sábado, 10 de janeiro de 2026

Comentando os dois primeiros episódios de Champignon no Majo: O anime mais bonito e triste que eu assisto em muito tempo.

Acabei de assistir aos dois primeiros episódios de Champignon no Majo (シャンピニオンの魔女), A Bruxa dos Cogumelos, e registro que fazia muito tempo que é  o anime mais BONITO que eu assisto em muito tempo.  Eu tinha começado a ler o mangá, pensei assim "OK, é fofo, mas eu não vou continuar."  Nem estava interessada em ver a série, que estreou no dia 8, mas o pessoal começou a comentar e lá fui eu... Detalhe, esqueci que era uma prequel e não estava reconhecendo o que eu havia lido no mangá. Achei que esses dois primeiros episódios tinham sido criados para a animação, pela autora, Higuchi Tachibana. Estou ficando doida?  Whatever, o que importa é  que  foi bom e como eu tinha esquecido o mangá (*ao que parece*), me pareceram melhores ainda. Como não fui escarafunchar nada do mangá para frente, qualquer coisa que eu escrever é ilação minha, não é spoiler.  

Luna é  uma bruxa negra em um mundo no qual buxos negros e brancos são inimigos.  Os bruxos brancos lutam do lado dos governantes do país, enquanto os bruxos negros são vistos como inimigos, alvo de ódio, perseguição e extermínio.  Houve mesmo uma guerra, mas estamos anos depois desse evento.  Mesmo pessoas inocentes, porque não são bruxos negros ou nem fazem magia, podem ser alvo da perseguição.  Luna vive na floresta, ela mesma não tem noção do tempo.  Ela vive sozinha desde que era criança, mas seus anos  não são contados como os dos humanos comuns.

Luna mora com animais mágicos na floresta e fabrica medicamentos.  A cada três meses, ela os leva para a cidade; é uma forma de mostrar preocupação com os humanos.  Só que ela  não pode tocar em ninguém, ela é venenosa.  Por onde passa, ela deixa uma trilha de cogumelos venenosos.  O apotecário recebe os remédios e os vende bem barato para o povo comum, que não sabe que sua saúde depende da bondade dela.  Já Luna, com o dinheiro que recebe, vai até a livraria.  O dono da livraria é uma das poucas  pessoas  que a trata bem, mas ele é meio humano, meio espírito.  Luna o acha bonito, especialmente, por poder ver a sua forma mágica, algo que ele esconde para não ser perseguido.

Voltando para casa, Luna vê um casal se abraçando e beijando.  Ela nunca tinha visto nada assim e algo dentro dela fica extremamente tocado.  A beleza do rapaz, que depois descobrimos se chamar Henri, lhe encanta.  Ela o desenha e um romance se desenvolve entre os dois.  Só que ele é de uma família de bruxos brancos fanáticos, ele é desprezado por não ter o dom da magia, ou por esse dom não ser forte o suficiente, e o contato com Luna coloca sua vida em risco.  A vida da bruxinha e de outros bruxos negros também poderá sofrer retaliação, é o que avisa Claude, o familiar de um bruxo muito poderoso e que meio que toma conta de Luna e a mantém na linha.  Mas a ameaça à Henri não vem somente da sua própria família, mas da magia de Luna e ela precisa sacrificar seus sentimentos para conseguir salvar a vida do amado.

Como apaguei completamente o fato de ser uma prequel, comecei a assistir ao anime e fiquei sem reconhecer nada a não ser o dono da livraria e os bichinhos, mas os acontecimentos eram outros.  Fui parando o primeiro episódio várias vezes, porque estava me sentindo profundamente comovida.  Sério, fazia algum tempo que um anime não me impactava tanto, ainda mais um primeiro episódio.  Lembrei de como terminei em prantos de assistir Ano Hana (Ano Hi Mita Hana no Namae wo Bokutachi wa Mada Shiranai/あの日見た花の名前を僕達はまだ知らない。) e larguei, porque não tinha estrutura para chorar a cada episódio. Acredito que se você conhece Ano Hana, já entendeu meu ponto. Só que os dois primeiros capítulos de Champignon no Majo funcionam como um filme, um especial, devem ser vistos assim e mesmo que o final do segundo episódio possa parecer aberto, é possível ler os dois como um especial com começo, meio e fim.  Se não quiser continuar, o que acredito ser difícil, pode parar ali.

Esses dois primeiros episódios têm drama, angústia, romance e uma beleza que transborda quase a cada frame.  A música é excelente, abertura e encerramento se complementando, tudo extremamente delicado.  Os cenários são belíssimos, tanto a floresta negra quanto a vilazinha e o castelo.  Tudo tem uma inspiração em arquitetura do final da Idade Média e início da Idade Moderna.  O figurino também é especial.  Ele mistura épocas, temos desde roupas  do século XIV até adereços do século XIX, até vestuário que parece de fantasia mesmo, mas tudo é muito bem arranjado.

Luna troca de roupa várias vezes e mesmo os seus capuzes, que poderiam ser qualquer coisa, são delicados e têm características bem específicas.  O seu chapéu de bruxa, o tradicional mesmo, tipo Elphaba de Wicked, é usado para repelir as pessoas e para se esconder, ele é  um elemento vivo, também.  Quando os sentimentos são muito fortes, especialmente, a admiração e o amor, ele floresce.  Com o livreiro, era algo discreto, mas com Henri, o chapéu vira quase um jardim.  E as flores chegam a explodir e soltar pétalas para todo o lado.  Acredito que foi a metáfora mais digna para o sangramento de nariz que eu já vi, porque ainda que Luna não entenda, ela sente desejo pelo moço.  E tudo é tão terno, tão bonito, tão triste, porque eles não podem se tocar mesmo.  Mas ainda assim, eles se tocam, porque Luna desenha.

A forma como o anime fala da função da leitura e do desenho é algo tão bonito e perfeito.  Livros ajudam Luna a escapar da solidão.  O próprio anime diz que graças aos livros, ela não se sente sozinha, porque ela pode viajar, imaginar coisas, adquirir conhecimento, sonhar.  E com o desenho, ela expressa seus sentimentos, seus desejos.  E o que ela mais deseja?  Amar e ser amada e seu objeto do afeto é Henri.  Mas a tragédia está à espreita, porque não há futuro para o romance entre uma bruxa negra que pode matar tudo o que toca e um humano de uma família de bruxos brancos.

Há humor no episódio, também, mas eu abriria mão de Claude, o familiar, porque ele é barulhento e autoritário, ainda que sua preocupação seja correta.  Já os bichinhos que mudam de forma são uma graça.  E temos um momento magnífico, que funciona como humor, quando dois bullies, talvez até querendo abusar de Luna, porque ela é linda, tentam assediá-la e tocam nela... Não prestou, claro, e ela nem precisou fazer nada.  A parte do livro amaldiçoado foi outro momento de humor que funcionou muito bem e como Luna resolve o problema e ainda diz que o livro matou 150 pessoas antes dela resolver o problema a pedido do livreiro.  


Mas há um detalhe: os cogumelos que Luna deixa pelo caminho purificam o ar da cidade, que parece ser poluído ou fétido, como deveria ser o da maioria das cidades da Antiguidade até quase nossos dias.  Só que somente o livreiro sabe disso.  Quando li parte do mangá, acreditei que o livreiro seria o par romântico de Luna, mas agora... Impossível esquecer Henri.  Absolutamente IMPOSSÍVEL.

É isso.  Emocionalmente destroçada  que estou, preciso de alguma coisa que me alegre.  A beleza de Champignon no Majo não pode apagar o fato de ser um anime tristíssimo e o final foi a culminância de todo o drama.  Não sei se o terceiro episódio vai retomar dali, daquela fatídica cena, ou teremos um salto no tempo e iremos direto para os acontecimentos do mangá.  A ver e eu verei, porque não vou conseguir ficar sem saber e ver com meus olhos.  Como é um especial, não vou cravar que será o melhor anime da temporada e o mangá está em andamento, também.

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