segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Riyoko Ikeda completa 70 anos hoje!


Em 18 de dezembro de 1947, nasceu Riyoko Ikeda, uma das mais importantes mangá-kas da História.  membro proeminente da geração que  revolucionou o shoujo mangá, o  Nijūyo-nen Gumi (24年組), em português, Grupo do ano 24 (da Era Showa), porque todas as autoras nasceram em 1948, um pouquinho antes, como Ikeda, ou um tiquinho depois. 

Enfim, este ano marca, também, os 50 anos de carreira da artista, que estreou com  Bara Yashiki no Shoujo.  Nascida em Osaka, ela foi para Tokyo fazer faculdade de Filosofia, mas se não fosse capaz de se sustentar com um emprego digno em um ano, o pai a faria voltar para casa e lhe arranjaria um marido.  Ela queria ser escritora, mas o mercado de mangás em expansão precisava de quadrinistas, especialmente para as revistas de meninas.  Ikeda sabia desenhar e viu no mangá uma forma de ganhar sua independência econômica e conseguiu.

Riyoko Ikeda menina, a foto veio daqui.
O boom de sua carreira, aquilo que a colocou na História, literalmente, foi seu mangá Versailles no Bara (ベルサイユのばら), que ficou famoso no Ocidente (*graças ao anime em primeiro lugar*) como Lady Oscar.  Foi o primeiro mangá histórico para meninas e fez explodir no Japão o interesse por História da França e pelo país em si.  Com Orpheus no Mado (オルフェウスの窓 ), considerado por alguns críticos como sua maior obra, afinal, deu-lhe o principal prêmio da associação de cartunistas do Japão em 1980, ela  ofereceu uma visão sobre o final da Belle Èpoque, a I Guerra Mundial e a Revolução Russa.    Em uma entrevista, a própria autora disse que "Se Versailles no Bara é o trabalho da minha juventude, Orpheus no Mado é o trabalho de toda a vida".

Mas são muitos os seus mangás históricos, dentre eles: Eikou no Napoleon ~Eroica~ (栄光のナポレオン - エロイカ), que funciona como uma continuação da Rosa de Versalhes (*Napoleão faz breve aparição neste mangá*); Jotei Ekaterina (女帝エカテリーナ), sobre Catarina II da Rússia; Elizabeth ~kuni to kekkon shita jyoou~ (女王エリザベス), sobre a rainha Elizabeth I etc.  Fora isso, Ikeda talvez tenha sido o primeiro mangá-ka a falar de transsexualidade com Claudine...!  (クローディーヌ・・・!).

Leonid Yusupov não é o protagonista de Orpheus,
mas é minha personagem favorita.
Confesso que prefiro as obras de Ikeda nos anos 1970, o traço  pelo menos.  Ela nunca negou em suas entrevistas (*há uma em dez partes que veio com a edição italiana que eu tenho da Rosa e que traduzi*) que gostava de escrever e nunca foi apaixonada pelo desenhar.  Algumas da últimas obras de Ikeda que vi, especialmente um mangá Harlequin (*Eu sei, a maioria das autoras não se esforça fazendo esse tipo de mangá*), me deixaram muito desanimadas, mas para desenhar os gaiden da Rosa que estão em publicação na Margaret, ela voltou a se aplicar, ao que parece.

Mais tarde, ela deu uma parada na carreira e foi estudar música, sua outra paixão.  Formou-se na faculdade, tornou-se cantora e autora de óperas.  Além disso, escreveu peças para o Teatro Takarazuka sobre sua obra mais amada, Berubara.  E o que seria do Takarazuka sem A Rosa de Versalhes? A Revue estava em crise quando a primeira peça musical da Rosa de Versalhes estreou em 1974 e boom!  Para quem não sabe, a primeira adaptação de um mangá para o cinema feita no Ocidente, foi A Rosa de Versalhes.  Com dinheiro japonês e com o dedo de Ikeda, porque nada se faz com A Rosa sem que ela permita.
Berubarakids.
Em 2009, Riyoko Ikeda recebeu a Ordre national de la Légion d'honneur, no grau de Cavaleiro, do Governo Francês.   Hoje, ela praticamente não desenha mais, salvo pelos gaiden da Rosa e BeruBara Kids (ベルばらKids), uma paródia publicada no Asahi Shinbun, ela não desenha mais, Erika Miyamoto, sua auxiliar, foi a responsável pela arte de Elizabeth e de Nibelungen no Yubiwa (ニーベルンクの指輪), versão mangá da ópera de Wagner.  

Curiosamente, somente dois mangás de Riyko Ikeda viraram animação.  A Rosa, claro, e a autora disse em entrevista que só tinha assistido ao primeiro capítulo e odiou ouvir Oscar, que era tão polida, usando o eu masculino extremo, "ore", e Onisama E... (おにいさまへ…), que apesar das muitas liberdades em cima da obra original, e do final bem machista, preciso pontuar, é um grande anime.  Os dois são, com seus problemas e tudo mais.  Osamu Dezaki era um gênio e foi responsável maior pelas duas adaptações.

A página de abertura do último
gaiden da Rosa de Versalhes.
Enfim, espero que pelo menos para os 50 anos da Rosa de Versalhes, em 2022, ela permita uma nova animação.  É o que muita gente, como eu, deseja. Ikeda deve ser uma pessoa (*muito*) difícil e não precisa de dinheiro, seja, porque construiu sólida carreira, seja, porque, quando se casou, o fez com um banqueiro.   De resto, vida longa para Riyoko Ikeda!  Obrigada pelas suas obras magníficas!  

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