segunda-feira, 20 de julho de 2026

Editora Taverna do Rei deve publicar o mangá Though I am an Inept Villainess + Resenha dos dois primeiros episódios do anime

Ainda não foi confirmado pela editora, o Mangás Brasil está dando como certo que a Taverna do Rei irá publicar o mangá Futsutsuka na Akujo dewa Gozaimasu ga ~Suuguu Chouso Torikae Den~ (ふつつかな悪女ではございますが ~雛宮蝶鼠とりかえ伝~), cujo título internacional é Though I am an Inept Villainess ~Tale of the Butterfly-Rat Swap in the Maiden Court~, no Brasil.  O motivo é que a capa do mangá apareceu em uma live da editora no meio de várias obras recebidas por eles.  Bem, como o anime está no ar, seria um bom momento para anunciar o mangá ou as novels.  E eu decidi comentar esse possível lançamento, porque eu fui lá assistir aos dois primeiros episódios da série e queria fazer uma resenha rápida.

A autora de Though I am an Inept Villainess, Satsuki Nakamura, começou a lançar sua história naquele site que é um celeiro de sucessos chamado Shousetsuka ni Narou (Vamos nos tornar romancistas), em 2020.  No mesmo ano, apareceram as light novels com ilustrações de Kana Yuki.  Já o mangá, é publicado na revista Comic Zero Sum e tem arte de Ei Ohitsuji.  São 12 livros até o momento e  10 volumes de mangá.   E qual é a história da série?  "Como donzela favorita do príncipe herdeiro na corte, o futuro de Kou Reirin como a próxima imperatriz está praticamente garantido. Isso até que seu rival, Shu Keigetsu, o "rato de esgoto" da corte, a empurra de uma sacada! Reirin sobrevive, mas acorda no corpo de Keigetsu! Descobre-se que Keigetsu usou magia para trocar de corpo com Reirin a fim de roubar sua posição na corte. Depois de ter sido doentia a vida toda, Reirin está determinada a usar esse novo corpo para mudar sua situação. Ela não deixará nada impedi-la, nem mesmo sua iminente execução!"

Estão disponíveis no Crunchyroll os dois primeiros episódios de Though I am an Inept Villainess. Assisti hoje pela manhã e a animação é excelente, a arte é linda, o figurino é impressionante, agora, a história é muito, muito, muito descabeçada.    Temos uma corte com donzelas dos principais clãs do Reino de Ei; cada um desses clãs é ligado a um elemento, como a terra, o fogo e por aí vai. Kou Reirin é sobrinha da imperatriz, é uma moça prendadíssima, gentil e o príncipe herdeiro provavelmente a escolherá como esposa.  Só que a mocinha tem uma saúde muito frágil e doentio. Ela é chamada de borboleta.

No mesmo harém, está Shu Keigetsu, sobrinha da belíssima primeira consorte.  Keigetsu é linda, mas é vulgar, deselegante e mal educada.  Ela não trata bem suas damas de companhia e tem uma inveja absurda de Reirin.  Um dia, Keigetsu, que domina as artes mágicas, decide se livrar de Reirin.  Aparentemente, ela tenta matar a jovem, mas a ideia é trocar de corpo com ela.  Reirin acorda na masmorras do palácio, sozinha, em um corpo que não é seu e parte do feitiço é perder a voz todas as vezes emm que tenta explicar quem é de verdade.  Keigetsu tem tudo planejado, ela envia sua principal dama com veneno para que Reirin se suicide, porque, se não o fizer, será submetida a uma terrível ordália: ser trancada em uma jaula com um leão faminto.  Se o leão não a comer, ela será considerada como inocente.

Eis o cenário.  Nossa mocinha se desespera?  Nããããoooo!  Ela fica feliz por ter um corpo saudável pela primeira vez na vida e decide enfrentar a ordália com uma tranquilidade que faz com que muita gente tenha dúvida se ela é culpada ou não.  E nossa mocinha ainda acaba atraindo a atenção do único homem interessante desse anime, o capitão Olho de Águia, cujo nome é Shin-u.  Sabemos que nossa mocinha escapa da ordália, mas ela continua sendo punida e é enviada para uma choupana isolada dentro do complexo do palácio, cheio de buracos no telhado e um matagal.  Nossa mocinha se abala?  Nããããoooo! Cheia de um otimismo tóxico, como o elemento de seu clã é a terra, ela consegue transformar o matagal em uma horta, limpa tudo, faz sua própria comida etc.  Tudo sozinha, porque sua dama chamada Lee Lee, a abandona.  

A única ajuda que ela recebe é do capitão, o único homem decente e interessante desse anima, que teve que ir espioná-lo por ordem do príncipe.  Ela lhe pede sal, porque para fabricá-lo demoraria muito, afinal, seria necessário chorar muitas lágrimas.  Torço para que Reirin fique com o capitão, mas sei lá o que acontece.  Enfim, nossa mocinha no corpo da vilã está feliz com o corpo saudável e a liberdade que pode gozar pela prieira vez.

Já a vilã está em uma situação inusitada e que acaba colocando por terra qualquer racionalidade.  Se Reirin tinha um corpo doente e débil, ela deveria ser protegida e poupada, certo?  Nããããoooo!  Apesar de toda a sua fragilidade, ela é capaz de bordar, escrever 100 sutras por dia, tocar vários instrumentos musicais e até lutar artes marciais.  Faz sentido isso?  Ela superou Tsukikage-sensei de Glass Mask (ガラスの仮面), a doente terminal mais saudável da cultura pop japonesa.  O problema é que Keigetsu não sabe fazer nada.  Ela pertencia a um ramo empobrecido da família, seu pai era um feiticeiro e ela ficou órfã quando seus genitores cometeram suicídio por estarem endividados.  A primeira consorte a levou para o harém por ter pena dela. E ela se torna alvo do desprezo das damas do clã por causa de sua origem. Ela é chamada de rato de esgoto.  Faz sentido isso?  Arriscar a honra do clã levando uma moça tão inadequada para disputar a atenção do filho do imperador?  Nããããoooo!  Faz sentido essa falta de respeito pela donzela do clã?  Nããããoooo! 

E temos Lee Lee, a dama de Keigetsu.  Ela também tem uma origem estranha.  É filha de uma dançarina estrangeira e herda os cabelos vermelhos da mãe, o que faz dela uma ruiva de verdade, porque não acredito que os louros da série tenham cabelos  dourados reais.  Ela é bastarda de um nobre e tem um jeito grosseiro de falar.  Se Keigetsu não é tratada com respeito, ela muito menos.  E ela abandona sua senhora, além de estranhar seu comportamento.  Só que termina sendo cooptada para espionar Keigetsu em troca do mais básico: comida.  Porque estão negando alimento para Keigetsu, por ela ter tentado matar Reirin, e como ela é sua dama também não receberá nada.  Enfim, Lee Lee será conquistada pela bondade da mocinha que está no corpo da vilã.

A série é engraçada, mas nada ali faz muito sentido.  Talvez se Reirin fosse realmente frágil e, não, essa dama super capaz a coisa não me parecesse tão insana.  Mas Reirin é divertida com seu otimismo exagerado e até fiquei curiosa em ver no que essa história vai dar.  De qualquer forma, não é uma série de vilã comum e acredito que Keigetsu irá se redimir.  E o traço é lindo, o figurino é espetacular e as músicas são boas, também.  É um anime muito bem cuidado.

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