O site Anime Herald publicou uma entrevista com Hyūganatsu, autora das novels de Kusuriya no Hitorigoto (薬屋のひとりごと), aqui, no Brasil, Diários de uma Apotecária. A série de mangá é lançada no Brasil pela Panini; o anime faz um sucesso absurdo. Não é shoujo, mas sei que muita gente gosta da série e fiquei pensando se, de repente, uma ex-aluna muito querida poderia passar por aqui e ler a entrevista. Acho que ela iria gostar. Enfim, parece que a entrevista foi dada pela autora para vários sites em uma espécie de coletiva no Anime Boston 2026, em 4 de abril. Para quem quiser ler o original, é só clicar no aqui. A estrutura do texto original foi mantida e as ilustrações são de Touko Shino, responsável pela arte dos livros. As novels serão publicadas no Brasil pela editora Alt.
Uma conversa com Hyūganatsu, autora de Diários de uma Apotecária
Dead Rhetoric: Para Diários de uma Apotecária , quais são alguns dos desafios em manter os mistérios ancorados na realidade, mas ainda assim com soluções criativas e verossímeis?
Hyūganatsu: A estória em si é histórica. Queremos evitar usar qualquer coisa moderna nela. Dito isso, queremos garantir que seja realista, então usaremos técnicas modernas. Por exemplo, ao limpar um corte, usaremos álcool. Essa foi uma técnica desenvolvida no século II, então faz sentido usá-la nesta história.
Anime Herald: Você pode compartilhar um pouco do seu conhecimento sobre a Imperatriz Wu Zetian?
Hyūganatsu: Como você disse, ela foi uma personagem histórica real que existiu. A versão dela que está na história é um pouco diferente, mas a usamos como base. Nos registros históricos reais, ela é vista como uma imperatriz não muito boa. Ela também é a única imperatriz mulher da China.
Parte disso provavelmente se deve a imprecisões nos registros históricos, bem como à possível misoginia e sexismo presentes nos registros que foram mantidos sobre ela. Na verdade, ela fez muito bem ao seu povo naquela época. Analisando a forma como os registros foram mantidos, eles podem ter alterado ou distorcido um pouco a história. Ainda assim, achamos que ela era uma personagem interessante e cativante. É por isso que quisemos usá-la.
A-to-J Connections: O que te inspirou a escrever o que é essencialmente uma série de romances de mistério médico ambientados na China imperial?
Hyūganatsu: Gostaria de fazer uma correção. Sei que é o que está escrito na editora, que se trata de uma história da China antiga, mas na verdade não é.
Meu objetivo era criar uma bela história de amor em um gigantesco palácio imperial, com várias mulheres deslumbrantes circulando por ali. Essa foi a base. Pensei em qual seria o pano de fundo para esse tipo de história e que tipo de personagens eu poderia criar. Foi daí que surgiu a ideia da história de amor e dos mistérios em um belo palácio imperial. É uma combinação interessante.
Além disso, não é exatamente baseado em castelos imperiais chineses. Eles eram um pouco diferentes dos castelos imperiais japoneses. Este se assemelha mais a um castelo imperial japonês. Há o palácio dos fundos, com algumas centenas de pessoas de alto escalão. Pode haver um palácio externo e uma cidade ao redor com dezenas de milhares de habitantes. Há mocinhos e vilões. Agora, criar uma história nesse cenário torna-se muito fácil.
Jotaku Network: Para "Diários de uma Apotecária", qual é o seu processo de criação dos mistérios que Maomao resolve, e que tipo de pesquisa você realizou?
Hyūganatsu: Comecei procurando por enigmas e mistérios. Era importante que fossem algo que até uma criança pudesse resolver. Me inspirei em coisas que as crianças faziam. Isso se tornou a fonte dos mistérios. Um exemplo seria observar as tarefas de casa de verão delas e as perguntas que recebiam. Eu usava isso como inspiração para algumas dessas perguntas. Tratava-se de observar coisas do mundo real às quais as crianças têm acesso e que fazem, e então usar isso como base para os mistérios que Maomao precisa resolver.
(Nota do editor: Houve então uma discussão sobre o pedaço de papel em branco que Maomao deixou para trás como exemplo.)
Dead Rhetoric: Com um cenário e uma época mais sombrios em "Diários de uma Apotecária", o que te guiou ao inserir elementos mais leves na história?
Hyūganatsu: Uma coisa que eu penso é que, mesmo nos momentos mais sombrios, as pessoas sentem fome. Posso fazer um personagem comer alguma coisa. Isso é algo que nunca muda, não importa o que esteja acontecendo. As pessoas têm diferentes pontos de vista e perspectivas. Algumas podem ser mais positivas e voltadas para o futuro. Outras são mais negativas e voltadas para o passado.
Mesmo vivendo no mesmo mundo, seus pontos de vista serão muito diferentes. Então, se você tem uma personagem como Maomao, que vê tudo de cima, isso permite que ela tenha uma perspectiva diferente das outras pessoas. Isso possibilita alguns pontos de vista interessantes.
Anime Herald: Você disse que já pensou em ser policial. Qual é o seu personagem fictício favorito de policial ou detetive?
Hyūganatsu: Sou muito fã de (Hercule) Poirot. Peço desculpas a todos os fãs de Sherlock Holmes.
Anime Herald: Assim como Poirot, eu também gosto de uma xícara de chocolate quente antes de dormir.
Hyūganatsu: (Risos)
A-to-J Connections: Como você pesquisa os tipos de remédios que Maomao fabrica e usa ao longo da série?
Hyūganatsu: Trabalhamos de trás para frente. Começamos escolhendo a doença ou o mal que queremos incluir. Depois, procuramos a cura para essa doença. Normalmente, eu fazia isso online. Infelizmente, a internet se tornou menos confiável. Agora, precisamos fazer uma pesquisa aprofundada e evitar informações que se mostrem falsas.
Jotaku Network: Até agora, Diários de uma Apotecária é sua única série a receber uma adaptação para anime. Há alguma outra obra sua que você gostaria de ver adaptada no futuro? Sobre o que ela seria?
Hyūganatsu: Não posso dizer nada. Aguardem ansiosamente.
Anime Herald: Parabéns!
Hyūganatsu: Agora precisamos fazer um pacto de segredo.
Dead Rhetoric: Ao escrever The Failure at God School, você consegue exercitar sua criatividade como escritor? O que você gosta de poder incorporar elementos sobrenaturais à história?
Hyūganatsu: Escrever isso é um pouco difícil. O lado bom é que não estou trabalhando sozinho. Estou trabalhando em estreita colaboração com o professor Akagawara (Modomu). Há várias pessoas diferentes na equipe: o editor, o gerente, muita gente envolvida no processo. O bom é que, sempre que me perco, posso dizer: “Akagawara-sensei, o que eu faço? Me ajude!”
Outro ponto importante que levo em consideração ao escrever é que uma história de fantasia ainda precisa de regras para funcionar como tal. Garanto que ela não se torne muito irrealista e que permaneça ancorada na realidade. Isso tem um grande impacto na história.
Anime Herald: Uririn é adorável. É a Uririn de Uriurikoron que cresceu e virou relações públicas?
Hyūganatsu: Não. Eu adoraria trabalhar com a Sanrio. A Sanrio tem a Uririn. Você pode ir ver a Uririn no Sanrio Puroland quando quiser.
(Nota do Editor: Houve uma breve discussão sobre a Uririn e a Sanrio. Hyūganatsu adoraria trabalhar com a Sanrio. "Sanrio, por favor, me contratem. Eu daria o meu melhor como Uririn." -Hyūganatsu)
A-to-J Connections: Algum personagem ou trama se tornou mais importante do que você imaginava inicialmente?
Hyūganatsu: Eu sempre digo Jinshi. Originalmente, Jinshi deveria morrer. Pensamos que, se o matássemos, todos ficariam bravos, então decidimos deixá-lo viver. O plano original era que Gaoshun o matasse jogando algo nele. Teria sido uma história bem diferente.
Jotaku Network: Quais são os sentimentos ou mensagens gerais que você espera transmitir aos leitores de Os Diários do Boticário?
Hyūganatsu: Eu não estava buscando transmitir nenhuma mensagem específica. A forma como eu pensava era que estava escrevendo uma história de fantasia maravilhosa para a qual as pessoas pudessem escapar quando o mundo real ficasse muito difícil. Eu estava criando essa fuga para as pessoas.
Anime Herald: Você tem alguma pergunta para nós?
Hyūganatsu: Para me tornar popular aqui nos Estados Unidos, que tipo de perguntas eu deveria fazer? Que tipo de histórias vocês querem ler ou assistir?
Anime Herald: William Goldman, autor de A Princesa Prometida, tem uma ótima frase sobre Hollywood: "Ninguém sabe de nada". Isso também vale para animes. Ninguém sabe qual será o próximo grande sucesso. Ninguém previu que Yuri!!! on Ice seria um sucesso estrondoso. Gostaríamos de poder ajudar, mas não podemos.
Anime-Zing Radio: Concordo. Diários de uma Apotecária é um dos meus favoritos, mas não saberia dizer que tipo de perguntas gostaríamos de ver respondidas.
Jotaku Network: Ninguém sabe do que vai gostar até assistir. Ninguém poderia prever que uma série sobre uma jovem que trabalha com medicina se tornaria uma personagem tão brilhante e amada.
Hyūganatsu: Parece que você está dizendo que eu deveria experimentar várias coisas diferentes. Obrigada.
Anime Herald: Muito obrigado.
















































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