Consegui colocar em dia Cenas de Awajima (Awajima Hyakkei/淡島百景). Foram cinco episódios até o momento porque essa animação foi uma das últimas a estrear nesta temporada. Trata-se de um anime difícil, denso e poético. Não me causou surpresa, porque conheço a obra de Takako Shimura, tudo ali está de acordo com o que ela oferece em seus mangás, mas como não li a obra e a tomar pelas resenhas curtas antes da estreia da animação, esperava algo um tanto diferente. Awajima é uma escola de teatro musical, na verdade, trata-se do Takarazuka com outro nome. O Takarazuka Revue é um teatro musical feminino criado em 1913. Ele mistura a tradição japonesa e o teatro de revista ocidental.
No Takarazuka, todos os papéis são desempenhados por mulheres. As atrizes que fazem os papéis masculinos são chamadas de otokoyaku (homem + papel), já as que fazem os papéis femininos são as musumeyaku (filha + papel). Na cidade de Takarazuka há uma escola que anualmente seleciona jovens entre 15 e 18 anos para um curso de dois anos. Trata-se de um concurso muito disputado, o curso exige enorme disciplina e, após esse período, as formandas estreiam. No episódio #4 de Awajima, a produção saiu do óbvio que era referenciar a Rosa de Versalhes ou Romeu e Julieta, pegou logo Elisabeth -Rondo of Love and Death- e colocou a mãe da protagonista fascinada pela Morte (Der Tod). Já no episódio #5, houve menção a Me and My Girl.
Awajima tem uma narrativa fragmentada e não linear. Vamos ao passado e ao presente, às vezes com uma velocidade tal, que me senti perdida. O terceiro episódio, o meu favorito até agora, e o anterior foram os mais complicados nesse sentido. Lendo o verbete da Wikipedia do mangá, sei que a protagonista, Wakana Tabata, não está em nossos dias, os celulares parecem antigos, ainda que as TVs sejam de tela plana e bem fininhas. Mas sem olhar a Wikipedia, não conseguiria ter certeza, so tinha indícios mesmo, pois não se falou de internet ainda ou aplicativos de celular. Também pela Wikipedia, sei que haverá um "nos dias atuais", mas ela ainda não foi mostrado.
O fato é que temos algumas personagens fixas, Wakana Tabata é a protagonista, porque aparece mais vezes que outras, mas isso não quer dizer que tenha mais tempo de tela. Cada episódio se foca em duas ou mais personagens e vamos ao passado e ao presente e de novo ao passado. Década de 1940, 1950, 1960, 1970, 1980... são várias gerações de meninas passando por Awajima, cada qual com seus sonhos, esperanças, medos, amores e amizades. Umas se tornam estrelas, outras desistem, inclusive da vida, há as que brilham por um tempo e se retiram ou retornam, como no caso de Katsurako Ibuki, que se tornou professora e lamenta certos atos do passado. Não darei spoilers.
No episódio #4, discutiram até as masculinidades divergentes. Takuto, um jovem que ama Awajima por influência da avó, tem dificuldades em se conectar com o resto de sua família e gente de sua idade. Somente os dois são apaixonados pelo teatro musical e a avó compra dois ingressos para u espetáculo, mas sofre um acidente e insiste que o neto vá. Takuto parte em busca de uma companhia e convida uma pessoa com quem conversa online, Sayaka-san. Ele imagina como Sayaka é, porque os dois conversam sobre Awajima e essa pessoa gosta de coisas fofas. Gostar de Awajima não é coisa de homem e a sequência dele no teatro lotado de mulheres é uma mostra disso. Takuto é um rapaz extremamente organizado e com mania de limpeza e, a julgar pelo anime, não parece ser coisa de adolescentes do sexo masculino, afinal, o rapaz é inquirido pelos colegas sobre o motivo de lavar as mãos depois de ir ao banheiro. Os japoneses não fazem isso, não? Achei estranho. As partes com Takuto, houve uma historinha extra no final do episódio. Foi bem fofinha.
Já a primeira parte do episódio #5, centrada em uma jovem da geração de Wakaba, que tem problemas em dividir o banho com outras moças, foi a mais chata. A garota cresceu em uma família que pertence a uma seita, que não é nomeada, e odeia tudo o que se relaciona a ela, mesmo que seus pais não a tenham obrigado a congregar com eles. Ela está quase odiando os próprios pais por causa disso. Não consegui ter empatia. Já os episódios #2 e #3 se relacionam a Katsurako Ibuki. Ela é filha e neta de atrizes de Awajima. Sua avó foi uma beldade em sua época e amou loucamente o marido. Pelo que entendi, ela parou a carreira ao se casar e era azucrinada pela sogra, que morava com o casal, para que esquecesse do seu passado. Ao ter uma filha, ela não consegue amar a menina, porque ela é a cara da avó paterna. A rejeição da mãe em relação à menina "feia" piora quando ela perde o marido com poucos anos de casamento. Pela aparência dele, acredito que morreu de tuberculose.
A mãe de Katsurako cresce mimada pela avó paterna, mas desejando a atenção da mãe e sentindo-se feia e inadequada. Ainda assim, ela passa na seleção para Awajima, mas suas colegas acabam acreditando que ela só passou por ser filha de uma grande atriz. Apesar de talentosa, a jovem vivia sob a sombra da mãe. Aé que ela conhece um jornalista, que a vê como ela é. Os dois terminam se casando e a jovem abandona a carreira. Katsurako cresceu vendo a avó humilhando sua mãe e dizendo que não gostava do pai, um jornalista, e uma das poucas pessoas que fala com a agora velha dama do teatro sem demonstrar qualquer tipo de assombro. Ela diz que não gosta do genro por não confiar em homens com olhos de raposa e Katsurako herda os olhos do pai. Quando a avó está morrendo, Katsurako diz para ela o quanto a odeia e que nao sentirá a sua partida. Só que a garota lamenta ter em si muito da avó que ela despreza. Consigo ter mais empatia pela avó de Katsurako com todos os seus defeitos, pelo que sofreu nas mãos da sogra, do que pela menina da seita
Enfim, imagino que em algum momento irão mostrar as meninas nas aulas, sei que haverá um episódio com o festival culural, mas o tom é muito diferente de Kageki Shojo!! (かげきしょうじょ!!), por exemplo, porque o centro da narrativa é Awajima, a escola, centro de tantas e tantas histórias de gerações de meninas. Curiosamente, quando as meninas são mostrada em aula ou as atrizes no palco, não temos som. Awajima me lembra um pouco a ideia de Ōoku, que não é sobre pessoas, mas sobre o harém de homens. Sei que Awajima não é para todo mundo, mas espero que continuem as scanlations do mangá, porque elas estão paradas faz quatro anos e o mangá é bem curtinho. Falando do mangá, ele só tem 5 volumes e foi pubicado entre 2011 e 2024. De 2011 até 2016, ele saia na revista PokoPoko tendo passado postriormente para a revista Ohta Web Comic.
.jpg)





















































0 pessoas comentaram:
Postar um comentário