quinta-feira, 23 de abril de 2020

A autópsia de um vídeo: Uma discussão histórica do espartilho sob uma ótica feminista



Em 30 de março, faz tempo já, fiz um post no Facebook e prometi para minha amiga Lina que o traria para o Shoujo Café.  Enfim, sigo alguns canais sobre História da Moda no Youtube, além do site Frock Flicks, que vivo citando em quase toda resenha de filme, ou série, de época.  Antes de engravidar da Júlia (Janeiro/2013), estava pensando em fazer uma especialização em História Social da Moda.  Quem sabe, um dia. 

Não sou especialista no tema, que fique claro, mas sou historiadora e minha área são estudos feministas e de gênero e os discursos atrelados a eles.  Pois bem, um dos canais de moda que eu acompanho fez um vídeo "desmistificando" a perseguição ao espartilho.  Faz tempo que já notei que algumas das mulheres interessadas em história da moda fazem uma espécie de defesa dessa peça de vestuário, como se ela tivesse sido demonizada sem razão, quando, na verdade, era benéfica para as mulheres.  Muito bem, segue o vídeo, está em inglês, mas acredito que tenha legendas até em português.  Em seguida, meus comentários.



Logo de início aparece o meme da Nazaré confusa. É realmente interessante ver o quanto ele se difundiu pelo mundo e confesso que foi exatamente por causa dele que eu persisti assistindo até o fim.  O primeiro argumento da autora do vídeo é que a cultura popular estigmatizou os espartilhos como algo torturante para as mulheres. Ela cita diretamente E o Vento Levou, uma espécie de marco nessa difamação dos espartilhos, e fala que o livro foi escrito pelo menos vinte anos depois (*ele é de 1936*) do abandono da peça de roupa. Segundo a autora do vídeo, ninguém lembrava como era usá-los quando o filme foi lançado. 

Muito ingênuo da parte dela, afirmar isso, porque os espartilhos começaram a ser abandonados na década de dez e havia um número considerável de mulheres, se estamos falando da palavra delas, vivas nos anos 1930 e que tinham vivido a era dos espartilhos.  Fora, claro, que havia muitas revistas de moda do século XIX que deveriam ser acessíveis naquele momento, disponíveis em coleções particulares e em bibliotecas.  E falo de revistas, fashion plates, não dos cartuns satíricos utilizados no vídeo.


Downton Abbey mostra o fim da era dos espartilhos e
várias mudanças na silhueta feminina IDEAL 

ao longo das décadas de 1910 e 1920.
A autora do vídeo é especialista em moda e fashionista, já percebi que dentro desse grupo há uma tentativa de defender os espartilhos como absolutamente confortáveis e que as mulheres podiam fazer qualquer coisa com eles. Se minha filha, que agora tem seis anos, vivesse no século XIX, na época de E o Vento Levou e Little Women, ela estaria começando a usar espartilhos para crianças e, com certeza, estaria sendo admoestada sobre como uma menina deve se comportar e que correr, pular, subir em árvores etc. não era coisa de menina.  Provavelmente, teria começado a ser doutrinada sobre isso bem antes, o que castraria suas capacidades físicas.  

Aliás, há uma cena no livro E o Vento Levou, não no filme, vejam bem, que mostra como Scarlet O'Hara era uma tomboy e pulava cercas e corria, mas que era duramente repreendida por isso pela mãe e pela ama escrava.  Esse papel, aliás, o da repressão e da doutrinação das crianças, é principalmente das mulheres mais velhas.  Que uma dama não pode pular uma cerca para cortar caminho, ela deve caminhar toda a distância com elegância.  Scarlet se conforma para conseguir ser socialmente aceita, isso, claro, antes da guerra. O que eu quero deixar claro é que a coisa vai muito além do espartilho peça de roupa.  


Muita gente odeia E o Vento Levou... por motivos diferentes. 
Scarlet fica em choque ao descobrir, NO FILME,
que não tem mais uma cintura ideal
(18 inches/45,72 cm) depois de ter sua filha.
Uma coisa é uma mulher que tenha crescido em nossos dias, tido acesso às aulas de educação física, se dedicado até à atividades atléticas e que, por vontade própria, usa espartilho.  Eu, por exemplo, não conseguiria fazer flexões com ou sem espartilho, mas eu não tive incentivo e, mais tarde, disciplina, para me aprimorar fisicamente.  Não é muito razoável pegar uma mulher atleta do século XXI, metê-la em um espartilho, e mostrá-la fazendo exercícios físicos como se este fosse o padrão do século XIX. E é até engraçado o argumento do vídeo de que as mulheres não iriam se obrigar a fazer coisas que fossem desagradáveis,  dolorosas, ou perigosas para a sua saúde e que até as criadas usavam espartilhos.  Por conta disso, lembrei de três coisas:

O enfaixamento dos pés das meninas chinesas era imposto inclusive às camponesas, porque uma mulher com pés grandes, isto é, normais, não conseguiria casamento, ou, pelo menos, um bom casamento. Os modelos de beleza criados pelas classes ou grupos dominantes tendem a ser imitados por toda a sociedade.  O enfaixamento começava na infância, logo que a menina começava a andar, ou até os seis anos, no máximo.  As mulheres sentiam dor, algumas ficavam aleijadas no processo, mas que alternativas elas tinham?  


Isso não era natural, isso deveria doer muito,
e não somente no processo
de deformação, mas por toda a vida.
O andar bamboleante dessas mulheres era considerado erótico PELOS HOMENS e ter pés muito pequenos era um sinal de status e achei um artigo que compara os pés pequenos moldados das chinesas à cintura afinada graças aos espartilhos apertados das mulheres da Era Vitoriana.  Os primeiros a condenar a prática, no século XIX, foram missionários cristãos, mulheres, em muitos casos, e intelectuais, eles inclusive criaram uma associação para garantir que suas filhas iriam achar marido, já que o grupo se apoiaria.  Mais tarde, a prática foi banida pela Revolução Chinesa.  Será que há nostalgia sobre essa prática na China e em Taiwan?  É possível.  Será que há quem defenda que ela não causava nenhum dano físico às mulheres?  Não acredito que alguém tenha cara de pau de fazer isso.  

Lembrei, também, da época em que eu fazia parte de um grupo sobre mulheres no Islã o Orkut e a discussão era sobre a questão das roupas, uns paquistaneses, que sempre invadiam esses espaços para dar suas opiniões, vieram dizer que era ridículo estarmos dizendo que o niqab, o chador, a burqa restringia o movimento das mulheres. "Há iranianas que praticam montanhismo usando chador!". As iranianas, claro, vieram dizer que elas não tinham opção, ou era assim, ou elas não poderiam praticar o esporte. A lei impunha um código de vestimenta e, bem, você tinha que improvisar.  Vale o mesmo para as montanhistas que aparecem no vídeo.  Elas não tinham escolha. Pelo vídeo parece ser muito fácil para uma mulher se recusar a usar algo que se esperava que todas usassem em uma dada sociedade. Até Maria Antonieta se viu obrigada a adotar o modelo de corpete francês, intimada que foi pela própria mãe a seguir a etiqueta da corte de sua nova prática. O espartilho francês era diferente do austríaco e causava incômodos à adolescente.  Ela não teve escolha.


Propaganda de espartilho infantil,
feito industrialmente, 1883.
A terceira recordação foi minha experiência com o sutiã.  Eu tive que começar a usar a peça aos dez anos.  Eu não tive escolha.  Ouvi de meu pai, minha mãe e uma série de outros adultos, em sua maioria mulheres, sobre as vantagens e necessidade do uso do sutiã.  Mamãe me comprou um azul, era minha cor favorita.  Ele me apertava, minha pele ficava marcada.  "É assim mesmo, é preciso aguentar." "Se você não usar, seus peitos vão ficar caídos."  "Só mulheres sem vergonha não usam sutiã." "Você já é uma mocinha."  Não adiantava reclamar, ou chorar, eu tinha que usar.  E assim a coisa foi.  Em alguns meses, eu era capaz de dormir com o sutiã.  Hoje, sem sutiã me sinto um pouco nua.  É natural?  Não.  É fundamental para a minha existência?  Não.  Consigo ficar sem ele?  Sim, mas teria que fazer um grande esforço. 

Percebam que não foi uma escolha minha, não era uma escolha de nenhuma menina, mesmo que ela acreditasse nisso.  E a propaganda de sutiã mais famosa dos anos 1980, era, na verdade, um grande fanservice usando uma atriz menor de idade, Patricia Lucchesi.  Era uma propaganda que mostrava para as meninas como elas se tornariam interessantes (*sexualmente*) se usassem a peça, para os meninos e homens, bem, era uma forma de reforçar o padrão de mulher (*menina, na verdade*) desejável, mas pouco acessível para a maioria deles.



Outro argumento da moça do vídeo é que espartilhos não causam nenhum problema físico e que não há esqueletos de mulheres deformados por eles (*mas há outras evidências*). Outra coisa que ela diz é que os espartilhos faziam bem à saúde, especialmente, para a  coluna. Não apresentou a palavra de nenhum médico, ou médica, para reforçar essa ideia, mas a ideia de que os médicos mentiram sobre o espartilho é uma das vigas mestras do vídeo.  


Raio X de 1908.  É do link que está
no parágrafo acima.  O médico autor desse estudo não
defendia o fim dos espartilhos, mas
um uso que fosse menos daninho à saúde.
O vídeo afirma, e há outras fontes que fazem o mesmo, que o "tie lacing", esse uso do espartilho excessivamente apertado, era exceção, um fetiche masculino usado nas sátiras à vaidade das mulheres e ao espartilho como peça de vestuário. E convém separar as duas coisas, porque elas são diferentes e, normalmente, aparecem em momentos distintos do século XIX.  As sátiras à vaidade, no início do século XIX, às críticas ao espartilho, já no final desse século, ou início do século XX. Outra ideia defendida no vídeo é que nenhuma mulher vitoriana faria cirurgia para retirar costelas, algo que é contado e recontado em livros e documentários, porque era perigoso demais.  

Vocês sabem, pessoas não fazem coisas perigosas para atingirem um ideal de beleza almejado por elas.  Quando ela fala dos médicos é para dizer que eles mentiam sobre os males causados pelos espartilhos. Médicos mentem e se enganam, mas não o tempo inteiro e sobre tudo. Só que a ciência é, também, uma disputa de narrativas, além de ser dinâmica, isto é, novas descobertas, novas pesquisas, podem mudar velhas crenças e atitudes diante de práticas sociais sedimentadas.


Caricatura satírica de 1830 à vaidade feminina, 
não ao espartilho em si.
Mais adiante, ela afirma que a maioria dos fabricantes de espartilhos eram mulheres. Atacar o uso dos espartilhos era uma forma de acabar com os negócios dessas mulheres. Nem vou entrar na discussão, que a minha amiga Lina levantou no Facebook, de que nem tudo que mulheres inventam é bom para as mulheres, mas ao defender essa ideia, o vídeo só mostrou ateliês que atendiam mulheres das camadas mais abastadas. Espartilhos para mulheres pobres, ou não tão ricas tinham fabricação industrial.   

Preparando minhas aulas sobre Revolução Americana, encontrei a informação, que era usada como ofensa, de que Thomas Paine, um dos nomes mais importantes do movimento, era fabricante de espartilhos.  Isso, no século XVIII.  Em uma página dedicada à Paine, é explicado que ele pouco se dedicou ao ofício, seu pai fabricava stays, mas que o herdou do pai (*não da mãe, vejam bem*), que era desse ramo.  É importante estudar a importância das mulheres na indústria da moda e como seus nomes apagados, mas é fundamental não tentar romantizar as coisas, também.  


Propaganda de espartilhos de vários tipos e
para várias idades, inclusive bebês, de 1886.
Fora isso, bastaria pegar os anúncios de jornal, especialmente das duas últimas décadas do século XIX para frente mostrando as propagandas de espartilhos. Ofereciam-se modelos infantis, modelos para senhoras que gostavam de praticar esportes, modelos para grávidas etc.   E, bem, se você precisa de um espartilho mais flexível para praticar esportes é porque o normal não deveria ser muito confortável para isso, ou, claro, era a descoberta por parte do capitalismo de um novo nicho que deveria ser explorado.  As duas hipóteses são razoáveis e não se excluem.  Resumindo, nem todos os espartilhos eram iguais, a maioria era de fabricação em massa e seu formato e o modelo ideal de corpo feminino, variou muito ao longo dos século.  Não se tratava simplesmente de uma peça que se ajustava ao formato "natural" do corpo das mulheres, porque, bem, há corpos de vários formatos.
Um espartilho dos anos 1880 e uma
propaganda da virada para o século XX.
A apresentadora afirma durante o vídeo inteiro, salvo os últimos dois minutos, que os discursos, incluídos os das caricaturas contra os espartilhos, eram MASCULINOS. Que até os homens usavam espartilho no início do século XIX.  No entanto, todas as imagens que ela mostra de homens usando a peça, na verdade, a maioria nem eram espartilhos, mas os chamados stays, muito comuns da época de Jane Austen, eram fops, isto é, homens super preocupados com sua aparência e alvo do deboche dos "machos de verdade" que não entendiam o interesse das mulheres por eles. Enfim, todas eram de deboche. 

Nunca vi uma imagem sequer de homens espartilhados em situação normal, em um quadro, por exemplo, ou mesmo foto. Um quadro, por exemplo, propaganda de jornal, ou revista para cavalheiros.  Nada.  Até achei alguma coisa em revistas, mas nada efetivamente que me convencesse de que o uso dos espartilhos entre os homens fosse corrente no século XIX.


Achei uma sátira aos homens que
usavam espartilho do final do século XIX. 
Levando-se em conta o que se sabe de certas coisas
que aconteciam no meio militar prussiano-alemão,
a piada pode nem ser com espartilhos em si.
Outro argumento forte do vídeo é que as mulheres eram vítimas do olhar dos homens. Sim, eu discuti isso na minha tese de doutorado, vestir, ou despir mulheres é algo que ocupa muito a mente dos homens, mas ela segue se perguntando por qual motivo as mulheres não reclamavam. "Ah, porque elas gostavam!" "Porque elas reconheciam as vantagens do espartilho." Eu já li escritos de mulheres contra o espartilho datando da década de 1840-50 e eu sei que ela não poderia ignorá-los se quisesse manter o mínimo de honestidade, fiquei aguardando quando ela iria tocar no assunto.  Pesquisando para esse texto, encontrei até a referência de uma crítica aos espartilhos nos livros autobiográficos de Laura Ingalls Wilder (Little Town on the Prairie).  
Mudança no formato do corpo ideal feminino
ao longo de quase meio século.
A autora infanto juvenil, nascida em 1867, ou seja, ela e as irmãs e a mãe usaram espartilhos, reproduz um diálogo em família com uma das meninas mais jovens dizendo que era feliz por não ter que usar espartilhos, enquanto a mais velha avisa que logo ela não poderia escapar deles.  Será que Ingalls estava difamando os espartilhos como Margaret Mitchell de E o Vento Levou..., ou ela estava relatando sua experiência de menina das classes trabalhadoras que se viu obrigada a usar a peça, porque, bem, todas as mulheres tinham que usá-la e ponto final?


Já perto do fim, ela fala que muitas fotos com cinturas finíssimas eram retocadas e que os quadros não correspondiam à realidade. Pode ser novidade para muita gente? Talvez.  Editar fotos era algo corrente desde os primórdios da fotografia, especialmente para afinar ainda mais as cinturas de vedetes e atrizes que já eram famosas por terem essa característica, mas duvido que as fotos da Rainha Mary, avó de Elizabeth II,tivessem sido retocadas.  
Final do século XIX, uma das fotos deve
ter sido retocada, a outra foi feita para o consumo masculino.
Mary of Teck era louvada pela sua cintura finíssima e porte elegante mesmo depois de várias gravidezes. Ter esse tipo de silhueta perfeita para os padrões de sua época, era um fator que aumentaria o valor social de uma mulher no mercado de casamento, depois de casada seria um fator a mais de honra para seu marido, que poderia exibi-la nos salões como um troféu.  Uma esposa bonita, elegante, bem educada e com um imenso dote poderia ajudar a abrir portas para seu marido.  Leiam a biografia da mãe de Winston Churchill.  Ela não é um caso único.

Claro, estou falando das mulheres ricas, a situação das mulheres pobres poderia ser bem outra.  O seu Júlio de Éramos Seis não estava sendo somente tacanha ao dizer, no livro, que era muito perigoso para uma moça pobre, no caso sua filha Isabel, ser tão bonita.  Ele conhecia bem a si mesmo, ou outros homens e o mundo no qual vivia. Voltando, veja que ainda que as mulheres pudessem se torturar para atingir altos padrões de beleza e perfeição, esses modelos estavam atrelados aos interesses masculinos.  Elas não estavam se vestindo para si, ainda que pudessem fazê-lo, também, ou acreditar que o estavam fazendo.


Mary of Teck e sua cintura perfeitamente natural,
o espartilho nada tem a ver com isso.
Enfim, um dado importante que não foi tocado no texto, e eu sei, porque li sobre anorexia ao longo dos séculos também por conta da minha tese, é que muitas mulheres eram desnutridas, mesmo mulheres ricas. Elas era obrigadas a comer pouco (*Isso aparece em E o Vento Levou, de novo Scarlet transgredindo e se comportando mal*), eram privadas de carne vermelha em alguns casos (*sem outras fontes de ferro, não pensem que estou desqualificando o veganismo*) , pois esse alimento despertaria o desejo sexual (*veja que na cultura japonesa existe essa associação até hoje*) e isso gerava danos à saúde e silhuetas afinadas, em alguns casos.  

Mulheres desmaiavam mais não somente por causa de espartilhos super apertados.  Eu, se fosse fazer um vídeo desmistificando essa ideia de que espartilhos eram toda essa fonte de tortura, nunca me esqueceria de comentar esse aspecto da dieta feminina.  Aliás, um dos fatores que conduziu à morte da Princesa Charlotte, e possibilitou a existência de uma Rainha Vitória, foi a dieta de fome imposta à jovem no final de sua gravidez.  Mas, enfim, fica para outro texto.


Mary of Teck e sua mãe, que era obesa desde a juventude,
mas se esforçava por seguir a moda do espartilho apertado.
Outro ponto do vídeo é sobre as atrizes que reclamam de como é desconfortável usar espartilhos em filmes, o que serviria, claro, como uma difamação à peça de roupa. A autora do vídeo argumenta que era normal ter que ajustar o espartilho ao corpo (*ou vice-versa, eu diria*), que as atrizes deveriam se acostumar com eles, usar horas seguidas (*vejam essa matéria sobre uma dieta mágica que envolveria usar espartilhos por até 12 horas seguidas*) que nos filmes, com os prazos a cumprir, isso não deve ser possível em muitos casos. Ela aponta, também, e este argumento é razoável, que muitos filmes erram ao mostrar o corpete em contato direto com o corpo sem uma chemise. Parece que é um fetiche masculino acreditar que o espartilho era usado contra a pele das mulheres, enfim... É um erro e, sim, vai doer bastante.  As moças do Frock Flicks, que defendem ideias semelhantes às do vídeo, vivem apontando esse erro em muitos filmes de época.

E lá pelas tantas, bem no final do vídeo, ela fala que, sim, havia mulheres que criticavam o espartilho (!!!!) e que, sim, ele produzia alterações anatômicas similares ao de uma gravidez, isto é, meio que rearranjando seus órgãos internos.  Fora isso, alguns músculos ficavam fracos o que inviabilizaria o abandono do espartilho de uma vez só.   Como as mulheres girafas da Tailândia e seus pescoços artificialmente alongados.  Mas ela só diz isso no final, bem, no final MESMO, ou seja, boa parte do vídeo empilha uma série de argumentos para justificar algo que, bem, era uma imposição e que, sim, causava limitações e alterações ao corpo feminino, tanto quanto o uso prolongado de sapatos altos.


O uso do espartilho funcionava de forma
semelhante ao das argolas das mulheres girafa da Tailândia.
Terminando: Quer usar espartilho? Acha a silhueta de uma determinada época histórica, porque os modelos de espartilho e corpos desejados variam no tempo e no espaço, bonita? Faça por sua conta e risco, mas não falseie a história, tampouco tente ignorar os danos provocados à saúde das mulheres por conta do uso OBRIGATÓRIO desse acessório cuja principal função era, sim, estética.  Gosto pessoal e a liberdade que temos em nossos dias para escolher o que vestir e como vestir, não era uma realidade na era dos espartilhos.  Um pouco de bom senso, por favor.

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3 pessoas comentaram:

Eu assisti recentemente um vídeo de uma historiadora - Eneida Queiroz - que trata disso. Ela entende que eles não eram exatamente desconfortáveis, mas também não eram algo "bom" para as mulheres, por diminuir a capacidade respiratória e impedir que a mulher tivesse rendimentos tão bons quantos os homens, entre outras coisas. Vale a pena assistir. Bjs de uma fã sua, Valéria!
Diana

Eu acompanho o canal da Eneida, alguns vídeos dela são muito bons e o trabalho que ela faz é excelente no geral. Agora, esse porém que ela parece abrir em relação ao espartilho, tipo ele não é tão ruim assim, me parece mais coisa de quem não quer desagradar parte da sua audiência que é de gente como a moça que fez esse vídeo que eu comentei. Percebe?

Entendo sim, Valéria, é possível. Confesso que não tenho conhecimento suficiente para opinar mais a fundo =/

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