terça-feira, 14 de abril de 2015

Comentando o Clipe The Light da cantora Hollysiz



Não sei muito bem o que escrever, mas gostei tanto desse clipe da cantora Hollysiz, que eu não conhecia (*Oh, novidade!*), e precisava dividir com vocês.  Confesso, e isso pode ser fruto da minha grande ignorância, que a questão das crianças trans me parece incomoda.  Concretamente, elas existem, mas todas as crianças que são ditas trans, realmente são?  E o espaço da experimentação, do lúdico, da liberdade, da diversidade que deveria ser respeitada e não é?  O que quero dizer é que colocamos as crianças em forminhas de papéis de gênero, atribuímos a elas sentimentos e comportamentos que são culturalmente construídos, tentamos forçar, inclusive, uma orientação sexual heteronormativa desde o útero.  

Quem nunca viu mamães, vovós e papais pedindo para menininhos de colo “namorarem” meninas e mulheres mandando beijinhos e/ou piscando?  Domingo mesmo, na igreja, uma irmã comparou seu filho com a minha. O menino, que deve ser um ano mais velho que Júlia, queria atirar uns cartões no chão, aquelas brincadeiras normais de crianças pequenas que podem rapidamente evoluir para grandes pirraças... “Ah, ser mãe de menina é tão bom. Menino é tão bruto!” Aham, eu só soltei por alguns instantes meu pequeno diabo da Tasmânia para ela entender que, bem, eu tinha evidências empíricas de que a coisa não era bem assim... 


O que quero dizer é que este lindo e perturbador clipe merece ser pensado e repensado.  Ele mostra uma criança oprimida por papéis de gênero, seja ela trans, ou não; mostra a incompreensão de adultos e crianças, o desrespeito pelas escolhas e pela diversidade; mas mostra que com um pouco de amor a gente pode começar a entender e se entender.  E, sim, o pai do menino é a cara do Jim Parsons, o Sheldon de The Big Bang Theory.  E, bem, o melhor comentário do vídeo é que ele faz parte da terrível agenda de promoção dos vestidos horríveis. :)  Ah, sim!  O nome da música é The Light e é parte do álbum, My Name Is.  

ATUALIZAÇÃO (17h): Acho que não fui muito clara.  As crianças trans não são um problema, nem seu acolhimento, ou que seus direitos sejam reconhecidos (*aquela história do uso do banheiro, por exemplo*), eu fico com o pé atrás com rótulos em tenra idade.  Dito isso, pessoas trans são vítimas em potencial da intolerância, incompreensão, violência.  Basta abrir os grandes portais, os exemplos, especialmente de crianças e adolescentes submetidos a um sofrimento absurdo são muitos e variados.  Seu sofrimento e marginalização é algo concreto e inadmissível em uma sociedade que realmente seja plural e laica.  É isso.

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