segunda-feira, 3 de junho de 2013

Editora Francesa de Mangás anuncia seu fechamento


Durante a minha viagem, uma das notícias tristes foi o fim da colaboração entre a Akata e a Delcourt.  Não sei se a Akata é uma editora associada, ou um selo (*Pedro, você  pode me ajudar aqui?*), mas, de qualquer forma, foi anunciado que ela encerra os trabalhos no final de 2013, depois de 12 anos de colaboração.  Não sei se é a primeira vez que algo assim acontece na França, mas é a primeira vez que eu vejo uma editora ou selo do país encerrando suas operações. 


O triste, para além do fechamento de uma editora, é que a Akata publicava muitos mangás shoujo e josei.  Alguns deles, ainda estão em andamento.  Kurage Hime (海月姫) e Switch Girl!! (スイッチガール!!), só para citar dois exemplos, são da Akata. (*Há uma lista das séries da Akata aqui*) Ao que parece, tirando pela notícia do Manga News, não se sabe o que será do futuro dos mangás da Akata.  A Delcourt é detentora da Tonkam e da Soleil, pode ser que as séries sejam transferidas, mas, enquanto não tivermos notícias, os fãs ficam angustiados e ansiosos.  De qualquer forma, é uma pena... 

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3 pessoas comentaram:

Eu suei frio quando vi essa notícia. hahaha

Como Kuragehime sai com o nome da Delcourt, e o volume 9 já está em pré-venda na Amazon FR, acho que dá para ficar um pouco mais sossegada. Ao menos por enquanto.

Agora, é bem incomum mesmo ver uma editora francesa fechando. Espero muito que não seja algum sintoma do mercado.

A Ankama também andou fechando seus títulos de mangá, mas eles tem seus mangás da casa, como Dofus (que é uma coisinha tosca, mas vende bem). O que eu acho é que isso é um efeito tardio da otakização do mercado japonês, que só agora está dando sinais de que vai começar a se reverter. Sem material de perfil mais popular ganhando anime por muito tempo, e quando falo de material mais popular falo exibível em tv aberta (algo que ainda tem peso, embora diminua a cada dia), temos menos material exportável para difundir não as séries, mas os animes em si. Porque embora isso nem tenha mais tanto peso na audiência, interfere bastante em licenciamentos – e a França licencia produtos baseados em mangás e animes mais do que qualquer outro país do ocidente, pode verificar. É um mercado muito poderoso, o segundo maior do mundo.

Além disso eu estou sentindo que o crescimento do conceito de manga album tem dado muito certo por lá – afinal os franceses tem sua própria cultura de quadrinhos. E com isso, se criou algo híbrido, desenhistas de mangá fazendo álbuns ao estilo europeu, com uma versão da mesma narrativa dos mangás mais compressa – com direito a alguns japoneses se mandando de mala e cuia para lá (pense bem, o que é preferível? Fazer dois ou três álbuns de 48 páginas por ano, com direito a um adiantamento que bem gerenciado te permite sobreviver durante a produção, e sendo dono dos seus personagens salvo em franquias específicas, ou fazer mais de 950 páginas no mesmo período mais ilustrações em um ritmo insano aonde você dorme três horas por dia? Claro, não tem página corrida – se um desenhista pisar na bola nesse sentido, o editor manda de volta, mas a ideia é que a espera valorize o material).

O ponto é: não acredito mais que o anime de massa volte a ser como era antes no Japão, a menos que haja um novo crescimento econômico e uma reversão quanto às expectativas de natalidade. E o mangá vai sofrer com isso pelo resto do mundo, já que os animes são seus grandes embaixadores.

Desculpa Valéria, só vi essa notícia agora!

O que acabou foi a parceria entre a Delcourt e a Akata (que era uma empresa separada). A Delcourt vai continuar publicando os mangás dela e a Akata vai se tornar uma entidade independente. Acho que já até anunciou lançamentos próprios (material chinês por enquanto).

MAS já houve muitas falências e fechamentos de editoras de mangá na França no passado. O exemplo mais célebre foi a SEEBD, que era a principal editora de material coreano no Japão, mas tinha também muitos mangás, incluindo alguns conhecidos como Patlabor, Sanctuary, Crying Freeman, Old Boy e Excel Saga. Boa parte desse material ficou pela metade na França por conta disso...

Agora, na França é mais comum que os mangás sejam publicados pelas grandes editoras de quadrinhos mesmo (Dargaud, Glénat, Delcourt...), então as chances de falência são muito remotas, já que nenhuma dessas editoras depende dos mangás para sobreviver. Pode acontecer (e acontece muito) é de uma série que venda pouco ser cancelada pela metade...

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