A notícia arrasadora do dia é que a franco-iraniana Marjane Satrapi (1969-2026) faleceu. Segundo todos os sites aos quais tive acesso (Yahoo, Reuters, RFI, Carta Capital), Satrapi morreu de tristeza quase um ano depois de perder o marido, Mattias Ripa (1972-2025), que ela considerava "o amor da sua vida". Marjane Satrapi tornou-se conhecida mundialmente devido ao seu quadrinho autobiográfico Persepólis, sobre sua experiência de crescer e se tornar jovem durante os primeiros anos da Revolução Islâmica iraniana, que virou animação e foi premiado em Cannes.
Em nosso país, além de Persepólis, que saiu em quatro volumes (*A que eu tenho*) e em edição completa, foram lançados Bordados (*resenha aqui*), Frango com Ameixas e Mulher, vida, liberdade, obra coletiva de protesto contra o assassinato da estudante Mahsa Amini pela polícia religiosa em Teerã, em 2022. Sempre crítica ao regime iraniano, mas sem nunca deixar de mostrar amor pelo seu país, Satrapi estava afastada dos quadrinhos e retornou para esse último trabalho, pois estava se dedicando ao cinema. No IMDB, são creditados a ela como diretora e roteirista os seguintes filmes: Persépolis (2007) junto com Vincent Paronnaud; Frango com Ameixas (2011) também com Paronnaud; La bande des Jotas (2012); As Vozes (2014); a cinebiografia de Marie Curie, Radioativo (2019); Paradis Paris (2024).
Em 2025, Satrapi recusou a Legião de Honra, a mais alta condecoração da França, citando a "atitude hipócrita" do país em relação ao Irã, segundo a imprensa francesa. "Não posso continuar vendo os filhos de oligarcas iranianos vindo passar as férias na França, chegando até a se naturalizarem, enquanto, ao mesmo tempo, jovens dissidentes têm dificuldade em obter um visto de turista para vir ver como é o país do Iluminismo e dos direitos humanos", escreveu ela na época. Enfim, Satrapi será lembrada pela sua obra, pela sua militância e por ter ajudado a impulsionar outras carreiras. Este ano, ela havia criado uma fundação com seu nome e o do marido para ajudar a patrocinar jovens estudantes estrangeiros de cinema na França. Rest in power, Satrapi!














































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