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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Autora de Kageki Shoujo!! coloca o mangá em hiato por motivos de saúde

Foi comunicado no perfil do Twitter da autora de Kageki Shoujo!! (かげきしょうじょ!!), Kumiko Saiki, que o mangá ficará em hiato até o dia 28 de agosto.  O motivo seria a saúde da autora.  Não sei se está relacionado, mas em abril a autora havia sofrido um acidente e teve que parar o mangá.  Talvez a nova pausa ainda seja por causa do acidente sofrido lá atrás.  De qualquer forma, tomara que a autora fique bem.  O mangá está já na reta final e eu ainda tenho esperança de uma segunda temporada.  

domingo, 31 de maio de 2026

Editora histórica que publicava Mafalda na Argentina fecha suas portas

Ediciones de la Flor, responsável por publicar Mafalda na Argentina por cinco décadas, anunciou o seu fechamento.  A notícia foi dada durante a 50ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, realizada entre os dias 23 de abril e 11 de maio. Ainda que o anúncio não tenha sido feito oficialmente para a imprensa, a informação foi confirmada por Ana María “Kuki” Miller, diretora da editora, para a AFP.  Miller afirmou que o fechamento se deu por uma soma de fatores ligados às transformações do mercado editorial, desde os avanços tecnológicos até a crise econômica enfrentada pela Argentina. Segundo ela, a Ediciones de la Flor já não conseguia acompanhar as mudanças aceleradas do setor.

Ao jornal Página 12, Miller declarou que a editora funcionava ainda de maneira muito tradicional e  explicou que muitos funcionários permaneceram na empresa por décadas e que, nos últimos anos, precisou reduzir gradualmente a equipe. Para se adaptar às novas demandas de mercado, a Ediciones de la Flor teria que se reorganizar quase que do zero, o que não seria possível.  Segundo matéria do site Fora do Plástico, a situação se agravou em 2025, quando os herdeiros de Quino retiraram da editora a publicação de Mafalda alegando que a Ediciones de la Flor era muito limitada e não garantia uma boa distribuição de Mafalda.   E, citando a matéria do Fora do Plástico, "A mudança envolvendo a obra de Quino começou após a morte do cartunista, em 2020. Os direitos autorais ficaram inicialmente sob responsabilidade de sua sobrinha, Julieta Colombo, que trabalhou ao lado do autor durante mais de 30 anos. Com a morte dela, em 2023, cinco sobrinhos de Quino assumiram a administração legal da obra."

A Ediciones de la Flor teve papel importante na publicação de diversos quadrinistas argentinos, como Miguel Rep e Roberto Fontanarrosa. A editora também ajudou a introduzir no mercado argentino autores internacionais e latino-americanos, entre eles Ray Bradbury, Umberto Eco, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector.  É o fim de uma era, mas é algo típico do capitalismo.

terça-feira, 26 de maio de 2026

A revista literária Da Vinci, da editora Kadokawa, encerrará suas publicações após 32 anos

A editora Kadokawa anunciou na terça-feira que a revista literária Da Vinci deixará de ser publicada, sendo a edição de novembro a última a ser enviada em 6 de outubro.  O site irmão da revista, o Da Vinci Web, continuará funcionando e a Kadokawa planeja continuar publicando conteúdo e desenvolvendo o site.  Então, o que morre é a edição de papel.  A empresa observou que as mudanças drásticas no atual mercado editorial e a diversificação da forma como os leitores consomem notícias e informações foram fundamentais nessa tomada de decisão.

Todos os anos, em dezembro, a revista publica uma lista de "Livro do Ano", que inclui a seleção dos 30 melhores mangás do ano feita pela equipe editorial.  Imagino que a lista continuará a ser publicada no Da Vinco Web, ou, pelo menos, eu estou torcendo por isso.  A notícia estava no Comic Natalie.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Festival de Angoulême, o mais tradicional evento de quadrinhos do mundo, corre o risco de nao acontecer no ano que vem

O Festival de Angoulême, o maior festival de quadrinhos do mundo, foi criado em 1974 e, pela primeira vez, corre o risco de não acontecer.  Segundo o site Todo Alicante (*que pegou as informações do Le Monde, do Libération e de outros veículos de mídia franceses*), sindicatos e editoras de quadrinhos e mesmo ganhadores do grande prêmio do festival pedem um boicote ao renomado festival de quadrinhos devido à insatisfação com a gestão da empresa organizadora desde 2007.

"As editoras de quadrinhos (...) compreendem a posição dos sindicatos de autores, bem como o manifesto de 285 ilustradores e a mensagem dos vencedores do Grande Prêmio, de não participarem na edição de 2026. Perante este movimento significativo, as editoras acreditam que a próxima edição não poderá realizar-se", afirmou o comunicado do Sindicato Nacional dos Editores, a principal organização das empresas do setor.  Os principais jornais franceses estão apontando como quase certo o cancelamento da edição de 2026.  Seria a primeira vez desde a criação do evento.  Os organizadores negam o cancelamento e afirmam que tudo será resolvido.

Citando a matéria: "Apesar de ser realizado em uma pequena cidade distante de Paris, o Festival de Angoulême atrai mais de 200.000 visitantes anualmente e é o evento de quadrinhos mais importante da Europa. Seu cancelamento não seria apenas um duro golpe para a poderosa indústria francófona de quadrinhos, mas também para o prestígio da cultura francesa em geral. Contudo, essa possibilidade parece plausível, considerando o intenso impasse que se arrasta há meses entre ilustradores e organizadores. (...) 

A controvérsia começou em janeiro, durante a 51ª edição. Os quatro dias do festival de quadrinhos foram marcados pela polêmica desencadeada por uma reportagem do jornal 'L'Humanité'. O jornal revelou o caso de uma funcionária que foi violentada durante uma festa em Angoulême, em 2024, e que a empresa organizadora a demitiu após ela apresentar queixa. Na sequência da divulgação da má gestão deste caso de violência de gênero, surgiram outras críticas contra o grupo 9eArt+, responsável pela organização do festival desde 2007. O seu presidente, Franck Bondoux, tem sido criticado pela sua gestão pouco transparente, abordagem excessivamente hierárquica, falta de rigor no que diz respeito aos direitos laborais e falta de resposta aos pedidos dos ilustradores.

Devido à pressão de sindicatos e outros grupos de artistas de quadrinhos, tanto Bondoux quanto Delphine Groux, presidente da Associação do Festival, renunciaram. Os organizadores se comprometeram a realizar um concurso público em 2028, abrindo caminho para que outra empresa o organize. No entanto, essas medidas não convenceram totalmente os ilustradores. Eles acreditam que seja uma forma da 9eArt+ ganhar tempo, já que manifestou o desejo de obter a concessão novamente.".

Enfim, pelo que está na matéria, acredito que não haverá festival em 2026.  São muitos eixos da indústria de quadrinhos se articulando para pressionar a organização, que não parece disposta, pelo menos nesse momento, a recuar.  A empresa administradora do evento ganha muito dinheiro e, claro, quer continuar lucrando.  É esperar para ver como a coisa vai se resolver.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Diretor de No Other Land (Sem Chão) é linchado por multidão de colonos e preso por soldados israelenses na Cisjordânia

Um dos pontos altos do Oscar, e eu destaquei no meu post, foi o prêmio de melhor documentário em longa metragem para o filme No Other Land (Sem Chão), escrito e dirigido à quatro mãos por palestinos e israelenses.  Destaco parte do que escrevi no meu post do Oscar:

Agora, o momento mais importante da festa de longe foi o prêmio de melhor documentário para o candidato palestino Sem Chão (No Other Land).  Dirigido por um coletivo formado por dois palestinos e dois israelenses (Basel Adra, Hamdan Ballal, Yuval Abraham e Rachel Szor) e falando da violência contra os palestinos na Cisjordânia.  Basel Adra e Yuval Abraham foram os porta-vozes do grupo e fizeram discursos muito pertinentes.  Detalhe, o filme não tem distribuição nos Estados Unidos.  E vou destacar o que ficou para a história.(...) No momento em que estamos assistindo um genocídio em andamento em Gaza, destruição e mortes na Cisjordânia, e que o presidente dos Estados Unidos fala em transformar o território Palestino em um resort, esta vitória é importante.  Se a vitória de Ainda Estou Aqui é emocionante para o Brasil (*talvez, para o México, também, por motivos de Emília Pérez*), a de Sem Chão é mensagem para o mundo.

Muito bem, o jornal israelense Haaretz noticiou que Yuval Abraham, israelense e um dos co-diretores do filme, e ativistas denunciaram que Hamdan Ballal foi atacado por dezenas de colonos na Cisjordânia, linchado e, posteriormente, preso por soldados da IDF (*Forças de Defesa de Israel*).  Segundo os relatos, os colonos "(...) destruíram tanques de água, roubaram câmeras de segurança e quebraram janelas de carros. Quando os soldados chegaram, os colonos fugiram. Ativistas americanos no local chamaram a polícia, mas disseram que os policiais não intervieram."

A IDF diz que colonos foram atacados por terroristas armados com PEDRAS.  Já os ativistas dizem que Ballal foi retirado de dentro de uma ambulância e levado.  Tudo ocorreu, hoje pela manhã e ninguém teve mais notícias  dele.    Diante das denúncias, a IDF diz estar investigando o caso.  A vitória do filme no Oscar foi muito mal recebida, segundo o Haaretz, por setores da sociedade israelense que justificam a ocupação de terra dos palestinos na Cisjordânia e justificam as ações terroristas dos colonos.  Sim, são terroristas, alguns, antes desse governo israelense atual, chegaram a ser condenados por suas ações.  Hoje, esse pessoal é celebrado e faz parte do governo.

Acredito que ele será libertado, seria um escândalo muito grande deem sumiço nele, ou o manterem encarcerado.  No entanto, dada a situação que temos hoje, o apoio norte-americano que parece ser sem restrições, talvez, eu esteja sendo otimista.  O fato é que a carnificina precisa parar.  Estamos assistindo a um genocídio televisionado e com a conivência da maior potência do mundo.  Para os palestinos e qualquer pessoa de boa vontade, é aterrador.  Para quem não lê em inglês, recomendo o texto do G1.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Netflix informa que o próximo episódio de Watashi no Shiawase na Kekkon vai atrasar

A Netflix informou em seu perfil no Twitter que o próximo episódio de Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚), o décimo-segundo, irá atrasar.  Faltam dois episódios para o final da temporada, então, imagino que o último sofrerá atraso proporcional ao do episódio anterior.  Abaixo o comunicado da Netflix, depois, eu retorno:

Segue a tradução: "Lamentamos informar que o episódio 12 da 2ª temporada de My Happy Marriage foi adiado devido a atrasos na produção. Pedimos desculpas pelo atraso e anunciaremos a programação de streaming assim que for confirmada."

Fiquei surpresa, porque eu imaginava que quando a série estreou já estivesse toda fechada com antecedência, porque há a preocupação da Netflix em oferecer múltiplas legendas e dublagens.  Estava enganada, claro.  De qualquer forma, a qualidade técnica da animação foi alta  durante todos os episódios e espero que siga assim até o final.

Atualização: O atraso será de uma semana, segundo o ANN, irá ao ar no dia 31 de março.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Recomendações de vídeos comentando o caso Neil Gaiman

Não ou fã de Neil Gaiman, só li uma ou outra história de Sandman, não olhei a série, mas gosto da animação Coraline. Continuarei gostando, independentemente, dessa nojeira toda, não vou negar, mas não tenho nenhuma conexão emocional com o autor, não é a mesma coisa de saber que Marion Zimmer Bradley abusava de seus filhos junto com o marido.  Aquilo, sim, me chocou.  Aliás, homem poderoso abusando de mulheres fragilizadas é coisa que eu vejo na imprensa quase todo dia, o problema para muita gente é que Gaiman posava de aliado das causas progressistas, enquanto, aparentemente, seus atos eram detestáveis.  

Só para fazer uma cronologia da desgraça, as primeiras denúncias feitas por DUAS mulheres a Neil Gaiman vieram em julho do ano passado.  Elas foram veiculadas em um podcast feitos por feministas radicais (RADFEM), o Tortoise, e a coisa foi amplificada por JK Rowling.  Como ela e Gaiman têm conflitos, muita gente preferiu esperar para se pronunciar.  Veja, não é fazer pouco caso, mas trata-se de cuidado. Gaiman negou tudo e continua negando, o que não é surpresa, claro.


Rowling está acusando a comunidade literária de silêncio, quando, na verdade, quem não está perplexo, está comentando e condenando Gaiman.  Uma pequena busca na internet já revelaria isso. Só que, desta vez, não é sobre ela, é sobre ele, Rowling só está vocalizando a dor dessas mulheres e, claro, usando isso como veículo para suas visões de mundo um tanto equivocadas. Enfim, eu não trouxe o caso para cá, por esse motivo e por não ter interesse por Neil Gaiman, sei quase ZERO sobre a carreira dele.  Soube do caso, na época, por um vídeo do Chris Gonzatti do Diversidade Nerd e decidi esperar para ver no que dava e deu em coisa muito pesada.

Agora, a importante revista New Yorker deu voz a OITO MULHERES que alegam ter sofrido abusos dos mais variados por parte de Gaiman.  Coisas que parecem saídas de mangás eroguro, muito pesado mesmo.  Se tudo que ali está procede, a ex-esposa de Gaiman (*Amanda Palmer*) estava ciente de algumas (*ou todas*) as suas práticas, mas não pode falar do assunto por questões legais e alguns abusos foram cometidos na frente do filho criança do autor.  A matéria apareceu na imprensa brasileira, no Globo, mas parece ter sido traduzida por IA de qualquer maneira.  

O G1 trouxe um resumo dos fatos, há matéria da BBC em português, também, a imagem acima mostra que o caso está repercutindo muito na imprensa brasileira.  Gaiman é importante demais para ser ignorado.  Como não sou especialista em Gaiman, deixo quatro vídeos de Youtubers comentando o caso, não são pessoas que produzem o mesmo tipo de material, então, são abordagens diferentes do mesmo caso.  INFELIZMENTE, somente um deles é uma mulher, queria ter encontrado, porque sei que existem, feministas comentando em português, em inglês achei várias.  Imagino que a moça do Ler Antes de Morrer vá fazer vídeo sobre o caso, mas ele não saiu ainda.  Enfim, por enquanto é isso e que ninguém acredite que a carreira de Neil Gaiman acabou, porque ele é homem, branco, poderoso etc.  vocês sabem.  O caso deve escalar ainda.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Algumas palavras tardias e, talvez, desnecessárias sobre o caso Sílvio Almeida

Desde o fim da semana passada estou devendo algumas palavras sobre o caso do (ex) ministro dos Direitos Humanos Sílvio Almeida, as acusações de importunação e/ou assédio sexual, inclusive contra sua colega da pasta de Igualdade Racial, Anielle Franco. Começo afirmando, como vários analistas bem apontaram, que não importa quem está falando a verdade, pois todo mundo vai sair perdendo.  Se Almeida for inocente, como ele mesmo afirma, trata-se de uma torrente de acusações falsas de assédio feitas por mulheres através da ONG Me Too Brasil.  Se verdade for, o maior intelectual brasileiro negro de nosso tempo (e isso ninguém poderá tirar dele) confirma nas suas práticas que, assim como é estrutural o racismo, o machismo também é estrutural.  E há um possível agravante, se as denúncias são antigas e os responsáveis por investigar dentro do governo federal não o fizeram, fica claro que se colocou a política antes da proteção das (supostas) vítimas.

Vou fazer o histórico da minha reação quando vieram as denúncias, algo que explica a minha demora em comentar, ainda que não a justifique.  Primeiro, fiquei perplexa.  Sílvio Almeida, que se afirmou inocente e se recusou a pedir demissão, não me parecia ter um perfil de assediador.  Segundo, quando o nome de Anielle Franco apareceu na história e, antes disso, a foto com Janja começou a circular, fiquei irritada com a atitude da ministra.  Ora, ela não está em posição inferior a de Almeida para temer retaliações, ela também é ministra, por qual motivo optou pelo silêncio?  Minhas duas reações iniciais são absolutamente equivocadas e conforme a minha perplexidade e irritação foram baixando e sendo alimentadas por mais informação, consegui colocar as minhas ideias nos lugares.

Vamos lá, não existe essa coisa de perfil de assediador ou importunador sexual.  Em uma sociedade patriarcal, a ideia de que homens podem (e até devem) assediar mulheres é quase inerente ao modelo hegemônico de masculinidade.  O assediador não precisa ser um indivíduo agressivo, bronco, ou um desconhecido em um beco escuro.  O importunador sexual pode ser qualquer um que tenha uma mulher ao alcance de sua mão.  O importante é que o assediador é um sujeito que tem um padrão de comportamento.  Seja descarado ou discreto, normalmente, é possível identificar um modus operandi.  

Agora, quando se trata de um assediador, é preciso que ele esteja em posição hierarquicamente superior a da vítima, por exemplo, um chefe ou professor.  Não sei se a lei prevê isso, mas eu diria que a superioridade pode ser somente simbólica mesmo, alguém com ascendência espiritual, emocional ou religiosa.  Algumas das denúncias que já estão aparecendo contra Almeida são de ex-alunas na Faculdade São Judas (*Veja - ICL*).  Elas sugerem coerção e troca de favores.  Sim, é coisa muito feia e que eu me lembro de ocorrer com pessoas conhecidas nos tempos em que eu estava na faculdade.  Normalmente, o professor era alguém que podia abrir, ou fechar portas, caso desejasse.

Ao longo da semana, e já se passaram mais de sete dias, o caso Anielle parece estar migrando do nicho de importunação sexual para assédio mesmo, porque, como foi noticiado pelo portal Metrópoles, a pasta da Igualdade Racial dependia diretamente do ministério de Silvio Almeida por falta de autonomia orçamentária.  Sim, temos mais essa questão se apresentando. Anielle Franco diz ter se calado, porque queria poupar a família, mas, acredito, que outras questões estavam na mesa.  Também o Metrópoles trouxe o depoimento do sociólogo Leonardo Pinho, ex-diretor do Ministério dos Direitos Humanos, que teria sofrido assédio moral e ameaças de Almeida nos meses que se seguiram a uma reunião na qual  citou que ouvira reclamações sobre a relação ruim entre o ex-ministro e a titular da pasta da Igualdade Racial.  Ainda é difícil imaginar um Sílvio Almeida transtornado e vociferando, mas é o que relata o depoimento de Leonardo Pinho.

Estou queimando Sílvio Almeida na fogueira?  Não.  Investigue-se tudo.  Agora, os raros casos de acusações mentirosas de assédio do qual estou inteirada, porque ocorreram no meu trabalho, com gente que eu conheço, eram casos isolados acusações levianas contra homens que estavam cumprindo com suas funções, ou simplesmente estavam lá e se tornaram alvo.  Foram acusações que  apareceram porque uma aluna se sentiu, sim, assediada, ou por mera instrumentalização dos discursos feministas ou por mero pânico moral.  Todas terminaram sendo desmontadas, mas o dano estava feito, porque antes de provada a inocência,  o sujeito é afastado do trabalho e, se professor, seu nome cai  na boca do povo.

O fato é que quem acusa precisa oferecer provas.  O problema é que, em casos como assédio, a coisa é mais delicada, trata-se de algo difícil de provar e o desgaste da vítima pode ser enorme.  Há o medo, a vergonha, a ideia de culpa (*o que você fez para merecer isso?  você provocou?*), às vezes, as vítimas não conseguiram discernir com clareza a situação que viveram, precisaram de tempo para compreender o que lhes tinha acontecido, por isso mesmo, a demora por denunciar pode ser de vários anos, especialmente, quando falamos de crianças e adolescentes.  O que não é o caso de nenhuma das supostas vítimas de Almeida.  “Quem vai acreditar em mim?.  "Como vou provar?" E quando o agressor é um homem poderoso, importante, acima de qualquer suspeita, a coisa se torna pior.  Vamos falar de Anielle então.

Como já pontuei, não recebi bem a informação de que Anielle Franco tinha sofrido importunação ou assédio sexual sexual e se calado.  Quando seu nome foi ventilado, ficamos sabendo que o abuso ocorrera meses atrás e que, segundo consta, ela optara por se calar pelo bem da família e, talvez, do governo.  Não gosto do argumento, embora entenda a posição dela.  Além disso, vai saber que tipo de pressão ela pode ter sofrido.

O fato é que quando um homem branco-hetero-cis-rico-extremista de direita comete um ato criminoso, ela é um indivíduo, nunca é uma questão coletiva, quando se trata de um membro de uma minoria política (*negros, mulheres, LGBTQIAPN+ etc.*) é como se eles fossem representativos de toda a coletividade.  Sílvio Almeida passa a ser visto como um desserviço a TODOS os negros e negras do Brasil, especialmente, aqueles que militam por causas sociais.  Sabe, a culpa e a responsabilidade passam a ser coletivas.

O caso todo, aliás, me fez lembrar da biografia em quadrinhos de Rosa Luxemburgo  (1871-1919.  Leo Jogiches (1867-1919), que foi companheiro da grande intelectual e militante política socialista, era violento com ela, era ciumento e não aceitou o fim de seu relacionamento.  Rosa Luxemburgo se calou para preservar Jogiches, afinal, ele era companheiro de partido e essas questões - a violência que ela sofria - eram menores diante do partido e da revolução.  Tão pequenas eram, que elas só aparecem em destaque em uma obra em quadrinhos escrita por uma mulher feminista, coisa que a própria Luxemburgo não afirmava ser.

Será que Anielle Franco não colocou na balança o dano ao movimento negro, mais ainda que ao governo Lula?  Não sei, ela é a única que pode dizer.  O fato é que não seria incomum sacrificar os direitos das mulheres, seu bem estar, em prol de causas maiores.  Sei... Conforme os dias correm, aparecem mais e mais provas.  Mesmo que o Me Too precise se explicar sobre a questão das licitações junto ao Ministério dos Direitos Humanos quando já tinha denúncias contra Almeida, o fato é que as evidências contra o ex-ministro parecem se avolumar.

Repito, não existe perfil de abusador.  Da mesma maneira que o racismo é estrutural, o machismo e a misoginia também são.  O fato de um homem ser muito consciente dos problemas sociais, um militante contra o racismo, não o torna menos assujeitado aos padrões de comportamento tóxicos em relação às mulheres.  Agora, o fato dele ser esse tipo de sujeito pode inibir denúncias e tornar mais frágil ainda a palavra das vítimas.  Olha eu aqui cheia de dedos a uma semana para comentar esse caso?

Além disso, o exercício do poder é algo que pode inebriar e fazer com que pessoas se comportem de formas muito condenáveis.  Foi o caso aqui?  Não sei.  O presidente Lula fez o certo ao demitir Almeida, já que o próprio nãos e retirou de cena, no entanto, não sabemos se as denúncias já eram sabidas por ele.  Há quem critique a primeira dama, Janja, por ter se posicionado ao postar a foto com Anielle.  Bem, não vejo erro nela, errado foi Sílvio Almeida usar a máquina do ministério para se defender.  Algo que, supostamente, teria irritado Lula.

Não sei se o texto, que estou martelando faz dias, acrescentou alguma coisa.  Como pontuei no primeiro parágrafo, não há vencedores aqui.  Inocentado Sílvio Almeida, abrimos franco para ataques aos direitos das mulheres e que sua fala seja respeitada, se culpado ele for, evidenciasse que mesmo um sujeito tão preparado e aparentemente tão consciente das discriminações pode se comportar da pior forma possível com as mulheres  e seus subordinados.  Todo o caso é para se lamentar, mas nunca, nunca mesmo, para se jogar para baixo do tapete.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Falece a Mangá-ka Aida Saki


Foi comunicado hoje o falecimento da mangá-ka Aida Saki, conhecida pelos seus mangás BL.  Suas obras mais importantes são S (エス) e Deadlock.  Em fevereiro, Saki anunciou que estava em tratamento contra um câncer em estágio 4 fazia algum tempo.  Encontrei uma matéria do site Sponichi Annex trazendo alguns relatos da autora sobre seu tratamento, a metástase, as dores.  Enfim, é uma pena.  A mangá-ka debutou em 2002.


sábado, 10 de agosto de 2024

Explicando o silêncio do Shoujo Café

Acho que nunca fiquei tanto tempo sem postar no blog.  O Shoujo Café continua funcionando, não vai parar.  Simplesmente, foi uma semana complicada.  Tenho que corrigir um monte de trabalhos e fechar notas.  Tenho oito turmas e deixei acumular algumas coisas, porque não usei minhas férias para trabalhar.  É um preço que a gente paga.  

Outro ponto, minha menina precisou de mim, ser mãe é algo importante e se ela pedir parte do meu tempo, vai receber e as outras coisas precisam esperar, como os posts do Shoujo Café.  Júlia está crescendo e é precoce em algumas coisas, então, estamos enfrentando algumas crises físicas e existenciais da puberdade.  O terceiro ponto, as Olimpíadas.  Eu parei para assistir as coisas, só acontece de quatro em quatro anos.  Eu gosto dos Jogos Olímpicos, minha lembrança televisiva mais antiga é o encerramento dos Jogos de Moscou, em 1980.  Até queria fazer outro post, especialmente, falando da vitória das mulheres e do caso Imane Khelif novamente e ela levou o ouro, apesar de todo ódio que conjuraram contra ela.  De repente, consigo amanhã.

Estabelecido isso, esta semana o Shoujo Café se regulariza.  Há posts muito atrasados, como a resenha do final da terceira temporada de Bridgerton (*até tinha esquecido*), resenha do livro da Eloise (*que eu li no final das férias e que deve ser destroçado na adaptação da Netflix*), há notícias que precisava comentar (*e que podem ficar velhas*), queria escrever sobre as questões de gênero na novela Corpo a Corpo, que está sendo reprisada no Viva etc.  É mais fácil ficar repassando somente notícias no Facebook, Instagram e Twitter.  Às vezes, vira mini-post, eu sei.  Talvez, devesse gerenciar melhor meu tempo.

E, para quem quiser, haverá um evento da ASPAS (Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial) chamado Quadrinhos e Terceira Idade.  Vou apresentar um trabalho sobre o protagonismo de idosos nos mangás atuais.  É isso.  Vamos voltar, mas tenho aniversário infantil hoje à tarde (*no horário da final do futebol feminino, ou quase*) e três pacotes de provas (*que foram aplicadas ontem*) para corrigir, mais notas de oito turmas para fechar.  Sabe, gente adulta e assalariada tem que lidar com essas coisas.  Esta próxima semana terei uma consulta e é possível que precise fazer uma cirurgia.  É catarata, então, o blog pode parar por ainda mais tempo.  Resumindo, voltarei devagar.

domingo, 21 de abril de 2024

Estúdio Mappa confirma o cancelamento do filme animado de Yuri!!! on ICE

Fiquei sem saber se noticiava isso, ou não, mas é importante ter o registro no blog.  Enfim, eu acreditava que o filme Yuri!!! on ICE Movie: ICE ADOLESCENCE (ユーリ!!! on ICE 劇場版 : ICE ADOLESCENCE) estivesse cancelado desde 2022, tinha feito um post e fui atrás dele.  Pois bem, em 2022, o título foi tirado do "coming soon" (em breve) dos títulos do estúdio. Naquele momento, já tinha perdido a esperança, mas, vá lá, havia ainda quem a tivesse.  Pois bem, o Mappa jogou a última pá de terra em um projeto que tinha tido até um vídeo de propaganda.

Para quem não sabe do que estou falando, em 2017, houve uma série animada sensacional chamada Yuri!!! on ICE (ユーリ!!! on ICE).  Criação original para a TV feita por duas mulheres, Sayo Yamamoto e Mitsurō Kubo, a série contava a história de Yuri Katsuki, um jovem atleta de patinação no gelo muito talentoso, mas inseguro e acima do peso.  Um belo dia, o campeão mundial e olímpico e de tudo mais que pudesse existir na categoria, Victor Nikiforov, aparece na sua porta.  Victor estava aposentado e queria treinar Yuri, já o rapaz, se tornara patinador por causa do russo e fica assustadíssimo e excitado com a possibilidade.

Ao longo da série, Yuri vai refinando seu estilo e se tornando o atleta de elite que poderia se tornar.  Victor é duro e terno ao mesmo tempo.  Os dois terminam se apaixonando e efetivamente fazem juras de amor eterno e casamento quando estão de passagem por Barcelona.   A série inspirou-se diretamente em patinadores reais, que fizeram propaganda gratuita para a série em suas redes sociais, além disso, foi bem rigorosa em mostrar as rotinas e desafios que os atletas precisam superar.  Yuri!!! on ICE ainda ofereceu outras personagens interessantes e foi cheio de emoção.  Fazia muito tempo que eu não assistia algo que me mobilizasse tanto, inclusive me fez chorar mais de uma vez.

Mas eis que o estúdio anunciou um filme animado, uma prequel, logo que a série terminou.  Durante anos, os fãs esperaram, mas o estúdio Mappa parece não ter visto potencial algum no filme, mesmo com o sucesso da série.  Volta e meia o Mappa lança algum produto, o que aponta para a percepção de que a série tem público, mas abandonou de vez a possibilidade da prequel, ou de uma esperada continuação. 

Um fiasco, enfim, mas não me surpreendeu. Há quem aponte homofobia e misoginia como motivação para que o estúdio perdesse interesse pela série.  Não vou especular, mas nem sempre empresas seguem a lógica econômica e acabem abraçando ideias conservadoras ou reacionárias acreditando que vão lucrar de qualquer jeito.  Yuri!!! on ICE teria retorno certo, caso o Mappa soubesse explorar o produto, mas eles optaram por não acreditar em seu potencial.

sábado, 9 de março de 2024

RIP Akira Toriyama: Março começou muito triste

A última coisa que li quinta-feira, antes de dormir, foi essa triste notícia, Akira Toriyama, o criador de Dragon Ball (ドラゴンボール), faleceu no dia 1 de março.  A família comunicou oficialmente o falecimento de Toriyama, aos 68 anos, em virtude de um hematoma subdural agudo.  Não é tão comum que as notas de falecimento de mangá-kas sejam tão detalhadas e eu fui procurar informações sobre essa condição.  Ela é causada por "(...) uma pancada forte na cabeça, que faz com que os vasos sanguíneos estourem, gerando um acúmulo de sangue na cabeça que pressiona o cérebro, podendo causar sequelas. Pessoas com mais idade, ou que usam medicamentos que afinam o sangue, ou que abusam do uso de bebidas alcoólicas têm um risco maior e são mais suscetíveis ao hematoma subdural após uma pancada.".  Toriyama sofreu algum grave acidente?  Será que foi isso? Alguém me disse que Toriyama tinha problemas de saúde faz tempo, eu não tenho informações sobre isso.

De qualquer forma, Toriyama, através de seu Dragon Ball, teve um papel imenso na difusão do mangá, e em uma nova popularização dos animes, no Brasil.  Foi extremamente importante nos Estados Unidos, também.  O governo japonês reconheceu a importância de Toriyama para a difusão da cultura do país em uma nota, vários chefes de estado (*El Salvador declarou luto oficial*), ministros e nosso vice-presidente se pronunciaram e até o Jornal Nacional parou para noticiar a morte do autor. Foi meio capenga, olhem o vídeo abaixo, mas vejam a grandiosidade de Akira Toriyama e como o mangá e o anime que ele criou é reconhecido mundialmente.

Mesmo que gente como eu, que já era adulta quando Dragon Ball chegou por aqui, tenha cansado em algum momento de assistir a série, conhece as personagens, lembra das aberturas mais icônicas de DB e DBZ e riu bastante em alguns momentos, porque o humor era uma constante na obras do autor.  Quando a Conrad começou a publicar Dragon Ball no Brasil, lá em 2000, eu passei pelo centro de Duque de Caxias indo trabalhar e comprei dois exemplares, na época, era meio tanko, e levei para sortear nas minhas turmas de 5ª série (6º ano).  As crianças ficaram eufóricas.

Observando as reações à morte de Toriyama, e esse texto não saiu ontem, porque me perdi no meio de tanta informação, todas reconhecem a importância da sua obra, que vai além de Dragon Ball.  Por exemplo, houve duas matérias falando das homenagens de times do futebol brasileiros (*destaque para o meu Fluminense*) e internacionais.  Além de Dragon Ball, Toriyama fez vários mangás, participou da produção de animes e games.  Uma de suas maiores obras, Dr. Slump  (スランプ), saiu por aqui, também, lamentam a perda e enfatizam a importância dele para a divulgação do mangá no mundo.  

Houve quem falou que ele reinventou o shounen mangá, não diria que é para tanto, mas que ele mexeu em fórmulas básicas da demografia e criou um fenômeno. Iniciado em 1984, Dragon Ball nunca conseguiu terminar, sendo revigorado de tempos em tempos.  As próprias falas de mangá-kas (*matéria extensa em japonês*) que estão no auge hoje sobre a morte do mestre, apontam para a importância de Toriyama e Dragon Ball, em especial, para sua formação e de como ele era acessível, que sua obra foi pensada para ser consumida por crianças e adultos.  Eles eram crianças, ou adolescentes quando a série estava nas suas primeiras fases. Mangá-kas shoujo também comentaram a morte de Toriyama, mas eu teria que ir pinçando no Twitter, as matérias deram destaque, como não poderia deixar de ser, para os autores de shounen e, em especial, da Shounen Jump, revista que publicou Dragon Ball.

Houve também quem ressaltou que Toriyama foi um dos primeiros autores da Shounen Jump a mostrar seu rosto, fotos de família, mostrando que era um ser humano completo.  Há quem se engane, mas ser mangá-ka de grande sucesso é sempre lucrativo, mas a profissão não era tão bem-vista assim como muita gente acha que sempre foi.  Fora questões de privacidade, Toriyama tornou-se muito cedo uma celebridade.  Outra coisa, Toriyama era fã de Ayrton Senna, uma foto dos dois juntos foi resgatada.  Algo que a Petra Leão comentou no Twitter é que seria hora de republicar o livro que o mestre lançou sobre a carreira de mangá-ka.  Ele saiu aqui pela Conrad.

Enfim, Akira Toriyama partiu muito cedo.  68 anos para um japonês é muito pouco.  E, o mais triste, é que estamos perdendo vários mangá-kas no últimos meses.  Eu queria não ter que dar mais nenhum RIP de autores de mangá.  Este, em especial, me deixou muito triste, me fez dormir mal.  Espero que Toriyama tenha partido cercado por gente que o amava e em paz, sei que muita gente no mundo se sente mais triste hoje por saber que ele não está mais nesse mundo.

Um acréscimo, no mesmo dia do anúncio da morte de Akira Toriyama, faleceu uma dubladora muito importante no Japão, ela se chamava Tarako e foi durante 34 anos a única dubladora da protagonista de Chibi Maruko-chan (ちびまる子ちゃん).   A nota de falecimento não fala das causas, mas ela só tinha 63 anos.  O fato é que eu achei vários fanarts de Maruko com Goku  e demorei a entender o que estava acontecendo.  

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Autora de Sunadokei morre aos 50 anos no Japão e o que pode ter sido o gatilho para o fim de sua vida

Hinako Ashihara, conhecida no Brasil por sua série excelente Sunadokei (砂時計), lançada no Brasil pela Panini com o subtítulo de O Relógio de Areia (*tradução literal do título original*), morreu aos 50 anos.   Segundo o Yahoo Japão, o corpo de uma mulher foi encontrado sem vida na represa de Kawaji, na cidade de Nikko, província de Tochigi, perto dele havia um documento de identificação da autora e o que parecia ser uma nota de suicídio. Eu vi a notícia primeiro no ProShojo Spain, mas encontrei uma matéria com esses detalhes no site japonês.  

Para quem leu Sunadokei, que eu recomendo bastante, ou viu o dorama, que foi muito elogiado, também, deve lembrar que a temática do suicídio como ponto final para uma vida de fracassos era forte.  A mãe da protagonista tira a própria vida depois de ter que retornar com a filha para a casa dos pais no interior, quando seu casamento com um homem da cidade grande chegou ao final.  A família nunca quis aquela união e a mulher não suporta as humilhações e, por fim, coloca fim a sua vida.

Muito bem, no post do ProShojo é comentado que a mangá-ka tinha tido problemas no final do ano passado por estar insatisfeita com a adaptação de seu mangá Sexy Tanaka-san (セクシー田中さん) pela NTV.  O mangá conta a história de uma OL (Office lady) de 40 anos, muito competente, mas sem atrativos, que tem uma vida dupla, à noite ela é uma requisitada artista de dança do ventre.  A confusão começa, quando alguém começa a suspeitar de seu segredo.  Eu encontrei o perfil HPriestは、取り扱い注意, especializado em bastidores de doramas e TV, que estava comentando a confusão toda.  Vou dar o resumo aqui, não sabia do caso até agora.

Hinako Ashihara queria escrever ou participar ativamente dos roteiros da série, que estavam sob a responsabilidade da conceituada (*basta ver o currículo dela*), Aizawa Tomoko.  A roteirista chegou a comentar no Instagram, ainda em dezembro (*o último episódio foi ao ar na véspera de Natal*), que recebeu feedback de fãs pouco satisfeitos pelo final do dorama.  Ela afirmou, então, que o final da série, episódios 8 e 9, ficaram a cargo da autora original e que ela não teve nenhuma participação no desfecho do dorama, ou seja, ela não estava nada satisfeita com o que ocorrera nos bastidores da produção e estava usando as redes sociais para externar a coisa, sem citar o nome de Ashihara.  


O mangá foi iniciado em 2018 e terminou ficando inacabado, imagino que a autora queria dar um fechamento adequado pelo menos ao dorama.  O ANN apontou, a despeito do que a roteirista comentou sobre feedback ruim, que os índices de audiência do dorama foram bem satisfatórios até a exibição de seu último episódio.  Ainda segundo a thread do Twitter, duas mangá-kas, Ninomiya Tomoko (Nodame Cantabile) e Aso Mikoto (Soko wo Nantoka), comentaram o caso relativo ao dorama baseado no mangá de Hinako Ashihara.

Ninomiya escreveu no Twitter: "Vejo que alguns de vocês vêm aqui para desenterrar minhas declarações anteriores. O autor original estabelece condições antecipadamente para proteger seu trabalho e seu coração. Se essas condições não forem seguidas, eles não têm escolha senão falar por si próprios e pelos futuros autores. Caso você esteja se perguntando, não acho que as alterações sejam ruins, acho que é uma questão de saber se as condições que foram estabelecidas anteriormente estão ou não sendo seguidas."

Já Aso comentou o seguinte na mesma rede: "Em relação às adaptações live-action de mangá, meus colegas artistas de mangá têm uma variedade de posturas. Há quem fique irritado e peça persistentemente revisões do roteiro que ignora as partes centrais de seu trabalho. Há quem peça que o drama seja completamente diferente porque a obra original está inacabada e pretendem terminá-la de uma determinada forma. E há aqueles como eu que são indiferentes e dizem: “Façam o que quiserem”. Não posso falar por todos, mas acho terrível ignorar completamente o que foi apresentado anteriormente como condições para a dramatização."

Diante da controvérsia, que tria explodido em dezembro, o dorama estreou em 22 de outubro, Hinako Ashihara fechou o seu blog em 26 de janeiro com uma última nota que terminava com a frase "Eu não queria atacar ninguém. Sinto muito.".  Segundo consta, ao permitir a adaptação do mangá para dorama, a autora tinha somente duas exigências à emissora: “Seja fiel ao mangá ou faremos revisões” e que (*como o mangá ainda não está finalizado*) “o final original do drama, desde a sinopse até os diálogos, será fornecido por ela mesma”.  

A emissora não respeitou o acordo, o que gerou um desgaste muito grande para a autora original.  A comunicação era dificultada, as revisões pedidas pela autora não foram executadas, ou foram atrasadas a tal ponto que perderam a relevância.  Enfim, deixei os links para o relato da situação no Twitter.  O post explicando o embate nos bastidores da série é de antes do suicídio de Ashihara, ou seja, era tudo público desde o dia 26 de janeiro, quando a autora fez um relatório do acontecido e se desculpou com todos da produção de Sexy Tanaka-san.  

Enfim, muito triste.  Se a autora já tinha um quadro de saúde mental complicado, este deve ter sido o gatilho que a levou a tomar a decisão sem volta.  Há quem reclame que mangá-kas são chatos com suas obras, mas o fato é que eles e elas são, na maioria dos casos, autores e donos do mangá original.  Eu posso não gostar da certas atitudes mais radicais (*Riyoko Ikeda, estou falando de você!*), mas eu entendo perfeitamente a atitude.  Enfim, a semana já começa com essa triste notícia, perdemos uma brilhante mangá-ka, não foi doença incurável, sua morte poderia ter sido evitada.

domingo, 29 de outubro de 2023

RIP Kinoplex Terraço Shopping: Difícil acreditar.

Morei quase vinte anos em um bairro de Brasília chamado Cruzeiro Novo.  Dava para ir à pé até o Terraço Shopping em 10 minutinhos e eu fazia isso com frequência, especialmente, para ir ao cinema.  Não era o melhor de Brasília, com as salas melhor equipadas, mas sempre tinha algo interessante passando e, ultimamente, oferecia filmes legendados em horários decentes, coisa que não ocorre mais em outros cinemas da rede.  Agora, morando longe, pouco ia até lá, a última vez foi para ver Barbie, primeiro, sozinha, depois, com a Júlia.

Pretendia ir até lá ontem, porque Júlia queria ir ao cinema ver Trolls 3.  Não achei a programação, fui até a página do Kinoplex e a surpresa é que as salas haviam fechado.  Como assim?  Sempre havia movimento por lá!  O que aconteceu?  Uma ex-aluna disse que achava que tinha falido e que o boato é que iria abrir uma loja maior da Renner.  Fiquei muito triste.  Tinha um laço afetivo com o Terraço, quando consegui dirigir sozinha pela primeira vez, meu teste foi pegar o carro e ir até lá e assistir qualquer coisa que estivesse passando.  Lembro que fiquei muito feliz mesmo, porque foi uma grande vitória.

Enfim, desde que cheguei a Brasília, mais abriram cinemas do que fecharam.  O Conjunto Nacional, bem no centro, fechou as suas, que deveriam ser das mais antigas a cidade.  No lugar, acho eu, abriu a Zara.  As salas do Brasília Shopping, que exibiam filmes mais alternativos, competiam diretamente com as do Liberty Mall e fecharam para virar teatro e lugar de palestras.  Foi uma troca, não foi uma perda.  É um teatro bem acessível e que funciona muito bem até hoje.  Agora, foi o Terraço.  Ainda tenho esperança que passe para outra rede.  Se virasse Cinemark, seria ótimo.  

De qualquer forma, acredito que o fechamento é uma burrice.  Vendo os adolescentes fantasiados para assistir  Five Nights At Freddy's no Pátio Brasil, imaginei como o Terraço ficaria lotado, também.  Não acho que uma Renner vá compensar o fechamento dos cinemas.