sábado, 16 de julho de 2016

O que os japoneses pensam da baixa taxa de natalidade do país?



Volta e meia o Rocket News 24 publica matérias sobre os vídeos do canal That Japanese Man Yuta, pertencente a um japonês que entrevista seus conterrâneos na rua.  Ele apresenta os vídeos em inglês, sem legendas, o que pode ser um problema para muita gente, e as entrevistas são legendadas também em língua inglesa, quando estão em japonês.  O tema é sempre interessante e, desta vez, a pergunta era sobre a baixa natalidade e qual seria a saída.

Primeiro, alguns entrevistados não tinham noção de quão baixa era a natalidade do país, estavam alheios a tudo quando, segundo os dados mais recentes, só Singapura tem taxas mais baixas que a do Japão. Depois do susto que alguns tomaram, começaram a tentar levantar os motivos para a baixa natalidade e o que mais apareceu foi o custo.  Ter filhos no Japão, educá-los bem, proporciona-lhes as melhores condições , é caro, muito caro.


Em seguida, vieram outros motivos.  Uma mulher, que parecia estar com o marido ou namorado, cita a falta de afetividade dos japoneses.  Beijar em público seria ainda motivo de escândalo.  Sim, pode ser um problema, mas há culturas em que o beijo é preliminar de ato sexual (*caso do Japão, aliás*) e, bem, não beijar em público não conduziu várias sociedades a uma crise demográfica.  Os dois moços mais alienados, citam que muitos homens não estão interessados em mulheres, preferem hobbies, e que muitas mulheres não querem se casar.   

Daí, passamos para as duas colegas de trabalho, pensei no início que eram mãe e filha, mas me enganei.  A mais velha cita o custo de ter um filho, mas expõe as questões de gênero: mulheres são empurradas para o lar quando se casam; ter filhos é caro, mas o que parece ser o esperado é que elas abram mão da renda e da carreira quando mais precisam dela.  É injusto e bem evidente, mas nenhum dos homens pensou nisso.


Os rapazes bobinhos comentaram que muitas mulheres não querem se casar, mas não se perguntaram o motivo.  Já a moça mais jovem disse querer ter filhos, mas acrescentou que quer continuar bonita.  Sabe aquela história de que gravidez estraga o corpo?  Pois é, não é coisa só daqui.  As duas colegas de trabalho começaram a debater qual seria o salário ideal de um marido, especialmente, quando se espera que a mulher pare de trabalhar.  Pelo que entendi, elas estavam sonhando alto. 

O homem e a mulher que pareciam um casal falaram de imigração.  Para o homem, os imigrantes poderiam compensar a baixa natalidade.  Ele chegou ao ponto de dizer que japoneses não precisam ser brasileiros.  Aí, a mulher se espanta e afirma que estrangeiros têm má fama.  Sabe, racismo?  Xenofobia?  Esse é o ponto.


Daí, todos citam a necessidade do incentivo governamental para que os japoneses procriem.  Compensações econômicas seriam bem vindas e o próprio RN24 já falou sobre o quanto isso está funcionando em uma determinada província do Japão.  A mulher mais velha tocou mais uma vez no apoio às mulheres, algo óbvio, mas duvido que os entrevistados homens saibam qual o lugar do Japão no ranking de igualdade de gênero.

Enfim, é um vídeo interessante e a discussão é mais do que urgente no Japão.  A natalidade vem subindo nos últimos anos, mas é algo tão tímido e a natalidade tão baixa que o impacto é quase zero.

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2 pessoas comentaram:

Que blog interessante, gostei dele e parece ter informações confiaveis afinal você entrevista japoneses nativos, vou acompanhar para buscar conhecimentos futuros.

Eu não entrevisto, eu usei um site japonês como fonte.

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