terça-feira, 9 de abril de 2013

Comentando Os Croods (The Croods, 2013)



Sábado fui assistir Os Croods (The Croods), nova animação da DreamWorks.  Eu realmente não esperava muita coisa, não, ainda que tivesse gostado do trailer que assisti no ano passado.  Mas, no fim das contas, acabei me divertindo bastante.  Os Croods consegue ser acessível e divertido tanto para crianças, quanto para adultos, com várias piadas em camadas que podem ser digeridas pelos pequenos e compreendidas pelos mais velhos.  Não é um filme excepcional, mas valeu o ingresso.

Para quem não conhece a história, os Croods são uma família de neandertais que moram em uma caverna e passam boa parte de seu tempo dentro dela se escondendo de ameaças de vários tipos, especialmente depois que todos os seus vizinhos encontram a morte de uma forma trágica.  Grug (Nicolas Cage), o pai da família, vê perigo em todo o lugar, teme qualquer novidade e reprime a filha adolescente, Eep (Emma Stone), cujo sonho é explorar o mundo. Um belo dia, Eep segue a luz do sol e acaba encontrando o jovem Homo sapiens sapiens Guy (Ryan Reynolds), que domina o fogo e avisa para a menina que o mundo está perto de seu fim.  Pressionados pelo cataclisma, que destrói sua caverna, os Croods tem que fugir e acabam descobrindo um perigoso e desafiador mundo novo.


Uma das coisas que é preciso esquecer com Os Croods é o rigor científico.  Logo no prólogo somos avisados que está acontecendo a desagregação do super continente, a Pangeia, algo que os especialistas acreditam que ocorreu uns 225 milhões atrás.  Não havia nenhum humano por aqui na época, claro!  Curiosamente, apesar de chutar qualquer cronologia, não temos dinossauros, nenhum mesmo, a não ser que consideremos algumas aves esquisitas que aparecem... Há elementos da megafauna e muitos bichos curiosos.  Aliás, o visual é uma dos pontos altos do filme. O 3D funciona maravilhosamente bem e tudo é muito colorido, um deslumbre.  Como em A Guerra do Fogo, humanos de espécies diferentes dividem o território e o fogo tem um papel importante e divertido na história.

Já a história, que pode ser enquadrada como dramédia, ataca várias questões típicas das famílias modernas.  Temos um pai que deseja proteger sua família em um mundo violento.  Só que a filha adolescente quer romper com as tradições familiares e desbravar o mundo.  Este pai, antes centro da vida dos parentes, se vê de repente competindo por atenção com um sujeito jovem, inteligente e atraente que, provavelmente, será o pai de seus netinhos.  A gente já viu esse filme antes, certo?  Mas a graça está sempre em como a história é contada.  E é preciso ressaltar que a moda agora parece ser colocar cabelos vermelhos nas mocinhas questionadoras.  Eep é ruiva como Merida e, porque não lembrar, Ariel, a pequena sereia.  As três têm em comum o enfrentamento das tradições, a curiosidade e o desejo de poderem fazer suas próprias escolhas.


Em Os Croods a aparência dos dois tipos de humanos é bem evidente, se bem que se me dissessem que a família de neandertais era extraterrestre, eu acreditaria.  Afinal, eles têm super força e velocidade, além de uma resistência física sobre-humana. A filhinha da família, Sandy (Randy Thom), não parece um bebê, mas uma cruza de Gremilin com o Taz dos desenhos animados.  Já o jovem Gay é abençoado com beleza e inteligência, mas acaba se integrando bem com os neandertais e percebendo que todos são humanos como ele.  No início, ele só tinha olhos benignos para Eep.

Das personagens do filme, cabe destacar, também, Ugga (Catherine Keener), a mãe da família, que ao poder gozar da liberdade, do sol, e da beleza da natureza, passa por uma mudança nível “10 Anos Mais Jovem”.  De repente, depois de atravessar o campo das flores carnívoras, ela aparece com cabelos soltos e um rosto muito mais jovial.  Nada como sair da caverna!  E há a velhinha, Gran (Cloris Leachman).  O que Grug mais deseja, além de voltar para a segurança da caverna, é ver a velha morta.  No início, ela parece a babá do Ruço de Pé na Cova, depois, ela, também, desabrocha e parece mais viva do que nunca.  É dela uma das melhores piadas, quando a beira do fogo começa a contar do seu romance com um jovem caçador coletor e termina dizendo “mas aí meu pai descobriu, matou ele, e me vendeu para o avô de vocês”.  Muitas das piadas de Os Croods tem a ver com tragédias e mortes, esta não é a única. Nem preciso dizer que a Bechdel Rule é cumprida, certo?


Outra das personagens legais é Belt (Chris Sanders), a preguiça de estimação de Gay.  Explicar o conceito de “bicho de estimação” para os Croods é difícil: bicho que mora com a gente e que não é comido por nós.  Para os Croods, que viviam o tempo inteiro no limiar da fome, isso não existe e a Vovó explica que “bicho que mora com a gente e que não é comido por nós” é criança e aponta para a netinha selvagem. ^__^ A personagem mais sem objetivo, já que é a tentativa de oferecer o alívio cômico forçado é Thunk (Clark Duke), o irmão burrinho e que faz tudo o que o pai manda.  A única cena boa dele é com Douglas, o bicho de estimação que ele acaba arrumando.  “Rola Douglas!” e o bicho rola penhasco abaixo. ^__^

No fim das contas, o objetivo de Os Croods é divertir as crianças e dialogar com os pais e adolescentes.  Os pais precisam aprender a temer menos por seus filhos, algo difícil em um mundo violento.  Precisam se abrir para as coisas novas, compreender que crianças crescem e precisam testar as asas.  Pais e filhos/as precisa aprender a demonstrar afeto uns pelos outros.  Às vezes, estamos tão ocupados que nos esquecemos de dizer, de expressar em palavras sentimentos que sabemos que são fundamentais.  É preciso falar antes que possa ser tarde, em Os Croods o mundo estava acabando... 


Eu tinha uma dificuldade enorme de dizer “Eu te amo” para meus pais na adolescência e eles também tinham.  Precisei ficar adulta para poder dizer essas três palavras sem achar que estava sendo boba ou melodramática.  Entre Eep e o pai a coisa acontece assim.  Os dois são muito parecidos, mas se estranham o tempo inteiro, pois a jovem acha o pai ultrapassado e autoritário.  O filme  tenta mostrar aos adolescentes que, ainda que obsoletos em certos aspectos, os pais têm seus méritos e desejam o melhor para nós.  Um pouco de compreensão de parte a parte, um pouco de diálogo, e muitos problemas poderiam ser evitados.

Não sei o quão superior a dublagem original é, coloquei o nome dos dubladores originais depois do das personagens, como vocês devem ter notado.  Mas a dublagem nacional estava muito boa e as piadas funcionaram.  A trilha sonora do filme também é legal, destaque para Shine Away.  Enfim, se você quiser assistir um filme família divertido, corra para o cinema para ver Os Croods.  Não é revolucionário, mas tem personagens simpáticas, piadas divertidas para todas as idades, mensagens edificantes para pais e filhos, e um visual estonteante.  Como pontuei lá no início, valeu o ingresso. ^__^

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1 pessoas comentaram:

"“Rola Douglas!” e o bicho rola penhasco abaixo. ^__^"

HUahauhau
Senti uma certa dose de sadismo. XD

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