domingo, 15 de março de 2026

Comentando Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Reino Unido/EUA/2025): Um tocante Retrato do Luto e uma Ficção Histórica Muito Deficiente.

Fui negligente e não assisti praticamente nenhum dos filmes do Oscar.  Decidi que tentaria ver pelo menos Hamnet, que em nosso  país recebeu o subtítulo de "A Vida Antes de Hamlet", porque um dos assuntos da temporada era como a interpretação de Jessie Buckley seria uma unanimidade, tanto que ninguém tem dúvidas de que o Oscar é dela.  Digo o seguinte: as interpretações são o forte do filme.  E não estou falando somente de Buckley, mas de Paul Mescal, que interpreta Shakespeare, e das crianças, em especial, o menino Jacobi Jupe, que faz Hamnet, o filho cuja morte destrói emocionalmente a família.  Também é louvável o retrato do luto de pais amorosos, porque no filme, ambos o são, mas ao pensar Hamnet como filme histórico, começo a ver nele tantos problemas que ele se apequena  aos meus olhos.  Não consigo evitar, mas explico ao longo da resenha.  Comecemos com o resumo, peguei o do Adoro Cinema mesmo: 

Em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, um dos mais importantes escritores do cânone ocidental William Shakespeare vive uma tragédia ao lado de sua esposa Agnes Shakespeare (Jessie Buckley) quando o casal perde seu filho de 11 anos para uma das várias pragas que assolaram o século XVI. Hamnet (Jacobi Jupe) era o nome do menino e, nessa história ficcional sobre a vida doméstica de Shakespeare (Paul Mescal), Agnes é a narradora e o ponto de vista fundamental da narrativa, demonstrando o luto que acompanha o fim precoce da vida do seu herdeiro. A trama rejeita a faceta inabalável e intocável de um gênio William Shakespeare, mas apresenta um artista que era influenciado, acima de tudo, pela sua vida diária. Explorando os temas da perda e da morte, Hamnet acompanha a rotina e o dia a dia de uma família, as alegrias e as tristezas de viver numa pequena vila na Inglaterra do passado e a história de amor poderosa que inspirou a criação da peça Hamlet.

Hamnet é  um filme construído praticamente em cima do que não sabemos, trata-se de ficção histórica, não de um filme histórico.  O que sabemos então?  O casamento do jovem William Shakespeare com Anne (Agnes) Hathaway é atípico.  Ele era  um jovem de 18 anos, ela uma mulher de 26 anos.  Ele um tanto jovem demais para se casar e ela um tanto passada da idade comum para um primeiro matrimônio.  E, não, em boa parte da Europa, pessoas comuns, aquelas que não eram de famílias reais ou da alta nobreza, não costumavam casar no início da puberdade na Idade Média e boa parte da Idade Moderna, mas 26 era tarde, sim.  Sabemos que Agnes casou-se grávida.  Estavam apaixonados?  Shakespeare foi pressionado a assumir o fruto de uma aventura?  Não sabemos.

Eles têm três filhos: Susanna (Bodhi Rae Breathnach), Hamnet e Judith (Olivia Lynes).  Ele parte  para  Londres.  Não sabemos se ele a visita com frequência ou não.  Se manda  dinheiro para ajudar no sustento da família.  Há a possibilidade  de Hamnet ter morrido de desnutrição e, não, de peste.  Certamente Shakespeare não estava presente quando da morte do menino, nem em seu funeral, porque estava muito longe, em Kent, em uma turnê teatral.  Há muita discussão sobre a sexualidade do autor.  Mesmo sem consenso, há grandes possibilidades de que ele fosse bissexual.  Nada incomum para uma época em que as  pessoas não se fechavam necessariamente nas mesmas gaiolas  de nossos dias.  Enfim, na  minha cabeça, Shakespeare sempre  foi pai e marido ausente.

Sobre a Agnes histórica sabemos muito pouco, ainda  que um retrato dela  de 1708 tenha sobrevivido e isso é bastante coisa para  alguém que não era nobre ou da alta burguesia.  A primeira é que no testamento de seu pai, um camponês abastado e que lhe deixou um bom dote, ela se chama Agnes, mas em todos os outros documentos ela aparece como Anne.  Não sabemos se ela sabia ler, menos ainda escrever, pois eram duas competências vistas como diferentes e meninas muitas vezes aprendiam somente a primeira, mas descobriram recentemente uma carta que lhe foi endereçada.  Mas até aí, alguém poderia ler a carta para ela.  Receber uma carta não tornava  ninguém no século XVI ou antes, ou ainda depois, obrigatoriamente alfabetizado. Esta carta  sugere ainda que Agnes chegou a morar com o marido em Londres entre 1600 e 1610.  Antes disso, o que tínhamos era a ideia de que ela poderia ter prendido o jovem Shakespeare a um casamento de obrigação (*com um volumoso dote... Sei...*), que  ele a deixara para trás e seguido em busca de uma carreira em Londres.

Mas Hamnet, o filme, é baseado em um livro e a autora, Maggie O'Farrell, quis transformar o casamento de Agnes e Shakespeare em uma história de amor.  Agnes foi tornada uma mulher sábia, independente e de uma linhagem de bruxas.  Shakespeare em filho tiranizado pelo pai que encontra nela acolhimento.  Ambos constroem uma família, mas ela, que apoia a carreira do marido, percebe que ele não está feliz e o autoriza e estimula a ir para Londres em busca de seu sonho.  Ele parte, mas retorna com frequência, mima os filhos, não abandona a esposa.  E, algo importante, ele quer que a família resida em Londres, mas Agnes resiste.

Bruxa que é, ela conhece ervas, ela tem visões, pressentimentos, e ela viu, ainda que em sombras, que teria dois filhos chorando no seu túmulo.  O problema é  que ela teve três crianças.  Como Judith, irmã gêmea de Hamnet quase morreu ao nascer e  tem uma saúde frágil, ela acredita que a vida no campo é mais segura  para menina.  E, sim, Londres era uma cidade insalubre, assim como a maioria das cidades da época e algumas até nossos dias.  Só que não é  Judith que a morte irá levar, mas Hamnet.  E não se trata de valorizar um filho mais que uma filha.  O tom do filme, porque o livro não li, não é esse, mas é a perda de uma criança que tem o efeito devastador.  Eu sou mãe, imaginar a perda da Júlia (*ou que eu parta e a deixe sozinha*) é um dos meus maiores medos.  Lembro de como uma das minhas tias-avós ficou devastada por meses e sofre ainda hoje pelo filho caçula que  morreu aos 13 anos.  Foi a primeira vez  que vi minha mãe chorando, essa tia  tinha idade de irmã  mais velha e é assim que minha mãe a vê até hoje.  Eu tinha 8 anos e não esqueço.  A casa da minha tia, sempre  iluminada, sempre  alegre, transformou-se em um mausoléu; os muitos brinquedos que ele tinha todos guardados.  Mamãe nos admoestando para não pedirmos para brincar com eles.  Cortinas fechadas, porque a janela dava para a rua onde  meu primo tinha sido atropelado de bicicleta.  A bicicleta que estava pequena e que seria dada para mim.  Eu nunca ganhei, nem nunca aprendi a andar de bicicleta; minha mãe ficou com pavor de bicicleta por anos.  Foi a primeira experiência de luto que eu vivi.

Logo, o luto que se abate sobre a família Shakespeare não é exagerado, ele é bem realista.  E  não procede uma ideia que foi disseminada pelo primeiro grande estudo histórico sobre a infância, o História Social da Criança e da Família do Philippe Ariès, de que os pais não sentiam a morte de um filho ou filha até os tempos da Revolução Industrial, que tanto fazia um pelo outro, que o luto era curto e muito mais para os olhos da sociedade.  Em alguns casos, talvez, mas há exemplos de sobra mesmo na sociedade europeia  do contrário, que se poderia sentir de forma diferente.  Obviamente, e isso o filme mostra muito bem, se poderia encarar a morte de uma criança, fato muito comum na época, como algo que fazia parte do cotidiano.

Uma das melhores personagens do filme, Mary (Emily Watson), mãe de Shakespeare, encara a morte de uma criança como uma fatalidade. Chora, lamente, mas compreende que em certas situações é inevitável.  Ela também acolhe Agnes, depois de a rejeitar no início por ser bruxa, e se torna mais  mãe da nora do que a madrasta da protagonista.  Só que algo que parece muito forte no filme é que Agnes lamentava ter se enganado e acreditava ter se descuidado de Hamnet, porque cria que o menino tão saudável estaria chorando em seu túmulo.  Seus conhecimentos e poderes de bruxa não o salvaram.

Além de se culpar pela morte  do menino, ela culpa Shakespeare pela sua ausência  e ambição.  O problema é  que o Shakespeare do filme nunca abandonou a família, ele esteve sempre presente, provavelmente, mais do que a maioria dos pais da época.  Ele veio às pressas para dar suporte quando soube que Judith estava muito doente e que provavelmente não resistiria.  Ainda que o luto de Shakespeare não seja destacado quando se fala do filme, ele sofre tanto quanto Agnes e Paul Mescal foi muito competente em colocar esse sentimento de dor e culpa na sua  atuação.  Só que o luto de Shakespeare vira força criativa, se transforma  em Hamlet, peça que pode, sim, ter sido uma homenagem ao filho morto, já o de Agnes se torna em ressentimento, depressão e uma raiva irracional pelo marido, que, lembremos, ela mesma empurrou para Londres.

Como o elemento mágico está presente o tempo inteiro no filme, é Hamnet quem causa a própria morte.  Embora  a mãe só apareça ensinando o ofício de bruxa para as filhas, reproduzindo papéis de gênero bem previsíveis, ele tem a visão.  Ele vê a morte  vindo buscar Judith e a engana.  Ela se salva, ele é ceifado.  O menino Jacobi Jupe é  uma das melhores coisas  do filme.  Ele é expressivo, atua muito bem, é fofinho e convence em todas as suas cenas.  Todas, inclusive na sua morte, que é doída, é suja, não é  uma morte tranquila. Mais tarde, em uma feliz escolha, colocaram seu irmão  mais velho, Noah Jupe, como Hamlet  no teatro.  Eu achei parecido, reconheci que a paleta de cores da roupa da personagem era a mesma que o menino Hamnet usava quando seu pai o viu pela última vez, mas não imaginava que fossem irmãos.  A cena da morte de Hamlet no palco é uma das grandes  cenas do filme, imagino que se eu estivesse  no cinema, eu me debulharia em lágrimas ali.

Enfim, o que escrevi até agora foram os elogios.  O filme tem sua beleza, algumas tomadas são muito bonitas mesmo.  A abertura  com Agnes deitada em posição fetal na floresta, que é  como um grande útero materno, é muito linda  A despedida entre Shakespeare e Hamnet sem saber que não se voltariam a ver.  A casa vazia em contraste com o palco vazio.  A tomada final da morte de Hamlet.  Posso estar sendo somente uma comentarista sem grande estofo, mas a direção de arte do filme e a fotografia me parecem muito boas.  Fora isso, Chloé Zhao é  uma grande diretora e mesmo dentro do mundinho machista da categoria melhor direção, ela está entre as sete mulheres indicadas em quase cem anos, no caso dela duas vezes, e entre as três que venceram na categoria (*uma delas sem merecer, mas eu não vou perder meu tempo com isso, pois já comentei quando aconteceu.*).  Suas qualidades estão mais que reconhecidas, portanto.  E, agora, vamos para as pedradas, porque eu tenho muitas.  

Enfim, na construção de Agnes, que passa a ser elemento fundamental para a carreira do marido, temos todos os clichês possíveis sobre a mulher-bruxa.  A floresta, a atitude independente, o cabelo solto e descoberto para mostrar que ela era livre.  Em um momento de intolerância religiosa, ela  não tem pudor nenhum em mostrar que não é cristã ao recusar, quando acredita que a bebê Judith nasceu morta, que a menina não foi para o céu e admitir que nunca diria uma oração sequer na igreja, que ela se refere como dos parentes e não sua.  Embora o Período Elisabetano não seja particularmente lembrado pela caça às bruxas, elas  aconteceram e se intensificaram a partir de 1563, isto é, mais ou menos no período do filme.  Isso é mostrado na 2ª Temporada de A Discovery of Witches.  Logo, ser vista como bruxa, se admitir bruxa, dizer blasfêmias na frente da parteira não era bem uma boa ideia.

Falando em parteira.  A primeira filha de Agnnes nasce na floresta, é o lugar mágico, a simbologia grita desde o início.  Ela teve a criança sozinha em seu ambiente seguro.  Já os gêmeos nascem em casa.  Há uma chuva  torrencial e a sogra a obriga a ficar em casa usando da força.  Daí temos um problema, a parteira quer  manter Agnes deitada e ainda a epreende por estar gritando.  Essa posição não era comum, as mulheres se movimentavam durante o parto e, quando chegava a hora, sentavam-se em uma cadeira de parto.  Quando Hamnet nasce, ela está na cama, só não está deitada de costas porque resistiu. Depois, quando percebem que são gêmeos a colocam em uma cadeira de parto.  Para piorar essa sequência do parto, ambas as crianças nascem limpinhas.  No caso de Hamnet, que vemos sair de debaixo das saias da mãe, não há sangue nem cordão umbilical.  Eu parei a película para respirar, porque não dá  um negócio desses.  Um filme como esse não poderia cometer esse tipo de deslize.

É ruim, ainda que,nesta parte, a cena de Agnes com a sogra e as lembranças da mãe morta sejam boas, assim como o desespero de pensar a menina morta e a confusão da protagonista com o fato de ter três crianças.  Muito bem, mas já que falei da mãe de Agnes, ela emerge da floresta tal e qual saída de algum daqueles filmes ruins sobre romanos na Bretanha, Rei Arthur moderninho ou os pictos.  Seu cabelo semidesgrenhado e com umas transcinhas na frente (*penteado típico desses materiais que citei*), vestindo uma túnica de tecido grosseiro e sem mangas.  E segue assim nas suas poucas cenas.  Imagine  aquele período, o frio, pense agora em uma mulher usando regata, mostrando os braços o tempo inteiro?  Mas figurino é um dos pontos mais baixos do filme e não adianta a figurinista vir com o papo de que foi planejado.  

O figurino é ruim, indiscutivelmente ruim.  E  não estou pedindo fidelidade impossível, porque não se trata de uma reconstituição, mas o figurino tem que ser verossímil ou explicar-se.  A figurinista, no link que coloquei acima, tenta explicar a paleta de cores das roupas das protagonista e falha a meu ver.  Agnes usa vermelho durante boa parte do filme, a impressão é que ela só tem um vestido, que se desbota  um pouco, mas não rasga.  Só quando ela está grávida dos gêmeos é que fica evidente que é um vestido vermelho, mas é outro.  Quando se casa, usa branco.  Branco não era cor de vestido de noiva antes do século XIX.  Era uma cor excepcional.  E o vestido de noiva era uma roupa especial, nova ou mais vistosa, e deveria ser usado depois.  Isso valia até para gente rica.  Não vamos rever o vestido branco de Agnes.

Depois que Hamnet morre, ela passa a usar degradê de marrom, não usa preto em nenhum momento.  As cores das roupas das meninas ficam mais fechadas, também, e elas começam a cobrir a cabeça, talvez, para marcar  a passagem do tempo, afinal, entre a morte de Hamnet e a peça Hamlet se passam quatro anos.  Já quando vai para Londres tomar satisfação com o marido por causa da peça, que ela acredita explorar  a morte do filho, afinal, o filme nos explica no início que Hamnet e Hamlet eram o mesmo nome com rafias diferentes, ela volta  ao vermelho.  Em Londres, a quase totalidade dos homens e mulheres está de cabeça coberta, menos Agnes, que, com mais de 40 anos, ainda anda de cabelo solto, e Barthlomew (Joe Alwyn), o irmão fofo dela.  O irmão, aliás, está com o gibão completamente abotoado, o que era o normal, assim como todos os homens que aparecem em Londres.  No campo, ele andava mostrando a roupa íntima, mas Shakespeare é pior.

Shkesperare só tinha 18 anos no início da história, o correto seria colocarem o ator sem barba, para marcar sua juventude.  A barba poderia indicar  a passagem do tempo.  Paul Mescal aparenta a mesma idade  do início ao fim da película, mesmo se passando mais de 15 anos.  Como ele e Jessie Buckley tem mais ou menos a mesma idade, não parece que existe uma diferença de 8 anos entre eles.  E não gostei do primeiro encontro dos dois.  Posso admitir que existe o elemento mágico, o destino, seja lá o que for, mas eles se beijarem antes de saber até o  nome ficou estranho.  Mas era de figurino que eu estava falando, não é?  A paleta do filme é aquela monotonia do que alguém chamou de Hollywood medieval palette e para  os britânicos e norte-americanos, o período Tudor é Idade Média.  Mesmo as cores mais vibrantes ou pastéis, quando aparecem, precisam se mostrar sujas e fechadas.  

Shakespeare fica desfilando, seja  Stratford-upon-Avon ou em Londres, com o gibão aberto, às vezes só com a camisa de baixo mesmo, que na maioria das vezes não é branca, e com as mangas dobradas.  Imagina ele sendo professor em uma casa de família remediada e andando assim ou em Londres?  Porque ele conhece Agnes quando está dando aulas de latim para os meio-irmãos dela como forma de pagar dívidas do pai, que é fabricante de luvas.  E, em boa parte do filme, Shakespeare está com um machucado na cabeça, deve ser onde o pai batia sempre.  Depois que se revolta com o pai, o velho desaparece.  A gente nem o vê pela casa.  Só sabemos que ele morreu por causa da cena da madrasta fofoqueira de Agnes.  Aliás, essa, os meio-irmãos de Agnes e os irmãos de Shakespeare, mesmo o que era bem novinho, desaparecem.  Só sobra mesmo a irmã de Shakespeare que deve ter ficado solteirona, nem que seja somente no filme.

E eu não posso esquecer!  Quando Judith fica doente, e todo mundo sabe que é peste bubônica, deixam Hamnet ficar perto da irmã.  Quando alguém adoecia, o norma era separar os doentes.  Quem ficasse cuidando deles, porque alguém precisava fazer isso, ou já tinha tido a doença ou era alguém que estava disposto a arriscar sua vida.  A peste é tratada no filme como algo terrível e ninguém se importa em tentar impedir que ela se transmita dentro de casa, por outro lado, criança chegar perto de gente morta, ou a mãe segurar filho natimorto parece o fim do mundo.  Muito sem noção mesmo.  E nem atrapalharia o argumento, porque bastaria que o jovem Hamnet se esgueirasse para  perto da irmã quando ninguém estivesse por perto.  O que, aliás, foi o que ele fez mesmo.

Como o filme redime Shakespeare de tudo, tornando-o marido apaixonado e pai exemplar, ainda temos o choque de Agnes quando vê que, mesmo tendo comprado uma casa muito grande e confortável para a família, ele mora em um sótão arrumadinho, mas bem pequeno.  Assim, Agnes é a protagonista, mas o filme faz um grande trabalho de redenção de Shakespeare.  Se o filme tivesse me tocado de verdade, eu até iria ver o que está no livro, mas confesso que não me pegou.

Hamnet não funcionou comigo como filme histórico.  Funcionou como um relato sobre o luto, mas poderia estar em outro momento da História, em um universo alternativo, em qualquer outro lugar.  Ele não me fez mergulhar no período que busca retratar.  Mais ainda, a história da bruxaria, o figurino, a paleta de cores terminam por me passar um ar de falsidade ou falta de pesquisa histórica.  Mas é aquilo, para uma mulher ser forte, destemida, sábia, convencionou-se que ela deveria ser bruxa mesmo que o seu provável destino fosse a morte, caso houvesse alguma coerência.  De resto, ontem o Dalenogare disse que Hamnet poderia derrotar fácil Anora, se tivesse saído no ano passado.  Olha, acho que a maioria dos concorrentes do ano passado mereceriam ganhar de Anora.  Aliás, Anora será esquecido como tantos outros filmes medianos e/ou ruins que já levaram várias estatuetas.  Talvez o destino de Hamnet também seja esse, a não ser, claro, que algo fora do previsto aconteça hoje.

sábado, 14 de março de 2026

Mangá para quem gosta de histórias de vingança terá dorama em breve

Não conhecia Deep Revenge -Kao o Suteta Kaseifu- (ディープリベンジ-顔を捨てた家政婦-) de Ishigami Kanako, ela sequer tem resumo no Bakaupdates, mas a série vai se tornar dorama em breve.  A estreia será  em 9 de abril.

O ponto de partida da história é bem novelesco: "Nozomi sofre um acidente de carro enquanto está grávida do filho de seu marido, Ryoichi. Ao acordar, quatro anos se passaram e seu bebê morreu. Além disso, enquanto Nozomi estava em coma, Ryoichi se divorciou dela e se casou com Erika Mido, filha de um grande empresário. Desesperada, Nozomi descobre que o acidente foi orquestrado por Ryoichi e Erika… A história retrata Nozomi mudando de nome e rosto, tornando-se governanta na casa de Ryoichi e buscando vingança contra os dois."

O Comic Natalie disse que somente um teaser com uma atriz com o rosto enfaixado foi divulgada e que não há dados ainda sobre o elenco, mesmo a série já estando prestes a estrear.  Imagino que duas atrizes irão fazer a protagonista, uma antes do acidente e outra depois, quando ela vai levar a frente a sua vingança.  O mangá parece ser publicado em capítulos, há seis listados no Amazon Japão, e um encadernado lançado, no máximo.  E o mangá parece ser desenhado por um estúdio chamado J-MANGA CREATE.  No site deles está que se trata de um Webtoon.

Yamato Waki e Ryoko Yamagishi planejam abrir um museu do mangá em Hokkaido

Ontem foi aniversário de Yamato Waki, mangá-ka de longa carreira e muitos sucessos, como Haikara-san ga Tooru (はいからさんが通る) e Asaki Yumemmishi (あさきゆめみし), e no dia 22 a NHK vai colocar no ar um programa chamado Watashi to Manga to Hokkaido to (わたしとマンガと、北海道と), algo como Eu, o Mangá e Hokkaido.  

Segundo o site da NHK, o programa é focado na obra de Waki Yamato e como algumas de suas obras celebram a prefeitura de Hokkaido, onde ela nasceu e cresceu.  E cito a matéria: "Waki Yamato retrata mulheres que vivem suas vidas com força e resiliência, como heroínas não convencionais que navegam vividamente pela era Taisho e mulheres que buscam seus próprios caminhos mesmo em meio a limitações. Ela diz: "O ar seco de Hokkaido influencia a atmosfera das minhas obras.""

Segundo a matéria, o programa celebrará Hokkaido como a terra do mangá e traz entrevistas com outros artistas nascidos lá como Kazumi Yamashita (Land) e Yoshikazu Yasuhiko (criador de Mobile Suit Gundam).  Além disso, o artigo ressalta que Waki Yamato está prestes a realizar seu sonho de inaugurar um museu em Hokkaido e que trabalha em conjunto com Ryoko Yamagishi (Hi Izuru Tokoro no Tenshi), sua amiga de longa data.  Além disso, o texto ressalta que mais de 30 artistas, incluindo Hiromu Arakawa (Silver Spoon), Keisuke Itagaki (Grappler Baki), Satoru Noda (Golden Kamui), Yoshikazu Yasuhiko (Mobile Suit Gundam THE ORIGIN) e Kazumi Yamashita (Land), apoiam o projeto.  O museu deve ser inaugurado este ano.

O programa será exibido pela NHK regional no dia 22 de março e reprisado no dia 25.  No dia 29 estará disponível e streaming on demand.  Deve ser um programa legal  de se assistir.  Tempos atrás fiz um Shoujocast sobre Waki Yamato.  O vídeo está abaixo:

quinta-feira, 12 de março de 2026

Nova ilustração de Watashi no Shiawase na Kekkon ajuda a promover o Festival das Sakuras de Chiyoda, em Tokyo.

Nova imagem do anime Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚) mostrando Miyo e Kiyoka passeando de barco sob as cerejeiras em flor para promover uma rota de selos no distrito de Chiyoda, em Tokyo.  Linda essa ilustração. ❤  O Festival de Sakura em Chiyoda será realizado de quinta-feira, 5 de março, a quarta-feira, 22 de abril. Uma gincana de selos colaborativa com My Happy Marriage foi confirmada para a temporada das cerejeiras.  Eu não sei como vai funcionar isso.  Mas a informação veio do perfil oficial do anime no Twitter.  

A Panini está publicando o mangá no Brasil e ele atingiu o volume #4.  Não sei quando a editora vai lançar o volume #5, mas a autora do mangá publica o mangá a passos de tartaruga.  Seria mais interessante lançar as novels para não deixar o pessoal sem nada e lucrar com a terceira temporada (*três episódios especiais*) que está por vir e será colocada na Netflix.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Honey Lemon Soda chegará ao final no dia 3 de abril

Honey Lemon Soda (ハニーレモンソーダ), o mangá mais bem-sucedido da revista Ribon em muitos anos, chegará ao final na edição de 3 de abril, segundo o ANN.  A série de Mayu Murata terá um último capítulo com 63 páginas, além da capa da Ribon e abertura em cores.  A série começou a ser publicada em dezembro de 2025 e o volume 30 do mangá foi lançado no final do ano passado.  Honey Leomon Soda teve um filme live action em 2021 e uma temporada animada na temporada de inverno do ano passado.