quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Dividindo coisas boas



Não sei se já tinha comentado aqui no blog, mas eu tenho fobia de dirigir. Já tive outras fobias que foram superadas, por exemplo, eu morria de medo de voar, hoje acho uma coisa deliciosa. Mas o medo de dirigir, o terror que se apossava de mim quando eu sentava no volante, é algo difícil de descrever. Na pior fase, entre dezembro do ano passado e maio deste ano, bastava que eu pensasse em carro ou dirigir que começava a chorar. Coisa tão incapacitante que precisei de ajuda especializada. A primeira auto-escola para licenciados que procurei era uma enganação e aprofundou o meu problema. Foi graças ao instrutor de lá que comecei a chorar só de pensar no carro. Quando a dona da auto-escola sugeria que ele saísse comigo no meu carro, ele virava depois para mim e dizia "Mas eu não me responsabilizo!". Claro que, não! Eu era a dona do carro e da carteira! Como professora, hoje, depois de passar por sessões de análise e coisa e tal, acredito que esse rapaz não estivesse na profissão correta, mas, na época, achei que a culpa era minha. Este ano, procurei outra auto-escola, a Dirigindo Bem, lá as coisas são muito diferentes. Não estou curada ainda, no entanto, sinto que estou perto disso. E, sabem de uma coisa? A sensação é muito boa.

Eu nunca passei por nenhum trauma relacionado com carros, nada que eu me lembre, pelo menos... Nada que jutificasse tanto desespero. Pois bem, sem mais delongas, queria dividir com vocês minha pequena vitória. Semana passada, já tinha dirigido daqui da minha casa até o shopping que fica uns cinco minutos de distância de carro. Fazer isso sozinha, foi realmente libertador, por assim dizer, mas era só o começo. Precisava dirigir até o trabalho, pelo menos o mais fácil deles, o Colégio Militar. Hoje, como precisava estar lá às sete horas, consegui finalmente ir e voltar. Não foi fácil, porque meus fantasmas estavam todos aqui dentro de mim, prontos para me fazer desistir. Mas eu fui e voltei e não fiz bobagem alguma. Nada de ruim aconteceu. E agradeço muito a todos que torceram, oraram e torcem por mim.

E é preciso deixar claro que não sou devota do deus carro. Não mesmo! Mas qualquer pessoa que more em Brasília sabe como o nosso sistema de transporte é infeliz, mal planejado. Fora o cartel de empresas de ônibus e combustíveis que obstruí a construção do VLT, a expansão do metrô dentro do plano piloto, e tantas outras coisas que tornariam a vida de milhares de pessoas menos miserável. Se eu ainda morasse no Rio ou São Paulo, poderia continuar pedestre e relativamente feliz. Aqui, em Brasília, além de tortura, era algo que me incapacitava muito. Espero estar no começo do fim do processo. O custo do tratamento é alto, tive que comprar um carro próprio e tenho contas decorrentes disso. Penso em pessoas com essa ou outras fobias e sem condições de tratamento digno. É isso! Obrigada pelo apoio! O carro da foto não é o meu, mas o que eu tenho é igual a esse.

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10 pessoas comentaram:

Valéria, vc e a sua história servem de inspiração para tantos outros. Eu aqui lendo sua história me comovi.. Sei como é ter pavor de alguma coisa, e a sua força para lidar com isso me deixou embasbacado. Embora vc n me conheça, saiba que tem um leitor assíduo bastante impressionado com vc e sua força, e que torce muito para que consiga superar ainda mais seus medos e fobias. Estou simplesmente EXTREMAMENTE orgulhoso. Obrigado por compartilhar sua história.

Parabéns.
O LucasCamargo falou tudo ai em cima, então só me resta te desejar boa sorte e sucesso.

Valéria, querida, fico muito feliz em saber que está vencendo seu medo de guiar! É algo difícil de lidar, a estrada é tortuosa mas você conseguirá vencer no final! Boa sorte na sua batalha!! Fico na torcida e feliz por vê-la otimista e vencendo pouco a pouco!

Oi Valéria,

Primeiramente parabéns por sua perseverança, se permitindo em pequennos passos ter grandes resultados. Achei muito legal vc dividir este seu momento aqui no blog.
Beijos!

Valéria, parabéns pela sua conquista. Fico feliz de ver que você encarou seu medo, e está aprendendo a lidar com ele.
Parabéns mesmo e continue assim, no seu ritmo, com o apoio especializado e com esse apoio moral daqui na net.

Parabéns, fico muito feliz por vc! ^__^

Mas isso de que se morasse em SP poderia ses uma pedestre feliz, depende muito de onde vc morasse. Se morasse no cuzinho da cidade igual eu moro, não ia ser nada feliz sem carro, te garanto!
Eu mesma quando trabalhava na Vila Madalena, tinha que sair de casa 2 horas antes do meu horário de entrada e na volta, em dias de muito trânsito demorava até 3 horas pra chegar! Teve vezes de eu sair 18:30 do serviço e chegar em casa mais de 22:00! Ou seja, não sou uma pedestre feliz aqui onde moro! >__<

Eu tirei carta em 2001. Mas aquela coisa, 1 e 2 marchas apenas e nenhuma outra instrução. E, apesar de cidade pequena, hoje o transito aqui é tão horroroso que chega a superar cidades grandes, como Campinas. Necessitava, para perder o medo, que algum irmão tivesse misericordia e me acompanhasse, pois meu medo era que eu fizesse alguma bobagem. Diziam que eu estava preparada, mas eu não sentia isso. Pouco depois de habilitada fui a um hipermercado com minha mãe. Enquanto procurava uma vaga, uma senhora tosca saiu e bateu no nosso carro na parte da porta de tras, eu fiquei tão abalada que só fui pegar o carro mais de 2 anos depois, por insistencia de um irmão. Mas apesar de não ter esquecido nada, ainda não tinha confiança. Só fui dirigir pra valer quando meu pai, com cancer em estagio, estava internado no hospital. E eu queria ve-lo todos os dias, mas não havia onibus pra lá e nem os irmãos podiam me levar. O carro era dele, e estava com problemas na valvula e no painel. Morria e eu até precisei chamar alguém pra me ajudar a dar partida quando sai de lá de noite....meu pai, debilitado queria me ajudar e saiu do quarto, mas foi barrado na porta, que judiação....dai o rapaz da portaria o ligou pra mim. Meu pai veio a falecer infelizmente...e eu continuei a dirigir...pra levar minha mãe aos lugares, para que pudessemos desanuviar um pouco a tristeza. Era ele quem me levava pra trabalhar, ela gostava de dirigir e era muito bom. Xingava todo muito, rere...mas ainda hoje, apesar de ir pra todo lado com o carro, preferia que fosse ele nesse papel, aqui com a gente. Hoje ele poderia ter o luxo de um carro novo em vez daquele usado... Bom, mas espero que você também consiga ir longe com seu Uno^^

Muito obrigada pelos comentários. Na verdade, acho que contar que tenho esse problema pode ajudar outras pessoas que estejam sofrendo, também. Hoje, fui de novo dirigindo para o trabalho, curiosamente, a tensão que não senti ontem, senti hoje. Foi difícil, fiquei nervosa por nada, cometi alguns erros, e a tensão se converteu em dor... Minhas costas estão doendo até agora, mesmo tendo tomado analgésico.

Mas se eu deixar, não consigo. Na volta, foi mais calmo, mas eu acabei raspando o carro na pilastra... Isso me aborrece, é segunda marca que faço no carro em um mês... :( Terei que mandar fazer pequenos reparos em breve, eu acredito.

Queria conseguir ir dirigindo para o trabalho à noite, só que depois da experiência da manhã, acho que não vou arriscar ainda. É um pouco frustrante, muito, aliás, mas é preciso ter bom senso... Hoje, definitivamente, não é um bom dia...

Roberta, muito obrigada por dividir sua experiência conosco... Obrigada, mesmo.

E obrigada a todos... Obrigada pelo carinho mesmo.

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