideia.  Esses gaiden, que estão na nova edição italiana, não são os únicos.  Em 1974, logo após a publicação original, Ikeda publicou o primeiro, o da condessa vampira, que saiu na edição da JBC.  Em 1984-85, ela publicou novos gaiden na revista Monthly Jam, que não era da Shueisha, e com grande destaque para a sobrinha de Oscar que apareceu a primeira vez no gaiden de 1974.  Esse material, que tem dois volumes, é chamado de "Histórias Góticas" na Itália e foi publicado na França, também. 

Não tenho grande esperança de ver esse material extra por aqui, mas como não não é possível saber se a Rosa fez sucesso, ou não, no Brasil, de repente, até somos surpreendidos.  As edições da Udon são lindas, mas o dólar em disparada me impediu de comprar.  Vou me esforçar para comprar os gaiden, porque esse material, não tenho em outra língua que não seja o japonês.