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domingo, 12 de julho de 2026

Balanço geral da série Cenas de Awajima (Awajima Hyakkei/淡島百景)

A nova temporada de animes já começou e já estou me atrasando, mas precisava separar um tempo para terminar Cenas de Awajima (Awajima Hyakkei/淡島百景), série baseada no mangá homônimo de Takako Shimura.  Não encontrei scanlations completas da série, mas imagino que o anime cobriu todo o mangá, porque são somente 5 volumes e a série teve 12 episódios.  Este é meu quarto texto sobre a Awajima; é um fechamento mesmo.  Para as outras resenhas, é só clicar: 1 - 2 - 3.  Como o mangá está em lançamento nos EUA, vou usar o resumo da Yen Press:

A Escola de Ópera de Awajima, para onde inúmeras garotas de todo o país convergem na esperança de um dia brilhar nos grandes palcos. Enquanto se esforçam para alcançar seus sonhos de estrelato, seu tempo em Awajima é repleto tanto de amizade e admiração quanto de competição e inveja. Os preciosos sentimentos de garotas que são, ao mesmo tempo, colegas e rivais são capturados com ternura nos retratos de um elenco de artistas!

Cenas de Awajima conta a história de uma escola de teatro musical; é a instituição, o centro da nossa história, o real protagonista da série, assim como no caso de  Ōoku (大奥) de Fumi Yoshinaga.  As meninas entram e saem de cena, frequentam a escola em anos, às vezes, décadas diferentes, seguem suas vidas que podem, ou não, se cruzar em outros momentos da série.  A escola, no entanto, permanece como uma referência positiva ou negativa para elas.  A inspiração de Awajima é o Teatro Takarazuka.  A divisão entre atrizes que fazem papéis femininos (musumeyaku) e masculinos (otokoyaku) é a mesma, assim como o tempo de curso (dois anos), a ênfase na disciplina e na hierarquia etc.  Por outro lado, a série parece introduzir coisas que não são típicas do Takarazuka, como as longas licenças das atrizes, a possibilidade de sair e voltar para Awajima e o fato de que algumas atrizes parecem se casar e continuar atuando.  Isso não existe no Takarazuka.

Como pontuei em meu outro texto,  Cenas de Awajima tem muitas persoangens, sua narrativa é fragmentada, não linear e opera em várias temporalidades, sem se preocupar com quem está assistindo.  Às vezes, temos umas três temporalidades diferentes no mesmo episódio.  É confuso, portanto, mas é a estrutura da série mesmo.  Outra coisa, as personagens, pelo menos algumas delas, mudam de nome.  As meninas têm seu nome de nascimento quando entram na escola, seu nome artístico depois que se formam e, as que se casam, têm o nome de casada.  No mesmo episódio, os três nomes podem aparecer.  Você desfoca um pouquinho e se perde.  Fora isso, as legendas da Crunchyroll nem sempre são realmente boas, porque se eu, que sei muito pouco de japonês, estou estranhando certas coisas, imagino quem sabe a língua mesmo.

Não aconselho ninguém a fazer o que fiz hoje com uma série como essa, isto é, pegar CINCO EPISÓDIOS e assistir de enfiada.  Mas eu precisava terminar ou acabaria deixando de lado, coisa que aconteceu com mais de uma série da temporada de inverno.  São muitas personagens que entram e saem da história, que têm uma parte de sua história narrada em um episódio e eventualmente aparecem em outro, e você precisa estar atenta para perceber que o fulano ou a fulana já apareceu antes.  De qualquer forma, já nos últimos três episódios, temos uma confirmação de quem são as personagens mais importantes de Cenas de Awajima: Wakana Tabata e Kinue Takehara, que acredito que foram alunas na primeira ou na segunda década do nosso século, e Katsurako Ibuki, que vinha de uma família com tradição em Awajima e acabou se tornando professora da instituição.  As três personagens aparecem várias vezes.

Nos últimos três episódios, ficamos sabendo que Tabata teve curta carreira em Awajima, graduou-se e se tornou escritora de muito sucesso.  Seus livros, alguns de memórias, outros romances, se entendi corretamente, falam de Awajima e ajudam a alimentar a mitologia em torno do teatro. Tabata participa de um evento em Awajima como palestrante e visita a professora Ibuki no hospital.  Ibuki era uma professora estrita, temida pelas alunas, mas Tabata estabeleceu um laço de respeito, admiração e amizade com ela.  Ibuki pede ajuda a Tabata para corrigir um grande erro do passado.

Katsurako Ibuki, quando era aluna, nos anos 1960, eu imagino, foi responsável pela desistência ou expulsão de uma aluna brilhante, Emi Okabe.  As duas eram amigas, mas quando Okabe defende uma outra aluna e diz que ela era mais talentosa do que Ibuki e as outras meninas da roda de invejosas, ela passa a sofrer bullying.  Sim, bullying do tipo que meninas costumam fazer, isto é, desprezo, maledicência, abuso verbal temperado de ironia e veneno, isolamento.  O que Okabe diz desperta as inseguranças de Ibuki, porque sua avó, uma grande estrela de Awajima, sempre disse que ela não era boa, graciosa e bonita o  suficiente para ser uma grande estrela.  Ibuki parecia não se deixar atingir pela avó, mas, no fim das contas, isso não era verdade.  Pior, a série colocou Ibuki arrependida de ter dito à velha o que ela merecia ouvir.  Acredito que comentei sobre isso em minha segunda resenha.

Com a perseguição liderada por Ibuki, Okabe termina perdendo a paciência com ela, a agride e tem que sair de Awajima.  A outra colega, a que tinha muito talento, termina atentando contra sua vida.  Já tínhamos visto parte dessa história em um episódio anterior; algumas sequências se repetem, só que com mais detalhes.  Ibuki quer que Tabata escreva um livro sobre o que há de tóxico em Awajima.  O pedido vem em outra visita, que parece ter ocorrido com algum tempo de diferença.  Sim, a história das várias temporalidades.

Tabata tem medo de que o relato transformado em livro ganhe ares sensacionalistas e manche a imagem da escola; fora isso, ela precisa da autorização da família de Emi Okabe para escrever sobre ela.  Aqui, temos um problema de sobrenomes.  O marido de Emi não é Okabe; aparece outro sobrenome, inclusive, mas, depois, ele parece ter o mesmo sobrenome que a esposa.  Confuso, mas, neste caso, eu ouvi o diálogo; não estava na dependência da legenda.  Um filho de Emi é contra; o viúvo e o filho mais velho são a favor.  Achei o filho caçula jovem demais e o marido de Okabe deveria ser mais velho, porque Ibuki parecia bem mais velha.  Poderia ser a doença, claro.  O fato é que o viúvo acredita que a história de Emi deve ser contada e que isso poderia fazer diferença para alguém.

A editora do livro de Tabata é outra ex-aluna de Awajima, que nunca foi para os palcos. Depois da palestra de Tabata, ela decidiu seguir carreira na área de literatura.  É outro indício de que anos se passaram entre a primeira visita de Tabata ao hospital e a segunda.  Muito bem, o livro de Tabata é um sucesso, mas expõe Awajima como um lugar de bullying e competição.  Ex-atrizes e alunas vêm a público dar seu testemunho.   Tabata se sente culpada, mas eis que Awajima decide transformar o livro em peça.  Alguém termina comentando que capitalismo é capitalismo.   No fim das contas, Awajima irá lucrar e reforçar sua mística mesmo com todos os problemas que vieram à tona.  E a mensagem final da série é de nostalgia em relação às várias gerações de meninas que passaram por Awajima e que tiveram suas vidas impactadas pela escola.

Gostei da série?  Achei que gostaria mais de Awajima.  O tom intimista me agradou, o foco nas personagens e seus dramas, mas queria ver mais das aulas na escola.  Queria ver Ibuki coo professora, por exemplo, não somente em suas interações com Tabata.  Só que não tivemos quase nada disso.  E, em alguns momentos, os dramas não me convenceram tanto, a pareceram exagerados, mesmo em um anime com um tom muito contido.  Um exemplo é no episódio da seita ou este final que coloca em evidência o bullying (ijime) que é um negócio muito presente nas escolas japonesas. 

A competição em Awajima não deveria chocar ninguém, como parece ser o caso depois do lançamento do livro de Tabata. Talvez, se eu conseguisse rever a série, conseguiria compreendê-la melhor.  O mais seguro, no entanto, será ler o mangá.  Como o preço da versão Kindle é bem acessível, devo comprar a edição norte-americana.  Deixo a recomendação para quem quiser assistir Awajima, mas com todas as ressalvas que escrevi, afinal, não é uma série de fácil digestão.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Evento especial comemora o 5º aniversário do anime de Kageki Shojo!!

Já faz CINCO ANOS?!  Eu tinha tanta esperança de uma segunda temporada... Enfim, o Comic Natalie trouxe um post sobre a peça comemorativa de Kageki Shojo!! (かげきしょうじょ!!), baseado no mangá de  Kumiko Saiki, que será apresentada no IMA Hall em Tokyo, no dia 23 de agosto. A peça mistura atuação e leitura, Não sei como essas coisas funcionam; vou ser sincera.  As inscrições para sorteios antecipados de bilhetes começaram hoje, dia 11 de junho, na Ticket Pia.

Além disso, como parte das comemorações do 5º aniversário, todos os 13 episódios do anime para TV e as três produções teatrais apresentadas até o momento serão transmitidos gratuitamente por tempo limitado. Eles serão exibidos sequencialmente no canal do YouTube "KING AMUSEMENT CREATIVE official channel".  Para fotos do elenco do elenco das peças, visitar o CN.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Swan, o mais lindo de todos os mangás de Balé, terá peça teatral no Japão

 

Swan: Hakuchou (スワン 白鳥), de Kyoko Ariyoshi, é mais um shoujo mangá que está completando 50 anos, que não tem anime, e que, agora, terá uma peça de teatro comemorativa.  No Comic Natalie, é dito que a peça mistura balé e leitura.  Imagino que algumas partes mais importantes do mangá, 21 volumes, serão encenadas e lidas.  Não sei o que imaginar fora disso.  Vou reproduzir o que está no CN:

"O roteiro e a direção serão de Kaori Kobayashi, e a supervisão e coreografia do balé ficarão a cargo de Keigo Fukuda. O elenco da leitura dramatizada já foi definido, com Hiroe Igeta como o protagonista Masumi Hijiri , Eri Murakawa como Sayoko Kyogoku , Keisuke Higashi como Hisho Kusakabe , Ryo Nishino como Aoi Yanagisawa e Seiji Fukushi como Alexei Sergeyev . O elenco do balé também foi anunciado." 

Kyoko Ariyoshi fez uma ilustração reproduzindo o cartaz que traz Igeta como a protagonista da série Masumi Hijiri.  A peça estará em cartaz de 4 de setembro (sexta-feira) a 9 de setembro (quarta-feira) de 2026, no Novo Teatro Nacional de Tokyo.  Para quem não conhece Swan, trata-se de uma série com estrutura de mangá de esporte, porque balé, teatro, tudo recebe tratamento de esporte mesmo e foi publicada na revista Margaret.   Segue o resumo inicial, porque há MUITAS reviravoltas na história:

"Masumi Hijiri é uma estudante de balé de 16 anos que frequenta uma pequena escola no Japão. Quando inesperadamente recebe um convite para participar de uma competição especial de balé e, posteriormente, é admitida em uma renomada academia de balé, ela embarca em uma grande aventura de amizade e desafios. Sendo a mais frágil entre as alunas, ela enfrenta diversas dificuldades, mas sua determinação e fé em si mesma a ajudam a navegar pelo implacável mundo do balé."  Swan começou a ser lançado nos EUA, mas foi cancelado.  Tenho os volumes que saíram por lá.

Peça teatral na Alemanha junta Doctor WHO e a Rosa de Versalhes

O Dokomi é o maior festival da Alemanha dedicado a anime, mangá, jogos, cosplay, J-pop e cultura japonesa.  É realizado anualmente em Düsseldorf desde 2009, inicialmente por dois dias, e desde 2023 por três dias.   Uma das atrações deste ano é uma peça crossover de DOCTOR WHO com a Rosa de Versalhes.  Sim, é isso mesmo!  Para quem estiver interessado em saber qual a proposta, o conteúdo do post do evento está abaixo:

"🎭 Apresentando o espetáculo: “Doctor Who - A Rosa de Versalhes”

Um Senhor do Tempo errante, um comandante em conflito e uma revolução à beira do caos.

Quando a TARDIS aterrissa na França do século XVIII, o Doutor e Donna encontram não apenas ideais revolucionários, mas também Lady Oscar, dividida entre o dever e a emoção. Linhas temporais começam a ruir, a própria realidade está em jogo e dois seres misteriosos intervêm no destino da França com poder divino.

Vivencie o musical crossover único da Serenata, com vocais ao vivo poderosos, figurinos deslumbrantes e coreografias cativantes. Uma história repleta de drama, suspense e emoção, com espaço para risadas atrás de elegantes leques. 🎶✨

📍 Palco Preto
🗓️ Sábado
🕦 12:00"

domingo, 24 de maio de 2026

Algumas palavrinhas sobre o episódio #7 de Cenas de Awajima: Finalmente, um episódio fácil de acompanhar!

O episódio 7 de Cenas de Awajima (淡島百景/Awajima Hyakkei) foi sobre duas otokoyaku, Yamagata Saori e Takeuchi Mikako.  E foi só sobre elas mesmo, além de Kayo Shimokita (*espero não estar errando o nome da personagem*), sem grandes saltos no tempo e sem várias temporalidades simultâneas.  Se você não sabe do que se trata Cenas de Awajima, recomendo que leia minhas resenhas anteriores: 1 e 2.  Lá explico como é o funcionamento da série que tem como centro uma escola musical de teatro aos moldes do Takarazuka Revue.  

Kayo e Saori já tinham aparecido em um dos primeiros episódios; elas estudaram juntas; uma era musumeyaku e a outra otokoyaku, de forma que elas não competiam entre si, mas pretendiam ser um par nos palcos e usar o primeiro nome artístico idêntico.  Tudo me sugeriu naquele episódio que as duas são um casal também, mas a série é discreta.  No fim das contas, somente Saori seguiu carreira e Kayo ficava meio que debochando dela e dizendo que na vida privada ela nada tinha da virilidade artística de uma otokoyaku.  Kayo abandonou os palcos e se tornou funcionária da agência de talentos do tio.  E se veste com uniforme de office lady ainda por cima.

Algo que me incomoda um pouco nessa série é a facilidade com que essas moças abrem mão de uma carreira em Awajima, quando é tão difícil conseguir ser admitida lá e terminar o curso.  E esse é um dos poucos defeitos da série, não mostrar essa dificuldade, algo que era central em Kageki Shojo!! ((かげきしょうじょ!!), por exemplo, que se passa em uma escola também inspirada no Takarazuka.  Mas Kayo parece ser feliz longe dos palcos.  Estar em Awajima também exige muito sacrifício.

Enfim, o episódio nos apresenta Takeuchi Mikako, que foi uma criança com uma saúde delicada e se apaixonou pelo Teatro Awajima quando a mãe lhe deu de presente uma revista, quando ela estava no hospital.  Não sabemos qual a doença de Mikako, mas sua mãe se sente culpada por ela não ser saudável e a jovem precisa se esforçar muito para conseguir atingir seu objetivo, que é ser uma atriz de Awajima.  Mikako vê Saori como uma rival, mas a outra jovem não parece ter nenhuma espécie de sentimento negativo ou competitivo em relação a ela.

No fim das contas, Mikako se forma, se apresenta mesmo doente no seu último ano na escola, mas tem que se afastar do teatro por causa da saúde.  E eu fui pesquisar se uma atriz pode sair do Takarazuka e voltar, e a resposta parece ser não, mas é possível tomar licenças por motivos médicos e elas podem ser longas se necessário.  Uma atriz que se gradua, isto é, que deixa o Takarazuka, pode ser convidada a participar de algum especial ou evento comemorativo.  Só que Mikako parece que nunca teve uma carreira de fato.  Essa é a impressão que eu tive; talvez eu esteja errada. Saori e Kao acabam se afastando de Mikako, porque não querem constranger a outra com a sua presença; afinal, elas seguiram carreira enquanto a outra teve que parar.

O que ocorre no episódio é um reencontro de Mikako com Saori, que irá se reverter em uma parceria nos palcos; elas farão o mesmo papel e irão se revezar.  Isso é comum no Takarazuka, mas quando há esse revezamento, normalmente um elenco é mais estrelado que o outro.    Acredito que a volta de Mikako, exatamente depois de um período de Saori no hospital, o que serve para mostrar o quanto é estenuante ser atriz de Awajima, seja uma apresentação especial mesmo.

Foi um episódio bonito e surpreendentemente simples de acompanhar.  Falou de superação, de perseguir seus objetivos na vida, de sacrifício e de amizade.  Há essas lacunas que são da própria obra e que cabe a nós fechar com nossa imaginação ou deixar em aberto, mas, de resto, é sempre um prazer assistir a um episódio de Cenas de Awajima.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Lendas do Shoujo Mangá desenham personagens de Touken Ranbu

Touken Ranbu (刀剣乱舞), em português, Dança Selvagem das Espadas, é um jogo de cartas colecionáveis ​​gratuito para navegador, desenvolvido pela Nitroplus e DMM Games. O jogo foi lançado no Japão em janeiro de 2015 e mundialmente em abril de 2021. A franquia inspirou e foi adaptada para quatro produções de anime, duas peças teatrais, uma produção de teatro Kabuki, dois filmes live-action e um jogo derivado. Existem também várias antologias oficiais de quadrinhos e três séries de mangá, várias delas são shoujo ou joseimuke.

Esta semana foram divulgados designs de versões especiais dos Touken Danshi para uma peça de teatro chamada Noh Kyogen Touken Ranbu (能 狂言 刀剣乱舞). Hagio Moto desenhou Higekiri e Hizamaru, Waki Yamato desenhou Kogitsunemaru, e Riyoko Yamagishi desenhou um misterioso Touken Danshi. As ilustrações foram inspiradas no teatro Noh, no Kyogen e nos personagens de Touken Ranbu.


Segundo o Comic Natalie, Noh Kyogen Touken Ranbu é uma nova produção teatral que funde o universo de Touken Ranbu com as artes cênicas tradicionais japonesas de Noh e Kyogen. A primeira apresentação, Yokai Spider Arc, será encenada nos dias 28 e 29 de julho no Teatro Nacional de Noh, em Tokyo. Se entendi bem o CN, a mangá-ka Yaeko Ninagawa irá desenhar um mangá baseado nessa peça de teatro. A artista já fez outros mangás de Touken Ranbu.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Filme indiano RRR ganha nova montagem do Teatro Takarazuka

O filme RRR não foi o indicado da Índia ao Oscar em 2023, mas sua eletrizante música Naatu Naatu levou o prêmio de melhor canção.  Até hoje, a cretina aqui não assistiu ao filme, apesar de ter a música dele no rádio do carro.  Enfim, não sabia, mas já em 2024, o teatro feminino Takarazuka fez uma montagem baseada no filme e este ano teremos mais uma.  O cartaz saiu esta semana.

A nova montagem, que é da Star Troupe (Hoshi-gumi), se chama RRR × TAKA"R"AZUKA ~√Rama~ (アールアールアール バイ タカラヅカ ~ルートラーマ~) e está programada para 29 de agosto e 11 de outubro de 2026 no Takarazuka Grand Theater e depois seguirá para outras apresentações pelo Japão.  As estrelas do espetáculo serão Akatsuki Chisei, Uta Chizuru e Rukaze Hikaru.  Na montagem de 2024, elas recriaram o número musical dançante de Naatu Naatu, graças ao Igor, eu consegui assistir, ele  está abaixo:

terça-feira, 17 de março de 2026

Anime sobre idols de meia idade vai virar live action

Em 2023, estreou Eikyuu Shounen Eternal Boys (永久少年 Eternal Boys) um anime que mostrava a formação e o dia-a-dia de um grupo de idols de meia idade.  A história girava em torno da agência Manpuku Geinō Production, responsável pelo Eikyuu Shounen (Eternal Boys), um grupo de sujeitos com cerca de 40 anos. Eles se esforçam para se tornarem ídols e superar barreiras como idade e condição física.  Foram 24 episódios ao todo.  Não sabia, mas em 2023 houve um filme animado chamado Eternal Boys NEXT STAGE e e um game chamado Eikyuu Shounen Side Project: Twilight na Spica.  O mangá derivado do anime é shoujo, teve dois volumes, e foi publicado na Comic Gene em 2022.

Agora, Eikyuu Shounen Eternal Boys terá uma série live action estreando no dia 4 de julho, às 21h30 (horário do Japão), no canal BS12, e uma peça teatral que ficará em cartaz de 3 a 13 de dezembro no I'M A SHOW, em Yurakocho, Tokyo. Cada episódio da série terá 15 minutos de duração.  Achei bem curtinho.  O elenco do live action e do teatro será o mesmo.  As informações vieram do Comic Natalie e o ANN tem fotos de cada um dos membros do elenco.  O site do dorama é este aqui.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Anunciada nova montagem de Hana Yori Dango pelo Teatro Feminino Takarazuka

Foi anunciado que o teatro feminino Takarazuka irá fazer uma nova montagem de Hana Yori Dango (花より男子), série de Kamio Yoko e shoujo mangá mais vendido da história.  Segundo o Stage Natalie e a Takarazuka Wiki, a montagem será da Hoshigumi (*hoshi é estrela, em japonês*) e será estrelada por Chisei Akatsuki como Domyouji Tsukasa e Uta Chizuru como Tsukushi Makino.  O título da peça é Hana Yori Dango II -Shooting STAR- (花より男子II -Shooting STAR-) e a montagem será apresentada entre 9 e 30 de junho no teatro Misonoza, em Nagoya.

O Stage Natalie diz que será uma continuação da peça de 2019.  Não sei qual foi o corte feito na primeira peça, se lavaram a história até certo ponto e vão continuar mesmo, ou se irão recontar a coisa toda.  Para quem não conhece Hanadan é a história de Tsukushi Makino, uma garota de classe média baixa, sem muitas aspirações na vida a não ser ser independente e feliz, mas que a mãe deseja ver bem casada.  Por conta disso, a família se sacrifica para pagar a elitista Academia Eitoku.  Nesse colégio, quem manda são os F4, um grupo de quatro rapazes riquíssimos e cujo líder, Domyoji, costuma se divertir praticando bullying.  Quem os F4 decidem hostilizar, está perdido.  Tsukushi, que não queria estar em Eitoku, tenta parecer invisível, afinal, ela não pertence àquele mundo.  

Só que a moça não quer bem sair do colégio, porque está apaixonada por Rui, o mais discreto e tímido dos F4.  Um dia, no entanto, o senso de justiça de Tsukushi não lhe permite se omitir.  Ela enfrenta Doumyoji e se torna alvo dos F4, só que ela não é uma frágil flor, ela é uma erva daninha, difícil de arrancar e matar. Ela resiste e a vida dos F4 nunca mais será a mesma, especialmente, para Domyoji, que se apaixona perdidamente por  ela, uma mulher que ele considera indigna do seu afeto.  A matriz de Hanadan é Orgulho & Preconceito, que fique claro.  Outra coisa, no Takarazuka, temos atrizes especializadas em papéis masculinos, as otokoyaku, e as especializadas em papéis femininos, as musumeyaku.  Hanadan tem muito potencial, porque terá quatro otokoyaku no palco, mesmo que um deles seja o protagonista.

domingo, 16 de novembro de 2025

Mangá Seinen de época vai virar peça do Takarazuka

O Igor, meu especialista  em Teatro Takarazuka, tinha me passado a informação de  que o mangá Nami Uraraka ni, Meoto Biyori (波うららかに、めおと日和), também conhecido como A Calm Sea and Beautiful Days with You, iria virar peça  musical.  Ele achava que a obra de Nishika Hachi era shoujo ou josei, mas é um seinen, é publicado na plataforma Comic Days da Kodansha e, quando saiu encadernado, foi colocado no selo da revista Morning, sinalizando como a editora percebe o material.  Mas trata-se de mais uma daquelas obras que caem no nicho da Era Taisho (1912-1926) como lugar de conforto (*mesmo se passando ligeiramente depois*), principalmente para as mulheres.  Traduzi um artigo sobre isso, que cita a série e explica por qual motivo ela deve ser perfilada junto com um Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚), por exemplo.  O fato é que eu estava no trabalho quando ele me enviou a notícia e eu acabei esquecendo e fiquei nervosa achando que poderia ser o anúncio de Poe no Ichizoku (ポーの一族)... Ufa!  Não era.

Para quem não conhece o mangá, o ponto de partida da história é o seguinte: "Na primavera, Natsumi, de 20 anos, recebe uma proposta de casamento de Takiaki Masashi, militar da Marinha Imperial. De repente, ela se vê casada! Com pouca experiência em assuntos domésticos e também em relações amorosas, o casal inicia sua vida a dois com a mais cândida pureza! Quando a brisa do mar sopra, penso em você. Uma história de um casal que vive no Japão pré-guerra, na primavera, no verão, no outono e no inverno, humilde e terno.".  Com uma circulação acumulada de 1,9 milhão de cópias, a obra foi adaptada para um dorama televisivo na Fuji TV em abril de 2025.  A série está disponível no Viki.

Enfim, a adaptação do teatro feminino Takarazuka será feita pela Snow Troupe (Yukigumi) e será a estreia da nova dupla principal composta por Jun Asami (otokoyaku) e Yui Neiro (musumeyaku).  As apresentações acontecerão entre 13 e 30 de abril de 2026, as vendas dos ingressos começam em 1º de março.  A foto do post é do dorama, ainda não temos imagens das atrizes do Takarazuka caracterizadas.

sábado, 15 de novembro de 2025

Poe no Ichizoku vai ganhar nova peça no Teatro Takarazuka

Poe no Ichizoku (ポーの一族), em português poderia ser O Clã ou a Família Poe, é uma das obras mais importantes de Hagio Moto.  Originalmente publicado entre 1972 e 1976 na Bessatsu Shojo Comic, conta com 5 encadernados, que foram publicados em diferentes formatos, mais gaidens que saíram na última década na revista Flowers.  Poe  no Ichizoku é uma história de vampiros e tem a seguinte premissa:

"Em 1744 , os jovens Edgar e Mary Bell foram abandonados no meio da floresta e acolhidos e criados pela idosa Hannah Poe. Os dois cresceram saudáveis ​​e normais, mas a idosa Hannah e a família Poe eram vampiros, conhecidos como "vampanella". Quando Edgar tinha 11 anos, descobriu o segredo da família e foi forçado a prometer que se juntaria a eles quando atingisse a maioridade. Em troca, ele entregou Mary Bell para adoção em uma cidade distante, para evitar que ela se envolvesse nos problemas. Em 1754 , Edgar, de 14 anos, planeja fugir de seu clã antes de atingir a maioridade. Quando os aldeões descobrem sua verdadeira identidade, a velha Hannah é morta com uma estaca atravessada no peito. No entanto, seu marido, o Rei Poe, o homem de sangue mais forte do clã, força o relutante Edgar a se juntar ao clã, deixando-o para sempre um menino.

Três anos depois, aos 13 anos, Mary Bell reencontra Edgar como vampiro e deseja se juntar à família. Os dois passam mais de 100 anos juntos, adotando o Barão Portnell e sua esposa, Sheila, como seus pais adotivos. Contudo, em 1879, assim que começam a viver na cidade em busca de um sacrifício, um médico que descobre suas verdadeiras identidades faz com que Mary Bell e Sheila desapareçam, e o Barão Portnell segue o mesmo destino.  Após perder sua amada irmã, Edgar mergulha no desespero e na tristeza, mas acolhe Alan Twilight em sua família, e os dois passam quase 100 anos juntos. Contudo, em 1976, um ponto de virada crucial acontece para ambos."

Esta semana, o teatro feminino Takarazuka anunciou que  fará uma nova peça baseada em Poe no Ichizoku em 2026. No Takarazuka, as atrizes que fazem os papéis masculinos são chamadas de otokoyaku e as que fazem os papéis femininos são as musumeyaku.  A adaptação será da Snow Troupe (Hanagumi) e a peça ficará em cartaz de 11 de julho a 23 de agosto em Hyogo e, em seguida, de 12 de setembro a 25 de outubro em Tokyo. Shuuichirou Koike é o diretor e roteirista, e a peça será estrelada por Jun Asami (otokoyaku) e Yui Neiro (musumeyaku).  

O Takarazuka Revue já havia feito duas adaptações do mangá de Hagio Moto em 2018 e em 2021, ambas dirigidas por Koike.  Agora, é esperar fotos com as atrizes caracterizadas; a foto acima é da montagem de 2021 com Rio Asukai (otokoyaku), Saiyo Senna (musumeyaku) e Hikaru Yuzuka (otokoyaku).  As informações vieram do ANN e do Comic Natalie

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Binan Koukou Chikyuu Bouei-bu LOVE! LOVE! terá peça musical em outubro

Binan Koukou Chikyuu Bouei-bu LOVE! LOVE! (美男高校地球防衛部LOVE!  LOVE!) é o nome da peça musical baseada na série de mesmo nome, o primeiro mahou shounen, e que virou uma franquia que reúne light novels, mangá, anime e games.  Segundo o Comic Natalie, a peça teatral ficará em cartaz de 9 a 13 de outubro no Hulic Hall Tokyo, em Tokyo.  A peça comemora os 10 anos do primeiro anime e o resumo da história é o seguinte:

"Os cinco membros do Earth Defense Club da Binan High School lutaram contra monstros como os "Battle Lovers", herdeiros do trono do amor, enchendo a Terra de amor. De repente, uma misteriosa unidade de ídolos galácticos do espaço sideral, VEPPer, aparece diante deles. Os irmãos gêmeos, populares e talentosos, ameaçam o amor e a paz da Terra e atrapalham o Defense Club. Mais uma vez, o Clube de Defesa se transforma através do "Fazer Amor" e se envolve em batalhas contra os monstros. Será que eles conseguirão derrotar os planos do VEPPer e proteger a Terra com o poder do amor?"  Esta matéria do CN está aberta aqui no meu computador desde sei lá quando, porque

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Kageki Shoujo!! entra na reta final

A mangá-ka Kumiko Saiki anunciou no Twitter que Kageki Shoujo!! (かげきしょうじょ!!) entrou em sua reta final.  Segundo o post, a série está nos seus capítulos finais e falta somente um volume para o encerramento da série.  Kageki Shoujo! (com um ponto de exclamação) começou a ser publicado na revista Jump Kai da Shueisha em 2012, e encerrou a serialização original depois que a revista encerrou sua publicação em outubro de 2014.  Eu tenho o primeiro volume dessa versão seinen (*que é igual a shoujo*) e que em recomendação escrita no obi (*a cinta de papel que envolve o mangá*) feita por Riyoko Ikeda.  A autora retomou a série com o título Kageki Shoujo!! (com dois pontos de exclamação) na revista Melody da Hakusensha em 2015. Kageki Shoujo!! foi indicado ao prêmio de Melhor Mangá Shoujo no 44º Kodansha Manga Award em 2020.  A série teve anime em 2021, que bem que poderia ter uma segunda temporada.

Kageki Shojo!! acompanha  jovem Sarasa na elitista escola Kouka de Teatro e Música (*inspirada do no Teatro Takarazuka*).  Sarasa é apaixonada pela Rosa de Versalhes, clássico de Riyoko Ikeda, e deseja ser Oscar, pois se apaixonou pela obra após assistir a um espetáculo musical do Kouka.  Só que há vários obstáculos a superar, um deles bem complicado, Sarasa é alta demais e mesmo sendo um otokoyaku (*atriz especializada em papéis masculinos*), Oscar não pode ser mais alta que André, ou Fersen.  

Enfim, a última edição da revista Melody trouxe uma conversa entre Riyoko Ikeda e Kumiko Saiki para celebrar os 30 anos de carreira da autora de Kageki Shoujo!!  Se você clicar na tag verá todos os posts que eu fiz sobre Kageki Shoujo!!  No momento, Kageki Shoujo!! conta com 16 encadernados publicados.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Saiu o primeiro cartaz da peça do Teatro Takarazuka sobre Alexandre, o Grande


Em abril, comentei que o mangá Alexander Daiou ーTenjou no Oukokuー (アレクサンダー大王 ー天上の王国ー), de Michiyo Akaishi, iria virar uma peça do Takarazuka, o teatro musical feminino japonês.  A série de 1998 cobre a infância e adolescência de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.), rei da Macedônia e conquistador de toda Grécia, do Império Persa e muito além.  O mangá se centra na relação entre Alexnadre e Heféstion, além de criar uma mercenária chamada Sanne.  Anteontem, o Igor, que é a pessoa que eu conheço que mais entende de Takarazuka, me passou o cartaz da peça.  

Enfim, meu amigo Igor estava empolgadíssimo, porque é a primeira vez que vemos a Ruri Hanaka como Sanne e a Kishou Kazuto como Heféstion. E ele me deu uma curiosidade, a atriz que faz  Heféstion, é bisneta do fundador da companhia, o Kobayashi Ichizou.  É esperar mais imagens.

domingo, 22 de junho de 2025

Aprendendo coisas novas: Matéria sobre o 4B me apresentou o teatro feminino coreano Jeongnyeon e a Yue Opera chinesa, também.

Esta semana, assisti um vídeo do movimento 4B feito pela Deutsche Welle (DW).  Não sabe o que é 4B?   É um movimento iniciado por feministas coreanas em 2016, o 4B é para "4 Nãos" em coreano:  não namoram homens, não se casam com homens, não fazem sexo com homens ou não têm filhos com homens.  Tenho mais de um post sobre o 4B, o mais importante é este aqui. A matéria é boa, mas associa o 4B, sem maiores discussões, à taxa de natalidade do país, que é de 0,72 filhos por mulher (*na verdade, ela aumentou um pouquinho em 2024*).  Zero discussão sobre como o capitalismo estimula a competição e aumenta enormemente os gastos com a educação dos filhos.  

Na mesma semana, uma matéria do IG, apontava que as crianças na Coreia do Sul começam a fazer cursinho ainda no jardim de infância e que a educação havia de tornado um "luxo privatizado", porque quem não tem como pagar esse extra educacional á se vê como um perdedor.  Mais adiante, é dito que a Coreia do Sul também é uma das nações mais caras do mundo para se criar uma criança: "De acordo com as informações divulgadas pelo jornal sul-coreano Chosun Ibo, criar um filho até os 18 anos na Coreia custa o equivalente a 7,79 vezes o PIB per capita, o que, em dinheiro vivo, se traduz em cerca de 365 milhões de KRW. Em segundo lugar ficou a China, com um custo de 6,9 vezes o PIB per capita, seguida pela Alemanha (3,6) e pela França (2,2)."  Então, quando vierem com esse papo de que o 4B, a vontade de alguns milhares de mulheres, está derrubando a natalidade, não acreditem.  Pode agradar a quem está liderando o movimento, pode servir de arma dos masculinistas contra as feministas coreanas, mas o problema vai além da resistência à violência misógina, passa pelo bolso mesmo.  Enfim, o vídeo está abaixo.  Tem legendas e dublagem em português.  Continuo depois dele.


Olhando esse vídeo, lá bem para frente, aparece uma militante lésbica que trabalha com cultura pop e é um tanto crítica ao 4B (*posso estar errada, mas o movimento parece coisa de mulher hetero mesmo*) e ela citou o revigoramento do teatro feminino coreano.  Como tenho pouquíssimos conhecimentos de Coreia, fui atrás de informações sobre o Jeongnyeon, o nome do teatro coreano no qual as mulheres fazem os papéis femininos e masculinos.  Seria anterior  ao Takarazuka?  Teria sido criado por influência japonesa?

Bem, o teatro Jeongnyeon foi criado em 1948.  Ele bebeu em outras formas de teatro feminino e o Takarazuka (*que nem era o único teatro musical feminino do Japão na primeira metade do século XX*) não foi a única fonte.  Nas pesquisas, acabei descobrindo que existe um teatro chinês feminino que só é menos popular no país que a Ópera de Pequim (!!!) e é patrimônio da UNESCO, a Yue Opera ou Shaoxing Opera.  A Yue Opera foi criada em 1906, o Teatro Takarazuka é de 1913.  A Yue Opera se tornou popular a partir de 1917, quando saiu da província do interior onde foi criado para Shangai e outros centros urbanos importantes.  E há alguns raros atores homens na Yue Opera, já  houve no Takarazuka, foram duas tentativas de integrar homens à Revue, mas eles não existem mais.  O Takarazuka tem uma inspiração no teatro de revista ocidental muito evidente e faz peças contemporâneas, ao que parece, e eu estou reunindo informações ainda, a Yue Opera e o Jeongnyeon optam por peças baseadas em histórias clássicas e mitológicas locais.

Um pôster da peça "Byeol Hana" de 1958, com as atrizes Kim Kyung-soo, à esquerda, e Kim Jin-jin.

Buscando mais informações sobre o Jeongnyeon, achei um artigo chamado "Female Masculinity and Cultural Symbolism: A History of Yeoseong gukgeuk, the All-Female Cast Theatrical Genre" (Masculinidade feminina e simbolismo cultural: uma história do Yeoseong gukgeuk, o gênero teatral com elenco exclusivamente feminino) de autoria de Ju-Yong Ha e publicado na The Review of Korean Studies.  Ele está disponível em inglês para download.  Não tive tempo de lê-lo, mas destaco uma parte do resumo:

Na história cultural coreana, a xamã mudang frequentemente assumia uma persona masculina, e na dança mascarada talchum, homens desempenham papéis femininos. No início do século XX, gisaeng, as artistas femininas, começaram a apresentar changgeuk, uma versão operística de pansori, que tinha uma tradição de artistas masculinos até então. Na Coreia pós-colonial, no final da década de 1940, outra versão do changgeuk foi criada por mulheres, com apenas cantoras. Esse gênero teatral, composto exclusivamente por mulheres, é conhecido como yeoseong gukgeuk. O legado do gisaeng, já desmantelado na década de 1930, foi reinterpretado e o yeoseong gukgeuk se desenvolveu, ganhando enorme popularidade entre o público majoritariamente feminino. Ver mulheres em papéis masculinos e, por meio dessa "masculinidade alternativa", libertou as mulheres coreanas de sua própria opressão. (...) a construção dos papéis de gênero na performance musical na Coreia na década de 1950 foi reinterpretada por artistas femininas, rompendo assim a masculinidade heroica social e cultural. As artistas apresentavam uma realidade idealista, juntamente com fantasias sexuais, que eram atraentes para o público feminino.

Mas esse teatro feminino estava em crise desde muito tempo.  Um dos motivos apontados é a falta de financiamento estatal e de grandes empresas, dificultando, inclusive, a criação de uma escola como a do Teatro Takarazuka.  Só que um K-drama do ano passado chamado "Jeongnyeon: The Star is Born" está ajudando a revitalizar o interesse pelo teatro feminino A história se passa nos anos 1950 e mostra a ascensão de uma jovem ao estrelato.  Pensou Kageki Shoujo (かげきしょうじょ!)?  Pois é, eu também. Como o governo coreano não é trouxa e sempre vê o potencial dos produtos da sua cultura pop, porque o Jeongnyeon é parte da cultura popular, se movimentou para promover um evento chamado "Korea's First Women's Opera: Women Who Became Legends" (A primeira ópera feminina da Coreia: mulheres que se tornaram lendas) através da Korea Cultural Heritage Foundation (Serviço de Patrimônio da Coreia).  Detalhe importante, "Jeongnyeon: The Star is Born" é baseado em uma webtoon. Tem scanlations em inglês.

De um lado o dorama, do outro a Webtoon.

Enfim, eu sempre gosto de descobrir coisas novas e descobri esses dois teatros femininos, o coreano e o chinês.  Preciso ler o artigo que citei e a entrevista que eu acho ser com a artista que disse que comentou sobre o Jeongnyeon.  Ela está aqui.  Se alguém se interessar e quiser que eu traduza, é só deixar algum comentário, imagino que não haverá nenhum (🤣), blogs não são mais tão populares e praticamente ninguém comenta aqui, inclusive por ter moderação, sem ela, não dou conta do chorume, porque esse tipo de comentário sempre aparece.  Concluindo, vou ficar de olho para ver se encontro mais alguma coisa sobre a Yue Opera e o  Jeongnyeon.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Finalmente temos data para o anime Awajima Hyakkei, baseado em mangá de Takako Shimura

Em 2024, foi anunciado que o mangá Awajima Hyakkei (淡島百景), de Takako Shimura, iria ter anime.   Na época, o mangá tinha acabado de terminar.  Tivemos um longo silêncio e, finalmente, a confirmação.  Na época, não havia scanlations  e eu esqueci deles, mas a série acompanha um grupo de adolescentes em uma escola de teatro musical ao estilo Takarazuka.  Acho que é sucesso garantido. 😄 Segundo o Comic Natalie e o Manga Mogura, sai este ano.  Takako Shimura é conhecida por suas séries sensíveis e por discutir questões de gênero, sexualidade e identidade de gênero, também.  

A série foi publicada nas revistas Pocopoco e Ohta Web Comic, da editora Ohta Shuppan.  O Estúdio será a Madhouse.  No CN, já temos a equipe principal, dubladoras, ainda, não, mas temos teaser trailer.  O anime sai este ano.

sábado, 3 de maio de 2025

"A Rosa de Versalhes" "1789"...Por que filmes e peças sobre a Revolução Francesa fazem tanto sucesso no Japão moderno? (Artigo traduzido)

Fui procurar a coluna de mangá lá no Yahoo Japão e acabei tropeçando nesse artigo, ele casa bem com esse momento de estreia da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), então, fui lá e traduzi.  A discussão em si é interessante.  E, se você quiser saber mais sobre Robespierre, deixo o link do podcast Historia FM sobre ela.  É interessante. Como sempre busco fazer, mantive a estrutura do artigo original, incluindo as imagens, sempre que possível.  Os links nos nomes de pessoas que estão no artigo, foram colocados por mim.  E a tradução foi feita com ajuda do Google Translator.  O artigo original está aqui.


"A Rosa de Versalhes" "1789"...Por que filmes e peças sobre a Revolução Francesa fazem tanto sucesso no Japão moderno?

A democracia está perdendo sua antiga glória

(Imagem do site oficial do filme de animação "A Rosa de Versalhes") (Shinchosha)

A peça "1789 - Os Amantes da Bastilha",[1] do Teatro Meijiza, terminou em 29 de abril com grande aclamação. Também em janeiro, foi lançada uma versão animada da obra-prima atemporal de Riyoko Ikeda, "A Rosa de Versalhes",[2] que tem sido um sucesso de longa data e continua em cartaz nos cinemas até hoje.

236 anos após a Revolução Francesa, por que a história de uma revolução civil que buscou derrubar a monarquia absoluta e estabelecer a democracia é tão popular no Japão, um país do Extremo Oriente?

Yuji Takayama, professor da Universidade Meiji especializado em história do pensamento político francês, diz: "Numa época em que a democracia está perdendo seu antigo brilho nos Estados Unidos e em outros países ao redor do mundo, talvez seja natural, em certo sentido, querer retornar aos ideais da Revolução Francesa."

O próprio Takayama publicou um livro no ano passado sobre o tema da Revolução Francesa, intitulado "Robespierre: Minshu Shugi o Sinjita 'Dokusai-sha'" (Shincho Sensho).[3]

Quando pensamos em Robespierre, podemos ter uma imagem negativa dele, como um ditador do Terror que expurgou seus oponentes políticos um após o outro e acabou sendo executado na guilhotina. Na verdade, ele é um político que tende a ser visto de forma excessivamente negativa, mesmo em sua França natal. No entanto, ele também tinha outro lado: um idealista que acreditava na democracia mais do que qualquer outra pessoa e tentava colocá-la em prática.

Quem foi realmente Robespierre?

No Japão, tanto Robespierre, interpretado por Asahi Ito em '1789: Os Amores da Bastilha', quanto Robespierre, interpretado por Kensho Ono [4] em 'A Rosa de Versalhes', parecem ser retratados favoravelmente como figuras idealistas. Acho interessante que seu lado positivo esteja sendo apreciado no teatro e no cinema japoneses", diz Takayama.

Então, que tipo de pessoa Robespierre realmente era? Apresentaremos um trecho editado do livro de Takayama, "Robespierre".

Robespierre (1758-1794) (Crédito: Pintor não identificado, CC0, via Wikimedia Commons)

O "ditador" da Revolução Francesa foi executado na guilhotina. Ele não conseguia falar porque seu maxilar havia sido quebrado pelos tiros que ocorreram durante sua prisão. Este líder, cuja eloquência lhe rendeu enorme apoio na França, especialmente em Paris, tentou dizer algo em seus momentos finais, mas não conseguiu.

Mais tarde, ele foi chamado de "ditador", e essa imagem se consolidou, mas havia um aspecto nele que o tornava diferente de outros "ditadores" da história. Ele acreditava na democracia e estava disposto a se dedicar a ela. Agora, num momento em que a desconfiança na democracia está mais alta do que nunca, quero saber no que ele acreditava.

A Revolução Francesa é um evento memorável na história da humanidade, pois desencadeou uma mudança decisiva na natureza do poder (soberania), de uma política baseada na "vontade" do rei para uma política baseada na "vontade" do povo. Em outras palavras, naquela época o povo buscava uma política na qual pudesse se sentir verdadeiramente "representado". Nesse sentido, pode-se dizer que foi o primeiro experimento moderno de democracia.

De fato, durante o período revolucionário, a unidade fanática entre os cidadãos e entre os cidadãos e o governo, e a obsessão pela "transparência" tornaram-se uma crença religiosa. Em particular, Maximilien Robespierre (1758-1794), conhecido como o "ditador" do Reinado do Terror, foi um fervoroso defensor da transparência e do consenso. "Eu sou um membro do povo." Pode-se dizer que Robespierre, que continuou dizendo isso, foi o populista original.

Robespierre foi chamado de "o homem íntegro" por seus contemporâneos.

Certamente, quando se pensa na Revolução Francesa, a forte imagem do jacobinismo, como "precisamos derrubar a classe dominante e ouvir a voz do povo", vem à mente. No entanto, o que é menos conhecido é que Robespierre dava grande importância ao papel dos representantes (deputados) e acreditava que eles deveriam construir um relacionamento transparente com o povo, representando o interesse geral. O que é necessário em um representante, então, é uma virtude que não esteja limitada por interesses individuais. O próprio Robespierre foi chamado de "um homem íntegro" por seus contemporâneos.

Robespierre é frequentemente retratado em relação ao Reinado do Terror, e pouca atenção é dada à verdadeira natureza da democracia e ao relacionamento transparente entre representantes e o povo que ele explorou ao longo de sua vida. No entanto, agora, num momento em que a desconfiança e a insatisfação com a democracia estão aumentando, gostaria de voltar minha atenção para essa visão. Esse era o aspecto dinâmico da democracia que Robespierre personificava mesmo quando estava à mercê da revolução, e também era um aspecto que foi posteriormente suprimido à medida que as democracias amadureciam.

Uma biografia crítica inovadora que questiona duramente o cerne dos problemas enfrentados pela democracia representativa moderna por meio da figura contraditória de um político que acreditava na democracia mais do que qualquer outra pessoa e tentou concretizá-la. "Robespierre: O ditador que acreditava na democracia"

Mesmo assim, a imagem de Robespierre como um "ditador" que governou o Reino do Terror se consolidou, e ele tem uma reputação pior do que a de outros "ditadores" da história, considerados mais cruéis. Seja Stalin ou Hitler, suas más reputações são especialmente impressionantes quando consideramos que às vezes dizem que fizeram "coisas boas". Em sua França natal, Paris, é costume dar nomes a ruas e outros lugares em homenagem às pessoas e às suas conquistas históricas, mas até hoje não há nenhuma rua com o nome dele (um vereador propôs isso em 2009, mas a proposta foi rejeitada pelo parlamento). Até Saint-Just tem uma rua com seu nome e há vários monumentos a Napoleão, só para oferecer um forte contraste.

No século XX, Albert Mathiez, um renomado historiador revolucionário que liderou o caminho para restaurar a honra de Robespierre, argumentou que, embora "alguns o odeiem como um monstro, outros o reverenciem como um mártir", ambos os lados estavam envolvidos nos interesses e paixões que cercavam a revolução, e que agora era a hora de se afastar disso e revelar a verdade. No entanto, é difícil dizer que suas opiniões sobre democracia foram avaliadas de forma justa desde então. Em suma, os pensamentos e ações de Robespierre permanecem envoltos em mistério. Este é um destino irônico para um político que acreditava na transparência, na honestidade e na capacidade de se revelar honestamente.

Por que isso aconteceu? Um motivo pode ser que ele era conhecido como um "homem íntegro" durante sua vida. É verdade que Robespierre não era uma pessoa muito sociável e não era o tipo de pessoa que geralmente era querida por aqueles ao seu redor. Ele era trabalhador e honesto, e exigia fortemente transparência e honestidade dos outros. Pessoas que temiam isso deram a ele imagens negativas de um "ditador" e um "tirano".

Outra razão pode ser que o governo democrático (democracia parlamentar) que foi estabelecido mais tarde pensou que seria mais conveniente espalhar apenas a imagem violenta do reinado de terror e não dar aos mortos a oportunidade de falar. Em outras palavras, no sistema democrático que perdura até hoje, pode ter sido desnecessário, ou até mesmo inconveniente, referir-se à forma original de democracia que Robespierre explorou.

Entretanto, mesmo que se negue o aspecto dinâmico da democracia que ele personifica, o desejo do povo de ser representado e o sentimento de alienação por não ser representado surgiram intermitentemente ao longo da história. O problema é que simplesmente negar esse desejo só aumentará a desconfiança e a insatisfação com a democracia, e há o perigo de que a democracia seja corroída por uma "política de ressentimento" que só desperta emoções. Dado que nenhum sistema político além da democracia pode atualmente possuir legitimidade, esta é certamente uma questão que não pode ser ignorada.

Hoje, a democracia está sendo disfarçada e usada pelos chamados líderes políticos "populistas" na Rússia, Europa Oriental e América do Sul para o benefício de indivíduos e certos interesses pessoais (o retorno dos oligarcas). E mesmo dentro do "Ocidente", à medida que visões positivas do autoritarismo se espalham, está se tornando difícil imaginar um futuro para a democracia que seja diferente do autoritarismo.

Nestes tempos, este livro explora as possibilidades, bem como a precariedade da democracia, traçando a mensagem deixada pelo homem conhecido como o "ditador" da Revolução Francesa. Será, por assim dizer, um esforço para mergulhar no lado obscuro desta era dramática em que a política democrática está nascendo, a fim de encontrar um raio de luz que aponte o caminho para a democracia que está por vir.

*Este artigo é uma versão editada de "Robespierre: O ditador que acreditava na democracia" (Shincho Sensho).

Departamento Editorial do Daily Shincho


[1] Não conhecia a peça 1789: Les Amants de la Bastille, que é francesa e teve a sua primeira montagem em 2012.  De lá para cá, ela teve uma montagem do Teatro Takarazuka (2023) e pelo menos uma com elenco misto (2025).  Achei vários vídeos da última montagem no Youtube.  Eis um deles.
[2] Fiz a resenha do filme animado, ele estreou na Netflix no dia 30 de abril.
[3] Em português seria algo como"Robespierre: O 'ditador' que acreditava na democracia", em japonês, o título original é ロベスピエール:民主主義を信じた「独裁者」.
[4] Robespierre chega a falar no filme?!  Preciso olhar de novo a parte dos Estados Gerais.