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sábado, 5 de setembro de 2026

Como a diretora executiva Naoko Yamada deu vida a Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia (Entrevista traduzida)


A Jéssica postou no grupo do Facebook esta entrevista feita pelo site Anime Trending com a diretora executiva no anime Tenmaku no Jaadugar (天幕のジャードゥーガル), baseado no mangá de Tomato Soup.  Decidi traduzir para deixar aqui no blog.  Como estou assistindo ao anime, imagino que ele não irá cobrir nem os 6 volumes atuais.  Dado o sucesso, não me surpreenderia se anunciassem um filme para o cinema ou segunda temporada em breve.  Também não tenho ideia de até qual ponto da vida de Fátima a autora pretende adaptar.  De qualquer forma, a experiência de assistir Jaadugar é muito boa.

Comentando dois aspectos da entrevista.  Considero lamentável a percepção que a diretora expressou sobre a escravidão.  Compreender que a instituição escravidão é multifacetada e é historicamente determinada é uma coisa, mas abraçar a ideia de que o escravizado era como alguém "da família" é perder de vista que o escravizado, por melhor colocado socialmente que esteja, é sempre uma coisa.  Pode ser punido, vendido, violado no seu próprio corpo.  Espera-se dele ou dela uma fidelidade extra, mesmo em sociedades extremamente desiguais nas quais pessoas livres sofrem violências que hoje não sejam vistas como adequadas.  Dito isso, não estou pedindo que as críticas estivessem dentro do mangá (*porque a situação veio do original*) ou do anime, mas que a diretora executiva refletisse mais criticamente sobre o tema.  


O outro aspecto, os demais "temas sensíveis", algo que é esquecido tanto no mangá, quanto no anime, é a violência sexual contra homens e mulheres.  Isso foi apagado e basta olhar a literatura sobre os mongóis e observar que a questão aparece com frequência.  E ela não precisava ser graficamente mostrada; existem formas de colocar a questão sem criar uma história idealizada.  Mas, sim, eu sei... As sensibilidades da geração atual não vaos causar desconforto e pintar o passado de cor-de-rosa.

De resto, o link para o original é este aqui.  Mantive a mesma estrutura ao traduzir, incluindo as imagens.  O texto traduzido está abaixo.  Para quem quiser comprar o mangá, ele está sendo publicado pela Panini no Brasil.

Como a diretora executiva Naoko Yamada deu vida a Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia

Grace Qu

Sob a direção magistral de Naoko Yamada e Abel Góngora , o estúdio Science SARU dá vida a Jaadugar: A Witch in Mongolia , a história de Sitara, inspirada em Fátima, uma das mulheres mais influentes do Império Mongol do século XIII. O anime conquistou o público com seu design de personagens único, sua trilha sonora autêntica e o uso criativo da linguagem para imergir os espectadores na época do reinado do Império Mongol. Na Anime Expo 2026, o Anime Trending conversou com Naoko Yamada, diretora executiva de Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia, sobre as complexidades dessa história.

O Islã, como religião, apesar de ser uma das maiores religiões da atualidade, raramente é retratado em animes, mas é importante para o cenário, a história e os personagens de Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia . Você mencionou ter feito viagens de pesquisa para a criação deste anime, e eu gostaria de saber em que você se concentrou em sua pesquisa sobre o Islã e como você traduziu isso para o anime.

Naoko Yamada: Há muito sobre o Islã e a Mongólia que não é muito conhecido do ponto de vista japonês, então eu queria analisar os fundamentos — como os povos do Irã (Pérsia) e da Mongólia realmente vivem, o que aprendem, o que realmente valorizam e sua filosofia em geral. Eu queria entender a cultura e captar a essência religiosa que construíram desde os tempos antigos. Mais importante ainda, eu queria ver tudo isso de uma perspectiva imparcial, então me dediquei bastante à pesquisa sobre a Mongólia. Também visitei uma mesquita aqui no Japão, o Centro Cultural Turco Tokyo Camii Diyanet, para estudar para este anime.

Diretora Executiva Naoko Yamada

Sitara é baseada em uma figura histórica real do Império Mongol chamada Fátima. Embora ela tenha vivido durante o reinado de Genghis Khan, grande parte de sua vida se desenrolou após a morte dele. Internacionalmente, a maioria das pessoas associa a história da Mongólia apenas a Genghis Khan e geralmente não explora a história fora desse período. Durante suas viagens de pesquisa e fora delas, como você buscou aprender sobre esse lado da história que a maioria das pessoas ignora e o que mais te marcou ao estudá-lo?

Naoko Yamada: Esta obra também retrata o fim do reinado de Genghis Khan e como seus filhos conquistaram mais terras além da Mongólia. Pude aprender sobre essa história com guias mongóis durante minha viagem de pesquisa, que me ensinaram muito. O que considerei importante observar foi a maneira como eles falavam e como viam as coisas. Senti que a visão de mundo deles não mudou muito ao longo do tempo.

Os guias falaram sobre contemplar as montanhas, imaginar o que existe além do céu e refletir sobre coisas tão grandes e distantes. Essa perspectiva ampla e expansiva é parte integrante da filosofia mongol, e senti que precisava valorizar essa forma de pensar ao criar este trabalho. Neste projeto, quis dar muita importância aos atributos que aprendi sobre a cultura e o povo mongol.

Durante o período da conquista mongol, muitas nações normalizaram a escravidão. Sitara é retratada como escrava desde o início da história. Você poderia explicar como abordou a representação de um sistema que hoje sabemos ser desumano no anime, mantendo ainda a precisão histórica?


Naoko Yamada: Esta obra começa com a história de alguém sendo usado como escravo na casa de um erudito. Inicialmente, eu tinha a impressão de que a palavra "escravo" carregava algo desumano, mas quando li a obra original, embora o termo "escravo" seja usado, Sitara — assim como Zumurrud e Anis — são tratados como membros da família. Elas têm permissão para aprender, e Sitara é até incentivada a fazê-lo. Isso me surpreendeu e me fez perceber que eu não sabia muita coisa sobre o panorama completo da escravidão nesse período específico e nessa região específica, então esse se tornou um dos meus campos de pesquisa.

Na história, algumas das pessoas chamadas de escravas estão ali por decisão de seus senhores, enquanto outras têm suas próprias perspectivas únicas sobre suas situações — isso foi algo novo para mim aprender e entender. E cheguei à conclusão de que não havia apenas uma maneira de encarar a situação — quero dizer, havia tantos pontos de vista diferentes que eu precisava compreender para ter uma visão completa. Isso se tornou algo que eu realmente queria transmitir com cuidado e atenção no anime: a escravidão considerando todo o seu contexto histórico, em vez de tratá-la como algo simplista.

Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia é um mangá incrivelmente cheio de nuances que aborda diversos temas, como religião, assimilação, multiculturalismo, política e geopolítica. Como vocês conseguem acompanhar tudo isso?

Naoko Yamada: Havia vários temas sensíveis que precisávamos abordar no anime, e havia muita coisa sobre a cultura mongol que não compreendíamos completamente de início, então contamos com consultores especializados em pesquisas sobre a Mongólia para nos orientar nesses detalhes e nos manter no caminho certo.

De todos os elementos do anime, do que você mais se orgulha e por quê? Pode ser uma cena específica, uma música, um cenário específico — qualquer coisa relacionada ao anime.

Naoko Yamada: Se eu disser apenas "tudo", soa monótono, mas eu realmente amo tudo — as cores são lindas, a arte de fundo é fascinante e a música é incrível. Tantas pessoas talentosas participaram da criação disso que eu sei exatamente quem fez cada cena, e penso nelas sempre que assisto ao anime. Meu apreço e amor por ele só aumentam.

Você imaginava que a adaptação de Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia receberia tanto carinho e aclamação ? Pode compartilhar suas impressões sobre o feedback que recebeu do público?

Naoko Yamada: Quando o PV foi lançado, imagino que as pessoas devem ter pensado: "Nunca imaginei que fariam um anime sobre esse tema no Japão". Fiquei genuinamente surpresa ao ver que há tantas pessoas interessadas na história mongol e persa do século XIII, e tantas que ficaram entusiasmadas em ver isso virar um anime. Achei que fosse um tema bem específico, mas fiquei muito tocada com a reação de todos e com o feedback positivo que vi.

Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia está disponível para streaming na Crunchyroll .

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Tomato Soup: "Sempre me pergunto em que ponto podemos introduzir um toque de ficção em uma narrativa histórica." (Entrevista traduzida)

Postaram essa entrevista com Tomato Soup para um site francês no Twitter e eu decidi traduzir.  Ela é de março do ano passado, antes do anúncio do mangá.  A entrevista é bem rica, porque a autora fala sobre como se tornou mangá-ka, suas influências, como o seu trabalho é singular e muito shoujo mangá, e como ela percebe a História.  Olhando o Bakaupdates, é possível ver que a autora só fez mangás históricos até o momento.  Falando das influências, a autora diz que Hetalia (ヘタリア Axis Powers) foi importante para a sua carreira.  Essa série está completando vinte anos este ano do início de sua publicação.  A série foi lançada no Brasil pela Newpop.  Já Tenmaku no Jaadugar (天幕のジャードゥーガル), tem anime no ar neste momento e o mangá está sendo publicado pela Panini.

Para quem quiser ler a entrevista no original, é só clicar aqui.  Na medida do possível, preservei o original, mantive inclusive as notas que o entrevistador colocou e que estão ligadas ao mercado francês.  As imagens eu tive que colocar próximas de onde estavam na entrevista, porque a diagramação do Blogger é diferente. Coloquei links na entrevista para ajudar na compreensão de quem está lendo.  

Tomato Soup: "Sempre me pergunto em que ponto podemos introduzir um toque de ficção em uma narrativa histórica."

Valentin Paquot

A mangaká por trás da brilhante obra Tenmaku no Jaadugar, concordou em responder às perguntas do jornal L'Internaute, de Tokyo. Uma entrevista exclusiva.

A história da Mongólia, além das hordas de Genghis Khan, permanece relativamente inexplorada no mundo dos quadrinhos. Portanto, quando um artista de mangá decide abordar o tema, é natural que isso desperte nosso interesse. Especialmente porque o talentoso artista escolhe a perspectiva de Fátima, a favorita de Töregene Khatun, regente do Império Mongol de 1241 a 1246. Uma figura que deixou sua marca na história da Pérsia e até mesmo além dela.

Sem rodeios: Tenmaku no Jaadugar é uma verdadeira joia. O mangá inclusive ganhou o prestigioso prêmio Kono Manga ga Sugoi em 2023. Enquanto a autora, Tomato Soup, entrega uma narrativa histórica meticulosamente pesquisada, intercalada com cenas do cotidiano, sua arte cativa completamente o leitor. Seu estilo, com suas curvas sutis, se harmoniza perfeitamente com o uso incrível da cor preta.

Foi em Tokyo, nos escritórios de sua editora, Akita Shoten, que conseguimos conversar com a mangaká.

© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022

Linternaute.com: Antes de se tornar um artista de mangá, você estudou arte, com foco em calcografia (gravura em cobre). Como começou essa paixão?

Tomato Soup: Há muito tempo que me sinto atraída pela gravura e pela impressão. O ponto de virada, eu diria, aconteceu quando eu estava no colegial. Pouco antes dos meus exames de admissão para a universidade, fui a uma exposição de Chimei Hamada, um artista renomado no Japão. Depois dos exames, fui aceita em dois cursos, um dos quais era especializado em calcografia. Como aquela exposição teve um impacto tão profundo em mim, decidi seguir essa forma de arte.

O que você aprendeu em seus estudos que aplica ao seu trabalho como artista de mangá?

Essencialmente, trata-se do gerenciamento de áreas planas em preto e branco. É por meio dessas áreas planas que a cor é manipulada na calcografia.

© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022

Será que sua experiência em calcografia lhe permite trabalhar com volumes com tanta facilidade? Conseguimos sentir variações de espessura nas áreas planas.

Em vez de desenhar linhas retas, costumo brincar com curvas, especialmente nos personagens. Isso pode dar uma sensação irregular, quase como um esboço, às vezes. Acho que é por isso que minhas áreas de preto sólido parecem profundas e até texturizadas.

Você buscou esses estudos com o objetivo de se tornar um artista de mangá? Ou essa escolha de carreira surgiu por outros meios?

Quando me matriculei na universidade, tinha em mente seguir carreira em calcografia. Talvez também me tornar pintora a óleo. Esse era meu objetivo inicial.

Mas viver dessa arte é um verdadeiro desafio. Conseguir se destacar e construir uma reputação, duas condições essenciais para viver da própria arte, é extremamente difícil. Paralelamente a isso, eu desenhava mangá por paixão, como uma espécie de hobby. E como eu gostava muito dessa atividade, naturalmente me vi inclinada a me tornar uma artista de mangá.

Você afirmou no podcast Radio Manga de Hisanori Yoshida que era fã de Shigeru Mizuki…

Descobri a obra de Shigeru Mizuki através de Yoshiharu Tsuge, um artista de mangá cujo trabalho admiro muito. Ele tem um estilo magnífico, e sua técnica lembra um pouco a calcografia. Ao pesquisar sobre Tsuge, descobri que ele havia sido aluno de Shigeru Mizuki. Foi então que descobri o universo de Mizuki e me tornei fã.

Qual foi a primeira obra do Mestre Mizuki que lhe causou impacto?

Sem dúvida, Kitaro é repulsivo. E especialmente o conto "O Yokai do Lago Obebe", que me impressionou profundamente. O que mais me chamou a atenção foi o trabalho nos cenários. Uma abordagem completamente diferente do que costumamos ver nos mangás contemporâneos. Esse estilo fotorrealista impacta o ritmo da narrativa.

© Shigeru Mizuki / Mizuki Produções / Cornélius 2009.

Em que momento o gênero histórico se tornou tão importante para você?

Embora tenha escolhido dedicar meus estudos universitários à arte, sempre fui apaixonada por história. Leio muito material histórico online. E um dia, minha atenção foi atraída por um grupo de entusiastas que realizavam suas próprias pesquisas históricas e compartilhavam os resultados de suas investigações em formato de mangá. Essa foi a faísca que me fez querer experimentar esse gênero. A ideia era fazer algo semelhante ao que eles faziam: pesquisar eventos históricos e apresentar essa pesquisa em formato de mangá.

O que te atrai na história fora do Japão?

No Japão, temos um mangá histórico chamado Hetalia (de Hidekaz Himaruya; uma versão em anime está disponível na França pela Dybex, nota do editor) que apresenta uma ampla gama de eventos históricos com um estilo muito fofo. Foi esse mangá que me abriu os olhos para a história fora do Japão. A partir daí, pareceu-me mais interessante, pessoalmente, ir além, contar histórias sobre aspectos da história que não haviam sido abordados em Hetalia . Foi a fonte da minha pesquisa inicial. E foi assim que criei meus primeiros fanzines.

© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022

Foi através da leitura de seus fanzines online que sua editora, Sayuri Tsuda, descobriu você. Conte-nos sobre o primeiro encontro de vocês.

Foi a Tsuda-san quem me contatou. Antes de assinar com a Akita Shoten, eu trabalhava com outra editora, e meu mangá, Dampier no Oishii Bouken (ainda não publicado na França), tinha acabado de ser indicado a um prêmio. Pensei que a Tsuda-san tivesse me contatado por causa dessa indicação. Mas não; ela já me acompanhava há um bom tempo, pois eu publicava bastante do meu trabalho nas redes sociais. Começaram a circular rumores sobre uma segunda indicação a outro prêmio, então Tsuda-san me disse: "Vamos assinar logo, antes que você fique tão famosa que não possamos mais te manter conosco!" 

O que você sentiu naquele momento?

Obviamente, fiquei muito feliz. Meu primeiro pensamento foi que meu trabalho poderia alcançar um público maior. Adoro ler desde criança; amo livros. Então, a ideia de ver meu mangá nas livrarias, ao lado de todos aqueles livros que amo, foi mais do que emocionante.

Você foi às livrarias tirar fotos quando o primeiro volume foi lançado?

Sim, visitei todas as livrarias do meu bairro. Cheguei a ir a outras livrarias de que gosto particularmente, para ver se tinham colocado os meus mangás no lugar certo (risos).

© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022

Você tem um estilo de desenho muito peculiar, semelhante ao de desenhos animados. Como você desenvolveu esse estilo?

De fato, sempre fui fã de desenhos animados americanos. Adoro South Park, em particular, e assisti bastante a alguns episódios. É uma série muito singular. Os rostos têm, mais ou menos, o mesmo formato, e a animação é bem simples. Apesar dessas fortes limitações artísticas, os criadores conseguem expressar muita coisa. É algo parecido, na minha opinião, com os desenhos do mestre Tezuka. É possível expressar muito com traços relativamente simples, mesmo com personagens que se assemelham. Encontramos essa abordagem também nas obras da Disney, até mesmo nas mais recentes. Foi a partir dessa premissa de rica expressão por meio de traços simples que desenvolvi meu estilo.

Você já deve ter ouvido essa pergunta muitas vezes, mas de onde vem seu pseudônimo? É uma referência a Andy Warhol?

Para ser sincera, nem eu mesma tenho certeza (risos). Sempre admirei os desenhos de Andy Warhol, mas, para falar a verdade, esse pseudônimo foi pura coincidência. Eu tinha um porta-lápis na minha mesa, em formato de sopa de tomate, como o do Andy Warhol. Quando precisei criar minha conta nas redes sociais, a plataforma me pediu um pseudônimo. Eu não tinha pensado em qual nome escolher. Simplesmente olhei para tudo que me chamava a atenção em busca de inspiração, e vi esse porta-lápis. Daí o nome "Tomato Soup". Adoraria dizer que existe uma ligação direta com Andy Warhol, mas, na realidade, é só um porta-lápis (risos).

Você largou o emprego e passou seis meses aperfeiçoando um conto sobre os assassinos Nizari, uma ordem religiosa xiita ismaelita. Como alguém encontra a coragem de se demitir para perseguir seu sonho?

Quando escrevi meu mangá sobre a Geórgia e quando comecei o mangá sobre os Assassinos Nizari, eu estava empregada. Pedi demissão porque não gostava do trabalho, não para me dedicar ao mangá. Na verdade, eu não tinha decidido me tornar um mangaká naquela época, e encontrei outro emprego rapidamente. Aprimorei minhas habilidades de desenho durante esse período. Finalmente, pedi demissão desse segundo emprego quando as discussões sobre Jaadugar se concretizaram. A garantia de segurança financeira como mangaká, praticamente equivalente à do meu emprego fixo, me permitiu pedir demissão. Fiz meus cálculos levando tudo em consideração. Mas não foi um salto no escuro. Muito pelo contrário.

"Mas quando você cria um mangá, você não está apenas transcrevendo a história. Você está contando uma história."

Como nasceu Jaagudar ?

Sempre fui fascinada pela Mongólia, particularmente pelo período em que Genghis Khan expandiu as fronteiras do Império Mongol. Inicialmente, queria criar um mangá sobre Genghis Khan. Gosto da ideia de uma figura histórica lembrada e retratada como vilã, como Genghis Khan e seu séquito. Mas também achei interessante ter uma protagonista feminina, de uma classe social mais baixa — não necessariamente uma plebeia, mas certamente não rica. Quando comecei a discutir a ideia com minha editora na Akita Shoten, surgiu a questão de qual tema se prestaria à serialização, e decidimos que minha série seria publicada na revista Souffle . Essa revista é classificada como josei, e seu público principal é feminino. Eu me perguntava que tipo de história atrairia esse público. E foi a convergência dessas ideias e necessidades que me levou a centrar minha história na personagem Fátima. Ela é uma personagem que, na minha opinião, permite que os leitores se projetem nela, que criem uma conexão, uma forte identificação.

Como evitar se perder ao começar a pesquisar em um campo tão vasto? Que conselhos você daria?

Ao mergulhar na história da Mongólia, encontramos uma riqueza de documentos, inclusive relatos em primeira mão, que contam a história de Genghis Khan. É um período extremamente bem documentado. A história já está escrita; basta lê-la para transcrevê-la. Mas, ao criar um mangá, você não apenas transcreve a história, você conta uma história. Portanto, você usa esses documentos como fonte de inspiração, para encontrar o ponto de partida da sua narrativa. E foi para evitar ficar presa à história que concentrei minha pesquisa em documentos mais etnográficos. Aqueles que narram o cotidiano das pessoas daquela época lançam luz sobre a cultura do período: como as pessoas viviam, qual o papel da arte em suas vidas diárias. Outro aspecto da era que gostei de descobrir por meio da minha pesquisa foi a riqueza de seu comércio e intercâmbios culturais. Concentrei-me nesses dois tipos de documentos.

© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022

Você disse que gosta de personagens sombrios da história. Como você consegue tornar esses "monstros" tão fascinantes?

O primeiro motivo é o meu amor por figuras históricas. Não importa se eram boas ou más. Como são figuras históricas, e não míticas, eu me esforcei para torná-las o mais reais possível, para que suas motivações fossem concretas. E talvez seja aí que surja a empatia por esses personagens.

O segredo é focar no aspecto realista, em vez de tentar humanizá-los.

Com certeza. Quando você se aprofunda nessas figuras históricas, percebe que elas às vezes fazem escolhas que podem parecer confusas à luz de suas realizações. Você também vê suas falhas, suas fraquezas. Esses personagens não são perfeitos; eles não saíram de um conto de fadas. E meu objetivo é capturar todas as complexidades dessas figuras históricas no meu mangá.

O conhecimento é um dos poderes mais importantes. Foi essa a mensagem que você descobriu ao estudar a história de Fátima?

Na verdade, é um tema que eu já havia explorado no meu mangá anterior, Dampier no Oishii Bouken. É um mangá que conta a história de piratas e da chegada dos primeiros colonizadores europeus à América no século XVII.

Obviamente, com esse tema, eu abordo a questão da colonização. E eu me esforcei bastante para encontrar uma maneira de tornar essa história palatável. É por isso que mencionei o tema do conhecimento, mas eu não havia desenvolvido completamente essa ideia. Eu não havia explorado completamente a mensagem que queria transmitir com aquele mangá. Então, em Jaadugar, eu abordei o mesmo tema, mas de um ângulo completamente diferente.

© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022

Você cria uma conexão empática com seus personagens? Como você se distancia de cenas de massacre para não ficar muito perturbado(a) por elas?

Sinto, de fato, empatia pelos meus personagens, mas empatia não deve ser confundida com amizade. Vejo-me mais como uma observadora. Isso me permite traçar uma linha clara entre a empatia que sinto por esses protagonistas e a representação da realidade. É uma questão de respeito, tanto pela história quanto por essas pessoas reais. Em relação às cenas de massacre, dou grande importância a garantir que não influenciem a perspectiva do leitor. A história não se trata de levar o leitor a tomar partido. Tento permanecer o mais neutra possível. Uma perspectiva histórica não deve ser parcial.

Falando em respeito à história, como você decide quando pode usar de licença poética e quando precisa ser extremamente fiel?

Essa é uma pergunta muito importante. Como autora de um mangá histórico, sempre me pergunto quando posso inserir um toque de ficção em uma narrativa histórica. Se analisarmos a história de forma mais ampla, os eventos históricos são pontos na linha do tempo. O objetivo de um mangá histórico é conectar todos esses pontos por meio de uma história. E é nessas linhas, nessas curvas, que posso deixar minha imaginação correr solta. É aí que me certifico de tornar minha história o mais interessante possível para os leitores. É crucial não alterar esses fatos históricos. Como autor, você precisa considerar esses eventos como imutáveis.
© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022


Quando criança, você participou de uma viagem à Mongólia e ficou impressionado com a imensidão das planícies que se estendiam até onde a vista alcançava. Essa foi uma das primeiras cenas que você imaginou ao começar a escrever Jaadugar ? 

A viagem que fiz quando criança foi para a Mongólia Interior, um território que hoje pertence à China. A história de Jaadugar se passa mais ao norte, no que é conhecido como o estado da Mongólia.

O clima e as paisagens são diferentes; é mais parecido com a tundra. Às vezes se veem árvores ou montanhas. Devido a essas diferenças, minhas memórias não puderam ser usadas, então estou me baseando mais na minha imagem mental do lugar. Estou tentando desenhar o local onde a história se passa com a maior precisão possível. Eu adoraria ir à Mongólia, mas, por enquanto, estou trabalhando com base em pesquisas.

Você tem um layout muito incomum, com uma grade bastante irregular, painéis com bordas sangradas e personagens flutuando entre vários painéis. Como você aborda o layout da página?

No início da minha carreira, meus layouts de página eram muito básicos. Tentei evoluir para um layout mais dinâmico, visando aumentar o apelo para o leitor. Quando você observa mangás shoujo, percebe que o layout é muito fluido e dinâmico, tanto em termos de composição quanto de disposição dos quadros. Autores de mangá shoujo frequentemente brincam com a quebra do ritmo de suas grades, usando quadros exagerados com bordas sangradas para criar cenas impactantes. Naturalmente, fui inspirada por esse dinamismo na minha abordagem à narrativa.

© TOMATO SOUP (AKITASHOTEN) 2022



No Império Mongol, você explica que a situação das mulheres era melhor do que em muitos países da mesma época. Qual a sua opinião sobre o lugar da mulher na sociedade japonesa atual?

É impossível e, na minha opinião, inútil tentar comparar o status das mulheres na Mongólia do século XIII com o das mulheres no Japão moderno. Simplesmente não é a abordagem correta. Obviamente, na Mongólia do século XIII, as mulheres tinham certo poder, mas esse poder dependia, em última análise, de seus relacionamentos com os homens, fossem maridos ou filhos. Elas podiam exercer influência nos bastidores e ocupar uma certa posição social, mas ainda assim era muito limitado. Portanto, o status das mulheres hoje é claramente melhor. Se mencionei esse assunto, foi novamente sob a perspectiva da precisão histórica.

Como você se sentiu ao ganhar o Kono Manga ga Sugoi de 2023? Você esperava por isso?

É um trabalho muito pessoal. Eu realmente queria escrever esta história sobre a Mongólia, um país que amo muito. Fiquei muito surpresa, muito agradavelmente surpresa, ao ver que esta história, tão querida para mim, ressoa com tantas pessoas. É quase como um sonho. Quando percebi que as pessoas que aplaudiam meu trabalho não eram apenas meus amigos, isso me emocionou e tocou profundamente.

Jaadugar, la légende de Fatima, de Tomato Soup, publicado pela Glénat. €10,95 por volume. Três volumes disponíveis. Um enorme agradecimento à Tomato Soup pela disponibilidade, à sua editora Sayuri Tsuda pela gentileza, à equipe da Akita Shoten pelo apoio, a Vincent Marcantognini pela tradução e, claro, à equipe da Glénat.

sábado, 25 de julho de 2026

Entrevista traduzida com Tomato Soup e o diretor Abel Gongora sobre o anime Tenmaku no Jaadougal (Uma Bruxa na Mongólia)

Fiquei surpresa em descobrir que o diretor de Tenmaku no Jaadougal: Uma Bruxa na Mongóllia (天幕のジャードゥーガル) é espanhol.  E apareceu o link de uma conversa entre ele e a autora do mangá, Tomato Soup, sobre a animação.  Impossível não traduzir, o diretor cita inclusive a guerra que os Estados Unidos estão fazendo contra o Irã.  Já a questão da escravidão merecia mais reflexão; de qualquer forma, é um material interessante para discutir as diferenças entre mangá e anime.  Como sempre tento fazer, mantive a estrutura do original, mas, para quem quiser ler em japonês, é só visitar a página da revista Soufflé.  O mangá foi licenciado pela Panini e está em pré-venda.  Já o anime, pode ser assistido na Crunchyroll.

Entrevista especial com o mestre da Tomato Soup e o diretor Abel Gongora sobre o anime "Tenmaku no Jaadougal" | Souffle

Devido ao enorme sucesso do anime "Tenmaku no Jaadougal", trazemos uma entrevista especial com o diretor Abel Gongora! Eles discutiram com entusiasmo as diferenças de expressão entre anime e mangá!

Todos os sábados às 23h30

Exibido na rede nacional de 24 emissoras da TV Asahi no bloco "IMAnimation", BS Asahi e outros canais!

Perfil

・Abel Gongora

Nascido na Espanha. Depois de trabalhar como animador em estúdios na Irlanda e na França, juntou-se à Science SARU. Estreou na direção com o videoclipe de "Brand New Story", da banda EXILE, tema do filme "Ride Your Wave" (2019). Desde então, dirigiu "T0-B1" (2021) para Star Wars: Visions e a série da Netflix "Scott Pilgrim: Takes Off" (2023). Trabalhou na animação de abertura da primeira temporada de "Dandadan" (2024) e codirigiu a segunda temporada (2025) com Fuga Yamashiro. Também dirigirá "Tenmaku no Jardougal".

・Tomato Soup

Formado pela Universidade de Arte de Tama. Cria principalmente mangás com temática da história do mundo medieval ao início da era moderna. Sua obra de estreia, "Dampier's Delicious Adventure" (East Press, 6 volumes), ficou em 6º lugar na categoria masculina do "This Manga is Amazing! 2021 da Takarajimasha". Sua série atual, "Tenmaku no Jaadougal" (Akita Shoten, 5 volumes publicados), serializada em "Soufflé", ficou em 1º lugar na categoria feminina do "This Manga is Amazing! 2023 da Takarajimasha" e ganhou o "55º Prêmio da Associação de Cartunistas do Japão, Grande Prêmio da Divisão de Quadrinhos". Ele também está serializando "Kanshin Sumbato" (Shinshokan, 1 volume publicado) em "WINGS".

Uma cena que destaca a bela paisagem urbana persa enquanto aprofunda os sentimentos de Sitara.

Tomato Soup-sensei (doravante, T): Fiquei realmente surpresa com o quão incrivelmente... incrivelmente cativante este anime se tornou. A cena de abertura do primeiro episódio foi maravilhosa!

Abel Gongora, Diretor (doravante, A): É a cena em que Sitara está fugindo da cidade de Tus, certo? Acho que é uma cena que destaca a bela paisagem urbana persa daquela época enquanto aprofunda os sentimentos de Sitara. Sitara foi vendida e comprada como escrava naquela época, mas mesmo adulta, eu queria retratar claramente o motivo pelo qual ela ainda sente saudade daquela era.

T: Incluir isso como um elemento original no anime realmente me chamou a atenção desde o início; aumentou instantaneamente a sensação de imersão e me emocionou muito.

A: Depois de assumir este projeto, reaprendi a história persa e, quanto mais pesquisava, mais sentia seu grande encanto. Por isso cheguei à conclusão de que Tus, onde Sitara passou a infância, devia ser um lugar verdadeiramente fascinante. Seria uma pena simplesmente ignorá-lo, então tentei elaborar um pouco mais.

A paisagem urbana de Tus vista pelos olhos de Sitara

T: Mesmo na cena de Tokrultai, você complementou perfeitamente a representação da multidão que eu não consegui retratar completamente, e a atmosfera vibrante que não pude incluir devido às limitações de espaço... As pessoas que vivem lá foram retratadas de forma tão vívida.

A: Obrigado. Estou muito feliz.

T: Eu também estou muito feliz. Mas, no geral, foi uma adaptação fiel da obra original, e sou muito grata por você ter incorporado elementos que só a animação consegue fazer, e por ter trazido à tona o charme único da animação.

A: Embora não tenhamos feito grandes mudanças, ao adaptar um mangá para animação, a adição de cores e modificações no design inevitavelmente alteram sua aparência. Os movimentos dos personagens também provavelmente mudarão a sensação dos quadros em comparação com o original.

T: Eu realmente entendi o quão completamente diferentes são a produção de animação e a de mangá. Recebo muitas perguntas sobre produção de animação, mas há muitas coisas que eu não teria percebido sozinha. Por exemplo, mesmo ao desenhar um personagem, a animação envolve muitos membros da equipe, então, para manter a precisão, você precisa entendê-lo como um objeto tridimensional. No entanto, quando desenho sozinha, o mangá é apenas bidimensional, então eu poderia pensar: "Mesmo que a estrutura esteja um pouco fora, contanto que fique bonito como uma imagem, está tudo bem". Eu realmente percebi que esse tipo de pensamento não funciona na indústria da animação.

A: Anime e mangá são frequentemente considerados semelhantes, mas são completamente diferentes. Quando eu era criança, sonhava em ser um artista de mangá, mas era muito difícil, então desisti (risos).

O ger, como expresso no anime

Eu queria enfatizar um pouco mais o tema da "liberdade".

T: Fiquei surpresa ao ver quantas pessoas trabalham na produção de anime. Fiquei um pouco intimidada (risos) pelo fato do mangá que eu desenhava por diversão, que eu considerava meio hobby, poder ser transformado em uma obra tão completa por tantas pessoas. Seu trabalho principal como "diretor", Gongora, é supervisionar todos esses membros da equipe?

A: Exatamente. Pode ser difícil perceber de fora, mas em uma série de anime, há um diretor para cada episódio, e eles criam cada episódio refletindo sua própria individualidade e interpretação. Claro, queremos que eles sejam flexíveis, mas um certo grau de consistência e regras também é necessário. Então, Yamada (Naoko, a diretora-geral) e eu revisamos os storyboards de cada episódio e garantimos que estejam corretos. O diretor e a diretora-geral estão em melhor posição para entender a direção que queremos seguir e o estilo que queremos retratar, então garantimos que mantenhamos a consistência.

T: Quando nos conhecemos, quais eram suas intenções como diretor de animação? Quais eram seus objetivos para "Tenmaku no Jaardougal"?

A: Eu queria enfatizar um pouco mais o tema da "liberdade". Na cena de abertura que mencionei antes, Sitara ri enquanto observa os pássaros voarem. Eu queria retratar ali o anseio por liberdade.

T: Retratar a condição de "escravo" é difícil. Esta obra poderia ser vista como uma apologia à escravidão. Por outro lado, sempre tento transmitir sutilmente que a escravidão ainda é um problema, e acho que esse conflito foi captado no sentido do anseio por liberdade.

A: Essa questão é muito complexa, e a mensagem da obra não é dizer que "escravidão = mal". É difícil comentar sem entender o contexto histórico, e de uma perspectiva moderna, é compreensível pensar que é algo ruim, mas o fato é que a sociedade da época era estruturada dessa forma. No anime, inicialmente retratamos a protagonista, uma escrava, ansiando por liberdade, e então, à medida que a situação se torna mais complexa, queremos mostrar como esses sentimentos também se tornam mais complexos.

T: A escravidão não pode ser simplesmente defendida, nem simplesmente condenada; é algo que vem com responsabilidade. Achei muito bonito que a representação inocente de Sitara sonhando com a liberdade como pássaros voando sirva como ponto de partida para ela aprender sobre essas coisas mais tarde.

T: Os pássaros voando sobre a cidade de Tus evocam emoções fortes.


Sitara ri enquanto observa os pássaros voarem livremente.

Ela tem um lado bondoso, ajudando as pessoas, mas ao mesmo tempo, é um pouco travessa.

T: Você encontrou algum personagem de que gostou?

A: Eu gosto do Shira. Um dos poucos habitantes de Samarcanda. Ele também é um pouco travesso. É bonito e tem um charme especial.

T: Obrigada. O Shira animado também é muito simpático e fofo!

A: Eu sempre quis visitar a Mongólia, então tive a sorte de poder ir para lá para fazer a pesquisa de locações (risos). Minha imagem da Pérsia mudou bastante. Quanto mais eu pesquisava sobre a arquitetura, a cultura e a história, mais impressionado eu ficava. Ao mesmo tempo, também me deparei com muitas obras-primas do cinema iraniano. Historicamente e na atualidade, acho que a Pérsia/Irã é um país complexo. É um momento muito difícil agora, e meu coração dói toda vez que vejo as notícias.

T: Eu ficaria feliz se este trabalho despertasse ao menos um pouco de interesse em países como o Irã e a Mongólia, que as pessoas tendem a considerar lugares distantes. Eu ficaria feliz se elas pudessem "descobrir" que existem pessoas vivendo lá, que são diferentes de nós e que são iguais a nós. Eu mesma fiz essa descoberta enquanto desenhava.

A: É verdade. Me sinto verdadeiramente honrado por ter participado deste trabalho. Muito obrigado.

Shira possui tanto bondade quanto astúcia.

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domingo, 5 de julho de 2026

Comentando o início da temporada de animes: O que eu assisti até agora.

Queria gravar um Shoujocast para fazer a recapitulação do que já vi dessa nova temporada, mas estou sem energia para gravar e editar um vídeo.  Amanhã, com a estreia de Anatolia Story, ele virá.  Precisa vir.  Então, vou fazer um post com tudo o que eu consegui olhar até agora, começando pelo que eu parei para olhar primeiro, que obviamente foi Hana-Kimi.  Para quem quiser saber quais são os animes da temporada, há um post sobre eles aqui e o Shoujocast, também.

No dia primeiro, estreou a segunda temporada de Hanazakari no Kimitachi E (花ざかりの君たちへ), série de Hisaya Nakajo, que deveria ter tido anime vinte anos atrás, mas que entrou no pacote das comemorações dos 50 anos da revista Hana to Yume.  Como na primeira temporada, foi uma estreia com episódio duplo.  Retomamos de onde a história terminou na primeira temporada.  Os meninos do dormitório B decepcionados com os prêmios recebidos por terem vencido o festival e Nakajo angustiado por estar apaixonado por Mizuki, seu colega de classe.  

Nakajo questiona a orientação sexual e isso impacta seu desempenho na equipe de futebol. Ele até arruma uma namorada: Komari Imaike.  Ela é uma verdadeira Yamato Nadeshiko, isto é, a personificação do ideal de feminilidade japonesa tradicional.  Só que o coração dele pertence a outra pessoa e ele é honesto com a garota e termina seu relacionamento com a garota.  Quando terminamos o episódio #2, ele declara seu amor para Mizuki diante de todos, inclusive de Sano, que é, junto com Umada-sensei, o único que sabe do segredo da protagonista.  Vi gente se empolgando, acreditando que a série estaria discutindo a bissexualidade, mas informo que se trata de um clichê mais que conhecido: se um sujeito se apaixona por uma mulher travestida de homem, sua heterossexualidade está preservada.  Quando descobrir o segredo, ele irá respirar fundo e dizer "Ufa!  Não há nada de errado comigo.".

Paralelo a isso, uma jornalista esportiva chamada Kinuko Karashima, que é obcecada por Sano, aparece na história e Mizuki termina por descobrir que tudo o que ela sabia sobre o rapaz antes de conhecê-lo pessoalmente era graças a ela.  Mizuki é acusada pela jornaista de ser uma groupie, uma fã tão alucinada que persegue o objeto do seu desejo e é capaz de qualquer coisa.  Ela se sente um tanto constrangida com a presença de Karashima.  Já Sano, quer a jornalista longe, porque não gosta de  publicidade em torno dele e por imaginar, no mangá pelo menos é assim, que o segredo de Mizuki possa ser exposto.  A jornalista chega a afirmar que Mizuki ama Sano, mas por algum motivo cortam a sequência em que ela persegue a menina e tenta espioná-la trocando de roupa por estar desconfiada de que se trata de uma mulher.

Ainda nesses dois episódios ficamos sabendo que Karashima e o Dr. Umeda foram colegas de faculdade e ela o odeia.  Ele ajuda a manter a jornalista afastada de Mizuki, porque quando ele aparece, ela foge.  É nesses episódios que Mizuki decide entrar para a equipe de karatê para fortalecer o seu corpo.  E foram antidas algumas piadinhas de cunho sexual envolvendo Umeda e Kujou Itsuki, o capitão do time de karatê.  Quando Mizuki os vê juntos, ela pensa em BL (boys love) com certeza.

Sobre a animação, ela me pareceu ligeiramente melhor.  E  a abertura apresenta várias novas personagens, os líderes dos outros dormitórios e inclusive a menina do Colégio Saint Blossom que terá um papel de antagonista por algum tempo.  Tanto a abertura quanto o encerramento me pareceram visualmente mais bonitos do que os da primeira temporada.  Dá inclusive para fazer  uns wallpapers bem legais com a abertura.  Foi uma  estreia muito boa.  E, só lembrando, o mangá sairá pela Panini

Depois de Hana-Kimi, parei para assistir Oni no Hayome  (鬼の花嫁), série baseada em um original de Kureha, que está em alta, porque teremos mais um anime dela no ano que vem.  Não li nada do mangá, nem as  novel.  Fiquei  sabendo mais sobre o mundo da série pelo prólogo: estamos em um mundo que poderia ser o nosso, um  futuro próximo ou mesmo o presente.  Houve uma guerra e criaturas mágicas, os akayashi (yokai), saem das sombras para ajudar a reconstruir o país.  No topo da hierarquia dos akayashi, temos os oni.  Essas criaturas mágicas se casam com mulheres humanas; não se falou de noivos, só de noivas.  Essas mulheres têm algo de especial, mas não sabemos o quê; ainda não foi explicado.

Yuzu, nossa protagonista, nasceu em uma família comum, de classe média.  Ela tem uma irmã, Karin, mais nova, que os pais acreditam ter potencial para ser escolhida como noiva. Por causa disso, por ser vista como um investimento para o futuro, Karin tem tudo e Yuzu não tem nada. Eles  colocam Karin para estudar em uma escola particular frequentada por akayashi.  Lá, ela poderá ser notada e ser escolhida para se tornar noiva de um deles.  E acaba sendo, ela se torna noiva de um  espírito-raposa.  Ser escolhida melhora o nível  econômico da família, que passa a receber apoio financeiro do clã do noivo.  É como vender uma filha.  Já Yuzu é tratada como criada em sua própria casa e sofre vários abusos de todos no seu núcleo familiar.

Yuzu se conforma em não ser amada, estuda em escola pública, arruma um trabalho para ficar o máximo de tempo fora de casa.  Tem até um namorado, mas ele a dispensa argumentando estar apaixonado por Karin.  Yuzu tem amigos e é amada pelos avós.  Só que o avô liga para o pai dela reclamando  de como a menina é tratada e ela termina sendo agredida.  Avós costumam falar nos ouvidos dos filhos para defender os netos ou acusar seus próprios filhos de não estarem fazendo bem o seu trabalho como pais.  Eu sei disso porque meu pai costuma agir desse jeito comigo e já tive alguns aborrecimentos nesses quase 13 anos de Júlia (*minha filha*).  

Por causa dessa ligação do avô, descobrimos que os abusos que Yuzu sofre não são somente psicológicos; são físicos também.  A família de Yuzu já é candidata a pior família de shoujo anime de todos os tempos e olha que temos tido um páreo duríssimo nos  últimos tempos, vide séries commo Zutaboro Reijou wa Ane no Moto Konyakusha ni Dekiai Sareru (ずたぼろ令嬢は姉の元婚約者に溺愛される) e Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚).  E a coisa piora, porque Karin quer tomar o presente que Yuzu ganhou dos avós, como  a mocinha se recusa e reage, dando uma bofetada  na irmã.  Por conta disso, o noivo de Karin a agride e queima seu braço.  É uma cena violenta; tudo é violento naquela família.

Yuzu sai vagando pela cidade e acaba sendo encontrada por Kiryuuin Reiya, que é um akayashi, um oni, e diz ser seu noivo e estar feliz por finalmente a ter encontrado.  Ele cura a queimadura da menina e a toma em  seus braços.  O contato físico já no primeiro episódio me surpreendeu.  A abertura e o encerramento mostram a intimidade entre  os dois.  A autora, Kureha, parece preferir colocar mocinhas maiores de idade, porque é assim em  Bride of the Barrier Master (結界師の一輪華 /Kekkaishi no Ichirinka) e Yuzu faz aniversário  neste primeiro episódio.  Reiya não parece ser frio, distante e tímido  com as mulheres como o Kiyoka de Watashi no Shiawase na Kekkon.  Então,  espero que ele coloque a família da mocinha no seu lugar, arregace o noivo de Karin e, claro,  cubra a mocinha de afeto  e proteção.  Se o padrão for Barrier Master sem humor pastelão,  acho que ele  vai ser bem cruel com esse povo ruim.  O problema é que a mocinha é bem  diferente da de Barrier Master e  ela deve se compadecer da família.

Estava com o pé atrás em relação a essa série e fui surpreendida.  O modelo de história me parecia estar mais de acordo com uma série de época e que nem precisava ser muito lá no passado, poderia ser nos anos 1960, por exemplo, ou no pós-2ª Guerra, mas funcionou no presente e eu quero  conseguir continuar assistindo.  Só que o romance deve ser somente parte da história.  Talvez, nossa Yuzu tenha algo de tão especial que vários akayashi terminem por disputá-la ou ela tenha algum poder oculto.  Vamos descobrir isso.

Tenmaku no Jaadugar: A Witch's Life in Mongol (天幕のジャードゥーガル) tem resenha do primeiro volume no blog, então, só  vou comentar a  animação mesmo, não vou recontar tudo em detalhes.  Uma Bruxa na Mongólia estreou com dois episódios e cobriu boa parte do primeiro volume do mangá.  Temos tudo o que está no quadrinho, além de alguns acréscimos.  Vemos mais da cidade de Tus, temos alguns flashbacks e cenas extras.  Por exemplo, Sitara (Fátima), a protagonista, ouve o irmão de sua senhora dando aulas de recitação do Alcorão para os meninos.  Não lembro dessa sequência no mangá, mas olhei agora o volume novamente e havia me esquecido de algumas coisas.  

O fato é que foi dada mais ênfase à forma como  os mongóis fazem a guerra; eles aparecem mais no anime do que na mesma parte da história no mangá.  E temos uma visão melhor da destruição que eles causaram.  Optou-se, também, por colocar os  persas falando japonês e os mongóis em outra língua e com legendas.  Imagino que  conforme a protagonista vai aprendendo a língua dos mongóis, algo que ela começa a fazer na parte do volume ainda não adaptada, todos comecem a falar japonês.  Ficou muito bem construída a relação entre a senhora de Sitara, Fátima, e a menina.  Ela vê a garota como uma filha e deseja vê-la se casando com seu filho único, Muhammad.  Isso está explicitamente no mangá, no anime, a coisa ficou subentendida.  

Aqui, algumas explicações.  Escravidão é sempre escravidão, sempre uma violência, sempre a redução de outro ser humano a um objeto.  Anis, a outra escravizada que é levada para a casa de Fátima junto com Sitara, faz questão de dizer que escravizados não são donos de si mesmos; são propriedade.  Escravizadas, por exemplo, não têm o direito de negar seu corpo aos senhores e o fato de  uma escravizada poder ser transformada em esposa e dever ser obrigatoriamente liberta caso tenha um filho do senhor não muda isso.   Um escravizado  de  harém não escolhia ser castrado; o que era transformado em soldado, como o irmão da escravizada Zumrud, tinha alguns privilégios, recebia até salário, mas não era dono de si.

No entanto, a escravidão no mundo islâmico tem várias nuances e os escravizados poderiam ocupar lugares e espaços de poder que não existiam na Europa, menos ainda na América.  Além disso, não tinham uma marca racial, continuávamos nas mesmas bases da escravidão na Antiguidade greco-romana.  A princípio, um muçulmano não deveria escravizar outro, mas,  com o tempo, essa regra é  meio que dobrada, afinal, todo mundo na região de origem da nova fé era escravista em maior ou menor grau.  O escravizado convertido normalmente era mantido  nessa condição, mesmo  que temporariamente.  No início do mangá, há uma nota da autora  dizendo que com a morte do marido de Fátima, a maioria dos escravizados foi libertada. Isso era comum, poderia ocorrer no Brasil Colônia, também.  Por isso, Fátima está em busca de uma escrava doméstica.  Sitara não é escravizada da casa; ela está em uma condição de tutela, estudando, mas pertence a outra pessoa, um comerciante que vê a estadia da menina em uma casa de sábios como uma espécie de investimento.  O tempo  passa,  oito  anos,  e nada é dito,  a não ser que eu tenha perdido alguma informação sobre ela ter sido comprada ou não, mas pode ter sido.

Enfim, o anime tem uma qualidade de animação excelente e deve se manter assim.  Como o que temos do mangá são cinco volumes fechados e um sexto em andamento, provavelmente, tudo poderá ser coberto.  Não sei o quanto da história de Fátima (*Sitara adota o nome de sua senhora quando está entre os mongóis*), a que existiu, será contada no mangá. Espero que não tenhamos que ver a morte de Fátima e que a autora não estique muito o quadrinho.  O mangá sairá no Brasil, também pela Panini.

Por fim, não iria olhar essa série, mas a Jéssica insistiu tanto que eu acabei vendo o primeiro episódio de Mujikaku Seijo wa Kyou mo Muishiki ni Chikara wo Tare Nagasu: Imadai no Seijo wa Ane dewa Naku, Imouto no Watashi Datta Mitai desu (無自覚聖女は今日も無意識に力を垂れ流す 今代の聖女は姉ではなく、妹の私だったみたいです) / The Oblivious Saint Can't Contain Her Power: Forget My Sister! Turns Out I Was the Real Saint All Along!.  A série estreou em 30 de junho e é uma história de sacerdotisa (*santa*) em que todo mundo tem nome espanhol, inspiração em várias épocas da história europeia e uma mocinha sofredora.

Carolina, a protagonista, acredita não ser amada por ninguém; ela se vê como a vergonha de uma família de duques muito distinta.  Sua irmã mais velha, Flora é responsável direta por esses sentimentos de inferioridade.  Ela a culpa pela morte da mãe, que não morreu de parto, mas adoeceu depois do nascimento da menina.  Flora tem poderes mágicos, é bonita, confiante e será a próxima sacerdotisa do reino, porque há concurso público para essas coisas, ao que parece, e ela acredita que vai passar em primeiríssimo lugar.  Flora se finge de boazinha na frente de todos, tipo a Sae de Peach Girl (ピーチガール), mas pisa em Carolina o tempo inteiro.  Mas é tudo muito falso.  Tudo nesse anime é meio exagerado.

Carolina acaba sendo escolhida pelo rei, uma criatura com cara de playboy preguiçoso, para fazer um casamento com um príncipe de um reino vizinho.  É algo necessário para manter a paz e tudo será feito em segredo.  O duque, pai da menina, é contra e não quer que a filha seja tratada como um sacrifício em nome da política.  Carolina, no entanto, acredita que pode ser útil pela primeira vez na vida.  Descobrimos, então, que o pai da protagonista pode até ser negligente, mas a ama e sempre cuidou dela à distância.  É a irmã mais velha que tornou a vida dela um inferno com a complacência de alguns ou todos os criados.  Carolina vai visitar o túmulo da mão junto com o pai e seus poderes certamente foram destravados ali.  Eu torço para que, quando ela manifestar seu poder de verdade, os cabelos mudem de cor e fiquem iguais aos da mãe, porque Flora repete que a irmã não parece com ninguém da família, o que é péssimo, porque ou ela foi adotada, ou a mãe foi adúltera.  O fato é que Carolina é a cara da mãe.  

O episódio termina com Carolina encontrando o noivo, o príncipe sanguinário.  Ele tem toda a pinta de que vai se apaixonar por ela de pronto e que a fama deve ser falsa.  As legendas colocam seu nome como Edward, mas eu ouço claramente Eduardo sendo falado pelos dubladores japoneses.  Eduardo, em espanhol e depois para o português, vem de Edward.  Já em nossa língua, Eduardo virou Duarte, por isso, há vários reis portugueses com esse nome.  Hoje, Duarte é mais sobrenome do que nome.

Mais duas coisinhas: The Oblivious Saint Can't Contain Her Power: Forget My Sister! Turns Out I Was the Real Saint All Along! é candidatíssimo ao pior figurino do ano.  Carolina não é somente uma coitada, mas uma coitada muito mal vestida.  Colocar a moça indo ao baile com um vestido regatinha é talvez a pior atrocidade que eu já vi nesse tipo de anime que se passa em um mundo europeu-like.  A outra coisa é que abusam do ocidentalismo, que é um conceito que descreve o conjunto de ideias, estereótipos, imagens e críticas construídas sobre o Ocidente.  Em alguns momentos, como na linguagem das flores, ficou OK, mas em outros, na maioria dos outros, tudo fica fora do lugar.  Várias temporalidades, costumes estranhos, roupas desencontradas, um horror.  Japonesas e coreanas adoram misturar o que elas imaginam que seja a Europa de épocas passadas (*projetada em mundos imaginados*) com coisas que saíram da sua cabeça ou que só existem no Oriente mesmo.  Mas a história pode ser divertida.  Pode ser, não quer dizer que será.

sábado, 4 de julho de 2026

Exposição celebra a estreia da série Tenmaku no Jaadugar: Uma Bruxa na Mongólia


Estreia hoje o anime baseado no mangá Tenmaku no Jaadugar (天幕のジャードゥーガル), é uma das séries mais esperadas da temporada.  E o Comic Natalie trouxe uma matéria anunciando uma exposição comemorativa que estará aberta entre 22 de agosto de 2026 (sábado) e 21 de agosto de 2027 (sábado) no Museu Japão-Mongólia, na Prefeitura de Hyogo.  O nome da exposição é Mongoru Teikoku no Utsukushiki Josei-tachi (モンゴル帝国の美しき女性たち), em português, As Belas Mulheres do Império Mongol.

Segundo o CN, o espaço utiliza ilustrações inéditas e cenas do anime para desvendar os mistérios das belas mulheres do Império Mongol e a história desse império.  Além disso, serão exibidos vídeos de entrevistas com o elenco do anime e haverá cartazes autografados pelos dubladores. A exposição também terá um espaço para experimentar trajes tradicionais e versões modernizadas de peças inspiradas nas usadas pelas personagens da série. E teremos lojinha, claro.  A exposição marca o aniversário dos 30 anos do museu.

Para quem quiser e puder dar uma olhada, segundo o CN, a última edição da revista Elegance Eve trouxe uma conversa de Naoko Yamada, diretora da série K-ON! (けいおん!) e de outras produções, com a autora da série, Tomato Soup.  O mangá foi licenciado no Brasil pela Panini e está em pré-venda com o nome de Uma Bruxa na Mongólia.

domingo, 28 de junho de 2026

Vem aí a nova temporada de animes! Quais shoujo, josei e BL estarão no ar para você assistir?

A temporada de verão japonesa já começou.  Sim, um anime furou a fila e está desde a semana passada na Crunchyroll.  Enfim, com a ajuda da Jéssica, aqui está mais um guia dos animes josei, shoujo e BL da temporada.  O Shoujocast sai amanhã, para quem prefere vídeo.

Heroine? Seijo? Iie, All Works Maid desu (ko)! (ヒロイン?聖女?いいえ、オールワークスメイドです(誇)!) / Heroine? Saint? No, I'm an All-Works Maid (and Proud of It)! de Atekichi (autora) e Yukiko (arte).  Começou como light novel e tem 9 volumes até o momento.  O  mangá de Keiko tem 6 volumes e está em andamento na revista Comic Corona.  Estreia no Japão, em alguma TV, no dia 1 de julho, mas está desde 24 de junho na Crunchyroll. 

Sinopse: Celeste McMurdon recupera as memórias de sua vida passada como Ritsuko Mizunami ao ver uma empregada doméstica quando criança. Em sua vida anterior, ela demonstrava grande inteligência, mas sentia um vazio existencial até se encantar com a visão de uma empregada durante uma viagem à Inglaterra. Depois disso, dedicou sua vida a treinar para ser a empregada perfeita. No entanto, morreu em um acidente de avião a caminho da Inglaterra para seu treinamento. Após a morte de sua mãe por doença, Celeste jura ser a melhor empregada em sua homenagem; uma voz lhe diz que ela despertou poderes mágicos. Sem saber, Celeste reencarnou como a heroína de um otome game chamado "Cinco Juramentos da Santa"; ela já quebrou o enredo por ser alheia e indiferente a tudo, exceto a realização do sonho de sua vida passada. Usando sua magia, Celeste esconde a verdadeira cor de seus cabelos e olhos, tendo lido no testamento de sua mãe que ela é filha ilegítima de um conde. Adotando o pseudônimo Melody Wade como mais uma precaução, ela parte para evitar ser forçada a assumir seu lugar em uma família nobre e ter seu sonho negado novamente. 

Mujikaku Seijo wa Kyou mo Muishiki ni Chikara wo Tare Nagasu: Imadai no Seijo wa Ane dewa Naku, Imouto no Watashi Datta Mitai desu (無自覚聖女は今日も無意識に力を垂れ流す 今代の聖女は姉ではなく、妹の私だったみたいです) / The Oblivious Saint Can't Contain Her Power: Forget My Sister! Turns Out I Was the Real Saint All Along! de Almond (autor? autora?) e Yoshiro Ambe (arte).  São 4 volumes de light novels e está encerrado.  O mangá  de Etou Yona sai na revista  Comic Earth Star Online, temm 7 volumes e está em andamento). 30 de junho na Crunchyroll. 

Sinopse: Lady Carolina, a filha negligenciada de um poderoso duque, sempre se considerou a ovelha negra em meio à sua ilustre família. Seu pai é o distinto primeiro-ministro; sua irmã mais velha, uma maga prodigiosa destinada a se tornar a próxima sacerdotisa (santa) da nação. Em contraste, Carolina resigna-se a uma existência tranquila à sombra deles, até que um decreto real repentino e inesperado altera seu destino, lançando-a em um casamento político com o formidável "Príncipe Sanguinário" do vizinho Império de Malcosias. Determinada a provar seu valor, Carolina dá um passo ousado em um mundo repleto de perigos políticos e mortais. À medida que as obrigações reais se entrelaçam com indícios de amor verdadeiro e o despertar de seu próprio poder latente, Carolina se aproxima cada vez mais da compreensão do que realmente significa ser excepcional.


Hanazakari no Kimitachi e (花ざかりの君たちへ) / Hana-Kimi de Hisaya Nakajo (1973-2023). Foi publicado entre 1996 e 2004 na revista Hana to Yume e tem 23 volumes.  A 2ª temporada estreia em 1 de julho na Crunchyroll.  O mangá será lançado pela Panini no Brasil.

Sinopse: Mizuki Ashiya é filha de japoneses e vive nos Estados Unidos.  Ao assistir ao campeonato juvenil de atletismo japonês, ela fica fascinada pelo saltador em altura chamado Izumi Sano. Tempos depois, pesquisando sobre ele, descobre que o rapaz está fazendo o colegial na Osaka Gakuen. Infelizmente, a escola é só para meninos, e Mizuki convence seus pais a deixá-la ir para o Japão sozinha fazer intercâmbio. Sem saber que a filha vai estudar em uma escola masculina, seus pais permitem. Desejando entrar na escola, Mizuki corta o cabelo comprido, se disfarça de homem e faz de tudo para se aproximar de Sano e fazer com que ele volte a competir, depois de saber que ele abandonou o esporte. Logo depois de começar a estudar na escola, ela é descoberta por Hokuto Umeda, o médico da escola, que passa a guardar seu segredo e servir como seu conselheiro.  Já Sano, primeiro por curiosidade, depois por estar apaixonado, esconde o fato de saber que Mizuki é uma garota e tenta ajudá-la a manter o segredo, o que pode não ser fácil, pois muitas situações colocam Mizuki, que é muito sem noção, em posições comprometedoras que poderão revelar a sua verdadeira natureza. 


Uchi no Otouto-domo ga Sumimasen (うちの弟どもがすみません) / Please Excuse My Younger Brothers de Ozaki Akira.  O mangá é publicado na revista Betsuma e tem 14 volumes até o momento.  Estreia em 4 de julho na Crunchyroll.  Teve live action em 2024. 

Sinopse: Após frequentar o colegial por um ano, Ito Narita precisa se mudar devido ao novo casamento de sua mãe. Com a mudança, Ito descobre que tem quatro irmãos mais novos: Gen, Raku, Shuu e Rui. Inicialmente, ela tem dificuldades para se acostumar com seus irmãos, mas descobre que eles são gentis, especialmente o mais velho, Gen. 


Tenmaku no Jaadugar (天幕のジャードゥーガル)/A Witch's Life in Mongol de Tomato Soup.  A sére tem 5 volumes até o momento.  Começou sua publicação na revista Souffle e transferiu-se para a Mystery Bonita.  Estreia em 4 de julho na Crunchyroll.  O mangá será publicado no Brasil pela Panini.

Sinopse: No início do século XIII, na cidade de Tus, na Pérsia, Sitara é vendida como escrava para uma família de sábios. Embora inicialmente tenha tentado fugir, eles lhe ensinaram a importância do conhecimento e ela acabou trabalhando e estudando em sua casa. Depois que o herdeiro da família partiu para Nishapur para prosseguir seus estudos, ela é tratada como filha pela senhora da casa, Fátima.  Só que a invasão dos mongóis muda tudo. Sitara foi capturada pelo exército de Tolui e sua senhora é morta ao tentar protegê-la. Após ser levada para a Mongólia, ela adota o nome de Fátima e começa a planejar sua vingança contra os mongóis. 


Oni no Hanayome (鬼の花嫁) / The Ogre's Bride de Kureha (autora) e Yuu Shiroya (arte).  A série de livros tem 9 volumes e está em andamento.  O mangá de Togashi Jun está com 9 volumes no momento e é publicado na revista  Noicomi. O live-action para o cinema estreou em março.  Estreia em 5 de julho na Crunchyroll.

Sinopse: Yuzu Shinonome, uma estudante comum do colegial que vive em um mundo onde ayakasshi (criaturas mágicas poderosas) e humanos coexistem, sofre injustiças por parte de seus pais, que idolatram sua irmã mais nova, Karin, escolhida como noiva de um espírito-raposa. Além disso, seu namorado, Yamato, termina o relacionamento por estar apaixonado por Karin, mesmo sabendo que ela já está noiva. Em seguida, Karin exige que Yuzu lhe dê um vestido que ganhou de presente de aniversário de seus avós, que sempre foram muito gentis com ela. Quando Yuzu se recusa, a situação se transforma em uma briga entre as irmãs, que acaba rasgando o vestido. Enfurecida, Yuzu levanta a mão contra Karin. Irritado por sua noiva, Karin, ter sido ferida, o espírito-raposa Kozuki Yota lança chamas sobre Yuzu, queimando suas mãos. Assim, Yuzu, que fugiu desesperada por não ser amada ou necessária por ninguém em casa, encontra Kiryuuin Reiya, o próximo chefe do clã Kiryuuin, um ayakashi do mais alto nível. Reiya então diz a Yuzu: "Senti sua falta, minha noiva." .


Kimi o Aisuru Ki wa Nai to Itta Jiki Kōshaku-sama ga Nazeka Dekiai Shitekimasu (「きみを愛する気はない」と言った次期公爵様がなぜか溺愛してきます) / The Duke's Son Claims He Won't Love Me yet Showers Me with Adoration de Misawa Kei (autora) e Mizuno Natsu (arte).  A série é publicada na revista Comic Ark e tem  5 volumes até o momento.  A Light novel veio depois e tem arte de Mizuno Natsu. Estreia em 5 de julho na Crunchyroll.

Sinopse: Elsa Jukarainen, uma mulher de uma família aristocrática decadente, vivia com sua família no país de Ralt. Ela recebe uma proposta de casamento repentina de Julius Roas, filho de um duque. Elsa e sua família ficam surpresas, considerando a origem humilde de sua família e o fato de ela vir de uma região rural do país, mas ela aceita o pedido. Ela conhece Julius pela primeira vez no dia do casamento. Imediatamente após a cerimônia, a personalidade dele muda drasticamente. Ele afirma não amá-la de verdade e que se casou com ela apenas por conveniência. Elsa inicia sua vida como esposa de Julius, esforçando-se para ser uma boa companheira e, ao mesmo tempo, tentando compreendê-lo melhor. 


Suterare Seijo no Isekai Gohantabi: Kakure Sukiru de Camping Car wo Shoukan Shimashita (捨てられ聖女の異世界ごはん旅 隠れスキルでキャンピングカーを召喚しました) / The Forsaken Saintess and Her Foodie Roadtrip in Another World de Yoneori (autora) e Akane Nitou (arte).  Os livros tem 6 volumes até o momento.  O mangá de Nana Togami e Akane Nitou está no quarto volume e é publicado na revista B's Log Comic. Estreia em 6 de julho na HIDIVE, mas não tem ainda distribuição no Brasil.

Sinopse:  Rin Takanashi, uma cuidadora de idosos na casa dos 30, estava voltando de uma pescaria quando um buraco se abriu repentinamente sob seus pés, engolindo-a. Apesar de ter sido invocada como uma santa, ela é descartada por aqueles que a levaram, considerada como alguém sem talento. No entanto, como amante da natureza e de tudo relacionado a acampamentos, ela foi abençoada com uma habilidade especial, [Sobrevivência], além de outra habilidade única! Assim, começa uma história fascinante: uma história de suor, lágrimas e fome insaciável, enquanto Rin, junto com companheiros que encontrou pelo caminho, explora tranquilamente este mundo paralelo e saboreia a culinária gourmet à vontade... Ou pelo menos era o que a história deveria ter sido, mas parece que o caminho deles está tomando um rumo inesperado...?


Tefuda ga Oume no Victoria (手札が多めのビクトリア) / Victoria of Many Faces de Syuu (autora) e Nanna Fujimi (vol. 1–2)/Komo Ushino (vol. 3–).  A série de livros tem 3 volumes e está em andamento. O mangá de Komo Ushino é publicado na Flos Comic e tem  6 volumes, também em andamento.  Estreia em 7 de julho na Crunchyroll.

Sinopse: Chloe era uma espiã que servia o Reino de Hagl, usando suas habilidades excepcionais em disfarces e artes marciais. Após a traição de seu chefe, Chloe se aposenta e passa a viver como civil no Reino de Ashbury, adotando o nome de Victoria Sellers. Mais tarde, ela adota uma menina abandonada chamada Nonna e descobre que as habilidades que usava como espiã também podem ser aplicadas à vida civil. Contudo, a vida pacífica de Victoria é abruptamente interrompida quando ela começa a se envolver com muitas pessoas. Nesta nova terra, suas experiências e habilidades de espiã se mostram muito mais úteis do que ela jamais imaginou! Por outro lado, o segundo príncipe e o perseguidor da organização, entre outros, demonstram interesse na força de Victoria, e muitas sombras se aproximam daquela que detém todas as cartas na manga.


Sora wa Akai Kawa no Hotori: Red River   (天は赤い河のほとり) / Anatolia Story de Chie Shinohara. Foi publicado na revista Sho-Comi entre 1995 e 2002. Tem 28 volumes, além de outros gaiden lançados posteriormente.  Estreia em  7 de julho na Crunchyroll.

Sinopse: Yuri Suzuki é uma japonesa de quinze anos que acabou de passar para a escola que desejava no colegial e trocou um beijo com seu primeiro namorado.  Só que ela começa a passar por situações estranhas sempre que está perto de água, pode ser copo, banheira, aquário ou poça d'água até que mãos a puxam e ela viaja no tempo para Hattusa, a capital do Império Hitita na Anatólia (atual Turquia). Ela foi invocada pela Rainha Nakia, que pretende usá-la como sacrifício humano. O sangue de Yuri é o elemento-chave para lançar uma maldição sobre os outros filhos de seu marido, condenando-os à morte e deixando seu filho, o caçula do rei Supiluliuma I, como único herdeiro do trono. Ela acaba sendo salva por Kail, o terceiro príncipe do Império, que a toma sob sua proteção.  Conforme a história se desenrola, Yuri não só consegue escapar repetidamente dos planos de Nakia, como também passa a ser reverenciada como o avatar da deusa Ishtar e se apaixona pelo príncipe Kail.


Migawari Reijou o Sukutta no wa Reikoku Mujihi na Kouri no Ouji no Ai Deshita (身代わり令嬢を救ったのは冷酷無慈悲な氷の王子の愛でした) / Saved by the Ice Cold Prince's Embrace de Hokuhoku Yakiimo (autora da novel) e Kusabi Kurokawa (mangá). A série é publicada na Spira Comics, tem 2 volumes e está em andamento.  Terá um light anime, infelizmente.  Estreia em 7 de julho e não tem distribuição no Brasil.

Sinopse: Filha ilegítima de um conde e sua criada, Katrina nasceu em circunstâncias miseráveis. E,  agora, após a morte de sua mãe, o tratamento que recebe da meia-irmã e da esposa de seu pai, a condessa, só piorou. Certo dia, sua meia-irmã recebe uma ordem real para se mudar para a região da fronteira norte, devido ao seu comportamento inadequado em uma festa recente. Lá, ela deverá aprender boas maneiras sob a tutela do príncipe residente, um homem com fama de cruel. Não querendo submeter a filha a tal punição, a condessa decide enviar Katrina em seu lugar. A jovem chega ao norte tremendo de medo. Mas, ao contrário das histórias, o príncipe "impiedoso e frio" é mais bondoso do que ela imaginava. Será que a pura Katrina encontrará o amor no campo invernal? (Olhei o mangá, o pai está vivo e é conivente com os maus-tratos e humilhações sofridos pela filha ilegítima.)


Ibitte Konai Gibo to Gishi (いびってこない義母と義姉) / My Stepmother and Stepsisters Aren't Wicked de Otsuji. Mangá com 9 volumes até o momento e em publicação na revista Comic Pool. Estreia em 8 de julho na Crunchyroll.

Sinopse: Após a morte de sua mãe, Miya Nakamura descobriu que era filha ilegítima de seu pai e foi adotada por sua família. Ao contrário da postura intimidadora de sua nova madrasta e irmãs postiças, elas a adoram e a ajudam a se adaptar. Devido à sua antropofobia, Miya tende a interpretar mal as intenções delas.


Perfect Addiction (パーフェクトアディクション) de Kaoruko Miyama. O mangá com 4 volumes e em andamento, é publicado na revista  Gush.  Terá light anime e está sem distribuição no Brasil. Estreia em 8 de julho.

Sinopse: Akihito é um universitário obcecado por boa aparência e prazeres carnais, mas não suporta o belo e distante Sae. A situação chega ao limite quando Akihito é rejeitado em um encontro de solteiros por uma garota que está de olho em Sae. Furioso, ele segue Sae até a zona hoteleira, onde descobre o segredo dele: ele é gay e está tendo dificuldades para se satisfazer na cama. Ultrapassar as barreiras mentais de Sae é exatamente o desafio sensual de que Akihito precisava. Isso desperta algo em ambos. Será que eles conseguirão se controlar novamente?


Futsutsuka na Akujo dewa Gozaimasu ga ~Suuguu Chouso Torikae Den~ (ふつつかな悪女ではございますが ~雛宮蝶鼠とりかえ伝~) / Though I Am an Inept Villainess: Tale of the Butterfly-Rat Body Swap in the Maiden Court de Satsuki Nakamura (autora) e Yuki Kana (ilustradora).  A série de novels tem 12 volumes e está em andamento. O mangá de Ei Ohitsuji é publicado na  Comic Zero Sum e conta com  10 volumes em andamento. Estreia em 12 de julho na Crunchyroll.

Sinopse: Dentro da opulenta corte interna do Reino de Ei, encontra-se a próspera Corte das Donzelas, onde a imperatriz e as quatro consortes imperiais são escolhidas entre cinco clãs proeminentes. Entre elas, uma imaculada aspirante a consorte, Reirin Kou, destaca-se como a candidata perfeita para a futura imperatriz. Sua virtude e elegância são incomparáveis, e ela é impecável, exceto por sua saúde extremamente frágil. Comparada à delicada borboleta da corte, a grosseira Keigetsu Shu é como um rato de esgoto. Sempre encarando Reirin com amarga inveja, Keigetsu é uma desgraça para a Corte das Donzelas. Durante a noite de um raro avistamento de cometa, o ciúme de Keigetsu atinge o ápice, e ela tenta assassinar Reirin, empurrando-a de uma sacada. Reirin é rapidamente salva da morte, e Keigetsu é aprisionada para aguardar sua execução. Sem que ninguém saiba, Keigetsu lançou um feitiço para trocar de corpo com Reirin a fim de roubar tudo o que lhe pertence. Mas enquanto Keigetsu é limitada pelo corpo frágil de Reirin, Reirin abraça completamente a liberdade e a força física pela primeira vez em sua vida, determinada a viver, não importa de quem seja a partir de então. 


The Ribbon Hero (リボンヒーロー): filme original da Netflix baseado em A Princesa e o Cavaleiro (リボンの騎士) de Osamu Tezuka.  Estreia em 8 de agosto.

Sinopse: A história de Ribbon Hero acompanha Sapphire, a princesa do destruído Reino de Prata, que se torna determinada a defender seu novo lar, o Reino de Ouro, e seus cidadãos da calamidade que devastou sua antiga pátria. 



Mênção honrosa: No dia 6 de julho estreia na Crunchyroll a série Sayonara, Lara! (さよならララ) / Adeus, Lara!, trata-se de uma releitura da Pequena Sereia com uma produção cheia de mulheres.  É um anime original, então não tem demografia, mas certamente está mirando o público feminino.   Ainda não sabemos quantos episódios terá; a maioria dos animes tem previsão de 12 episódios, os já revelados, claro.  Tentarei dar uma olhadinha. Tem um estilo que lembra os animes da virada dos anos 1980 para os 1990, mas é tanta série que é difícil conseguir acompanhar tudo o que eu gostaria.  E nem terminei a temporada passada ainda.

Sinopse: Lara, uma princesa sereia amada por seu pai, o Rei do Mar, e suas irmãs, se apaixona por um príncipe humano, um amor proibido, e sonha em viver com ele em terra firme. Ela bebe uma poção criada por Grace para se tornar humana, mas é enganada e bebe uma poção que a transforma em bolhas. Ela desaparece no mar e só renasce se encontrar o verdadeiro amor. Duzentos anos depois, Lara renasce no Lago Biwa e parte em busca de seu verdadeiro amor.