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sábado, 5 de setembro de 2026

Como a diretora executiva Naoko Yamada deu vida a Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia (Entrevista traduzida)


A Jéssica postou no grupo do Facebook esta entrevista feita pelo site Anime Trending com a diretora executiva no anime Tenmaku no Jaadugar (天幕のジャードゥーガル), baseado no mangá de Tomato Soup.  Decidi traduzir para deixar aqui no blog.  Como estou assistindo ao anime, imagino que ele não irá cobrir nem os 6 volumes atuais.  Dado o sucesso, não me surpreenderia se anunciassem um filme para o cinema ou segunda temporada em breve.  Também não tenho ideia de até qual ponto da vida de Fátima a autora pretende adaptar.  De qualquer forma, a experiência de assistir Jaadugar é muito boa.

Comentando dois aspectos da entrevista.  Considero lamentável a percepção que a diretora expressou sobre a escravidão.  Compreender que a instituição escravidão é multifacetada e é historicamente determinada é uma coisa, mas abraçar a ideia de que o escravizado era como alguém "da família" é perder de vista que o escravizado, por melhor colocado socialmente que esteja, é sempre uma coisa.  Pode ser punido, vendido, violado no seu próprio corpo.  Espera-se dele ou dela uma fidelidade extra, mesmo em sociedades extremamente desiguais nas quais pessoas livres sofrem violências que hoje não sejam vistas como adequadas.  Dito isso, não estou pedindo que as críticas estivessem dentro do mangá (*porque a situação veio do original*) ou do anime, mas que a diretora executiva refletisse mais criticamente sobre o tema.  


O outro aspecto, os demais "temas sensíveis", algo que é esquecido tanto no mangá, quanto no anime, é a violência sexual contra homens e mulheres.  Isso foi apagado e basta olhar a literatura sobre os mongóis e observar que a questão aparece com frequência.  E ela não precisava ser graficamente mostrada; existem formas de colocar a questão sem criar uma história idealizada.  Mas, sim, eu sei... As sensibilidades da geração atual não vaos causar desconforto e pintar o passado de cor-de-rosa.

De resto, o link para o original é este aqui.  Mantive a mesma estrutura ao traduzir, incluindo as imagens.  O texto traduzido está abaixo.  Para quem quiser comprar o mangá, ele está sendo publicado pela Panini no Brasil.

Como a diretora executiva Naoko Yamada deu vida a Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia

Grace Qu

Sob a direção magistral de Naoko Yamada e Abel Góngora , o estúdio Science SARU dá vida a Jaadugar: A Witch in Mongolia , a história de Sitara, inspirada em Fátima, uma das mulheres mais influentes do Império Mongol do século XIII. O anime conquistou o público com seu design de personagens único, sua trilha sonora autêntica e o uso criativo da linguagem para imergir os espectadores na época do reinado do Império Mongol. Na Anime Expo 2026, o Anime Trending conversou com Naoko Yamada, diretora executiva de Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia, sobre as complexidades dessa história.

O Islã, como religião, apesar de ser uma das maiores religiões da atualidade, raramente é retratado em animes, mas é importante para o cenário, a história e os personagens de Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia . Você mencionou ter feito viagens de pesquisa para a criação deste anime, e eu gostaria de saber em que você se concentrou em sua pesquisa sobre o Islã e como você traduziu isso para o anime.

Naoko Yamada: Há muito sobre o Islã e a Mongólia que não é muito conhecido do ponto de vista japonês, então eu queria analisar os fundamentos — como os povos do Irã (Pérsia) e da Mongólia realmente vivem, o que aprendem, o que realmente valorizam e sua filosofia em geral. Eu queria entender a cultura e captar a essência religiosa que construíram desde os tempos antigos. Mais importante ainda, eu queria ver tudo isso de uma perspectiva imparcial, então me dediquei bastante à pesquisa sobre a Mongólia. Também visitei uma mesquita aqui no Japão, o Centro Cultural Turco Tokyo Camii Diyanet, para estudar para este anime.

Diretora Executiva Naoko Yamada

Sitara é baseada em uma figura histórica real do Império Mongol chamada Fátima. Embora ela tenha vivido durante o reinado de Genghis Khan, grande parte de sua vida se desenrolou após a morte dele. Internacionalmente, a maioria das pessoas associa a história da Mongólia apenas a Genghis Khan e geralmente não explora a história fora desse período. Durante suas viagens de pesquisa e fora delas, como você buscou aprender sobre esse lado da história que a maioria das pessoas ignora e o que mais te marcou ao estudá-lo?

Naoko Yamada: Esta obra também retrata o fim do reinado de Genghis Khan e como seus filhos conquistaram mais terras além da Mongólia. Pude aprender sobre essa história com guias mongóis durante minha viagem de pesquisa, que me ensinaram muito. O que considerei importante observar foi a maneira como eles falavam e como viam as coisas. Senti que a visão de mundo deles não mudou muito ao longo do tempo.

Os guias falaram sobre contemplar as montanhas, imaginar o que existe além do céu e refletir sobre coisas tão grandes e distantes. Essa perspectiva ampla e expansiva é parte integrante da filosofia mongol, e senti que precisava valorizar essa forma de pensar ao criar este trabalho. Neste projeto, quis dar muita importância aos atributos que aprendi sobre a cultura e o povo mongol.

Durante o período da conquista mongol, muitas nações normalizaram a escravidão. Sitara é retratada como escrava desde o início da história. Você poderia explicar como abordou a representação de um sistema que hoje sabemos ser desumano no anime, mantendo ainda a precisão histórica?


Naoko Yamada: Esta obra começa com a história de alguém sendo usado como escravo na casa de um erudito. Inicialmente, eu tinha a impressão de que a palavra "escravo" carregava algo desumano, mas quando li a obra original, embora o termo "escravo" seja usado, Sitara — assim como Zumurrud e Anis — são tratados como membros da família. Elas têm permissão para aprender, e Sitara é até incentivada a fazê-lo. Isso me surpreendeu e me fez perceber que eu não sabia muita coisa sobre o panorama completo da escravidão nesse período específico e nessa região específica, então esse se tornou um dos meus campos de pesquisa.

Na história, algumas das pessoas chamadas de escravas estão ali por decisão de seus senhores, enquanto outras têm suas próprias perspectivas únicas sobre suas situações — isso foi algo novo para mim aprender e entender. E cheguei à conclusão de que não havia apenas uma maneira de encarar a situação — quero dizer, havia tantos pontos de vista diferentes que eu precisava compreender para ter uma visão completa. Isso se tornou algo que eu realmente queria transmitir com cuidado e atenção no anime: a escravidão considerando todo o seu contexto histórico, em vez de tratá-la como algo simplista.

Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia é um mangá incrivelmente cheio de nuances que aborda diversos temas, como religião, assimilação, multiculturalismo, política e geopolítica. Como vocês conseguem acompanhar tudo isso?

Naoko Yamada: Havia vários temas sensíveis que precisávamos abordar no anime, e havia muita coisa sobre a cultura mongol que não compreendíamos completamente de início, então contamos com consultores especializados em pesquisas sobre a Mongólia para nos orientar nesses detalhes e nos manter no caminho certo.

De todos os elementos do anime, do que você mais se orgulha e por quê? Pode ser uma cena específica, uma música, um cenário específico — qualquer coisa relacionada ao anime.

Naoko Yamada: Se eu disser apenas "tudo", soa monótono, mas eu realmente amo tudo — as cores são lindas, a arte de fundo é fascinante e a música é incrível. Tantas pessoas talentosas participaram da criação disso que eu sei exatamente quem fez cada cena, e penso nelas sempre que assisto ao anime. Meu apreço e amor por ele só aumentam.

Você imaginava que a adaptação de Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia receberia tanto carinho e aclamação ? Pode compartilhar suas impressões sobre o feedback que recebeu do público?

Naoko Yamada: Quando o PV foi lançado, imagino que as pessoas devem ter pensado: "Nunca imaginei que fariam um anime sobre esse tema no Japão". Fiquei genuinamente surpresa ao ver que há tantas pessoas interessadas na história mongol e persa do século XIII, e tantas que ficaram entusiasmadas em ver isso virar um anime. Achei que fosse um tema bem específico, mas fiquei muito tocada com a reação de todos e com o feedback positivo que vi.

Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia está disponível para streaming na Crunchyroll .

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O único Destino dos Vilões é a Morte terá animação em breve

A série O único Destino dos Vilões é a Morte, seu nome no Brasil, ou Villains Are Destined to Die, o título internacional, teve seu anime anunciado.  A série, tanto as novels quanto os livros originais, é lançada no Brasil pela Newpop.  Não tenho certeza, mas foi a primeira novel da Newpop, no máximo, a segunda.  Eu nunca peguei nada desse manhwa para ler. Isekai de vilã tem que ter algo de especial (*para mim*) para me atrair.   Mas vamos lá, o resumo dado pela Newpop é o seguinte: 

Eu vou recomeçar até que o destino dessa vilã… Não seja a morte. Nascida e criada como filha ilegítima de uma família rica e dona de conglomerado, ela finalmente conseguiu escapar daquela casa infernal, mas então… acabou sendo transportada para um jogo de simulação de relacionamento e virou a vilã, Penelope Eckhart. Se ela falhar em conquistar um dos cinco personagens principais antes da protagonista do jogo retornar, seu destino será apenas a morte! Em um jogo de vida ou morte, quem será o rapaz que Penelope escolherá?

Segundo o ANN, a protagonista é uma estudante chamada Siyeon Cha e o jogo de harém reverso se chama Daughter of the Duke’s Super Love Project (Super Projeto Amoroso da Filha do Duque).  A autora da novel se chama Gwon Gyeoeul e o manhwa é de uma artista chamada Suol.  A série de novels já está encerrada e o manhwa está na sua reta final.  Como o volume #1 do quadrinho está esgotado, espero que a Newpop faça um relançamento, porque com anime anunciado, mmmuita gente irá se interessar.

Taverna do Rei confirma o mangá Though I am a Villainess e a série de novel entra na reta final

 

A editora Taverna do Rei confirmou em uma live que irá publicar o mangá Futsutsuka na Akujo dewa Gozaimasu ga: Suuguu Chouso Torikae Den (ふつつかな悪女ではございますが ~雛宮蝶鼠とりかえ伝~) ou, como é mais conhecido, Though I Am an Inept Villainess: Tale of the Butterfly-Rat Body Swap in the Maiden Court, de Satsuki Nakamura e Ei Ohitsuji.  O mangá é publicado na revista Coic Zero Sum e tem dez volumes até o momento.  Não sei se irão manter o mesmo nome.  O vídeo da live está abaixo:


Outra notícia sobre a série é que as novels, que contam com 13 volumes até o momento, entraram na reta final.  Espero que reta final seja para terminar logo.  Não sei onde o mangá está na história.  O anime da série está no ar neste momento.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Shoujocast no Ar! Resumão da temporada de animes até agora.


Gravei um resumão das minhas observações sobre os animes da temporada, que consegui assistir até agora. Falta olhar alguns, se eu tivesse assistido ao episódio #4 de Oni no Hanayome antes de gravar o programa, teria outras coisas a dizer (*e não seriam elogios*), mas foi o que consegui fazer antes de me ausentar de casa. Espero que minha falação seja pelo menos divertida de se ouvir. A minutagem está abaixo e, claro, haverá spoilers.  Para quem quiser minhas primeiras impressões por escrito, é só clicar na tag reviews.  Aqui, o Shoujocast sobre as estreias da temporada e o texto listando e comentando todos eles é este.

 

sábado, 25 de julho de 2026

Entrevista traduzida com Tomato Soup e o diretor Abel Gongora sobre o anime Tenmaku no Jaadougal (Uma Bruxa na Mongólia)

Fiquei surpresa em descobrir que o diretor de Tenmaku no Jaadougal: Uma Bruxa na Mongóllia (天幕のジャードゥーガル) é espanhol.  E apareceu o link de uma conversa entre ele e a autora do mangá, Tomato Soup, sobre a animação.  Impossível não traduzir, o diretor cita inclusive a guerra que os Estados Unidos estão fazendo contra o Irã.  Já a questão da escravidão merecia mais reflexão; de qualquer forma, é um material interessante para discutir as diferenças entre mangá e anime.  Como sempre tento fazer, mantive a estrutura do original, mas, para quem quiser ler em japonês, é só visitar a página da revista Soufflé.  O mangá foi licenciado pela Panini e está em pré-venda.  Já o anime, pode ser assistido na Crunchyroll.

Entrevista especial com o mestre da Tomato Soup e o diretor Abel Gongora sobre o anime "Tenmaku no Jaadougal" | Souffle

Devido ao enorme sucesso do anime "Tenmaku no Jaadougal", trazemos uma entrevista especial com o diretor Abel Gongora! Eles discutiram com entusiasmo as diferenças de expressão entre anime e mangá!

Todos os sábados às 23h30

Exibido na rede nacional de 24 emissoras da TV Asahi no bloco "IMAnimation", BS Asahi e outros canais!

Perfil

・Abel Gongora

Nascido na Espanha. Depois de trabalhar como animador em estúdios na Irlanda e na França, juntou-se à Science SARU. Estreou na direção com o videoclipe de "Brand New Story", da banda EXILE, tema do filme "Ride Your Wave" (2019). Desde então, dirigiu "T0-B1" (2021) para Star Wars: Visions e a série da Netflix "Scott Pilgrim: Takes Off" (2023). Trabalhou na animação de abertura da primeira temporada de "Dandadan" (2024) e codirigiu a segunda temporada (2025) com Fuga Yamashiro. Também dirigirá "Tenmaku no Jardougal".

・Tomato Soup

Formado pela Universidade de Arte de Tama. Cria principalmente mangás com temática da história do mundo medieval ao início da era moderna. Sua obra de estreia, "Dampier's Delicious Adventure" (East Press, 6 volumes), ficou em 6º lugar na categoria masculina do "This Manga is Amazing! 2021 da Takarajimasha". Sua série atual, "Tenmaku no Jaadougal" (Akita Shoten, 5 volumes publicados), serializada em "Soufflé", ficou em 1º lugar na categoria feminina do "This Manga is Amazing! 2023 da Takarajimasha" e ganhou o "55º Prêmio da Associação de Cartunistas do Japão, Grande Prêmio da Divisão de Quadrinhos". Ele também está serializando "Kanshin Sumbato" (Shinshokan, 1 volume publicado) em "WINGS".

Uma cena que destaca a bela paisagem urbana persa enquanto aprofunda os sentimentos de Sitara.

Tomato Soup-sensei (doravante, T): Fiquei realmente surpresa com o quão incrivelmente... incrivelmente cativante este anime se tornou. A cena de abertura do primeiro episódio foi maravilhosa!

Abel Gongora, Diretor (doravante, A): É a cena em que Sitara está fugindo da cidade de Tus, certo? Acho que é uma cena que destaca a bela paisagem urbana persa daquela época enquanto aprofunda os sentimentos de Sitara. Sitara foi vendida e comprada como escrava naquela época, mas mesmo adulta, eu queria retratar claramente o motivo pelo qual ela ainda sente saudade daquela era.

T: Incluir isso como um elemento original no anime realmente me chamou a atenção desde o início; aumentou instantaneamente a sensação de imersão e me emocionou muito.

A: Depois de assumir este projeto, reaprendi a história persa e, quanto mais pesquisava, mais sentia seu grande encanto. Por isso cheguei à conclusão de que Tus, onde Sitara passou a infância, devia ser um lugar verdadeiramente fascinante. Seria uma pena simplesmente ignorá-lo, então tentei elaborar um pouco mais.

A paisagem urbana de Tus vista pelos olhos de Sitara

T: Mesmo na cena de Tokrultai, você complementou perfeitamente a representação da multidão que eu não consegui retratar completamente, e a atmosfera vibrante que não pude incluir devido às limitações de espaço... As pessoas que vivem lá foram retratadas de forma tão vívida.

A: Obrigado. Estou muito feliz.

T: Eu também estou muito feliz. Mas, no geral, foi uma adaptação fiel da obra original, e sou muito grata por você ter incorporado elementos que só a animação consegue fazer, e por ter trazido à tona o charme único da animação.

A: Embora não tenhamos feito grandes mudanças, ao adaptar um mangá para animação, a adição de cores e modificações no design inevitavelmente alteram sua aparência. Os movimentos dos personagens também provavelmente mudarão a sensação dos quadros em comparação com o original.

T: Eu realmente entendi o quão completamente diferentes são a produção de animação e a de mangá. Recebo muitas perguntas sobre produção de animação, mas há muitas coisas que eu não teria percebido sozinha. Por exemplo, mesmo ao desenhar um personagem, a animação envolve muitos membros da equipe, então, para manter a precisão, você precisa entendê-lo como um objeto tridimensional. No entanto, quando desenho sozinha, o mangá é apenas bidimensional, então eu poderia pensar: "Mesmo que a estrutura esteja um pouco fora, contanto que fique bonito como uma imagem, está tudo bem". Eu realmente percebi que esse tipo de pensamento não funciona na indústria da animação.

A: Anime e mangá são frequentemente considerados semelhantes, mas são completamente diferentes. Quando eu era criança, sonhava em ser um artista de mangá, mas era muito difícil, então desisti (risos).

O ger, como expresso no anime

Eu queria enfatizar um pouco mais o tema da "liberdade".

T: Fiquei surpresa ao ver quantas pessoas trabalham na produção de anime. Fiquei um pouco intimidada (risos) pelo fato do mangá que eu desenhava por diversão, que eu considerava meio hobby, poder ser transformado em uma obra tão completa por tantas pessoas. Seu trabalho principal como "diretor", Gongora, é supervisionar todos esses membros da equipe?

A: Exatamente. Pode ser difícil perceber de fora, mas em uma série de anime, há um diretor para cada episódio, e eles criam cada episódio refletindo sua própria individualidade e interpretação. Claro, queremos que eles sejam flexíveis, mas um certo grau de consistência e regras também é necessário. Então, Yamada (Naoko, a diretora-geral) e eu revisamos os storyboards de cada episódio e garantimos que estejam corretos. O diretor e a diretora-geral estão em melhor posição para entender a direção que queremos seguir e o estilo que queremos retratar, então garantimos que mantenhamos a consistência.

T: Quando nos conhecemos, quais eram suas intenções como diretor de animação? Quais eram seus objetivos para "Tenmaku no Jaardougal"?

A: Eu queria enfatizar um pouco mais o tema da "liberdade". Na cena de abertura que mencionei antes, Sitara ri enquanto observa os pássaros voarem. Eu queria retratar ali o anseio por liberdade.

T: Retratar a condição de "escravo" é difícil. Esta obra poderia ser vista como uma apologia à escravidão. Por outro lado, sempre tento transmitir sutilmente que a escravidão ainda é um problema, e acho que esse conflito foi captado no sentido do anseio por liberdade.

A: Essa questão é muito complexa, e a mensagem da obra não é dizer que "escravidão = mal". É difícil comentar sem entender o contexto histórico, e de uma perspectiva moderna, é compreensível pensar que é algo ruim, mas o fato é que a sociedade da época era estruturada dessa forma. No anime, inicialmente retratamos a protagonista, uma escrava, ansiando por liberdade, e então, à medida que a situação se torna mais complexa, queremos mostrar como esses sentimentos também se tornam mais complexos.

T: A escravidão não pode ser simplesmente defendida, nem simplesmente condenada; é algo que vem com responsabilidade. Achei muito bonito que a representação inocente de Sitara sonhando com a liberdade como pássaros voando sirva como ponto de partida para ela aprender sobre essas coisas mais tarde.

T: Os pássaros voando sobre a cidade de Tus evocam emoções fortes.


Sitara ri enquanto observa os pássaros voarem livremente.

Ela tem um lado bondoso, ajudando as pessoas, mas ao mesmo tempo, é um pouco travessa.

T: Você encontrou algum personagem de que gostou?

A: Eu gosto do Shira. Um dos poucos habitantes de Samarcanda. Ele também é um pouco travesso. É bonito e tem um charme especial.

T: Obrigada. O Shira animado também é muito simpático e fofo!

A: Eu sempre quis visitar a Mongólia, então tive a sorte de poder ir para lá para fazer a pesquisa de locações (risos). Minha imagem da Pérsia mudou bastante. Quanto mais eu pesquisava sobre a arquitetura, a cultura e a história, mais impressionado eu ficava. Ao mesmo tempo, também me deparei com muitas obras-primas do cinema iraniano. Historicamente e na atualidade, acho que a Pérsia/Irã é um país complexo. É um momento muito difícil agora, e meu coração dói toda vez que vejo as notícias.

T: Eu ficaria feliz se este trabalho despertasse ao menos um pouco de interesse em países como o Irã e a Mongólia, que as pessoas tendem a considerar lugares distantes. Eu ficaria feliz se elas pudessem "descobrir" que existem pessoas vivendo lá, que são diferentes de nós e que são iguais a nós. Eu mesma fiz essa descoberta enquanto desenhava.

A: É verdade. Me sinto verdadeiramente honrado por ter participado deste trabalho. Muito obrigado.

Shira possui tanto bondade quanto astúcia.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Ranking da Oricon: Semana 13-19/07

Saiu o Ranking da Oricon e esta semana, temos onze mangás shoujo e josei entre os trinta mais vendidos.  O mangá melhor colocado é Honzuki no Gekokujou (The Ascendance of a  Bookworm), série longa e muito bem-sucedida tanto como novel, quanto como mangá e animação.  Não listei, porque não está no top 10, mas a série agora tem um spin-off shounen, também, segundo o mangaupdates.    

Ainda no top 10, Oni no Hanayome permanece, mantendo inclusive sua edição limitada no top 30.  Normalmente, edições limitadas ficam uma semana só.  Aliás, o último volume de Hananoi-kun to Koi no Yamai colocou as duas edições no top 30.  Tenmaku no Jaadugal não entrou no top 10, mas talvez suba no ranking para a semana que vem.  

E o impactante volume #19 de Hoshi Furu Oukoku no Nina apareceu entre os 30 mais.  Espero que a autora resolva a história até o volume #21, porque ela foi bem cruel nesse último volume e, sim, Nina já se decidiu e, não, isso não quer dizer que ela vai ficar com Sett, porque, ao que parece, minha teoria da morte da mocinha pode se concretizar, mas não como eu imaginei... Mas tem mais coisa nesse volume, um gancho final de tirar o fôlego. 🥺

1. ONE PIECE #115
2. Yomi no Tsugai #13<br>
3. HUNTER×HUNTER #39
4. Shangri-La Frontier #27 ~Kusoge Hunter, Kami-gee ni Idoman to su ~
5. MIX #25
6. Honzuki no Gekokujou ~Shisho ni Naru tame ni wa Shudan wo Erandeiraremasen~ Daisan Bu: Ryouchi ni Hon o Hirogeyou! #10
7. One-Punch Man #37
8. Shuumatsu no Valkyrie #28
9. Oni no Hanayome #10
10. Dekiru Neko wa Kyou mo Yuuutsu #13
16. Tamaranai no wa Koi na no ka #7
18. Tenmaku no Jaadugal #6
19. Hananoi-kun to Koi no Yamai #19
20. Haru no Arashi to Monster #11
24. Hoshi Furu Oukoku no Nina #19
25. Kurosaki-kun no Iinari ni Nante Naranai S #3
27. Hananoi-kun to Koi no Yamai #19 Edição Especial
30. Oni no Hanayome #10 Edição Especial com Booklet

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Editora Taverna do Rei deve publicar o mangá Though I am an Inept Villainess + Resenha dos dois primeiros episódios do anime

Ainda não foi confirmado pela editora, o Mangás Brasil está dando como certo que a Taverna do Rei irá publicar o mangá Futsutsuka na Akujo dewa Gozaimasu ga ~Suuguu Chouso Torikae Den~ (ふつつかな悪女ではございますが ~雛宮蝶鼠とりかえ伝~), cujo título internacional é Though I am an Inept Villainess ~Tale of the Butterfly-Rat Swap in the Maiden Court~, no Brasil.  O motivo é que a capa do mangá apareceu em uma live da editora no meio de várias obras recebidas por eles.  Bem, como o anime está no ar, seria um bom momento para anunciar o mangá ou as novels.  E eu decidi comentar esse possível lançamento, porque eu fui lá assistir aos dois primeiros episódios da série e queria fazer uma resenha rápida.

A autora de Though I am an Inept Villainess, Satsuki Nakamura, começou a lançar sua história naquele site que é um celeiro de sucessos chamado Shousetsuka ni Narou (Vamos nos tornar romancistas), em 2020.  No mesmo ano, apareceram as light novels com ilustrações de Kana Yuki.  Já o mangá, é publicado na revista Comic Zero Sum e tem arte de Ei Ohitsuji.  São 12 livros até o momento e  10 volumes de mangá.   E qual é a história da série?  "Como donzela favorita do príncipe herdeiro na corte, o futuro de Kou Reirin como a próxima imperatriz está praticamente garantido. Isso até que seu rival, Shu Keigetsu, o "rato de esgoto" da corte, a empurra de uma sacada! Reirin sobrevive, mas acorda no corpo de Keigetsu! Descobre-se que Keigetsu usou magia para trocar de corpo com Reirin a fim de roubar sua posição na corte. Depois de ter sido doentia a vida toda, Reirin está determinada a usar esse novo corpo para mudar sua situação. Ela não deixará nada impedi-la, nem mesmo sua iminente execução!"

Estão disponíveis no Crunchyroll os dois primeiros episódios de Though I am an Inept Villainess. Assisti hoje pela manhã e a animação é excelente, a arte é linda, o figurino é impressionante, agora, a história é muito, muito, muito descabeçada.    Temos uma corte com donzelas dos principais clãs do Reino de Ei; cada um desses clãs é ligado a um elemento, como a terra, o fogo e por aí vai. Kou Reirin é sobrinha da imperatriz, é uma moça prendadíssima, gentil e o príncipe herdeiro provavelmente a escolherá como esposa.  Só que a mocinha tem uma saúde muito frágil e doentio. Ela é chamada de borboleta.

No mesmo harém, está Shu Keigetsu, sobrinha da belíssima primeira consorte.  Keigetsu é linda, mas é vulgar, deselegante e mal educada.  Ela não trata bem suas damas de companhia e tem uma inveja absurda de Reirin.  Um dia, Keigetsu, que domina as artes mágicas, decide se livrar de Reirin.  Aparentemente, ela tenta matar a jovem, mas a ideia é trocar de corpo com ela.  Reirin acorda na masmorras do palácio, sozinha, em um corpo que não é seu e parte do feitiço é perder a voz todas as vezes emm que tenta explicar quem é de verdade.  Keigetsu tem tudo planejado, ela envia sua principal dama com veneno para que Reirin se suicide, porque, se não o fizer, será submetida a uma terrível ordália: ser trancada em uma jaula com um leão faminto.  Se o leão não a comer, ela será considerada como inocente.

Eis o cenário.  Nossa mocinha se desespera?  Nããããoooo!  Ela fica feliz por ter um corpo saudável pela primeira vez na vida e decide enfrentar a ordália com uma tranquilidade que faz com que muita gente tenha dúvida se ela é culpada ou não.  E nossa mocinha ainda acaba atraindo a atenção do único homem interessante desse anime, o capitão Olho de Águia, cujo nome é Shin-u.  Sabemos que nossa mocinha escapa da ordália, mas ela continua sendo punida e é enviada para uma choupana isolada dentro do complexo do palácio, cheio de buracos no telhado e um matagal.  Nossa mocinha se abala?  Nããããoooo! Cheia de um otimismo tóxico, como o elemento de seu clã é a terra, ela consegue transformar o matagal em uma horta, limpa tudo, faz sua própria comida etc.  Tudo sozinha, porque sua dama chamada Lee Lee, a abandona.  

A única ajuda que ela recebe é do capitão, o único homem decente e interessante desse anima, que teve que ir espioná-lo por ordem do príncipe.  Ela lhe pede sal, porque para fabricá-lo demoraria muito, afinal, seria necessário chorar muitas lágrimas.  Torço para que Reirin fique com o capitão, mas sei lá o que acontece.  Enfim, nossa mocinha no corpo da vilã está feliz com o corpo saudável e a liberdade que pode gozar pela prieira vez.

Já a vilã está em uma situação inusitada e que acaba colocando por terra qualquer racionalidade.  Se Reirin tinha um corpo doente e débil, ela deveria ser protegida e poupada, certo?  Nããããoooo!  Apesar de toda a sua fragilidade, ela é capaz de bordar, escrever 100 sutras por dia, tocar vários instrumentos musicais e até lutar artes marciais.  Faz sentido isso?  Ela superou Tsukikage-sensei de Glass Mask (ガラスの仮面), a doente terminal mais saudável da cultura pop japonesa.  O problema é que Keigetsu não sabe fazer nada.  Ela pertencia a um ramo empobrecido da família, seu pai era um feiticeiro e ela ficou órfã quando seus genitores cometeram suicídio por estarem endividados.  A primeira consorte a levou para o harém por ter pena dela. E ela se torna alvo do desprezo das damas do clã por causa de sua origem. Ela é chamada de rato de esgoto.  Faz sentido isso?  Arriscar a honra do clã levando uma moça tão inadequada para disputar a atenção do filho do imperador?  Nããããoooo!  Faz sentido essa falta de respeito pela donzela do clã?  Nããããoooo! 

E temos Lee Lee, a dama de Keigetsu.  Ela também tem uma origem estranha.  É filha de uma dançarina estrangeira e herda os cabelos vermelhos da mãe, o que faz dela uma ruiva de verdade, porque não acredito que os louros da série tenham cabelos  dourados reais.  Ela é bastarda de um nobre e tem um jeito grosseiro de falar.  Se Keigetsu não é tratada com respeito, ela muito menos.  E ela abandona sua senhora, além de estranhar seu comportamento.  Só que termina sendo cooptada para espionar Keigetsu em troca do mais básico: comida.  Porque estão negando alimento para Keigetsu, por ela ter tentado matar Reirin, e como ela é sua dama também não receberá nada.  Enfim, Lee Lee será conquistada pela bondade da mocinha que está no corpo da vilã.

A série é engraçada, mas nada ali faz muito sentido.  Talvez se Reirin fosse realmente frágil e, não, essa dama super capaz a coisa não me parecesse tão insana.  Mas Reirin é divertida com seu otimismo exagerado e até fiquei curiosa em ver no que essa história vai dar.  De qualquer forma, não é uma série de vilã comum e acredito que Keigetsu irá se redimir.  E o traço é lindo, o figurino é espetacular e as músicas são boas, também.  É um anime muito bem cuidado.

Livro lançado no Japão traz coletâneas de artigos sobre a cultura mongol e Tenmaku no Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia

Tenmaku no Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia (天幕のジャードゥーガル) é um sucesso; já era como mangá e, agora, o anime está expandindo ainda mais o fandom da série.   Por isso mesmo, produtos e eventos vão se multiplicar nas próximas semanas.  Dentre eles está o livro Motto! Tenmaku no Jaadugar (もっと!天幕のジャードゥーガル) que, segundo o Comic Natalie, reúne "(...) uma série de colunas publicada no Souffle por Haruna Tanikawa, que pesquisa a Mongólia Khalkha do final do século XVII ao início do século XX. O livro lançado desta vez inclui um diagrama de relacionamento entre os personagens, resumos de cada volume e explicações sobre a cultura mongol na qual a história se passa, além de um capítulo bônus ilustrado por Tomato Soup, que retrata o que aconteceu com o guerreiro Merkit, Kurthugan, posteriormente.".  Queria registrar que o mangá se passa no século XIII, meio longe do século XVII.  Já a palavra "motto" quer dizer mais, em português.

Para quem não está assistindo, recomendo muito Tenmaku no Jaadugar. A série está no Crunchyroll e o mangá foi licenciado pela Panini e está em pré-venda.  No Japão, a série está no volume #6.

domingo, 12 de julho de 2026

Balanço geral da série Cenas de Awajima (Awajima Hyakkei/淡島百景)

A nova temporada de animes já começou e já estou me atrasando, mas precisava separar um tempo para terminar Cenas de Awajima (Awajima Hyakkei/淡島百景), série baseada no mangá homônimo de Takako Shimura.  Não encontrei scanlations completas da série, mas imagino que o anime cobriu todo o mangá, porque são somente 5 volumes e a série teve 12 episódios.  Este é meu quarto texto sobre a Awajima; é um fechamento mesmo.  Para as outras resenhas, é só clicar: 1 - 2 - 3.  Como o mangá está em lançamento nos EUA, vou usar o resumo da Yen Press:

A Escola de Ópera de Awajima, para onde inúmeras garotas de todo o país convergem na esperança de um dia brilhar nos grandes palcos. Enquanto se esforçam para alcançar seus sonhos de estrelato, seu tempo em Awajima é repleto tanto de amizade e admiração quanto de competição e inveja. Os preciosos sentimentos de garotas que são, ao mesmo tempo, colegas e rivais são capturados com ternura nos retratos de um elenco de artistas!

Cenas de Awajima conta a história de uma escola de teatro musical; é a instituição, o centro da nossa história, o real protagonista da série, assim como no caso de  Ōoku (大奥) de Fumi Yoshinaga.  As meninas entram e saem de cena, frequentam a escola em anos, às vezes, décadas diferentes, seguem suas vidas que podem, ou não, se cruzar em outros momentos da série.  A escola, no entanto, permanece como uma referência positiva ou negativa para elas.  A inspiração de Awajima é o Teatro Takarazuka.  A divisão entre atrizes que fazem papéis femininos (musumeyaku) e masculinos (otokoyaku) é a mesma, assim como o tempo de curso (dois anos), a ênfase na disciplina e na hierarquia etc.  Por outro lado, a série parece introduzir coisas que não são típicas do Takarazuka, como as longas licenças das atrizes, a possibilidade de sair e voltar para Awajima e o fato de que algumas atrizes parecem se casar e continuar atuando.  Isso não existe no Takarazuka.

Como pontuei em meu outro texto,  Cenas de Awajima tem muitas persoangens, sua narrativa é fragmentada, não linear e opera em várias temporalidades, sem se preocupar com quem está assistindo.  Às vezes, temos umas três temporalidades diferentes no mesmo episódio.  É confuso, portanto, mas é a estrutura da série mesmo.  Outra coisa, as personagens, pelo menos algumas delas, mudam de nome.  As meninas têm seu nome de nascimento quando entram na escola, seu nome artístico depois que se formam e, as que se casam, têm o nome de casada.  No mesmo episódio, os três nomes podem aparecer.  Você desfoca um pouquinho e se perde.  Fora isso, as legendas da Crunchyroll nem sempre são realmente boas, porque se eu, que sei muito pouco de japonês, estou estranhando certas coisas, imagino quem sabe a língua mesmo.

Não aconselho ninguém a fazer o que fiz hoje com uma série como essa, isto é, pegar CINCO EPISÓDIOS e assistir de enfiada.  Mas eu precisava terminar ou acabaria deixando de lado, coisa que aconteceu com mais de uma série da temporada de inverno.  São muitas personagens que entram e saem da história, que têm uma parte de sua história narrada em um episódio e eventualmente aparecem em outro, e você precisa estar atenta para perceber que o fulano ou a fulana já apareceu antes.  De qualquer forma, já nos últimos três episódios, temos uma confirmação de quem são as personagens mais importantes de Cenas de Awajima: Wakana Tabata e Kinue Takehara, que acredito que foram alunas na primeira ou na segunda década do nosso século, e Katsurako Ibuki, que vinha de uma família com tradição em Awajima e acabou se tornando professora da instituição.  As três personagens aparecem várias vezes.

Nos últimos três episódios, ficamos sabendo que Tabata teve curta carreira em Awajima, graduou-se e se tornou escritora de muito sucesso.  Seus livros, alguns de memórias, outros romances, se entendi corretamente, falam de Awajima e ajudam a alimentar a mitologia em torno do teatro. Tabata participa de um evento em Awajima como palestrante e visita a professora Ibuki no hospital.  Ibuki era uma professora estrita, temida pelas alunas, mas Tabata estabeleceu um laço de respeito, admiração e amizade com ela.  Ibuki pede ajuda a Tabata para corrigir um grande erro do passado.

Katsurako Ibuki, quando era aluna, nos anos 1960, eu imagino, foi responsável pela desistência ou expulsão de uma aluna brilhante, Emi Okabe.  As duas eram amigas, mas quando Okabe defende uma outra aluna e diz que ela era mais talentosa do que Ibuki e as outras meninas da roda de invejosas, ela passa a sofrer bullying.  Sim, bullying do tipo que meninas costumam fazer, isto é, desprezo, maledicência, abuso verbal temperado de ironia e veneno, isolamento.  O que Okabe diz desperta as inseguranças de Ibuki, porque sua avó, uma grande estrela de Awajima, sempre disse que ela não era boa, graciosa e bonita o  suficiente para ser uma grande estrela.  Ibuki parecia não se deixar atingir pela avó, mas, no fim das contas, isso não era verdade.  Pior, a série colocou Ibuki arrependida de ter dito à velha o que ela merecia ouvir.  Acredito que comentei sobre isso em minha segunda resenha.

Com a perseguição liderada por Ibuki, Okabe termina perdendo a paciência com ela, a agride e tem que sair de Awajima.  A outra colega, a que tinha muito talento, termina atentando contra sua vida.  Já tínhamos visto parte dessa história em um episódio anterior; algumas sequências se repetem, só que com mais detalhes.  Ibuki quer que Tabata escreva um livro sobre o que há de tóxico em Awajima.  O pedido vem em outra visita, que parece ter ocorrido com algum tempo de diferença.  Sim, a história das várias temporalidades.

Tabata tem medo de que o relato transformado em livro ganhe ares sensacionalistas e manche a imagem da escola; fora isso, ela precisa da autorização da família de Emi Okabe para escrever sobre ela.  Aqui, temos um problema de sobrenomes.  O marido de Emi não é Okabe; aparece outro sobrenome, inclusive, mas, depois, ele parece ter o mesmo sobrenome que a esposa.  Confuso, mas, neste caso, eu ouvi o diálogo; não estava na dependência da legenda.  Um filho de Emi é contra; o viúvo e o filho mais velho são a favor.  Achei o filho caçula jovem demais e o marido de Okabe deveria ser mais velho, porque Ibuki parecia bem mais velha.  Poderia ser a doença, claro.  O fato é que o viúvo acredita que a história de Emi deve ser contada e que isso poderia fazer diferença para alguém.

A editora do livro de Tabata é outra ex-aluna de Awajima, que nunca foi para os palcos. Depois da palestra de Tabata, ela decidiu seguir carreira na área de literatura.  É outro indício de que anos se passaram entre a primeira visita de Tabata ao hospital e a segunda.  Muito bem, o livro de Tabata é um sucesso, mas expõe Awajima como um lugar de bullying e competição.  Ex-atrizes e alunas vêm a público dar seu testemunho.   Tabata se sente culpada, mas eis que Awajima decide transformar o livro em peça.  Alguém termina comentando que capitalismo é capitalismo.   No fim das contas, Awajima irá lucrar e reforçar sua mística mesmo com todos os problemas que vieram à tona.  E a mensagem final da série é de nostalgia em relação às várias gerações de meninas que passaram por Awajima e que tiveram suas vidas impactadas pela escola.

Gostei da série?  Achei que gostaria mais de Awajima.  O tom intimista me agradou, o foco nas personagens e seus dramas, mas queria ver mais das aulas na escola.  Queria ver Ibuki coo professora, por exemplo, não somente em suas interações com Tabata.  Só que não tivemos quase nada disso.  E, em alguns momentos, os dramas não me convenceram tanto, a pareceram exagerados, mesmo em um anime com um tom muito contido.  Um exemplo é no episódio da seita ou este final que coloca em evidência o bullying (ijime) que é um negócio muito presente nas escolas japonesas. 

A competição em Awajima não deveria chocar ninguém, como parece ser o caso depois do lançamento do livro de Tabata. Talvez, se eu conseguisse rever a série, conseguiria compreendê-la melhor.  O mais seguro, no entanto, será ler o mangá.  Como o preço da versão Kindle é bem acessível, devo comprar a edição norte-americana.  Deixo a recomendação para quem quiser assistir Awajima, mas com todas as ressalvas que escrevi, afinal, não é uma série de fácil digestão.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Shoujocast no Ar! E Estreou Anatolia Story!!!!

Este programa deveria ter entrado ontem, gravei logo depois de assistir a estreia de Anatolia Story, mas houve um problema na edição e eu precisei refazer tudo.  A emoção de ver um dos meus mangás favoritos ganhar vida e voz diante dos meus olhos está registrada na minha gravação, mas queria que tivesse sido coocado no ar ontem.  Além de Anatolia, comento mais duas coisinhas, uma feliz (*um novo capítulo de Nina the Starry Bride depois de muito tempo*) e outra triste (*a morte de Benedito Ruy Barbosa*).  Espero que vocês gostem, porque eu amei gravar. ❤️

sábado, 4 de julho de 2026

MPEG faz três anúncios bombásticos no Anime Friends

 

A Editora MPEG não está brincando sem serviço (*ainda  que possa melhorar os textos de seus mangás*) e fez três anúncios bombásticos hoje no Anime Friends:

  • Suki-tte Ii na yo。 (好きっていいなよ。) de Kanae Hazuki.  Publicada entre 2008 e 2017 na revista Dessert, a série tem 18 volumes e teve anime em 2012.  É uma série simpática.

  • Natsume Yuujin-chou (夏目友人帳) de Yuki Midorikawa.  A série da revista LaLa começou a ser publicada em 2003 e continua até hoje, contando com 33 volumes até o momento.  A série é muito bem-sucedida e tem sete temporadas animadas, fora filmes e OAVs.
  • Kuragehime (海月姫) de Akiko Higashimura.  A série foi publicada na revista Kiss entre 2008 e 2017 e conta com 17 volumes.  Kuragehime teve uma temporada animada em 2010, filme live-action em 2014 e dorama em 2008. Não será o primeiro mangá da autora no Brasil, mas  Kakukaku Shikajika (かくかくしかじか) ou Blank Canvas, série autobiográfica e curta da autora, não foi concluída até hoje pela Devir.
As imagens e a informação dos anúncios vieram do Mangás Brasil.

Exposição celebra a estreia da série Tenmaku no Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia


Estreia hoje o anime baseado no mangá Tenmaku no Jaadugar (天幕のジャードゥーガル), é uma das séries mais esperadas da temporada.  E o Comic Natalie trouxe uma matéria anunciando uma exposição comemorativa que estará aberta entre 22 de agosto de 2026 (sábado) e 21 de agosto de 2027 (sábado) no Museu Japão-Mongólia, na Prefeitura de Hyogo.  O nome da exposição é Mongoru Teikoku no Utsukushiki Josei-tachi (モンゴル帝国の美しき女性たち), em português, As Belas Mulheres do Império Mongol.

Segundo o CN, o espaço utiliza ilustrações inéditas e cenas do anime para desvendar os mistérios das belas mulheres do Império Mongol e a história desse império.  Além disso, serão exibidos vídeos de entrevistas com o elenco do anime e haverá cartazes autografados pelos dubladores. A exposição também terá um espaço para experimentar trajes tradicionais e versões modernizadas de peças inspiradas nas usadas pelas personagens da série. E teremos lojinha, claro.  A exposição marca o aniversário dos 30 anos do museu.

Para quem quiser e puder dar uma olhada, segundo o CN, a última edição da revista Elegance Eve trouxe uma conversa de Naoko Yamada, diretora da série K-ON! (けいおん!) e de outras produções, com a autora da série, Tomato Soup.  O mangá foi licenciado no Brasil pela Panini e está em pré-venda com o nome de Uma Bruxa na Mongólia.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

[Por que agora?] 24 anos após o fim de sua publicação em série, Anatolia Story está sendo adaptado para um anime: "As Razões Certas"

Tenho um monte de coisas para comentar, mas tropecei nesse artigo do mês passado com uma série de informações interessantes, inclusive a porcentagem de adaptações para anime que ainda vêm de mangá.  Só que, como é um gráfico geral, eu imagino que seja diferente no caso das adaptações de obras para o público feminino.  Mas o centro do artigo é discutir por qual motivo os animes históricos estão na moda e por que um material antigo é mais fácil de adaptar por estar fechado, ou seja, há uma previsibilidade, desde que dialogue com os dias atuais.  Embora o entrevistado (*o especialista em mercado de animes*) defenda que Anatolia Story não é isekai, e, estritamente falando, não é mesmo, eu  defendo que, aos olhos do público japonês, é, sim.  Na verdade, uma série histórica que se passa fora do Japão e no passado é uma dupla terra estrangeira, um duplo isekai, por assim dizer.  Enfim, o artigo é rico.  Agora, o entrevistado sonha com uma adaptação que eu acredito que só sai quando a autora terminar o mangá e não sei se ela está muito interessada nisso, não.  😌

Como sempre, desde que possível, mantive a estrutura do artigo original, inclusive a negritagem como estava.  Só acrescentei o link do Kono manga ga Sugoi! 2023, quando falaram de Tenmaku no Jaadugar.  O site de origem, ao que parece, é uma espécie de revista digital da Kodansha.  O link para o original está aqui.

[Por que agora?] 24 anos após o fim de sua publicação em série, "Anatolia Story" está sendo adaptado para um anime: "As Razões Certas"

20 de junho de 2026
Abegawa Mochiko

Uma obra-prima de 24 anos atrás está sendo adaptada para anime! "Anatolia Story" começará a ser exibida na Nippon Television e na BS Nippon Television em julho de 2026 (de acordo com o site oficial).

Em julho de 2014, o mangá shoujo "Anatolia Story" (história original de Chie Shinohara), que vendeu mais de 20 milhões de cópias e foi publicado há 24 anos, e "Tenmaku no Jaadugar" (Tomato Soup), que ganhou o primeiro lugar na edição feminina do "Kono Manga ga Sugoi!", foram ambos adaptados para anime. 

Falando em adaptações de mangás históricos para anime, sucessos recentes como "Kingdom", de Yasuhisa Hara, e "Chi: Chikyuu no Undou ni Tsuite" (de Uoto) ainda estão frescos em nossas memórias, e a presença do gênero histórico em animes aumentou claramente nos últimos anos. 

No entanto, Ken Kikuchi, diretor-representante do MANGA Research Institute, uma associação geral incorporada especializada em pesquisa de mercado sobre propriedade intelectual (PI) de mangá e anime e organizadora da IMART, uma das maiores conferências do setor, oferece uma perspectiva ligeiramente diferente. 

Então, por que mangás históricos têm sido adaptados para anime com tanta frequência nos últimos anos? Existem razões específicas da indústria de anime atual e do mercado global.

As tendências de streaming por trás do aumento do anime 

Nos últimos anos, séries de anime populares como "Demon Slayer", "Jujutsu Kaisen" e "Oshi no Ko" foram produzidas em quase todas as temporadas.

O principal fator por trás disso é o rápido crescimento dos serviços de streaming de vídeo. O estilo de assistir anime no próprio ritmo em smartphones e PCs, além das transmissões televisivas, se consolidou, expandindo o próprio mercado de anime. De fato, segundo uma pesquisa da Associação Japonesa de Animação, o número de novos títulos de anime para TV em 2024 foi de 254, quase o dobro dos 136 títulos em 2005.

"Nossa pesquisa de 2023 mostrou que as adaptações de mangá representaram aproximadamente 45% de todos os animes nos últimos anos, seguidas pelas adaptações de romances, com cerca de 25%. No entanto, muitas adaptações de romances são posteriormente adaptadas para mangá, então também podem ser consideradas adaptações de mangá. No total, isso representa cerca de 70%. À medida que o mercado de anime se expande, aqueles que trabalham na indústria estão constantemente em busca de material original, então é inevitável que o número de animes baseados em mangá continue a aumentar."

Com o aumento do número de séries de anime, cresceu também a demanda por adaptações de mangá. Então, por que tantos animes estão sendo produzidos atualmente?

"Anteriormente, era comum usar um sistema de comitê de produção, onde várias empresas investiam e tomavam decisões em conjunto durante o processo de produção. No entanto, hoje em dia, há uma tendência crescente de plataformas de streaming como a Netflix investirem e adquirirem conteúdo por conta própria." 

Além disso, enquanto antes era comum recuperar os custos de produção por meio da venda de produtos como DVDs ao longo de vários anos, hoje em dia, as plataformas de streaming estão adquirindo cada vez mais obras antes mesmo de sua exibição. Em outras palavras, criou-se uma estrutura na qual a perspectiva de recuperar os custos pode ser vista antes mesmo do início da produção.

"Por exemplo, há rumores de que 'Tensei Shitara Slime Datta Ken' (história original de Fuse, mangá de Taiki Kawakami) recuperaria seu investimento mesmo antes de ir ao ar. O ambiente para produção se tornou mais fácil do que antes, o que levou a um aumento no número de séries de anime produzidas."

Um gráfico de Kikuchi-san mostrando as "Origens das obras originais de anime em 2023".

A força dos dramas históricos que atraem um público global.

Então, dentre os muitos gêneros, por que o mangá histórico tem uma presença tão forte? Kikuchi cita "a capacidade de ser agradável mesmo que você já saiba o final" como um dos motivos.

"Por exemplo, Oda Nobunaga já apareceu em dramas históricos muitas vezes. Todos sabem o que ele fez e que morreu no Incidente de Honnoji. Mesmo assim, ainda gosto de assisti-los porque fico curioso para ver 'Que tipo de interpretação será a de Nobunaga este ano?'"

Como já conhecemos a história principal e seu desfecho, podemos apreciar genuinamente os elementos de improvisação que não se encaixam nos fatos históricos. Kikuchi afirma que isso se aplica até mesmo além das fronteiras nacionais.

"Por exemplo, ouvi dizer que as pessoas na China apreciam 'Kingdom' como uma obra de fantasia. Como o texto histórico original, os Registros do Grande Historiador, tem muita ambiguidade, elas podem apreciar as partes que divergem dos fatos históricos, pensando: 'Então é assim que a obra interpreta isso.'"

Além disso, o gênero histórico está se beneficiando de uma tendência global. As fantasias românticas originárias da Coreia do Sul se tornaram sucessos no mundo todo, e há uma demanda crescente por histórias com mulheres na corte real e no harém.

"Nos últimos anos, obras com protagonistas femininas tornaram-se extremamente populares, muitas delas adaptadas para mangá e filmes, consolidando-se como um gênero de sucesso global. Um excelente exemplo é 'Kusuriya no Hitorigoto' (de Natsu Hyuga). Esta obra, que combina mistério e romance ambientado no harém imperial, é popular não só no Japão, mas também no exterior." 

As adaptações em anime de "Anatolia Story" e "Tenmaku no Jaadugar", que serão lançadas neste verão, também têm aspectos que se sobrepõem às tendências globais atuais." 

A terceira temporada e o filme para cinema de "Kusuriya no Hitorigoto" têm previsão de lançamento (do site oficial).

Por que uma obra-prima de 24 anos atrás ainda é popular?

"Anatolia Story" conta a história de Yuri Ishtar, uma estudante do ensino fundamental dos dias atuais, que é convocada para o Império Hitita no século XIV a.C. e se vê envolvida em intrigas da corte enquanto luta ao lado do terceiro príncipe, Kail. A obra incorpora muitos elementos populares em gêneros contemporâneos, como viagem no tempo, romance harém e fantasia intercultural.

No entanto, já se passaram 24 anos desde o fim da série.

"Animar obras antigas não é incomum na indústria. Por exemplo, 'Ushio to Tora' (de Kazuhiro Fujita) encerrou sua publicação em 1996 e foi adaptado para anime 19 anos depois, em 2015. Obras com material original completo são mais fáceis de estruturar e, portanto, mais fáceis de serem trabalhadas pela equipe de produção."

No entanto, nem qualquer obra antiga serve.

"O importante é estar alinhado com as tendências atuais do mercado. Nesse aspecto, 'Anatolia Story' é muito contemporâneo."

Kikuchi destaca sua semelhança com histórias de "reencarnação isekai".

"Nos últimos anos, histórias isekai (reencarnação em outro mundo) têm sido um gênero extremamente popular. 'Anatolia Story' não é uma história isekai, mas a estrutura de uma garota moderna sendo transportada para uma era e um país diferentes é bastante similar. É uma obra dos anos 90, mas não parece datada."

Além disso, o fato de a história se passar no antigo Império Hitita também é um fator significativo.

Assim como 'Kingdom' despertou interesse no mundo de língua chinesa, 'Anatolia Story' tem potencial para ser bem recebida na região onde outrora existiu o Império Hitita. É uma região pouco conhecida no Japão, mas na era atual de distribuição internacional, essas características regionais podem ser uma vantagem. 

Além disso, a hipótese de que será bem recebido no exterior também é um fator significativo. 

"Na verdade, a webtoon 'Lore Olympus' (de Rachel Smyth), baseada na mitologia grega, ganhou prêmios de quadrinhos americanos por dois anos consecutivos. Ela tem um grande potencial para ser um sucesso não apenas no mercado nacional, mas também no mercado global."

Por outro lado, "Tenmaku no Jaadugar" se passa no Império Mongol do século XIII. Conta a história de Sitara (mais tarde Fátima), uma jovem iraniana que usa seu conhecimento e sabedoria para sobreviver no harém imperial, e foi o primeiro mangá histórico a ganhar o primeiro lugar na edição feminina do concurso "Kono Manga ga Sugoi!".

"Esta série também se alinha perfeitamente com a tendência atual de protagonistas femininas e dramas de harém, e os cenários do Império Mongol e da Ásia Central são novidade para o público estrangeiro. Na Europa e na América, há uma tendência de apreciar obras tanto do Japão quanto da China como uma categoria ampla de 'obras asiáticas', então há uma boa chance de que ela atraia atenção."

Além disso, existem grandes expectativas em relação à equipe de produção.

"Naoko Yamada, que atua como diretora geral, trabalhou em projetos como 'K-On!' (Kakifly) e 'Koe no Katachi' (Yoshitoki Oima), e o estúdio de animação Science SARU produziu obras populares como 'Dandadan' (Yukinobu Tatsu) e 'Heike Monogatari' (roteiro: Reiko Yoshida). Acho que este é um elenco forte e perfeito para um drama histórico."

"Tenmaku no Jaadugar" começará a ser exibido na rede nacional de 24 emissoras da TV Asahi e na BS Asahi em julho de 2026. ©Tomato Soup (Akita Shoten) / Comitê de Produção de Tenmaku no Jaadugar (do comunicado de imprensa)

Qual será o próximo grande mangá histórico?

Kikuchi acredita que o aumento nas adaptações de mangás históricos para anime continuará a gerar uma demanda estável.

"É difícil dizer que o gênero histórico seja particularmente popular, mas é um gênero clássico que existe há muito tempo, então acho que um certo número de obras continuará sendo produzido nesse gênero. Agora, ele se combina com elementos populares globalmente, como romances harém e protagonistas femininas. Nesse sentido, a tendência de adaptações para anime pode continuar por algum tempo."

Então, quais mangás históricos têm maior probabilidade de serem adaptados para filmes ou séries de TV em seguida? Pedimos a opinião de Kikuchi-san, puramente a título pessoal.

A primeira obra mencionada por Kikuchi foi "Sengoku" (de Hideki Miyashita). Ambientada no período Sengoku, retrata a vida do senhor da guerra Sengoku Hidehisa e é conhecida por sua meticulosa pesquisa histórica.

"A série terminou em 2022 e acumulou uma quantidade substancial de material ao longo dela. Ter bastante material de origem facilita a estruturação da história, o que é uma grande vantagem na hora de adaptá-la para anime."

Além disso, ele diz que também está acompanhando "Oumi no Umi: Mizumo ga Yureru Toki" (história original de Israfil, mangá de Motomura Eri), que faz parte da popular tendência "reencarnação x histórico" dos últimos anos.

"Esta história acompanha um protagonista com conhecimento moderno que reencarna como Kuchiki Mototsuna, um senhor da guerra de um pequeno país durante o período Sengoku, e ascende ao poder. Possui uma ampla gama de adaptações, incluindo romances, quadrinhos, CDs de drama e peças teatrais, e está ganhando considerável impulso como propriedade intelectual."

Em termos de compatibilidade com mercados estrangeiros, também foi mencionado "Sengoku Komachi Kurotan" (história original de Kyochikuto, mangá de Sawada Hajime). É a história de uma estudante do ensino médio que frequenta uma escola agrícola e que viaja no tempo para o período Sengoku, usando seus conhecimentos modernos de agricultura para servir a Oda Nobunaga.

"Incorpora muitos dos elementos que estão em alta agora: uma protagonista feminina, o período Sengoku e viagens no tempo. Tenho lido bastante ultimamente e acho interessante como a história se desenrola a partir de uma perspectiva claramente feminina."

E a que eu pessoalmente gostaria de ver animada é "Otoyomegatari" (de Kaoru Mori). É um mangá popular de Kaoru Mori que retrata a vida e a cultura matrimonial de povos nômades na Ásia Central do século XIX.

"Acredito que há uma grande possibilidade de que as pessoas na Ásia Central aceitem esta obra como algo próximo de sua própria história e cultura. Especialmente nesta era de distribuição internacional, acho que obras com essas características regionais têm grande impacto."

Parece haver muito espaço para descobertas nos mangás históricos. Estou ansioso para ver como "Red River" e "Tenmaku no Jaadugar", que estreiam neste verão, serão recebidos ao redor do mundo.

O tema de abertura do anime "Tenmaku no Jaadugar" é a nova música "Stella" da banda SEKAI NO OWARI. O primeiro episódio será exibido no dia 4 de julho (sábado), às 23h. ©Tomato Soup (Akita Shoten) / Comitê de Produção de Tenmaku no Jaadugar.

▼Ken Kikuchi, Diretor Representante do Instituto de Pesquisa MANGA da Associação Geral Incorporada . Ele é especializado em pesquisa de mercado de propriedade intelectual para mangá e anime e organiza a conferência do setor "IMART". Publica o "Manga Industry News Summary" em formato digital. Entre suas obras publicadas está "Manga Business" (Cross Media Publishing).

Entrevista e texto por Mochiko Abegawa