segunda-feira, 28 de setembro de 2015

28 de setembro: Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na America Latina


Sem delongas, afinal, já escrevi sobre isso outras vezes, o direito de aborto não deveria ser regido pela religião,  deveria ser regulado pela lei amaparada em evidências científicas.  De resto, estão querendo confiscar das mulheres brasileiras os poucos casos em que a interrupção de gravidez é possível,  além de dificultarem o atendimento de mulheres estupradas no SUS, e a difusão de informações sobre métodos anticoncepcionais.  Informar é necessário para que o aborto seja reduzido ao mínimo de casos. 

Ao invés de julgar, especialmente, se você for um homem e sem a capacidade de gerar vida, respeite os direitos das mulheres. Enquanto o aborto no Brasil não for tratado como questão de saúde pública,  o que nos colocaria entre os países do primeiro mundo, mulheres irão morrer, principalmente, mulheres pobres.  Aliás,  no que depender de alguns, as mulheres serão investigadas até por abortamentos espontâneos,  como  acontece em alguns países dos mais atrasados do nosso continente.

Os que são contra o aborto, não raro são contra a educação sexual, a distribuição de métodos contraceptivos e, sim, ainda vêem com maus olhos a adoção, vide o modelo restritivo de família que nossos deputados evangélicos e católicos estão tentando impor através de um estatuto.  Defendem o crescei e multiplicai, mas raramente têm maisde dois filhos. Pararam de fazer sexo? Os contraceptivos naturais, como a tabelinha, são tão certeiros a despeito do que diz a ciência, ou o que vale para os outros não vale para eles? 

Terminando, a maioria das pessoas é contra o aborto, mas a descriminalização é uma necessidade. Descriminalizar não obriga ninguém a abortar, descriminalizar significa dar segurança para as mulheres que desejam e/ou precisam interromper uma gravidez estabelecendo prazos. A não descriminalização só beneficia as clínicas clandestinas e gera terror em muitas mulheres, enquanto outras, as que podem pagar, continuarão abortando com segurança, às vezes, com o apoio de homens que publicamente condenam a prática eperseguem mulheres. No mais, recomendo um filme já antigo, Vera Drake, não concordo com todo ele, mas mostra bem o desespero, o abandono e a hipocrisia que circundam o debate sobre o aborto.

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