domingo, 7 de abril de 2013

Lembremos do Massacre de Realengo


Hoje, faz dois anos do Massacre na Escola de Realengo (7 de abril de 2011). Até hoje, não se ousa dar o nome certo ao que aconteceu, FEMINICÍDIO.  O assassino mirou nas meninas, queria matar mulheres.  Para alguns misóginos, ao escrever isso nego a dor dos meninos que também foram feridos.  Não, só estou marcando uma realidade.  Há indivíduos que odeiam mulheres e buscam todas as formas de humilhá-las e mesmo exterminá-las.  Caso como o de Realengo não é único, nem exceção.  Falei sobre isso em meu primeiro texto sobre a tragédia.

Infelizmente, continua a complacência com esses fóruns de internet que eram freqüentados pelo assassino. Os que alimentaram o monstro, a maioria deles pelo menos, continua solta. A prisão de dois sujeitos que planejavam um massacre na UnB e eram administradores de um famoso site de ódio (*além de figuras presentes em fóruns e no Facebook*) não resolve o problema, ainda que possa intimidar alguns desses seres doentios.  Se nada de concreto for feito, se não houver mobilização, educação para a diversidade, tenham certeza que outros Realengos virão e, talvez, usando o Facebook para alimentar o ódio. 

O bullying que o assassino sofreu, pode ter alimentado suas frustrações, seus ódios, mas não explica. Praticamente todos nós sofremos bullying na escola.  Não é um fenômeno novo.   Mas há outros ingredientes, hoje temos a possibilidade de vermos indivíduos com grandes problemas emocionais, de personalidade e mesmo de caráter se congregando, trocando idéias, alimentando seus ódios.  Parecem sujeitos normais, comuns, até tímidos nos meios que freqüentam, mas na internet trabalham para ajudar a produzir entre centenas, talvez, um capaz de perpetrar um Realengo.  Não é culpa da "falta de Deus" nas escolas, como o Deputado-Pastor Marco Feliciano escreveu na época, mas da falta de valores, de identificação com o próximo.  Não é preciso ser cristão para vivenciar tudo isso, ainda que um cristão tenha mais que o dever de proceder de forma reta.  No entanto, quantos desses assassinos em massa vieram de famílias religiosos?  Quantos, como o assassino de Realengo, invocaram a vontade divina para justificar seus crimes?  

Lembremos de Realengo e suas vítimas.  As que morreram, as que ficaram.  A menina atleta que perdeu o movimento das pernas. Os pais que perderam as filhas e filhos.  Os meninos e meninas, funcionários e funcionárias, professores e professoras traumatizados.  Há tempo de evitar novas tragédias e tudo pode começar com as atitudes que cada um de nós tem tomado.  Você pratica bullying?  Você é vítima que não pede ajuda ou reage?  Você é adulto - responsável ou educador - complacente com a violência sofrida pelas crianças e adolescentes?  Você estimula a misoginia na rede?  Basta rir das piadas... Você vê um site de ódio ou um fórum e não denuncia?  Sim, você pdoe estar alimentando um novo Realengo.

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2 pessoas comentaram:

Do jeito que as coisas andam, não vai demorar muito para aparecer mais um.
Mobilização social é uma das soluções, com a educação e a conscientização sendo feita no dia a dia, repreendendo aqueles comportamentos considerados pequenos e sem importância, mas tem que haver a movimentação dos setores políticos, jurídicos, ou seja, daqueles que demoram uma eternidade para sairem da inércia.

E a professora que morreu tentando proteger as crianças? Triste, tudo foi muito triste.

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