sábado, 29 de setembro de 2012

Mais algumas palavras sobre Gabriela



Nestas últimas semanas, a novela estava muito chata boa parte do tempo. Tramas paralelas utilizadas para tentar salvar a audiência e personagens legais, como Malvina, sendo idiotizadas, ou vilanizados, como a Zarolha. Enfim, o que estava se salvando? Mundinho e Jerusa, gosto deles, já escrevi isso; e o drama da protagonista. Ontem (sexta), finalmente Gabriela foi pega com Tonico Bastos na cama. O desenrolar do incidente será na terça.

Sei que na primeira versão, até por não gostar de Tonico e ter uma visão muito moralista, fiquei com pena de Nacib. Não lembro se na primeira versão ele era tão chato. Não lembro mesmo. Agora, o Nacib de Humberto Martins (*que está muito bem aliás*) é nojento. Autoritário, burrinho (*foi manipulado por D. Arminda e por Tonico*), preocupado em agradar a “boa sociedade”, sufocando a coitada da Gabriela sempre que pode com exigências que nem ele mesmo acha que são importantes. Matou tudo aquilo que amava nela. Gavriela, como já escrevi, é uma força da natureza, livre, sem amarras. Na quinta-feira, a protagonista finalmente tinha conseguido organizar claramente em palavras, o seu descontentamento, e uma frase sintetizou tudo "sapato de salto é corrente que tu põe nos meus pé". Nacib se arvorou de dono de Gabriela, afinal, deu-lhe "seu nome", e agora vai perceber que não é. Na outra novela, lembro que ela terminou passando pelo Bataclã, mas não se prostituiu... Só que não me recordo direito dos acontecimentos. Dessa vez, D. Arminda, uma das responsáveis por sua prisão, oops, seu casamento, a acolhe.


Já Malvina, se tornou um porre depois que apareceu o nojento desse engenheiro Rômulo. Henri Castelli compôs um Rômulo que tem escrito "cafajeste" na testa. Aquela história de "prova de amor" me deu engulhos, mas foi levada adiante sem problemas e, claro, Malvina se dobrou. O pilantra vai largá-la se seguirem o original. E vamos ver se Malvina terá 1/3 da coragem da interpretada por Elizabeth Savalla na primeira novela. As surras foram todas eliminadas. Esse Cel. Melk é um doce se comparado com o de 1975. Acredito que a invenção da “noite de amor” dos dois casais foi mais uma estratégia para alavancar audiência, pois expôs a nudez de mais duas atrizes, Vanessa Giácomo e Luiza Valderato. E detestei a cena partida ao meio. Quando é que a pobre da Luiza Valderato terá uma primeira vez só para ela em uma novela? Lembram de Cordel Encantado? Fora que Mundinho e Jerusa mereciam um momento somente deles... A cena dos dois foi bonita, mas aquele vai e volta... ARGH! Acabou quebrando a seqüência e não acredito que foi para ilustrar que um amor é verdadeiro, por assim dizer, e o outro, não é. O mais chato, repito, é que Malvina foi reduzida a sujeita que ama intensamente e só. As idéias de liberdade, seu feminismo tão marcado na primeira versão, foram por água abaixo ou, no máximo, serão resgatados no final, quando ela for abandonada... Quem sabe?

De resto, depois de um lenga-lenga sem fim, Juvenal e Lindinalva se acertaram. Da mesma forma que o início do romance foi súbito, o retorno foi, também. Faltou sutileza e calma para contar uma história que tinha tudo para mobilizar ainda mais a audiência, mas, enfim, eu já tinha cansado. Sério! Burrinhos que só, acreditaram em Berto. Quem, em sã consciência, acredita em Berto? E Juvenal é um bundão. Eu sei que Lindinalva nunca terminará com Negro Fagundes (*ainda que tenha quase certeza de que ele vai matar o Berto*), mas Juvenal e aquela postura apática dentro de casa, na vida... Alguém pode até dizer que eu tolerei o Christopher Tietjens e que são personagens parecidas. Não são, não! Tietjens acredita em um código de moralidade falido e sofre com os desejos que tem que reprimir, suas contradições e fragilidades; Juvenal sempre discordou abertamente de muita coisa, não tem filhos, não está amarrado a um casamento, é advogado formado e poderia chutar o pau da barraca sem grande crise. E não falo do romance dele com Lindinalva, falo de se posicionar diante da vida. Ah, mas ele bateu em Berto! Bateu pouco. A cena foi excelente, mas bateu muito pouco mesmo. E sei que teremos muita enrolação e Berto (*e palmas para o ator*) tentando ferrar o romance do irmão. Talvez o auge de tudo tenha sido o diálogo com o Cel. Jesuíno, toda a angústia de um homem preso a papéis de gênero que só o torturam, mas que nunca irá romper com eles.


De resto, as aventuras sexuais do Prof. Josué com Glória são um saco. Cansou a repetição da piada. A mesma piada, aliás. Além disso, a velha Dorotéia já virou caricatura de si mesma, assim como o Cel. Jesuíno. Os dois fazem sucesso, todo mundo sabe, mas o que parecia uma denúncia a forma como as mulheres eram tratadas virou fetiche. Obviamente, a vingança será expôr a vida pregressa de Dorotéia, mostrar que foi ex-prostituta, como uma forma de humilhá-la. Porque vejam bem, toda a alegria do Bataclã não esconde a miséria da vida daquelas mulheres. Mas no caso da velha, isso será usado para rebaixá-la, reforçar o estereótipo, não para ilustrar que prostitutas são mulheres como quaisquer outras. Aguardem... E ainda casaram o Berto e o colocaram torturando a esposa... Aliás, como a mulher dele continua estudando? Não há lógica... Nenhuma, aliás... E confesso que a cena dele batendo na esposa, os gritos e tudo mais, foi uma das coisas mais horríveis que eu vi na TV nos últimos tempos. Meu nível de angústia foi lá em cima e isso não é comum, afinal, é novela, é ficção, mas foi algo de uma violência e sem mostrar nada. E a passividade das pessoas, especialmente do babaca do Juvenal... De novo, denúncia é uma coisa, fetichização da violência contra as mulheres, é outra.

Enfim, se não fosse por uns poucos personagens. Gabriela, em especial, Jerusa e Mundinho. E pouca coisa mais. Pior é que salvo por algumas exceções, como a mãe de Jerusa que a apóia, as mulheres estão sendo colocadas quase que o tempo todo como as piores inimigas das mulheres... E ainda teve show stand up no Bataclã... Se não foi o fundo do poço esta semana, foi o quase.  Sei que estão esperando um post sobre Lado a Lado, mas eu ainda não me senti cativada pela novela para escrever. Vou esperar mais. Por enquanto, ela me parece panfletária e com personagens que parecem mais discursar do que falar... Não me pegou ainda.

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