segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Patrimônio da Humanidade ameaçado pelo presidente dos Estados Unidos


Não ia falar nada sobre o atentado promovido pelo presidente dos Estados Unidos no Iraque e que matou um importante general iraniano, porém, ontem o presidente norte americano ameaçou atingir 52 alvos no país caso o Irã retaliasse.  Então, este é um daqueles posts off-topic, ou nem tanto para quem compreende que o Shoujo Café é muito maior do que um blog sobre mangá, anime e assemelhados.  Enfim, a fala de Trump está aí embaixo:


A tradução é mais ou menos a seguinte: “Deixe isso servir como um aviso de que, se o Irã atingir qualquer americano, ou ativos americanos, teremos como alvo 52 sites iranianos (representando os 52 reféns americanos tomados pelo Irã há muitos anos), alguns com nível muito de importância para o Irã e a cultura iraniana e esses alvos, e o próprio Irã, serão atingidos muito rápido e com muita dureza. Os EUA não querem mais ameaças! ”  Eu realmente não sei o que está acontecendo nos EUA, porque até onde sei, isso parece declaração de guerra e, bem, presidente dos Estados Unidos só pode declarar guerra com permissão do Congresso.  Enfim, é a primeira vez que vejo um líder de um país ameaçar patrimônio histórico de outro, neste caso, como a região é berço de antiquíssimas civilizações, patrimônio de toda a humanidade.  

Se alguém destrói as pirâmides do Egito, ou a Muralha da China, ou o complexo de cavernas de Lascaux na França, ou Machu Pichu no Peru, só para citar alguns exemplos, não está destruindo somente o patrimônio desses países, mas de toda a humanidade.  Eles fazem parte da nossa história coletiva e há muito ainda a se estudar e descobrir sobre nós, seres humanos e civilizações das quais somos tributárias que perder qualquer pedacinho desse passado é lesar a todos nós e as gerações futuras.

Um dos murais de Lascaux.
Em situações de guerra, como foi o caso do Iraque, ou de convulsão social, como aconteceu no Egito da Primavera Árabe, muito dano é causado, vários tesouros desaparecem.  Mas podemos dizer que foi uma fatalidade, mesmo quando a ignorância é o motor principal da façanha.  Agora, no caso deliberado, só lembro de grupos terroristas, a escória mesmo, porque falo do Talebã e do Estado Islâmico destruindo patrimônio da humanidade deliberadamente.  Ameaçando mesmo estender a destruição de tesouros da humanidade para barrar tentativas de acabar com seu domínio de terror.  Nunca um chefe de Estado fez isso.  Ah!  Sim, lembrei!  Hitler, ele, sim, mandou destruir tesouros e preservá-los, também (*roubando-os, em vários casos*), em algumas situações, seja anedota, ou não, foi desobedecido, como no caso de Paris.  

Admira-me, no entanto, o silêncio, ou nem tanto, dada a permissividade dos grupos cristãos-evangélicos quando o assunto é Trump, ou outro desses messias imperfeitos eleitos por líderes cegos guiando cegos, porque a região é importantíssima para a arqueologia bíblica.  Aliás, os primeiros a impulsionar a arqueologia na Mesopotâmia (*Iraque*) e na Pérsia (*Irã*) foram protestantes norte americanos interessados nas regiões que são fundamentais para a história do cristianismo, em especial, o Velho Testamento.  

Ruínas de Persepólis.
Sim, muita coisa está em jogo, mas este texto é da historiadora indignada com a insanidade.  Para se ter uma ideia, a região abrigou desde períodos remotos da chamada pré-história vários povos como os sumerianos e os elamitas, além de cair sob o domínio dos impérios assírio e babilônico que dominaram a região.  Depois, tivemos o poderoso Império Persa (650–330 A.C.), que quase engoliu a Grécia; além do período helenístico com a dominação de Alexandre o Grande e o posterior Império Selêucida (312-248 A.C.); o Império Parta  (248 A.C.–224 D.C.), que nunca se curvou aos aos romanos e o império Sassânida  (224–651 D.C.), que se manteve igualmente fora do domínio romano.  Tudo isso antes do Islã, do domínio árabe, de períodos de independência com a formação de novos impérios, de períodos de domínio chinês etc.  

Pense na riqueza da região e da atrocidade que é ameaçar destruir um patrimônio que é de todos nós.  Fora isso, é crime de guerra, codificado por acordos internacionais.  Mas o que esperar de gente que não valoriza nada salvo seu dinheiro e seu orgulho?  Fora, claro, que é uma forma de mostrar seu desprezo pela cultura, pelo povo, pela história de outros povos.  Enfim, é esse o mundo que temos hoje.

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3 pessoas comentaram:

Interessante o texto, mas Machu Picchu se escreve com dois cês.

Realmente se os EUA fizer isso, estariam cometendo um crime contra toda a humanidade... porém não é um trabalho conjunto (do congresso, sei lá) de escolher os alvos? Acredito que nem todos os americanos sejam tão descabeçados...

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