domingo, 4 de janeiro de 2026

E estreou Hanakimi! 💗Comentando os dois primeiros episódios.💗

Finalmente, finalmente, finalmente estreou a animação de Hanazakari no Kimitachi e  (花ざかりの君たちへ) ou Hanakimi.  O anúncio foi feito em maio de 2004, depois um grande silêncio e demorou muito para termos data de estreia e coisas do gênero.  A autora, Hisaya Nakajo, tinha falecido em dezembro de 2023 aos 50 anos devido a problemas cardíacos.  Imagino que ela tenha autorizado a produção antes de falecer.  O primeiro episódio, foram exibidos dois na estreia, traz um in memoriam com agradecimentos à autora.  Eu fiquei emocionada, na verdade, eu estava emocionada o tempo inteiro, porque  ver uma série tão querida se materializar em anime vinte anos depois do esperado?  Até que os dois episódios de Hanakimi apareceram finalmente na Crunchyroll, eu fiquei me roendo de ansiedade.  Saiu torrent raw, saiu com áudio e legenda em francês, e nada de entrar na Crunchyroll.  Enfim, é a primeira resenha do ano.  Nada mais justo. 

Para quem não conhece a série que foi publicada na Hana to Yume entre 1996 e 2004, Hanakimi conta a história de Mizuki Ashiya, uma adolescente nipo-americana que fica impactada com o desempenho de Izumi Sano, atleta do salto em altura, nos jogos estudantis japoneses.  Mizuki estava assistindo ao programa para treinar seu japonês.  A garota decide que precisa conhecer Sano, descobre onde ele estuda e consegue convencer seus pais a deixá-la ir cursar o ensino médio no Japão.  Só que há um problema: Sano estuda em uma escola masculina.  Mizuki engana os pais, corta o cabelo e se torna o aluno estrangeiro da Osaka Gakuen.

Mizuki é sortuda e cai não somente na mesma turma de Sano, mas no mesmo dormitório e no mesmo quarto do rapaz.  Só que as primeiras interações com ele não são boas.  Sano é um tanto antissocial e Mizuki é muito empolgada e desastrada, as primeiras interações dos dois são péssimas.  Só que a menina acaba conseguindo fazer um amigo, Shuuichi Nakatsu, astro do time de futebol da escola, simpatiza com ela.  A graça é que Nakatsu rapidamente começa a sentir coisas estranhas por Mikuzi e a coisa escala muito rápido e o rapaz logo estará questionando a sua sexualidade.

Ainda nos primeiros dois episódios, Mizuki descobre que Sano abandonou o esporte e quer descobrir o motivo para tentar ajudá-lo a voltar a saltar.  Por causa de um acidente provocado por Nakatsu, Sano acaba descobrindo que Mizuki é uma garota, só que ele fica extremamente impactado e decide fingir que não sabe de nada.  Só que a descoberta faz com que ele se aproxime dela, afinal, ele quer entender por qual motivo essa garota está fingindo ser um menino.  Além de Sano, outro que descobre o segredo de Mizuki é o Dr. Umeda, o médico da escola.  Ele quer saber os motivos da garota para decidir se a denúncia ou vira um guardião de seu segredo.

Vamos lá, o que eu posso pontuar sobre esses dois primeiros episódios?  Não estou em casa, não tenho como pegar meus mangás e checar, também não quis olhar scanlations, estou operando em cima da minha memória.  Estabelecido isso, os dois primeiros episódios me pareceram bem fiéis.  Acredito que estão correndo, mas não de uma forma ruim.  Tudo o que é importante estava em tela.  Houve mudanças, claro.  Por exemplo, celulares não eram parte do mangá original e eles precisam estar presentes agora.  Não lembro mesmo se Minami Nanba, o presidente do dormitório, diz para si mesmo logo no início que ele não se interessa por garotos, preciso conferir depois.

Aliás, todas as personagens importantes do mangá parece que foram mostradas na abertura.  Como tudo é muito rápido, não deu para perceber alguns deles, como o irmão caçula do Sano e eu só vi uma das meninas da Academia Saint Blossom, acho que é a irmã do Nanba, mas há outras.  Só que a amiga do Sano que está nos primeiros episódios não aparece, também, só que ela não é realmente importante.  A música em si não me empolgou, estava torcendo para que a música de abertura fosse bem chiclete e não foi.

Quanto à animação, ela está bem abaixo do que de melhor temos nos dias de hoje.  A movimentação não é tão dinâmica, prestem atenção aos cabelos das personagens, eles não têm fluidez, são meio que maçudos, estáticos.  O cachorrinho Yujiro, que é um golden retriever, não aparece bem desenhado em todas as cenas.  Poderia ser melhor.  Eu queria que fosse melhor.  Agora, os olhos estão lindos, os enquadramentos estão bons e estão reproduzindo até as ilustrações especiais do mangá.  Nesse sentido, ficou excelente.

Talvez, para quem só assistiu ao dorama de 2007, o mais famoso de todos, o anime pareça um tanto diferente.  Muito bem, o original é o mangá, o anime está seguindo o mangá.  O dorama atrasa a descoberta do Sano, o dorama o torna muito mais antissocial.  E a série live action introduz mais cedo os chefes das outras casas e pesa a mão no humor.  Quem viu o dorama normalmente tende a torcer pelo Nakatsu, não que muita gente que conheceu a série pelo mangá  não o prefira com Mizuki, mas, no live action, a personagem é muito mais simpática.

E, já para terminar, a premissa da mulher disfarçada de homem em um ambiente masculino não é absurda, posso oferecer vários casos históricos, começando com Catalina (Antonio) de Erauso (1585/1592-1650) e passando por inúmeras outras mulheres que esconderam seu sexo biológico e foram soldados, médicas e outras tantas coisas que não lhes eram permitidas.  E não somente por um curto período, mas até pela vida inteira, como Margaret Ann Bulkley ou Dr. James Barry (c. 1789-1865), a identidade que assumiu.  Só depois de morta ficaram sabendo que se tratava de uma mulher.

O problema no caso de Mizuki é que ela é  muito bandeirosa.  Muito mesmo.  E isso se torna fator de estresse para Sano, porque ele teme pela segurança dela caso descubram que se trata de uma garota.  E ele teme, também, a violência de uma escola masculina onde não é incomum que meninos mais fracos ou efeminados sejam abusados.  Não se preocupem que Hanakimi não vai se tornar um material pesado em nenhum momento, mas há essas pequenas tensões, elas aparecem e eu não sei o que será mantido e retirado caso a série só tenha uma temporada.  Espero que não seja assim.

Concluindo, Hanakimi estreou muito bem, a animação deixou a desejar, esperava mais, no entanto, não estou decepcionada.  A questão agora é quantos episódios serão.  Temos 23 volumes para adaptar e 12 ou 13 episódios não dá.  Como a série é comemorativa dos 50 anos da revista Hana to Yume, seria de bom tom dar um tratamento semelhante ao que Fruits Basket (フルーツバスケット) recebeu.  Afinal, Hanakimi é um dos grandes sucessos da revista.  Um dos maiores e mais amados.  E eu falei da série em um Soujocast.  Ele está abaixo, caso vocês queiram assistir.

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