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sábado, 16 de maio de 2026

Mangá de Moyoco Anno vai virar musical nos Estados Unidos

O mangá Bikachou Shinshi Kaikoroku (鼻下長紳士回顧録) também conhecido como Memoirs of Amorous Gentlemen irá virar musical nos Estados Unidos.  Segundo o ANN, o musical estreará  em Nova York, no circuito Off-Broadway, neste outono. A peça será apresentada no The Night Egg, um novo teatro no bairro de Chelsea, em Manhattan, cujo nome faz referência ao bordel francês do mangá.  A direção e coreografia ficará sob a responsabilidade de Rob Ashford, vencedor do Prêmio Tony (Thoroughly Modern Millie, Curtains, Frozen).  O ANN traz outros dados sobre a produção.

No site da Shodensha, Anno descreve a produção teatral como o primeiro musical original em inglês baseado em um mangá japonês. O ANN observa que o mangá Death Note ganhou uma adaptação para os palcos criada por uma equipe nipo-americana, incluindo veteranos da Broadway, embora tenha estreado primeiro no Japão após ser traduzido de volta para o japonês. 

Preconceito meu, eu sei, mas nunca me interessei por ler esse mangá, histórias de prostitutas felizes ou conformadas com sua vida raramente irão me atrair, então, segue o resumo do Bakaupdates: "Os pervertidos são pessoas que conhecem a forma dos seus desejos. Eles traçaram cuidadosamente esses contornos como um cego que usa as duas mãos para medir a forma de um vaso. Colette trabalha num bordel no início do século XX em Paris, uma ocupação da qual não consegue escapar. Ela e as outras garotas se apoiam mutuamente, satisfazendo os desejos dos clientes, dia após dia. A única fonte de esperança em sua vida difícil era seus encontros com Léon. Mas Colette nunca podia ter certeza se Léon realmente a amava... A força das mulheres em seus prazeres íntimos; os desejos nus dos cavalheiros apaixonados."

A série começou a ser publicada em 2013 na revista Feel Young e chegou ao final em 2018, fechando com 2 volumes.  O Ministério da Cultura do governo japonês homenageou o mangá na 23ª edição do Japan Media Arts Festival Awards, em 2020.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Comentando Wicked for Good (EUA/2025): um filme sobre a força e a beleza de uma amizade inquebrantável

Sábado, assisti Wicked for Good e foi em casa mesmo, sessões legendadas são escassas e em horários e lugares que não me favorecem em nada.  Como quem leu minha resenha do primeiro filme deve lembrar, eu conheci Wicked por causa das matérias do filme.  Não sabia da existência dos livros de Gregory Maguire ou do musical até que apareceram as matérias sobre o filme. Estranhei um musical em duas partes, continuo achando estranho, mas entendo a escolha, era muita coisa para uma mesma película.  Assim como aconteceu com Zootopia, gostei mais do segundo filme.  Gostei mesmo, inclusive das músicas como conjunto.  Vou dar minhas razões ao longo da resenha.  E, claro, não garanto que não darei spoilers, acredito que para discutir tudo o que desejo, eles serão inevitáveis.  Segue agora um resumo: 

Cinco anos depois dos eventos do primeiro filme, Elphaba (Cynthia Erivo) e Glinda (Ariana Grande) estão separadas e devem enfrentar as consequências das ações e decisões que tomaram. Enquanto Elphaba segue demonizada como a Bruxa Má do Oeste, exilando-se na floresta de Oz, Glinda vive as glórias de ter se tornado o símbolo da Bondade no reino, uma peça de propaganda que mora no palácio da Cidade das Esmeraldas e desfruta da fama e do glamour de ser amada por toda a população. Algo que  parece deixá-la feliz e realizada.  Mesmo distantes, ambas continuam nutrindo um intenso sentimento de amizade uma pela outra.  Enquanto isso, Oz se torna um país ainda mais autoritário sob a orientação de Madame Morrible (Michelle Yeoh), agora ministra da propaganda, e até Nessarose (Marissa Bode), a irmã de Elphada, tornou-se uma governadora de Munchkinland sucedendo o pai e é implacável com seus cidadãos, mantendo Boq (Ethan Slater), seu amado, como prisioneiro.

Outro que se sente prisioneiro é o príncipe Fiyero (Jonathan Bailey), agora capitão da tropa de elite de OZ, a Gale Force.  Ele parece tentar se convencer de que está do lado certo, mas seu amor por Elphaba o impede de se enganar.  E ele não se sente confortável em ser usado como peça de propaganda em um casamento de conveniência com Glinda.  Já Glinda tenta acreditar que Fiyero a ama e tem esperança de intermediar uma reconciliação entre Elphaba e o Mágico de Oz (Jeff Goldblum).  As coisas parecem piorar, no entanto, com Elphaba se convencendo de que precisa se tornar a criatura má que a propaganda diz que ela é.  A chegada de uma garota do Kansas e a pressão da multidão para que ela e seu grupo de aliados, o homem de Lata, o Espantalho e o Leão Covarde (Colman Domingo) matem a Bruxa Má, é o teste final para a amizade das protagonistas que terminam tendo que se aliar novamente.

O segundo filme de Wicked, apesar de continuar sendo um musical, é muito mais carregado de drama, por assim dizer.  O primeiro era mais colorido e tinha um ar high school que me pareceu irritante em alguns momentos, porque mesmo todo mundo estando em uma faculdade (college), havia uniformes e todos se comportavam como adolescentes e ninguém do elenco parecia ser tão jovem para convencer nesses papéis.  Quem mais perdia era Jonathan Bailey, mas a passagem de cinco anos (*segundo a Wiipedia*), ajustou melhor as coisas.  Além disso, esse novo filme mergulha, ainda  que de forma diluída, afinal,  Wicked é para toda a família, por assim dizer, em uma  ditadura totalitária na qual a propaganda é fundamental para manter o Mágico no poder... Ou seria Madame Morrible?  Sim, porque é ela, a única além de Elphaba que parece capaz de fazer mágica, a mente por trás do regime.  E eu fiquei procurando qual seria a cena ruim de Michelle Yeoh nesse filme apontada pelo Dalenogare na crítica dele e não achei.  Tudo me pareceu estar de acordo com a proposta do filme mesmo.

Assim como no primeiro filme, Elphaba e Glinda parecem mais equilibradas, ambas são protagonistas, ainda que nesse segundo filme a atenção para a Bruxa Má do Oeste pareça ser maior.   Eu não consigo ver Ariana Grande como coadjuvante; ela é tão protagonista quanto Cynthia Erivo.  E ela brilha em todas as suas cenas e Glinda é a personagem mais cheia de contradições.  Ela conseguiu o que desejava, a fama, a admiração, mas entrou em uma gaiola.  Quando ela finalmente toma consciência disso, de que ela não é mais que um objeto manipulado por Madame Morrible, que parece ter perdido tudo, Fiyero, que nunca a amou, e Elphab, sua única amiga de verdade, ela precisa fazer escolhas difíceis, sair da sua zona de conforto e romper com todo assujeitamento a uma representação de mulher que lhe foi imposta desde a infância.

E foi muito legal a forma como as músicas, as minhas favoritas do primeiro filme, foram revisitadas de forma melancólica.  Temos  algumas notas de "Popular" e, principalmente, Glinda cantando "I'm not that Girl", quando a jovem conclui que ela nunca foi "a garota" no coração de Fiyero e isso é um choque, porque ela sempre se esforçou para ser perfeita em tudo e acreditava  nisso até então.  Como ele poderia preferir outra?  E talvez a magreza excessiva de Ariana Grande sirva para reforçar essa fragilidade de Glinda, o fato de ela ser vista por Morrible como uma bibelô desprovida de cérebro e coração, uma representação de uma feminilidade frágil, fútil e manipulável.  E a música nova, "the Girl in the Buble" é perfeita para ajudar a mergulhar nos sentimentos da personagem que, nessa altura da história, já estava em conflito consigo mesma.  Não se trata de uma música fraca, não.

Falando de Cynthia Erivo, ela continua impressionante.  Ela confere uma dignidade tão grande para Elphaba, ela tem uma presença tão forte que, mesmo em cenas menores, não há como não admirá-la.  É uma atriz com uma presença cênica muito marcante.  Seu papel no segundo filme é mais de ação; ela é alçada à vilã de Oz pela campanha difamatória do estado.  Todo Estado totalitário precisa de inimigos; os animais falantes e pensantes foram os primeiros; Elphaba é a segunda.  Criar um grande inimigo é uma forma de manter o medo e garantir a coesão social, ao mesmo tempo que a alienação é estimulada, afinal, as pessoas não podem começar a fazer perguntas simples, elas precisam acreditar e ser capazes de qualquer coisa.  Vide a sequência com Dorothy e seus companheiros sendo enviados para matar a bruxa.  Enfim,  Wicked mostra muito bem e de forma bem didática  a construção de um Estado totalitário, mas se quiserem uma sugestão de livro, recomendo Como Funciona o Fascismo: a Política do “nós” e “eles”.  

Elphaba tem algumas cenas muito boas  e carregadas de emoção que servem para mostrar o quanto a atuação de Erivo é forte.  Destaco o encontro com a irmã e não concordo com descrições que li por aí de que Nessarose seria uma fanática religiosa.  Talvez, nos livros, mas, no musical, ela é somente uma mulher frustrada e que se sente inferiorizada pela sua deficiência.  Com o poder que herdou do pai, ela comete o erro de prender perto de si o homem que ama (*destruindo-o*) e se ressente de Elphaba talvez por não poder fazer o mesmo com ela.  O destino de Nessa é cruel e desencadeado pelo único ato realmente mesquinho de Glinda, ainda que a grande responsável, que fique claro, não seja a personagem de Ariana Grande, até porque ela não tem poderes para isso.   

As interações com Glinda rendem sempre excelentes cenas para as duas.  Afinal, trata-se de um filme sobre amizade entre duas mulheres muito diferentes.  Amizade feminina, ainda que eu olhe para as duas desde o primeiro filme e as imagine mais como um casal, vivendo um amor mais intenso do que o de Elphaba e Fiyero.  E sei que se for procurar fanarts, os encontrarei aos montes.  Estabelecido que é um filme sobre a imensa e inquebrantável amizade entre duas mulheres, só perdoo por terem colocado as duas brigando por macho, porque a sequência periga ser a mais engraçada do filme inteiro e as duas pareciam estar se divertindo muito.  De verdade mesmo.  

Outro ponto alto da atuação de Elphaba é durante a música "No Good Deed", na qual ela  pranteia a morte da Bruxa Má do Leste e tenta salvar Fiyero da tortura e da  morte.  É uma música muito potente e que mostra todo o desespero e urgência da personagem, sua decisão de se tornar má de verdade e se vingar.  E, sim, há o dueto final com Ariana Grande e toda a sequência em que Dorothy sela o destino de Elphaba.  Acho que se eu assistisse ao filme no cinema, se conseguisse ter a imersão necessária, eu talvez chegasse às lágrimas nesse momento do filme.  E a graça é que não é  o final, ainda temos coisas a resolver depois e, ainda assim, não há uma barriga de fim de filme, que geralmente é um negócio que atrapalha a experiência de assistir à película.   

 Se eu tivesse que eleger uma sequência fraca no filme inteiro, é a da fuga  dos animais em que Elphaba canta a música "No Place Like Home".  A chamada à resistência não se sustenta, os animais estavam fragilizados e a música é a menos interessante do conjunto.  Se a sequência fosse retirada, ela não faria falta e tornaria o filme mais enxuto.  Curiosamente, o conjunto das músicas me pareceu melhor no segundo filme do que no primeiro, ainda que "Defying Gravity" seja a grande música de Wicked, a  mais lembrada, seguida de "Popular".  Aliás, quando, já no final do filme, Elphaba revisita "Defying Gravity", agora, em tom melancólico e se mostrando frustrada, se achando incapaz de continuar lutando, é excelente.

E vamos falar de Jonathan Bailey!  Gosto muito do ator, o considero um dos grandes galãs do cinema e TV da nossa época e ele está ótimo no segundo filme.  E temos dois motivos: agora ele parece ter a idade certa para o papel e tem ótimas cenas. Ele é a personagem que pareceu mais madura nesse segundo filme, porque Elphaba já estava pronta, Glinda vai se conscientizando ao longo da película, enquanto Fiyero se mostra incomodado desde o início de fazer parte do sistema.  Ele parece não acreditar, mas se deixar levar pelos acontecimentos.  E ele não tem nenhuma dificuldade  de escolher um lado, tampouco tem dúvidas sobre quem é a mulher que ele ama e com quem deseja ficar.  Noivo sem que lhe perguntassem nada, porque ele e Glinda são peças de propaganda, ele acaba se juntando à resistência, por assim dizer, e pagando um alto preço.  Aliás, os três personagens masculinos do filme, Fiyero, Boq e o próprio Mágico são prisioneiros, por assim dizer.


E a música e sequência de que eu mais gostei do filme são quando Fiyero foge com Elphaba e conhece o seu esconderijo.  O olhar e o rosto do ator demonstrando todo o espanto e satisfação por Elphaba lhe permitir penetrar a sua intimidade.  "As Long as You're Mine" é uma canção sobre duas pessoas que se amam desesperadamente e já começam a se livrar das roupas e decidem se entregar (*e  fazer amor*), ainda que seja por uma única vez. Elphaba que crê será, já Fiyero lhe jura amor eterno e ele, ao se juntar à bruxa, tornou-se um pária. E é muito bonita a interação dos dois.  É uma sequência com um erotismo muito tênue e delicado.  Bonita mesmo.  E eu entendi as  reclamações sobre o desrespeito durante as apresentações do musical em São Paulo, porque como as pessoas tiveram coragem de xingar Elphaba quando ela diz, já nos braços de Fiyero, depois de acreditar que ela nunca iria ser a garota, que pela primeira vez se sente "wicked", de nomes horrorosos.  Como se ela tivesse "roubado" Fiyero de Glinda.  Gente cretina. E uma reclamação é que o ator está com a barba por fazer.  Ou tem barba ou não tem, ainda mais levando-se  em conta que ele era um militar e o modelo para todos por ser noivo de Glinda.  Não que ele não me pareça bonito de  qualquer jeito, que fique claro.

Falando da cidade de Oz, eu vi muito da capital de Jogos Vorazes nesse segundo Wicked.  Sim, Wicked, o musical, é bem anterior,  estreou em 2003, mas estou falando do diálogo com os filmes de  Jogos Vorazes, que vieram antes.  A futilidade dos habitantes da capital, todo o investimento no espetáculo para o controle social e por aí vai.  Como nunca assisti ao musical, esperava mais de Dorothy no filme.  A gente mal vê a garota.  Aliás, não vê seu rosto em nenhum momento, se bem me lembro, ou o vemos muito rápido.  É compreensível o ódio de Elphaba, afinal, ela queria os sapatos de sua irmã como recordação, fora a morte de Nessa mesmo.  E gostei do desfecho, porque não sabia como seria apresentada a morte da Bruxa Má do Oeste, e ela segue o original, não que eu tenha lido os livros, eu assisti foi O Mágico de Oz de 1939.

Interessante a discussão sobre a manutenção da versão de que Elphaba era realmente má como forma de garantir uma transição menos traumática para tempos melhores.  Afinal, eliminado o grande inimigo, redimidos os animais, Oz pode se tornar um lugar melhor.  E, não, não posso detalhar essa parte, porque teria  que dar muitos spoilers, mas digo que o diálogo sobre revelar a verdade não adianta nada, porque as pessoas continuarão acreditando no que querem acreditar, no que for mais cômodo, se remete a um comportamento de seita que, aqui, no Brasil, conhecemos bem.  Ajudou a eleger um presidente, aliás...  Espero que vocês assistam ao musical.  Eu ainda vou observar se aparece uma sessão legendada.  Ano passado, eu assisti na semana do Natal, em uma sessão que apareceu de repente.

Faltou falar do figurino.  Bem, ele continua interessante e competente, mas não trouxe surpresas.  Achei o vestido de noiva da Glinda elegante, mas muito preguiçoso, lugar comum, mas toda a sequência com as borboletas, a entrada da noiva, foi bem bonita mesmo.  Só espero que as borboletinhas sejam de CGI ou IA, sei lá.  E  não acho que Wicked vai levar o Oscar esse ano novamente em figurino.  Acredito que deve ir para Frankestein, mas imagino que Wicked leve o prêmio do sindicato na categoria fantasia e o filme da Netflix pegue o de filme de época.  Vamos ver como fica essa disputa, mas não deve repetir, não.

Concluindo, Wicked é, definitivamente, um filme feminista.  Esse filme dois deixa isso tão claro que eu não consigo não imaginar que parte das reclamações dos críticos homens resida aí, no peso que foi dado à relação entre Elphaba e Glinda, talvez, também no fato de todas as personagens masculinas serem muito mais fracas que as duas.  Eles não estão acostumados, não estão mesmo, a ter um filme que se preocupe sem culpa alguma em falar de mulheres, seus sentimentos, sua amizade.  E recomendo a crítica de Fernanda Talarico para o UOL, porque ela vai direto ao ponto.  É como o incômodo com shoujo mangá.  Além disso, Wicked é cheio de metáforas muito explícitas ao racismo, LGBTfobia (*e o Chris Gonzatti fez mais de um vídeo sobre isso*) e totalitarismo.  Enfim, o timing é perfeito, porque vivemos tempos tenebrosos.  Mas o filme deixa a esperança, mesmo que nem todas as mentiras possam ser reveladas.

domingo, 16 de novembro de 2025

Mangá Seinen de época vai virar peça do Takarazuka

O Igor, meu especialista  em Teatro Takarazuka, tinha me passado a informação de  que o mangá Nami Uraraka ni, Meoto Biyori (波うららかに、めおと日和), também conhecido como A Calm Sea and Beautiful Days with You, iria virar peça  musical.  Ele achava que a obra de Nishika Hachi era shoujo ou josei, mas é um seinen, é publicado na plataforma Comic Days da Kodansha e, quando saiu encadernado, foi colocado no selo da revista Morning, sinalizando como a editora percebe o material.  Mas trata-se de mais uma daquelas obras que caem no nicho da Era Taisho (1912-1926) como lugar de conforto (*mesmo se passando ligeiramente depois*), principalmente para as mulheres.  Traduzi um artigo sobre isso, que cita a série e explica por qual motivo ela deve ser perfilada junto com um Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚), por exemplo.  O fato é que eu estava no trabalho quando ele me enviou a notícia e eu acabei esquecendo e fiquei nervosa achando que poderia ser o anúncio de Poe no Ichizoku (ポーの一族)... Ufa!  Não era.

Para quem não conhece o mangá, o ponto de partida da história é o seguinte: "Na primavera, Natsumi, de 20 anos, recebe uma proposta de casamento de Takiaki Masashi, militar da Marinha Imperial. De repente, ela se vê casada! Com pouca experiência em assuntos domésticos e também em relações amorosas, o casal inicia sua vida a dois com a mais cândida pureza! Quando a brisa do mar sopra, penso em você. Uma história de um casal que vive no Japão pré-guerra, na primavera, no verão, no outono e no inverno, humilde e terno.".  Com uma circulação acumulada de 1,9 milhão de cópias, a obra foi adaptada para um dorama televisivo na Fuji TV em abril de 2025.  A série está disponível no Viki.

Enfim, a adaptação do teatro feminino Takarazuka será feita pela Snow Troupe (Yukigumi) e será a estreia da nova dupla principal composta por Jun Asami (otokoyaku) e Yui Neiro (musumeyaku).  As apresentações acontecerão entre 13 e 30 de abril de 2026, as vendas dos ingressos começam em 1º de março.  A foto do post é do dorama, ainda não temos imagens das atrizes do Takarazuka caracterizadas.

sábado, 15 de novembro de 2025

Poe no Ichizoku vai ganhar nova peça no Teatro Takarazuka

Poe no Ichizoku (ポーの一族), em português poderia ser O Clã ou a Família Poe, é uma das obras mais importantes de Hagio Moto.  Originalmente publicado entre 1972 e 1976 na Bessatsu Shojo Comic, conta com 5 encadernados, que foram publicados em diferentes formatos, mais gaidens que saíram na última década na revista Flowers.  Poe  no Ichizoku é uma história de vampiros e tem a seguinte premissa:

"Em 1744 , os jovens Edgar e Mary Bell foram abandonados no meio da floresta e acolhidos e criados pela idosa Hannah Poe. Os dois cresceram saudáveis ​​e normais, mas a idosa Hannah e a família Poe eram vampiros, conhecidos como "vampanella". Quando Edgar tinha 11 anos, descobriu o segredo da família e foi forçado a prometer que se juntaria a eles quando atingisse a maioridade. Em troca, ele entregou Mary Bell para adoção em uma cidade distante, para evitar que ela se envolvesse nos problemas. Em 1754 , Edgar, de 14 anos, planeja fugir de seu clã antes de atingir a maioridade. Quando os aldeões descobrem sua verdadeira identidade, a velha Hannah é morta com uma estaca atravessada no peito. No entanto, seu marido, o Rei Poe, o homem de sangue mais forte do clã, força o relutante Edgar a se juntar ao clã, deixando-o para sempre um menino.

Três anos depois, aos 13 anos, Mary Bell reencontra Edgar como vampiro e deseja se juntar à família. Os dois passam mais de 100 anos juntos, adotando o Barão Portnell e sua esposa, Sheila, como seus pais adotivos. Contudo, em 1879, assim que começam a viver na cidade em busca de um sacrifício, um médico que descobre suas verdadeiras identidades faz com que Mary Bell e Sheila desapareçam, e o Barão Portnell segue o mesmo destino.  Após perder sua amada irmã, Edgar mergulha no desespero e na tristeza, mas acolhe Alan Twilight em sua família, e os dois passam quase 100 anos juntos. Contudo, em 1976, um ponto de virada crucial acontece para ambos."

Esta semana, o teatro feminino Takarazuka anunciou que  fará uma nova peça baseada em Poe no Ichizoku em 2026. No Takarazuka, as atrizes que fazem os papéis masculinos são chamadas de otokoyaku e as que fazem os papéis femininos são as musumeyaku.  A adaptação será da Snow Troupe (Hanagumi) e a peça ficará em cartaz de 11 de julho a 23 de agosto em Hyogo e, em seguida, de 12 de setembro a 25 de outubro em Tokyo. Shuuichirou Koike é o diretor e roteirista, e a peça será estrelada por Jun Asami (otokoyaku) e Yui Neiro (musumeyaku).  

O Takarazuka Revue já havia feito duas adaptações do mangá de Hagio Moto em 2018 e em 2021, ambas dirigidas por Koike.  Agora, é esperar fotos com as atrizes caracterizadas; a foto acima é da montagem de 2021 com Rio Asukai (otokoyaku), Saiyo Senna (musumeyaku) e Hikaru Yuzuka (otokoyaku).  As informações vieram do ANN e do Comic Natalie

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Binan Koukou Chikyuu Bouei-bu LOVE! LOVE! terá peça musical em outubro

Binan Koukou Chikyuu Bouei-bu LOVE! LOVE! (美男高校地球防衛部LOVE!  LOVE!) é o nome da peça musical baseada na série de mesmo nome, o primeiro mahou shounen, e que virou uma franquia que reúne light novels, mangá, anime e games.  Segundo o Comic Natalie, a peça teatral ficará em cartaz de 9 a 13 de outubro no Hulic Hall Tokyo, em Tokyo.  A peça comemora os 10 anos do primeiro anime e o resumo da história é o seguinte:

"Os cinco membros do Earth Defense Club da Binan High School lutaram contra monstros como os "Battle Lovers", herdeiros do trono do amor, enchendo a Terra de amor. De repente, uma misteriosa unidade de ídolos galácticos do espaço sideral, VEPPer, aparece diante deles. Os irmãos gêmeos, populares e talentosos, ameaçam o amor e a paz da Terra e atrapalham o Defense Club. Mais uma vez, o Clube de Defesa se transforma através do "Fazer Amor" e se envolve em batalhas contra os monstros. Será que eles conseguirão derrotar os planos do VEPPer e proteger a Terra com o poder do amor?"  Esta matéria do CN está aberta aqui no meu computador desde sei lá quando, porque

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Kageki Shoujo!! entra na reta final

A mangá-ka Kumiko Saiki anunciou no Twitter que Kageki Shoujo!! (かげきしょうじょ!!) entrou em sua reta final.  Segundo o post, a série está nos seus capítulos finais e falta somente um volume para o encerramento da série.  Kageki Shoujo! (com um ponto de exclamação) começou a ser publicado na revista Jump Kai da Shueisha em 2012, e encerrou a serialização original depois que a revista encerrou sua publicação em outubro de 2014.  Eu tenho o primeiro volume dessa versão seinen (*que é igual a shoujo*) e que em recomendação escrita no obi (*a cinta de papel que envolve o mangá*) feita por Riyoko Ikeda.  A autora retomou a série com o título Kageki Shoujo!! (com dois pontos de exclamação) na revista Melody da Hakusensha em 2015. Kageki Shoujo!! foi indicado ao prêmio de Melhor Mangá Shoujo no 44º Kodansha Manga Award em 2020.  A série teve anime em 2021, que bem que poderia ter uma segunda temporada.

Kageki Shojo!! acompanha  jovem Sarasa na elitista escola Kouka de Teatro e Música (*inspirada do no Teatro Takarazuka*).  Sarasa é apaixonada pela Rosa de Versalhes, clássico de Riyoko Ikeda, e deseja ser Oscar, pois se apaixonou pela obra após assistir a um espetáculo musical do Kouka.  Só que há vários obstáculos a superar, um deles bem complicado, Sarasa é alta demais e mesmo sendo um otokoyaku (*atriz especializada em papéis masculinos*), Oscar não pode ser mais alta que André, ou Fersen.  

Enfim, a última edição da revista Melody trouxe uma conversa entre Riyoko Ikeda e Kumiko Saiki para celebrar os 30 anos de carreira da autora de Kageki Shoujo!!  Se você clicar na tag verá todos os posts que eu fiz sobre Kageki Shoujo!!  No momento, Kageki Shoujo!! conta com 16 encadernados publicados.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Saiu o primeiro cartaz da peça do Teatro Takarazuka sobre Alexandre, o Grande


Em abril, comentei que o mangá Alexander Daiou ーTenjou no Oukokuー (アレクサンダー大王 ー天上の王国ー), de Michiyo Akaishi, iria virar uma peça do Takarazuka, o teatro musical feminino japonês.  A série de 1998 cobre a infância e adolescência de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.), rei da Macedônia e conquistador de toda Grécia, do Império Persa e muito além.  O mangá se centra na relação entre Alexnadre e Heféstion, além de criar uma mercenária chamada Sanne.  Anteontem, o Igor, que é a pessoa que eu conheço que mais entende de Takarazuka, me passou o cartaz da peça.  

Enfim, meu amigo Igor estava empolgadíssimo, porque é a primeira vez que vemos a Ruri Hanaka como Sanne e a Kishou Kazuto como Heféstion. E ele me deu uma curiosidade, a atriz que faz  Heféstion, é bisneta do fundador da companhia, o Kobayashi Ichizou.  É esperar mais imagens.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Acho que essa é a música que mais gostei desse filme da Rosa de Versalhes (*até agora*)

A produção do filme da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) está fazendo uma grande propaganda da trilha sonora do filme e não é para menos, afinal, trata-se de um musical.  E eu estou curiosa para ver, não vou mentir.  Enfim, a última música, e colocaram a sequência que está no filme e está disponível no perfil do filme no Youtube.  Ela se chama “Believe in My Way”.  Ela é cantada por Miyuki Sawashiro (Oscar), Aya Hirano (Maria Antonieta), Toshiyuki Toyonaga (André) e Kazuki Kato (Fersen).  A versão integral está aqui.

domingo, 29 de dezembro de 2024

Comentando Wicked: Uma fábula musical sobre intolerância e manipulação política

Sábado passado, assisti Wicked e minha resenha está atrasada, MUITO atrasada.  Gosto muito de musicais, mas confesso que só fui saber da existência de Wicked quando o filme foi anunciado.  Também não conhecia o livro de Gregory Maguire, que serviu de inspiração para a peça musical.  Uma simples pesquisa na internet, no entanto, é capaz de mostrar o quão popular Wicked é nos Estados Unidos e que o filme, mesmo sendo em duas partes, foi recebido positivamente e já se tornou um dos favoritos a indicações no Oscar.  Eu gostei de Wicked, as músicas são muito boas e Cynthia Erivo e Ariana Grande estão excelentes, mas leiam minha resenha como um texto de quem não tem nenhuma ligação emocional com o material, porque eu não tenho mesmo.  E vamos para o resumo, estou usando o do Ingresso.com

"Wicked é o prelúdio da famosa história de Dorothy e do Mágico de Oz, onde conhecemos a história não contada da Bruxa Boa e da Bruxa Má do Oeste. Na trama, Elphaba (Cynthia Erivo) é uma jovem como outra qualquer do Reino de Oz, mas incompreendida por causa de sua pele verde incomum e por ainda não ter descoberto seu verdadeiro poder. Sua rotina é tranquila e pouco interessante, mas ao iniciar seus estudos na Universidade de Shiz, seu destino encontra Glinda (Ariana Grande), uma jovem popular e ambiciosa, nascida em berço de ouro, que só quer garantir seus privilégios e ainda não conhece sua verdadeira alma. As duas iniciam uma inesperada amizade; no entanto, suas diferenças, como o desejo de Glinda pela popularidade e poder, e a determinação de Elphaba em permanecer fiel a si mesma, entram no caminho, o que pode perpetuar no futuro de cada uma e em como as pessoas de Oz as enxergam."

Assisti O Mágico de Oz (1939) acho que umas duas vezes, sei que assisti outras produções baseadas no livro, mas nunca o li.  Quando comecei a organizar esta resenha, fui descobrindo que O Mágico de Oz (1900) é somente o primeiro de uma série de livros escrita por  L. Frank Baum e que outros autores e autoras já produziram material no universo criado por ele.  Wicked, o livro de Gregory Maguire é somente um deles (*e é o primeiro de uma série*) e tem uma abordagem adulta.  Qualquer artigo sobre Wicked vai enfatizar que o musical se afasta bastante do livro, o que não é incomum em casos como esse.  Um musical é uma releitura do livro e do filme de 1939, já o filme é uma releitura da peça musical.  Resumindo, Wicked, o filme, é um derivado de um derivado.

Quando comentei no Twitter que não gostei do filme ser dividido em duas partes (*e não gostei mesmo*), alguém deixou um comentário dizendo que não dava para adaptar o livro em um filme só.  Bem, não é uma adaptação do livro, mas do musical.  Já no Facebook, um ex-aluno que ama o musical veio pontuar no Facebook que se cortassem uma música sequer do espetáculo da Broadway, os fãs iriam ficar furiosos.  OK, só tenho a dizer que dado o sucesso de público e crítica do filme, materializando-se em enorme retorno econômico, dividir em duas partes não teve impacto nenhum.  Só espero que a segunda parte não atrase e eu consiga assistir no cinema novamente.

O filme é centrado na relação entre Elphaba e Glinda, começando com a bruxa boa explicando as origens da malvada.  A primeira música do filme, "No One Mourns The Wicked", algo como "ninguém lamenta a morte dos perversos", mostra os habitantes de Oz celebrando a morte da "vilã".  Glinda se mostra visivelmente incomodada pela celebração, mas atende ao pedido e conta a história de sua "amizade" com Elphaba.

Segundo o relato, Elphaba nasce de um adultério e seu estigma (*resultado da traição/pecado da mãe?*) parece ser sua pele verde, que causa repulsa ao pai e à mãe.  Sua irmã menor, Nessarose (Marissa Bode), também não se enquadra nos padrões de normalidade e perfeição de OZ, ela é PCD (*assim como a atriz que a interpreta*), e o pai, que é governador de uma província de Oz, culpa Elphaba por sua condição, afinal, ele obrigou a mãe a tomar um "remédio" que garantisse a normalidade da segunda filha.  O excesso do medicamente, segundo Elphaba conta para Glinda mais tarde, causou prematuridade da menina, sua deficiência e a morte da mãe.

Elphaba só recebeu genuíno amor de sua babá, que é um animal falante.  Em OZ, há animais comuns e animais com consciência.  Uma das questões centrais do filme é como esses seres, outrora ajustados à sociedade de OZ, estão sendo demonizados e perseguidos.  Trata-se de uma "caça às bruxas" visivelmente inspirada no Macarthismo, perseguição aos supostos comunistas e aos LGBTQ+ promovida nos Estados Unidos no início dos anos 19.  Essa política de medo e de busca pela "normalidade" são as referências mais fortes em Wicked, acredito, e, não, o nazifascismo.  Obviamente, não haveria Macarthismo, sem fascismo, que fique claro, mas muita gente esquece desse momento tenebroso da história dos EUA e que pode ser revivido com as políticas prometidas por Donald Trump.

Enfim,  Elphaba, que sentiu na pele a discriminação, afinal. ela é verde, se posiciona ao lado dos animais e estabelece uma relação próxima com um dos últimos professores animais de Shiz, Dr. Dillamond (Peter Dinklage).  Ele é professor de História e o filme estabelece uma discussão muito pertinente sobre a importância de conhecer o passado, neste caso, que animais e humanos já conviveram harmonicamente. Criar um inimigo é uma das formas mais eficazes de conseguir garantir a união de um povo através do medo para que ele siga cegamente um líder carismático.  No caso do filme, é o Mágico de Oz (Jeff Goldblum), que é um picareta, algo que é sabido por qualquer um que tenha tido qualquer contato com materiais ligados ao mundo de OZ.  E a coisa nem é escondida, o próprio Mágico irá enunciar isso.

Enfim, Elphaba tem poderes desde a infância, ela não tem controle sobre eles e tenta escondê-los.  Ela não iria estudar em Shiz, foi levada pelo pai até a instituição simplesmente para garantir que sua irmã fosse acomodada e se sentisse segura,  É a descoberta das suas capacidades que faz com que Madame Morrible (Michelle Yeoh), responsável pela disciplina de feitiçaria, mexesse seus pauzinhos para que Elphaba ficasse na universidade.  Apesar de todo esforço de Glinda, a professora não vê mérito nela, pelo menos, não pela sua capacidade de fazer magia.  Em um ambiente hostil, que lembra um filme high school e, não, uma universidade, Elphaba tem como único consolo o apoio de Madame Morrible e sua identificação com o Doutor Dillamond.

Isso, claro, até que a relação dela com Glinda, com quem divide o quarto, se torna amizade.  Glinda, que era Galinda, mas adota esse nome como uma forma vazia de parecer simpática aos direitos dos animais (*o Doutor  Dillamond pronunciava seu nome assim*), é a princesinha da escola.  Modelo de beleza e carregando nos ombros a exigência de sempre parecer perfeita.  Ela não é má, ela só foi educada para ser fútil e normal, no sentido de não desviar das expectativas de classe social (*ela é rica*) e de gênero (*roupa impecável, pele e cabelos perfeitos, aparentando sempre gentileza etc.*). Elphaba também quer ser normal e a convivência com Glinda, vai fazer com que ela, pelo menos por algum tempo, se esforce para se enquadrar.  Sua pele, no entanto, já é uma marca de diferença incontornável.

E Ariana Grande está perfeita no papel de Glinda.  Ela é muito, muito simpática, ela canta e dança muito bem.  Fora isso, à despeito da presença de Jonathan Bailey (*falo dele daqui a pouco*), há uma química muito grande entre Ariana Grande e Cynthia Erivo.  Sim, elas são amigas, mas se o roteiro quisesse, elas poderiam ser mais que isso e seria totalmente crível.

O bonitinho no Jonathan Bailey entra na história para ser o objeto do desejo de todo  mundo.  Ele é o príncipe Fiyero, um playboy que já foi expulso de várias outras instituições de ensino.  Como ele é perfeito e maravilhoso (*em "Dancing Through Life", sua música de apresentação, ele seduz todo mundo é um dos pontos altos do filme*), Glinda acredita que o príncipe é seu parceiro ideal e meio que toma posse dele.  Só que Fiyero termina se encantando por Elphaba e descobrimos que ele não é tão superficial quanto ele quer parecer diante dos olhos da sociedade.  

E temos uma música lindíssima cantada por Elphaba quando ela descobre que o ama.  Em "I'm Not That Girl", ela canta "Ele poderia ser aquele garoto/Eu não sou aquela garota". Homens como Fiyero ficam com mulheres como Glinda.  Usei "homem" e "mulher", porque o elenco do filme é bem adulto, mas a música em si me parece coisa pensada para ser cantada pela mocinha adolescente esquisita do filme high school.  Pelo menos nessa primeira parte do filme, mesmo sendo uma universidade o cenário principal, as interações são bem juvenis.

Fico me perguntando se ele descobre que não é um imbecil ao se aproximar de Elphaba, ou se ele estava fingindo que era um idiota por algum motivo... Não busquei spoilers, deixa chegar o outro filme.  Descobrir que Jonathan Bailey canta foi maravilhoso, agora, ele me parece velho demais para fazer Fiyero.  Lindo e talentoso do jeito que ele é, ainda assim não há jeito dele parecer ser novinho como a personagem deve ser.  Vê-lo como Fiyero, tentando parecer um quase adolescente, é como ver o Oscar Isaac como Poe Dameron, piloto esquentado e tolinho que só poderia ser convincente de verdade se interpretado por um ator mal saído da adolescência, como um Tom Holland (*na época*).  Sei que é necessário suspensão de descrença, mas é complicado.  

No fim das contas, Elphaba é acolhida e traída por Madame Morrible.  Ela tem poderes, ela pode não parecer "normal", mas ela é útil ao Mágico de Oz e o final do primeiro filme ocorre na capital.  Só que Elphaba não aceita se submeter, não quer pertencer a um mundo corrupto. Nasce a Bruxa Má do Oeste (Wicked Witch of the West). Já Glinda, não tem a coragem de romper, mesmo tendo as mesmas informações que Elphaba.  Só que ela não parece ter poderes, quero ver como vão explicar o fato dela se tornar Glinda, a boa.  Pelo tom melancólico de Glinda ao contar a história de (ex)amiga, colocando sobre Elphaba os estigmas que a propaganda do Mágico de Oz criou, talvez ainda exista salvação para ela.  Já Madame Morrible, bem, me pergunto se ela tem poderes de fato, ou é uma picareta como o Mágico de Oz.

Idina Menzel e Kristin Chenoweth, que originalmente fizeram Elphaba e Glinda na primeira montagem da Broadway (2003), fazem uma bela aparição em uma peça teatral, quando as protagonistas estão visitando a capital de Oz.   Quando temos a peça dentro do filme, imaginei que fosse uma homenagem e foi.

Caminhando para o final, Wicked é um filme inclusivo, porque temos em tela todos os tipos de pessoas em cena.  É a pele de Elphaba que marca a sua diferença, porque ninguém é verde.  O Sociocrônica tem um vídeo recente sobre essa questão, de como cores de pele diferentes (*nesse sentido bizarro: verde, vermelho, laranja etc.*) são códigos para se discutir o racismo sem chocar a audiência e driblando a censura, não que Wicked não esteja consciente daquilo que deseja comunicar, obviamente.  Com toda a diversidade, porém, há padrões a serem atingidos e Glinda é esse padrão e para se manter nele, ela precisa se esforçar.  Por isso mesmo, temos aquela cena clichê do espartilho.

Falando de figurino, Shiz é universidade, mas tem uniforme escolar (!!!). E há uma diversidade de roupas para se ajustar a gostos e identidades de gênero diferentes, eu imagino.  Glinda usa suas próprias roupas (*e o vestido peixe do baile é absolutamente LINDO*), assim como Elphaba, mas o resto do elenco está uniformizado.  E parece ser uma tendência, algo que eu vi no novo filme de Jogos Vorazes, gente usando saia em cima de calça.  É feio, não sei quem acha que isso fica bem em tela, mas não fica, não.  Em Jogos Vorazes, o vermelho meio que disfarça, mas em Wicked não tem como.  

Mas o filme certamente será indicado ao Oscar de melhor figurino, que, no geral, é muito bonito.  Além disso, ele está indicado na categoria filme de fantasia para o cinema no Sindicato dos Figurinistas, premiação que serve de prévia para o Oscar.   Deve ser o favorito, aliás.  O figurinista do filme é Paul Tazewell e há uma matéria no site Instyle no qual ele explica o conceito do figurino filme, em especial, da personagem Glinda, em Wicked.

O filme deve ser indicado a vários prêmios Oscar, não é favorito, e ser em duas partes não ajuda, mas é um dos queridinhos do momentos.  Filme, atriz coadjuvante, design de produção, figurino etc.  Se vai ganhar, ou o que vai levar, já é outra história.  Talvez, esperem a segunda parte para premiarem Wicked em alguma categoria de atuação e roteiro, mas vai saber.

Enfim, é isso.  Gostei das músicas, gostei do elenco, achei o filme bem construído e me manteve atenta o tempo inteiro.  Há compromisso com a diversidade e pautas feministas.  Ótimo.  Agora, não tenho elo emocional com Wicked para dizer que fiquei empolgada.  Se eu tivesse levado minha filha, minha intenção inicial era essa e até aceitaria ver dublado se ela fosse comigo, duvido que ela aguentasse as quase três horas de filme.  Cortar em duas partes pode ter sido, sim, a melhor escolha.  De qualquer forma, Vamos esperar a segunda parte de Wicked para ver se ele se torna um dos meus musicais favoritos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Está disponível a preview da nova montagem da Rosa de Versalhes do Takarazuka

Em 2024, comemoramos os cinquenta anos da primeira montagem da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) feita pelo Takarazuka, o teatro musical feminino mais importante do Japão, por isso, teremos uma nova montagem da peça inspirada na obra de Riyoko Ikeda, coisa que acontece quase todo ano, diga-se de passagem.  A montagem será da peça focada em Fersen e Maria Antonieta, como foi em 1974, e será da Snow Troupe (*Yuki-gumi*).  Para quem não sabe, o Takarazuka é dividido em cinco trupes: Flower Troupe (Hana-gumi), Moon Troupe (Tsuki-gumi), Snow Troupe (Yuki-gumi), Star Troupe (Hoshi-gumi) e Cosmos Troupe (Sora-gumi). 

Muito bem, o elenco principal será liderado por Ayakaze Sakina (Fersen), Yumeshiro Aya (Maria Antonieta) e Asami Jun (Oscar).  Como sempre, há um elenco alternativo (shinko cast), que será formado por Aoha Reiya, Shiraki Hana e Kishiro Yuriya.  As apresentações serão  no Takarazuka Grand Theater, entre 07/06 e11/08 e no Tokyo Takarazuka Theater, entre 31/08  e 13/10.  Já o segundo elenco se apresentará no Takarazuka Grand Theater em 01/08 e no Tokyo Takarazuka Theater em 12/09.  Abaixo o vídeo teaser do espetáculo (*agradeço ao Igor e à Jéssica por terem me mostrado que já estava on line*):

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Saíram as primeiras fotos do musical coreano da Rosa de Versalhes

Em dezembro passado, comentei que teríamos um musical da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) feito na Coreia do Sul.  Os cartazes dizem que é baseado no mangá de Riyoko Ikeda, não é nada derivado do Takarazuka.  E o elenco tem homens e mulheres.  Ok Joo-hyun será Oscar e Lee Hae-joon será André.  Confesso que não conheço nenhum dos dois, mas o problema não é deles, é meu.

O musical da EMK Musical Company estará em cartaz em exibição no Chungmu Art Center Grand Theater em Seul entre o dia 16 de julho e o dia 13 de outubro.

Neste site, vocês veem fotos grandes de parte do elenco caracterizado.  A gente percebe que a coisa não será nem realista, nem seguirá estritamente o mangá, tampouco irá imitar o Takarazuka.  Não me preocupei em procurar os nomes do elenco certinho, porque já deu muito, muito trabalho achar as fotos do Lee Hae-joon.  Por isso, decidi colocar só as fotos coletivas mesmo.

O blog Laura Little Corner, que eu nem sabia que ainda existia, mas que fez parte da minha vida por muito tempo, trouxe vídeos com o que já foi liberado da música da peça de teatro.  Agora, é esperar a estreia e que algum vídeo apareça por aí.

domingo, 16 de julho de 2023

Final Fantasy vai virar peça do teatro feminino Takarazuka

Segundo o Sora News, o teatro Takarazuka, no qual todos os papéis são interpretados por mulheres, vai transformar o jogo Final Fantasy XVI em uma peça musical.  Naoko Koyanagi será responsável pelo roteiro e pela direção e a estreia será no ano que vem, no Takarazuka Grand Theatre de 17 de maio até 23 de junho e no Tokyo Takarazuka Theatre de 13 de julho a 25 de agosto. 

Ainda não temos o elenco completo, mas a protagonista da peça será Toa Serika, otokoyaku (*atriz especializada nos papéis masculinos*) top star da trupe Cosmos, que foi a última a ser criada e é a mais experimental e não tradicional.  As demais trupes são a Hana (Flor), Tsuki (Lua), Yuki (Neve) e Hoshi (Estrela).  “Eu mesma sou fã de Final Fantasy, então este é um projeto muito empolgante para mim”. disse a atriz.  O SN informa que Final Fantasy X foi transformado em peça de teatro do tradicional Teatro Kabuki.  Eu não vi essa notícia.