quarta-feira, 14 de abril de 2021

Mangás que poderiam sair no Brasil 2 (vídeo)

Postei hoje um segundo vídeo da série "Mangás que poderiam sair no Brasil 2".  Está no Youtube e gostaria de pedir que vocês assistam, comentem, enfim, deem sugestões de como posso melhorar.  Queria fazer vídeos menos primários e parecidos com uma aula.  É isso.  Pela imagem, alguns já sabem qual é o mangá, outros, vão descobrir assistindo.  



terça-feira, 13 de abril de 2021

Mangá sobre homem grávido vai virar dorama

Hiyama Kentaro no Ninshin (ヒヤマケンタロウの妊娠) de Eri Sakai foi publicado na revista Be Love e tem somente um volume.  A série se passa em um futuro próximo no qual os homens podem engravidar.  O resumo da história que está no Bakaupdates é o seguinte: ""Gravidez" e "Parto". Você vê isso como coisas que não têm nada a ver com você?  Já se passaram 10 anos desde que os homens conseguem engravidar e dar à luz. Hiyama Kentarou (Takumi Saittou) é um salaryman de elite cuja gravidez o fez sentir em primeira mão o preconceito que a sociedade tem em relação à "gravidez e parto masculinos".  Ele inicialmente decidiu continuar com sua gravidez apenas como um meio de criar um lugar onde possa pertencer.  Mas à medida que ele continua em suas ações, aos poucos, não apenas as pessoas ao seu redor, mas ele mesmo começa a mudar."  Mas Hiyama tem uma companheira, Aki Seto (Juri Ueno), que é uma escritora e não tem intenção de ter filhos, ou mesmo casar de forma oficial.  Ela se assusta quando o namorado engravida.

Não faço ideia de como funciona essa história de gravidez masculina, mas a Netflix vai produzir uma série baseada no mangá.  A estreia não tem data, mas o dorama vai sair em 2022.

domingo, 11 de abril de 2021

Arina Tanemura fez doujinshi hentai de suas próprias obras (+18/NSFW)

Doujinshi são quadrinhos amadores, que nem sempre são feitos por amadores, podem ser com material autoral, ou, o que é muito comum no Japão, podem ser feitos, também, por mangá-kas renomados com outro nome, ou através dos círculos, que são grupos de artistas que publicam coletivamente.  Em português, o termo mais próximo para doujinshi é fanzine.

Muito tem, Arina Tanemura é uma das mangá-kas mais bem sucedidas de sua geração.  Sua "casa" durante muito tempo foi a revista Ribon, que é junto com Nakayoshi e a Ciao, uma revista shoujo de entrada, isto é, voltada principalmente para o público mais jovem (9-13 anos), ou que gosta de material para esse público.  Várias séries da autora viraram animação, como Full Moon Wo Sagashite (満月をさがして), Time Stranger Kyoko (時空異邦人KYOKO) e Kamikaze Kaitou Jeanne (神風怪盗ジャンヌ). Hoje, na verdade, já faz alguns anos, ela saiu da Ribon e está publicando mangá josei.


Pois bem, o Pro Shoujo Spain trouxe páginas de doujinshi feitos por Tanemura para seu círculo, o Meguro Empire.  As páginas são de Kamikaze Kaito Jeanne e Fullmoon wo Sagashite.  Segundo o Pro Shoujo Spain, o grupo fez doujinshi de Shingeki no Kyojin (進撃の巨人) e Neo Genesis Evangelion (新世紀エヴァンゲリオン), também.  Eu já tinha visto alguns doujinshi de Sailor Moon da autora, mas nada de pornográfico, ou mesmo erótico.

Não tenho ideia de como conseguir esse material, o povo do Pro Shoujo Spain deve saber.  O fato é que são mangás produzidos pela própria autora.  Não é simplesmente coisa feita por um fã que domina bem a arte da mangá-ka.  Outra coisa, e se trata de uma atualização (12/04), eu sei que mangá-kas fazem doujinshi, inclusive dos seus próprios mangás, no entanto, não raro usam outro nome artístico, ou, e estou falando especificamente desse tipo de material, que é erótico, os mangá-kas fazem versões mais eróticas de material que já tem fanservice, eles só vão além.  Neste caso, a melhor analogia que eu posso fazer seria o Fuijio Fujio fazer um doujinshi hentai de Doraemon (ドラえもん) e assiná-lo.  Vejam, não é crítica, é surpresa.  E, sim, a tia Lela sabe que mulheres desenham hentai e outros materiais de cunho pornográfico.  Procure as resenhas aqui do blog sobre mangás shujo/josei TL (Teen Love).  De novo, a surpresa é ser em cima de um material tão infanto-juvenil e a autora assinar mesmo e "e daí?".  OK?  Entendidos estamos?

Petit Comic promove encontro de fãs com Miyuki Kitagawa e Chie Shinohara

A revista Petit Comic está celebrando os seus 45 anos.  A publicação começou como shoujo e faz alguns anos que é rotulada como josei.  Duas de suas autoras mais importantes no momento são Miyuki Kitagawa e Chie Shinohara. Se entendi bem o Comic Natalie (*e contei com uma ajudinha do Pro Shoujo Spain*), as leitoras da revisa podem fazer inscrições até o dia 13 de abril e haverá um sorteio, as felizardas poderão participar de um encontro, uma drinking party, com Kitagawa e Shinohara. 

As informações para a inscrição estão na edição atual da revista.  Enfim, deve ser um evento interessante e será on line.  A tal festa será no dia 23 de abril.

sábado, 10 de abril de 2021

Starz planeja uma série sobre Catarina de Médici

Catarina de Médici (1519-1589) foi uma das mulheres mais importantes e poderosas do século XVI. Casada aos 14 anos com Henrique II por causa de seu imenso dote, ela foi eclipsada pelas amantes do marido quando chegou à corte, além disso, suas origens burguesas eram vistas como inferiores pela corte francesa, para piorar, ela demorou dez anos para ter o primeiro filho.  Ainda assim, Catarina sobreviveu.  Inteligente, ela foi construindo o seu espaço de poder, e com a morte do marido tornou-se regente e a mulher mais poderosa da França.  Três de seus filhos viraram reis da França, Francisco II, Carlos IX e Henrique III, ela foi mãe da não menos formidável rainha Margot.  Catarina construiu, também, uma rede de espionagem composta por mulheres que eram chamadas de L'escadron volant (esquadrão voador).  Durante a sua regência, a França viveu a pior fase das guerras de religião, culminando com a Noite de São Bartolomeu.  

Segundo a Variety, a série será baseada no livro Catarina de Medici, de Leonie Frieda, e terá o nome de Serpent Queen.  Não há previsão de estreia, nem anunciaram a protagonista.  Eu acredito que a série só irá estrear em 2022.  Tomando por base outras produções da Starz, a série deve ser ruim e, ao mesmo tempo, deve fazer muito sucesso.  Catarina merece uma série que não a retrate simplesmente como vilã e que, ao mesmo tempo, não tente torná-la boazinha.  Vamos ver como a coisa vai ser desenvolvida.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Anunciados os concorrentes ao 45º Kodansha Manga Award

Foi anunciado ontem os indicados ao 45º Kodansha Manga Awards.  O prêmio tem três categorias, shounen, shoujo e geral.  Normalmente, nesta categoria geral são colocados os mangás seinen, enquanto os mangás josei terminam caindo em shoujo.  Muito bem, este ano não foi tão diferente assim, mas temos um josei na categoria geral.

Esta série é Yuria-sensei no Akai Ito  (ゆりあ先生の赤い糸), de Kiwa Irie, publicada na revista Be Love, e que eu nunca tinha parado para investigar, mas fico imaginando quando vai virar filme, ou dorama.  Resumo do início da série "Yuria, de 50 anos, tem uma vida tranquila dando aulas de bordado em sua casa, onde mora com o marido escritor e a mãe dele. Então, um dia, seu mundo vira de cabeça para baixo quando o marido sofre uma hemorragia subaracnóide e, ao chegar ao hospital, Yuria se encontra com um jovem choroso que anuncia ser amante de seu marido.".  É.  Tem scanlations do início do mangá, mas acredito que não será o vencedor da categoria, eu apostaria em Ase to Sekken (あせとせっけん) de Kintetsu Yamada, que terminou recentemente.  Já na categoria shoujo temos os seguintes candidatos:  

Kurosaki-kun no Iinari ni nante naranai (黒崎くんの言いなりになんてならない) de Makino. Yuu está decidida a mudar de vida ao entrar no colegial.  Lá, ela se apaixona ao memso tempo por dois sujeitos com características totalmente diferentes, um é chamado de príncipe branco e o outro de demônio negro.  É uma das séries de maior sucesso da Betsufure.  

Hananoi-kun to Koi no Yamai  (花野井くんと恋の病) de Megumi Morino.  Hotaru é uma estudante do primeiro ano do ensino médio de 16 anos que sempre foi ambivalente sobre o amor, preferindo ter uma vida animada com sua família e amigos. Então, quando ela vê seu colega de escola, Hananoi-kun, sentado na neve depois de um rompimento público bagunçado, ela não pensa em oferecer para compartilhar seu guarda-chuva. Mas quando ele a convida para sair no meio da sala de aula no dia seguinte, ela não consegue deixar de sentir que sua vida está prestes a mudar muito ...  Foi indicado no ano passado e é, na minha opinião, um dos candidatos mais fortes deste ano, mas acho que não será o vencedor.  O mangá é publicado na revista Dessert.


Honey Lemon Soda (ハニーレモンソーダ) de Mayu Murata.  Ishimori Uka, de quinze anos, é uma garota muito tímida que não suporta estar na frente de alguém. Um dia ela conhece um menino na rua que é tão refrescante quanto refrigerante de limão. Ele a ajudou quando ela sofreu bullying e aquele menino a fez querer mudar para que ela pudesse se expressar adequadamente.  Série da revista Ribon, com filme no cinema.  Forte candidato, eu diria, mas não deve ser o vencedor.

Yubisaki to Renren (ゆびさきと恋々) de Suu Morishita.  Yuki é uma estudante universitária surda surda e Itsumoi é um rapaz que fala três idiomas e tem experiência internacional.  Eles se tornam amigos e ele aprende a língua e sinais, obviemente, a relação entre os dois acaba tomando outro rumo no processo.  É um dos shoujo mangá mais elogiados no momento e deve ser o vencedor, a não ser que decidam dar para uma série com um maior número de volumes.  Yubisaki to Renren sai na drevista Dessert.  

O resultado da premiação sairá em 13 de maio.  Entre 2003 e 2014, o Kodansha Manga Award tinha a categoria infantil (kodomo), mas ela acabou e foi integrada à shoujo e shounen.  O último vencedor da categoria foi Yo-kai Watch (妖怪ウォッチ) de Noriyuki Konishi. Considero uma perda, porque normalmente os indicados, especialmente em shoujo, são mangás para um público mais velho, ou até mesmo séries josei.  A categoria infantil dava visibilidade aos materiais para um público mais jovem e oportunidade para indicações vindas de revistas para crianças mesmo.  Usei como referência o Pro Shoujo Spain e o ANN (*onde vocês poderão ver os indicados na categoria shounen e geral*).

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Dez anos do Massacre de Realengo: Não podemos esquecer!

Eu estava dando aula quando aconteceu o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo.  Lembro exatamente onde estava, tínhamos uma sala de multimídia, na época não tínhamos TV nas salas de aula, e aproveitei para olhar a internet.  Fiquei perplexa, comentei com os alunos e alunas, não tínhamos muita informação, só a ideia do horror que deveria ser.  Saí do trabalho e, ao chegar em casa, me inteirei dos fatos.  Fiz vários posts para o Shoujo Café, o último deles comentando diretamente o massacre em 2013.  Lá há os links de todos os textos anteriores.

Sim, já se passaram dez anos que um misógino planejou e executou um massacre em uma escola pública em Realengo estimulado por grupos de internet.  Faz dez anos que a imprensa ignorou solenemente que se tratava de um ataque feminicida e me saiu com explicações como "Meninas correm menos" e "Meninas sentam na frente", mesmo com os sobreviventes sendo enfáticos em dizer "Ele escolhia as meninas bonitas." "Nas meninas, ele atirava para matar.".  Quando comentei isso aqui, um cretino que ficava stalkeando o Shoujo Café me acusou de estar "fazendo pouco caso" dos meninos mortos.  😉  Talvez, ele leia isso, porque velhos hábitos, nunca morrem.  Precisou um jornalista do Sul do país, um sujeito super reaça, dizer com todas as letras que foi FEMINICÍDIO para que a palavra entrasse na ordem do dia.  Denunciar que um crime tem motivações racistas, misóginas, ou o que seja, não significa fazer pouco caso das vítimas que não se enquadravam no alvo principal do assassino.

Nesta data homenageamos as vítimas, os que tiveram suas vidas ceifadas, os que ficaram vivos, mas com sequelas e traumas, foram 22 feridos no total, e nos solidarizamos com todas as famílias.  Que esse horror não volte a se repetir, que Realengos e Suzanos (*sim, não podemos esquecer, também*)

Milena dos Santos Nascimento, 14 anos
Larissa Silva Martins, 13 anos
Géssica Guedes Pereira, 15 anos
Bianca Rocha Tavares, 13 anos
Ana Carolina Pacheco da Silva, 13 anos
Mariana Rocha de Souza, 12 anos
Samira Pires Ribeiro, 13 anos
Larissa dos Santos Atanásio, 13 anos
Karine Chagas Oliveira, 14 anos
Luísa Paula da Silveira, 14 anos
Rafael Pereira da Silva, 14 anos
Igor Moraes da Silva, 13 anos

Campanha governamental no Japão para atrair novos professores acaba tendo efeitos inesperados

Uma das lendas associadas ao Japão e que encanta os apaixonados pelo país e alguns detratores da educação brasileira é que os professores nipônicos são muito bem tratados e respeitados.  Há até a fake news de o imperador do Japão só se curvaria a um único tipo de pessoa, o/a professor/a.  Lindo!  Veio até uma lágrima no cantinho dos olhos.  Lendo matérias de sites japoneses, e estou comentando a partir do Sora News (*E do Japan Today*), a gente observa que os problemas enfrentados pelos colegas de lá são parecidos com os nossos no quesito remuneração e quanto mais elementar é a escola, mais a coisa se acentua.  Professores japoneses também são submetidos a um grau de exploração que, à despeito dos abusos que sofremos aqui, extrapola nossos piores pesadelos.  Dentro da OCDE, os professores japoneses são os que trabalham mais horas semanais com os piores salários proporcionalmente.

Enfim, vamos para a notícia!  O ministro da Educação japonês decidiu bancar uma campanha no Twitter chamada #passthebaton, passe o bastão, e começo por não entender o sentido, porque se alguém falar para mim, que tenho quase trinta anos de sala de aula para "passar o bastão", eu entenderia que a ideia é me aposentar (*coisa que não posso fazer ainda e nem sei se poderei um dia*) e deixar um jovem ocupar meu lugar. Mas a ideia parece ser transmitir experiências que estimulassem os mais jovens a seguirem a carreira de professor.  “Projeto #passthebaton, comece! Estamos iniciando este novo projeto convocando todos os professores em todo o país para postar conselhos e mensagens para os professores que estão entrando! Por meio dessas postagens, os professores atuais podem #passthebaton para jovens que desejam se tornar professores. Com certeza, siga-nos e veja o que os professores têm a dizer!”

Campanha no Twitter... Tem tudo para dar certo, não é mesmo?  Segundo o SN, alguns professores deram conselhos e estímulo para os jovens que estavam iniciando na carreira, inclusive sobre como cuidar da sua saúde física e mental, mas o que mais apareceu foram relatos de abuso e exploração.  Segue alguns dos relatos que o site recolheu:

“Eu realmente quero apoiar este projeto, mas é muito difícil quando vou trabalhar aos sábados para a supervisão obrigatória das atividades do clube enquanto os escritórios do governo local estão fechados durante o dia ...”

“Acabei de voltar do trabalho. Estou à beira do karoshi. Boa noite a todos." [nota: Karoshi é o fenômeno de morrer por excesso de trabalho.]

“Eu dei à luz e fiz uma pausa no meio do ano letivo. Mesmo estando tão feliz, recebia excessivamente ligações do diretor da minha escola sobre como estava incomodando a todos. Eles nunca me parabenizaram pelo meu filho recém-nascido. Para meu bebê, obrigado por você estar aqui. Graças a você mamãe pode descansar agora. ”

“Sou professora há 38 anos. Amanhã, vou me aposentar. Quando eu era jovem, trabalhava de manhã à noite e até aos sábados. Achei que meus dias estavam sendo preenchida. Mas agora que penso sobre isso, sinto que perdi muitas coisas no processo. ”

Citando o SN, "Mal pago, subestimado e sem o suporte necessário - os educadores no Japão fazem malabarismos entre ensinar, planejar aulas, supervisionar as atividades extracurriculares do clube e, às vezes, deveres administrativos ridículos.".  No mesmo post do Twitter, o Ministério prometeu dar mais atenção às necessidades dos professores (*Há!*), mas acrescenta que não é como se o governo estivesse se posicionando oficialmente.  O SN comenta, também, que a obrigatoriedade dos professores supervisionarem as atividades dos clubes foi abolida, mas somente para 2023 em diante. 😁  Achei um relato de uma professora estrangeira no Japão.  Legendas em inglês, vale a pena assistir: