terça-feira, 1 de maio de 2012

Comentando o Livro The Hunger Games (Os Jogos Vorazes)



Até as matérias sobre o filme Jogos Vorazes, eu nada sabia sobre o livro de Suzanne Collins. Não conhecia a autora, não conhecia a história. Assisti ao filme e gostei dele. É muito comum o cinema me chamar para a Literatura. Foi assim com Sherlock Holmes, com Harry Potter, com Orgulho & Preconceito, com Os Três Mosqueteiros, com Jane Eyre, etc. Seriam muitos livros para listar. Quando saí do cinema, imediatamente, usei a tecnologia para comprar o livro. The Hunger Games foi o segundo livro que li em formato digital, sem o recurso do papel. A leitura foi menos acidentada que da primeira e o prazer foi muito maior. Eu não vou resumir o plot do livro, afinal, trata-se da mesma do filme e vocês podem dar uma olhadinha na resenha que fiz.

Hunger Games é uma distopia. Trata-se de um subgênero da literatura fantástica e de ficção científica que engloba, segundo o Houaiss, “qualquer representação ou descrição de uma organização social futura caracterizada por condições de vida insuportáveis, com o objetivo de criticar tendências da sociedade atual, ou parodiar utopias, alertando para os seus perigos; antiutopia”. Pois bem, Hunger Games é uma crítica ao capitalismo, ao controle que a mídia exerce sobre as nossas vidas, e à glamourização da violência. Só por esses três pontos, já merecia uma olhadinha, especialmente por ser material para adolescentes. Outras sagas de sucesso, como Harry Potter, chutam cachorro morto ao investirem em usar metáforas que se remetem ao nazismo, Collins ataca o que para muitos é inatacável, o capitalismo que oprime, explora e pode, sim, se tornar cada vez mais monstruoso. Outra coisa que é muito importante, pelo menos para mim, é que a série traz uma garota como protagonista e, mais importante, uma que tem virtudes que parecem faltar em outras mocinhas de sagas de sucesso por aí...

Confesso que algo que me empurrou para o livro era comparar o livro com o filme. Afinal, tinha visto os dois vídeos do Feminist Frequency (1-2) e queria pesar algumas questões. Tinha, também, lido algumas críticas feitas à escalação do elenco, as racistas e as que se referiam à escalação da excelente Jennifer Lawrence para o papel de Katniss. Depois de ler o livro, sei que Cinna não é descrito como negro, mas qual o problema em escalarem um ator negro? Quantos temos no filme? Rue e Thresh são descritos como negros e a analogia entre o estilo de vida dos escravos no Sul dos EUA é óbvia... Até demais, eu diria. Já Jennifer Lawrence pode ter salvado o filme com sua interpretação, mas ela não se parece fisicamente com a Katniss do livro que era morena e deveria ser franzina, não por correr atrás de um modelo anoréxico de beleza, mas por viver no limite da fome. Lawrence me parece saudável demais para ser Katniss e, claro, a política de embranquecimento é evidente. É melhor pegar uma atriz louríssima, pintar seu cabelo e submetê-la a bronzeamento do que escalar uma protagonista latina ou mesmo mulata para encarnar o papel. Racismo é o nome que se dá para essa prática. E não resta lembrar que aqui no Brasil é a mesma coisa vide as duas novelas baseadas em Gabriela de Jorge Amado e Vera Fisher morena e com lentes em Desejo.

Também tinha em mente alguns comentários que foram feitos na resenha do filme. Gente que dizia que a autora escrevia mal. Talvez eu seja limitada demais para perceber se isso é verdade, ou não. Só sei que a leitura foi empolgante e muito satisfatória, mais do que eu esperava. Está sendo muito difícil não mergulhar direto no livro dois. Se ela escreve mal, gostaria muito de escrever tão mal quanto ela. Talvez minhas histórias deslanchassem. Interessante é que não é uma história original e nem precisa ser. O importante é como a autora conta a história. Segundo Collins, ela se inspirou em quatro coisas: Guerra do Iraque, Reality Show, Lutas de Gladiadores e o Mito de Teseu.

Antes de ler, eu imaginei Senhor das Moscas e Battle Royale. Depois do filme e do livro, não vejo influência direta desse material. Os jovens de Hunger Games são imolados todos os anos como uma forma de memorial e intimidação. Afinal, a Capital venceu a guerra e quer manter os distritos sob controle. Para isso, utilizam também o terror – já que o 13º Distrito foi obliterado – e, também, o tratamento desigual, pois 1º, 2º e 4º Distritos tem um tratamento menos pior do que os demais. É a velha filosofia do dividir para continuar dominando. Tanto no filme, quanto no livro, eu percebo a influência de uma releitura de Roma Antiga. Essa estratégia foi amplamente utilizada pelos romanos e não é à toa que este Estado durou tanto tempo. Os nomes romanos dos habitantes do Capitólio não deixam encobrir esta influência. Até o treinamento dos tributos me lembrou Spartacus.


Outra crítica é que Katniss é dura demais. Por que personagens femininas fortes precisam ser assim? Bem, se ela não fosse não seria uma “sobrevivente” termo aplicado a ela tanto em relação ao fato de ter se tornado arrimo de família aos 11 anos, quanto quando ela consegue sobreviver à arena. A personalidade de Katniss se coaduna com a vida que teve até os 16 anos: moldada pelas péssimas condições de vida, pela sombra da fome, pela violência de um regime opressor, tendo que assumir papel de adulto para que ela, a mãe e a irmãzinha sobrevivessem e permanecessem juntas. Ou você vira uma casca grossa, ou você morre. Curiosamente, isso não fez de Katniss uma criatura sedenta de sangue. Ela mantém o mínimo de sanidade na arena. Apesar de traumatizada e beirando a paranóia, ela não deseja a morte dos outros tributos, ela deseja sobreviver. Essa característica separa Katniss de outras personagens de ação, homens e as mulheres criadas para imitar o modelo, porque ela não se torna uma máquina de matar, ela não se deixa inundar pelo ódio, ela sofre, é humana.

Também discordo que ela odiasse a mãe. Ela despreza a forma como a mãe enfrenta a crise. Eu comecei o livro dois e precisarei me utilizar dele aqui. Katniss confronta a mãe de Gale, que mesmo grávida foi à luta depois da perda do marido, com sua mãe, que se deixou cair em depressão. Eu entendo o rancor da menina, afinal, a mãe era a adulta que deveria zelar por ela e sua irmã, mas Katniss teve que se deslocar para o lugar de mãe ou de pai. Nesse sentido, ela é a filha do pai. Pessoas são diferentes, tem reações diferentes. Não senti a autora estigmatizando a mãe de Katniss, mas é uma narração em 1ª pessoa e a protagonista, claro, tem mágoas profundas em relação a sua genitora. Agora, ao longo da leitura Katniss expressa várias vezes a admiração pela competência da mãe como curandeira e apotecária. Talento que foi herdado pela irmã. Vejam que Katniss é forte, competente com o arco, resistente, mas ela não é perfeita e sofre por não saber o que fazer com os ferimentos de Peeta, por se sentir impotente. Ela detesta tratar dos feridos, ela tem estômago fraco...

Indo agora para as questões de gênero, a leitura permite observar o quanto o filme tentou normalizar os papéis de gênero. Mulheres e Homens no Distrito 12 vão para as minas. Alguns poucos têm outros profissões, mas uma das coisas que Suzanne Collins tenta representar é os primórdios da Revolução Industrial e a Grande Depressão. O filme, por questões ideológicas, claro, apresente o 12º Distrito como uma sociedade patriarcal com as mulheres donas de casa e os homens nas minas... Ótimo! Deve ter gente que não sabe que mulheres e crianças também enfrentavam 12, 14 horas de trabalho nas minas inglesas de Revolução Industrial, ou nas plantações, ou nas fábricas... elas não ficavam em casa! Nesse aspecto, o livro falha e muito, pois Katniss parece uma exceção, uma mulher forte entre um bando de assujeitadas. Salvo, claro, a mãe de Peeta, que é pintada como uma megera.

Katniss é uma personagem feminista? Não sei. No livro 1, ela tem atitudes feministas. A recusa da maternidade e do casamento, por exemplo, estão ligadas ao desejo de não colocar no mundo filhos para serem explorados, mandados para a arena. E, ao longo da leitura, é possível perceber o quanto Katniss é inocente em relação às questões do coração. Pelo menos no livro 1, a ordem do relacionamento é casamento, sexo, gravidez, filhos. Não há namoro em Panem? Não existem métodos anticoncepcionais? Voltando à inocência da protagonista, ela é parcialmente compreensível, já que ela sempre esteve muito ocupada tentando sobreviver para olhar para os lados e perceber que Gale gosta dela, quanto mais Peeta... Por que a história de fugir de Gale é uma declaração, mas ela não entende. A recusa não é feminista nesse caso, mas fruto de uma inexperiência dupla, a de adolescente e a de alguém endurecida pelo meio. E chegamos à Peeta...

Eu gostei muito do Peeta, porque ele é feito para que gostemos dele, para acharmos que ele merece ter seu afeto por Katniss retribuído. Aí, claro, mora o perigo. Ninguém é obrigado a retribuir esse tipo de sentimento e a trilogia Jogos Vorazes não parece ser sobre com quem Katniss vai ficar. O único momento em que eu fiquei chateada com a narração em primeira pessoa, foi quando, na arena, não podia saber o que Peeta estava fazendo ou sentindo. O filme mudou e cortou muita coisa, e um dos cortes foi a tentativa do rapaz em salvar Katniss dos Careers (*os Tributos Profissionais*). No filme, a gente se pergunta “Por que ele está ajudando esses caras?”. No livro, logo sabemos que ele estava jogando. E aí entra a questão, o filme faz parecer que o jogador era Peeta, quando ele estava o tempo inteiro consciente de que iria morrer, mas que Katniss, sua amada, poderia vencer os jogos e ele poderia, pelo menos, ajudar. No livro, a jogadora é Katniss. Ela joga o tempo inteiro, não pélo jogo, mas pela sua vida. E desconfia de Peeta. De novo, é sua inocência para questões do coração e sua personalidade de sobrevivente que falam mais alto... Enfim, eu não fui buscar spoilers, não sei se Katniss termina com um dos rapazes, mas eu imagino que Peeta vai morrer no fim.

Enfim, Collins brinca com os papéis de gênero aqui. Katniss se comporta durante boa parte do tempo como o homem da relação e Peeta aparece em posições femininas. E isso seguindo a lógica da desigualdade. O que é que contaria mais na arena? Os talentos de confeiteiro do moço, convertidos em capacidade de camuflagem, ou o arco e flecha e a agilidade de Katniss? Os dois contam. Mas a protagonista é Katniss. Aliás, é o ano das arqueiras, vem aí Brave (Valente). Já no final, Katniss é obrigada para a se colocar no papel da mocinha e Peeta do herói. É uma inversão incômoda, afinal, ela o salvou. E termina o livro... Não sem antes Peeta ter a grande decepção: Katniss fingiu amá-lo para sobreviver, para que os dois sobrevivessem. Ele nunca fingiu. E como ele é um doce, a gente fica com o coração pesado. No filme, não há triângulo amoroso. No livro, ele está lá desde o início. Katniss não sai imune da arena. Ela sai confusa. Se o imbróglio amoroso não se tornar o centro dos próximos livros, acho que ainda me divirto muito.


O cerne de tudo, claro, é a crítica à opressão. Katniss se torna a líder involuntária de uma revolta e o governo sabe bem disso. Ela se vê acuada, a graça, agora, é saber quando ela se tornará agente consciente da coisa. Haymitch – o único vencedor do 12º Distrito a estar vivo e treinador de Katniss e Peeta – bebe porque não suporta sua vida miserável. Vencedor, sim, mas participante desse ritual macabro anual. Eu imagino que ele terá um papel importante no futuro. Foi interessante descobrir quem trabalha na capital. Os serviçais de branco, os Avox são escravos. Criminosos que tiveram as línguas arrancadas. Vejam bem, mas o criminoso nesse mundo pode ser o sujeito que caça nas florestas para não morrer de fome (*lembrando a época em que as florestas eram dos nobres*), quem ousa roubar um pão, ou um óculos de visão noturna, ou... na leitura pareceu que no Distrito 11, o de Rue e Thresh, aquele que parece com fazendas de escravos do Sul, o regime é mais duro... e, claro, desejo a queda da Capital. :D Aquela cena final na Cornucópia com os monstros, foi de uma crueldade sem tamanho. E o filme modificou propositalmente, assim como humanizou Cato no fim, coisa que não acontece... Mas é isso... Chega de comentar Jogos Vorazes por enquanto.

Hunger Games foi lançado em 2008 e, desde então, é um sucesso, fazendo parte de uma trilogia que já está completa (*ainda bem*). Como os livros foram lançados respectivamente em 2009 (Catching Fire) e 2010 (Mockingjay), acredito que a autora já tinha um planejamento prévio, independente do sucesso de público que a obra pudesse ter... E ela teve mesmo! O filme, claro, seria inevitável. O resultado da estréia no cinema foi bom, mas eu recomendo o livro. É uma leitura bem interessante e a autora constrói bem as personagens, o cenário, consegue atrair a empatia e consegue fazer da narrativa em 1ª pessoa algo que alimenta o suspense.

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16 pessoas comentaram:

Valéria, concordo com praticamente tudo o que você disse! (na verdade a minha resenha de HG está quase pronta também, falta tempo só pra revisar e postar...)
Mas a questão de Katniss ser dura demais, que eu apontei no post do filme, não é um problema na livro 1, na verdade é a maior qualidade da personalidade dela! Ela se endureceu porque teve que amadurecer muito antes do tempo, e de uma forma abrupta. Mas no livro 3 ela não é apenas dura, ela fica... ranzinza. E pra mim isso é num problema relacionado à esteriótipos mulheres fortes, como se pra ser forte ela precisasse ser grosseira, chata e ranzinza, entende?
xoxo

http://pipocadegroselha.wordpress.com/2012/05/01/the-hunger-games/

Proncot, criei coragem pra editar e postar XD
bjos

Gosto de ler o que vc escreve, acho bem interessante seu ponto de vista.
Engraçado que hoje mesmo, me disseram a mesma coisa sobre o Peeta morrer. Eu li tão rápido os 3 livros que não tive tempo de parar pra pensar sobre várias coisas óbvias e outras nem tão óbvias assim...

Então ele morre, né, Mila? Tadinho do Peeta... :(

Gabi, quanto ao 3ª livro. Achei que ela ficou tão abalada emocionalmente que precisou ficar lutando consigo mesma. Ela fique um pouco chatinha com os outros sim, mas eu achei esse o encanto da coisa. Que pessoa, tendo passado tudo que ela passou, conseguiria ser um posso de simpatia e sanidade? Achei a atitude dela muito humana e, por isso, real. Não acho que isso se deveu ao fato dela ser mulher, até por que temos também O cara do tritão (n me lembro o nome dele) que enlouquece.

Valéria, nos próximos livros da série há de fato um desenvolvimento do romance, mas o livro não se perde nele. Ao meu ver, o romance permite um maior aprofundamento psicológico dos personagens, ao mesmo tempo que entra de vez na história e torna mais explosivo os próximos acontecimentos.

Então Raquel, eu concordo! Mas mesmo assim eu acho que eles pesaram na mão... porque o Finnick apesar de abalado emocionalmente mantém a sua compostura e seu carisma quando precisa, ao passo que Katniss sai correndo de situações oficiais pra se esconder no armário. Entende? E eu acho que essa insistência na fuga de Katniss não deixa de ter um fundinho de preconceito, do tipo "ela é forte, mas é mulher. então ela vai correr e se esconder no guarda-roupas eventualmente", sabe? Sei lá, eu achei um pouco forçado, creio que a autora poderia ter encontrado formas melhores para lidar com a gradual perda da sanidade da personagem... Que vamos falar a verdade, acomete À todos os vencedores. Nenhum deles mantém a completa lucidez após a arena, e essa é a minha parte favorita do livro 3.
Além de que a outra persoangem feminina forte é Johanna, que também é a mais grossa do planeta. O que impede que uma personagem forte também seja gentil? O Peeta consegue! Mas a autora perde a chance de criar uma mulher assim...
Mas essa é só a minha opinião ^^

Bem, Peeta é feito para ser amado e para que choremos a sua morte no final, provavelmente, em sacrifício pela heroína ou pela causa. Ele é o menino "bom". Katniss é a "sobrevivente". Mas eu estou no início do volume 2.

Gabi, mas isso n seria uma inversão? Tipo, quando o personagem principal é masculino e ele passa por um grande trauma ele tb não fica muito duro? E sempre tem a mocinha gentil que passa por traumas tb, mas nunca perde sua gentileza e romantismo? Achei que a autora inverteu os papeis...

(Finnick fica muito louco po! depois ele recupera a compostura, fato, mas ele virou quase autista. Eu achei que em nenhum momento Katniss fica nesse degrau de loucura, mas em compensação ela demora muito mais a sair do buraco)

Além de que, não acho que está na personalidade de katniss ser simpática ou gentil. Ela nunca foi assim, a não ser com sua irmã. Seria uma incoerência ela ficar dessa forma depois de tudo, eu achei o comportamento dela muito coerente como a personalidade que Suzanne Collins criou. Inclusive achei libertador, ela não conseguia ser forte e também nem tentou, ela fugiu quando n aguentou; hoje em dia parece que temos de ser forte não importa o que. katniss foi fraca, mas foi forte na sua maneira de ser fraca.

Me parece que katniss tem uma imaturidade emocional, no sentido que ela entra no ápice do desespero pela morte ou perigo de morte das pessoas amadas. Ela olha desconfiado à todos, mas isso deve-se em parte a sua relutância de amá-los, pois ela se sente responsável por tudo e todos e não sabe lidar com esses sentimentos. Ao mesmo tempo ela se odeia por que seu instinto de sobrevivência é fortíssimo e, por isso, ela se esquece dos outros em momentos cruciais. Logo, quando ela é puxada além do seu limite ela se despedaça e não sabe bem como recolher seus pedaços, são muitas dúvidas, muitos medos. Desde o primeiro livro percebe-se essa fragilidade dela, quando o braço de Peeta enlaçando ela na última cena do show é a única coisa que a impede de desabar, de gritar. Como se aquele apoio é a âncora à suas emoções.

Bom bom ,eu falei demais... é isso ai. Eu achei tudo bastante coerente, não achei machismo.

A minha opinião sobre o Finnick é exatamente a mesa que a sua. Ele surta no começo. E surta MUITO. Mas ele se recompõe. E a Katniss chega no fundo do poço da loucura também! E aquela cena do quartinho na capital? Ela descreve por várias vezes suas auto-mutilações, seu pânico, seu escapismo...Eu acho que não só Finnick, mas Katniss (e todos os outros vbencedores) chegam nos limiares da loucura!

Achei muito interessante a sua opinião, Raquel, mas veja que nós concordamos em muitos pontos, acho que você só não compreendeu muito bem o que eu quis dizer...

Mas você mesma diz que a personalidade de Katniss não é gentil. E era exatamente disso que eu estava falando. Que mais uma vez as personagens mulheres fortes não são gentis, entende?
O progresso da personagem foi coerente? Sim. E eu gosto muito de Katniss, muito mesmo. Só estava dizendo que mais uma vez a mulher forte é retratada como dura demais, sendo que existem outros tipos de força. Eu amo personagens duronas badass, mas fico esperando pelo dia onde uma personagem feminina de blockbuster que seja dotada de força e determinação também possa ser gentil e carinhosa...

E eu concordo com você, foi coerente sim. Mas eu acho que por muitas vezes foi exagerado, principalmente as cenas onde ela se esconde no armário, pra mim aquilo foi o cúmulo do nonsense. Eu não conheço nenhuma pessoa real, com mais de 5 anos que entre em armários quando está contrariada.

E nas cenas da capital quando Katniss sequer vista Peeta no hospital? Ele foi aliado dela na batalha, e ele sempre foi a âncora dela. (Como a Valéria ainda não chegou nessa parte vou me esforçar pra não dar nenhum tipo de spoiler XD). Como você disse, o apoio dele foi a âncora emocional dela. Não foi estranho ela não ter recorrido mais à ele? insistido na recuperação dele, no jogo de verdadeiro ou falso? A coisa toda já estava quase sob controle nessa época... Mas como você disse, Katniss é imatura...

E quanto a sua interpretação de que Katniss foi forte na sua maneira de ser fraca, achei muito interessante! Confesso que nunca tinha pensado por esse lado, e lhe dou razão!

poxa, n sei bem o que dizer.

Eu concordo com vc que quando criam uma personagem "forte" ela geralmente é uma "bitch".

Mas eu não consigo achar que a falta de gentileza de katniss seja ruim de alguma forma. É uma opinião minha. Eu achei ela espetacular, e mesmo com ela praticamente abandonando peeta a própria sorte. Para mim, ela foi tão humana, mas tão humana que é apenas assim que eu a vejo. Não como mulher, como ser humano.

Não sei se consegui explicar...

Meninas, pessoas diferentes, reações diferentes. Eu estou no livro 2 e muita coisa já aconteceu com a Katniss. Esse outro rapaz que vocês comentam (*e que eu não sei direito quem é ainda*), pelos spoilers que peguei é mais velho que ela. E, ao que aprece, não teve família e amigos ameaçados de morte. Aliás, se realmente acontece o que eu andei lendo, Katniss perde a pessoa que mais ama, a irmãzinha. Se isso somado a tudo mais não destruiu com ela totalmente, ela está no lucro.

De resto, duvido muito que Katniss abandone Peeta. Aliás, Peeta é, talvez, a personagem emocionalmente mais forte dessa história toda. O que cria um problema, todo mundo odiaria Katniss se ela não ficar com ele no final.

Concordo Valéria!
É interessante ver como uma mesma história atinge as pessoas de um jeito diferente, né?
Então Valéria, Finnick é bem mais velho, mas ele também tem pessoas de sua afeição ameaçadas. Ele também sofre muito, e é mais uma vítima da crueldade da capital.

E eu já tinha dito isso antes né? O Peeta apesar de jovem é o com maior maturidade emocional. E não é que ela abandone Peeta, mas no livro 3 acontecem muitas coisas bizarras e horríveis com ele, e ela não sabe lidar com isso (não a culpo por isso, acho que é uma situação impossível de se lidar bem).

Mas eu fico feliz por aqui sr um espaço onde a gente possa discutir o livro de uma maneira adulta, porque mesmo as opiniões divergentes fazem sentido. Em outros lugares só existe a briguinha infantis e infeliz entre o team Gale X team Peeta huahahahahaha

Tia Valéria, suas suposições sobre os personagens me deixam nervosa, pq algumas delas vc acerta, outras erra feio (:

Eu concordo com vc sobre Peeta ser emocionalmente forte. Entretanto, para mim Peeta é abandonado por Katniss.

Bjinhos!

Bem, Raquel, eu já li spoilers e mais spoilers. Se o verbete da wikipedia não estiver errado, já sei que Peeta não morre e termina com a Katniss.

A questão, aliás, não é o que acontece no final, mas como acontece. O processo. Eu acho impossível que a Katniss abandone o Peeta em seu juízo perfeito. Eis a questão: Juízo perfeito.

De resto, estou achando o nível de pobreza e opressão muito exagerado. Nem escravos eram submetidos a condições tão extremas, ou não produziriam. A Capital tem uma mão pesada demais.

Eu acabei de entrar na segunda parte do livro 2. O que estou vendo é que tanto Gale, quanto Peeta são mais equilibrados, maduros e capazes de exercer liderança. Isso é um problema, afinal, achava que a Katniss seria capaz de segurar o rojão, mesmo que contra a vontade. Está ruim? Não, ou não estaria devorando o livro, mas queria um livro com uma protagonista forte de verdade.

De resto, meu marido está lendo o livro 1... ele está gostando. Tenho com quem conversar. :P

To achando que a Valéria vai acabar concordando comigo sobre Katniss quando chegar no fim XD

Acabei de ler o primeiro livro e, como de costume, lembrei da sua resenha. Fiz o mesmo caminho que você: assisti, antes, o primeiro e o segundo filme.
O engraçado que não dava nada pela história, mas fiquei impressionada como uma série, originalmente pensada para adolescentes, pode conter elementos tão estimulantes para a reflexão política. Estou pensando em mil formas de trabalhá-lo com meus alunos! Fiquei muito feliz, afinal, o que tem sido oferecido a eles é "Crepúsculo" e "Cinquenta tons de cinza".
Gostei muito da sua resenha, principalmente porque me apontou algumas analogias que não havia percebido, como a semelhança entre o Distrito 11 e o Sul escravista dos EUA. Revolução Industrial, Revolução Francesa, capitalismo, culto da violência, sociedade da superexposição: está tudo dentro daquele livro, de uma maneira simples e, por isso mesmo, muito inteligente.
Confesso que, de início, não gostei muito do estilo da autora. Achei a linguagem muito simples, mas a trama que ela constrói é tão boa que esqueci completamente. A narrativa em primeira pessoa também estranhei, primeiramente, porém, ao passo que a história vai crescendo, se transforma em um bom trunfo, porque as surpresas são mais excitantes. Aliás, gostei da maneira como o filme preencheu as lacunas do livro por conta da narrativa, mostrando as personagens secundárias em ação.
Agora, as personagens principais. Katniss transformou-se uma das minhas heroínas favoritas, e a humanidade dela é impressionante. Não se encaixa no arquétipo da mocinha, e gostei justamente da dureza que ela apresenta, da forma como manipulou o jogo ao seu favor, do seu pragmatismo, como não é politicamente correta. Principalmente, a forma como ela sucumbe ao medo. Não da forma clássica, paralisando-se, mas entrando no jogo da Capital, mesmo discordando, para garantir sua sobrevivência e daqueles que ama. Sem altruísmos, sem heroísmos: humana, com altos e baixos, e ponto final.
Na minha opinião, é Peeta e Gale são os que vestem a capa do herói clássico, ou da heroína, no caso de Peeta. Ele é adorável! Tive a mesma impressão que a sua: nos filmes, Peeta parece o jogador, mas nos livros, vemos o quanto ele é ingênuo.
Sobre o romance, já discordo: tanto no filme, quanto no livro, entendi que Katniss gosta mesmo é de Gale. No entanto, na minha interpretação, ela é tão pragmática, tão endurecida pela vida, que não tem a menor consciência disso, até os Jogos. Pra mim, no primeiro livro, o conflito está justamente por ela perceber isso, e não saber o que fazer com Peeta ou com o novo sentimento. Sei que isso vai mudar, e estou roendo as unhas para saber como.
Por fim, sou da geração que cresceu lendo Harry Potter e, sem dúvida, enquanto livro infanto-juvenil, este dá muito mais material para pensar do que a saga do bruxo.

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