quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sobre Castro Alves e Direito de Amar



Alguém escreveu no Formspring que gostava quando eu fazia posts pessoais... Eu raramente acho que faço isso, mas este aqui será um deles. Eu gosto muito de Castro Alves, já falei disso aqui. Aliás, adoraria (*acho eu*) que fizessem um filme ou minissérie sobre a vida dele. Aliás, tão curtinha, coitado, cabia em um filme mesmo. Mas por que estou falando de Castro Alves? É que minha mãe tinha a edição em quadrinhos da EBAL com a vida de Castro Alves – O Poeta dos Escravos. Eu achava os desenhos lindos, o Castro Alves muito bonito, a vida dele muito romântica, só que um dia emprestei o volume para uma colega de escola e ela nunca entregou.

Enfim, agora que consegui comprar a edição na Estante Virtual, confirmei que das minhas impressões originais, posso tirar os desenhos lindos. Mas não são ruins, muito pelo contrário, só tem aquele estilo formal que é bem distante dos arrojos narrativos do mangá, por exemplo. Ainda assim, acho que é um material que merecia ser republicado e, de novo reforço, adoraria ver Castro Alves na tela.

Pois bem, meu gosto por Castro Alves começou na 6ª série, quando meu primeiro professor de Português, Seu Orlando, se aborrecia com a turma e danava a escrever os versos de Castro Alves no quadro negro. Mas eram sempre os épicos “Vozes D’África”, “O Navio Negreiro” e outros nessa linha. Houve um tempo que eu sabia alguns deles de cor. Mas um poema que eu adoro do Castro Alves não tem nada a ver com a militância abolicionista. Trata-se de “Laço de Fita”:
Não sabes crianças? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.
Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,

Formoso enroscava-se
O laço de fita.
Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro

Num laço de fita.
E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.
Há pouco voavas na célere valsa,

Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...

Teu laço de fita.
Mas ai! findo o baile, despindo os adornos

N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.
Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita!

Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.
Enfim, mas ninguém recitou tão bem esse poema como Lauro Corona em o Direito de Amar. Felizmente, começaram a colocar vídeos dessa novela belíssima no Youtube. Estou bem feliz com isso. Já falei aqui que daria um excelente Shoujo Mangá e fiquei realmente deprimida quando o Walther Negrão disse em entrevista que na Alemanha a novela foi transformada em livro. A Globo realmente não sabe explorar seu próprio material. Voltando ao ponto, ainda não há a cena em que Adriano (Lauro Corona) recita “Laço de Fita” para a Rosália (Glória Pires). Mas acho que é questão de tempo e eu estou assuntando com o pessoal que colocou os vídeos. Espero conseguir essa cena para guardar no meu arquivo.

O fato é que há grandes possibilidades de remake de Direito de Amar. O problema é que a novela teria várias passagens censuradas para ficar no horário das seis. Não imagino a cena de tortura em que cegam o Danilo ou as surras que o Sr. De Montserrat dava na “louca” do sótão passando pela classificação indicativa. De qualquer forma, há até vídeo no Youtube especulando sobre um possível elenco.

Acho que a Débora Falabella (*que está no vídeo*) ou a Fernanda Vasconcellos dariam ótimas Rosálias. Patrícia Pillar poderia ser a louca do sótão e escalar a vilã Paula seria muito fácil, também, a ideal seria a Alinne Moraes, mas poderia ser a Nathália Dill, mas não imagino quem poderia ser o Adriano. Meus atores favoritos são velhos demais para fazer o papel... Peraí, não há dúvida de quem seria o Adriano, Daniel de Oliveira serviria bem. Não é o Lauro Corona, mas é o que a gente tem agora. Agora, pensando bem, perfeito ficaria o Bruno Gagliasso... Perfeito mesmo! A sugestão do vídeo – Guilherme Berenguer – é que seria desastrosa. Mas quem poderia ser o Sr. De Montserrat ou o Ramos (Carlos Zara)? Talvez o José Wilker pudesse ser um deles. Mas ele aceitaria uma novela das seis? O Rodrigo Lombardi poderia ser o Nelo (o saudoso Rômulo Arantes, no original) sem problema, mas de resto, é difícil.

Enfim, escrevi demais, mas é porque chegou o quadrinho e fiquei saudosista, descobrir Direito de Amar no Youtube também reforçou isso. Estou torcendo pelo remake, mas acho que o original – como no caso de Escrava Isaura – está muito acima do que se considera novela hoje. Deixo os vídeos do primeiro encontro da Rosália com o Adriano e o Carlos Vereza dando um show como Sr. De Montserrat.

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5 pessoas comentaram:

Não vi a novela, mas amo Castro Alves ^^... Mas isso me faz lembrar de uma novela que vi sobre autores consagrados de nossa literatura.

"Essas Mulheres" foi uma novela com um olhar sobre as três mulheres de José de Alencar[A Senhora; Lucíola e Diva]. Aliás, José de Alencar um monstro da nossas literatura clássica.

Trilha sonora inesquecível, direção invejável, cenário fabuloso. Não vejo outra maneira de avaliar a não ser perfeito, ficou realmente perceptível na amizade das três mulheres como se suas vidas realmente fossem interligadas nos livros! E melhor o próprio vilão de 'A Senhora', Manoel Lemos, interpretado por Paulo Gorgulho [diga-se de passagem, passei a admirá-lo muito a partir daí] se tornou o melhor vilão que já vi em toda minha vida!!!

... qria que passasse novamente -.-
['monstro'= exímio]

Dammy, eu assiti Essas Mulheres. Não considero uma novela bem arranjada. Teve seus momentos, e talvez um dos casais mais bonitos que eu já vi atuando juntos (Christine Fernandes e Gabriel Braga Nunes), mas faltou liga mesmo. Juntar bem três romances distintos é difícil e escrever uma boa novela mais difícil ainda... Enfim, mas se a Record continuasse investindo, poderia atingir um nível de excelência.

Aliás, meu livro favorito do José de Alencar é Senhora.

Direito de Amar, que é pena você não ter podido assistir, estava em outro nível de discussão. Poucas novelas foram tão bem construídas, o texto era primoroso e o elenco atuava excepcionalmente bem. Outros tempos...

Você comentando da EBAL eu me lembrei das edições maravilhosas do Adolfo Aizen. No meu trabalho tem algumas dessas preciosidades (de cabeça só me lembro de "Menino de Engenho" do José Lins do Rêgo). Eu li um livro que conta a história dos quadrinhos no Brasil e nele comentava que essas edições maravilhosas chegaram a ser usadas como material pedagógico em algumas salas de aula, elas tinahm tiragens que chegavam à casa dos 400.000 exemplares e algumas das adaptações de romances brasileiros tiveram que ter várias tiragens. É claro que a caça às bruxas sempre existiu, mas é interessante notar que os quadrinhos chegaram a ser tão ou mais valorizados há 60 anos atrás.
Dia desses apareceu um jornal distribuido pela ABI que conta a história dos quadrinhos no Brasil também, o mais legal de tudo foi descobrir que o Carlos Drummond de Andrade era fã de quadrinhos, enquanto isso os nossos autores atuais (que salvo raras excessões são todos uns lixos) esnobam os quadrinhos como se fossem leitura descartável.
Eu sei que a única conexão com o post foram as Edições da EBAl, mas de repente eu senti vontade de falar disso.

Ah, sim, Kadu, a EBAL era uma coisa d elouco. eu cheguei a ir criança até lá com a minha mãe, era um sonho!!!

Mas o fundador da EBAL foi muito esperto. Ele publicava quadrinhso educativos e, por isso, tinha moral e possibilidades d epublicar outras coisas. E quantas coisas!!!

Eu tenho comprado algum material da EBAL via Estante Virtual. Essas quadrinizações de clássicos são muito interessantes. Mas é um quadrinho formal, por asism dizer. Sem arrojos narrativos. Mas, para a época, era algo refinadísismo!

Assisti a novela em um "Vale a pena ver de novo" uns anos atrás! Era a 1ª novela do "Vale a pena ver de novo" que eu não havia assistido (eu não acompanho realmente nenhuma novela, a única foi Paraíso). Lembro que chegava correndo da escola, almoçava e ia esperar o Video Show e a novela. Nossa, muito boa mesmo!!!!

Adorei os atores que você escalou para a "nova novela", hehe.

Bjos!

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