quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Todas as resenhas de 2020 - Parte 2: Quadrinhos

Hoje, o segundo post com as resenhas de 2020.  Decidi colocar todos os quadrinhos que resenhei juntos.  Li muita coisa que não comentei no blog, inclusive material que pretendia resenhar e não fiz.  De repente, retomo e faço.  A minha maior falta foi não ter feito as resenhas dos últimos três volumes da Rosa de Versalhes. Dividi as resenhas em três grupos, mangás shoujo, josei e seinen mainstream, mangás shoujo/josei com conteúdo erótico/pornográfico e quadrinhos coreanos.

Mangás Mainstream

Aqui temos vários tipos de mangá e de resenhas, as mais completas e as que cobrem somente poucos capítulos.  Temos clássicos e material em prublicação neste momento.  Second Virgin Road~Koneko no Hanayome~ tem conteúdo sexual mais explícito, mas acredito que fica longe da média dos que deixei separado. Sayonara Rose Garden é yuri, mas sem conteúdo sexual.  Preciso terminas a leitura.  Kaze-san é yuri, também e está no mesmo caso.

  1. Comentando os primeiros capítulos de Chihiro-kun wa, Atashi Holic。: Moda e Romance na Medida Certa
  2. Recomendação de mangá: Kieta Hatsukoi, um inesperado triângulo amoroso
  3. Comentando o Capítulo 1 de Sei Rosalind: Clássico do shoujo de terror já tem scanlations
  4. "Só você pode ser minha serva.": Duas criaturas amaldiçoadas protagonizam nova série da revista Hana to Yume
  5. Recomendação de mangá: Second Virgin Road~Koneko no Hanayome~ 
  6. Comentando Busu ni Hanataba wo。: Um dos melhores mangás que li nos últimos meses. Valeu a pena ir atrás dele!
  7. Takane to Hana chega ao final em julho e alguns comentários sobre o início do mangá
  8. Hanakimi é um dos títulos gratuitos da Hakusensha e me deu vontade de falar da série!
  9. Comentando Sayonara Rose Garden! #1: Parece um mangá fofinho, mas ele tem muito mais a oferecer
  10. Reeditando textos antigos: Swan, nunca o balé foi desenhado de forma tão bonita
  11. Comentando o volume #1 de Kase-san e...: duas meninas descobrindo amor de uma forma muito delicada

Mangás Eróticos

Em maio descobri um site com muitas scanlations de mangá e uma seção enorme de shoujo e josei eróticos. A maioria estão em um gênero chamado Teen's Love.  É pornografia para mulheres mesmo, não adianta colocar panos quentes.  Alguns tem histórias surpreendentemente consistentes, ainda que obrigadas a colocar uma cena de sexo por capítulo, ou quase.  Dessa leva, os que mais gostei foram 45-Sai, oji-sama wa bukiyouna kemono, Motto Sawatte Arashi-san Honki ni natteha Ikemasen e Uso Aitsu ga Watashi no Danna-sama Mezametara 10 Nen go no Mirai.  Estranhei de ter comentado tão poucos.

  1. Mocinha morre de tanto trabalhar e reencarna dentro de um Otome Game: Recomendação de Mangá (+18)
  2. Comentando o mangá 45-Sai, oji-sama wa bukiyouna kemono: quando a grande diferença de idade não é um empecilho para um bom romance (+18)
  3. Watashi no Koko Hen desu ka?: Recomendação de mangá (+18)
  4. Comentando Uso Aitsu ga Watashi no Danna-sama Mezametara 10 Nen go no Mirai (+18): Um mangá que lembra uma experiência na montanha russa
  5. Motto Sawatte Arashi-san Honki ni natteha Ikemasen: Esse mangá é muito fofinho para eu não recomendar para vocês! (+18)

Quadrinhos Coreanos

Tinha lido quase nada de quadrinhos coreanos, mas as webcomics estão na moda e acabei tropeçando em Ebony e recebendo a recomendação de The Blood of Madame Giselle, ambos são interessantes.  Agora, Grama é outra coisa, é uma graphic novel densa e que toca em um assunto muito espinhoso, as mulheres do conforto, meninas e mulheres transformadas em escravas sexuais das tropas japonesas durante a ocupação territorial de várias regiões, como China, Filipinas e Coreia e durante a 2ª Guerra.  A melhor coisa que li em 2020 foi Grama.

  1. Comentando The Blood of Madame Giselle: Por qual motivo esse marido ainda está vivo? (+ 18)
  2. "Fique quieta. Cale a boca e viva como os mortos.": Comentando os primeiros capítulos de Ebony
  3. Muito Além do Mangá: Comentando Grama, um quadrinho fundamental para entender a questão das "mulheres do conforto"

Se você, mãe, não está conseguindo ser uma boa professora de seus filhos durante a pandemia, você é uma egoísta!

Fazia tempo que não escrevia sobre questões referentes à maternidade e maternagem, mas um amigo professor, bom frisar isso, repassou uma matéria da revista Pais & Filhos no Facebook com o seguinte título "Escritora critica mães que reclamam das aulas online e rebate: “Escolas não são babás”".  Como não há nada mais delicioso do que publicizar as críticas de uma mulher à outras mulheres, toca passar adiante, afinal, é consenso que "escolas não são babás".  E babás são profissionais, tem treinamento, merecem respeito e serem valorizadas.  Na Inglaterra da autora, existe uma conceituadíssima escola de babás, a Norland College, fundada em 1892 e que confere diplomas de nível superior, ou seja, mãe é mãe, babá é babá, não é mesmo?  Mas vamos a um trecho da fala de Samantha Brick:

“Não suporto as mães reclamando sobre como é difícil supervisionar a educação de seus filhos em casa, ou sonhando com maneiras de obter o status de trabalhador importante para que os filhos possam permanecer na escola. É alucinante quando você pensa em quantas mulheres – inclusive eu – teriam dado seu braço direito para se tornarem mães”, explica ela, se referindo a situação na Europa.

Essa mulher é uma cretina, que projeta seu ódio por não poder ter filhos BIOLÓGICOS nas outras mulheres.  Sim, se você pegar o artigo e eu li o original em inglês, também, ela fala da sua dificuldade em engravidar, não comenta a possibilidade de adotar e acrescenta que desistiu de ser mãe.  Ela não é child-free por vontade, mas o é por escolha parcial, afinal, adoção é uma opção quando você quer ter uma criança.  Enfim, ela não daria um braço para ser mãe, ela daria um braço para gestar e parir, é diferente.

Outra coisa, procurando encontrei dados biográficos de Samantha Brick, inclusive um artigo do Daily Mail intitulada "Samantha Brick tells how she turned from failed businesswoman to French housewife" (Samantha Brick conta como ela deixou de ser uma empresária fracassada e se tornou uma dona de casa francesa).  Segundo a matéria, ela largou sua carreira anterior como jornalista e produtora de TV, casou, foi para o interior da França e virou escritora, afinal, ela agora pode dar conselhos para outras mulheres.

Pelas fotos e pelos dados que tenho, ela parece ter uma vida bem confortável junto com o marido, então, a realidade dela não deve ser a das mães que em home-office, ou tendo que sair de casa todos os dias para trabalhar, precisam contar o dinheiro no fim do mês para pagar aluguel, comida, e tudo mais que uma família com filhos precisa.  E, o que é importante, às vezes sem dividir as despesas com ninguém.  E como as mães se desdobraram no ano que passou, acredito que a maioria de nós nunca trabalhou tanto.

A maioria das mães, porque parece que para esta senhora somente as mães têm que cuidar da educação de suas crianças, são criaturas egoístas focadas em suas carreiras se reclamam da carga pesada demais, mas elas não são professoras.  E mesmo quando professoras, meu caso, não o são para qualquer nível escolar e/ou disciplina, como qualquer pessoa minimamente informada deveria saber.  Eu penei um tanto em 2020 e devo continuar penando com os estudos de Júlia durante o ano de 2021.  Não sou professora alfabetizadora, não sou professora das primeiras séries do Ensino Fundamental e tenho profundo respeito pelas colegas, a maioria são mulheres, que o são.  

Quando a mulher do artigo fala de escola, ela só o faz para lamentar que as crianças não irão ter interação social.  E, sim, escola serve para isso, também, eu defendo que é muito importante e que as escolas fechadas podem, sim, causar dano ao desenvolvimento global de crianças e adolescentes, mas o ambiente escolar é muito mais do que isso.  E não é somente uma questão de estrutura física, algo que ela pontua, também, há os profissionais da educação e seu trabalho. Só que pessoas assim devem olhar para professores e demais trabalhadores da educação com muito desprezo, porque, bem, as mães podem fazer o trabalho de todos nós e sem reclamar, ou estão sendo egoístas.  

A Pais & Filhos deveria ter dado destaque à matéria completa, pois havia uma outra escritora, mãe de dois filhos, com opinião divergente e acredito que as pessoas deveriam ter um tiquinho mais críticas ao repassarem esse tipo de coisa, porque é machista, classista (*porque parte do pressuposto de que mães casadas ou solo não precisam trabalhar para sustentar suas famílias, que todos tem computador, vários, às vezes, internet de qualidade etc.*) e só ajuda a desqualificar ainda mais os professores, afinal, por qual motivo mandar as crianças para escola, não é mesmo?  Mas se você acha que mães são esses seres mágicos, que dinheiro se materializa na sua sala, que professor nem deveria existir e que pode atirar seu recalque nas mulheres, você é que é uma pessoa muito egoísta. 

P.S.: Eu não estou defendendo retorno às aulas presenciais, ainda que eu acredite que estratégias precisam ser criadas para isso.  Eu passei 2020 trabalhando presencialmente e desde setembro com alunos e alunas em sala.  Dia 25, está previsto o nosso retorno com TODOS os alunos, já a vacinação, bem, ontem o governo de Brasília comunicou que professores não são grupo prioritário de vacinação.  Eu estou entre a cruz e a caldeirinha.  O pai e eu decidimos que Júlia não volta às aulas agora, meu marido acredita que sem vacina é melhor não arriscar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Todas as resenhas de 2020 - Parte 1: Seriados

Nos últimos anos, sempre faço um post listando todas as resenhas que fiz durante o ano.  É o tipo de post que estreia bem no início do ano seguinte, mas a minha mudança e meu pulso direito lesionado atrasou tudo.  Decidi finalmente começar, antes que passe muito o tempo.  Ao todo, se não deixei de contar alguma coisa, foram 72 resenhas durante 2020 e foi um ano no qual deixei de resenhar muita coisa, infelizmente  Decidi começar por seriados, porque se fosse filmes no cinema, iria ser muito pouco, afinal, houve a pandemia e só coloco meus pés no cinema depois de ser vacinada.

Séries da Netflix

Acredito que a primeira série que comecei a assistir durante o ano, estava bem ansiosa, foi Coisa Mais Linda, a segunda temporada.  Só que fiquei um tanto decepcionada pela forçação de barra de certas tramas e acabei largando sem resenhar.  Não sei se retomarei.  As séries da Netflix que eu assisti e resenhei de verdade foram Unorthodox, Gambito da Rainha e Bridgerton, que preciso terminar de resenhar.  Todas três me deram muito prazer de assistir, mas Unorthodox foi a melhor e realmente precisa de uma segunda temporada que feche a trama.  Só isso já estaria bem.  Enfim, links para as resenhas:

Séries da BBC:

No início do ano, com a iminência da estreia do filme Emma nos cinemas, lembrei que estava devendo a conclusão das minhas resenhas de adaptações deste livro de Jane Austen.  Pois bem, resenhei a série de 2009, depois parti para Razão & Sensibilidade 2008, Jane Eyre 1983 (*e ainda não terminei as resenhas das adaptações do livro de Charlote Brontë*) e as versões de Orgulho & Preconceito de 1980 e 1995.  Acho que foi isso.  Seguem os links.

E foi isso.  Assisti pedacinhos de outras séries, inclusive Anos Rebeldes no Globoplay e, talvez, um dia faça alguma resenha.  É chato não ter uma série brasileira nesta lista, mas é isso, infelizmente.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Comendando e recomendando a série Malory Towers

Descobri uma série no Globoplay chamada Malory Towers e comecei a assistir com a Júlia.  É baseada em uma série de livros de mesmo nome da romancista  Enid Blyton.  O nome da série deriva do nome do colégio interno feminino central para a ação.  Os livros já foram adaptados outras vezes antes, mas eu não conhecia a série, não.

No original, os livros, que são seis, equivalendo, imagino, ao período dos 11 aos 16 anos de educação.  A protagonista, que tem 12 anos, se chama Darrell Rivers, é uma espécie de tomboy um tanto esquentada, mas que deseja se reformar, por assim dizer, e se tornar uma aluna exemplar.  Obviamente, as coisas não parecem acontecer do jeito que ela gostaria.  Na série, não acredito que nos livros, Darrell foi expulsa de sua antiga escola e não quer que ninguém saiba, porque teme ser rejeitada.

Há uma vilãzinha muito irritante que torna a vida da protagonista muito difícil, mas que deve se tornar amiga antes do fim da série.  Imagino.  Gwendoline Mary Lacey se acha mais do que realmente é e estar em um colégio interno e, não, sendo mimada em casa a deixa desesperada por atenção.  Ela acaba se tornando alvo das brincadeiras e pequenos trotes de outra garota, Alicia Johns.  Até o momento, nada do que fizeram Gwen passar foi imerecido.   

Gwendoline repete uma série de bobagens machistas sempre começando com "Minha mãe me disse que...".  E é bem interessante isso para marcar que as mulheres são fundamentais para a reprodução de uma sociedade patriarcal, por outro lado, no caso da protagonista, o pai é a referência positiva nos estudos e na vida.  Ela sempre começa com "Meu pai me disse...", o que pode criar uma falsa ideia de que os homens seriam aliados das mulheres em sua luta por direitos e escolhas no mundo.  Vamos ver como isso se desenrola.

Malory Towers foi feita pela BBC, foi filmada em 2019 e estreou ano passado com 13 episódios.  Infelizmente, e eu parei para conversar com Júlia sobre isso, Malory Towers padece desse impulso atual de, em nome da diversidade, apagar o fato de que a sociedade já foi muito racista e excludente.  A história dos livros começa durante a 2ª guerra, no seriado, jogaram a ação imediatamente para depois do conflito.  E temos muitas alunas negras, indianas, professores negras, também.   vilãzinha, que é tão cheia de preconceitos, não é racista.  Aliás, ninguém é.  Que mundo perfeito, não?  Agora, o que é realmente interessante é que uma das meninas do grupo de protagonistas tem uma grande cicatriz de queimadura no rosto.  Não é algo bonito de se ver, mas a menina está tão integrada na história como todas as outras.  Eu achei algo bem legal mesmo.

Vou tentar assistir dois episódios por dia com a Júlia.  É bom ter uma série protagonizada por meninas e eu gosto dessas histórias de internato que são focadas na amizade e superação de problemas e, não, em abuso e coisas do gênero.  O chato, pelo menos para mim, é que não parece haver versão legendada no Globoplay, ou eu não aprendi a mudar.  Só que para assistir com Júlia tem que ser dublado mesmo.  E, claro, são as vozes de sempre, interpretando do mesmo jeito.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Mulher Maravilha 1984: Participei do ASPAS Comenta

O canal da ASPAS (Associação dos Pesquisadores em Arte Sequencial) promoveu um debate sobre o filme Mulher Maravilha 1984.  Eu fui convidada, tirei um tempinho (*que não tinha*) para assistir e comentar o filme.  Ficaria feliz se vocês assistissem.  Acho que não vou fazer resenha do filme, porque já falei um tanto no vídeo.  É isso.  ainda estou arrumando minha mudança.  Ela está marcada para amanhã, mas periga atrasar de novo, infelizmente.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Ranking no Oricon + Kimetsu no Yaiba continua sua trajetória arrasadora

Semana passada não postei o ranking da Oricon, que pode ser acessado aqui, porque era praticamente TUDO Kimetsu no Yaiba (鬼滅の刃) no top 10, salvo Kindom #60, em terceiro, e nenhum shoujo, josei, BL no top 30.  Para quem está em outro planeta e não viu ainda, Kimetsu no Yaiba é o maior sucesso editorial dos mangás em muitos anos.  Segundo o Animenewsnetwork, os volumes #8, #1 e #7 da série são os primeiros desde abril de 2008 a venderem mais de 5 milhões de cópias cada um.  Fora isso, a série é a segunda a vender 100 milhões de cópias em um ano, o feito era de One Piece, que atingira a marca em 2012.  Também em dezembro o filme de Kimetsu no Yaiba superou a Viagem de Chihiro como a maior bilheteria japonesa de todos os tempos.  Lembremos que isso aconteceu em um ano de pandemia.  Detalhe importante. Pronto, terminaram os informes sobre a série.  Vamos ao último ranking da Oricon (28/12-03/01), porque outras séries conseguiram um lugarzinho ao sol.

O primeiro lugar do ranking ficou para SPY×FAMILY #6, o resto do top 10 é Kimetsu no Yaiba.  Do 11º ao 20º, só Kimetsu no Yaiba.  entre o 21º e o 30º temos Honey, Lemon, Soda (ハニーレモンソーダ) #15 em 29º.  Esta série da revista Ribon terá live action este ano, então, isso ajuda nas vendas.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Estou de mudança, por isso, o Shoujo Café está meio parado

Só para lembrar a quem visita o blog todo dia, estou postando pouco, porque estou de mudança.  É muita coisa para arrumar, muito livro, mangá, fora as coisas mais comuns de uma casa.  Foram quase vinte anos residindo no mesmo lugar e meu marido e eu não somos lá pessoas muito organizadas.

Eu tenho até domingo para colocar tudo em ordem, porque a mudança começa na segunda-feira.  É para Brasília mesmo, não vou mudar de estado, mas é algo que dá muito trabalho mesmo.

Quem quiser ver meus mangás, livros, enfim, tenho fotografado e postado no Facebook.  É só me localizar por lá.  

Ontem, pretendia fazer alguma postagem, nem consegui terminar Bridgerton ainda, mas houve a tentativa de golpe nos EUA, eu sou historiadora, tive que parar para ver aquela vergonha, porque, sim, Trump tem que ser preso.  É isso, ou a imagem dos EUA sairá absolutamente destroçada.  E, não, eu não tenho simpatias particulares pelos Estados Unidos, mas tenho pela democracia, com os problemas que ela possa ter, e sei que uma crise nos Estados Unidos impacta o mundo inteiro.  

Estão falando em invocar a 25ª Emenda, e eu não fui checar o que ela diz, para destituir Trump e colocar o vice-presidente, Mike Pence, que se comportou de forma institucionalmente correta nos últimos dias, para ocupar a direção do país até o dia 20, que é a posse do Biden.  É isso, ontem, seis de janeiro, foi um dia histórico.  

Me mudo no início da semana que vem, o Shoujo Café vai continuar lento até lá.  Depois, minha intenção é fazer vídeos sobre algumas coisa interessantes que eu tenho no meu acervo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Sucessão somente masculina ao trono japonês volta à discussão no país

O Japão é uma monarquia aparentemente estável, mas que corre sério risco de mergulhar em uma crise a qualquer momento.  Motivo?  A Lei da Casa Imperial de 1947, buscou eliminar a nobreza do país e estabeleceu que a sucessão se faria exclusivamente por linha paterna e masculina.  Qualquer princesa da Casa Imperial que se case, deixa de fazer parte da família.  Somente meninos nascidos da linhagem paterna podem ocupar o trono.  Eu sempre interpreto isso como uma forma de estrangulamento da monarquia e, no caso do Japão, isso fica muito evidente neste exato momento.

Antes de comentar a matéria do jornal Mainichi, uma explicação.  Existem várias possibilidades de herdar um trono, normalmente, a predominante é a da hereditariedade com precedência masculina, isto é, qualquer menino nascido do casal real/imperial passa a frente das irmãs.  As mulheres reinam, se não tiverem irmãos.  Há monarquias que excluem as mulheres totalmente, mas isso é burrice e acredito que Felipe V da França se arrependeu muito de ter forjado a Lei Sálica para tomar o trono da sobrinha.  

No caso da monarquia russa, desde o  filho de Catarina, a Grande, que devia odiar a mãe, a lei passou a ser semi-Sálica, as mulheres assumiriam o trono se não houvesse nenhum homem restando.  Por exemplo, as filhas de Nicolau II (Olga, Tatiana, Maria e Anastácia) só se sentariam no trono russo se não houvesse nenhum irmão, tio, ou primo.  Suas possibilidades eram, portanto, muito remotas.  Hoje, na Europa, a tendência das monarquias modernas é alterar suas leis de sucessão e adotar a primogenitura absoluta, o mais velho herda, sendo menino, ou menina.  Por isso, a princesa Charlotte foi celebrada como a primeira menina da família real inglesa a ter precedência em relação a um irmão caçula.  A ordem atual de ascensão ao trono da Inglaterra é Charles - William - George - Charlotte - Louis.

E a situação do Japão?  Até o nascimento do príncipe Hisahito, de 14 anos, sobrinho do imperador atual, foram mais de 30 anos sem que nenhum homem nascesse na casa imperial.  Hisahito tem duas irmãs mais velhas, o imperador tem somente uma filha, Aiko (foto abaixo), de 19 anos.  Até o nascimento do garoto, a Dieta, o Parlamento japonês, estava discutindo a possibilidade de mudanças na lei, mas os velhos políticos tinham grande resistência a permitir a ascensão de uma mulher ao trono do Crisântemo, como se isso nunca tivesse acontecido.  Houve infelizes que propuseram inclusive a possibilidade do imperador voltar a ter concubinas para garantir a sucessão.  Sim, isso no século XXI.

E a população japonesa?  Bem, as pesquisas recentes apontam que boa pare dos japoneses e japonesas é favorável à mudança na legislação para permitir a ascensão de mulheres ao trono.  E, segundo o Mainichi, o Primeiro-Ministro se pronunciou publicamente dizendo que a discussão é uma prioridade. Encontrei um artigo no Japan Times que argumenta que a inclusão seria inconstitucional mesmo, já que a carta magna do país afirmaria a igualdade entre homens e mulheres.  Vamos esperar pelas cenas dos próximos capítulos.