terça-feira, 1 de setembro de 2020

Lembram da novela da Globo sobre uma família de japoneses, mas sem protagonistas orientais? Pois é, ela voltou a ser assunto...

Vocês não sabem, mas até hoje um dos posts mais visitados do Shoujo Café é sobre a novela Sol Nascente.  Ela foi estrelada por Giovana Antonelli, no papel da protagonista, filha adotiva de Kazuo Tanaka, um imigrante japonês interpretado por Luís Melo.  A novela foi a última de  Walther Negrão, que, até onde eu sei, aposentou-se depois de uma longa carreira.  Na época, muito se falou, porque temos atores e atrizes, de todas as idades, aliás, que poderiam compor o núcleo principal da novela e isso nada tem a ver com o talento de Giovana Antonelli, mas a sua escalação foi duplamente infeliz, porque ela deveria ser amiga de infância de Bruno Gagliasso, seu par romântico, e a idade dos dois não casava, porque ambos aparentavam ter a idade que tem.  Ela é de 1976, ele de 1982.

E qual foi a bomba? Daniela Suzuki falou em uma live, meses atrás, mas ela só repercutiu agora, que ela estava escalada para ser a protagonista, papel de Giovana Antonelli, mas que teria sido mudada repentinamente sob a explicação de que ela seria "velha demais para o papel", quando ela é, inclusive, mais jovem que Antonelli.  Como não servia para protagonista, também não servia para ser a prima da mocinha, de novo, por ser "velha demais".  Segundo ela, "O diretor (Leonardo Nogueira) disse que eu estava velha para ser a prima da Giovanna. Aí ele falou que estava escrevendo (o que seria ) o terceiro personagem pra mim, e aí eu falei: Quer saber? Deixa. Não quero fazer a novela, deixa pra lá. Não tem espaço pra mim nessa história"A atriz, aliás, chegou a ser anunciada como parte do elenco, isos está no meu texto de 2016.


Na live, a atriz comenta que o papel da protagonista foi escrito por Walther Negrão para ela e, bem, insinuou que o motivo de tudo foi preconceito e favorecimento de Giovana Antonelli por parte do marido, o diretor da novela.  Suzuki reclama, também, da ausência de atores de origem oriental em produções globais dado o tamanho da colônia japonesa (*e outras no país*) e que decidiu abandonar a Globo por causa disso.  A Globo negou veementemente que exista esse tipo de discriminação dentro da emissora e que a escolha de elenco é baseada somente em aspectos técnicos e artísticos.

Como pretendia escrever esse texto ontem e não consegui, acabei tropeçando em um texto da colunista Fábia Oliveira, responsável pelas fofocas no jornal O Dia.  Verdade, ou não, muito provavelmente é mais verdade do que invenção, aliás, a tal troca não se deu por favorecimento de Antonelli, que se sentiu ofendida por Suzuki e a insinuação de que teria sido escolhida por ser esposa do diretor.  Venhamos e convenhamos, ela não precisa disso, não, ainda mais em novela das seis que, normalmente, não é vista como prato principal da emissora.

Pois bem, segundo Fábia Oliveira, a ordem veio de cima e pegou de surpresa tanto o diretor, quanto o autor da novela.  quando tudo estava encaminhado, houve a determinação de que Daniela Suzuki fosse substituída.  Oliveira diz que a segunda opção foi Ísis Valverde, que é bem mais jovem que Daniela Suzuki e Giovana Antonelli, mas que por conta do escândalo da separação de Cauã Raimond e Grazi Massafera (*Que eu comentei, também*), houve certo desconforto.  Passando de mão em mão, aí, sim, por questões de marido, Antonelli aceitou segurar esse rojão, porque foi uma novela fraca, cheia de problemas e com uma audiência abaixo do esperado.  Acabei de ler, inclusive, Negrão assumir que escreveu o papel para Daniela Suzuki, algo que a atriz tinha dito em sua live.

Resumindo, a novela teve yellowface sem precisar, pois temos atores e atrizes muito talentosos de origem oriental e que poderiam interpretar qualquer papel na trama, houve intervenção de alguém da cúpula de emissora para que a coisa fosse pior do que estava prevista, foi a razão da saída de Daniela Suzuki da Globo e, claro, muita coisa podre ainda tem escondida nessa história.  Enfim, parece um post fofoquinha, mas a coisa é muito séria, afinal, trata-se de esconder a diversidade da formação da população brasileira, negar emprego a quem tem talento, e, claro, é burrice, também.  E eu torço para que Walther Negrão feche sua carreira com algo melhor, no caso, meu desejo particular, um remake de Direito de Amar e, não, dessa forma infeliz.

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2 pessoas comentaram:

O Negrão confirmou que a novela foi escrita pra Suzuki e que não tinha nada a ver com a mudança de escalação...

Tem que ser muito ingênuo para se acreditar que o critério da escolha de atores da Globo seja puramente técnico. Pesa muito quem está em voga no momento, quem a direção acha que irá puxar audiência e as relações dos candidatos a vaga de papel com pessoas chave dentro da emissora.

Nunca mais achei que fosse ouvir falar dessa novela medícore, que só é lembrada pelo escândalo do yellowface escancarado, mas eis que estamos ouvindo falar dela novamente e se o que foi dito é verdade, só piora muito as coisas. Não vejo sentido de se fazer uma novela focada em um grupo étnico e só escalar atores orientais para os papéis de coadjuvantes. A emissora tentou se esquivar dizendo que não havia nenhum nome de peso de descendência oriental para ser escalado, o que eu não compro muito. E se não tem, é porque dificilmente é dada a oportunidade. Enquanto isso diversos atores novatos ou com pouca experiência já tiveram uma chance na Globo seja na Malhação ou em novelas das 6 ou das 7. Mas eram quase todos brancos né?

Ps: A Giovanna Antonelli é talentosíssima e não precisa do infame Q.I - Quem Indica - para conseguir papéis de destaque, mas que pega MUITO mal ela ter conseguido o papel de protagonista no lugar de outra pessoa em uma novela que o marido dela dirigiu, pega sim.

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