segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Alguns comentários sobre a “polêmica” envolvendo O Canto da Sereia



Semana passada, alguém me perguntou se eu iria assistir a minissérie Global, O Canto da Sereia. Respondi que provavelmente, não. Se estivesse em casa, colocaria para gravar e veria no outro dia. Como estou na casa dos meus pais, não vou obrigá-los a assistir, na verdade, é líquido e certo que estejamos mamãe, papai e eu cochilando na sala na hora da minissérie. Não vi ninguém rejeitando O Canto da Sereia, até porque, gente que acorda cedo não vê as minisséries da Globo, boas ou ruins, ofensivas aos seus valores, ou não. Simplesmente, porque elas precisam acordar muito cedo, ou não tem paciência de ficar controlando o horário do final do BBB. Eu não tenho. 

A amiga Deza Paiva disse no Twitter que faz tempo que a maioria das pessoas não assista com regularidade algum programa de TV, salvo futebol. Isso é verdade para algumas classes sociais, mas não para os mais pobres. Meu irmão, por exemplo, não baixa programas de TV, porque sua banda de internet é restrita, outros nem sabem onde encontrar os programas. A maioria das pessoas que conheço, fora do mundinho dos fãs de anime e séries americanas, mal sabem onde procurar o material que querem ver.  Eu assisti o excelente Som & Fúria baixando da net. Quando passou, não consegui ver... Eu cochilo mesmo e acordo cedo para trabalhar no outro dia. Simples assim.


Só que ontem, a novelista Glória Perez e o deputado Jean Willys deram voz, especialmente ela, porque postou link e tudo mais no Twitter, para uma campanha movida por um pastor de Ipatinga contra O Canto da Sereia. O script é o mesmo, a Globo faz apologia às práticas homossexuais (*Sereia é bissexual*) e às religiões afro. Já vimos o filme antes. É preocupante? Sim, na medida em que estigmatizam os cultos afro, alvo de discriminação permanente, e a emissora assume a defensiva, mas, se me lembro bem, o beijo gay em América não foi ao ar por decisão da cúpula conservadora da emissora e, não, por qualquer campanha de evangélicos. Aliás, a emissora fez dinheiro anunciando que iria exibir e não mostrou nada. Eu, que não assisti um capítulo inteiro de América, parei para olhar... Não caio mais! Só que, como já comentei no caso da novela do SBT Amor & Revolução, colocar duas mulheres se beijando é fetiche. Camila Morgado vai beijar Ísis Valverde, podem ter certeza. E isso nada terá a ver com alguma postura progressista da Rede Globo. Não se enganem.

Agora, acredito que o povo dá muita atenção a esses pastores que pedem boicote de minissérie e novela. Esses sujeitos, normalmente líderes de pequenas comunidades, não refletem o coletivo dos evangélicos, que não está muito aí para esse discurso. Aliás, a TV aberta vem perdendo audiência porque ou as pessoas estão presas no trânsito, ou trabalhando e estudando, ou arrumaram coisas melhores para fazer, como ver seriados americanos (*na TV por assinatura, ou baixados*) e animes. Se você acha que o motivo é religião, olhe em volta. Antes de ecoarem a fala desses pastores (*e, agora, já era! Está em todo lugar.*), deveriam procurar saber quantos templos têm a Igreja Pentecostal Betel Palavra de Fogo antes de dar espaço na mídia para o tal pastor, que não vou citar por nome.


Se O Canto da Sereia não tiver audiência, a culpa é do BBB, prato principal da Globo, que empurra produtos de qualidade para tarde da noite, não dos evangélicos. Se Salve Jorge não conseguiu bombar, a responsabilidade (*não culpa, porque cada um vê o que quer*) maior é das viúvas de Avenida Brasil e dos problemas da própria trama. Não admitir os pontos fracos de Salve Jorge é piada, a começar pelo protagonista masculino que deveria ter como música tema, não “Esse Cara sou Eu”, mas “Ex My Love”, porque é tão volúvel que seu amor não vale nem 1,99. Reflitam, se a estratégia da Universal – esta sim uma igreja com vários templos e muitos membros – tivesse funcionado, haveria subida considerável de audiência da Record e não foi esta emissora que tirou público de Salve Jorge. Repito, quem trabalha cedo não tem condições de assistir minissérie pós-BBB, nem se ela for excelente. Não tem condição. 

Agora, a internet inteira conhece o pastor da Igreja Pentecostal Palavra de Fogo... E, bem, ele não precisou nem se esforçar. E mais, o homem vai virar mártir, já que virou alvo de pedradas de todo lugar. Para quem não é do meio, só um esclarecimento, agora, esse pastor desconhecido poderá dar "testemunho" dizendo que "foi perseguido em nome do Evangelho".  Isso dá um IBOPE danado, acreditem!  Outros podem até comprar a briga dele, como o pastor Silas Malafaia. Se tivessem dado a ele a atenção merecida, ou seja, nenhuma, sua campanha teria ficado no vazio. Os fundamentalistas e empresários da fé agradecem.  Mas, enfim, a minissérie só tem quatro episódios e, se duvidar, essa polêmica toda ainda pode ajudar a Globo...

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6 pessoas comentaram:

Eu vi alguma coisa sobre isso no twitter, já que sigo o deputado Jean Willys. No caso dele, acredito que foi mesmo uma preocupação com a perseguição aos cultos afro, uma de suas maiores lutas. Mas no caso da Glória Perez, sempre acho que ela dá voz a essas coisas pra justificar a baixa audiência de sua novela. Acredito que ela culpa os mais fanáticos, quando os problemas são culpa dela. Salve Jorge é uma novela beeeem fraca, isso é inegável.
Mas de todo modo, fico chateada de ver que ainda tem gente que não consegue entender que cada um tem o direito ao seu culto livremente...

Tabby, eu sei que o Jean Willys (*que eu sigo, tb*) tem toda uma preocupação com os culto afro, mas ele embarcou na da Gloria Perez. Ele não divulga links como o desse pastor, mas era somar 2 + 2. :(

Eu poderia escrever muito sobre o que penso a respeito de qualquer comunidade religiosa (protestante, católica, muçulmana, dervixe ou xintoísta...) que faça polêmica com qualquer coisa feita para TV, em particular a Rede Globo, que tem um posicionamento quase sempre questionável sobre tudo o que se propõe a "defender" (eu comparo muita coisa "global" com aquela campanha do "É banco mas nem parece banco", sabe? rs). E concordo com o Fato de que, por um lado,a emissora alimenta a polêmica (ou para justificar um fracasso, ou para aguçar a curiosidade), e pelo outro, o pastor aproveita o gancho com um argumento beeeeem batido e que funciona muito bem (a velha "perseguição aos fiéis" que nunca acaba). Estou curioso para ver como ficou, mas o fato de só passar após a Grande Latrina da tv brasileira me deu um desânimo faraônico...

Hoje assisti, na Rcd News, o paladino Pastor atacando à Religiosidade Afro. O mais interessante foi ele, e a emissora produtora, acusarem a globo de supervalorizar a afro-religião. Sinceramente, fiquei tentando imaginar o quanto a Glb tem feito pelos afroreligiosos, para justificar a assertiva do revendo e da emissora promotora. Agora, me achei refletindo sobre a quantidade de concessões de canais de Tv aberta, fechada e rádio nas mãos de igrejas cristãs (católica e protestantes), enquanto outros segmentos religiosos nada tem. Todas as concessões são autorizadas pelo Estado que, se diz laico. Quem assiste ao canal RIT (internacional da graça de Deus), tem uma programação realmente sadia. Agora, quem assiste às Rcd e suas co-irmãs, não vê muita coisa de diferente da Glb que tanto cambateu e combate. Nunca vi um "paladino" evangélico se levantando contra a tal novela de "metahumanos", com seus olhos vermelhos, suas transformações, etc., já repetida pelo canal aberto evangélico Record. E as novelas da Rcd, o que têm de diferente das da Glb? Enfim, a INTOLERÂNCIA RELIGIOSA é altiva voz em todas as supostas religiões salvadoras, agora, só as dos negros ser a mais atacada, a dita "satanizada" não é, certamente, mera coincidências.

Prof. Luizel Simões
Universidade Federal do Amapá
Babá Ogã do Candomblé Jejê Savalú

eu sou evangelica mas axo uma tremenda sacanagem desses pastores tentarem impedir alguma miniserie ou novela de mostrar oq eles kerem...crente que eh crente na hr do salve jorge tem que tah no quarto de joelhos orando e naum reclamando da novela,como diz o pastor da minha igreja "novela naum eh coisa pra crente entaum deixa de ser reclamão e vai ler a biblia."

Curioso, mas já vi gente dizendo a mesma coisa de mangás e animes: "não é coisa de crente porque..." aí fica por conta do freguês completar.

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