Tropecei hoje no mangá Oshiete Kudasai, Fujishima-san! (教えてください、藤縞さん!), de Nae*Awaji, e ele me fez dar gargalhadas e a gente precisa rir, eu preciso, pelo menos, mas a minha surpresa foi saber que o mangá está em andamento desde 2017, o que é desesperador, porque a autora já deveria ter terminado isso, e ainda teve dorama este ano. Imagino que as cenas de sexo e muita coisa tenham desaparecido, porque, bem, é um TL (Teen Love), e eu estava com saudades de pegar material japonês para ler. Teen Love, para quem não sabe, são mangás erótico-pornográficos para o público feminino. O finado Bato.to parecia só me atirar manhwa, e, mesmo que alguns deles sejam bons, resenhei vários no blog; a maioria não é. O material japonês me parece mais satisfatório e o site Mangago tem um recurso interessante: as listas feitas por leitores. Foi em uma dessas listas que eu encontrei Oshiete Kudasai, Fujishima-san! e só estou adiantando a resenha, porque descobri que tem o tal dorama. Ele estreou em janeiro e termina em março. Mas vamos para o resumo (*vou usar como base o Bakaupdates e o My Drama List*) e, depois, eu retorno.
"Você poderia me deixar assistir você se masturbar?" Mizuhara Rio escreve romances TL sem ter nenhuma experiência sexual e se vê em uma situação desesperadora depois que sua editora rejeita seu último trabalho, dizendo: "Suas cenas de sexo não têm realismo". Perturbada, Rio conhece Fujishima, um afuncionário de banco bonito, porém antipático. Quando Rio implora a ele por uma "pesquisa de campo", dizendo: "Por favor, me mostre como você se masturba!", ele surpreendentemente concorda?! Assim começa uma "aula de amor" ultrassecreta, e enquanto Rio está confusa, gradualmente se transforma em um momento doce e inebriante no qual eles confirmam seu amor genuíno um pelo outro. Para onde esse romance turbulento, que começa com seus corpos, os levará?
Vamos lá, a primeira frase do resumo é a primeira fase do mangá. A partir daí, a autora nos conta como Rio e Fujishima se conheceram. Eles se esbarram em um elevador, ela está desesperada, porque sua editora, que a acompanha desde o colegial, a está pressionando, já que seus livros eróticos são ruins. Fujishima derruba uma série de documentos, ela abaixa para ajudá-lo e o sujeito sai sem lhe agradecer. Só que ele esquece um dos envelopes e ela decide chantageá-lo para lhe entregar os documentos. E a ideia é que ele lhe dê uma entrevista, que fale sobre sexo com ela. O sujeito não acredita no que está ouvindo, mas acaba aceitando a proposta. E ele faz questão de deixar claro que ela está se colocando em uma situação muito perigosa, mas nossa história, apesar de erótica, é bem água com açúcar e, exatamente por isso, ele é um cavalheiro.
Depois do primeiro encontro, no qual não acontece muita coisa, ele decide fugir dela, mas não consegue. Seja porque ela vira uma espécie de stalker, seja porque ele não consegue esquecê-la e, eventualmente, precisa salvá-la de alguma situação perigosa, porque nossa mocinha faz (*quase*) tudo para conseguir material para sua pesquisa. E mesmo que a editora acredite que ela está arriscando, os elogios aos progressos da moça, a melhora perceptível nos seus romances, terminam por empurrá-la para novas experiências. E cabe um esclarecimento quanto ao stalker, porque ontem fiz um post que tocava nisso. Esse mangá é um trabalho de ficção absolutamente fantasioso e a personagem feminina ao seguir o sujeito não oferece nenhum risco para ele, na verdade, quem se arrisca é ela, porque se for surpreendida, pode passar por uma enorme vergonha ou coisa pior. Rio não é uma ameaça, ela só é sem noção mesmo, muito na linha da Mizuki de Hanakimi (花ざかりの君たちへ), só que em um mangá para mulheres adultas.
E deixo claro que, pelo menos para mim, esse mangá é uma comédia meio trem desgovernado e que guarda algumas semelhanças também com Nodame Cantabile (のだめカンタービレ). Fujishima me lembra Chiaki e Rio é um pouco Nodame, mas um tanto imprevisível e muito mais infantilizada. Fujishima vive para o seu trabalho e, ao mesmo tempo, parece insatisfeito. Ele é bem-sucedido, tem um excelente emprego, é respeitado pelos seus subordinados, tem até pelo menos um amigo, mas dorme mal e está sempre mal-humorado. É quando ele cruza com Rio, uma criatura que lhe parece bizarra, sem muita noção da realidade e que se coloca em situações perigosas por amor ao seu trabalho. E olha que ele nem considera o que ela faz como trabalho, porque, para ele, ser escritora não é profissão de verdade.
Só que, depois do primeiro encontro dos dois, ele não consegue esquecê-la e mesmo que sua produtividade no trabalho continue a mesma, ele se sente mais irritadiço e sua qualidade de sono se torna ainda pior. Ele deduz que é falta de sexo, mas Rio não sai da sua cabeça e, como ele é um cavalheiro, demora um pouco até que os dois cheguem aos finalmentes, porque ele a acha tão sem noção da realidade, que se sentiria como se estivesse se aproveitando dela. Na verdade, sem noção ou não, é a mocinha que está se aproveitando do sujeito, porque além de conseguir material para seus romances, ainda está tendo uns momentos extremamente prazeirosos e descobrindo sentimentos que não conhecia.
Mas o ponto fraco ou forte, vai saber, desse mangá é exatamente a mocinha sem noção. Rio é escritora desde o colegial e não acredito que ela tenha começado escrevendo TL. Não acredito mesmo. O que em tão a levou a mudar de nicho? Pressão da editora? Foi escolha pessoal? Onde estou no mangá, ainda não deu para saber. E mesmo sendo bem-sucedida na carreira até então, ela se encontra estagnada por sua inexperiência e incapacidade de imaginar um romance mais apimentado. Na verdade, Rio é bem infantilizada, ela ainda mora com os pais e é tratada por eles como se fosse uma menininha. Isso fica bem evidente para mim nas poucas interações entre ela e a mãe.
Apesar de escrever sobre sexo, ela sabe quase nada de sexo na vida real e nunca conseguiu se masturbar de verdade. Não é dito quantos anos Rio tem, mas ela é visivelmente uma mulher adulta. Se tivesse que chutar, diria que ela tem entre 22 e 24 anos. Já Fujishima deve ter mais de 30 anos, a julgar pelo cargo que ocupa no banco. Vi uma review no Bakaupdates falando em "age gap", mas é difícil levar essas coisas a sério dada a histeria que campeia por aí. Rio parece se vestir com roupas de nerd, sem se preocupar em parecer uma mulher adulta dentro dos padrões esperados pela sociedade, mas há um momento, nesses poucos capítulos que li, que ela se arruma e deixa de ter aquele ar de menininha desarrumada. Sabe a Cinderela? Só que Fujishima não a vê, quem a ajuda a se arrumar é um outro sujeito, que efetivamente parece mais jovem que o mocinho e que o acha abusivo. Só que Fujishima, que já tinha salvo Rio de ser estuprada por um sujeito que ela queria entrevistar, acredita que o moço pode ser uma ameaça.
Gente que deixou reviews no Bakaupdates normalmente reclama da não evolução da personagem feminina ao longo do mangá, mas acredito que a ideia da autora seja essa mesma. Nossa mocinha é extremamente inocente e vai ficar assim por muito tempo. Foi hilária a cena na qual Fujishima não resiste a beijá-la, para depois dizer que escorregou, se desculpar e mandá-la embora da sua casa. Foi um beijo casto, e ela fica inebriada, porque foi sua primeira vez e isso depois dos dois terem feito coisas muito mais sérias do que trocar um selinho.
Olhando os comentários e os resumos dos episódios do dorama, ele acaba se apresentando para os pais dela como noivo, ou seja, eles vão passar do estágio de amigos com benefícios (sex friends/fuck buddies) bem rapidinho, porque não é um mangá longo. E imagino que seja de verdade mesmo, porque os dois já estão apaixonados desde o início da história, o problema é que ela não entende direito o que está acontecendo e ele acredita que ela seja meio doida e tem medo de se envolver com ela de verdade. No que ele, vamos admitir, não está errado, não.
Falando da arte do mangá, ela é de qualidade e funciona muito bem. As sequências de sexo são bem desenhadas e a gente entende o que está acontecendo. A versão disponível é a censurada e estou marcando isso, porque cada vez há mais TLs que mostram tudo. Não entendo o motivo da autora não ter terminado a série ainda e imaginei que o mangá fosse antigo, porque os celulares são de gerações atrás no início da história. Agora, se virou dorama somente agora, quer dizer que ainda faz sucesso. Se o Bakaupdates não está desatualizado, Nae*Awaji veio do BL, o que não é incomum no caso das autoras de TL japonesas. E é mangá mesmo, não é webtoon, e ele é publicado na revista Love Coffre.
Falando do dorama, ele estreou e 10 de janeiro e teve doze episódios ao todo. O último foi ao ar no dia 28 de março. A protagonista é interpretada por Tsuji Karin, o ator que faz Fujishima se chama Furuya Robin e o outro rapaz, que não guardei o nome, é interpretado por Shimazu Ken. A séria foi ao ar no canal TMX, sábado de madrugada. Parece estar disponível no Amazon Prime em alguns países. O site oficial do dorama é este aqui. O título internacional parece ser "Please Teach Me, Fujishima-san!", mas o nome em inglês do mangá é outro...
Concluindo, o mangá tem um título em inglês que eu achei bem vulgarzinho. O original em português seria "Me diga, Fujishima-san!" e o nome internacional do mangá faz um trocadilho que só funciona em inglês mesmo. "Over-Cumming Writer's Block" brinca com "come", que em "over-come" é superar, vencer, dominar, e "cum" que é gozar. Rio precisa superar o bloqueio criativo e o resto é a piadinha infame mesmo. Enfim, é isso. Vou continuar lendo o mangá, ele certamente deve entrar na minha lista de mangás TL no dia do sexo. Tentarei dar uma olhada no primeiro episódio do dorama, também, e ver o que sobrou do mangá em uma série com atores de verdade. O trailer do dorama está abaixo:





















































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