sábado, 19 de setembro de 2015

Quais comportamentos de suas filhas adultas mais irritam os pais japoneses


O site Rocket News 24 publicou os resultados de uma pesquisa feita pela revista R25 que é, no mínimo, curiosa, quais comportamentos de suas filhas adultas mais irritam os pais (*homens*) japoneses.  Duzentos homens com filhas maiores de 20 anos receberam um formulário com quinze opções, eles poderiam escolher três, o  resultado foi o que segue: 

10. Quando eu a vejo usando roupas realmente curtas (35 pontos)
9. Quando descubro que ela fuma (36 pontos)
8. Quando eu tenho que admitir que ela realmente não foi abençoada com a beleza (63 pontos)
7. Quando ela me diz que eu sou sujo ou que cheiro mal (74 pontos)
6. Quando ela não faz nada para comemorar meu aniversário (75 pontos)
5. Quando eu descubro que ela nunca será capaz de conseguir um namorado (86 pontos)
3 (empate). Quando eu descubro que ela tem um namorado (87 pontos)
3 (empate). Quando ela não faz nada para  comemorar o “Dia dos Pais” (87 pontos)
2. Quando ela começa a apresentar os mesmos traços (*de caráter?*) que me incomodam na sua mãe (92 pontos)
1. Quando ela anuncia “Eu não tenho intenção de me casar!” (102 pontos)

Nessa lista, que lembro, foi feita por alguém e oferecida aos pesquisados, a gente percebe duas preocupações recorrentes: ser lembrado pela filha e que ela seja atraente para outros homens.  E não estou falando da preocupação machista com a roupa, acho que ela apareceria aqui no Brasil, também, e que diz mais sobre o sujeito do que sobre a mulher.  Afinal, os homens são doutrinados a verem mulheres como objetos a se admirar e possuir, dividem-nos em “para casar” e as que não são.  Mulheres que usam roupas curtas, via de regra, não são para casar.  Uma das coisas que atravessam as culturas patriarcais é este julgar as mulheres pela aparência, enfim, não é natural, é traço de uma estrutura que perpetua opressões e desigualdades.


A primeira preocupação a comentar é em ser lembrado, amado.  Acredito que seja uma angustia da maioria dos idosos (*e idosas*), ser esquecido, porque não ser lembrado é não ser amado.  Veja que aparece duas vezes, o aniversário e o Dia dos Pais (21 de junho), mas o segundo é mais importante.  Minha teoria é a seguinte, o aniversário é algo pessoal, se o esquecem, fica em casa, em família.  Agora, em uma sociedade que preza pelo coletivo, esquecer o Dia dos Pais é algo que sai da esfera privada e vai para o público.  Todos os pais estão sendo lembrados, menos eu.  Honra e vergonha envolvidos aí, ainda que se trate de uma data comercial.  Os colegas de trabalho podem perguntar, vão exibir seus presentes e você?  Chamar o pai de sujo tem a ver com esse do ser lembrado e amado, eu creio, mas pode ser uma forma comum de ofender no Japão, não ser.  Afinal, trata-se de uma sociedade muito preocupada com a limpeza e a higiene, então... 


Por fim, a questão do atraente para outros homens.  Uma filha precisa ser bonita, agradável, e, claro, ainda que um namorado (*sem permissão, talvez*) incomode, é muito mais preocupante que ela não consiga um, mais preocupante ainda que ela não queira se casar.  Heteronormatividade, porque ninguém imagine que uma namorada esteja no horizonte dessa pesquisa, e casamento, que significa segurança e procriação.  Em um país com demografia em queda e com um número cada vez maior de mulheres que não querem se casar, ter uma filha que não interessa aos homens, nem se interessa por eles, é uma demonstração de que ela tem problemas e, de novo, que você falhou como pai.  

Agora, imaginem que a pressão para que uma menina seja bonita deve começar cedo e não somente isso, mas que se enquadre, talvez, naquele modelo de kawai que vemos em animes e mangás.  Daí, quando isso se desdobra em consumismo, futilidade, excesso de vaidade, é culpa da mulher, ou de sua "natureza" feminina.  Percebam o quanto a pesquisa aponta que a coisa não é bem assim... Já em relação ao trabalho, aos estudos e, mesmo, ao caráter, nada.  Quem sugeriu os temas é responsável em parte, mas as respostas dizem muito, também, do que deve ser a preocupação de um pai japonês médio.

É isso.  Achei que valia a pena dividir.  A presença dos pais é rara nos shoujo mangá.  Nos josei, talvez apareçam mais, só que eu não tenho tanta leitura para afirmar que sim.  Os mangás que li tinham muito mais a presença da mãe e, às vezes, de um pai muito desencanado.

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3 pessoas comentaram:

"Quando eu tenho que admitir que ela realmente não foi abençoada com a beleza"
Olha aí, todo filho não é bonito para os pais?

"Quando eu descubro que ela nunca será capaz de conseguir um namorado"
Imagino como se descobre isso.

É algo que precisa ser debatido, mas dá dó de ver essas respostas. O que vejo o pessoal comentar a respeito do Japão é que as mulheres de lá não casam fácil. (Não sei o porque, e duvido desses burburinhos.)

Já pensou se a filha que vê o pai marcando a opção de que não acha a filha atraente o suficiente para conquistar alguém? A auto estima deve cair lá em baixo.

Aff, eu odeio esses estereótipos machistas que dizem que a mulher tem que ser ou não ser tal coisa e fazer ou não fazer tal coisa. Meu Deus, a gente ta em pleno 2015 e haja gente que ainda fala e acredita nisso u.ú'

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