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domingo, 23 de agosto de 2026

Itsuki no Miya Genshi Tan: Chie Shinohara estreia novo mangá na revista Cheese

A revista Cheese está completando trinta anos e Chie Shinohara (*de Anatolia Story*) anunciou no Twitter o início da publicação de seu mangá Itsuki no Miya Genshi Tan.  Ela escreveu o seguinte: "É uma honra para mim ilustrar a revista mensal 'Cheese!' da Shogakukan, que está comemorando seu 30º aniversário. A publicação começará na edição de outubro, que será lançada por volta de 24 de setembro.  É uma história com temática histórica japonesa que eu aguardava há muito tempo (...)."

Em seguida, ela pede que as pessoas continuem apoiando o anime de Anatolia Story (Sora wa Akai Kawa no Hotori: Red River/天は赤い河のほとり) e eu gostaria muito que ela prestasse mais atenção no que anda acontecendo por lá, começando pela pobreza da animação.  De qualquer forma, a autora não dá mais detalhes da história, mas pelo pouco que a gente vê das roupas nas duas imagens, imagino que seja Período Asuka (538-710 E.C.) ou Período Nara (710-794 E.C.).

sábado, 15 de agosto de 2026

Pochamani pode ser lido de graça na página da Hana to Yume: Será que vem algum anúncio por aí?

Pochamani (ぽちゃまに), de Kaname Hirama, é um mangá de 2011 e que foi um dos pioneiros a ter uma protagonista gorda que era desenhada de forma respeitosa e não tinha como o centro da sua narrativa o emagrecimento.  Ganha pontos aí.  Por outro lado, o rapaz que a pede e namoro, e que tem a skin de príncipe, era um "pochama", isto é, um sujeito com fetiche por coisas fofas e apertáveis.  A série perdeu muitos pontos comigo por causa disso.  Com oito volumes, a série terminou faz um bom tempo, mas entrou em campanha de leitura gratuita no site da Hana to Yume.  E quem tem conta lá, ainda pode ler episódios extras exclusivos.  A campanha começou ontem e terminará amanhã.  Enfim, essa notinha no Comic Natalie me deixou com a pulga atrás da orelha. Será que vem algum anúncio por aí?  Um dorama?  Umm anime?  Vamos aguardar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Shounen Jump tem a menor tiragem da sua história e isso não deve ser lido como uma crise

O site Oricon, que faz rankings de tudo no Japão, trouxe a informação de que a Shounen Jump, carro-chefe da editora Shueisha, terá uma tiragem impressa certificada de 985.000 exemplares no trimestre de abril a junho de 2026.  O dado está no site oficial da Associação Japonesa de Editores de Revistas.  Vou citar a matéria:

"Os números de circulação certificados (números de circulação divulgados publicamente) são apurados com a colaboração da Associação da Indústria Gráfica do Japão e publicados quatro vezes ao ano (em incrementos trimestrais). Esta é a primeira vez que a circulação da revista cai abaixo de um milhão de exemplares, segundo este método de publicação. Para efeito de comparação, no mesmo período, a Weekly Shonen Magazine teve 281.000 exemplares, a Weekly Shonen Sunday teve 120.000 exemplares e a Monthly CoroCoro Comic teve 213.333 exemplares."

A matéria faz um contraste com o auge das tiragens da revista, em dezembro de 1994, quando se chegou ao recorde de 6,53 milhões de exemplares.  Já fiz posts comentando que esta época foi o auge das tiragens da revista Ribon, que chegou a 2 milhões e meio de exemplares.  Hoje, acredito que está abaixo dos 100 mil exemplares, mas não tenho esses dados mais recentes.  

O que eu gostaria de pontuar é que isso não deve ser lido como uma crise, mas como uma mudança no mercado.  A revista de papel, a antologia, está perdendo espaço para plataformas digitais e revistas on line.  Não significa que a Jump esteja em crise, mas que muitos dos seus leitores, e eles e elas existem no mundo inteiro, estão lendo os mangás através de outros meios.  O que eu venho me perguntando é se o formato antologia irá morrer ou sobreviver.  É observar como as coisas se ajustam nos próximos anos.

sábado, 27 de junho de 2026

Revista MOE tem edição especial comemorando os 50 anos da LaLa

A revista literária MOE da editora Hakusensha foi criada em 1979 e sua última edição está celebrando os 50 anos da revista LaLa.  A capa da edição e o brinde (*um clearfile*) são do mangá Wata no Kunihoshi (綿の国星), também conhecido como Star of the Cottonland, de Yumiko Ooshima, que teria inventado as meninas com orelhinhas de gato.  

A revista começará a ser vendida no dia 3 de julho e a edição tem a seguinte descrição: "Nascida na década de 1970, auge do boom dos mangás shoujo, a LaLa (Hakusensha) é uma revista de mangá shoujo que continua a apresentar obras singulares até hoje. Nesta edição especial comemorativa do seu 50º aniversário, destacamos as artistas de mangá shojo que abrilhantaram a revista durante seus primeiros 25 anos e os universos de suas obras. Uma coleção de obras-primas que transcendem com facilidade os limites do mangá shoujo, do romance à fantasia, passando por outros mundos e romances históricos. Também trazemos muitas informações sobre a "Exposição de Arte Original do 50º Aniversário de LaLa ~Criações Encantadoras~", que acontecerá neste verão . Você poderá reencontrar os protagonistas que tanto te cativaram naquela época.".

Já o índice traz o seguinte:

Exposição Especial de Arte Original da Galeria do 50º Aniversário de LaLa
● Artistas Lendários de Mangá Shojo que Deixaram Sua Marca na História do Mangá 1976-2000 Parte 1
● Diálogo Especial 1: Natsumi Itsuki x Yuki Nakaji: Sobre Nós Naquela Época
● Artistas Lendários de Mangá Shojo que Deixaram Sua Marca na História do Mangá 1976-2000 Parte 2
● Diálogo Especial 2: Reiko Shimizu x Yuko Higuchi: Fascinadas pela Beleza da Tragédia
● 50 Anos de Aventuras em Torno de LaLa: Entrevista com o Ex-Editor de LaLa e Presidente da Hakusensha: Yasufumi Takagi; Memórias de Yumiko Oshima Contadas pelos Membros Fundadores: Toshiro Sakai
● Entrevista Especial: Minako Narita: Uma Vida Infinita como Artista de Mangá

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Saiu o novo trailer de Anatolia Story (Red River) + outras informações do esquenta do anime

Depois de vários teasers de personagens, que eu ainda estou atrasada em postar, finalmente tivemos um novo trailer de Anatolia Story ou Red River ou ainda Sora wa Akai Kawa no Hotori (天は赤い河のほとり).  A série de Chie Shinohara conta a história de Yuri, uma adolescente japonesa comum, que é sequestrada pela rainha dos hititas, Nakia, que a  quer como sacrifício para garantir que seu filho herde o trono.  

Levada para o século XIV A.E.C., ela acaba saindo de uma fonte longe do palácio e no meio da capital dos hititas, Hattusas.  Desesperada, ela acaba esbarrando com o príncipe Kail, o terceiro filho do rei Suppiliuma, e ele decide protegê-la.  Mais tarde, será revelado que Yuri não é qualquer uma, mas o avatar da deusa do amor e da guerra, Ishtar.   A série de mangá vendeu mais de 20 milhões de cópias, ganhou o 46º Shogakukan Manga Award na categoria shojo e foi adaptada para uma peça teatral pela Takarazuka Revue em 2018.

Com estreia prevista para o dia 7 de julho, a série baseada no mangá de Chie Shinohara, o primeiro episódio será chamado "Um Beijo de Despedida e Encontro", segundo o Oricon.  Imagino que o episódio abra com o primeiro beijo de Yuri com Himuro e termine com o encontro da protagonista com Kail e o beijo que ele lhe dá, um beijo que não se parece em nada com o que ela trocou com o namoradinho de escola e dá para a menina a possibilidade de compreender a língua dos hititas.  Não sei quantos episódios a série vai ter, mas acredito que o episódio #1 deve ficar nisso mesmo.  E eu aposto em segunda temporada, pelo simples fato de Ramssés não ter aparecido em nenhum  material promocional.  

Além do trailer, haverá um programa especial com os dubladores, quiz sobre o Antigo Oriente, aula  ensinando a escrever em tabuetas de argila e sei lá mais o quê.  O programa estará no canal oficial do VAP no Youtube.  Pelo que entendi, a VAP é uma distribuidora de vídeos e outras mídias. Enfim, o programa estará no ar entre o dia 4 e o dia 31 de julho.  Vou ver se consigo baixar.

Além disso, as edições  14, 15 e 16 da revista Sho-Comi trarão brindes de Anatolia Story. Há fotos no Comic Natalie. O uso da revista para promover o anime é o mínimo que a gente pode esperar.  E, claro, começa a sair no próximo mês a edição de luxo do mangá com capa dura metalizada, material extra e outros mimos.  Preciso fazer um post sobre os gaiden de Anatolia que não estão no volume #28, porque  imagino que estejam nessa edição comemorativa.  O trailer está abaixo e a qualidade técnica da animação me pareceu bem melhor do que no primeiro teaser.  😌  E o Zananza parece estar tão bonito no anime; no primeiro teaser não estava.

domingo, 14 de junho de 2026

Edição de aniversário de 50 anos da revista LaLa vem com brinde especial + Exposição do Cinquentenário da revista

Estamos no ano de comemoração dos cinquenta anos da revista LaLa e a edição de outubro, que sairá em 24 de agosto, é a comemorativa do cinquentenário da publicação.  O furoku, o Livro Azul do 50º Aniversário da Fundação da LaLa, virá com a revista.  As reservas já estão abertas na página da revista, porque a edição deve esgotar.  Participam da edição as seguintes autoras: Akizuki Sorata, Akimoto Aki, Asou Mikoto, Amano Shinobu, Ike Junko, Ooshima Yumiko, Osora Akira, Kaidou Chitose, Kadono Yuu, Kihara Toshie, Kubo Kiriko, Shima Asato, Shimizu Reiko, Sugaya Chiyo, Suzuki Yuu, Takemiya Keiko, Tokeino Hari, Naomoto Sanba & Asano Non, Nakaji Yuki, Narita Minako, Sakakise Itsuka, Hagio Akira, Hasumi Riku, Aoi Fukamachi, Matsumoto Tomo, Yumi Kiiro, Yanahara Nozomi.  Haverá também um mangá colaborativo de Ike Junko com Kaidou Chitose.  Os detalhes estão no Twitter da revista.

Um dos eventos de celebração do 50º aniversário da LaLa será uma grande exposição com obras de arte originais. A exposição “Criações Encantadoras: Obras Originais do 50º Aniversário de LaLa” contará com 75 renomadas mangá-kas, que juntas criaram mais de 100 mangás amados mundialmente. Entre as artistas participantes estão Bisco Hatori (Ouran Koukou Host Club ), Matsuri Hino (Vampire Knight ), Hiro Fujiwara (Kaichou wa Maid Sama!), Sorata Akiduki (Akagami no Shirayukihime), Yuki Midorikawa (Natsume Yuujin-chou) e muitos outros. Para conferir a lista completa dos artistas expositores, visite o site da exposição.

Os visitantes receberão um cartão ilustrado exclusivo da exposição, apresentando obras de diferentes artistas: Minako Narita e Sorata Akiduki (segundas-feiras), Natsumi Itsuki e Bisco Hatori (terças-feiras), Reiko Shimizu e Yuki Midorikawa (quartas-feiras), Masami Tsuda e Matsuri Hino (quintas-feiras) e Kyoko Hikawa e Hiro Fujiwara (sextas-feiras).  Aos sábados e domingos: todos os 5 modelos de cartões estarão disponíveis e serão distribuídos aleatoriamente.

Bisco Hatori participará de um evento especial de autógrafos no dia 23 de julho. O evento custará ¥5800 (incluindo a entrada para a exposição e o catálogo) e será aberto apenas a visitantes selecionados por sorteio.  A exposição estará em cartaz de 17 de julho a 3 de agosto na loja de departamentos Shinjuku Takashimaya, em Tokyo, e depois seguirá para o Museu Namba Parks, em Osaka, onde ficará em cartaz de 5 a 27 de setembro.  As informações vieram do site Tokyo Weekender.

domingo, 12 de abril de 2026

LaLa Love Letter: projeto dos 50 anos da revista LaLa traz cartas de mangá-kas atuais para clássicos da revista. A primeira homenageada é a autora de Karekano.

 

A revista LaLa está comemorando o seu 50º aniversário e lançou um processo chamado LaLa Love Letter. Sua estreia traz uma carta de amor de Ririko Tsujita, autora de Warau Kanoko-sama (笑うかのこ様) e Koi da no Ai da no (恋だの愛だの), para Masami Tsuda, autora de Kareshi Kanojo no Jijou (彼氏彼女の事情), que a gente também chama de KareKano.  A carta foi publicada na edição de maio da LaLaDX, lançada no dia 3 de abril.  LaLa Love Letter é um projeto no qual autores convidados enviam cartas de amor e fanarts para autores que admiram. Tsujita criou uma nova ilustração para KareKano, uma série que descobriu na adolescência. Uma resposta de Tsuda para Tsujita também está incluída.  Queria muito ler essas cartinhas, se alguém souber onde encontrar a scanlation.

Na mesma edição da LaLaDX há um novo capítulo de Koi da no Ai da no e, segundo o Comic Natalie, para comemorar o 20º aniversário de carreira de Tsujita, 30 leitoras receberão um conjunto de porta-copos de acrílico. Mais informações de como participar estão na revista.

Falando em Karekano, a série começou a ser publicada na LaLa em 1996 e foi lançada no Brasil pela Panini.  Uma animação foi lançada em 1998-1999 com grande sucesso.  Muita gente só conhece a série pelo anime, mas ele mal e mal cobriu o mangá até o volume #8.  O mangá tem 21 volumes.  Eu tenho séries críticas ao que acontece no mangá a partir do volume #11 e não vejo no horizonte uma possibilidade de uma nova adaptação.  Mesmo esse projeto mostrando a importância da série, ela não parece ser tão popular  e amada quanto outras publicadas na revista e cito Ouran Host Club (桜蘭高校ホスト部).

sexta-feira, 3 de abril de 2026

E terminou Honey Lemon Soda! A revista Ribon trará bônus exclusivos da série por dois meses consecutivos.

A edição da Ribon que saiu no Japão hoje (03/04) trouxe o último capítulo de Honey Lemon Soda (ハニーレモンソーダ), de Mayu Murata.  Foram dez anos de publicação e a série foi um dos maiores sucessos de vendas da Ribon, inclusive conseguindo levantar as vendas da revista que andavam em baixa fazia muito tempo. Honey Lemon Soda é uma história de amor e amadurecimento sobre Uka Ishimori, uma estudante do primeiro ano do colegial que sofria bullying e era chamada de "Pedra" no ginasial, e como ela gradualmente se transforma após conhecer Kai Miura, um garoto de cabelos cor de limão. A série começou a ser publicada na edição de fevereiro de 2016 da Ribon e ultrapassou 16 milhões de cópias vendidas, incluindo as edições digitais. Foi adaptada para um filme live-action em 2021 e para um anime para TV em 2025.

O volume #31, contendo o capítulo final, será lançado em 25 de maio. Além disso, segundo o Comic Natalie, a próxima edição da Ribon, a de junho, que sairá em 2 de maio, trará um livro de ilustrações de 32 páginas totalmente colorido, intitulado Honey Lemon Soda Illustration Book: Jewel Box. A edição de julho, com lançamento previsto para 3 de junho, trará um suplemento Honey Lemon Soda.  Me pergunto se a autora irá fazer algum gaiden e se teremos continuação da animação.  Honey Lemon Soda é publicado no Brasil pela Panini.

A mesma edição da Ribon traz um mangá one-shot de 17 páginas chamado Chibi Maruko-chan: Maruko Meets Shinnosuke (ちびまる子ちゃん まる子、しんのすけに出会う の巻), uma colaboração entre Chibi Maruko-chan (ちびまる子ちゃん), de Momoko Sakura, e Crayon Shin-chan (クレヨンしんちゃん), de Yoshito Usui.  Infelizmente, ambos os autores desses dois mangás de sucesso morreram e o mangazinho foi feito por Botan Kohagi, artista do estúdio Sakura Production, e que foi assistente de Momoko Sakura por muitos anos.  A edição traz uma bolsinha de Chibi Maruko-chan e Crayon Shin-chan como brinde.

domingo, 22 de março de 2026

Mangá da revista Hana to Yume ganha continuação 12 anos depois

Ouji to Majou to Himegimi to (王子と魔女と姫君と), de Kou Matsuzuki, foi publicado na revista Hana to Yume entre 2009 e 2014 contando com 12 volumes.  Agora, segundo o Comic Natalie, a série passa por um revival na revista digital Hana Yume Ai com a continuação Ouji to Majo to Himegimi to ~After the tale~.  A história da série é a seguinte:

Quando a máscula e popular entre as garotas, Ooji Subaru, chega à sua nova escola, seu encontro com seu amigo de infância, Megumi, e os outros príncipes da escola, Mashiro Yukinashi e Reiji Susuhara, a leva a descobrir sua vida passada: ela é a reencarnação do Príncipe Encantado, um mulherengo que seduziu todas as princesas do reino. Como resultado, uma bruxa ciumenta lançou uma maldição sobre ele, condenando-o a reencarnar como mulher pela eternidade.  Para quebrar o feitiço, Subaru precisa encontrar a princesa, agora reencarnada como homem, que é seu único e verdadeiro amor!


Eu não me lembro dessa série, mas vejam que ela tem uma estrutura redondinha para virar um anime.  Na continuação, Subaru está casada com Megumi Kuromori e organiza um reencontro de ex-alunos, e a história começa com o reencontro com rostos familiares.  Imagino que seja um mangá curto.  Não deve se esticar por muito tempo, não.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Honey Lemon Soda chegará ao final no dia 3 de abril

Honey Lemon Soda (ハニーレモンソーダ), o mangá mais bem-sucedido da revista Ribon em muitos anos, chegará ao final na edição de 3 de abril, segundo o ANN.  A série de Mayu Murata terá um último capítulo com 63 páginas, além da capa da Ribon e abertura em cores.  A série começou a ser publicada em dezembro de 2025 e o volume 30 do mangá foi lançado no final do ano passado.  Honey Leomon Soda teve um filme live action em 2021 e uma temporada animada na temporada de inverno do ano passado.  

sábado, 7 de março de 2026

Entrevista traduzida de Yukari Ichijo: Dicas para gerar ideias (Parte 3)

Tropecei nessa entrevista com Yukari Ichijo, uma das grandes mangá-kas dos anos 1970 e 1980 ainda em atividade, e traduzi.  Somente depois de chegar no final percebi que era a PARTE 3.  Bem, depois traduzo as demais partes, acredito que são quatro ao todo.  Como a coisa foi fragmentada em temas, não acredito que seja um grande problema, não.  A minha maior dificuldade é traduzir mesmo, porque eu não sei japonês, dependo de ferramentas da internet, por isso, desde já peço desculpas por qualquer imprecisão.  Nem sempre consigo compreender algumas nuances, mesmo conhecendo o assunto.

Como a entrevista está em um formato estranho, se você abrir o original irá entender, juntei as frases quebradas em parágrafos.  As ilustrações, no entanto, estão no texto original e as mantive nos lugares nos quais aparecem.  De qualquer  forma, é sempre bom ler essas mangá-kas das antigas falando de seu trabalho e Yukari Ichijo é uma das mais interessantes.  Tenho outra entrevista dela no blog, que não traduzi, mas comentei; ela está aqui.  Segue a entrevista:

Os inúmeros mangás de Yukari Ichijo são todos ricos em concepção, e eu fico impressionado cada vez que os leio.  A variedade é incrível, do sério à comédia, e todos são muito divertidos.  Não consigo deixar de me perguntar o que se passa na cabeça de Ichijo.  Yuki no Serenade (雪のセレナーデ), Designer (デザイナー), Pride  (プライド), Koikina Yatsura (こいきな奴ら), Suna no Shiro (砂の城), Yuukan Kurabu (有閑倶楽部).  Como essas obras surgiram?  Ela também compartilhou algumas histórias importantes que podem te dar dicas para pensar em ideias.

Aqui é Shimo, do Hobonichi.

Ichijo: A propósito, tenho um truque para ter ideias para histórias.

— Uau, qual é?

Ichijo: Normalmente, quando você está sem ideias e não sabe o que fazer, você senta na sua mesa e pensa: "Coloca isso para fora, coloca isso para fora, coloca isso para fora."  Mas uma história nunca surge assim.  Até agora, os lugares onde as histórias surgiram com mais facilidade foram no banheiro ou na banheira, ou quando estou apenas andando sem rumo pelo meu caminho habitual.  Descobri que são nesses momentos que elas surgem.  Então, se eu ficar sentada parada na minha mesa, elas não vão surgir.  É importante fazer coisas com as quais você está sempre acostumada.  Sinta-se à vontade e mova-se como que em transe.  É aí que as histórias sempre surgem.

— Que interessante.

Ichijo: É interessante, não é?  Além disso, o silêncio absoluto não funciona.   Por exemplo, em uma cafeteria, há um pouco de agitação, mas não é muito barulhento e não me afeta diretamente.  Como uma dessas pessoas, descobri que as ideias me vêm com mais facilidade quando estou distraída.  Acho que é por isso que tantas pessoas desenham seus storyboards em cafeterias.  Em momentos como esses, é mais provável que eu tenha aquela sensação de "algo vindo à tona".

— Essa é uma ótima descoberta.

Ichijo: Além disso, você pode tomar um banho relaxante.  Relaxamento completo não é bom, mas você pode relaxar e esvaziar metade do seu cérebro.  Talvez seja semelhante à meditação zazen.  Então, uma boa ideia é ficar olhando fixamente para as nuvens. Quando deixo meu cérebro relaxar assim, acho mais fácil ter ideias.  Se você estiver travado em um projeto, por que não tentar isso?

── Obrigado.  Vou tentar!  Qual trabalho foi um ponto de virada para você, Ichijo-san?

Ichijo: Foi Designer.  Até então, mesmo dizendo que podia fazer o que quisesse, eu sempre obedecia ao que meu editor me mandava fazer.  Achei que precisava de um seguro, caso surgisse algo que eu realmente quisesse fazer.  Mesmo que me pedissem para fazer algo um pouco difícil, eu tinha que aceitar em silêncio, e quando chegasse a hora, eu tinha que ser capaz de dizer: "Você sabe o quanto eu me segurei até agora, né?  Eu vou fazer isso."  Essa era a hora de Designer.

— Ah. Como você decidiu trabalhar em Designer?

Ichijo: Eu estava em bons termos com meu editor na época, então, quando me pediram para fazer uma série em quatro capítulos, eu disse a eles: "Deixem-me desenhar como eu quiser." Eu sabia que havia certas coisas que eu não podia desenhar na Ribon,[1] então eu iria explorar os limites, mas não desenharia nada que fosse absolutamente proibido.   Então eu disse que não mostraria o storyboard a eles, e que também não teria nenhuma reunião.

— O quêêê!?

Ichijo: Que reação é essa? (risos)

— Mas isso pode mesmo!?

Ichijo: Bom, foi um caso totalmente excepcional.  Eu disse a eles que só queria desenhar um  mangá relacionado à moda, e começamos Designer sem nenhuma reunião.

— Foi realmente um projeto pessoal.

Ichijo: Sim. Eu queria desenhá-lo.  Depois que terminei a primeira parte, entreguei ao meu editor, e ele disse: "Então essa é a história."

— Editores são basicamente como leitores, não são? (risos)

Ichijo: Então, parece que se tornou popular de uma maneira um pouco diferente de antes, e fiquei feliz quando a serialização aumentou de quatro para seis capítulos.

— O que te inspirou a criar a história de Designer?

Ichijo: Às vezes, primeiro imagino uma cena que quero retratar, e depois penso na história.  Em Designer, a pessoa que eu queria retratar era Ootori Reika (*A rainha do mundo do design e mãe biológica da personagem principal, Ami)  Naquela época, a igualdade de gênero não era realmente uma realidade, e era uma época em que as mulheres tinham que trabalhar três vezes mais que os homens para alcançar o mesmo status.  Eu queria retratar uma mulher que "abriria mão de tudo para ser estilista".  Além disso, em outros mangás shoujo relacionados à moda, é comum vermos histórias em que o autor rouba a ideia de outra pessoa e diz: "Eu que fiz!", mas eu queria rejeitar isso. Então, quando a subordinada de Otori rouba o design de Ami (a personagem principal) e diz: "Eu que fiz, sensei!", ela responde: "Não zombe de mim!". Eu também queria desenhar isso.  

E então, “território sagrado”.  Designer”é o território sagrado dela.  O resto, ela pode fazer o que quiser. Eu queria retratar uma mulher firme, que se agarra apenas a uma única coisa.  E no final, há uma cena em que Ootori-san volta e recomeça do zero.  Eu pensei que, sem esse tipo de coragem, você não seria capaz de fazer o que realmente quer.  Depois de desenhar, me senti revigorada e exausta.  Acho que meu próximo ponto de virada foi Koikina Yatsura.  Até que ponto posso me distanciar de ser uma artista de mangá shoujo?  Não apenas coisas femininas, mas um mangá shoujo que homens também possam ler.

— Acho que não havia muitos naquela época.

Ichijo: Não havia muitos.  Mangá shojo policial (risos).  Comédias de ação sem romance.  Nunca pensei que realmente faria algo assim.

(Continua)

2026-03-06-SEX

[1] Só para explicar, não havia revistas shoujo para  mulheres adultas (ladies' comics ou josei) nos anos 1970, por isso encontramos séries que não são necessariamente infanto-juvenis em revistas como a Ribon, a Margaret e outras.  No entanto, pelas falas de Ichijo, havia limites, mas eles acabavam sendo esticados ao máximo para os  padrões atuais.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Livro e exposições revisitam a fase de ouro da revista Ribon.

Otome-Chic (otome-chikku/乙女ちっく) foi um  estilo de histórias da revista Ribon, que está comemorando os seus 70 anos, focadas no dia a dia das adolescentes, sem grandes dramas, tragédias, falando para meninas comuns, colegiais, sobre amizade e amor.  No final de janeiro foi lançado o livro Mutsu A-ko, Tabuchi Yumiko, Tachikake Hideko: Ribon 70’s Otome-Chikku☆Epoch (陸奥A子・田渕由美子・太刀掛秀子 りぼん70’sおとめチック☆エポック) focando nas três mangá-kas mais importantes desse subgênero.  Segundo o CD Japan, são mais de 250 ilustrações.  Já o Comic Natalie apresenta um resumo do livro: há entrevistas, bate-papo das autoras, mangá curto inédito, ensaios e a contribuição das mangá-kas Ikeno Koi e Mizusawa Megumi.  O preço de capa do livro é 1800 ienes, mais ou menos 60 reais.  Só que o correio eleva MUITO esse valor.  Deve ser um livro bem interessante.

Ainda relacionado ao tema, está aberta uma exposição chamada "Kawaii Neighborhood! Mutsu A-ko & Matsumoto Katsuji Exhibition" está em cartaz na antiga residência de Ozaki Theodora, em Tokyo, até 24 de fevereiro. Matsumoto Katsuji (1904-1986) foi um autor pioneiro dos shoujo mangá.  De 4 de abril a 28 de junho, a exposição "Tachikake Hideko Exhibition ~Ribon 70's Otome-chic☆Epoch~" estará em cartaz no Museu Yayoi, em Tokyo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Strobe Edge terá gaiden na revista Betsuma para comemorar estreia do dorama

O dorama de Strobe Edge (ストロボ・エッジ) estreia em 31 de outubro, no Japão.  Muito bem, para comemorar e divulgar a série de TV, Io Sakisaka fez um gaiden (*história extra*) do mangá que está na última edição da revista Betsuma.  Segundo o Comic Natalie, o gaiden tem 32 páginas, a nova história é centrada em Ando, o colega de escola que se apaixona pela protagonista (Ninako), mas não consegue conquistar o seu amor.  

Strobe Edge foi publicado entre 2007 e 2010, sendo o primeiro grande sucesso de Io Sakisaka.  Já teve filme live action para  o cinema, mas não teve animação.  Acredito que ela ainda virá.  O mangá é publicado no Brasil pela Panini e eu preciso fazer uma resenha.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

A Revista Ribon está completando 70 anos: De Tokimeki Tonight e Chibi Maruko-chan até o aparecimento de GALS! (1982-1999)

Este é o segundo post sobre os 70 anos da revista Ribon.  Estou usando como base uma série de matérias do Yahoo Japão sobre a publicação.  No primeiro post, o foco foi dos primórdios da revista até a década de 1970. Vamos ver quais os marcos essa matéria elegeu para as décadas de 1980 e 1990.  Este é o período em que a Ribon era a revista shoujo mais vendida do Japão, alcançando uma marca superior a dois milhões e quinhentos mil volumes mensais.  Praticamente todas as séries importantes da revista viravam anime e são amadas e lembradas até os nossos dias.  Esta cronologia foi feita pela jornalista Uemura Yuko, da revista BAILA (*site da revista*), que é uma publicação de moda focada em mulheres de mais de 30 anos, gente que cresceu lendo a Ribon, sob  a supervisão de Sugawa Akiko (Professora, Universidade Nacional de Yokohama) e saiu na versão física da revista.

Em julho de 1982, estreou Tokimeki Tonight (ときめきトゥナイト), de Koi Ikeno. Inspirada na febre das idol, como Seiko Matsudaas protagonistas da Ribon, como Ranse de Tokimeki Tonight, eram frequentemente chamadas de idols.  A matéria ressalta que séries mais longas começaram a aparecer na revista.  Tokimeki Tonight chegou aos 30 volumes.  Para quem não conhece a série, o resumo inicial é o seguinte: "Ranze Etou é uma adorável garota imortal com um pai vampiro e uma mãe lobisomem que atiravam coisas um no outro quando brigavam de infância. No entanto, Ranze só quer viver como uma garota normal e levar uma vida normal. Infelizmente, ela é "abençoada" com o poder de se transformar em qualquer coisa que morda. Por exemplo, se ela acidentalmente morder um bolo do jeito errado, ela se transformará em um bolo. A única maneira de voltar ao normal é espirrar! Ranze está apaixonada por Shun Makabe, que é um garoto humano bonito da escola. No entanto, uma garota humana (sem muito cabelo) chamada Youko também gosta de Shun, e ela faria qualquer coisa para revelar que Ranze não é humana!  As coisas ficaram ainda mais complicadas quando Ranze conheceu Aaron, que é o príncipe do Mundo Espiritual. Aaron se apaixonou por Ranze à primeira vista, e ele faria de tudo para afastá-la de Shun."

Em dezembro de 1985, estreou Hoshi no Hitomi no Silhouette (星の瞳のシルエット), de Hiiragi Aoi.  A série foi uma das responsáveis por ampliar as vendas da Ribon que chegou a atingir dois milhões e quinhentos mil exemplares por mês.  A série contou com dez volumes e o resumo inicial é o seguinte: "Uma das amigas próximas de Kasumi, Mariko, se apaixonou por Satoshi – um velho amigo de Kasumi, de quem ela não é mais tão próxima. Kasumi quer apoiar a amiga e a está ajudando, mas está começando a perceber que também gosta de Satoshi, e pior ainda, que Satoshi também pode gostar dela…".

Em agosto de 1986, Chibi Maruko-chan (ちびまる子ちゃん), de Momoko Sakura, estreou.  A série se tornou uma das mais importantes do Japão, junto com Doraemon (ドラえもん), Sazae-san (サザエさん), Anpanman (アンパンマン) e Crayon Shin-chan (クレヨンしんちゃん).  Chibi Maruko-chan tem como protagonista uma menina de nove anos. Ela é preguiçosa, desorganizada e costuma chegar atrasada à escola, em forte contraste com sua irmã mais velha, disciplinada e organizada, que precisa dividir o quarto com ela. Maruko, como muitas crianças, tenta evitar deveres de casa e tarefas domésticas, se aproveita do avô carinhoso e briga com a irmã. Mesmo assim, ela é uma criança bem-intencionada que se esforça para fazer o bem.  A autora da série morreu precocemente em 2018 por causa de um câncer de mama.  

Em maio de 1992, estreou na Ribon Marmalade Boy (ママレード·ボーイ), de Wataru Yoshizumi.  A matéria ressalta que Marmalade Boy inicia uma nova era na revista, lançando uma geração de protagonistas cheias de vida e de sonhos.  O fato é que a série foi um grande sucesso e, mesmo com míseros 8 volumes, teve uma animação com 76 episódios.  O ponto de partida da série é o seguinte: "Quando Miki Koishikawa recebe seus pais de volta de uma viagem ao Havaí, a última coisa que ela espera é que eles anunciem alegremente que estão se divorciando. Para sua surpresa, eles planejam trocar de parceiro com outro casal que conheceram nas férias. Mal conseguindo controlar suas emoções, Miki comparece relutantemente ao jantar para conhecer o outro casal e seu filho incrivelmente bonito, Yuu Matsuura.  Depois de se mudar para uma casa espaçosa com sua família recém-reformada, Miki luta para se adaptar ao seu novo estilo de vida e aos seus sentimentos crescentes por Yuu. Ela tenta navegar pelo próximo ano letivo com a ajuda de sua melhor amiga, Meiko Akizuki, que esconde um relacionamento escandaloso. No entanto, o caminho à frente não é simples, pois Miki e Yuu têm outros pretendentes em potencial e uma bagagem emocional do passado que relutam em revelar."

Em agosto de 1994, estreou Kodomo no Omocha (こどものおもちゃ), de Miho Obana, foi um grande sucesso e também foi curta como Marmalade Boy, contando somente com dez volumes, já o anime teve 102 episódios.  A matéria do Yahoo destaca que Kodocha traz para o mundo dos mangás uma preocupação da época, a indisciplina no ambiente escolar.  O ponto de partida do mangá é o seguinte: "Sana Kurata é uma atriz mirim alegre, popular e cheia de energia, de onze anos.  Ela frequenta uma escola primária assolada pelo caos, liderado principalmente por um garoto aparentemente distante chamado Akito Hayama. No início, os dois entram em conflito por causa de seus ideais opostos, mas, à medida que se conhecem, começam a apoiar um ao outro e a apoiar seus colegas de classe e colegas."  

Em fevereiro de 1995, estreou um dos maiores sucessos de Ai Yazawa, Gokinjo Monogatari (ご近所物語).  Foram somente 7 volumes de mangá, que renderam CINQUENTA episódios animados, mais um filme especial com 30 minutos.  Outros tempos... Muito bem, para quem não conhece a história, segue um resumo do início da série: "Mikako Kouda é uma aspirante a designer de moda que frequenta a Academia de Arte Yazawa em Tóquio e está aos poucos construindo sua marca de roupas, Happy Berry. Amiga de infância de seu vizinho, Tsutomu Yamaguchi, Mikako reavalia seus sentimentos outrora platônicos por ele quando ele repentinamente se torna popular na escola devido à sua semelhança com o cantor Ken Nakagawa e começa a namorar Mariko, uma garota popular e atraente."  Gokinjo Monogatari tem ligação com Paradise Kiss (パラダイス・キス), série que foi publicada (*duas vezes*) pela Panini.

Em setembro de 1997, estreou Good Morning Call (グッドモーニング・コール), de Yue Takasuka.  A série com 11 volumes foi publicada até 2002, teve uma segunda série continuando a história original (*iniciada em 2007 e ainda não concluída*), um especial em vídeo e dois doramas.  O ponto de partida da série é o seguinte: "A adolescente Nao Yoshikawa mudou-se para seu próprio apartamento 2DK na cidade, pois seus pais retornaram ao campo para administrar a fazenda da família. No entanto, ela logo descobre que Hisashi Uehara, um colega de escola bonitão, também está se mudando. Percebendo que foram enganados para alugar o mesmo apartamento, eles concordam em dividir o apartamento para pagar o aluguel. A história acompanha suas aventuras enquanto tentam manter sua coabitação em segredo dos colegas, com Nao desenvolvendo sentimentos românticos por Hisashi à medida que o conhece melhor."  Um 2DK é um apartamento padrão japonês com dois quartos, uma sala de jantar e uma cozinha.

Em fevereiro de 1998, estreou um dos maiores sucessos de Arina Tanemura, Kamikaze Kaitou Jeanne (神風怪盗ジャンヌ).  A série teve 7 volumes e um anime com 44 episódios.  "Durante o dia, Kusakabe Maron é uma estudante comum do colegial com muitos problemas. Mas à noite, ela é a Kamikaze Kaitou Jeanne, a reencarnação de Joana d'Arc. Sua missão: caçar pinturas possuídas por demônios e exorcizar os espíritos malignos! Uma pena que cumprir essa missão a coloque em conflito com as autoridades, que a veem como uma estranha misteriosa vandalizando obras de arte. Com a ajuda apenas do anjo em treinamento Finn, ela precisa sobreviver ao colegial durante o dia e combater o mal à noite!"  Uma série de light novels inspirada no mangá foi publicada em 2013, escrita por Matsuda Shuka e ilustrada por Arina Tanemura.

E, por fim, em fevereiro de 1999, foi publicado GALS! (ギャルズ!), de Mihona Fuji, uma série que dialogava com as últimas tendências da moda das meninas que frequentavam o bairro de Shibuya e discutia temas sérios como prostituição juvenil, consumismo, relacionamentos abusivos com humor.  Sim, com humor.  O resumo da série é o seguinte: "Ran Kotobuki é a autoproclamada "melhor garota do mundo". Como uma adolescente que frequenta Shibuya, ela está determinada a viver o estilo de vida de GAL pelo resto de sua vida, e ela ganhou a reputação de ser a garota mais respeitada de todo o bairro. No entanto, ela vem de uma família de policiais — seus avós, seus pais e seu irmão mais velho são todos policiais, e sua irmã mais nova está determinada a seguir seus passos. Ran tem outros sonhos para seu futuro, mas como frequentemente demonstrado, ela adquiriu o senso de justiça e o espírito da família. Suas duas amigas, Miyu e Aya, também têm seus próprios problemas e circunstâncias, que são mostrados ao longo da série."  A série teve 10 volumes (*tenho todos em casa*), três video games e uma animação com 52 episódios.  A abertura da série é uma das melhores que eu já vi.  Uma sequência do mangá foi lançada em 2019 e teve cinco volumes.

E acabou a cronologia, mas senti muita falta de Hime-chan no Ribon (姫ちゃんのリボン), de Mizusawa Megumi.  A série inclusive teve  um especial na revista BAILA quando dos 60 anos da Ribon.  Como deixaram de fora?  A série estreou em agosto de 1990, teve 10 volumes, mais um com gaidens, anime com 61 episódios, musical, série de light novels e uma continuação (*ou remake?*) com 4 volumes, em 2009.  Percebem a importância dessa série?  Enfim, o resumo desse mahou shoujo é o seguinte: "Himeko é uma tomboy cheia de energia e alegre que tem um bordão para se animar ("Ike, Ike, vai, vai, PULA!"). Mas, por algum motivo, falta-lhe coragem para dizer ao garoto mais velho, seu senpai, que está apaixonada por ele. Talvez ela não seja feminina o suficiente? Mágica e misteriosamente, Hime-chan conhece alguém que é como sua imagem refletida no espelho, só que é uma princesa! Erika, do Mundo Mágico, veio dar a Hime-chan um presente que ela inventou, uma fita mágica, que lhe permitirá se transformar na imagem de qualquer outra pessoa por uma hora. Isso deveria ajudar a resolver o problema de Hime-chan, não é mesmo?"

Outra ausência estranha dentro do recorte dos anos 1980 e 1990, que talvez tenha a ver com essa ideia de foco em moda, foi Azazukin Chacha (赤ずきんチャチャ), de  Min Ayahana.  Baseada na história da Chapeuzinho Vermelho, o ponto de partida do mangá é o seguinte: "Chacha é discípula do maior mágico do mundo, Seravy. No entanto, ela mesma ainda não é nada grandiosa. Aprendiz de bruxa, Chacha sempre acaba errando seus feitiços e causando desastres. Com a companhia de seus amigos Riiya, um forte menino-lobo, e Shiine, uma colega aprendiz, Chacha continua sua jornada maluca para se tornar uma maga melhor." A série estreou na edição de julho de 1992 e seguiu até a edição de agosto de 2000. Com 13 volumes encadernados no total, Akazukin Chacha contou com uma animação com 74 episódios exibidos entre 7 de janeiro de 1994 e 30 de junho de 1995, além de três OAVs lançados entre 6 de dezembro de 1995 e 6 de março de 1996.  Uma continuação da série foi lançada na revista Cookie com o nome de Akazukin Chacha N entre junho de 2012 e julho de 2019, contando com 5 volumes.

Também senti muita falta de Yuukan Club, de Yukari Ichijo, porque ela é uma das grandes autoras da revista desde os anos 1970.  Talvez, só talvez, a ausência se justifique porque a série não foi publicada somente da Ribon.  O mangá dos estudantes ricos detetives começou na Ribon Original, uma revista derivada da Ribon, na edição de primavera de 1981, mas a série migrou para a Ribon na edição de fevereiro de 1982 para, mais tarde, migrar para a revista Chorus, revista josei antecessora da Cocohana.  Como se trata de um mangá episódico, não há necessidade de uma narrativa linear e a série tem 19 volumes e não foi declarada como encerrada ainda, ainda que a Wikipedia japonesa considere que um capítulo lançado em 2022 é, sim, o final da série.  O resumo do ponto de partida da série é o seguinte: "A Escola St. President é uma das escolas mais prestigiadas do Japão e todos os seus estudantes respeitam o clube Yuukan, o grupo mais rico e popular da instituição. Seus membros — Shouchikubai Miroku, Kenbishi Yuuri, Kikumasamune Seishirou, Hakushika Noriko, Bidou Granmanie e Kizakura Karen — cada um com habilidades especiais, embarcam em aventuras perigosas para salvar seus colegas e, claro, para passar o tempo."  Segundo a autora, o nome das personagens principais e seus animais de estimação foram inspirados em bebidas alcoólicas populares.  Agora, lembrem que é uma série que, pelo menos nos primórdios, era publicada em uma revista infanto-juvenil.

Enfim, essa foi a fase mais importante da Ribon em termos de sucesso de vendas e crítica, de produção de animações e o elenco de autoras da revista era de grande qualidade.  Quando elas começaram a deixar a revista, as novatas que as substituíram não conseguiram emplacar novos sucessos e muitas das antigas leitoras acompanharam as suas artistas favoritas para outras revistas, como a Cookie. Você sentiu falta de algum dos grandes títulos dos anos 1980 e 1990?  Deixe nos comentários a sugestão, porque ainda terei que gravar o Shoujocast. Aguardem os próximos posts.