terça-feira, 12 de agosto de 2014

Rest in Peace, Captain! We will never forget you! - Meu tributo a Robin Williams


Queria poder ter escrito alguma coisa ontem mesmo, mas somente agora, pela manhã, tive tempo, energia e o impulso final para fazer este post.  Ia ouvindo a Rádio Bandeirantes antes das sete, levando Júlia para a creche, e comentaram a morte de Robin Willians, colocaram seu grito inesquecível de “Bom dia, Vietnã!” (Good Morning, Vietnam, 1987) e sua voz cantando uma canção do filme.  Senti as lágrimas nos olhos, aquele aperto na garganta.  Não chorei, mas estou quase de novo... Acho que é a primeira vez que me sinto assim por um artista. Enfim, um homem que vendeu alegria e sorrisos para o mundo sofria da doença da tristeza... 

Depressão é  um mal que assola muita gente e é subestimado, visto como frescura.  Talvez, a doença tenha sido a porta para o vício em álcool e drogas que atormentou o ator. E o próprio vício prejudica o tratamento, especialmente o medicamentoso.  Quando veio a notícia, virei para o meu marido e disse “overdose”.  Depois, veio a história do suicídio... Eu tenho profundo respeito pelos suicidas, aqueles que tiram sua vida precisam de muita coragem, no entanto, no caso dos depressivos, e eu sou casada com um, a coisa me soa como uma derrota.  Alguém perdeu uma guerra, não é culpa sua, ou toda sua, pode ser que alguém ao redor tenha alguma responsabilidade, mas, no geral, a mente e a alma do depressivo são envoltas em angustia, dor, desencanto com o mundo.  


Difícil ver o Robin Williams da minha adolescência e juventude como um depressivo na vida íntima.  Eu sou da geração de adolescentes que se encantou com Sociedade dos Poetas Mortos  (Dead Poets Society, 1989), que riu e chorou com Mr. Keating.  Ele merecia o Oscar por aquele filme e todo menino ou menina merece ter um professor como Mr. Keating pelo menos uma vez na vida.  Hoje, adulta e professora, tenho várias críticas ao filme.  (*Trata-se de um material para adolescentes e jovens, digo que professores precisam assistir O Clube do Imperador.*)  De qualquer forma, estou me roendo de vontade de entrar debaixo das cobertas (*Ah, se eu pudesse!*) e rever o Capitão e seus meninos e chorar e chorar de novo como quando e tinha 16 ou 17 anos.  Chorar por todos os depressivos que tentam sobreviver vendendo esperança para outros.  Quantos são?  

Outro filme inesquecível de Williams, pelo menos para mim, é Tempo de Despertar (Awakenings, 1990).  Ele, de novo, como um profissional empolgado tentando arrancar das sombras pacientes de um hospital psiquiátrico.  De novo, ri, quase  chorei, e fiquei para baixo quando o filme terminou.  O final da película não vendeu esperança, como em Sociedade dos Poetas Mortos, mas que a vida é feita de fracassos e sucessos, mas o importante é tentarmos mudar as coisas, fazer a diferença enquanto temos tempo.  É essa a mensagem do filme para mim.


Não fui marcada por nenhuma comédia com Williams, ainda que tenha rido com algumas, principalmente sua versão de A Gaiola das Loucas (The Birdcage, 1996).  Foram estes dois filmes que citei os que mais me tocaram, os que eu mais lembro, os que recomendo sempre.  Talvez as últimas falas de Williams veiculadas pela imprensa, algumas muito infelizes, tenham sido influenciadas pela doença.  Não digo que devemos tolerar tudo de um doente, e o depressivo é um doente, mas saber do seu estado pode ajudar a entender algumas de suas falas e atitudes.  

É isso.  Chorei.  Espero que as boas lembranças de Robin Williams povoem a nossa memória, não o  seufim trágico, os últimos dias de angústia e semi-ostracismo. Ele foi um dos grandes atores de seu tempo, seja em filmes cult, seja em comédias rasgadas, um astro completo que dividiu com todos nós os melhores sentimentos, mesmo, talvez, não os trazendo dentro de si mesmo.

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1 pessoas comentaram:

Ótimo homenagem valéria, acho que talvez no começo da carreira ele realmente tivesse esses sentimentos que ele trazia, mas depois foi perdendo aos poucos com a chegada da idade, e com talvez menos projetos pela frente.

Desejo melhoras pro seu marido, depressão é algo complicado mesmo, acho que quase todos já passamos por alguma de maior ou menor grau em nossas vidas, principalmente quando as situações são desfavoráveis. Seu marido tem sorte por ter uma grande esposa, e agora uma bela filha para cuidar, espero que ele retome sua paixão pela vida e compartilhe os seus bons momentos com sua família enquanto é tempo, a vida acaba rápido demais, e são tantas ou tão poucas palavras de amor realmente significativas para dizer, e acabamos por vezes não dizendo nada, ou só deixando lá para o final. Estou meio reflexivo quanto a vida hoje, vi a morte de Campos, e mais uma vez percebi como a vida é frágil, e como as palavras por vezes morrem enjauladas em nossas bocas até que o silêncio da morte as enterre.

É isso, felicidades para você, para seu marido e pra sua filha! A vida obviamente não é só feita de alegrias, mas pode ser recheada de afetos mesmo na tristeza.

Nicolas

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