terça-feira, 27 de março de 2018

Comentando Lady Oscar, o Filme (1979)


Como me perguntaram se eu conhecia o filme live action da Rosa de Versalhes  (ベルサイユのばら) e eu respondi que, sim, que tinha, inclusive, feito uma resenha sobre ele, fui desencavar o tal texto que estava no meu primeiro (*e saudoso site*), o Shoujo House.  Tenho tudo arquivado no HD.  Pois bem, era um texto de 2004 e eu tenho quase certeza que assisti ao filme dublado em italiano.  Olhando o texto, vi que era coisa bem pobre e atropelada, mas algumas das minhas impressões não mudaram, assistir outra vez só me fez confirmar a impressão inicial.  Para quem tiver curiosidade, segue, na íntegra, o texto de 14 anos atrás:
MacColl era garota propaganda dos cosméticos da Shiseido.
“Falar que o filme é fraco, não seria mentira, mas dizer que é absolutamente ruim seria exagero. Complicado? Não é, não. Filmado na França, com equipe de produção toda européia e falado em inglês por exigência da produtora japonesa, Lady Oscar (nome que foi usado na veiculação) não consegue captar a grandeza do mangá, nem tampouco ter a força dramática do anime. Mesmo com um diretor consagrado e a música de Michel Legrand, o filme amargou um grande fracasso.

Para começar, a escolha dos atores e atrizes é muito questionável, muitos não tinham o tipo físico necessário, vide, por exemplo, a protagonista, Catriona MacColl, que é muito bonita, até boa atriz, mas não tem altura e porte para ser Oscar.  DVD italiano Mas constrangedor ainda é Maria Antonieta que ao invés de parecer fútil tem um ar vulgar que contrasta com a personagem criada por Ikeda. Aliás, parece que a direção oscilou sem se definir entre seguir a obra original e ter alguma fidelidade histórica. Bola fora, claro, pois se a reconstituição de época ficou muito boa (cenários, figurinos, comportamento de Luís XVI, principalmente), ser historicamente preciso tornaria absurda a presença de Oscar. E isso efetivamente acontece, já que a protagonista parece mais observar a ação do que participar dela. Além disso, o tempo de um longa-metragem normal não conseguiria contar bem a história criada por Ikeda, a não ser que houvesse um mágico responsável pelo roteiro.

Algumas mudanças foram lamentáveis, também. Por exemplo, Rosalie - que também tem um arzinho vulgar - não convive com Oscar e André, Alain não existe, Girodelle que no mangá é galante e cavalheiresco é mostrado como um devasso repulsivo, Oscar aparece criança dormindo com uma boneca, a noite de amor de André e Oscar é em um estábulo (!). Os atores que fazem Rohan, Jeanne e Luís XVI se saem muito bem, e quando não se afasta muito da obra de Ikeda o filme é até aceitável, embora seja um produto para fãs e não mais do que isso.

O filme, como todo o material de Lady Oscar, foi lançado na Itália e foi exatamente uma versão dublada em italiano que eu, que imaginava que nunca veria esse live action, consegui para assistir. Como eu disse, coisa de fã, que quer ter tudo do seu seriado favorito em suas mãos (falta algum vídeo do Takarazuka). Bem, se você ficou curioso, corra atrás do filme, afinal existem coisas muito piores no mercado e a gente assiste, mas esteja avisado, o final é a coisa mais insossa do mundo e absolutamente diferente do anime e do mangá. Se você é fã da Rosa de Versalhes e quiser sugerir um elenco e diretor para um possível remake, mande um e-mail para mim. Se muita gente escrever, eu prometo colocar os resultados aqui na página. ^_^”


Infância feliz.
O filme foi filmado originalmente em inglês e contava com atores e atrizes de várias nacionalidades, já o diretor é o famoso Jacques Demy.  Ele dirigiu Catherine Deneuve em Os Guarda-Chuvas do Amor (The Umbrellas of Cherbourg) e dirigiu um musical que virou cult, Duas Garotas Românticas (The Young Girls of Rochefort).  Além disso, meu conto de fadas favorito no cinema, Pele de Asno (Peau d'Âne), foi dirigido por ele.  Lembro que quando descobri que ele era o diretor de Lady Oscar, nome escolhido para divulgação internacional do filme, até me espantei. 

Falando em "Lady Oscar" desconfio que esse título foi inventado aqui.  Em um determinado momento do filme, Fersen chama Oscar desse jeito e segue tratando-a como Lady Oscar.  O filme foi lançado em 3 de março e precedeu em vários meses o anime, que começou a ser exibido em 10 de outubro de 1979.  Acredito que algumas ideias do filme, cuja produção foi acompanhada de perto por Riyoko Ikeda, foram aproveitadas no anime, que era do mesmo produtor, Mataichiro Yamamoto.  Infelizmente, as idéias aproveitadas não foram as melhores.
André não se conforma com a separação
de Oscar, nem com as barreiras de classe.
Reassistindo ao material, um filme longo com mais de duas horas, qual foi a minha impressão?  Eu manteria a frase inicial “Falar que o filme é fraco, não seria mentira, mas dizer que é absolutamente ruim seria exagero.”, mas acrescentaria que o filme talvez tenha um dos piores finais que eu já vi materializado em tela.  Oscar e André participando da Tomada da Bastilha, não como no mangá, ou  no anime, que difere muito pouco do original, como soldados, mas no meio da multidão, sem armas aparentemente.  No empurra-empurra, eles se perdem um do outro, André procura a amada, ela só faz gritar “André!  André!” com sua voz doce.  

Eles não se encontram, André toma um balaço nas costas.  E Catriona MacColl, a atriz que interpreta Oscar, com cara de coitada, assustada, vagando pelas ruas, empurrada pela multidão.  O filme termina com a festa em Paris e a voz chorosa de Oscar ao fundo.  Uma atrocidade reduzir a heroína a esse farrapo de pessoa.  E aviso que isso aí não é o final do mangá que a JBC vai publicar em nosso país, acredite em mim, mas é o final mais brochante do qual me recordo, já que é agravado pelo fato de eu amar as personagens.  Mas falemos do filme como um todo.
O pai se orgulha de Oscar e fica
feliz quando ela duela com um sujeito.
Lady Oscar começa, tal e qual o mangá, com o nascimento de Oscar em 1755.  O bebê chora alto, o General de Jarjayes (Mark Kingston) supõe que é um menino, o seu tão esperado herdeiro.  Nanny (Constance Chapman) esclarece que se trata de mais uma menina e que a esposa do general morreu.  O sujeito não dá a mínima para a morte da esposa e meio que surta dizendo que finalmente teve um filho, batizando a criança de Oscar François de Jarjayes.  O general manda que Nanny traga seu neto, André, para ser o companheiro de jogos de seu filho.

Primeiro salto, 1767, é anunciado o noivado de Maria Antonieta e do Delfim.  O pai de Oscar anuncia para a filha, que ele chama de filho, que, um dia, ela será comandante da guarda da rainha.  Oscar parece feliz, mas segue com André para o estábulo, atira a espada para um lado e pega uma boneca que está escondida.  Deita-se abraçada com a boneca e com André ao seu lado.  Patsy Kensit, a menininha que faz Oscar, é uma gracinha.  Enfim, este tal estábulo tem uma função na narrativa, porque é nele que Oscar se despe da personagem que o pai lhe impôs.  Sim, neste filme, bem mais que no anime, Oscar arrasta o peso de ter que ser homem, só que com um agravante, André repete para ela mais de uma vez que ela nunca conseguirá.  
Antonieta considera Oscar uma amiga.
A partir daí, temos Oscar como capitão da guarda da rainha e gozando de certa intimidade com Maria Antonieta (Christine Böhm).  Só que sua presença é muito mais a de testemunha quase silenciosa das maquinações da monarca, suas futilidades e mesmo atos levianos.  Ela não consegue evitar nada.  Oscar se apaixona pelo Conde Fersen (Jonas Bergström), que a vê como uma amiga.  Com a ida para o palácio, termina se afastando de André (Barry Stokes), que reage mal à situação e começa a manifestar um pensamento político radical, recusando-se a se submeter às velhas hierarquias e aceitar que nunca terá Oscar.  Com o passar dos anos, a crise política e econômica se agrava, fazendo com que Oscar tenha que escolher entre a Revolução, ou André, e suas fidelidades de classe.

Comecemos pelo André do filme, que é interpretado de forma bem irregular por Barry Stokes.  Esqueça o André doce e abnegado do mangá, ou mesmo do anime, no filme, ele é um sujeito cabeça quente, que responde na lata, ciumento e que incorpora um modelo de masculinidade intimidador.  Esta última palavra cabe, porque Catriona MacColl não tem porte para ser Oscar, ela chega a ser mais baixa que várias das mulheres em cena.  Ela era o rosto das campanhas da Shiseido, uma mega fabricante de cosméticos, que foi uma das patrocinadoras do filme.  
Fersen demora um monte de tempo
para descobrir que Oscar é uma mulher.
MacColl não engana como homem e, neste filme, praticamente todos tratam Oscar como ele.  Da mesma forma que no anime – e acredito que a série de TV bebeu muito no filme, no que o filme teve de pior, aliás – Fersen parece ser o único que não sabe que Oscar é uma mulher.  Como MacColl, sequer esconde os seios, é cheia de curvas, a cena da descoberta acaba tendo caráter involuntariamente cômico.

Voltando ao André, ele tem uma autoestima impressionante.  E uma das suas falas é memorável.  Ele agarra Oscar e a beija.  Não é igual ao mangá, tampouco o anime, não é uma tentativa de estupro (*salvo se você enquadrar beijo como estupro*), ele não está bêbado, só está muito enciumado e achando Oscar linda. É logo depois do baile que ela dança com Fersen.  Oscar o rejeita e ele diz que não lamenta por si, pelo que fez, lamenta por ela não ser capaz de entender o grande amor que está jogando fora.
O estábulo é o refúgio secreto dos dois.
Enfim, Oscar no filme parece arrastar o peso do mundo.  Precisa ser fiel ao pai e à Monarquia.  E, pior ainda que no anime, ela não tem consciência alguma do que acontece no mundo real.  Ela não sabe das mazelas do povo de Paris, do seu sofrimento.  Como Rosalie (Shelagh McLeod) interage mais com André, do que com Oscar, a protagonista não tem nem a pobre órfã para jogar sua miséria e a do povo na sua cara.  Rosalie, aliás, e eu hoje não usaria o termo vulgar que usei no texto de 2004, está em uma situação tão miserável que seria capaz de se prostituir mesmo.  Ela se oferece à Oscar, que declina, mas, André como uma forma de provocação, se oferece todo faceiro para fazer com que a protagonista fale com ele.  

De resto, a história é toda fragmentada, Rosalie não sabe que a Duquesa de Polignac (Sue Lloyd) é sua mãe de sangue, como no mangá e no anime, nem nada é dito.  Só sabe que deseja se vingar dela, porque a duquesa atropelou sua mãe com uma carruagem, provocando, assim, sua morte.  Já que falamos de Rosalie, é preciso falar de Jeanne (Anouska Hempel), a grande vilã da série.  No filme, o “Caso do Colar” é muito mal inserido e eu só consigo ter pena do Cardeal Rohan (Gregory Floy), que foi levado a achar que a rainha Maria Antonieta o queria por amante... Enfim, Rohan é sensato e avisa que fazer um julgamento público seria péssimo para a monarquia, mas Luís XVI (Terence Budd) prefere ouvir sua esposa.
A Maria Antonieta mais fútil que eu já vi em tela.
Em relação às minhas impressões originais, mudei de ideia sobre algumas coisas.  Terence Budd é um Luís XVI inexpressivo.  Em nenhum momento se explica a sua personalidade, sua relação (*ou falta de relação*) com a Rainha.  Suas cenas são poucas e desconexas.  Antonieta fala da operação que ele deve fazer para consumar o casamento (*fimose*), mas nada foi tratado sobre as dificuldades do rei antes.  Já Maria Antonieta, bem, Christine Böhm, que é austríaca e interpretou a rainha duas vezes, é muito boa.  E não é vulgar.  Retiro a palavra novamente.  Agora, é o retrato mais injusto de Antonieta que vi em um filme.  Ela é insensível às necessidades do povo, egoísta.  Não parece em nada com a Antonieta de Ikeda, que tinha contradições, mas que era uma personagem simpática boa parte do tempo.  

A Antonieta desse Lady Oscar parece a caricatura da rainha fútil que muitos professores teimam de empurrar nas suas aulas de Revolução Francesa.  Poderia até dizer que são os franceses tentando limpar a barra de seu rei, mas não chegaria a tanto, porque Luís XVI faz quase nada nesse filme.  Já a relação com Fersen – que é um ator sueco – é sem culpa e começa antes do rei consumar seu casamento.  Só que não temos o encontro no baile, Antonieta e Oscar vêem o sueco da janela em meio a exercícios militares.  Ambas terminam se apaixonando.
Romance exibido para o mundo inteiro.
No filme, a Rainha tem desejos, Fersen está disponível e ao alcance de sua mão.  Nada do sofrimento, das recusas, dos lamentos do mangá e do anime.  Antonieta se joga e vira alvo de escárnio.  Não é calúnia, ou difamação, é verdade.  E há uma cena lamentável com Antonieta dando escândalo quando Oscar lhe comunica que Fersen foi lutar na Revolução Americana.  É como se a Antonieta dos panfletos difamatórios fosse, de fato, a rainha, sem crítica, sem meio termo.  Já no final do filme, em suas últimas cenas, Fersen, que observa o movimento político, quer que a rainha fuja com ele (*isso não está no mangá, nem é história, por assim dizer*) e ela recusa.  Quem ousaria tocar na rainha?

Agora, uma das coisas mais divertidas do filme é Gerodell (Martin Potter).  Não fica muito claro por qual motivo o pai de Oscar cisma de casá-la.  Parece que o velho já estava variando e comunica à filha que ela precisa se casar.  Gerodell tem umas ceninhas ao longo do filme inteiro, sempre ou manjando Oscar, ou metido em alguma atividade moralmente condenável (*como querer prostituir Rosalie*).  O sujeito é cheio das más intenções e acaba sendo divertido.  Leva as ofensas de Oscar na esportiva e vê tudo como parte de um jogo sexual excitante.  
Girodelle pervertido é a melhor coisa desse filme.
Para se ter uma ideia, ele propõe transformar André em uma espécie de brinquedo sexual depois do casamento (*André queria arrancar os olhos dele, acredito...*); pergunta se pode chamar o futuro sogro de “papai” e o velho general diz que “sir” é o tratamento que ele espera e que Oscar o trata assim; mais adiante, fica excitado quando Oscar aparece no baile vestida de homem e quer saber se ela gosta das obras do Marquês de Sabe.  Por fim, quando Oscar se revolta (*André tinha saído de casa por conta do tal casamento*) e diz que prefere casar com o cachorro, bem, ele acha que daria um “espetáculo interessante”.  É um Girodell, que só usa luva em uma das mãos e preta, proibido para menores. Não é o Gerodell original, mas é um achado.

Falando no baile, ele se parece com o do mangá.  Oscar chega vestida como homem, flertando com todas as mulheres, beija uma delas (*sim, tem beijo lésbico no filme*) e irrita o pai.  Já Gerodell, é o que eu descrevi acima.  Só faltou a plaquinha do Oscar Club, mas isso não poderia rolar mesmo.  No filme, há nudez, algo que eu tinha deletado da minha mente.  Como há toda essa narrativa de mulher obrigada a agir contra sua natureza, depois da cena da briga do bar, com Oscar chegando quebrada em casa com a ajuda de André e de Fersen (*a cena é diferente no mangá*), da descoberta do conde, enfim, a moça se olha no espelho e tira a camisa.  André está olhando pela fresta da porta. Achei que ia ficar nisso, só que, mais tarde, voltamos a cena para Oscar e a atriz está desfilando pelo quarto sem camisa.  Assim, foi inesperado, eu diria.
Oscar toca terror no baile de noivado,
mas Girodelle acha tudo muito excitante.
Agora, uma cena que eu realmente detestei, foi quando Oscar enfrenta o pai e eles duelam (!!!).  Como assim?  A cena começa parecida com o mangá e, até certo ponto, com o anime.  Oscar está questionando sua fidelidade ao rei.  O pai ameaça matá-la, bate nela.  Só que Oscar bate de volta e, bem, é algo meio que inimaginável.  Depois, eles terminam duelando e Oscar perde.  André vem em seu salvamento.  De qualquer forma, é o tipo de atitude desrespeitosa que não consigo imaginar como adequada.  Há uma cena do mangá que eu gosto muito, em que Oscar enfrenta o pai.  Ela está lendo os iluministas, o pai a repreende, ela diz que comprou os livros com seu dinheiro e irá continuar sua leitura.  É a partir daí que o pai começa a questionar a forma como a criou.  Mas entre me deixe em paz com meus livros e dar um tapa na cara do pai, há um oceano.

O filme cumpre a Bechdel Rule?  Sem dúvida.  O filme é feminista?  Não.  As mulheres do filme são cheias de defeitos e contradições.  Oscar não é empoderada como no mangá e nem capaz de enganar que é, como no anime.  Ela é salva por André repetidamente, tutelada por ele e termina aceitando seu lugar, ainda que não saibamos se uma Oscar iria conseguir se ajustar ao ideal de feminilidade exigido.  Antonieta, a segunda personagem mais importante, é a caricatura da futilidade dita feminina.  Só faltou colocarem a coitada falando “se não tem pão, que comam brioches”.  Já uma das mulheres mais importantes da vida de Oscar no mangá, a mãe, é morta por trás das cenas.  Sequer a vemos.  Rosalie, Polignac, Jeanne, pouco impacto tem na história.
Oscar usa um vestido para dançar com Fersen
e André fica para morrer de ciúmes.
No filme, e em 2004 eu não tinha noção, é mais fácil associar, no início, pelo menos, a figura de Oscar a da Rainha Christina da Suécia, fonte de inspiração da mangá-ka.  Ela, também, “enganou” a todos com seu choro forte e foi criada como homem.  Mas Christina – e a do filme que resenhei em particular – era muito mais impressionante do que esta Oscar do cinema, que parece sempre na defensiva, ou assustada, e muito  mais parecida, talvez, com a original de Ikeda.  Ah, sim!  Oscar coloca um vestido e vira uma dama perfeita.  É a natureza, vocês sabem!  Esta parte, fora o ciúme excessivo de André, está no anime, mas, não, no mangá.

Falando da caracterização da época.  A gente vê que é um filme caro.  Houve um investimento considerável e as locações foram escolhidas à dedo, inclusive o próprio Palácio de Versalhes.  Só que quando pensamos em figurino e cabelos, o filme fica naquele meio termo entre o mangá e a época.  Enfim, algumas roupas parecem boas, mas, no geral, não há grande fidelidade.  O pessoal do Frock Flicks gongou Lady Oscar.  Claro, eu dou um desconto para a dureza da análise delas, mas, não, para a desatenção de escrever que a maioria das personagens pensava que Oscar era um home.  O único enganado que realmente faz diferença no filme é Fersen e, mesmo assim, não dura muito.  Enfim, mas elas são especialistas em história da moda, mas não conhecem nada da Rosa de Versalhes.  Agora, eu também fiquei chocada quando o filme fala que estão todos de luto pela morte do Delfim, o filho mais velho de Luís XVI e Antonieta, e ninguém está de preto... 
A noite de amor dos dois é no estábulo.
Terminando, o filme Lady Oscar representou um investimento muito grande da Shiseido e outras empresas japonesas, lançado em 3 de março de 1979, foi rejeitado no Japão, assim como o anime.  As divergências com o mangá, para mim, explicam tudo.  E vejam que A Rosa de Versalhes do Takarazuka foi sucesso desde a primeira adaptação em 1974.  O problema é como a obra é transportada para outras mídias e o respeito à personagem original, no caso a protagonista forte que representava muitas das lutas e desejos das mulheres japonesas de sua geração.  

Agora, o filme foi a primeira adaptação internacional de um mangá.  Recebeu permissão especial do governo francês para filmar em Versalhes.  Foi todo feito com autorização de Riyoko Ikeda, ela chegou a dar palpites na escolha do elenco, ainda que sua escolha para Oscar não tenha sido acatada, e contou com um diretor de renome e música de Michel Legrand. O que deu errado?  Muita coisa mesmo.  Talvez, a incompreensão do que era mangá, de que se tratava não de uma obra histórica “de verdade”, mas de uma fantasia.  Se o filme fosse feito depois do anime ter sido exibido na Europa, talvez o resultado fosse outro.  Nunca li Ikeda criticando o filme.  Imagino que, ou ela gostou, ou aceitou a culpa de ter ajudado a produzir esta obra.  
A atriz como Maria Antonieta em Waffen für Amerika.
Uma nota final, a atriz que fez Antonieta, Christine Böhm, morreu pouco depois de fazer este filme, em um acidente de carro, com míseros 25 anos.  Nesta foto estava muito mais bonita e com uma aparência mais refinada, se bem que só tenho uma imagem do filme austríaco no qual ela faz Antonieta.


GOSTOU?

0 pessoas comentaram:

Related Posts with Thumbnails