domingo, 5 de julho de 2026

Comentando o início da temporada de animes: O que eu assisti até agora.

Queria gravar um Shoujocast para fazer a recapitulação do que já vi dessa nova temporada, mas estou sem energia para gravar e editar um vídeo.  Amanhã, com a estreia de Anatolia Story, ele virá.  Precisa vir.  Então, vou fazer um post com tudo o que eu consegui olhar até agora, começando pelo que eu parei para olhar primeiro, que obviamente foi Hana-Kimi.  Para quem quiser saber quais são os animes da temporada, há um post sobre eles aqui e o Shoujocast, também.

No dia primeiro, estreou a segunda temporada de Hanazakari no Kimitachi E (花ざかりの君たちへ), série de Hisaya Nakajo, que deveria ter tido anime vinte anos atrás, mas que entrou no pacote das comemorações dos 50 anos da revista Hana to Yume.  Como na primeira temporada, foi uma estreia com episódio duplo.  Retomamos de onde a história terminou na primeira temporada.  Os meninos do dormitório B decepcionados com os prêmios recebidos por terem vencido o festival e Nakajo angustiado por estar apaixonado por Mizuki, seu colega de classe.  

Nakajo questiona a orientação sexual e isso impacta seu desempenho na equipe de futebol. Ele até arruma uma namorada: Komari Imaike.  Ela é uma verdadeira Yamato Nadeshiko, isto é, a personificação do ideal de feminilidade japonesa tradicional.  Só que o coração dele pertence a outra pessoa e ele é honesto com a garota e termina seu relacionamento com a garota.  Quando terminamos o episódio #2, ele declara seu amor para Mizuki diante de todos, inclusive de Sano, que é, junto com Umada-sensei, o único que sabe do segredo da protagonista.  Vi gente se empolgando, acreditando que a série estaria discutindo a bissexualidade, mas informo que se trata de um clichê mais que conhecido: se um sujeito se apaixona por uma mulher travestida de homem, sua heterossexualidade está preservada.  Quando descobrir o segredo, ele irá respirar fundo e dizer "Ufa!  Não há nada de errado comigo.".

Paralelo a isso, uma jornalista esportiva chamada Kinuko Karashima, que é obcecada por Sano, aparece na história e Mizuki termina por descobrir que tudo o que ela sabia sobre o rapaz antes de conhecê-lo pessoalmente era graças a ela.  Mizuki é acusada pela jornaista de ser uma groupie, uma fã tão alucinada que persegue o objeto do seu desejo e é capaz de qualquer coisa.  Ela se sente um tanto constrangida com a presença de Karashima.  Já Sano, quer a jornalista longe, porque não gosta de  publicidade em torno dele e por imaginar, no mangá pelo menos é assim, que o segredo de Mizuki possa ser exposto.  A jornalista chega a afirmar que Mizuki ama Sano, mas por algum motivo cortam a sequência em que ela persegue a menina e tenta espioná-la trocando de roupa por estar desconfiada de que se trata de uma mulher.

Ainda nesses dois episódios ficamos sabendo que Karashima e o Dr. Umeda foram colegas de faculdade e ela o odeia.  Ele ajuda a manter a jornalista afastada de Mizuki, porque quando ele aparece, ela foge.  É nesses episódios que Mizuki decide entrar para a equipe de karatê para fortalecer o seu corpo.  E foram antidas algumas piadinhas de cunho sexual envolvendo Umeda e Kujou Itsuki, o capitão do time de karatê.  Quando Mizuki os vê juntos, ela pensa em BL (boys love) com certeza.

Sobre a animação, ela me pareceu ligeiramente melhor.  E  a abertura apresenta várias novas personagens, os líderes dos outros dormitórios e inclusive a menina do Colégio Saint Blossom que terá um papel de antagonista por algum tempo.  Tanto a abertura quanto o encerramento me pareceram visualmente mais bonitos do que os da primeira temporada.  Dá inclusive para fazer  uns wallpapers bem legais com a abertura.  Foi uma  estreia muito boa.  E, só lembrando, o mangá sairá pela Panini

Depois de Hana-Kimi, parei para assistir Oni no Hayome  (鬼の花嫁), série baseada em um original de Kureha, que está em alta, porque teremos mais um anime dela no ano que vem.  Não li nada do mangá, nem as  novel.  Fiquei  sabendo mais sobre o mundo da série pelo prólogo: estamos em um mundo que poderia ser o nosso, um  futuro próximo ou mesmo o presente.  Houve uma guerra e criaturas mágicas, os akayashi (yokai), saem das sombras para ajudar a reconstruir o país.  No topo da hierarquia dos akayashi, temos os oni.  Essas criaturas mágicas se casam com mulheres humanas; não se falou de noivos, só de noivas.  Essas mulheres têm algo de especial, mas não sabemos o quê; ainda não foi explicado.

Yuzu, nossa protagonista, nasceu em uma família comum, de classe média.  Ela tem uma irmã, Karin, mais nova, que os pais acreditam ter potencial para ser escolhida como noiva. Por causa disso, por ser vista como um investimento para o futuro, Karin tem tudo e Yuzu não tem nada. Eles  colocam Karin para estudar em uma escola particular frequentada por akayashi.  Lá, ela poderá ser notada e ser escolhida para se tornar noiva de um deles.  E acaba sendo, ela se torna noiva de um  espírito-raposa.  Ser escolhida melhora o nível  econômico da família, que passa a receber apoio financeiro do clã do noivo.  É como vender uma filha.  Já Yuzu é tratada como criada em sua própria casa e sofre vários abusos de todos no seu núcleo familiar.

Yuzu se conforma em não ser amada, estuda em escola pública, arruma um trabalho para ficar o máximo de tempo fora de casa.  Tem até um namorado, mas ele a dispensa argumentando estar apaixonado por Karin.  Yuzu tem amigos e é amada pelos avós.  Só que o avô liga para o pai dela reclamando  de como a menina é tratada e ela termina sendo agredida.  Avós costumam falar nos ouvidos dos filhos para defender os netos ou acusar seus próprios filhos de não estarem fazendo bem o seu trabalho como pais.  Eu sei disso porque meu pai costuma agir desse jeito comigo e já tive alguns aborrecimentos nesses quase 13 anos de Júlia (*minha filha*).  

Por causa dessa ligação do avô, descobrimos que os abusos que Yuzu sofre não são somente psicológicos; são físicos também.  A família de Yuzu já é candidata a pior família de shoujo anime de todos os tempos e olha que temos tido um páreo duríssimo nos  últimos tempos, vide séries commo Zutaboro Reijou wa Ane no Moto Konyakusha ni Dekiai Sareru (ずたぼろ令嬢は姉の元婚約者に溺愛される) e Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚).  E a coisa piora, porque Karin quer tomar o presente que Yuzu ganhou dos avós, como  a mocinha se recusa e reage, dando uma bofetada  na irmã.  Por conta disso, o noivo de Karin a agride e queima seu braço.  É uma cena violenta; tudo é violento naquela família.

Yuzu sai vagando pela cidade e acaba sendo encontrada por Kiryuuin Reiya, que é um akayashi, um oni, e diz ser seu noivo e estar feliz por finalmente a ter encontrado.  Ele cura a queimadura da menina e a toma em  seus braços.  O contato físico já no primeiro episódio me surpreendeu.  A abertura e o encerramento mostram a intimidade entre  os dois.  A autora, Kureha, parece preferir colocar mocinhas maiores de idade, porque é assim em  Bride of the Barrier Master (結界師の一輪華 /Kekkaishi no Ichirinka) e Yuzu faz aniversário  neste primeiro episódio.  Reiya não parece ser frio, distante e tímido  com as mulheres como o Kiyoka de Watashi no Shiawase na Kekkon.  Então,  espero que ele coloque a família da mocinha no seu lugar, arregace o noivo de Karin e, claro,  cubra a mocinha de afeto  e proteção.  Se o padrão for Barrier Master sem humor pastelão,  acho que ele  vai ser bem cruel com esse povo ruim.  O problema é que a mocinha é bem  diferente da de Barrier Master e  ela deve se compadecer da família.

Estava com o pé atrás em relação a essa série e fui surpreendida.  O modelo de história me parecia estar mais de acordo com uma série de época e que nem precisava ser muito lá no passado, poderia ser nos anos 1960, por exemplo, ou no pós-2ª Guerra, mas funcionou no presente e eu quero  conseguir continuar assistindo.  Só que o romance deve ser somente parte da história.  Talvez, nossa Yuzu tenha algo de tão especial que vários akayashi terminem por disputá-la ou ela tenha algum poder oculto.  Vamos descobrir isso.

Tenmaku no Jaadugar: A Witch's Life in Mongol (天幕のジャードゥーガル) tem resenha do primeiro volume no blog, então, só  vou comentar a  animação mesmo, não vou recontar tudo em detalhes.  Uma Bruxa na Mongólia estreou com dois episódios e cobriu boa parte do primeiro volume do mangá.  Temos tudo o que está no quadrinho, além de alguns acréscimos.  Vemos mais da cidade de Tus, temos alguns flashbacks e cenas extras.  Por exemplo, Sitara (Fátima), a protagonista, ouve o irmão de sua senhora dando aulas de recitação do Alcorão para os meninos.  Não lembro dessa sequência no mangá, mas olhei agora o volume novamente e havia me esquecido de algumas coisas.  

O fato é que foi dada mais ênfase à forma como  os mongóis fazem a guerra; eles aparecem mais no anime do que na mesma parte da história no mangá.  E temos uma visão melhor da destruição que eles causaram.  Optou-se, também, por colocar os  persas falando japonês e os mongóis em outra língua e com legendas.  Imagino que  conforme a protagonista vai aprendendo a língua dos mongóis, algo que ela começa a fazer na parte do volume ainda não adaptada, todos comecem a falar japonês.  Ficou muito bem construída a relação entre a senhora de Sitara, Fátima, e a menina.  Ela vê a garota como uma filha e deseja vê-la se casando com seu filho único, Muhammad.  Isso está explicitamente no mangá, no anime, a coisa ficou subentendida.  

Aqui, algumas explicações.  Escravidão é sempre escravidão, sempre uma violência, sempre a redução de outro ser humano a um objeto.  Anis, a outra escravizada que é levada para a casa de Fátima junto com Sitara, faz questão de dizer que escravizados não são donos de si mesmos; são propriedade.  Escravizadas, por exemplo, não têm o direito de negar seu corpo aos senhores e o fato de  uma escravizada poder ser transformada em esposa e dever ser obrigatoriamente liberta caso tenha um filho do senhor não muda isso.   Um escravizado  de  harém não escolhia ser castrado; o que era transformado em soldado, como o irmão da escravizada Zumrud, tinha alguns privilégios, recebia até salário, mas não era dono de si.

No entanto, a escravidão no mundo islâmico tem várias nuances e os escravizados poderiam ocupar lugares e espaços de poder que não existiam na Europa, menos ainda na América.  Além disso, não tinham uma marca racial, continuávamos nas mesmas bases da escravidão na Antiguidade greco-romana.  A princípio, um muçulmano não deveria escravizar outro, mas,  com o tempo, essa regra é  meio que dobrada, afinal, todo mundo na região de origem da nova fé era escravista em maior ou menor grau.  O escravizado convertido normalmente era mantido  nessa condição, mesmo  que temporariamente.  No início do mangá, há uma nota da autora  dizendo que com a morte do marido de Fátima, a maioria dos escravizados foi libertada. Isso era comum, poderia ocorrer no Brasil Colônia, também.  Por isso, Fátima está em busca de uma escrava doméstica.  Sitara não é escravizada da casa; ela está em uma condição de tutela, estudando, mas pertence a outra pessoa, um comerciante que vê a estadia da menina em uma casa de sábios como uma espécie de investimento.  O tempo  passa,  oito  anos,  e nada é dito,  a não ser que eu tenha perdido alguma informação sobre ela ter sido comprada ou não, mas pode ter sido.

Enfim, o anime tem uma qualidade de animação excelente e deve se manter assim.  Como o que temos do mangá são cinco volumes fechados e um sexto em andamento, provavelmente, tudo poderá ser coberto.  Não sei o quanto da história de Fátima (*Sitara adota o nome de sua senhora quando está entre os mongóis*), a que existiu, será contada no mangá. Espero que não tenhamos que ver a morte de Fátima e que a autora não estique muito o quadrinho.  O mangá sairá no Brasil, também pela Panini.

Por fim, não iria olhar essa série, mas a Jéssica insistiu tanto que eu acabei vendo o primeiro episódio de Mujikaku Seijo wa Kyou mo Muishiki ni Chikara wo Tare Nagasu: Imadai no Seijo wa Ane dewa Naku, Imouto no Watashi Datta Mitai desu (無自覚聖女は今日も無意識に力を垂れ流す 今代の聖女は姉ではなく、妹の私だったみたいです) / The Oblivious Saint Can't Contain Her Power: Forget My Sister! Turns Out I Was the Real Saint All Along!.  A série estreou em 30 de junho e é uma história de sacerdotisa (*santa*) em que todo mundo tem nome espanhol, inspiração em várias épocas da história europeia e uma mocinha sofredora.

Carolina, a protagonista, acredita não ser amada por ninguém; ela se vê como a vergonha de uma família de duques muito distinta.  Sua irmã mais velha, Flora é responsável direta por esses sentimentos de inferioridade.  Ela a culpa pela morte da mãe, que não morreu de parto, mas adoeceu depois do nascimento da menina.  Flora tem poderes mágicos, é bonita, confiante e será a próxima sacerdotisa do reino, porque há concurso público para essas coisas, ao que parece, e ela acredita que vai passar em primeiríssimo lugar.  Flora se finge de boazinha na frente de todos, tipo a Sae de Peach Girl (ピーチガール), mas pisa em Carolina o tempo inteiro.  Mas é tudo muito falso.  Tudo nesse anime é meio exagerado.

Carolina acaba sendo escolhida pelo rei, uma criatura com cara de playboy preguiçoso, para fazer um casamento com um príncipe de um reino vizinho.  É algo necessário para manter a paz e tudo será feito em segredo.  O duque, pai da menina, é contra e não quer que a filha seja tratada como um sacrifício em nome da política.  Carolina, no entanto, acredita que pode ser útil pela primeira vez na vida.  Descobrimos, então, que o pai da protagonista pode até ser negligente, mas a ama e sempre cuidou dela à distância.  É a irmã mais velha que tornou a vida dela um inferno com a complacência de alguns ou todos os criados.  Carolina vai visitar o túmulo da mão junto com o pai e seus poderes certamente foram destravados ali.  Eu torço para que, quando ela manifestar seu poder de verdade, os cabelos mudem de cor e fiquem iguais aos da mãe, porque Flora repete que a irmã não parece com ninguém da família, o que é péssimo, porque ou ela foi adotada, ou a mãe foi adúltera.  O fato é que Carolina é a cara da mãe.  

O episódio termina com Carolina encontrando o noivo, o príncipe sanguinário.  Ele tem toda a pinta de que vai se apaixonar por ela de pronto e que a fama deve ser falsa.  As legendas colocam seu nome como Edward, mas eu ouço claramente Eduardo sendo falado pelos dubladores japoneses.  Eduardo, em espanhol e depois para o português, vem de Edward.  Já em nossa língua, Eduardo virou Duarte, por isso, há vários reis portugueses com esse nome.  Hoje, Duarte é mais sobrenome do que nome.

Mais duas coisinhas: The Oblivious Saint Can't Contain Her Power: Forget My Sister! Turns Out I Was the Real Saint All Along! é candidatíssimo ao pior figurino do ano.  Carolina não é somente uma coitada, mas uma coitada muito mal vestida.  Colocar a moça indo ao baile com um vestido regatinha é talvez a pior atrocidade que eu já vi nesse tipo de anime que se passa em um mundo europeu-like.  A outra coisa é que abusam do ocidentalismo, que é um conceito que descreve o conjunto de ideias, estereótipos, imagens e críticas construídas sobre o Ocidente.  Em alguns momentos, como na linguagem das flores, ficou OK, mas em outros, na maioria dos outros, tudo fica fora do lugar.  Várias temporalidades, costumes estranhos, roupas desencontradas, um horror.  Japonesas e coreanas adoram misturar o que elas imaginam que seja a Europa de épocas passadas (*projetada em mundos imaginados*) com coisas que saíram da sua cabeça ou que só existem no Oriente mesmo.  Mas a história pode ser divertida.  Pode ser, não quer dizer que será.

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