terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Recomendação de texto: Shoujo mangá: Lá vamos nós de novo…


A amiga Patrícia escreveu um texto excelente em resposta a um artigo altamente problemático publicado pelo site Collant Sem Decote.  Não vou linkar o texto, que deve aparecer na TL da maioria dos fãs de mangá e anime que usam o Facebook, porque  ele me deu gastura, especialmente, por tinha discutido alguns pontos dele em janeiro com a autora, coisas como dizer que o mangá de Akiko Higashimura suspenso no Japão era shoujo e foi suspenso por não ser um representante convencional da demografia.  Vejam bem, não estou discordando do que o texto diz, estou dizendo com todas as letras que a informação está errada e a conclusão, algo fundamental para a argumentação da autora, também está.

Enfim, gosto do Collant sem Decote, um site nerd feminista que já citei como fonte e referência aqui, mas este artigo de uma autora convidada lembrou-me os "bons" tempos em que os moleques ficavam falando mal de shoujo nas listas do Yahoo sem sair dos animes modinhas.  Neste caso, agora, sem sair dos mangás modinha.  Bem, você percebem que estou com raiva, ontem estava pior.  Como o que a moça escreveu serve para reforçar os preconceitos e a generalização sobre shoujo mangá, senti-me absolutamente desestimulada em escrever no Shoujo Café sobre ele.  A Patrícia, no entanto, fez um texto muito bom e deixo para vocês, porque pode ajudar a fazer muita gente refletir, coisa que essa velha de 40 anos não tem muita paciência para fazer, ainda mais depois de ver que a persistência nos erros foi proposital e, não, um deslize a ser consertado.  Segue um trecho do texto dele: 

Respeito e acompanho o blog feminista Collant sem decote há algum tempo. No entanto, acho necessário fazer uma resposta — ou melhor, alguns esclarecimentos — ao post Papéis de gênero e sexismo no mangá shoujo moderno, porque eu estou cansada de ler bullshit. 
Antes de tudo, quero deixar claro que NÃO estou tentando negar os problemas decorrentes do machismo dentro do shoujo mangá. Ele é um produto cultural de uma sociedade conservadora e machista, então não é de se espantar que os quadrinhos japoneses reproduzam os mesmos preconceitos. Assim como também existem mangás que desafiam o status quo, seja de forma discreta ou totalmente escancarado.
Vários mangás populares — Ao Haru Ride, Black Bird, Ookami Shoujo to Kuro Ouji, entre outros — são sucessos com o público feminino E reproduzem mensagens nocivas como a romantização do agressor, a submissão feminina, “meu amor pode salvá-lo”, etc. Não muito diferente de outros sucessos de público igualmente problemáticos como Crepúsculo e 50 Tons de Cinza. 
Love Celeb, de Shinjo Mayu. Esse mangá é tão ruim e tem uma cena de estupro que me deixou tão afetada que eu acabei descobrindo o feminismo por causa dele.
(O que não quer dizer que você não deve gostar dessas histórias. É possível se entreter tendo consciência dos problemas dessas narrativas, mas isso é discussão pra outro dia)
MAS como eu já falei antes, o Shoujo Café já falou antes, a Campanha Mais Shoujos no Brasil também, e inúmeras outras já falaram nem todos os romances colegiais são assim, e shoujo é muito mais do que apenas romances com estudantes colegiais. Cansei de repetir isso já.


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1 pessoas comentaram:

Gente, que texto descuidado aquele do CSD.
O que me chamou a atenção de cara foi o que a Patricia também percebeu, desde quando shoujo mangá é apenas romance escolar?? Mesmo com todos os problemas que sim, envolvem esse recorte (como a Patricia bem explicitou), não dá pra negar que o texto do CSD prejudica os shoujo mangá, já tão cheio de estigmas...

Surpreendente, esclarecedor e delicioso o texto-resposta da Patricia!
Todas que saíram elogiando o primeiro texto lá nos comentários deveriam ir ler esse agora.

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