quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Quadrinho mais premiado da França em 2020 discute gênero e sexualidade ao recontar Pele de Asno


Pele de Asno é um dos meus contos de fada favoritos.  Na minha versão favorita do conto, que é a que está no filme de Jacques Démy, o mesmo que dirigiu o live action da Rosa de Versalhes, temos uma bela princesa que é órfã e muito bonita.  Seu pai é pressionado a se casar novamente para gerar um herdeiro homem, mas diz que ele jurara para a esposa que só se casaria com uma mulher que seja tão bela quanto a falecida esposa.  Seus pérfidos conselheiros lhe sugerem que se case com a própria filha, a moça, aterrorizada, recebe o conselho de sua fada madrinha, que lhe sugere que peça presentes impossíveis para o pai.  Ela pede um vestido que tenha todos os azuis do mar, um que tenha todas as estrelas do céu e outro que seja brilhante como o Sol.  Tudo o pai cumpre.  Faltava um último presente e ela pede a pele do asno mágico do rei, que defecava ouro.  O rei lhe dá o presente.  A fada miniaturiza os vestidos em uma casca de noz e a princesa foge maltrapilha, suja e vestindo a pele do asno, se escondendo em uma floresta.

Um dia, a bela princesa é encontrada por um príncipe que estava caçando e se apieda dela.  a moça é transformada em criada em seu palácio, fazendo os piores serviços e sendo apelidada de Pele de Asno.  Mas o príncipe precisa se casar e temos três bailes em noites seguidas.  Pele de asno comparece belíssima e com cada um de seus mágicos vestidos.  O príncipe cai de amores por ela e lhe dá um anel de presente, mas não lhe sabe o nome e ela foge.  

O moço adoece e ordenam que Pele de Asno lhe faça um mingau que ele gostava muito e ela fazia muito bem.  A moça coloca dentro do mingau o anel que o príncipe lhe dera.  Em algumas versões, o anel tem a função do sapatinho da Cinderela e não tinha sido dado pelo príncipe.  O resultado disso é que a farsa se desfaz e os dois se casam.

O quadrinho francês Peau D'Homme (Pele de Homem) de Hubert e Zanzim, se passa no Renascimento (Século XV ou XVI, ao que parece) e tem como protagonista uma jovem chamada Bianca, que está prometida a um rapaz chamado Giovanni.  Eles não se conhecem, a moça está ansiosa e cheia de temores, mas lhe é revelado que existe uma herança mágica passada de geração em geração entre as mulheres, a "pele de homem", que lhe permitirá conhecer melhor seu futuro marido sem ser reconhecida.  A moça se transforma em Lorezo.  Giovanni, que é homossexual, termina se apaixonando por Lorenzo sem saber que é Bianca.  

O resumo do quadrinho no Amazon traz o seguinte: "Mas ao vestir a pele de homem, Bianca rompe os limites impostos às mulheres e descobre o amor e a sexualidade. A moralidade do Renascimento, então, reflete a de nosso século e levanta várias questões: por que as mulheres deveriam ter uma sexualidade diferente da dos homens? Por que seu prazer e liberdade deveriam ser objeto de desprezo e coerção? Finalmente, como pode a moralidade ser o instrumento de dominação severa e inconsciente?"  Eu só sei que a arte é muito bonitinha e eu quero ler esse negócio.

Peau D'Homme venceu todos os grandes prêmios dos quadrinhos franceses este ano (Wolinski, RT , o Landerneau e o de Crítica da ACBD).  O quadrinho já é o grande favorito para o prêmio principal do Festival de Angoulême de 2021.  O site Fumettologica colocou ainda os elogios dos jornais franceses.  Peau D'Homme foi o último trabalho de Hubert, que faleceu em 12 de fevereiro deste ano aos 49 anos em virtude de um suicídio.

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1 pessoas comentaram:

ó meu deus, Hubert se matou? estou chocada. eu amo os trabalhos dele com Kerascoet.... quero conferir esse trabalho agora :(

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