Ontem, partiu Manoel Carlos, a notícia foi dada por suas filhas, administradoras da obra do autor. Não sou fã de Manoel Carlos, na verdade, as novelas dele, salvo A Sucessora, talvez, me inspiravam mais repulsa do que qualquer atração e escrevi meus motivos mais de uma vez no blog (*Ex.: 1 e 2*). Estabelecido isso, ele era um dos grandes autores de novela do Brasil e todo mundo que conhece minimamente novela brasileira reconhece sua assinatura de longe. Deixou um legado enorme, ajudou a fazer avançar discussões importantes para a sociedade como um todo, era um mestre na arte de introduzir discussões de assuntos importantes do momento mesmo dentro das cenas triviais de suas novelas. Sua carreira se estendeu por mais de seis décadas; ele começou escrevendo teleteatro nos anos 1950. Tinha diagnóstico de Parkinson desde 2018 e sua última telenovela Em Família (2014). A trama obrigou o autor a sair da sua zona de conforto, retratar o bairro carioca do Leblon e seus moradores, e não conseguiu o sucesso esperado.
Ele está sendo lembrado por ter escrito a primeira protagonista negra do horário nobre da Globo em Viver a Vida. Escreveu, sim, e muito mal. E não sou da turma que diz que somente negros podem escrever bem personagens negras, mas que o autor não teve a assessoria que deveria ter, e que não sabia mesmo escrever gente que saísse, e vou usar o termo novamente, de sua zona de conforto. Eu assisti à novela protagonizada por Taís Araújo para ver como ela seria construída e não larguei por motivos de Mateus Solano, sou muito fã dele. Para quem não lembra, a pobre Taís Araújo teve que se ajoelhar diante da personagem de Lília Cabral e seu protagonismo foi roubado; Alinne Moraes virou a protagonista moral da trama. Uma tristeza mesmo.
Enfim, uma geração de autores de telenovela está partindo e a nova geração está longe de estar à altura. Lícia Manzo seria a sucessora natural de Manoel Carlos, mas a Globo a descartou, vamos ver se com a morte dele e a retomada mais efusiva de sua obra, ela seja trazida de volta. Para quem quiser conhecer mais sobre a obra do autor, suas filhas têm um canal no Youtube e estão produzindo documentários sobre suas novelas e suas Helenas. Já parei para assistir, porque me interesso pela história da teledramaturgia, e o material é de grande qualidade.














































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