No dia 22 de março, terminou a primeira temporada de Hana-kimi. Sim, Hanazakari no Kimitachi E... (花ざかりの君たちへ) terá segunda temporada. O boato já existia, inclusive falando em terceira temporada. Fui checar a minha edição, que é a 3X1 da VIZ, e vi que só foram até o capítulo 23, ou seja, não chegaram nem ao final do volume #5, porque há uns extras que falam lá do romance do Nanba com a moça mais velha, algo que é do passado dele.
Como Hana-Kimi é uma animação comemorativa dos 50 anos da Hana to Yume, não esperava menos, meio que contava com mais temporadas. Aliás, espero o mesmo tratamento para Kanata Kara e Anatolia Story (天は赤い河のほとり/Sora wa Akai Kawa no Hotori), vamos esperar. Enfim, como já comentei, em texto ou no Shoujocast, a série não teve uma animação de primeira linha. É qualidade B, o que quer dizer que não é ruim, mas está longe da qualidade máxima que um anime para TV pode ter. Esperava mais investimento, pode ser culpa do estúdio. Como não acompanho essas coisas, não me sinto capacitada para dizer que o estúdio X é melhor que o Y, mas fato é que essas questões existem.
Para quem quer um resumo rápido da história, Ashiya Mizuki é uma nipo-americana que desenvolve fixação por um atleta juvenil japonês que ela vê na TV, Izumi Sano. A fixação é tão grande que Mizuki convence os pais a deixarem que ela faça um intercâmbio no Japão. Só que há um detalhe que ela esconde: a Osaka Gakuen, escola que Sano frequenta, é só para garotos. Mizuki corta os cabelos e decide se fingir de menino. E ela tem sorte, porque cai na mesma sala e no mesmo quarto que Sano. Só que ele parou de praticar salto em altura e ele é muito antissocial. Ela também conhece Shuichi Nakatsu, astro do time de futebol, que se torna seu amigo e começa a questionar sua sexualidade, porque está sentindo atração por um "garoto".
Rapidamente, porém, Sano descobre que Mizuki é uma garota, mas decide guardar o segredo, inclusive da menina. Primeiro, ele quer entender os motivos dela, mas, rapidamente, ele se apaixona pelo "colega" e tudo o que não deseja é que o segredo de Mizuki seja descoberto e ela tenha que ir embora. Só que Mizuki é muito bandeirosa e Sano tem muito trabalho tentando protegê-la e evitar que ela seja exposta como uma menina.
No geral, o anime foi bem divertido, porque é isso que Hana-Kimi é, uma série divertida, que coloca em tela alguns dramas, mas não é feita para ser um dramalhão. E isso é meio que um diferencial da série, porque costumo dizer que há uma regra: se é homem que vira ou se passa por mulher, é comédia, afinal, ele está se rebaixando, se submetendo à humilhação de se colocar em um lugar inferior. Agora, se é uma mulher ocupando o lugar masculino, ou é drama ou é tragédia. Qualquer humor é algo lateral, afinal, ela está se tornando algo maior, um homem, usurpando um espaço que uma mulher não deveria e/ou poderia ocupar. É quase um sacrilégio. Da mesma época de Hana-Kimi, tivemos outros mangás que tinham um tom de dramédia a partir da mesma ideia.
O mangá que sempre me vem em mente é Boku ni Natta Watashi (僕になった私), de Ako Shimaki. Momoko é uma garota normal, que só quer fazer amigos e viver um romance em sua vida no colegial. Só que seu irmão gêmeo, o favorito da mãe, foi admitido em um colégio interno masculino de elite. Ele desaparece (*foge da tirania materna*) e a mãe não tem nenhum problema em constranger a filha a cortar o cabelo e fingir que é o irmão, enquanto ele não é encontrado. Se ela não aceitar, será expulsa de casa. Momoko não é uma tomboy, ela é a nossa mocinha de shoujo mais básica e, agora, está no meio de um monte de caras lindos e tendo que fingir que é um deles. Como era uma série da Cheese! e do início dos anos 2000, o nível de tensão sexual e erotismo era grande. Inclusive, o risco de abuso sexual era real. Embora Momoko consiga um protetor, sua situação é bem diferente da de Mizuki, fora que ela é bem mais frágil e mais consciente da sua situação precária.
Algo que salta aos olhos em Hana-Kimi é o quanto Mizuki é sem noção. E muita gente não conseguiu simpatizar com ela. Dava para ver nos comentários do Shoujo Café no Facebook. A estrutura da série pareceu não conquistar gente que não conhecia o mangá e sua importância, acredito que pareceu antiquado para muita gente e a obsessão de Mizuki por Sano aborreceu algumas pessoas que não compraram o casal principal de Hana-Kimi. De qualquer forma, era espantoso ver tanta gente perguntando se era BL, sem sequer parar para ler os resumos. Rejeitando a série sem observar que Hana-Kimi tem uma estrutura extremamente tradicional em se tratando de shoujo. A ideia da garota travestida vem dos primórdios da demografia com A Princesa e o Cavaleiro (リボンの騎士/Ribon no Kishi).
Voltando para Mizuki e sua falta de noção, vendo o mangá ganhar vida através do anime, isso ficou muito mais evidente para mim o quanto a personagem exige suspensão de descrença. E Sano cresceu em importância aos meus olhos e, talvez, a série seja mais sobre ele, seu papel protegendo o segredo de Mizuki, tentando evitar que a incapacidade da protagonista de se autopreservar a colocasse em situações perigosas. É importante, também, pontuar o autocontrole de Sano, porque se trata de um adolescente, um garoto, tendo que dividir o alojamento com uma garota por quem sente não somente amor, mas desejo. Dessesperador para ele foi quando Mizuki se deitou na sua cama e se aconchegou com ele em estado de sonambulismo e sem estar usando o seu binder. Fora a necessidade de controlar o ciúme e como isso é difícil para ele.
Não sei se será na segunda ou terceira temporada (*porque ela deve se confirmar*), que ele vai se declarar, mas ainda mantendo o segredo de Mizuki, isto é, ele se torna namorado do garoto e, não, da garota. Aguardemos. Falando em dubiedades sexuais, Hana-Kimi é cheio dessas coisas, mas é um mangá muito ingênuo e não por sair na Hana to Yume, é preciso lembrar que a série é contemporânea do subversivo Angel Sanctuary (天使禁猟区/Tenshi Kinryōku). Então, se a autora quisesse, ela poderia apimentar a trama ou torná-la mais dramática. A época permitia isso.
Enfim, Nakatsu é o centro das discussões sobre sexualidade (*desejo*), mas como Mizuki é uma mulher, não há qualquer risco da personagem ser caracterizada como homossexual. Ele simplesmente não sabe que está desejando uma mulher, apesar de sua ignorância, mantida está a heteronormatividade e garantidas as piadas bobas, mas, ainda assim, engraçadas. Sei que muita gente preferia Mizuki com Nakatsu, mas eu nunca vi outra possibilidade que não fosse Sano. ☺️ Mas Nakatsu garante bons momentos, assim como os meninos coadjuvantes do Dormitório 2.
Dr. Umeda foi um dos destaques da série, ele está bem no espírito do original, ainda que algumas piadinhas que poderiam soar ou eram homofóbicas tenham sido retiradas. Um dos pontos baixos do anime foi eliminarem o fato do irmão de Mizuki ser homofóbico. Nos privaram, inclusive, do esculacho que ele tomou do Dr. Umeda pela sua crueldade com Sano. Umeda lhe pergunta como ele pode ter escolhido a medicina e ter tão pouca empatia. Se eliminaram a homofobia, mantiveram a falta de noção da irmã de Umeda nos episódios da pousada na praia. Como explicar o fato dela manter um predador sexual como funcionário? Ela sabia que o sujeito se comportava mal com as clientes e ainda assim não o demite. O resultado é que ele quase violentou Mizuki.
Estou propondo a censura do material? Não, mas questionando por qual motivo alguns elementos foram eliminados (*e a série saiu perdendo com isso*) e outros foram mantidos. Qual o critério? Nesse sentido, tenho receio de que Anatolia Story tenha uma adaptação higienizada, sem a carga de eroticidade e violência do original. E imagino a gritaria por causa da diferença de idade entre Kalil e Yuki. Mangás dos anos 1990/2000 eram muito mais ousados, seja para o bem ou para o mal. E se decidiram adaptar, espero o mínimo de fidelidade. Fora, claro, que Kimi to Koete Koi ni Naru (キミと越えて恋になる) passou sem problemas. Essas censuras em material MUITO menos problemático como Hana-Kimi me surpreenderam.
Enfim, Nanba está muito bem na série, despertando os ciúmes de Sano e de Nakatsu, mesmo que ele mesmo não tenha nenhum interesse por Mizuki para além da amizade. Os meninos do clube de karatê (Dormitório 1) brilharam nos últimos episódios da temporada. Devem participar mais no futuro, porque as meninas da Academia Saint Blossom ainda nem entraram em cena (*só a irmã caçula de Nanba*) e uma das moças é noiva do Tennoji, líder do dormitório 1 e do clube de Karatê. Já Masao "Oscar" Himejima, líder do Dormitório 3, decepcionou um pouco, porque eliminaram as referências mais óbvias à Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら). Não sabemos por qual motivo ele adotou esse apelido ou nome artístico, isso é explicado no mangá. Mas o trabalho dos dubladores foi muito bom, especialmente. E se a gente pensa que a animação recebeu um investimento bem limitado, o resultado foi acima da média. Será que a segunda temporada será melhor nesse aspecto?
Aliás, quando será que estreia a nova temporada? Será que é em janeiro do ano que vem? Espero que não demore muito, porque mesmo com problemas, eu realmente estou feliz de ver Hana-Kimi ganhando vida em uma produção bem mais próxima do original do que os doramas, que queriam colocar ikemen em tela e sacrificavam a história. Enfim, esse texto saiu com muito atraso, mas estava sendo escrito faz algum tempo. Não sei se comentei tudo o que queria, mas larguei de mão aquela história de ficar falando de episódio por episódio. Às vezes até funciona, mas pode ser contraproducente e me atrasa mais ainda. Por exemplo, não terminei de escrever nenhum post sobre a quarta temporada de Bridgerton e o primeiro texto devo jogar fora mesmo. Para quem quiser olhar, o trailer da segunda temporada de Hana-Kimi está abaixo:

















































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