quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Comentando Os Miseráveis (Les Misérables, 2012)



Quinta-feira passada fui assistir Os Miseráveis.  O som no cinema da rede Kinoplex não estava lá essas coisas, faltou luz no meio da sessão, mas, ainda assim, saí do cinema muito impressionada com a grandiosidade do filme.  Como espetáculo, Os Miseráveis tem tudo aquilo que eu imagino que  uma película precise ter para merecer receber o Oscar de melhor filme.  No entanto, é importante deixar bem claro que não é um filme para todo mundo, e nisso não estou insinuando falta de sensibilidade ou refinamento.  Trata-se de um musical no seu estilo mais puro, isto é, não há praticamente um diálogo sequer.  Tudo é cantado.  Além disso, é um filme muito longo e, mesmo tendo amado a película, houve momentos em que me senti cansada.  Talvez, um cinema melhor, sem interrupções, teria sido o suficiente para anular isso e eu teria sido envolvida a ponto de me debulhar em lágrimas.  Estive quase lá várias vezes e minha intenção, e daí vocês tirem meu nível de satisfação, é tentar ver outra vez no cinema.  

O filme Les Misérables é baseado em um musical de 1980, de autoria de Alain Boublil and Claude-Michel Schönberg, que, por sua vez, é inspirado no romance homônimo francês publicado por Victor Hugo em 1862.  Como todo musical costuma fazer, há mudanças em relação ao original, alterações que são feitas seja por interesse artístico, ou por questões de economia de tempo.  O filme, dirigido por Tom Hooper, de O Discurso do Rei, também toma suas liberdades e bebe no livro original em alguns (poucos) momentos.  Basicamente, a história segue a personagem  Jean Valjean (Hugh Jackman) a partir de 1815, ano que é libertado da prisão, até a sua morte em 1832.  


Valjean passou 19 anos preso por ter roubado um pão para alimentar uma criança e teve sua pena acrescida pelas tentativas de fuga.  Isso seria o suficiente para que qualquer um perdesse a fé na humanidade.  Libertado pelo oficial Javert (Russell Crowe), ele sai marcado como prisioneiro perigoso, tendo o dever de se apresentar de tempos em tempos à justiça.  Humilhado e sem esperança em relação aos seus semelhantes, ele acaba sendo resgatado pelo amor demonstrado pelo Bispo de Digne  (Colm Wilkinson), que não somente lhe dá abrigo e alimento, mas não o denuncia por ter roubado prataria da casa paroquial.  Livre para recomeçar, Valjean decide se tornar outra pessoa, só que isso o faz romper com a condicional.  Oito anos depois, Valjean transformou-se em Monsieur Madeleine, e é um dono de fábrica adepto da caridade e do bom tratamento das suas operárias.

Dentre elas está Fantine (Anne Hathaway), uma moça esforçada, mas que esconde o fato de ser mãe solteira.  Sua filha, Cosette (Isabelle Allen), ficou sob a guarda dos Thénardiers (Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen), donos de uma hospedaria.  Fantine acredita que eles tratam bem sua menina, mas Cosette é tratada como escrava, enquanto os Thénardiers pedem quantias cada vez maiores para a desesperada operária.  Um belo dia, Javert chega à cidadezinha e parece reconhecer Valjean, que ele jurara capturar novamente.  Por conta da confusão, o patrão não percebe que Fantine é demitida pelo capataz que a assediava sexualmente, porque se descobriu sua "condição" e as demais operárias argumentam que ela era uma “vadia” e iria contaminá-las com sua mera presença.


Demitida, Fantine resiste, mas não tem outra opção a não ser se prostituir.  Depois de vender seus cabelos e alguns dentes, passa a vender a única coisa que lhe resta, seu corpo.  A saúde de Fantine se degrada cada vez mais, até que, em um ataque de fúria, ela fere um possível cliente abusado.  Javert decide encarcerá-la, afinal, é a palavra de um homem decente contra a de uma prostituta.  Valjean intervém a favor de Fantine, pois ele se sentia culpado e era o prefeito da cidade.  Fantine é hospitalizada e Valjean promete resgatar Cosette.  Já Javert, sempre incorruptível e incapaz de se comover, descobre finalmente a identidade de Valjean, que consegue fugir.   Ele resgata Cosette, mas torna-se fugitivo com a menina, tendo que mudar de nome para escapar do maníaco Javert.  

Temos então um novo salto de tempo, e estamos em 1832.  O único oficial do governo simpático ao povo, Jean Maximilien Lamarque, morre, e um grupo de jovens estudantes, liderados por Marius Pontmercy (Eddie Redmayne) e Enjolras (Aaron Tveit), planeja um levante popular.  Mas Marius se apaixona por Cosette (Amanda Seyfried), agora uma moça crescida, e os Thénardiers reconhecem "pai e filha" e decidem chantageá-los.  Permanecer em Paris é perigoso para Valjean, mas ele se sente dividido entre a fuga necessária e ajudar Marius e Cosette a ficarem juntos.  O confronto final entre Valjean e Javert e o fracasso da revolução, marcam o desfecho de Os Miseráveis.


Eu conheci Os Miseráveis através de um anime, Super Aventuras, que contava a parte em que Valjean ia resgatar a pequena Cosette.  Este foi um dos episódios mais dramáticos dos quais me lembro na série.  Depois disso, assisti duas ou três versões de Os Miseráveis para o cinema ou TV, não lembro bem quais as versões... não lembro mesmo. Faz muito tempo que assisti qualquer versão de Os Miseráveis e só recordava a história em linhas muito gerais.  Para se ter uma idéia, tinha esquecido até da existência de Éponine. O livro, nunca li.  De Victor Hugo só li  Notre Dame de Paris ou O Corcunda de Notre Dame.  Mas não há como não conhecer em linhas gerais a história de Valjean; a fixação do policial Javert por prendê-lo; a trágica Fantine, modelo de mãe extremada; a pobre Cosette e a crueldade dos Thénardiers.  Nunca consegui engolir o Marius, que fazia a linha revolucionário de ocasião, mas deixa isso para lá... 

Os Miseráveis pontua alto em todos os fundamentos.  Os cenários – reais ou digitais – impressionam.   Desde o exagerado navio do início do filme até as emocionantes cenas da Revolução.  A maquiagem é excelente.  O figurino é competente e atende bem às necessidades da narrativa e a função das personagens.  Hugh Jackman, que já tínhamos visto cantando e dançando na festa do Oscar (*a melhor que já assisti*), está brilhante.  Ele mergulha na personagem a tal ponto que seu corpo foi colocado a sua completa disposição.  Valjean passa a imagem sofrida durante toda a película, mas ele está mais magro – esquálido até – ou saudável a depender do momento da história.  Deveria parecer bem mais velho no final, e esta é minha única crítica à maquiagem do filme, mas, de resto, ele está perfeito. E como canta e interpreta e nos emociona esse homem? Levou o Globo de Ouro na categoria Comédia/Musical com justiça e é pena que o Oscar não vá para as suas mãos.  Sim, o Oscar de Melhor Ator já tem dono.


Falou-se muito de como Russell Crowe não consegue render como cantor e que isso prejudicou o filme.  Ele não é a melhor voz masculina do musical, mas se saiu muito bem, dentro das suas condições de produção.  As comparações que vi por aí entre o seu desempenho e o dos atores de Mamma Mia! não procede.  Aaron Tveit (Enjolras) foi minha segunda voz masculina favorita.  Fora isso, é um ator muito bonito.  Eddie Redmayne é funcional, mas ele não me convence como ator.  Não sei o que vêem nele e tenho acompanhado sua ascensão desde Os Pilares da Terra.  Anne Hathaway canta e encanta.  Sei que há quem queira diminuir sua atuação como Fantine, insinuando que não vale o Oscar de Atriz Coadjuvante.  Aliás, Hathaway levou tudo até agora.  Lembro que já teve gente que ganhou Oscar de Coadjuvante por uma cena só.  Como Fantine, Hathaway passa toda a emoção e o sofrimento necessários e nem achei que ela cantando I Dreamed a Dream foi seu auge na produção.  Ela está magnífica.  Já Amanda Seyfried, não me impressionou em nada.  Ela poderia ser substituída por outra atriz que não faria grande diferença, daí, faz um bom par com Eddie Redmayne.  

Quem me impressionou mesmo, já que não os conhecia, foi Samantha Barks, que interpretou Éponine, a filha dos Thénardiers, apaixonada por Marius.  A moça é expressiva e seu drama, ajudar ou não seu amado a ficar com outra, é tocante.  Fiquei pensando se não merecia, ela também, uma indicação ao Oscar.  Um dos momentos em que quase fui às lágrimas envolveu Éponine.  Samantha Barks me causou a forte empatia que a Cosette de Amanda Seyfried não causou.  Mas já disse que não gosto de Marius, e, bem, o romance dele com Cosette é uma das partes em Os Miseráveis que nunca me comoveu.  Enfim, a outra boa surpresa foi Daniel Huttlestone, o menino Gavroche.  O menino canta maravilhosamente, é simpático e rouba todas as cenas em que aparece.  Nas minhas pesquisas descobri que no livro ele é filhos dos Thénardiers e que o sucesso da história na França foi tão grande que gavroche entrou nos dicionários como sinônimo de menino de rua.


Das canções de Os Miseráveis, eu só conhecia mesmo a belíssima I Dreamed a Dream, mas a riqueza do musical é enorme.  Depois de ver o filme e ouvir as músicas várias vezes, confesso que minhas favoritas são as músicas revolucionárias, Red and Black e Do You Hear the People Sing?.  Gosto desse tipo de música revolucionária e as cenas da Rebelião de Junho (5-7/06/1832 ) foram excelentes.  Na verdade, a música onipresente no filme foi muito bem utilizada em todos os momentos.  Desde os prisioneiros cantando sua miséria na abertura, passando pelas prostitutas esquálidas e a desgraça de Fantine, até a rebelião e as barricadas em Paris.  Os Miseráveis foi o primeiro musical-filme que assisti nos quais não há os diálogos, tudo é cantado.  Eu gosto de musicais, mas confesso que em alguns poucos momentos foi cansativo, mas não tive nenhum impulso de cochilar, como aconteceu com o muito mais curto Meu Namorado é um Zumbi.  Vejam bem, isso não diminui em nada o espetáculo, simplesmente, é a falta de costume mesmo.  Terminei exausta, mas satisfeita, feliz, emocionada, com vontade de ver de novo.

Os Miseráveis manteve o tom de crítica social do original.  Victor Hugo era republicano, e a Rebelião de 1832 demonstrou a insatisfação em relação aos resultados do movimento de 1830, que derrubou um rei (Carlos X, irmão caçula do guilhotinado Luís XVI) e colocou no trono Louis Philippe I D’Orleans.  Os estudantes desejavam uma república, não um novo rei.  Só que sempre fica a impressão de que um Marius iria se acomodar ao regime que viesse, enquanto seus companheiros preferiram a morte.  Aliás, cenas magníficas essas da barricada e do sacrifício dos estudantes.  Não sou simpática a esses desperdícios de vidas, mas as cenas são emocionantes e o filme consegue deixar claro, pelo menos em linhas gerais, os motivos pelos quais eles estão lutando.  Assim como conseguiu mostrar o quanto o povo em geral estava pouco disposto a lutar realmente, e a vergonha de muitos após o massacre.  Mas 1848 estava às portas...


Outro ponto, fundamental desde o título, é a miséria material e moral das pessoas.  Não se trata somente de mostrar o quanto boa parte do povo francês estava excluído, passando fome, sendo empurrado para atividades vistas como marginais.  As prostitutas de Os Miseráveis não são felizes, não estão em bordéis de luxo, são mulheres degradadas, humilhadas cotidianamente.  Crianças, como Gavroche, vivem de pequenos furtos e outras atividades, a diferença é que não perderam a capacidade de sonhar com algo melhor.  Já os Thénardiers, são representam os miseráveis de espírito que se alimentam da desgraça alheia.  São as sanguessugas que roubam de quem quer que lhes dê a oportunidade, e ajudam a empurrar Fantine para a sua tragédia e torturam a pequena Cosette por poucos francos e por prazer.  Lamento um pouco que a pequenina tenha ficado tão pouco tempo em tela, ela também parecia ser uma boa atriz.

No início do filme, Valjean é um homem que teve seus sonhos e individualidade roubados.  Para Javert, ele é somente um número. Uma das principais músicas do protagonista é exatamente Who am I? e aponta para as contradições morais da personagem e a perda de sua identidade. Já o policial é animado pela certeza de que uma vez criminoso, sempre criminoso.  Sua incapacidade em admitir a redenção é o que o leva à morte, afinal, cumprir a lei cegamente nada tem a ver com justiça.  Fora, claro, que para um homem como Javert, um fanático, a dúvida não pode existir. O regime cruel impede que homens como Valjean, ou mulheres, como Fantine, vivam com dignidade.  A miséria corrói a alma e os costumes, aniquila os bons sentimentos.  Valjean, quando rouba o Bispo, já tinha tido suas esperanças na humanidade destrupidas.  Mas Os Miseráveis, apesar de trágico, não é pessimista.  O Bispo era um verdadeiro cristão e acolhe Valjean, mesmo depois de sua traição.  Esse exemplo de bondade faz com que Valjean possa voltar a sonhar.


Já para Fantine, não houve chance.  As questões de gênero em Os Miseráveis se manifestam principalmente a partir da sua personagem.  Fantine é estigmatizada por ser mãe solteira, por ter amado e confiado em um homem que abandonou a ela e a criança que carregava. Novidade?  Seu rótulo, claro, é “vadia”.  Mesmo trabalhando dignamente, ela é vista como alguém que pode contaminar as demais, uma mulher não pode ter passado.  A mesma questão se apresenta em O Lado Bom da Vida e na terceira temporada de Downton Abbey (*que irei resenhar em breve*).  Fantine rejeitava o assédio do capataz da fábrica e era alvo da inveja das outras mulheres.  Descoberto seu passado, ela deixa de ser vista como a donzela casta ou orgulhosa para ser encarada como a mulher que fingia ser algo que não era e planejava um golpe.  Uma vez perdida, sempre perdida... 

O musical simplifica a desgraça de Fantine, mas é muito efetivo em mostrar sua degradação.  Ela é jogada nas ruas e antes de vender o corpo, tenta vender outras coisas.  Um colar cujo relicário trazia uma mecha de cabelos de sua filha, um de seus maiores tesouros; seus cabelos, cortados em cena hiper-dramática, e parece que de verdade mesmo; e alguns dentes.  Por fim, ela não tem outra opção a não ser a prostituição.  Em uma das cenas ela se pergunta sobre um cliente "será que ele sabe que está fazendo sexo com um cadáver?”.  Sua palavra não tem valor para a polícia e ela não tem o direito de recusar um cliente violento.  Com o tempo, Fantine também começa a se tornar miserável por dentro e odiar Valjean.  Para ela, é difícil voltar a acreditar em alguém.  Afinal, ela crê que Valjean poderia ter evitado sua desgraça... E poderia mesmo.  



Por mais que Valjean tenha decidido se redimir, não havia naquela sociedade redenção para Fantine, mas ele salvaria Cosette, impediria que a menina tivesse destino semelhante.  No filme, Éponine me parece uma nova Fantine, igualmente trágica, desprezada pela sua condição de mulher das ruas, ainda que não fosse uma prostituta.  Já Cosette era para Marius um prêmio a ser ganho: pura, inocente e submissa. Muita coisa mudou, mas as mulheres continuam sendo avaliadas por muitas pessoas – homens e mulheres machistas – a partir da sua experiência sexual.  Os Miseráveis cumpre a Bechdel Rule e tem personagens femininas importantes, porém, trágicas.

Agora, o que eu  poderia apontar como problemas do filme?  A maquiagem de Valjean, que já apontei acima, é uma delas.  No final da história, ele deveria ser muito velho e não há transformação visível entre o Valjean que salva a pequena Cosette e aquele que resgata Marius da barricada.  Já a  cena do convento ficou solta.  Pelo que pesquisei, não está no musical, e acabou mal encaixada.  No romance, Valjean se esconde por anos com Cosette em um convento ao chegar a Paris.  Ele vira jardineiro e ela estuda no colégio das freiras.  Se você se agarrou com força ao musical, só um motivo muito bom poderia lhe fazer se afastar dele.  O convento não contribui para a narrativa e só serviu para esticar o filme.  Por fim, e isso é problema do musical, é a retirada de cena de Valjean.  No livro, ele conta para Marius o seu passado depois do casamento dele com Cosette e o rapaz, que não sabia ter sido salvo por Valjean, pede que ele se afaste.  No musical, ele conta antes do casamento, retira-se repentinamente da vida de Cosette e a deixa, ainda solteira, na casa de Marius.  Levando-se em consideração a moral da época e a tragédia de Fantine, ele jamais faria isso.  Essa parte me incomodou realmente.


Enfim, os Miseráveis é um espetáculo, um filme empolgante e grandioso como não via há muito tempo.  Não é perfeito, mas seus problemas são mínimos diante dos muitos acertos e o desempenho de Hugh Jackman é arrebatador. Trata-se de um ator completo e que mostrou isso na sua interpretação de Valjean.  É um filme com cara de Oscar, para mim.  E eu queria ver Os Miseráveis premido e lembrado.  Tom Hooper era outro que merecia uma indicação a melhor diretor, porque criar um filme como Os Miseráveis, equilibrando tudo tão bem, exige muito talento.  E ele saiu de um Discurso do Rei para um filme totalmente diferente.  Eu devo assistir novamente no cinema e, para a minha surpresa, meu marido disse que vai comigo.  Alertei sobre o tamanho do filme e tudo mais, só que a minha empolgação foi tão grande que ele ficou interessado.  Não assistiu Os Miseráveis?  Não perca!  Ele precisa ser visto na tela grande.  E procure um cinema com um som de qualidade, porque você merece.

GOSTOU?

11 pessoas comentaram:

Gostei do review! Já tinha assistido uma versão de Os Miseráveis no cinema, mas não era musical (era a versão de 1998 que tinha o Liam Neeson como Valjean).

Se eu puder dar uma sugestão de musical "de raiz" (pouquíssimo diálogo), já assistiu "Rent"?

Uau!!! Eu tenho vontade de ver esse filme desde que ouvir falar dele, mas agora deu vontade de correr para o cinema mesmoooo, embora já saiba que vou implicar com uma série de coisas... Por vir das duvidas vou sozinha para não afogar ninguém ou incomodar o outro com minhas implicâncias literárias e históricas.

Oi, já leio o seu blog há algum tempo, mas não sou de comentar, adoro seus comentários dos filmes e os animes e mangás que você recomenda e adoraria ter tempo para ver e ler todos. Adorei o seu comentário sobre os miseráveis, foi basicamente o que eu pensei e adorei ver que tem mais gente que também não gosta do Marius rs
Só uma pequena correção histórica o rei decapitado foi Luís XVI e não o XIV (que foi o Rei Sol).
Continue com o seu blog sempre assim.

Nossa, acho que apenas o pessoal da minha sessão não gostou do filme. Olhei para o relógio várias vezes rezando pra sessão acabar logo.

É uma grande produção, Hugh Jackman, Anne Hathaway e Amanda Seyfried (eu adorei a interpretação dela) estão o máximo, os figurinos estão excelentes. Também concordo que é filme pra Oscar e que só não será premiado como merece por conta de Argo e Lincoln (esse último, aliás, nem acho que seja tão bom assim).

Mas o filme sofreu demais com o processo de adaptação - o que é inevitável quando a história provém de outras mídias. O ritmo oscila muito (o começo, apesar de ter aquelas rupturas no tempo, é muitooooo arrastado e cheio de cenas absolutamente desnecessárias, como aquela da pocilga dos Thérnadier; já a segunda parte, que começa quando Marius conhece Cozette, tem um ritmo melhor). A escolha do Russell Crowe só não estragou a personagem do Javert porque se trata de uma personagem tão boa que é impossível de se estragar. Vários atores desafinaram aqui e acolá. Sinceramente, apesar de o filme ter se esforçado, tive muita dificuldade pra entrar no clima da história (o que só aconteceu nos últimos 45 minutos).

Na minha opinião, o filme seria muito melhor se o diretor tivesse optado por um drama-musical (Chicago, Moulin Rouge, Nine, etc.), e não pelo estilo musical-ópera.

Li sua resenha hoje de manhãzinha e me animei a assistir Les Mis de tarde. Não me arrependi. O filme é grandioso e glorioso. Realmente impressiona e cheguei a chorar em diversos momentos. Curiosamente, não achei o filme tão cansativo, tirando pelo fato de que no um terço final eu já estava querendo ir ao banheiro (e isso porque já tinha ido antes do filme começar =p).

Nunca tinha me interessado por Les Mis, tinha mais curiosidade com o livro que com o musical (apesar de adorar musicais...) então foi ótimo ser surprendida com as excelentes canções, com rimas ricas, e com melodias que voltam nos momentos certos, como deve ser. A verdade é que comparo Les Mis mais com uma ópera do que com um musical, embora claro o estilo de canto seja totalmente diferente. Achei muito interessante também a opção do diretor de fazer várias cenas pegando close ou plano americano dos personagens, bem de perto, pra explorar o que o cinema pode oferecer -- a sutileza das expressões -- que o teatro não pode.

Além das interpretações unanimemente perfeitas (Jackman e Hathaway -- achei a cena dela cantando I Dreamed a Dream muito impressionante, em ângulo fechado no rosto dela sem haver um corte sequer...), fiquei muito surpresa com Russel Crowe, um ator do qual normalmente não gosto, como Javert. Apesar de não possuir técnica, gostei MUITO dele cantando, e achei sua voz uma das mais bonitas do filme. Fiquei triste com as críticas que o jogaram lá embaixo. Também fiquei triste com as críticas que chamaram Helen Bonham Carter e Sacha Baron Cohen de "insuportáveis" -- achei que estavam na medida, aliviavam a tensão na hora certa e sem ser apenas palhaços, mas repulsivos como cabia ao filme. Acho que não seria a mesma película sem eles.

As crianças estão ótimas, mas Gavroche realmente rouba a cena. Que menino fantástico!

Sobre o casal Marius + Cosette, realmente nada demais, embora tenha achado a voz do intérprete de Marius muito bonita (e é tudo o que se salva; difícil criar empatia com ele, embora não tenha me passado a mesma impressão de "revolucionário de ocasião", mas simplesmente um cabeça oca).

As cenas da revolução são realmente algumas das melhores do filme, e as canções, as mais marcantes. Depois de I Dreamed a Dream, saímos cantando "Can you hear the people sing / sing the song of angry men...")

Sobre a cena do convento, não senti o mesmo que você... além de ter achado muito bonito o contracanto de Valjean com as freiras, vi a cena com uma importância dupla: mais uma vez é uma Casa de Deus que se interpõe e salva a vida do personagem; e quem o ajuda é o homem que ele salvou de ser esmagado, mostrando que quem faz o bem é recompensado de alguma forma. Mostra também que a França é um ovo onde todo mundo se esbarra, mas OK. =p

Eu não conhecia a evolução do personagem de Javert e fiquei muito impressionada (mérito do livro aí, acredito). O detalhe que me pegou foi que ele não é só incapaz de aceitar a redenção, mas mudanças em si mesmo. Achei impressionante a cena que ele encontra Gavroche morto e perturbado, coloca a medalha em seu peito, que mostra que ele é capaz de se emocionar e pensar... e o mais impressionante, quando ele percebe que a vida é mais do que preto no branco que ele imaginava, simplesmente se mata por incapacidade de aceitar um mundo assim, de ter que viver nele e com as mudanças em si mesmo.

Enfim, um grande filme. Ele não me arrebatou como por exemplo, Django (que tem um apelo além do racional pra mim), a ponto de virar referência pessoal, mas é um filme que me impressionou, me satisfez e me encantou. E acho que assistiria de novo, sim.

Pois é, Devil, os méritos que você percebeu em O Lado Bom da Vida, eu vi em Os Miseráveis. Curiosamente, ainda não vi ninguém apontando tantos defeitos em Os Miseráveis, o pessoal da sua sessão deve ter tido um feeling diferente da maioria.

Eu me emocionei e chorei sem medo de ser feliz, rs. Em nenhum momento me senti cansada, sinceramente não notei o tempo passar. Tudo foi incrível! (público em silêncio, o máximo de “barulho” foram risadas nas cenas dos Thénardier e vários ‘snif’).

Além de Fantine e Jean Valjean, Eponine, Gavroche e Enjolras (*¬*) foram personagens que me cativaram completamente. E concordo com sua opinião referente a cada um deles.

Acho que a cena do convento não ficou solta. Relembrando da bondade do Bispo, acredito que o convento representa um lugar de conforto e paz para Valjean.

O único “defeito” do musical foi o figurino (à lá Tim Burton) dos Thénardier, achei descaracterizado. Ah, e acho injustiça às criticas negativas referente à voz do Russel Crowe, ele estava ótimo como Javert.

Espero que Os Miseráveis consiga o Oscar de melhor filme do ano (*torcendo*). Assim como torço para que Hathaway e Jackman levem este merecido prêmio. Também acho que Jackman não ganhará (¬_¬), mas pelo menos Hathaway tem que levar a estatueta. Tom Hooper fez um belíssimo trabalho, merecedor de tal premiação. Infelizmente não foi nem indicado (U_U).

Valéria, ótima resenha! Espero que na próxima vez seja uma sessão sem problemas técnicos.

Também achei ótimo o comentário da Petra Leão!

Eu ficaria MUITO feliz se esse filme levasse todos os prêmios que concorre (e até melhor diretor, que nem tá concorrendo). Achei cansativo, porque 2h40 de pessoas cantando não é mole, porém me emocionei com o filme. Achei um espetáculo em todos os sentidos possíveis. Minhas críticas batem com as suas. O romance de Cosette com Marius é muito abrupto. A personagem também teve pouquíssimo tempo de cena. Mas creio que foi devido a metragem do filme, que não poderia ser mais longo. Saí cantando a música da revolução do cinema, e amando o Gavroche! Não achei melhor que Django, como a Petra, mas achei INCRÍVEL. (e acho engraçado que, mesmos grandes revistas, dizem que o filme se passa na Revolução Francesa... ai, ai).

Abraços!

Assisti hoje, pós-furor-Oscar, e como gosto um bocado das suas resenhas, procurei para dar uma olhada.
Acho que estou até agora sob o impacto do filme. É fantástico! Um musical de qualidade, como há muito tempo não vejo. Apesar dele ser cantado do início ao fim das suas 2:40hs, não me senti cansada, apenas maravilhada. Músicas, cenários, figurinos, elenco, enredo, o capricho é impressionante.
Hugh Jackman como Valjean foi brilhante. Seus olhos transbordavam a bondade e a fragilidade daquele homem. Gostei mais da sua performance do que a de Liam Neeson, em outra versão.
Anne Hathaway - embora não tenha visto as suas concorrentes - mereceu a estatueta. Mas eu gostei muito de Eponine. A atriz, que eu não conhecia, tem uma voz linda e transpareceu uma doçura inesperada na personagem, pelo que a infância havia mostrado. Torci por ela, mesmo desconfiando que não teria um final lá muito feliz, e achei uma pena não ter tido mais espaço na história. Seu solo foi um dos mais bonitos do filme, e sua cena final com Marius uma das mais emocionantes.
Cosette. Ela tem uma função essencial na história, mas quase nunca aparece, e quando o faz, é de um jeito idealizado. Mas a personagem ganhava simpatia nas cenas com Valjean.
Nunca achei Russel Crowe um bom ator, mas nesse filme, ele está excelente como Javert. Aliás, a personagem dele é uma das mais interessantes, como o homem escravo das leis, de uma visão de mundo canhestra e simplória.
E as cenas da revolução são arrepiantes.
Havia um tempo que não me emocionava tanto ao sair do cinema. Até aquela perguntinha de "como Valjean conseguiu se manter a Cosette tão bem durante todos aqueles anos no convento" se desfez diante de toda a grandiosidade, como você escreveu, do filme.

Gostei do review, chorei de novo de lembrar das cenas.
Só consegui assistir o filme quando saiu em DVD, aqui no litoral de SP só vi em cartaz em um cinema!
Amei o filme, amei as cenas todas, desde o começo, os enquadramentos, as cores...
Aaah, e as músicas! Perfeitas, arrebatadoras! Hugh Jackman e Anne Hathaway foram sublimes! E digo isso como musicista (violoncelista e soprano).
Gostei muito de Russell Crowe, gosto dele e ele não me desapontou cantando, mesmo que se notasse que não é um cantor. Me lembrou o lindo Gerard Butler em o Fantasma da Ópera, até no timbre, às vezes, e na falta de potência nos agudos e nos graves, mas foi bom.
Amo Helena Bonhan Carter e achei as cenas do casal Threnardier um alívio cômico necessário pra um drama tão intenso.
O casal Marius e Cosette não me agradou e acho que nem foram os atores, mas o romance insosso. Eponine é muito mais intensa, envolvente. Me identifiquei muito com ela, com sua dor. A cena dela na chuva foi uma das que me fizeram chorar.
A maquiagem de Valjean velho não foi muuuuito impressionante mesmo, mas o que me incomodou foram as mãos! Nunca maquiam as mãos quando envelhecem um personagem?

Bom, eu tinha que comentar, mesmo depois de algum tempo! Dividir o prazer que tive assistindo esse musical.

Amo o filme. .. mas fiquei impressionada mesmo com a voz de Aaron Tveit. .

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