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terça-feira, 18 de agosto de 2026

RIP Laura Cardoso e Glória Menezes: Um dia triste para a dramaturgia brasileira

Quando estava dirigindo para o trabalho hoje, ouvi a notícia de que a magnífica Laura Cardoso tinha nos deixado.  Ela estava com 98 anos e faria 99 no mês que vem.  Ela começou sua carreira, contra a vontade do pai e da mãe, aos 15 anos de idade e fez muitos papéis.  Foi atriz de rádio, teatro e TV, alé de dubladora.  Ela foi a primeira voz da Beth dos Flinstones, por exemplo.  E estava lúcida e bem-humorada quando partiu.  Gostava muito de Laura Cardoso, mesmo não tendo nada de nordestina, era filha de portugueses e nascida em São Paulo, ela parecia com a minha avó (*que tem 95 anos*), com as minhas tias, com as matriarcas da minha família.  

E seu papel mais antigo que me vem à memória é exatamente o de uma matriarca nordestina, a Donana, mãe de Soró (Arnaud Rodrigues), da novela Pão-Pão, Beijo-Beijo (1983).  Ela era dura, com valores  morais arcaicos, porém amorosa.  Depois deste papel, lembro dela  como a Marta de Fera Radical (1988) e como a mão das gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de Areia (1993).  Ela preferia a filha malvada e ajudava nas suas armações e crueldades.   E os três últimos papéis de que me lembro são Dona Carmem, em Chocolate com Pimenta (2003-2004); Laksmi, em Caminho das Índias (2009) e eu adoro essa novela; e Dorotéia de Gabriela (2012).  Sei que ela fez outras novelas do Walcyr Carrasco; na verdade, foi ele quem deu a Laura Cardoso seus últimos papéis importantes, quando Cardoso já estava bem idosa.  Goste eu ou não do Walcyr Carrasco, inegável é que ele sempre valoriza os atores veteranos.  Enfim, Laura Cardoso fará falta.

Cheguei no trabalho e comentei do falecimento de Laura Cardoso com uma colega e lembrei de Nathália Timberg e Glória Menezes.  Comentei que esta última parecia muito frágil da última vez que a vi na TV, sempre aparecendo em cadeira de rodas.  Abri a internet e fui checar sua idade; ela era bem mais nova que Laura Cardoso.  Vi que ela e Tarcísio Meira tinham tido COVID-19, que apressou  o falecimento do companheiro de uma vida da atriz, porque é mais fácil lembrar dos dois juntos, porque era algo muito marcante mesmo.  Não lembro da primeira novela que vi com a atriz, mas tenho quase certeza de que foi a Roberta de Guerra dos Sexos (1983).  E recordo muito dela como a Rosemere de Brega & Chique (1987) e a terrível Laurinha Figueroa de Rainha da Sucata (1990).  O último papel de Glória Menezes que acompanhei foi o da Tereza na reprise de Corpo a Corpo (1984-85), que eu tinha assistido quando criança e queria rever.  

Uma das atuações de Glória Menezes que eu gostaria de poder ter observado é o da sua dupla atuação em Almas de Pedra (1966), na qual ela se disfarça de homem para levar a cabo uma vingança, só que nada deve ter sobrado da obra para além de fotografias. E, sim, é inesquecível a sua Marquesa de Santos em Independência ou Morte (1972)! Menezes foi a estrela da primeira novela diária da TV brasileira, 2-5499 Ocupado, da TV Excelsior, de 1963. O fato é que fiquei realmente chocada de abrir o tablet no fim da tarde e ver que ela havia partido, também.  

Um dia triste para a dramaturgia brasileira.  Não me lembro de duas grandes atrizes ou atores terem morrido no mesmo dia.  Sim, ambas já estavam com a idade bem avançada, mas é triste do mesmo jeito.  Acredito que a única coisa positiva é que partiram cercadas por pessoas que as amavam e respeitavam e que serão ambas lembradas pelas gerações futuras, nem que seja por fragmentos de suas novelas que circulam por aí.  RIP pode ser tanto rest in peace (descanse em paz), quanto rest in power (descanse em poder), porque tanto Laura Cardoso, quanto Glória Menezes foram exemplo da força das mulheres na dramaturgia.

sábado, 11 de julho de 2026

RIP Benedito Ruy Barbosa: Partiu mais um dos grandes novelistas brasileiros

Na terça-feira, 10 de julho, foi comunicado o falecimento de Benedito Ruy Barbosa. Comentei no Shoujocast, mas acabei não concluindo um post, porque esta semana praticamente não publiquei nada; o trabalho estava me sugando.  Benedito Ruy Barbosa faleceu aos 95 anos; assim como no caso de Manoel Carlos, que também partiu este ano, não foi bem uma surpresa.  Sua saúde estava em declínio, o que sinalizava que ele talvez não tivesse mais muito tempo por aqui.  Já há vários anos, ele contava com o apoio de membros da família para escrever suas novelas; primeiro, as filhas Edmara e Edilene, mais tarde, o neto Bruno Luperi.

Benedito Ruy Barbosa estreou na teledramaturgia em 1966 com  Somos Todos Irmãos, na TV Tupi.  Nascido em uma cidade paulista chamada Gália, ele era um especialista em vida no campo e em imigração, temas recorrentes em suas tramas.  Sua estreia na Globo foi com Meu Pedacinho de Chão (1971), que tinha caráter didático-pedagógico.  Sua carreira na emissora foi interrompida por um incidente que eu considero uma demonstração e tanto de caráter.  O novelista Lauro César Muniz foi demitido da emissora, porque sua novela, Os Gigantes, era um fracasso de público e crítica, além de tocar em temas muito sensíveis e que não foram muito bem digeridos à época e não seriam hoje, com certeza.  Boni, diretor artístico da Globo na época, acabou se vendo forçado a demitir o autor da novela e Benedito Ruy Barbosa foi convocado para terminar a trama do colega.  Ele se recusou e acabou pedindo sua demissão em solidariedade a Muniz e por estar magoado, afinal, a Globo não aceitara produzir sua grande saga sobre a imigração para São Paulo: Os Imigrantes.  Ele e Muniz foram para a Bandeirantes.  

Os Imigrantes (1981) foi um sucesso e acompanhou três gerações de gente das mesmas famílias.  Infelizmente, nunca consegui assistir essa novela inteira, ou pelo menos a primeira e a segunda fases, que são consideradas as melhores.  Benedito Ruy Barbosa tentou reeditar a ideia em Esperança (2002), mas a Globo não deixou.  Aliás, como a emissora não aprendeu nada, ela se negou a produzir Pantanal.  Seu Benedito pegou seu projeto e foi para a Manchete e Pantanal acabou com a audiência da Globo em 1990.  Virou um fenômeno.  Trinta e dois anos depois, a Globo produziu um remake de Pantanal.  Aliás, imagino que Benedito Ruy Barbosa deve ser o autor com o maior número de remakes de suas novelas.  Foram seis até o momentoCabocla (2004), Sinhá Moça (2006), Paraíso (2009), Meu Pedacinho de Chão (2014), Pantanal (2022) e Renascer (2024).

Não sou fã de Benedito Ruy Barbosa; seu patriarcalismo e a forma como ele reabilita e celebra os grandes senhores de terra são bem enervantes.  Fora isso, ele reciclava pedaços de suas novelas o  tempo inteiro.  Fragmentos grandes de tramas de Os Imigrantes foram reciclados em Terra Nostra (1999), por exemplo.  Todos os seus coronéis eram "José", ou quase todos, e sempre tinham um diabinho na garrafa.  Havia a fixação pelo filho "macho", mesmo quando, no caso do livro Sinhá Moça, a mocinha tinha uma filha no final da trama e não um filho no original.  E houve o fetiche da virgindade da professorinha em Renascer... Argh!  

A novela mais antiga de Benedito Ruy Barbosa da qual me recordo é Paraíso (1982), que eu gostava bastante.  Já Sinhá Moça (1986) é uma das minhas novelas favoritas e a considero bem superior ao remake.  E reconheço o mérito do autor, porque ele pegou um livro fraco e transformou em uma grande novela, cheia dos problemas de sempre, além de outros, porque ele tinha que falar de escravidão.  Queria poder rever Vida Nova (1988).  Na época em que foi exibida, achava a novela chata, mas, quando estava no 3º Ano, meu professor de História Geral elogiou tanto a trama, como ela abordava bem a questão da imigração (*inclusive de nordestinos para São Paulo*), que eu tenho curiosidade em olhá-la de novo desde então, só que duvido que ela seja disponibilizada, porque foi o trágico último trabalho de Lauro Corona.

Agora, Pantanal e Renascer (1993), que teve uma primeira fase brilhante, me torturaram muito.  Mamãe me fazia sentar na sala e assistir, porque era programa familiar obrigatório.  Graças a essas duas novelas, me tornei muito crítica das obras do autor e atenta às suas temáticas e clichês, mas sou grata, porque ele me apresentou o Almir Satter. 😉Apesar do visual, considero o remake de Meu Pedacinho de Chão insuportável.  A primeira fase de Velho Chico (2016), sua última novela, foi outro espetáculo à parte, mesmo com os vícios de sempre.  A BBC fez uma matéria interessante sobre como Benedito Ruy Barbosa usou sua novela para discutir temas relevantes, como a intersexualidade e a, reforma agrária.  E, sim, ele fez isso, do jeito dele, com problemas, mas corajosamente foi lá e fez.  E como os autores que começaram a escrever suas tramas durante a Ditadura Civil-Militar eram mais competentes que os de hoje e como a TV, mesmo com suas limitações, era mais corajosa, também.  Imagino mesmo que a Globo force um remake de O Rei do Gado (1996), que é a tal trama que tem nos sem-terra um dos seus núcleos mais importantes.

Enfim, eu tenho vários textos comentando tramas de Benedito Ruy Barbosa ou falando dele de alguma forma, espero ter listado todos aqui, porque são muitos, nem imaginava que eram tantos: 

  1. Comentando “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo” (2010)
  2. Comentando os Primeiros Capítulos de Meu Pedacinho de Chão (2014)
  3. Novelando: Algumas considerações sobre o que está, ou estava no ar (2014)
  4. Comentando os dois primeiros capítulos de Velho Chico (2016)
  5. Mais algumas palavras sobre Velho Chico ou Como Destruir uma Personagem interessante em uma cena (2016)
  6. Comentando o livro "Novela: A Obra Aberta e seus Problemas" (2016)
  7. Novelando: Hoje reestreia Sinhá Moça (2018)
  8. Novelando com muito Atraso: Comentando Sinhá Moça (1986) (2018)
  9. Comentando Sinhá Moça pela última vez e mais umas palavrinhas sobre algumas tramas atuais (2018)
  10. O Brasil em capítulos: Como as novelas e minisséries contam a história do Brasil (2019)
  11. Comentando o filme Sinhá Moça (Brasil, 1953): Antes Tarde do Que Nunca (2019)
  12. Confirmado o Remake de Pantanal em 2021, só não sei se vai ter Pantanal para as filmagens (2020)
  13. Comentando 70 Anos esta Noite: Um breve tributo a sete décadas de telenovelas ou às produções da Globo? (2021)
  14. Comentando rapidamente o primeiro capítulo do remake de Renascer (2024)
  15. Comentando a Primeira Fase de Renascer: Definitivamente, é uma nova novela e vai muito bem até o momento (2024)

sexta-feira, 10 de julho de 2026

RIP Akiko Hayashi: Morre a ilustradora do livro Serviço de Entregas da Kiki, que virou anime da Ghibli

Akiko Hayashi, ilustradora original do livro Majo no Takkyuubin (魔女の宅急便), conhecido como Kiki's Delivery Service ou Serviço de Entregas da Kiki, faleceu de pneumonia aos 81 anos no Japão.  Ilustradora e autora de vários livros, ela estreou em 1973 ilustrando o livro "Kamihikoki" (avião de papel).  Sua morte ocorreu no dia 1º de julho em um hospital na província de Nagano, no centro do Japão, segundo o jornal Mainichi

Olhando as capas dos livros ilustrados por ela, fica evidente a qualidade da sua arte.  Pelo que vi no Amazon, nenhum de seus livros foi publicado em português.  Kiki's Delivery Service, de Eiko Kadono, foi adaptado para o filme de animação de mesmo nome pelo diretor Hayao Miyazaki e tem edições em português com o nome de Entregas Expressas da Kiki, mas com outro ilustrador.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Shoujocast no Ar! E Estreou Anatolia Story!!!!

Este programa deveria ter entrado ontem, gravei logo depois de assistir a estreia de Anatolia Story, mas houve um problema na edição e eu precisei refazer tudo.  A emoção de ver um dos meus mangás favoritos ganhar vida e voz diante dos meus olhos está registrada na minha gravação, mas queria que tivesse sido coocado no ar ontem.  Além de Anatolia, comento mais duas coisinhas, uma feliz (*um novo capítulo de Nina the Starry Bride depois de muito tempo*) e outra triste (*a morte de Benedito Ruy Barbosa*).  Espero que vocês gostem, porque eu amei gravar. ❤️

sexta-feira, 19 de junho de 2026

RIP Okamoto Keiko (1963-2026): Uma autora que acreditava que mangás poderiam trazer força e esperança

Foi comunicado ontem que a mangá-ka Okamoto Reiko faleceu no dia 6 de maio devido a uma hemorragia cerebral.  Ela estava serializando o mangá Ochikobore Hoketsu Reijou wa Tsumetai Koushaku Kara Nigedashitai (落ちこぼれ補欠令嬢は冷たい公爵から逃げだしたい) desde 19 de março e tinha feito postagens na sua conta no Twitter na véspera de sua morte, segundo a Wikipédia japonesa.  Okamoto passou por diversas revistas como a Nakayoshi, a RunRun, a Princess e publicou dezenas de mangás Harlequin.  Ela adaptou para mangá a série original de anime Corrector Yui (コレクター・ユイ), dividida em duas séries baseadas nas respectivas temporadas da animação. Este anime foi exibido no Brasil na Cartoon Network.

Segundo o Comic Natalie, uma homenagem à autora foi postada na sua página do Facebook lembrando uma fala de Okamoto sobre o motivo de continuar desenhando mangás: "Porque acredito que um único quadrinho ou palavra que eu desenho certamente se tornará a força ou o sustento de alguém. Era isso que o mangá significava para mim."  Espero que ela descanse em paz.

domingo, 7 de junho de 2026

RIP Ritsuhiro Mikami: Não sabemos qual doença abreviou a sua vida

A conta oficial do Twitter da Flos Comic da Editora Kadokawa comunicou na sexta-feira que a mangá-ka Ritsuhiro Mikami faleceu em 17 de abril devido a uma doença.  Como acontece na maioria dos casos, não foram dados mais detalhes.  As últimas postagens da autora em sua conta no Twitter são de março.

A autora tem vários mangás josei e shoujo cadastrados em seu nome no Bakaupdates, mas é lembrada, segundo o ANN, por duas séries em especial: Akuyaku Reijou ni Tensei Shippai shite Kachi Heroine ni Natte Shimaimashita ~Akuyaku Reijou no Ani to no Kazoku Endo wo Akiramete Koibito End wo Mezashimasu~ (悪役令嬢の兄との家族エンドを諦めて恋人エンドを目指します~轉生反派大小姐失敗結果成為贏家女主~), já encerrada e derivada de light novel, e Momotarou-kun wa Iu Koto o Kikanai (桃太郎くんは言うコトをきかない), que é uma série shounen.  Ela tinha acabado de terminar a segunda parte de uma história comemorativa de Akuyaku Reijou ni Tensei Shippai shite Kachi Heroine ni Natte Shimaimashita, que a editora ainda não havia publicado e será lançada em data a definir.  O Comic Natalie também comentou o falecimento da mangá-ka.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

RIP Marjane Satrapi: Uma autora corajosa e que partiu cedo demais

A notícia arrasadora do dia é que a franco-iraniana Marjane Satrapi (1969-2026) faleceu.  Segundo todos os sites aos quais tive acesso (Yahoo, Reuters, RFI, Carta Capital), Satrapi morreu de tristeza quase um ano depois de perder o marido, Mattias Ripa (1972-2025), que ela considerava "o amor da sua vida".  Marjane Satrapi tornou-se conhecida mundialmente devido ao seu quadrinho autobiográfico Persepólis, sobre sua experiência de crescer e se tornar jovem durante os primeiros anos da Revolução Islâmica iraniana, que virou animação e foi premiado em Cannes.  

Em nosso país, além de Persepólis, que saiu em quatro volumes (*A que eu tenho*) e em edição completa, foram lançados Bordados (*resenha aqui*), Frango com AmeixasMulher, vida, liberdade, obra coletiva de protesto contra o assassinato da estudante Mahsa Amini pela polícia religiosa em Teerã, em 2022.  Sempre crítica ao regime iraniano, mas sem nunca deixar de mostrar amor pelo seu país, Satrapi estava afastada dos quadrinhos e retornou para esse último trabalho, pois estava se dedicando ao cinema. No IMDB, são creditados a ela como diretora e roteirista os seguintes filmes: Persépolis (2007) junto com Vincent Paronnaud;  Frango com Ameixas (2011) também com Paronnaud; La bande des Jotas (2012); As Vozes (2014); a cinebiografia de Marie Curie, Radioativo (2019); Paradis Paris (2024).  

Em 2025, Satrapi recusou a Legião de Honra, a mais alta condecoração da França, citando a "atitude hipócrita" do país em relação ao Irã, segundo a imprensa francesa. "Não posso continuar vendo os filhos de oligarcas iranianos vindo passar as férias na França, chegando até a se naturalizarem, enquanto, ao mesmo tempo, jovens dissidentes têm dificuldade em obter um visto de turista para vir ver como é o país do Iluminismo e dos direitos humanos", escreveu ela na época.  Enfim, Satrapi será lembrada pela sua obra, pela sua militância e por ter ajudado a impulsionar outras carreiras.  Este ano, ela havia criado uma fundação com seu nome e o do marido para ajudar a patrocinar jovens estudantes estrangeiros de cinema na França.  Rest in power, Satrapi!

domingo, 31 de maio de 2026

RIP Hiroyuki Kawasaki (1965-2026)

Em 28 de maio, foi comunicado pela família que o roteirista Hiroyuki Kawasaki faleceu em 23 de janeiro.  Não é incomum que essas notícias de falecimento sejam retardadas pela família, imagino que para garantir certa privacidade durante os funerais.  Não sabemos a causa da morte e o roteirista só tinha 60 anos, o que, para um japonês, está longe de ser uma idade avançada.

Segundo a Wikipedia japonesa, Kawasaki decidiu ser roteirista quando estava no colegial e seguiu seus estudos na capital, matriculando-se na Departamento de Efeitos Especiais da Academia de Artes Visuais de Tokyo e teve Kuniaki Oshikawa e Takao Koyama como professores.  Mais tarde, em 1995, Kawasaki fundou a sua própria escola de roteiristas.  Hiroyuki Kawasaki participou em séries de mmuito destaque, como a primeira animação de Ranma 1/2 (らんま½0 e Yawara! (浦沢直樹), e trabalhou em vários animes shoujo e BL, tais como: Miracle☆Girls(ミラクル☆ガールズ), Ginyuu Mokushiroku Meine Liebe (吟遊黙示録 マイネリーベ), Jigoku Shoujo Futakomori (地獄少女 二籠), Jigoku Shoujo Mitsuganae (地獄少女 三鼎), Gravitation (グラビテーション), Earthian (アーシアン), Shin Shirayuki Hime Densetsu Pretear (新白雪姫伝説プリーティア), Momoiro Sisters (ももいろシスターズ) etc.

domingo, 11 de janeiro de 2026

RIP Manoel Carlos (1933-2026): um dos maiores autores brasileiros de telenovela nos deixou.

Ontem, partiu Manoel Carlos, a notícia foi dada por suas filhas, administradoras da obra do autor. Não sou fã de Manoel Carlos, na verdade, as novelas dele, salvo A Sucessora, talvez, me inspiravam mais repulsa do que qualquer atração e escrevi meus motivos mais de uma vez no blog (*Ex.: 1 e 2*).  Estabelecido isso, ele era um dos grandes autores de novela do Brasil e todo mundo que conhece minimamente novela brasileira reconhece sua assinatura de longe.  Deixou um legado enorme, ajudou a fazer avançar discussões importantes para a sociedade como um todo, era um mestre na arte de introduzir discussões de assuntos importantes do momento mesmo dentro das cenas triviais de suas novelas.  Sua carreira se estendeu por mais de seis décadas; ele começou escrevendo teleteatro nos anos 1950.  Tinha diagnóstico de Parkinson desde 2018 e sua última telenovela Em Família (2014).  A trama obrigou o autor a sair da sua zona de conforto, retratar o bairro carioca do Leblon e seus moradores, e não conseguiu o sucesso esperado.  

Ele está sendo lembrado por ter escrito a primeira protagonista negra do horário nobre da Globo em Viver a Vida.  Escreveu, sim, e muito mal.  E não sou da turma que diz que somente negros podem escrever bem personagens negras, mas que o autor não teve a assessoria que deveria ter, e que não sabia mesmo escrever gente que saísse, e vou usar o termo novamente, de sua zona de conforto.  Eu assisti à novela protagonizada por Taís Araújo para ver como ela seria construída e não larguei por motivos de Mateus Solano, sou muito fã dele.  Para quem não lembra, a pobre Taís Araújo teve que se ajoelhar diante da personagem de Lília Cabral e seu protagonismo foi roubado;  Alinne Moraes virou a protagonista moral da trama.  Uma tristeza mesmo.

Enfim, uma geração de autores de telenovela está partindo e a nova geração está longe de estar à altura.  Lícia Manzo seria a sucessora natural de Manoel Carlos, mas a Globo a descartou, vamos ver se com a morte dele e a retomada mais efusiva de sua obra, ela seja trazida de volta. Para quem quiser conhecer mais sobre a obra do autor, suas filhas têm um canal no Youtube e estão produzindo documentários sobre suas novelas e suas Helenas.  Já parei para assistir, porque me interesso pela história da teledramaturgia, e o material é de grande qualidade.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

RIP Nananan Kiriko: Só recebemos a notícia um ano depois.

No dia 25 de dezembro foi anunciado na imprensa japonesa que a mangá-ka Nananan Kiriko havia falecido um ano antes.  A notícia da sua morte havia sido adiada a próprio pedido da artista e sua família.  Nananan Kiriko estreou em 1993 com Hole, publicado na revista Garo (Seirindou). Ela escreveu principalmente para as revistas COMIC Are! (Magazine House), CUTiE comic (Takarajimasha) e Feel Young (Shodensha), suas obras mais representativas incluem "Blue", "Pumpkin and Mayonnaise" e "Strawberry Shortcakes". Todas as obras mencionadas foram adaptadas para filmes live action.  

Kiriko Nananan  fazia parte de um movimento chamado Nouvelle Manga, um movimento artístico envolvendo artistas japoneses e franco-belgas com o objetivo de estreitando os laços entre eles e promovendo e criando trabalhos que combinem os melhores aspectos do movimento nouvelle vague do cinema francês, com mangás que tratam do cotidiano e histórias em quadrinho franco-belgas.  Nananan Kiriko produzia mangás seinen e josei.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

RIP Björn Andrésen (1955-2025): sem ele não teríamos a maioria dos personagens andróginos dos animes e mangás

Você conhece Oscar da Rosa de Versalhes, Gilbert de Kaze to Ki no Uta, Reinhardt da Lenda dos Heróis Galácticos, Griffith de Berserk, Johan Liebert de Monster?  Estou citando somente alguns, há vários outros, mas todos eles se inspiraram na aparência andrógina de Björn Andrésen (1955-2025), menino catapultado à fama pelo filme Morte em Veneza (1971), de Luchino Visconti.  Andrésen ficou conhecido como o "menino mais bonito do mundo".

O menino tinha 15 anos quando filmou Morte em Veneza e 16 anos quando a película foi lançada.  No filme, Andrésen é Tadzio, um menino polonês que se torna objeto do desejo de um homem decadente de meia-idade.  Não li o livro de Thomas Mann nem assisti ao filme até hoje.  O fato é que a imagem do jovem Andrésen foi objetificada pelo olhar amoroso de Visconti, o filme fez um sucesso pavoroso e o estrago emocional para o garoto foi enorme.  Isso é HISTÓRIA.  O próprio ator relembrou o quanto foi desconfortável a situação em uma entrevista para o The Guardian em 2003: "Eu tinha apenas 16 anos e Visconti e a equipe me levaram a uma boate gay. Quase toda a equipe era gay. Os garçons da boate me deixaram muito desconfortável. Eles me olhavam de forma descarada, como se eu fosse um prato apetitoso... foi o primeiro de muitos encontros desse tipo.".  Faziam esse tipo de coisa com jovens atores e atrizes antes dos anos 1990.  Vocês encontram outros depoimentos do gênero por aí.

O fato é que Andrésen virou uma febre no Japão. Os bishounen não seriam os mesmos sem ele, o shoujo e o BL devem muito a Andrésen. E sua vida, não por causa do Japão em si, mas da exposição e exploração da sua imagem, fez com que ele mergulhasse na depressão e tivesse muitos problemas ao longo de sua vida.  E ele nunca se recuperou da morte de um de seus filhos aos 9 meses de idade, em 1986. Em 2021, foi lançado o documentário The Most Beautiful Boy in the World, revisando a trajetória de Andrésen.  Seu último papel no cinema a ser notado foi em Midsommar (2019).  Acredito que a causa da morte de Andrésen ainda não foi revelada.  Ele tinha somente 70 anos.  Abaixo, um trecho do documentário no qual Riyoko Ikeda explica a importância de Andrésen para o shoujo mangá.

terça-feira, 22 de abril de 2025

RIP Papa Francisco: o homem que tentou arrastar a Igreja Católica para o século XXI

Ontem, foi um dia complicado para mim, postei sobre a morte do Papa Chico no Instagram, mas não coloquei nada aqui no blog, mas preciso. Até explicando minha ausência por aqui, se nada acontecer de estranho, opero catarata amanhã e precisava colocar minha vida em ordem, isto é, corrigir todos os trabalhos dos meus alunos, fechar notas e tudo mais que estiver pendente. Enfim, admirava muito o primeiro papa jesuíta, que muita gente imagina que era franciscano por abraçar o nome Francisco em homenagem ao santo de Assis.  Quem conhece o blog de muito tempo, e este ano esqueci de comemorar os 20 anos do Shoujo Café em 23 de março,  sabe que trabalhei na graduação, mestrado e doutorado com a Ordem Franciscana nos seus primórdios,  o século XIII.  Considerava Francisco um estadista, o maior do século XXI até o momento, alguém que mostrou empatia pelos fracos, pelos pobres, pelos que sofrem, pelos que não tem voz e já o fazia na sua Argentina natal, onde se preocupou em criar um apostolado junto aos moradores das favelas de Buenos Aires.  

Francisco, antes Jorge Mario Bergoglio, era um homem controverso em seu próprio país e eu comentei sobre isso na minha resenha do filme Dois Papas, mas, pelo menos nos últimos anos, seus inimigos, seus detratores, eram pessoas que não estão do mesmo lado que eu estou no espectro político.  Mas eu já estava esperando a partida do Papa Chico, em um dos meus Shoujocast, eu comentei sobre isso.  Agora, é o Conclave e eu preciso fazer a resenha do filme, que eu assisti imaginando que ele tinha algo de premonitório, desenhando muito bem as facções em disputa pelo Vaticano.  além de ser excelente.  Enfim, espero que não seja o fim de uma Era e que o próximo papa seja pelo menos um moderado que conserve os avanços do pontificado de Francisco.  E deixo, agora, o que escrevi no Instagram, porque o texto de lá ficou bom e deve ser preservado aqui:

"Em sua última aparição pública, em sua mensagem de Páscoa, Papa Chico fez um último pedido, pediu pela paz em Gaza, pelo fim do genocídio.

Não sou católica, sequer fui batizada, nasci em um lar protestante, mas tenho profunda admiração por Francisco pelo que fez e pelo que não conseguiu fazer. Qualquer pessoa que tenha estudado minimamente a História da Igreja Católica sabe que a instituição sobreviveu porque soube se adaptar ao longo de séculos. Por outro lado, é preciso ter a percepção de que a igreja não se vê somente como algo terreno, mas uma instituição com uma dimensão espiritual, fora do tempo e, portanto, com toda a eternidade para repensar e mudar questões que, para os seres humanos, são urgentes.

Francisco tentou apressar algumas dessas questões que poderiam ser empurradas para a eternidade, era um homem limitado, como todos são, papas não podem fazer tudo, nunca puderam, a igreja tem uma estrutura que é pesada demais, mas ele buscou acolher, consolar, trazer a instituição para o século XXI, deixando para trás a tentativa de seu antecessor de arrastá-la para o século XIX.

Enfim, ele era um estadista em um tempo em que eles estão em falta. Espero que as forças dentro do Conclave se equilibrem para eleger pelo menos alguém que mantenha o seu legado, mas algo me sugere que, talvez, vejamos ser eleito o primeiro papa africano e, portanto, ultraortodoxo, ou um reacionário europeu ou norte-americano."

E termino com Ilze Scamparini, correspondente da Rede Globo na Itália, falando sobre os últimos momentos de Papa Francisco. 

Não tenho dúvidas de que papa Chico sabia que estava partindo e não de ontem, no entanto, como um agente político que sabia o tamanho que tinha, se esforçou por esse último ato, não somente o "Urbi et Orbi", o que liturgicamente é importante, mas de mandar uma mensagem de paz e da necessidade de tomada de posição para o mundo. E o mundo, neste caso, não se resume aos católicos, mas todos os que têm boa vontade.

domingo, 30 de março de 2025

RIP Richard Chamberlain: um ator que "parecia ter sido esculpido por um deus amoroso a partir de manteiga, mel e graça"

Esta frase brega (*"parecia ter sido esculpido por um deus amoroso a partir de manteiga, mel e graça"*) apareceu no jornal The Guardian como um elogio ao então jovem ator Richard Chamberlain (1934-20025), estrela da série de TV Doutor Kildare.  Achei boa o suficiente para colocá-la no título e não poderia deixar de falar de um dos atores que eu mais amava na passagem da minha infância para a adolescência.  Richard Chamberlain morreu ontem, a notícia foi divulgada hoje, e ele faria aniversário amanhã.  Quase 91 anos é uma longa vida.

Chamberlain era ator e cantor.  Começou no teatro, mas explodiu como estrela ídolo das adolescentes no seriado Doutor Kildare, quando já tinha 27 anos.  Antes de poder se dedicar à carreira, serviu na Guerra da Coreia e se formou em História (*descobri agora que ele era historiador*) e Artes.  Fez muitos papéis na TV, e quem trabalhava na televisão até o início do século XXI não era bem visto como hoje, era o destino de quem não conseguira brilhar no cinema ou estava em fim de carreira mesmo.  Chamberlain, para ser respeitado como ator, dedicou-se ao teatro por vários anos, foi para a Inglaterra, mas terminou retornando para a TV, sendo aclamado por papéis marcantes.  O Padre Ralph de Bricassart de Pássaros Feridos (1983) pode não ter sido o seu melhor papel, mas o transformou em ídolo mundial.  Na época em que o SBT exibiu com grande alarde a série, eu era criança e não pude assistir, só pude ver mesmo quando adulta.   Na casa dos meus pais era obrigatório que a televisão estivesse na Globo na hora do Jornal Nacional e das novelas.  Não havia discussão.  Graças à série, li o livro, que é muito bom, mas, como sempre acontece comigo quando assisto a um filme ou série antes, as personagens têm a voz e o rosto da adaptação, salvo raras exceções.

Em  2003, ele publicou a sua autobiografia chamada "Shattered Love: A Memoir" e confessou que ea homossexual.  Quem acompanhou essa saída do armário e as falas do ator (*o G1 reproduziu algumas, hoje*), sabe o quanto foi difícil para ele, aliás, ele escondeu um casamento por mais de duas décadas.  Em 2014, ele disse em uma entrevista: "Quando você cresce nos anos 1930, 1940 e 1950 sendo gay, não é apenas difícil, é simplesmente impossível".  Em 2010, ele deu outra entrevista na qual aconselhava atores gays a não saírem do armário pelo bem da sua carreira.  Lembro que quando ele se assumiu, eu fazia parte de um grupo sobre romances de época no Orkut e criou-se uma confusão enorme, muitas das mulheres da comunidade dizendo que era um absurdo, que não assistiriam mais a Pássaros Feridos, foi um festival de horrores.  

Ainda é possível encontrar vídeos de Pássaros Feridos no Youtube, coisa antiga, com esses comentários repulsivos.  Lembro de um que dizia que agora entendia por qual motivo ele parecia ter nojo nas cenas de beijo e intimidades na série.  Não havia nada disso, simplesmente, os avanços e recuos do Padre Ralph estavam ligados diretamente ao seu drama mais íntimo.  Ele não podia ter nada com a Maggie, ele era padre (*depois, bispo, arcebispo, cardeal*).  

Enfim, é por isso que acho tão espetacular que o Jonathan Bailey consiga estar no lugar em que está, fazendo vários tipos de personagens, inclusive o galã hétero, sem sofrer o rechaço ou ser humilhado.  Pelo menos em nossos dias, parece, e espero não estar sendo otimista demais, que as pessoas estão conseguindo separar melhor a orientação sexual de um ator ou atriz da personagem que a pessoa está interpretando.  Em décadas passadas, e nem faz tanto tempo assim, vide o Leonardo Vieira (*da Renascer original*), era armário e a obrigação de manter relacionamentos públicos de fachada, casar até, para conseguir se manter como galã, seja em Hollywood, ou em qualquer outro lugar.

Enfim, vocês já sabem que eu gosto muito do ator.  Richard Chamberlain era uma figurinha fácil na Sessão da Tarde ou na programação de filmes do SBT.  Ele foi Aramis nos Três Mosqueteiros (*foi aí que caí de amores por ele*), foi Filipe e Luís no Homem da Máscara de Ferro, foi Allan Quatermain (*que é uma personagem literária*) em dois filmes (*As Minas do Rei Salomão e A Cidade do Ouro Perdida*).  Ele foi, também, o Conde de Monte Cristo (*devo ter assistido, mas não lembro detalhes*), estrelou Shogun (*mas eu não vi a minissérie*), foi Casanova (*que minha mãe não me deixou assistir por causa do horário, mas o ângulo da minha cama era quase perfeito para ver a televisão e eu assisti vários fragmentos*).   A última vez que o vi atuando foi no episódio Steams Like Old Times da série Will & Grace, no qual ele fingia que era um homem gay.  

Mas por qual motivo comecei a pensar em Richard Chamberlain ontem?  Eu estava me lembrando da resenha que fiz de The Slipper and The Rose, uma versão de Cinderela na qual Chamberlain é o príncipe solteirão que quer se casar por amor.  É um musical, é bonitinho, e tem a melhor fada madrinha de qualquer adaptação live action de Cinderela.  Eu recomendo.  A resenha está aqui.  

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

RIP Nobumasa Konagai: Morre o criador das revistas Hana to Yume e Lala

Hoje, foi revelado que Nobumasa Konagai, ela foi o criador das revistas Hana to Yume e Lala, além de editor de Glass Mask (ガラスの仮面), de Suzue Miuchi, e Sukeban Deka (スケバン刑事), de Shinji Wada, faleceu no dia 2 de fevereiro aos 94 anos.  Para vocês verem a importância desse homem e, antes disso, ele foi editor-chefe da revista Margaret, depois de te trabalhado na Ribon.  O jornal Yomiuri trouxe um obituário muito completo e eu vou reproduzi-lo a seguir:

Nobumasa Konagai, membro fundador da Hakusensha e ex-presidente da empresa, faleceu no dia 2 de fevereiro devido à idade avançada. Ele tinha 94 anos. O funeral foi realizado entre parentes próximos.

Nascido na província de Shizuoka. Entrou para a Shueisha em 1955. Depois de trabalhar no departamento editorial da "Ribon" e de outras revistas, ele se tornou editor-chefe da "Bessatsu Margaret" em 1969. Ele participou da fundação da Hakusensha em 1973 e, mais tarde, lançou revistas como "Hana to Yume" e "LaLa" como editor executivo e editor-chefe. Na "Hana to Yume", ela foi responsável por "Glass Mask", de Suzue Miuchi, e "Sukeban Deka", de Shinji Wada. Em 1990, ele se tornou presidente da empresa. Ele deixou a Hakusensha em 2004. Em 2012, ele recebeu o Prêmio de Realização no Festival de Artes de Mídia do Japão da Agência de Assuntos Culturais.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

RIP Barbie Hsu: Morre a estrela do primeiro Meteor Garden, versão Taiwanesa de Hana Yori Dango que ajudou no sucesso da série

Hana Yori Dango (花より男子) é o shoujo mangá mais vendido de todos os tempos.  Sua primeira versão live action, em formato filme, é japonesa (1995) e ninguém gosta muito de lembrar dela.  O que catapultou o sucesso da série em vários países da Ásia foi a primeira adaptação feita em Taiwan com o nome de Meteor Garden, em 2001.  Essa versão chinesa foi muito bem sucedida e terminou vendida para vários países, como a Tailândia e as Filipinas, e fez sucesso no Japão, também.  Esta versão foi importante para a carreira da jovem atriz  Barbie Hsu (1976-2025), que se tornou uma estrela em seu país e vários outros países asiáticos.

 Barbie Hsu faleceu na semana passada com 48 anos, minha idade, aliás.  Segundo a BBC, a atriz teria ido passar o feriado do ano Novo Chinês no Japão, lá ela adoeceu.  A informação da família é que ela contraiu influenza e desenvolveu pneumonia.  Hsu tinha um histórico de epilepsia e uma doença cardíaca, que pode ter contribuído para apressar a morte da atriz.  

E um acréscimo, minha amiga Tabby recordou que Barbie Hsu interpretou a Kira  no dorama de Mars (マース), baseado no mangá de  Fuyumi Soryo.  Acredito que foi o primeiro dorama que eu assisti.  Ele é muito bom e é de 2004.  Aliás, Mars é  um mangá que já deveria ter saído no Brasil faz muito tempo.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Retrospectiva do Shoujocast 2024

Mais um ano chega ao seu final e agradeço a todos e todas que assistiram aos programas deste canal.  Este e o último Shoujocast do ano, a retrospectiva.  Falo de mangá, anime, seriados, novelas, filmes e há um In Memoriam, porque perdemos muita gente boa este ano.  Enfim, na página do Youtube, haverá a minutagem para facilitar o deslocamento no programa, assim como os links desse Shoujocast.  Muito obrigada por ficarem mais um ano comigo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

RIP Makoto Takahashi: Um dos criadores da estética do shoujo mangá nos deixou

O Manga Mogura acabou de noticiar o falecimento de Makoto Takahashi, um dos pioneiros do shoujo mangá e um dos responsáveis pela criação da estética que normalmente associamos à demografia.  Takahashi fez mangás e foi prolífico ilustrador de livros.  Nascido em 1934, ele estreou como mangá-ka em 1953.   

Ele fez a sua última exposição de trabalhos este ano, em comemoração aos seus 90 anos de idade.  A morte do artista já está na Wikipedia japonesa, a conta oficial do autor no Twitter também notificou o óbito, mas não tenho mais informações sobre as causas.  Há vários posts sobre Takahashi no blog, mas recomendo três: Quem inventou os olhos brilhantes do shoujoMacoto Takahashi e a invenção do style-ga: Visitando os Primórdios do Shoujo Mangá.


P.S.: O Pro Shoujo Spain, publicou que Takahahi morreu depois de uma longa internação para o tratamento de um câncer.  😭