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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Shoujocast no Ar! Entre o Amor e o Dever: comentando os episódios 8 e 9 de #redriver #anatoliastory

Peço desculpas pelo grande atraso, mas não consegui publicar o episódio antes.  Está atrasado e o novo episódio (*o décimo*) de Anatolia Story saiu na terça-feira.  Este programa tem a review dos episódios 8 e 9.  Como havia umas notícias que eu queria comentar, coloquei uma seção para isso.  Despulpem também a repetição da palavra "turbulento"; não sei por qual motivo fiquei usando o mesmo vocábulo várias vezes.  Só percebi quando estava editando.  Outra coisa, a parte em que eu comento os episódios não tem captura de tela, nem imagens.  Foi a correria.  Para a minutagem, só no Youtube mesmo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Confirmada a segunda temporada de Anatolia Story (Red River)

Como eu tinha dito que aconteceria, mas antes do que eu esperava, foi confirmado que Anatolia Story (Red River/Sora wa Akai Kawa no Hotori/天は赤い河のほとり) terá duas temporadas contínuas totalizando 24 episódios.  Como ninguém seria louco de não colocar Ramsés em tela, ele deve aparecer nos próximos episódios.  Já que a produção é a pobreza que eu venho comentando nos últimos Shoujocast, não sei o quanto de sequências da personagem sofrerão censura e o que sobrará dele, mas vamos esperar.

Outra personagem que entrará na próxima temporada é Judah, o filho da vilã, a Rainha Nakia, e que é um amor de menino.  Devem aparecer nessa próxima temporada o outro irmão de Kail, Ursula e a princesa Alexandra que é de Wilusa (Tróia).  Como não vai caber tudo em 24 episódios, ainda mantenho minha aposta de que teremos pelo menos uma terceira temporada, que já deve ter sido planejada. Agora, devem correr e cortar acontecimentos, porque se eu pego 27 volumes, cada um sendo adaptado para dois episódios, preciso de 54 ao todo.  E eu não conto com o volume 28, porque ele só tem um capítulo da história, o resto é gaiden.  Inclusive um que é muito bom, Orontes no Renka, com os netos de Ramsés e Yuri e Kail.

No Comic Natalie, há uma pequena entrevista com Soma Saito, que será o dublador de Ramsés.  Ele conta que leu Anatolia Story quando estava no primário, porque encontrou o mangá escondido no armário da mãe.  Bem, muito cedo para ler Anatolia Story, mas entendo que a coisa possa impactar uma criança.  Ele diz gostar da série, mas pode ser coisa do marketing mesmo.  Shun Horie fará a voz de Judah.

Também foi anunciado o lançamento em Blu-ray BOX. O primeiro volume será lançado em 9 de dezembro e o segundo em 14 de abril de 2027. O digipak apresenta novas ilustrações do designer de personagens Kenji Fujisaki. O box inclui um livreto como bônus, e um conjunto de cinco "cartões-postais com reproduções de cenas famosas" será oferecido como bônus para os primeiros compradores.

domingo, 16 de agosto de 2026

Shoujocast no Ar! Anatolia Story: Animação ruim, história mutilada e oportunidades perdidas

E chegamos ao episódio 6 de Anatolia Story (Red River/Sora wa Akai Kawa no Hotori) e ele não decepcionou em matéria de censura e boas oportunidades perdidas. Algumas opções da produção são inexplicáveis e cada vez mais eu me pergunto se quem está à frente do projeto tem alguma simpatia pela história. Mas podem acreditar que eu dou o meu máximo para comentar mais um episódio dessa série que é adaptação de um dos meus mangás favoritos.  Para a minutagem, é preciso ir ao Youtube.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Shoujocast no Ar! Comentando os episódios #4 e #5 de Anatolia Story (Red River)

O Shoujocast está no ar. Atrasou, porque estou doente, uma gripe que me deixou com a garganta bem comprometida. Neste episódio, comento os episódios 4 e 5 de Anatolia Story (Red River), porque é um compromisso e, mesmo com uma animação deficiente, eu esperei muito tempo por essa série para não valorizar o que há de bom nela. É isso, a minutagem está abaixo para ajudar. E peço desculpas pelos vícios de linguagem, percebi que exagerei desta vez.  Se quiser a minutagem, é preciso ir ao Youtube.


Eu cito no programa as cenas de Yuri vendo o rio vermelho e Roxellana, o Bósforo em Yume no Shizuku, Kin no Torikago (夢の雫、黄金の鳥籠).  Acabei não colocando no vídeo, deixo as duas abaixo:

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Comentando os episódios #3, #4 e #5 de Anatolia Story (Red River): a série funciona comigo, mas não sei se agrada a quem não é fã do mangá original

Estou com uma virose muito chata que pegou minha garganta. Não lembro dela ter doído assim desde que tive COVID. Por conta disso, nada de Shoujocast.  Espero gravar amanhã ou na quinta, mas preciso da minha garganta para o trabalho.  Então, vou fazer a resenha dos episódios 3, 4 e 5 de Anatolia Story (Red River/Sora Wa Akai Kawa no Hotori/天は赤い河のほとり).  O terceiro episódio tem Shoujocast, então podem ir lá conferir.  Clicando na tag, vocês rastreiam tudo o que eu já escrevi sobre esse mangá de Chie Shinohara de que eu gosto muito, inclusive a resenha dos primeiros dois episódios, que também têm Shoujocast, claro.

O episódio #3 foi um dos que correram sem grandes alterações.  Kail precisa aproveitar a oportunidade para enviar Yuri de volta para casa.  Ela está dividida, não somente  por querer vingar a morte de Tito, mas por estar se apaixonando pelo príncipe.  Kail sabe que é seu dever enviar a menina para casa, ele sabe que ela não pertence ao seu mundo e, o mais importante, que ela não seria a esposa ideal que ele tanto procura.  Com a entrada de Ilbani em cena, a decisão é feita.  Ele convence Yuri de que a partida dela é o melhor para o príncipe e lembra Kail de seu dever para com sua pátria.  O problema é que Nakia não quer deixar Yuri partir.

Quando todas as fontes de Hattusas estão cheias e Kail está fazendo o ritual, Nakia tenta puxar Yuri para dentro d'água, Kail a impede, mas Zuwa e seus homens interrompem o ritual e Yuri se lembra de que precisa vingar Tito.  Mesmo com a animação de orçamento limitado, Yuri pulando e pegando a touca que Zuwa fez com a pele de Tito foi bem feita.  Ela decide ficar.  E, se bem me lembro da história, a próxima oportunidade só no próximo ano.  Ilbani detesta a situação e Kail continua se angustiando, porque nunca amou uma mulher e, agora, está apaixonado pela mulher errada.

O final do episódio é com Kail partindo para Alina, cidade natal de Tito, que estava sob ataque dos Kashuga, tribo de Zuwa.  Nakia está por trás do ataque; para atingir seus interesses, ela destruiria o império que quer que seu filho herde.  Contraditório, mas é isso.  Se Kail deixar Yuri para trás, ela se apropriará da menina; se o príncipe a levar, ela acredita que irá atingir seus objetivos do mesmo jeito.  Ela envia Uhri, que se apresenta como servo do príncipe Kail, para enganar as irmãs de Tito: Hadi, Ryui e Shala.  Ele as convence de que Yuri matou Tito.


Observando esse plot das irmãs, ele é bem fraco.  Elas são facilmente enganadas e cometem uma série de atrocidades guiadas por informações bem capengas.  Muito bem, Kail decide levar Yuri; ele se aproveita do fato da menina ter saído da fonte para dizer que ela é uma dádiva de Ishtar, a deusa do amor e da guerra.  É um discurso bem populista, mas dá certo e justifica a presença de Yuri com os exércitos.  É na abertura do episódio #4 que Yuri vê o rio vermelho que dá nome ao mangá e fica fascinada por ele.

O quarto episódio teve um corte importante que não se justifica, economia nos amassos entre Kail e Yuri e uma animação bem pobre que tornou a sequência de batalha muito deficiente.  O corte é o teste que Uhri faz do veneno em uma cabra.  O animal morre, mas como não era um veneno, mas um simulador de morte, ele acorda depois, assim como Yuri, ao ser envenenada pelas irmãs de Tito.  Por qual motivo cortaram a cena do animal sendo envenenado e acordando depois?  Não sabemos.


Durante a batalha, as irmãs de Tito tentam atrair Zuwa para matar Yuri.  A menina, ao fugir do gigante, acaba montando um cavalo e entrando no meio da batalha.  A cavalaria como arma de guerra não existia naquele momento.  Isso não tem nada a ver com montar cavalos ou mesmo termos grupos de saqueadores montados; estou falando do uso militar da cavalaria.  Eu sabia que os primeiros a usar regularmente a cavalaria foram os assírios, isso no século 9 A.E.C., uns quinhentos anos depois de Anatolia Story, portanto.  Escrevendo esse texto, tropecei em um artigo que joga o uso militar da cavalaria para uns cem anos antes, mas isso não muda o fato de não haver cavalaria na época do mangá.

Na época do mangá, tínhamos infantaria e carros de guerra.  Os hititas, graças à metalurgia mais avançada, serão os primeiros a criar eixos que permitissem levar três guerreiros (*condutor, um soldado com escudo e um guerreiro arado*).  A carruagem de Kail leva somente dois ainda.  Na Ilíada, que é um texto composto séculos depois da guerra que está narrando, o uso dos carros de guerra não era compreendido.  Se vocês observarem o texto, verão que os sujeitos vão de carruagem até o campo de batalha e descem para lutar.  Já na época de Homero, e mais ainda na da fixação do texto, os gregos normalmente lutavam a pé, lado a lado e com armas mais ou menos padronizadas.  Mas retornemos.


Yuri consegue, mesmo que sem querer, virar a batalha a favor dos hititas e isso reforça a ideia de que ela é uma dádiva da deusa.  À noite, temos de novo Yuri tentando resistir a dormir com Kail, ele reforçando que somente assim pode protegê-la e que ele tem uma imagem a manter.  Oficialmente, ela é sua concubina.  Mais uma vez, Kail tentará fazer sexo com Yuri.  Diferentemente da primeira vez, ela se mostrará um pouco mais receptiva (*no mangá, as mãos dela tremem*) e não se lembrará mais do namoradinho (*Himuro*).  A sequência era ligeiramente mais longa, mas os dois são interrompidos pelas irmãs de Tito.  É nessa sequência que Yuri mostra sua agilidade e usa a espada de Kail para aparar um golpe de Hadi.

Nesta sequência, que é fruto da burrice das irmãs, houve uma alteração ruim.  Uma das gêmeas consegue segurar Kail, o que é ridículo.  Em situação normal, ele a atiraria longe.  No mangá, ela o empurra, ele se desequilibra e é o tempo suficiente para que Hadi e a outra gêmea despejem o veneno na garganta da menina.  Temos a falsa morte de Yuri e Kail em desespero.  Só que, como o anime está correndo, a intensidade do sofrimento do príncipe e o arrependimento das irmãs de Tito são encurtados.  Enquanto Kail está interrogando Hadi e as gêmeas, o corpo de Yuri é roubado.  A discussão ridícula, mas necessária, entre Zuwa e Uhri está no mangá.  O gigante quer a pele da menina e deseja matá-la, afinal, a rainha só precisa da cabeça e do sangue da jovem.  Já Uhri insiste que o ritual da morte da menina precisa ser feito pela rainha em Hattusas.  Nada de videoconferência dessa vez.  O episódio termina com Yuri fugindo de Zuwa e encontrando Talos, pai de Tito.

O episódio #5 começa com Talos confrontando Yuri, ele acredita que ela matou Tito e a levando até uma câmara na qual ela deveria escolher uma arma.  Ela escolhe uma adaga com a bainha e o punho enferrujado, mas que cabia bem em suas mãos.  É uma arma de ferro, metal raro na Idade do Bronze Tardia, mas que, para a menina, era algo comum.  Yuri decide lutar e enfrentar Zuwa, mesmo ao custo de sua vida.  Quando ela quebra a espada do gigante, não é por força, mas porque o ferro é superior ao bronze.  Então, que ninguém pense que Yuri se tornou uma super-heroína.  Da mesma forma, ela usa o ferro para romper o rejunte dos tijolos da muralha, derrubando Zuwa.  

Aqui, economizaram não mostrando que Zuwa conseguiu cortar o cabelo de Yuri várias vezes com sua lâmina.  O cabelo da menina no mangá é bem irregular, aliás.  Ora, parece mais curto, ora, parece mais longo. Quando Zuwa mata os soldados de Kail que vêm ajudar Yuri, não há sangue e a violência é menor, mas não cortaram o sangue na morte de Zuwa, mas havia mais sangue no mangá.  Quando Kail alcança Yuri, ele a abraça apertado e encosta seu ouvido no peito da moça.  No mangá, ela reclama que ele é um pervertido, mas rapidamente compreende que ele estava emocionadíssimo por ela estar viva e por seu coração estar batendo.


Chegam Talos e suas filhas.  Yuri intervém para que todos sejam perdoados e Hadi e as gêmeas se tornam suas damas.  Antes disso, Talos explica que a lâmina que Yuri escolheu é especial, um segredo, porque a metalurgia do ferro era algo difícil e ainda não difundido.  O  mangá, que começou mais de trinta anos atrás, está se baseando no que era consenso na época, isto é, que os hititas tinham o monopólio da metalurgia do ferro na Idade do Bronze Tardio.  Hoje, acredita-se que, mesmo que os hititas tenham avançado muito, os egípcios e outros povos já conseguiam trabalhar com o ferro, seja o dos meteoritos, citado no mangá/anime, ou o minerado.  Aqui, o anime poderia ter corrigido o mangá; afinal, ele conta com uma consultoria de arqueólogos.  Por outro lado, a informação e a escolha da adaga são importantes para a história.  

Muito bem, agora, as tropas não veem Yuri somente como uma dádiva da deusa, mas como um avatar da própria Ishtar.  Quando Kail retorna, seu pai ordena que ele leve Yuri para o campo de batalha quando ele for enfrentar os Mitanni, porque sendo ela Ishtar ou não, ela é importante para a moral das tropas.  Diferenças aqui, Kail estava sentado e muito relaxado, bebendo até, na sua conversa com o pai.  No anime, ele está de pé e distante do pai e da madrasta, que estão sentados em tronos. Algo que o anime retratou bem é a culpa de Kail por usar politicamente Yuri.  Ela não lhe pertence, não é sequer sua concubina de verdade.

Enquanto isso, Yuri, que ganhou o cavalo de presente, está tentando aprender a montar com o apoio de Kikuri.  Hadi a arranca do cavalo, porque ela precisa se arrumar para receber Kail, porque ele pode querer dormir com ela.  No anime, não é mostrado a menina tomando banho, mas sendo colocada em vários vestidos, todos muito feios, até que Kail chega e a vê e ela está se despindo.  Ele vê os seios da menina; não os vemos, e ela joga o vestido em cima dele e prefere ficar com suas roupas comuns.  Todo o figurino até agora é horrível, mas temos um problema provocado pela censura.

No mangá, Kail chega ao palácio, reclama da estação seca, da poeira, atira espada e capa sobre Kikuri e diz que vai se banhar.  Ele chega a ponto de ver Yuri nua sendo cuidada por Hadi e ouve a menina reclamando que é magra demais e que seus seios são pequenos.  Hadi diz que eles iriam crescer se ela deixasse que seu senhor os massageasse.  Kail diz que faria  isso com prazer.  Yuri grita, se joga na água e atira água nele.  Hadi não entende a grosseria; as irmãs ainda não sabem que ela não é concubina de verdade.  Ou seja, Kail não viu Yuri com um vestido e a primeira vez em que ele e Zananza veem a protagonista arrumada causa um grande impacto.  Censura burra que vai roubar emoção de uma cena que ainda virá.

Falei Zananza, porque ele chega no final do episódio.  O pai de Kail tinha avisado que iria convocar os príncipes para Hattusas e o encontro entre os irmãos é bem emocionado, mas não tanto quanto no mangá.  Ilbani explica a Yuri que Zananza será fundamental como apoio para Kail.  Não sei se foi censura das legendas, mas Zananza não identifica Yuri como uma mulher, menos ainda bonita o suficiente para atrair a atenção de Kail, e brinca que não sabia que ele gostava de meninos.  Também é cortada a fala de Zananza de que ele veio conhecer a concubina do irmão e, não, discutir guerra com homens cabeludos.  Na verdade, cortam boa parte das piadinhas de Zananza sobre o irmão ter uma concubina.  E todos sentam para comer e a guerra é discutida.  

Esta conversa é importante para que Kail possa dizer que não deseja a guerra, mas se tiver que ir à guerra para garantir a prosperidade de seu povo e uma paz duradoura, ele assim o fará.  Yuri arruma uma desculpa (*ir buscar mais vinho*) para se retirar e chora sozinha porque sabe que não pertence aquele mundo e não pode amar Kail.  O príncipe chega e pergunta se ela quer morar em um palácio separado dele.  Ele reafirma em voz alta que ela não lhe pertence e que não quer usá-la.  No fim das contas, ela pergunta se ela será útil a ele e se oferece para ficar a seu lado e ir para a guerra.  E eles se beijam.  Se vários diálogos foram cortados, esses foram preservados.  A última cena é de Nakia praguejando.

No grupo do Facebook do Shoujo Café há um post criado para criticar o anime. Dizer que ele é ruim. Gosto é gosto, não vou comentar isso aqui. Agora, um dos pontos levantados é que a protagonista é irritante, chata, burra e FEIA. Bem, Yuri é a protagonista padrão de shoujo mangá, ela não é nem tão bonita, nem tão inteligente, mas ela tem muita força de vontade. Neste caso, de ajudar seu príncipe.  Qualquer leitora pode se espelhar nela. E é uma série de fantasia (*o passado é um isekai*) na qual a menina comum é alvo dos afetos de todos os machos interessantes da série. Imagine, você,  garota comum, pode ser objeto do desejo e centro da vida de um príncipe que, no caso da Anatolia Story, irá melhorar para merecê-la. A heroína belíssima de shoujo, e elas existem, não se presta a essa mobilização de sentimentos.

Concluindo, eu estou gostando do anime, eu esperei por ele por mais de vinte anos, mas ele é uma versão muito mutilada do mangá.  Precisava ser assim?  Não.  E imagino o que vai sobrar no próximo episódio, porque teremos muita violência e devem navalhar muita coisa, o que vai tirar a potência da história.  Fora isso, há a correria e a mutilação dos diálogos e a animação muito deficiente. Alguns frames do anime mostram o quanto a coisa é feia, se descartarmos alguns momentos que recebem mais atenção.  É isso.  Espero gravar o Shoujocast amanhã ou hoje.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Shoujocast no Ar! Anatolia Story: Yuri enfrenta sua primeira grande tragédia! #redriver #tenkawa

Mais um Shoujo Cast comentando um episódio de Anatolia Story. Para quem começou a assistir agora à série, seria interessante ver as primeiras reviews, mas se quiser olhar esse programa, seja bem-vindo, bem-vinda. Este episódio, assim como os outros, foi bem fiel ao mangá, mas fez várias modificações com o intuito de reduzir a violência. Irei comentar sobre isso.  Se quiser a minutagem do episódio, precisa ir até o Youtube.  Então, vamos ao Shoujocast!

Outra coisa, encontrei os arquivos dos volumes de Anatolia Story que eu traduzi muitos anos atrás.  Eles estão no 4Share.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Comentando os primeiros episódios de Anatolia Story (Sora wa Akai Kawa no Hotori: Red River): Estou Feliz, mas a Censura já está comendo solta.

Como não conseguirei gravar o Shoujocast hoje (terça-feira), decidi escrever um texto primeiro, mas o programa sairá amanhã.  Enfim, Anatolia Story ou Red River ou Sora wa Akai Kawa no Hotori (天は赤い河のほとり) estreou na semana passada e está na Crunchyroll.  A animação é baseada no mangá de Chie Shinohara publicado entre 1995 e 2002.  A protagonista da série é uma adolescente japonesa comum chamada Yuri. Ela tem pai e mãe amorosos e duas irmãs. Acabou de passar para a escola que desejava e trocou seu primeiro beijo com o garoto do qual gostava.  Só que ela é arrastada para o séc. XIV A.E.C. pela rainha dos Hititas, Nakia, que deseja usar o sangue da menina para eliminar todos os filhos de seu marido que estão à frente dele; para isso, ela precisa de um sacrifício humano.  Os deuses lhe indicaram que essa oferenda é Yuri.  Como Nakia controla a água, Yuri começa a presenciar situações estranhas sempre que está  perto dela.  Um dia, ela é puxada para o passado.  

Yuri sai de uma das fontes da capital dos hititas, Hattusas.  Confusa, ela não reconhece o lugar, nem a língua, nem as roupas.  Quando consegue se firmar sobre as próprias pernas, ela corre pela cidade e passa a ser perseguida pelos soldados da Rainha.  Ao entrar em um jardim, ela encontra um jovem que joga sua capa sobre ela e a beija.  Depois do beijo, ela passa a entender a língua dos hititas.  O jovem é o príncipe Kail; ele a agarrou para despistar os soldados dizendo que estaria com uma amante.  Mas Yuri se assusta e acaba fugindo e sendo capturada.  Quando iria ser publicamente sacrificada, Kail interrompe a cerimônia e diz que ela não poderia servir de oferenda, porque ele tirara sua virgindade.  A menina precisa confirmar a versão e Kail a leva para seu palácio.  Como ele e a madrasta são inimigos de longa data, ele decide protegê-la e tentar enviá-la de volta.  Impedir os planos de Rainha também é uma forma de salvar sua própria vida e a de seus irmãos.  Só que não será fácil, afinal, a Rainha fará o possível para se apossar da menina e Kail começa a se apaixonar por Yuri o que pode enfraquecer sua resolução de devolvê-la para o século XX.

Anatolia Story é um dos grandes isekai dos anos 1990, contemporâneo de Fushigi Yuugi (ふしぎ遊戯), Kanata Kara (彼方から),  Guerreiras Mágicas de Rayearth (魔法騎士レイアース), Escaflowne (天空のエスカフローネ)Harukanaru Toki no Naka de (遙かなる時空の中で) etc.  Sim, trata-se de um isekai, mesmo sendo também uma fantasia histórica, o que pelos moldes japoneses pode receber até o rótulo de ficção científica.  Isekai (異世界) quer dizer outro mundo.  Essa outra terra normalmente é um mundo de fantasia, mas eu insisto que Anatolia Story é um isekai, porque estou usando um conceito da historiadora Sandra Jatahy Pasavento, que defendia que o passado era uma terra estrangeira com costumes e língua estranhos.   Anatolia Story é um duplo isekai, porque se passa em outro tempo passado e em uma cultura totalmente estranha à protagonista.  Nesse sentido, Yuri é levada para outro mundo com língua e costumes distintos e precisa sobreviver e retornar para sua casa. E não vou adiantar se ela consegue ou não, mas você pode descobrir facilmente na internet, inclusive neste blog, porque eu tenho uma tag Anatoia Story, afinal, é um dos meus mangás favoritos.

A animação veio como uma surpresa e é parte das comemorações dos 45 anos de carreira de Chie Shinohara.  Anatolia Story é uma das obras mais conhecidas e amadas da autora, e que denuncia o seu hiperfoco em Turquia, como ela deixou claro em mais de uma entrevista, mas Shinohara tem muitas obras e é uma especialista em shoujo de terror.  Há algo de terror em alguns momentos de Anatolia Story e vocês logo irão perceber isso.

Para quem leu hititas e não entendeu nada, porque não os estudamos na escola, trata-se de um poderoso império da Idade do Bronze Tardio, cujo centro era a Anatolia, na atual Turquia.  Durante muito tempo, a existência dos hititas foi desconhecida, salvo por breves aparições no texto bíblico que faziam crer que seria mais um daqueles pequenos povos de Canaã.  Só passamos a saber mais sobre eles a partir de descobertas no Egito e, posteriormente, na Turquia e outras regiões do Oriente Médio.  Em seu momento de maior esplendor, exatamente a época do nosso mangá, os hititas rivalizavam com os egípcios e tinham influência no Crescente Fértil e na Mesopotâmia.   

Os hititas escreviam muito e sobre tudo.  Eles usavam uma versão do cuneiforme e escreviam ao estilo Bustrofédon, alternando o sentido.  Por exemplo, nós escrevemos da esquerda para a direita; eles trocavam a cada linha.  Os hititas também são lembrados como um povo que tinha muitos deuses, porque tinham os seus e agregavam os dos outros; sendo chamados de "Povo dos Mil Deuses".  Adotar deuses estrangeiros e conceder liberdade de culto aos povos submetidos fazia parte da boa diplomacia, ainda que, se você pegar a história de Salomão, esse tipo de prática pareça abominável para um povo exclusivista como os hebreus.

Como um legítimo exemplar do que era publicado na revista Sho-Comi nos anos 1990-2000, o conteúdo sexual em Anatolia Story é bem maior do que o que temos hoje em revistas mainstream shoujo impressas.  Não é +18, como já vi gente puritana ou que não conhece material que é realmente erótico/pornográfico dizendo por aí, mas não seria colocado em uma revista juvenil hoje, tavez, aparecesse na Ane-kei Petit Comic, que é onde o outro mangá histórico da autora que se passa na Turquia, Yume no Shizuku, Kin no Torikago (夢の雫、黄金の鳥籠), foi alocado.    Outra alternativa seria estar em alguma plataforma ou revista online, onde os shoujo mais apimentados ainda podem ser encontrados, vide o caso de Kimi to Koete Koi ni Naru (キミと越えて恋になる), que teve anime no ano passado.  

Dito isso, o segundo episódio já mostrou algo que eu imaginava que ocorreria: a censura.  E não se trata de cortar cenas ecchi, porque não é disso que estamos falando, mas de situações sexuais que fazem sentido na história e podem, inclusive, ajudar na narrativa.  Por exemplo, em uma sequência na qual Yuri deveria estar nua e Kail semivestido, todos estavam com suas roupas. Além disso, ele não a agarra da forma como fez no mangá, algo que seria lido tranquilamente como uma tentativa de estupro pela audiência contemporânea.  No contexto da história, Kail não entende que Yuri não o deseje, afinal, ele é um príncipe e a trouxe para o seu palácio.  E reforço que Kail entende o que é consentimento, que Chie Shinohara não é complacente com o estupro (*algo comum em mangás da época*), ainda que, mais para frente na história, por desespero, ele acabe ultrapassando a linha em uma sequência importante que não deveria ser cortada ou atenuada, mas desconfio que será.  De qualquer forma, não é algo que estará nessa temporada.

Sim, haverá outras temporadas de Anatolia Story.  Sei disso, porque Ramsés não aparece na abertura e não há dublador escalado para o papel.  Ele não estará nesta temporada, portanto, ou só será introduzido no último capítulo, talvez sem fala alguma, se o corte for feito onde eu imagino que será.  Como o anime está sendo planejado há tempo, ou o anúncio e a estreia não seriam tão próximos; deve ocorrer com ele o mesmo que está sendo feito com Hana-Kimi (花ざかりの君たちへ).  Três temporadas ou quatro para cobrir o mangá.  Esta sequência em que Kail tenta forçar Yuri, se aparecer, deve estar somente em uma terceira temporada ou no final da segunda, porque o acontecimento é do volume #11 de um mangá que tem 28 encadernados.  

Já outra sequência cortada do episódio 2, é aquela na qual o príncipe, um rematado playboy, observa que prefere mulheres com curvas, que a menina era muito magrinha e toca nos seios de Yuri na frente de Tito e Kikkuri, como se fosse a coisa mais banal do mundo.  Ele tinha lhe oferecido jujubas, e lembro que, na época, fui procurar o que eram essas tais jujubas, e descobri que os nossos doces baratos imitam uma fruta que existe e que é bem calórica.  Enfim, eu acredito que vários cortes irão acontecer ainda.  O anime será uma versão higienizada da história.  Torço, porém, para que o material não seja descaracterizado, pois as personagens são complexas e não podem ou devem ser planificadas para atender às hipocrisias de nosso tempo.  De qualquer forma, preocupou-me mais a redução dos diálogos, porque alguns deles ajudam a estabelecer a dinâmica das personagens com Yuri sendo capaz de falar com Kail de uma forma como outras pessoas, especialmente mulheres, não ousavam falar.  Chamá-lo de idiota, tacar coisas nele e, claro, recusar-lhe sexo.

Houve diálogos que foram mudados de lugar; isso não é um problema; uma adaptação não precisa nem deve ser uma transposição fria do original.  O que me preocupa é a possível perda de informação.  Por exemplo, Yuri diz que essa história de feitiço não era algo científico. Foi cortado.  Quando ela é atacada por Tito enfeitiçado, ela está pensando em como o palácio de Kail parece muito vazio e a Rainha, que a observa, diz a Uhri que isso é bom, porque o príncipe só deixa pessoas de sua máxima confiança em sua casa.  Yuri é a primeira mulher que ele leva para seu palácio. Essa informação ficou na animação.  Esse dado será importante mais adiante na história para entender a personalidade de Kalil. 

Se no segundo episódio sequências que tinham conteúdo sexual foram cortadas ou atenuadas, no primeiro episódio a economia veio nas cenas em que a  Rainha tentava puxar Yuri para o passado e fracassava.  O corte mais lamentável é quando Yuri está com Himuro (*o primeiro namorado*) cumprindo aquelas tarefas de representantes de sala de escola japonesa, as mãos saem de um aquário na escola e tentam agarrá-la.  O aquário se estilhaça no chão; os peixes morrem.  O rapaz fica sem entender o que está acontecendo.  É uma das sequências de terror do início da série.  E, sim, Yuri quase foge de Tito, mas a sequência é encurtada e ela parece mais vulnerável do que é na verdade, além de deixarem de fora que o menino feriu seu pescoço.  Eliminaram o sangue. Cortaram, também, o ferimento que Yuri sofre na mão quando invade o palácio da Rainha.  Ferimento que demora a sarar e que é sério. Se começaram já com essa palhaçada, a coisa pode se tornar recorrente.

A animação, quando saíram os primeiros vídeos, parecia ser muito pobre, mas está no mesmo nível da primeira temporada de Hana-Kimi (*acho a animação da segunda temporada um pouco melhor*).  Não é uma animação de qualidade superior, mas está longe de ser ruim e há o uso de imagens paradas para dar efeito dramático  Isso foi importante no primeiro episódio.  Dito isso, a animação flui bem e estou satisfeita com ela.  A música de abertura e toda a sequência são boas; a de encerramento foi apresentada no episódio dois e é bonitinha. Já coloquei as duas no rádio do meu carro para ouvir e decidir se gostei muito ou não.  

A dublagem está muito boa; as vozes casaram bem até o momento.  Vamos ver quando as outras personagens começarem a aparecer.  Aqui, algo que gostaria de destacar, os dubladores dos pais de Yuri, Inoue Kazuhiko e Takayama Minami, fizeram as vozes da mocinha e de Kail nos dramas CDs da época em que o mangá estava sendo publicado.  Achei a homenagem muito bonitinha.  Se o anime tivesse saído lá atrás, é possível que eles fossem os dubladores oficiais.  

Outra coisa, a série está contando com uma assessoria técnica de arqueólogos, o que talvez torne determinadas coisas mais realistas.  Uma crítica a fazer é sobre a roupa de Yuri.  No mangá, ela usa uma túnica simples durante boa parte do tempo, mas ela tem alguns detalhes, como o feixo nos ombros, e sempre aparece usada com uma faixa na cintura.  No anime, a colocaram metida em um saco de batatas sem forma.   Não sei mesmo se esse tipo de túnica peça única era usada pelos hititas.  Agora, entre outros povos posteriores, como gregos, etruscos e romanos não é o tipo de roupa comum.  Resumindo: ficou feio e disforme.  As roupas das outras personagens acompanham o mangá até o momento.

Se você conhece o meu blog ou assistiu ao Shoujocast sobre o primeiro episódio, sabe o quanto eu amo esse mangá.  Amar uma obra não quer dizer que eu não percebo seus problemas.  Já repeti várias vezes que Yuri deveria sofrer mais por se separar de sua família, a autora não se esforçou tanto nessa parte porque, desde o início, queria uma protagonista que fosse uma mulher da época retratada e os editores não lhe permitiram fazer isso.  Ela só realiza seu desejo em Yume no Shizuku, Kin no Torikago, muitos anos depois.  Uma das mudanças que espero, portanto, é vê-la lembrando mais de seus familiares, para que seu sofrimento, dividida entre a família e Kail, seja maior.  

Outra coisa que espero que mudem para melhor é que Kail use mais a sua magia.  Ele aparece na abertura usando o poder do vento, algo que não esperava.  Pensando bem, o beijo que faz com que Yuri passe a entender a língua pode ser tanto resultado do poder dele quanto da deusa Ishtar (*Yuri é o avatar da deusa do amor e da guerra*). E quando Kail obriga Yuri a dormir com ele, é para protegê-la da Rainha.  A magia dele inibe a da vilã e ela não consegue espionar a menina.  E já vi isso acontecer em outras séries, quando uma personagem mantém a mocinha perto para que o vilão ou vilã não consiga ter poder sobre ela.  Não se trata, portanto, de luxúria, ainda que, bem mais tarde na história, a peguete mais longa que ele teve dirá para Yuri que Kail nunca dormia a noite toda com uma mulher e nunca relaxava a ponto de não deixar a espada ao alcance da sua mão.  Com Yuri sempre foi diferente, mesmo que o próprio Kail não percebesse isso no início.  Agora, bem que Kail poderia colocar uns feitiços na sua casa para impedir que o poder da Rainha pudesse ter efeito dentro dela.

Acredito que seja isso por agora.  Falei muito no primeiro Shoujocast.  Hoje, porque já passou e muito da meia-noite, farei outro programa.  Estou muito feliz com a estreia da animação.  Muito mesmo.  O que pontuei no texto não é para desabonar a série animada e não acreditem em quem diz que se trata de um anime ruim.  Pode ser o gosto da pessoa, má vontade ou aquela ideia de que uma adaptação tem que ser igual ao original.  O mangá está disponível para quem quiser lê-lo.  As mudanças, até agora, são explicáveis, ainda que não me agradem.  O mais importante, porém, é ver as personagens se movimentando, finalmente ouvir suas vozes e aproveitar essa boa onda nostálgica sem ser babaca, porque o que estão trazendo lá dos anos 1990, até o momento, é material de excelente qualidade.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Shoujocast no Ar! E Estreou Anatolia Story!!!!

Este programa deveria ter entrado ontem, gravei logo depois de assistir a estreia de Anatolia Story, mas houve um problema na edição e eu precisei refazer tudo.  A emoção de ver um dos meus mangás favoritos ganhar vida e voz diante dos meus olhos está registrada na minha gravação, mas queria que tivesse sido coocado no ar ontem.  Além de Anatolia, comento mais duas coisinhas, uma feliz (*um novo capítulo de Nina the Starry Bride depois de muito tempo*) e outra triste (*a morte de Benedito Ruy Barbosa*).  Espero que vocês gostem, porque eu amei gravar. ❤️

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Não sabia, mas Chie Shinohara escreveu um livro sobre os Hititas com um famoso arqueólogo

Acabei de descobrir, graças a um post de um blog de uma japonesa sobre Anatolia Story, que Chie Shinohara publicou um livro, em 2022, misturando texto, fotografias e mangá com um famoso arqueólogo japonês chamado Sachihiro Omura (1946-2025).  Ele era especializado em hititas.   O livro se chama Hittaito ni miserarete: Koukogaku-sha ni Manga-ka ga Shitsumon!! (ヒッタイトに魅せられて: 考古学者に漫画家が質問!!), algo como "Fascinada pelos hititas: uma artista de mangá faz perguntas a um arqueólogo!!". 

No Amazon, o livro tem a seguinte descrição: "Chie Shinohara, autora do popular mangá "Red River", ambientado no Império Hitita, entrevista o arqueólogo Yukihiro Omura, diretor do Instituto Arqueológico da Anatólia! ​​Eles discutem com paixão o Império Hitita, explorando a atmosfera das escavações arqueológicas, a existência de ferro na região hitita, a alimentação dos hititas e o Reino de Mitanni. A inspiração para o mangá também é abordada. A coluna explica os personagens e o contexto histórico com ilustrações da obra original "Red River". O livro também inclui novas ilustrações de Shinohara. Dois mestres desvendam os mistérios do Império Hitita!".  Enfim, adoraria poder ler esse livro.  Deve ser muito interessante.  

Yume no Shizuku, Kin no Torikago, Sora wa Akai Kawa no Hotori: Reis, Flores, Triângulos Amorosos, o Céu e Gatos - Uma Exposição de Arte Online que Reflete sobre o 'Romance Turco' que Chie Shinohara Continuou a Retratar


Estava com essa entrevista antiga com a Chie Shinohara aberta aqui faz tempo e Anatolia Story (Sora wa Akai Kawa no Hotori/天は赤い河のほとり) está para estrear e eu preciso colocar isso no ar.  Ela é de 2020, quando Yume no Shizuku, Kin no Torikago (夢の雫、黄金の鳥籠) estava na reta final e a autora compara esta obra, que se passa no Império Otomano do século XVI, com Anatolia Story, que se passa na Anatólia do século XIV A.E.C., especialmente, as duas mocinhas Hürrem e Yuri.  Shinohara fala, também, do seu amor pela Turquia atual e sua história, seu céu, seus cheiros.  Tenkawa é o apelido japonês do mangá Anatolia Story.  Eu fiz resenha dos dois primeiros volumes de Yume no Shizuku, Kin no Torikago.  Parei a leitura, preciso retomar, até para entender como a autora desenvolve o seu triângulo amoroso em que todo mundo pega todo mundo, ainda que eu acredite que duas das pontas do triângulo sejam constrangidas pelo rei e não estejam ali por desejo próprio.  E, para quem não conhece Anatoia Story, Yuri não tem dúvida sobre seu amor por Kail em nenhum momento.  Ela é sempre fiel, mas todo mundo se apaixona por ela e Ramssés usaria de quase qualquer subterfúgio para tê-la como sua concubina ou esposa.

O 14º volume de Yume no Shizuku, Kin no Torikago, de Chie Shinohara, atualmente em publicação na revista Ane-kei Petit Comic (Shogakukan), foi lançado em 8 de julho. Ambientado no Império Otomano durante o século XVI, este romance histórico narra a trajetória de Hürrem, uma mulher que ascendeu da condição de escrava para se tornar concubina do sultão.

O site Comic Natalie está publicando uma matéria especial sobre Yume no Shizuku, Ougon no Torikago para comemorar o lançamento do novo volume. Com foco em Yume no Shizuku, Ougon no Torikago e Sora wa Akai Kawa no Hotori, outra história ambientada na Turquia e uma das obras mais representativas de Shinohara, a matéria revisita as ilustrações coloridas de ambas as obras com base em cinco temas: Rei, Flor, Céu, Triângulo Amoroso e Gatos.  Além disso, há uma seção bônus na qual Shinohara escreve sobre seus amados gatos. Não deixe de conferir os comentários de Shinohara explicando cada ilustração, bem como a entrevista na qual ela revela seus pensamentos sobre Yume no Shizuku, Ougon no Torikago, que está em seu décimo ano de publicação, e seus sentimentos sobre a Turquia, país que ela continua retratando.

Uma exposição de ilustrações de Yume no Shizuku, Kin no Torikago e Sora wa Akai Kawa no Hotori, apresentadas sob cinco temas.

Tema 1: Rei

Sora wa Akai Kawa no Hotori
Yume no Shizuku, Kin no Torikago
Comentário de Chie Shinohara: Kail e Suleiman são ambos imperadores de seus respectivos países, mas imagino suas personalidades como sendo bem diferentes — como fogo e gelo. Kail é fogo e Suleiman é gelo, eu acho. Gosto da pose reclinada e costumo desenhá-la. Acho que é uma boa composição para criar uma atmosfera sensual, seja de fogo ou de gelo, haha.
Tema 2: Flores
Sora wa Akai Kawa no Hotori
Yume no Shizuku, Kin no Torikago
Comentário de Chie Shinohara: Usei tulipas em Yume no Shizuku porque são a flor nacional da atual Turquia e eram frequentemente usadas em padrões e desenhos durante o Império Otomano. Não sei qual era a flor simbólica do Império Hitita, mas como a capital, Hatusa, era uma cidade abençoada com água, gostei de representar lótus.  No entanto, considerando o clima e o ambiente de Hatusa, não me parece um ambiente adequado para lótus (risos). Depois da ascensão de Kyle ao trono, também representei lírios com bastante frequência. Isso porque eles têm uma imagem nobre, mas duvido que existissem durante a era hitita (risos).
Tema 3: Céu
Sora wa Akai Kawa no Hotori
Yume no Shizuku, Kin no Torikago
Comentário de Chie Shinohara: Estes também são céus contrastantes (ou pelo menos era essa a minha intenção). Yume no Shizuku representa o céu salgado e com cheiro de mar de Istambul, uma cidade cercada pelo oceano, enquanto "Via Láctea" representa o céu azul brilhante no ar seco da Anatólia Central (ou pelo menos era essa a minha intenção). Yuri e Hürrem também são personagens contrastantes, uma dinâmica e a outra estática, mas Yuri é mais fácil de desenhar, então tento garantir que Hürrem não seja puxada nessa direção.
Tema 4: Triângulo Amoroso
Sora wa Akai Kawa no Hotori
Yume no Shizuku, Kin no Torikago
Comentário de Chie Shinohara: Embora ambas as histórias envolvam triângulos amorosos, acho que os vetores são completamente diferentes. Em Tenkawa, os dois homens são completamente apaixonados pela heroína, e a heroína é devotada ao herói. Em Yume no Shizuku, os vetores de Hürrem e Ibrahim são direcionados um ao outro, mas é um mistério se Suleiman sequer tem um vetor, rsrs. Essa é a imagem que me vem à mente. Quanto ao tipo de homem, acho que Suleiman é o mais interessante, mas seria um saco tê-lo como namorado, ou mesmo como amigo, rsrs.
Tema 5: Gatos
Sora wa Akai Kawa no Hotori
Yume no Shizuku, Kin no Torikago
Comentário de Chie Shinohara: Obrigada por incluir gatos como tema!! [Entrevistadora?] Posso pensar em vários motivos para desenhar gatos, mas, basicamente, tudo se resume ao fato de que eu simplesmente os amo!! rsrs. Talvez o motivo de eu combiná-los com personagens masculinos seja porque a graciosidade do gato lembra a de uma mulher e destaca a sensualidade dos personagens masculinos. A gata com Ramsés é uma oscicat chamada Tomoko. Ela faleceu em 2000 e foi a primeira das minhas gatas a morrer, então fiquei tão triste que não consegui evitar desenhá-la (suando frio). Os gatos com Suleiman são Shin, o marrom, e Nepis, o branco. Eles são irmãos bengal. Eles faleceram um após o outro em janeiro e fevereiro de 2018, o que também foi um grande choque, e eu já estava com vontade de desenhar gatos com a Tomoko, pensando que se ela estivesse na capa do livro, duraria para sempre rsrs.
Entrevista com Chie Shinohara

O motivo pelo qual consegui continuar retratando a Turquia por tanto tempo é porque sempre me mantive fazendo turismo por lá.

Agradecemos seus comentários sobre as ilustrações de cada tema! O Império Hitita em "Tenkawa" e o Império Otomano em "Yume no Shizuku, Kin no Torikago" se passam em épocas diferentes, com aproximadamente 3.000 anos de diferença entre si, mas ambos retratam a Turquia. No total, Shinohara-sensei retrata a Turquia há quase 20 anos. [Entrevistadora?]

Adoro a Turquia e já a visitei muitas vezes, mas nunca morei lá e ainda não falo turco. Acho que continuo sendo turista há quase 30 anos desde a minha primeira visita. Mas justamente por ser turista, tudo o que vejo é sempre novidade, e consigo apresentar a Turquia aos leitores japoneses que não a conhecem muito bem, a partir de uma perspectiva de iniciante. Acho que é por isso que consigo escrever sobre ela há tanto tempo. Talvez seja só uma desculpa para a minha falta de conhecimento... (risos).

— Depois de ler "Tenkawa", também quis ver o Rio Vermelho pessoalmente e viajei para a Turquia. Acho que muitos leitores descobrirão o encanto da Turquia através da sua obra, então poderia nos dizer o que você acha que atrai e dá prazer em retratar a Turquia?

Suponho que seja a história. A história turca é vasta tanto em termos de tempo quanto de território, e cada um de seus períodos é fascinante. Além da história moderna, existem muitos períodos misteriosos cujos detalhes são desconhecidos, o que estimula muito a imaginação do artista. Eu me empolgo quando vou a esses lugares e sinto a atmosfera deles.


— Lendo seus comentários sobre "flores" e "céu", fiquei feliz em saber mais sobre o processo criativo por trás do seu trabalho, pois percebi que você estava tentando capturar a atmosfera da Turquia que vivenciou pessoalmente em suas ilustrações. Poderia nos contar o que você valoriza e leva em consideração ao criar ilustrações coloridas?

Fico lisonjeada e um pouco sem graça com o seu elogio, mas suponho que seja a atmosfera que você busca. Para ilustrações de capa, priorizo ​​capturar a imagem da obra. Para capas de revistas ou pôsteres, consulto o editor, mas acho que a atmosfera geral do produto final é crucial. Estou atento à "atmosfera de um lugar", como o cheiro salgado de Istambul ou a atmosfera seca da Anatólia Central, mas também considero o "clima" — por exemplo, se o tema é romance, se devo expressar doçura ou tensão. Além disso, gosto de suspense e terror, então uma atmosfera inquietante ou sinistra é definitivamente uma das minhas opções (risos). E, na prática, na maioria dos casos, as ilustrações coloridas que nós, artistas de mangá, desenhamos terão texto, então primeiro penso em onde colocar esse texto.
— Entendo. Ao observar as ilustrações enquanto escrevia este comentário, você notou alguma mudança no seu próprio estilo de desenho?

Acho que dá para dizer que é surpreendente o quão pouco mudou (risos).

— Haha (risos). De fato, as ilustrações de Shinohara-sensei sempre foram estilosas, mas possuem um fascínio misterioso e único. Não importa qual ilustração você veja de sua longa carreira, você a reconhecerá imediatamente como "arte de  Shinohara-sensei!", então talvez ela não tenha mudado.

Obrigada. Os detalhes podem ter mudado aos poucos, mas acho que, basicamente, nada mudou para mim. Seja a ponta da caneta que uso para manuscritos monocromáticos ou as tintas para manuscritos coloridos, não as troquei desde antes da minha estreia. Pensando bem, talvez eu seja bastante conservadora em relação a esses detalhes físicos. Talvez seja por isso que eu costumava desenhar imagens mais enérgicas e melhores no passado... Mas, se me permitem uma desculpa, o cenário que estou desenhando atualmente é o harém otomano, então não tenho muitas oportunidades de desenhar cenas com mulheres em movimento. Originalmente, eu gosto de imagens dinâmicas, então me sinto um pouco sozinha.

— Yuri de "Tenkawa", Rinko de "Yami no Purple Eyes" (闇のパープル·アイ) e Ryufu e Ryusui de "Umi no Yami, Tsuki no Kage" (海の闇、月の影), elas eram todas bem selvagens, não eram? (risos) Olhando para as ilustrações coloridas de Shinohara-sensei e relendo suas obras, notei que ela frequentemente desenha flores ao fundo. Flores ao fundo podem ser um clichê clássico em mangás shoujo, mas que tipo de cenas você quer expressar ao desenhar flores?

Usar flores no fundo de mangás shoujo é uma técnica clássica, não é...? Mas eu a adotei completamente e agora adoro colocar flores (risos). Sempre percebi que meus desenhos careciam de vivacidade para um mangá shoujo, então comecei a adicioná-las para torná-los um pouco mais vibrantes, e agora isso se tornou rotina. Como escrevi no meu comentário sobre "flores", acho que ter flores de lótus em Hattusa, onde há muita água, ou tulipas, a flor nacional da Turquia, em Istambul, ajuda a capturar a atmosfera do lugar.

— De fato, isso pode desempenhar um papel importante na sua imersão no universo da obra. Entre "Tenkawa", que terminou em 2002, e "Yume no Shizuku", que começou a ser publicada em 2010, Shinohara-sensei publicou uma série de obras ambientadas no Japão, como "Mizu ni Sumu Hana" (水に棲む花), "Umi ni Ochiru Tsubame" (海に堕ちるツバメ) e "Tokidamari no Hime" (刻だまりの姫). Antes, perguntei sobre o encanto da Turquia, mas qual você acha que é o encanto e o prazer de retratar o Japão?

Se o encanto da Turquia reside em seu caráter desconhecido, o encanto do Japão pode estar no caráter inesperado de um lugar familiar. Espero que os espectadores apreciem as surpresas, como "Eu nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer em um lugar que sempre conheci" ou "Nunca imaginei que se desenrolaria dessa forma".

Eu queria desenhar o capítulo final este ano.

— "Yume no Shizuku, Kin no Torikago" completou 10 anos de publicação em série este ano. Parabéns!

10 anos!! Estou simplesmente maravilhada. Nunca pensei que conseguiria continuar por tanto tempo, e estou surpresa que tanto tempo tenha passado. Sou verdadeiramente grata aos meus leitores e editores.

— Qual foi o evento mais memorável dos últimos 10 anos?

Em relação ao trabalho, consegui retomar o contato com a Turquia depois do fim de "Tenkawa" e visitá-la várias vezes, o que eu achava que seria o fim da minha ligação com o país. Na minha vida pessoal, com certeza são meus gatos.

— É sabido que Shinohara-sensei adora gatos, e você frequentemente posta fotos fofas dos seus gatos e fotos deles lutando bravamente contra doenças na sua conta do Twitter, certo?

Sim, o número de gatos que aumentou constantemente enquanto "Tenkawa" era serializado está desaparecendo um após o outro enquanto desenho "Yume no Shizuku". Mas acho que não tem jeito, já que cada um deles chegou ao fim de sua vida. Sou grata por eles terem entrado na minha vida e terem estado ao meu lado. Eu disse antes que não parece que 10 anos se passaram, mas sinto a passagem do tempo através dos meus gatos (risos).

— Falando em passagem do tempo, este ano, 2020, marca o 500º aniversário da ascensão de Suleiman I, também conhecido como Suleiman em "Yume no Shizuku, Kin no Torikago". No volume 13, você comentou que "tinha que ser algum tipo de ano marcante". O que você acha disso?

Eu queria desenhar o episódio final este ano, o 500º aniversário da ascensão de Suleiman ao trono. No entanto, como tenho procrastinado até agora, não consegui chegar ao episódio que havia imaginado para o final (risos). Estou realmente com dificuldades.

— Estou ansiosa para ler o episódio que você planejou para o final, mas ao mesmo tempo, quero continuar imersa no mundo de "Yume no Shizuku, Kin no Torikago" por mais um tempo. Olhando para a história até agora, qual cena te impressionou mais?

Esta provavelmente é aquela na qual Hürrem, ainda conhecida como Alexandra na época, vê Istambul pela primeira vez. Istambul é realmente uma cidade fascinante, e me lembro de ter ficado muito emocionada quando a vi pela primeira vez.
— Essa é a cena exótica de página dupla do Volume 1, certo? Tem mais alguma?

Este é um episódio da campanha de Rodes. Rodes é atualmente território grego, então o acesso a partir de Atenas é conveniente para a pesquisa, mas eu realmente queria visitar Rodes seguindo o itinerário de Suleiman, então viajei de balsa de Marmaris, na Turquia, assim como Suleiman. Como vi o local pessoalmente, foi muito mais fácil retratar as batalhas e as posições relativas dos dois exércitos que defendiam o castelo. Talvez por isso, o episódio tenha ficado desnecessariamente longo...

— No volume 6, que retrata a Batalha de Rodes, Hürrem quase não aparece, e Suleiman e Ibrahim estão constantemente em combate (risos). Mas, graças a isso, pudemos apreciar plenamente os esforços desesperados de Ibrahim para ganhar mérito e conquistar o coração de Hürrem.

Na verdade, eu queria ir à Hungria para fazer pesquisas quando estava escrevendo sobre a Batalha de Mohács, mas se eu fosse cada vez que Suleiman partisse em uma expedição, não teria tempo suficiente, e a história ficaria ainda mais longa, então me contive (risos).

A diferença entre Yuri e Hürrem
— Embora "Tenkawa" e "Yume no Shizuku" sejam ambos dramas históricos, "Tenkawa" apresenta uma heroína original, enquanto "Yume no Shizuku" apresenta uma figura histórica real como heroína. Há alguma diferença na forma como elas são retratadas como resultado disso?

O fato de Hürrem ser uma pessoa real e Yuri ser uma personagem fictícia não altera a forma como as retrato nem apresenta desafios específicos. Os finais de ambas as histórias são predeterminados, e o desafio reside em como conectar os eventos que levam a esse desfecho.

— Entendo. Em uma entrevista anterior (veja: Sho-Comi 50th Anniversary Special, Parte 6: Entrevista com Chie Shinohara ), Shinohara-sensei disse que, em seus trabalhos anteriores, "eu era quem menos conseguia prever para onde a série estava indo, e provavelmente era a que estava mais nervosa e animada", indicando que ela não decidiu rigidamente o desenvolvimento da história e, em vez disso, a desenhou de uma forma que parecia estar acontecendo ao vivo. "Yume no Shizuku" é baseado em fatos históricos, mas, assim como "Tenkawa", é desenhado de uma forma que envolve tentativa e erro, exceto pelo final, certo?

Sim. Estou com dificuldades com os dois, me sentindo igualmente nervosa e animada (risos). No entanto, Yuri foi uma personagem mais fácil de desenhar, então foi mais fácil animá-la. Estou tentando desenhar um tipo diferente de heroína do que Yuri, então estou desenhando a Hürrem, mas ela não é exatamente meu forte, então ainda estou tentando entendê-la...
— Em uma entrevista anterior, Shinohara-sensei, o senhor mencionou que começou uma série com Hürrem como personagem principal porque "Hürrem parece uma mulher muito interessante" e "ela é uma mulher que pode ser retratada no estilo de uma heroína sombria". O que a senhora achou "interessante" em Hürrem?

Em primeiro lugar, existem muito poucos registros de mulheres na história otomana. Na melhor das hipóteses, seus nomes são registrados como esposa ou filha de alguém, mas não sabemos nada específico sobre quem elas eram ou o que faziam. No entanto, Hürrem é chamada de vilã. Da perspectiva de Hürrem, provavelmente existem muitas razões para suas ações que a fariam parecer uma vilã, e essas razões podem ser inventadas infinitamente. Então, isso realmente estimulou minha imaginação.

— Pelo modo de vida de Hürrem, percebo a importância da educação e do conhecimento, e a importância de viver com resiliência, força e proatividade, mesmo em um lugar onde a liberdade é restrita, como o harém. Tenho uma pergunta sobre o triângulo amoroso que envolve Hürrem. É apenas por curiosidade, mas por que Suleiman e Ibrahim se beijam com tanta frequência?

Por que, você pergunta... (risos). Há rumores de que Suleiman e Ibrahim tinham esse tipo de relacionamento. Assim como o rumor de que "Hürrem é uma mulher perversa", eu mesmo não sei a fonte, mas incluí porque um triângulo amoroso envolvendo Hürrem seria mais complicado... em outras palavras, mais interessante (risos).
— Obrigada, isso esclarece tudo! Acho que muitos leitores de "Tenkawa" vão ler esta matéria. Quais são alguns dos pontos principais de "Yume no Shizuku" que você gostaria que os leitores de "Tenkawa" prestassem atenção e apreciassem?

Embora Yuri e Hürrem tenham sido levadas contra a sua vontade para um país desconhecido e servidas pelo favor de um monarca, espero que vocês as vejam como mulheres com perspectivas e princípios de ação diferentes. O Império Hitita no século XIV a.C. e o Império Otomano no século XVI d.C. eram completamente diferentes, portanto, as duas jovens enfrentaram dificuldades completamente distintas.

 Mesmo quando colocados em situações semelhantes, a época e as motivações do protagonista são diferentes, então histórias diferentes se desenrolam. Estou ansiosa para ver como "Yume no Shizuku" termina. Por fim, você tem uma mensagem para os leitores de "Yume no Shizuku"?

Basicamente, espero que vocês gostem como entretenimento, então não tenho nenhuma ideologia ou crença específica para transmitir como mensagem aos leitores. Mesmo vivendo no século XXI e não servindo a um monarca, ainda enfrentamos nossas próprias lutas para encontrar nosso caminho, e nenhum manual é útil. Portanto, ficaria feliz se vocês lessem o mangá à sua maneira, a partir de sua própria posição e perspectiva. E se pudessem compartilhar seus pensamentos e impressões após a leitura, do seu ponto de vista, seria uma experiência de aprendizado para mim e eu ficaria realmente encantado.

Chie Shinohara

Após sua estreia em 1981 com "Akai Densetsu" na revista Coronet, ela escreveu com entusiasmo contos de suspense e terror para a mesma revista e para a Shojo Comic (ambas publicadas pela Shogakukan). Em 1984, lançou seu primeiro romance, "Yami no Purple Eye", que foi adaptado para um drama televisivo estrelado por Akiko Hinagata em 1996 e conquistou grande popularidade. Ela continuou a produzir obras de sucesso como "Ryoko no Shinrei Jikenbo", "Umi no Yami, Tsuki no Kage" e "Ao no Fuuin". "Ten wa Akai Kawa no Hotori", que começou a ser publicado na Shojo Comic em 1995, foi lançado em 28 volumes e possui uma tiragem acumulada de 20 milhões de exemplares. Em 2018, foi adaptado para uma peça teatral pela trupe Cosmos da Takarazuka Revue. Desde 2010, ela serializa "Yume no Shizuku, Ougon no Torikago" na Anekei Petit Comic (Shogakukan).

Chie Shinohara (@Marashantia) | Twitter