sexta-feira, 16 de maio de 2014

Farra com dinheiro público também acontece no Japão. Leia e descubra o que isso tem a ver com o Shoujo Café



Comentei várias vezes aqui no blog sobre ações tomadas no Japão, inclusive envolvendo mangá-kas, para ajudar a população que vivia na área mais atingida pelo terremoto e tsunami de 2011. Um dos projetos, segundo o Rocket News 24, era digitalizar livros – mangás incluídos aí – que pudessem ajudar as pessoas atingidas pelo Terremoto Tohoku a ter acesso à informação.  Para isso, o Governo Japonês ofereceu uma verba de 1 bilhão de ienes, o que equivaleria à metade dos custos do programa.  As editoras teriam gastos, claro, mas estavam livres para comercializar os títulos digitalizados para o resto do país.  No fim das contas, tratava-se de uma parceria com fins humanitários, mas que teria como um dos objetivos impulsionar o mercado de e-books no país.  O tal projeto chama-se Kindigi e duraria um ano.  O prazo para o encerramento do subsídio governamental seria março de 2013.

Pois bem, parece que a coisa ganhou ares de escândalo quando se revelou que uma parcela dos 64.833 títulos eram mangás eróticos e/ou pornográficos.  Para a minha surpresa, e por isso estou publicando aqui no Shoujo Café, o RN24 só comentou material josei.  Não sei se não colocaram nada hentai na lista, ou o site (*e suas fontes, como o Yahoo Japão*) omitiu informação, ou a escolha foi muito curiosa.  Será que estavam pensando que as pobres mulheres vítimas da tragédia precisavam de diversão?  Enfim, nem eram tantos títulos assim, mas criou-se um escândalo, pois uma editora de Sendai colocou para circular propaganda que até debochava do fato de que aquele mangá erótico tinha sido digitalizado graças ao aporte de dinheiro público.


 Segundo o RN24, o projeto parece ter sido mal administrado desde o início.  Durante o seu primeiro ano, ele começou na primavera japonesa de 2012, somente 10% do número de títulos esperados, uns 6 mil, tinham sido digitalizados.  Faltava um ano para o encerramento e as editoras correram para digitalizar tudo o que podiam, aproveitando-se da falta de fiscalização em cima do dinheiro público.  Foram mais de 60 mil títulos digitalizados.  Enfim, os títulos pornográficos – e só citaram josei, repito – não somam mais de 100, mas foram digitalizados livros que tratavam de ocultismo; além de outros, como manuais técnicos, obsoletos e defasados.  Após uma auditoria, descobriu-se que dos mais de 60 mil títulos, somente 2.287 , cerca de 3,5%, tem alguma ligação com a área atingida pelo terremoto.  O representante do governo, Akira Nagae, se desculpou publicamente, e as editoras foram intimadas a rever todo o material digitalizado.  Em certos casos, terão que devolver a verba que lhes foi direcionada.

Tão Brasil, vocês não acham?  Só que lá, no Japão, eu até acredito que devolvam o dinheiro... Se bem que, olhando esse imbróglio todo, eu nem sei se dá para acreditar nisso, não.  Agora, ainda estou intrigada por terem escolhido traduzir josei pornográficos e/ou utilizá-los para fazer propaganda do Kindigi.  Vai entender... 

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