sábado, 15 de agosto de 2015

Arqueólogos descobrem o túmulo de Red Sonja


Quando eu era adolescente, um dos filmes que mais gostava de assistir de novo e de novo era Guerreiros de Fogo, nome que foi dado aqui no Brasil para Red Sonja, filme protagonizado por  Brigitte Nielsen e baseado em uma famosa personagem de quadrinhos, uma guerreira bárbara de tempos imemoriais, assim como Conan, e que buscava vingança pelo assassinato de sua família.  No filme, ela afirmava que só aceitaria se relacionar afetivamente com um homem que a derrotasse em combate, o candidato, neste caso, era a personagem de  Arnold Schwarzenegger, ele mesmo o mais famoso Conan do cinema.  Raras eram as guerreiras em filmes e gente como eu se agarrava ao que lhe ofereciam e, bem, Sonja era uma isca e tanto.

Não me lembro de ter lido nenhum quadrinho de Sonja, a Vermelha, ainda que tenha sido por alguns anos leitora de Conan, o Bárbaro.  Lembro, sim, de ter lido uma poesia ilustrada em uma revista de Conan, acho que a primeira que li, em uma visita à biblioteca do SESC da minha cidade natal, São João de Meriti.  Não sei quem a compôs, não lembro se era tradução/versão, só lembro que era bonita e carregada de força.  Enfim, mas por qual motivo estou falando de Sonja, a Vermelha?


Acabei de ler uma matéria sobre uma descoberta arqueológica instigante no Casaquistão, ex-república soviética que teve papel fundamental na Corrida Espacial e ainda hoje para quem quer ir ao espaço, um esqueleto de mulher de cerca de 200 a.C, portando adaga e espada, firmemente presa em suas agora mãos esqueléticas.  Além da espada e da adaga, arcos e potes que outrora levavam alimentos.  Em um esqueleto masculino tais atributos denotariam que é um túmulo de guerreiro, mais ainda, de um guerreiro de alta categoria.  

Segundo o artigo, foi o primeiro túmulo feminino encontrado com tais características e não se tinha evidência ainda de mulheres guerreiras entre o povo nômade chamado de Kangyuy.  Foram 23 anos de escavações e ainda não foi encontrado outro esqueleto que apontasse que aquela mulher teria sido uma guerreira.  Não vejo a singularidade como problema.  Existem casos únicos, mais ainda, dado o tempo, a gente pode ter perdido muita coisa.  


Rastrear certas coisas é como montar um quebra-cabeça.  Alguns, por motivos diversos, foram guardados com muito cuidado, assim, fica fácil montá-los de novo e  de novo.  Outros, foram atirados em um lugar qualquer e podem ter tido peças danificadas, ou perdidas.  Alguns, foram deliberadamente destruídos, sobra uma ou outra peça, mas não muito mais que isso.  Cabe aos arqueólogos e historiadores aceitarem as lacunas, interpretarem criticamente os dados e nunca, nunca mesmo, imprimirem suas crenças, valores, representações sociais nas suas fontes.  Esse, sim, é o perigo.  Em outros tempos, talvez, este esqueleto fosse simplesmente rotulado de “masculino” e não falamos mais do assunto. 

Enfim, vale a pena ler a matéria, para quem se interessar, o conto de 1934, “The Shadow of the Vulture”.  Foi este conto de Robert E. Howard, o criador de Conan, que serviu de inspiração para a criação da Sonja dos comics por Roy Thomas e Barry Windsor-Smith, em 1973.  


Apesar de toda a exploração do corpo da personagem, ainda assim, ela é uma das favoritas das fãs americanas de quadrinhos.  De novo, quando se tem muito pouco, a gente agarra o que está disponível e, bem, o que essas leitoras fazem de Sonja é o que interessa.  Quantas começaram a desenhar e escrever por causa dela?  E essa produção interpretativa e criativa é pessoal e livre das intervenções da indústria.  Obviamente, ainda esperamos um novo filme de Sonja, a Vermelha, talvez já tenha chegado a hora.

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