sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Comentando o mangá 45-Sai, oji-sama wa bukiyouna kemono: quando a grande diferença de idade não é um empecilho para um bom romance

 

Já falei várias vezes do site que tem scanlations de mangás diversos, mas oferece uma grande quantidade de mangás josei erótico-pornográficos.  É uma excelente oportunidade para quem quer ter uma visão do gênero naquilo que tem de melhor e de pior.  Pois bem,  45-sai Oji-sama ha Bukiyou na Kemono ~Konya Otona no Sex wo Oshiete~ (45歳、おじさまは不器用な獣。) me impressionou positivamente.  Apesar dos problemas do gênero, é preciso ter cenas de sexo em quase todo capítulo, trata-se de um dos melhores materiais discutindo um relacionamento com grande diferença de idade que eu já vi em quadrinhos. O resumo da série oferecido por aí é o seguinte:

Ver o desejo nos olhos do educado cavalheiro rompeu a barreira que mantinha suas emoções reprimidas sob controle...  Na noite em que Shihori Ogasawara descobre que seu colega de trabalho por quem ela tem sentimentos está noivo de outra mulher, ela encontra um cliente que ela ajudou mais cedo naquele dia! Seu ouvido receptivo e ombro reconfortante levam a uma noite de paixão... Mãos firmes acariciando suavemente seu corpo, como se manuseasse um tesouro quebrado, seus traços calorosos fazem o coração de Shihori disparar enquanto ela se entrega ao êxtase... Ele volta para fazer uma pergunta antes de seu pedido... Será que um cavalheiro de 45 anos e um moça de 27 anos de coração partido encontrarão romance nesta história de amor com diferença de idade !?

45-sai Oji-sama wa Bukiyou na Kemono tem nove capítulos disponíveis no momento e parece trabalhar de forma igual tanto a protagonista, quanto o seu par romântico.  A  autora, Tsubomi Chikuwa, conseguiu apresentá-los de forma detalhada e está sendo bem realista na construção do romance dos dois, apesar das limitações impostas pelo formato.  Querem ver? Shihori tem 27 anos, mas parece ter bem menos, o que faz com que ela passe por alguns constrangimentos.  "Ah, isso é coisa de mangá!" "Sinto cheiro de apologia à pedofilia!"  

Olha, eu conheço gente de carne e osso que é assim.  Parecem adolescentes até que, de repente, lá pelos seus 30 e poucos anos, começam a mostrar a idade que tem.  E se a mulher ainda é pequenininha, caso da protagonista, vão pedir sua identidade para entrar em certos lugares durante muitos anos mesmo depois que você fizer 18.  Fora isso, Shihori  nunca conseguiu encontrar um homem que lhe desse valor, ou ela era rejeitada, ou enganada.  Sua autoestima, portanto, não é das melhores.  Sim, aqui há um clichê, mas a história não se segura nele.

Um dia, ela conhece Masakazu Izumiya.  Ele é um cliente, ele é gentil, é um homem mais velho.  Eles se reencontram por acaso e ele a consola na noite em que a moça descobre que foi traída e descartada pelo colega de trabalha que ela acreditava namorar.  Os dois terminam em uma tórrida noite de sexo.  Aqui, um clichê de material romântico para o público feminino: um homem mais velho sabe como fazer as coisas, sabe tratar uma mulher.  Mas não pensem que Izumiya é mostrado como um garanhão, sugar daddy, ou algo do gênero.  Ele é um homem de 45 anos, divorciado, que não é particularmente bonito e, sim, ele tem um bom emprego e trabalha muito e, às vezes, não pode se encontrar com Shihori por causa disso.

Diferentemente de vários mangás desse tipo que eu peguei, Izumiya não força a mocinha em nenhum momento.   Tudo o que aconteceu entre os dois, desde o primeiro encontro casual, é consensual.  A partir do momento que o relacionamento engrena, cada um passa a tentar se ajustar ao desafio que a grande diferença de idade representa.  Não foi algo planejado, ou desejado, aconteceu, simplesmente.  Outra coisa, Izumiya não titubeia em assumir publicamente que gosta de Shihori e a quer como namorada.  Ele não fica com vergonha de segurar a mão dela e outras bobagens recorrentes nos mangás que falam de romance, sejam eles para o público masculino, ou feminino.  

Ao longo dos poucos capítulos disponíveis, o relacionamento dos dois já passou por alguns testes.  Izumiya tem uma ex-esposa e um filho de uns nove, ou dez anos.  Quando ele conta sua história para Shihori, ele diz que a esposa é uma mulher excelente, uma ótima mãe, mas que o casamento acabou.  Não sabemos o motivo, mas eles continuam amigos.  O filho de Izumiya, no entanto, quer que os pais voltem a ser um casal.  O menino tenta intimidar Shihori que, ao conhecer a ex-esposa do namorado, se sente pequenininha  e meio que responsável pela tristeza do menino.  Só que a ex de Izumiya é uma mulher bem sucedida, independente e não quer o marido de volta.  

Algo interessante que aconteceu na história é que a ex-mulher é apresentada como alguém que não está disposta a prejudicar o protagonista de forma alguma.  Ela tem sua vida, ela até arrumou um namorado, também, e eles são amigos, ela quer que o pai de seu filho seja feliz como ela se sente feliz.  Já o menino, há grandes possibilidades dele retornar à história em outros momento, o fato é que o menino vê Shihori como uma ameaça a sua felicidade.  Venhamos e convenhamos, é algo bem comum.  Qual criança que não presenciou um processo de separação violenta entre os pais, não quer vê-los juntos novamente?

Em um dos últimos capítulos traduzidos, Izumiya e Shihori vão fazer aquelas caminhadas subindo montanhas, depois, seguem para uma estação termal.  É um lugar clichê, a gente conta nos dedos mangás em que não existe um capítulo em um lugar como esse, os japoneses parecem adorar.  Lá, há uma cena curiosa em que Shihori quer pagar pelos presentinhos que está comprando na lojinha.  Ela não quer que Izumiya pague por tudo, afinal, ela lhe diz, ela tem um emprego e um salário.  Cheia de empolgação, a moça se oferece para pagar pelos presentinhos, parece que é comum comprá-los em ocasiões desse tipo, que ele pretende levar para seus colegas de trabalho.  Ele brinca dizendo que são 300, ou coisa assim.  

Era uma piada, mas deixa evidente que há um abismo entre ele, que ocupa um cargo gerencial, e uma office lady.  Tocado, ele sugere uma caixinha com vários souvenirs baratos, algo que ela pode pagar, e diz que ficará tudo bem.  Quando vão pagar, a velhinha do caixa abre um sorriso e diz que é muito raro ver um pai e uma filha no estabelecimento.  Izumiya fica evidentemente arrasado e é Shihori que corrige a senhora e diz que está perto dos 30 anos e a diferença entre os dois não é tão grande assim.

O fato é que Izumiya para pra pensar que, caso apareça um homem mais jovem, ele deveria abrir mão do amor de Shihori, que isso seria o mais justo com ela.  E, no momento em que estamos, esse homem mais jovem se materializa na figura de um primo da protagonista, dois anos mais moço, e que não aceita que ela esteja se relacionando com alguém tão mais velho, porque se vê como mais adequado para ela.  Não sei se Izumiya vai recuar, afinal, é preciso ter assunto nessa história, rompendo o relacionamento, ou algo do gênero, para que ambos reatem lá na frente.  O tal primo parece ser o tipo de personagem que vai criar algum mal entendido para separar os dois.

Agora, o tal primo é o típico oresama guy, que não aceita um "não" como resposta.  Ele se acha  melhor que Izumiya, ele se acha mais merecedor do amor de Shihori e que ela não tem o direito de recusá-lo.  Se Izumiya, apesar de fogoso na cama (*essa é a ideia até do título do mangá, que ele seria uma espécie de monstro sem controle, o que não se coaduna com o que a autora está desenhando MESMO*), é um cavalheiro o tempo inteiro, o tal primo já beijou Shihori à força, gritou com ela e a puxou pelo braço.  Eu nem preciso dizer para quem eu estou torcendo.  

Já terminando, algo que notei é que no início do mangá, Izumiya parece mais velho.  Das duas, uma, ou a autora tinha dificuldade, ou falta de experiência, em desenhar homens que não fossem o bishounen padrão e foi dominando a coisa no decorrer dos capítulos, ou Shihori está tendo um efeito rejuvenescedor no namorado que, no início da trama, parecia triste e melancólico.  Veja, ele continua mais velho, mas o traço está mais estável e bonito, no caso dele.  Falando nisso, o traço da autora é bonito e dinâmico.  As cenas de sexo são bem feitas, também, afinal, o mangá é cheio delas e é bom que ela saiba vender seu peixe.

Concluindo, 45-sai Oji-sama ha Bukiyou na Kemono tem uma trama que poderia render um bom filme, ou dorama, bastava retirar o excesso de sexo, porque a história se sustenta sozinha.  E, sim, eu sei que não se pode reclamar que um mangá erótico tem muito sexo, mas o fato é que há bons josei nesse gênero e que o excesso desse tipo de cena, às vezes, atrapalha o fluxo da história.  E para quem quiser ler outro mangá que mostra um casal com grande diferença de idade, mas no qual a mulher é mais velha, recomendo Nigehaji, ou Nigeru wa Haji da ga Yaku ni Tatsu (逃げるは恥だが役に立つ), não é o casal principal, mas eles tem um grande espaço na história (*Resenhas: 1 - 2 - 3*).  Só para constar, Nigehaji não é material erótico.

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5 pessoas comentaram:

Puxa, com certeza vou ler! Sua resenha fez a história parecer tão interessante. ^^ Obrigada pela dica! <3

Faço das minhas palavras o outro comentário!!
Muito obrigada por essa resenha, vou ler agora msm :3

podem me recomendar histórias cm homens mais velhos? acho interessante e amei esse mangá

Já vou colocar na lista de leitura..

Valéria continua como sempre, trabalhando firme para aumentar a lista de coisas que eu quero ler, mas nunca arrumo tempo. :P
Mas esse eu vou tentar ler, de qualquer jeito.

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