domingo, 16 de novembro de 2014

Shinjo Mayu não deve retornar para o shoujo mangá


Já lamentei várias vezes aqui que algumas mangá-kas espetaculares, caso de Fuyumi Souryou, por exemplo, tenham deixado o shoujo mangá para sempre, ao que parece.  Já no caso de Shinju Mayu, bem, eu acho que a gente deve comemorar, se bem que ela deve levar os seus vícios para qualquer demografia a qual se dedique, mas vamos lá...


O ANN publicou uma matéria sobre a entrevista dada pela autora ao programa da TV Hikari chamado "Katte ni Dokusho Densetsu" (One-Sided Reader Legend), uma revista on line.  Foi perguntado se ela não pretendia voltar ao shoujo.  Shinju Mayu respondeu que:
Deve ter a ver com o elemento de fantasia. Um mundo inacreditável com um cenário inacreditável. Você sabe que é inacreditável, mas você mais atraído quanto mais você sabe que é. Eu também gosto do fato de que as meninas não aparecem nele. Desde muito tempo, eu amo o mundo dos homens. Mesmo que nós não estejamos falando sobre os BL, eu realmente gosto de coisas como a amizade entre homens e lutas entre homens, uma espécie de mundo que as mulheres não podem entrar. BL satisfaz esse desejo, e também traz a mesma emoção [do shoujo] em relação ao romance. É um gênero incrível.  Como um artista, eu sou péssima desenhando personagens femininas, por isso, para mim, ter os manuscritos feitos agora é o paraíso. Eu acho que eu nunca vou escrever shojo mangá novamente.
Algumas coisinhas a ponderar: 1. Difícil considerer que as personagens de BL, pelo menos em linhas gerais, sejam homens padrão, ou que o ambiente da maioria dos BL represente o “mundo dos homens”.  É uma idealização para atender às fantasias femininas.  A autora precisa de um choque de realidade... 2. Ela disse ter dificuldade desenhando personagens femininas, eu diria que ela tem dificuldades desenhando. Obviamente, quando a gente gosta de um autor ou autora, alguns de seus problemas são relevados. 3. Du-vi-do que ela não carregue seus vícios, isto é, romances baseados na violência, com uma personagem masculina que oprime e não raro estupra a mocinha como centro da história.  Sai a mocinha e entra o uke.


Shijo Mayu debutou em 1994 com Anata no Iro ni Sometai, na revista Sho-Comi.  Ela produziu mais de 25 mangás e um deles, Kaikan Phrase (快感・フレーズ), virou anime em 1999.  Alguns anos atrás, Shinjo Mayu entrou em conflito com sua editora, a Shogakukan, e se mudou, por tabela, foi mudando de demografia, também.

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1 pessoas comentaram:

Eu tive minha cota de Shinjo Mayu... Não tem muito o que dizer, né? São notáveis os problemas que ela tem. Não é uma perda muito grande ela deixar de desenhar shoujo manga, mas é preocupante a migração dela para o BL. Violência, submissão, estupro consentido, não raro são coisas que vemos no gênero (Okane Ga Nai, que acaba dia desses depois de uma surpreendente década em publicação, é prato cheio). E logo quando tem-se visto histórias bem mais elaboradas, com os personagens mais humanos e realistas, bem menos fetichizados, o que é um ganho tremendo em vários aspectos - tem um texto ótimo no Blyme a respeito, um especial sobre New Wave -, a perspectiva de um reforço nos velhos estereótipos é meio triste.

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